segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ditado popular escatológico

Eu gosto muito de ditos e ditados populares. Desde criança eles habitam minha imaginação, tal qual as charges do André Macedo com o Betinho imaginando as palavras.
Tem alguns ditados que a gente só compreende depois de muito tempo. A minha mãe, quando estava fazendo alguma coisa em casa e eu ou meus irmãos íamos pra volta sempre dizia: "fica perto de quem tá cagando, mas não fica perto de quem tá trabalhando". Não é um linguajar muito bonito para uma mocinha né? Mas meu irmão que fez oficina de literatura disse que o escritor não pode ter pudores. Então...
Bem, voltando ao ponto da questão...
Na época eu não entendia, porque, pra mim, ficar perto de quem tá cagando não é muito... cheiroso, digamos assim. Não fazia sentido e não era agradável. Por outro lado, hoje quando estou fazendo alguma atividade doméstica e preciso virar pra um lado, pegar alguma coisa e minha sobrinha está no caminho, bem pertinho de mim lembro da mãe e seu ditado escatológico. Agora sim faz sentido! Perto de quem está "no trono" não o atrapalharíamos, a menos que a pessoa seja do tipo envergonhada e que não consegue fazer as necessidades fisiológicas com alguém por perto.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Quiii teeempo bom, que não volta nunca mais...

Na nossa família tudo vira festa e pode, também, virar briga. Tudo dentro do contexto, claro!, brigamos entre nós. Mas entre nós. Aí de quem vir falar mal de alguém para outro familiar! Aí sim é que a briga fica feia. Mas no geral somos da paz, mesmo que pareça que estamos brigando. É que todos falam alto. Na roda de chimarrão as conversas se misturam e o que está numa ponta vai lá e responde para o que está na outra, tudo em alto e bom tom, cada um em seu lugar. E já que estamos todos juntos vamos fazer alguma comilança. É assim... uns contam piadas, outros fatos da vida que mais parecem piada, fazemos comentários sobre a vida alheia, adotamos namorados e namoradas dos primos como se fossem da família, bebemos (se não tem bebida a gente faz uma vaquinha pra comprar, geralmente esquecemos o refri), comemos (aqui também se faz vaquinha, mas geralmente cada um leva umas batatas, uns pedaços de carne e galinha e tá pronta a comilança), nos unimos nos momentos difíceis, mas bom mesmo é quando é festa.

Das lembranças da minha infância o ajuntamento na casa da vó Mália é o que mais nítido eu trago. A casa sempre estava cheia, muitas crianças, entre elas eu, os tios e tias conversando da vida e a cozinha do fogão a lenha. Talvez seja por isto que lá fora eu fico do lado do fogão no inverno e no verão.
Aquela cozinha era disputada por tanta gente que sempre ficava uns dois ou três pra fora. Era neste cômodo que a mulherada tomava chimarrão, que a vó cozinhava o risoto de domingo, que fazíamos batucada até altas horas.
Lembro de uma vez que meu tio Chicão tava num bar perto dali. Daí vieram avisar que ele tinha brigado na venda. Lá vinha o Chicão, triste, chorando. Ninguém sabia o que realmente tinha acontecido. Todos o interrogavam e ele chorava. Todos já alterados, preocupados que tivesse acontecido algo de grave, até que ele disse entre lágrimas:
_ Quebrei meu violão na cabeça daquele filho da puta!
_... e tá chorando por que?, alguém indagou.
_Por causa do violão.
Era meu tio Chicão que puxava a cantoria na cozinha do fogão a lenha. O batuque acontecia no fundo do balde, outro chacoalhava uma caixa de fósforo, outro fazia um som com duas colheres e todos soltavam a voz a plenos pulmões. "Quii teeempo bom! Que não volta nunca maiiisssssssssssssssssss!" Essa é a música do Chicão, não tem uma vez que eu escute essa música que não lembre dele. E onde tem batucada tem gente dançando.
De fora podia ser que alguém, um entendido em música considerasse aquilo uma afronta, um horror! Mas para nós aquilo era uma festa! Celebrávamos mesmo sem data especial. Comemorávamos o simples fato de estar juntos. Na minha família é assim, rimos, festejamos e choramos todos juntos, não importa se o sacrifício é grande e a estrada é longa. Estamos juntos e isto nos basta.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Recebidas por email

Outro dia recebi por email a mensagem que reproduzo logo abaixo. Não me considero afetada por ela, pelo contrário. Fui criada pela minha mãe e pelo meu pai para ser uma mulher independente. Nenhum deles me incentivou a casar e ter filhos. Diziam que eu deveria estudar e trabalhar, ter uma profissão e depois, mais tarde casar, se encontrasse alguém. Embora não acredite em príncipe ou homem perfeito, mais de uma vez me disseram que eu encontrarei meu príncipe encantado. Gosto mais da versão daquelas pessoas que dizem que encontrarei um companheiro que me amará assim como eu o amarei.
"Era uma vez um rapaz que perguntou a uma garota se ela queria casar com ele.

A garota disse NÃO.
E assim ela viveu feliz para sempre sem lavar,sem cozinhar, sem passar roupas para ninguém,saindo com suas amigas, ficando com quem queria, gastando seu dinheiro consigo e sem trabalhar para ninguém.

FIM


O problema é que não nos contam isto quando somos pequenas
Nos enchem com o conto do maldito príncipe azul!

Para todos aqueles homens que perguntam: para que comprar a vaca se posso ter o leite gratuito, temos que dizer: Hoje em dia 80% das mulheres estão contra o matrimônio. Por quê? Porque as mulheres se deram conta de que não vale a pena comprar o porco inteiro por uma salsicha."


Talvez por isso, e ele irá se encher de grau, tenha gostado mais da versão de protesto escrita pelo meu amigo, inteligentíssimo e bem humorado, Cláudio Azevedo Fuhrman, que reproduzo logo abaixo o email dele e a estória.

"De todo o "textículo", não vou te xingar, pois gostei da parte que diz "Agora , envia esta mensagem ...a um homem compreensivo, nobre e com bom humor que tenhas a sorte de conhecer .
Como sou otimista e vejo o lado bom de tudo, vou recontar esta história, com um final menos solitário.

Vejamos…
Era uma vez uma garota compreensiva que sabia que o homem perfeito não existe... , mas inteligente sim..., e que teve a sorte de conhecer um homem inteligente.

Como ele era inteligente...

...dividia com ela àquelas tarefas, que as modernas máquinas ainda não fazem.
... propôs a ela que o melhor era fazer refeições fora... refeição em casa, só com aquele vinhozinho esperto, música de fundo e a lingerie sensual...
... gastava mais com presentes para ela; e ela descobriu que bom mesmo é presentear aos outros, do que a si mesmo...
...deixava ela sair com os amigas, com a condição que ele poderia fazer o mesmo.


Era uma vez uma garota... que descobriu que a compreensão, a nobreza, o bom humor só são transmitidos quando recebidos e que o gostoso da vida a dois está, não na tentativa de mudar o outro e, sim, no desafio diário de achar a melhor forma de resolver as diversidades, sempre com compreensão, nobreza(que é irmã do respeito) e bom humor... de ambas as partes..."

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Decepção

A decepção só acontece porque nós nos iludimos tanto com alguém, ou alguma coisa, que não conseguimos ver a essência. A decepção é uma surpresa ruim. Mas não é aquela surpresa ruim que nós inventamos. A que inventamos funciona mais ou menos assim, queremos muito uma blusa que experimentamos numa loja e ficamos pensando, bem que fulano podia me dar esta blusa né? Mas não contamos ao fulano que a queremos. Só que é natal e já compramos aquele livro ou Cd que ele falou que queria comprar. Então esperamos pela surpresa. A surpresa começa pela leitura do nosso pensamento, da adivinhação das nossas vontades, que responda com as exatas palavras com que sonhamos. Mas algumas pessoas, os homens especialmente, são distraídos por natureza. Então que compram um perfume ou uma lingerie, ou uma outra coisa qualquer que eles imaginam que queremos. A surpresa ruim é não ter ganho a blusa.
Quando nos decepcionamos com alguém a situação é bem mais intensa e profunda. Tem quem sinta dor física, dependendo do tamanho da decepção. Nós olhamos para tudo aquilo e não acreditamos, ficamos rebobinando a fita da memória tentando entender como as coisas foram acontecer daquele jeito e, é claro, em vários momentos nos culpamos. E a culpa é realmente nossa por termos criado uma imagem perfeita, muito aquém daquele ser que está ali. Não porque a nossa ilusão seja melhor, mas porque na nossa idealização tudo saí como a gente quer.
No entanto, tem alguma coisa naquela ilusão toda que é verdadeiro. Que seja amor ou amizade, mas de alguma parte tem que ser real para que a decepção aconteça. Até porque... se nenhuma das partes tem verdade na relação... não existe relação e ambos estão protegidos da decepção e da tristeza.
Em 32 anos de vida não lembro de ter tido decepção. Tive várias tristezas, amores não correspondidos, amigos que se afastaram com o tempo, outros que não eram tão amigos assim. Mas decepção que me levasse a fazer uma revisão nos meus valores e no meu modo de agir com meus amigos é a primeira vez. Existem pessoas que não são sinceras com a gente e mesmo que tentem disfarçar se pode perceber na sua maneira de olhar, em alguns vícios na maneira de falar sua falta de sinceridade. Por outro lado, há pessoas que são sinceras até demais, que mantém a relação de forma saudável, só que um dia qualquer, por um motivo qualquer mostram uma face que desconhecemos. Agem de forma inesperada, dizem coisas que jamais diriam, fazem coisas que não fariam antigamente. É neste caso que a decepção nos parte ao meio. Nos faz perceber o quanto nos iludimos na defesa de algo que apenas nós sentíamos ou entendíamos. É como a secretária ter um caso com o superior no escritório, um belo dia ela recebe a demissão. Ele a demitiu porque a mulher descobriu o caso, mas disse que foi por outro motivo. A decepção dela não é por ter sido demitida, mas por ele não ter tido a decência, a compaixão, a dignidade de dizer a ela o que aconteceu. Deixou que ela fosse pega de surpresa, despreparada. Ela se sentiu humilhada, traída, arrasada. Ele misturou um assunto particular, pessoal com um profissional.
Ela se sentiu arrasada porque sabe que n'outra situação semelhante o chefe lhe diria o motivo da demissão e neste caso ela sabe o motivo, assim como sabe que é injusto.
Minha sensação de decepção é parecido com este. Não há explicação que faça o sentimento de ter recebido uma rasteira passar. O coração se partiu e agora a decepção deu lugar a um cansaço tremendo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Esse vento que nos "contrareia"!

Algumas coisas aprendemos com certa rapidez (considero que aprendo com facilidade), outras só são compreendidas a duras penas. É claro, que se incarássemos a vida de uma forma tranquila, natural e leve tudo seria muito mais fácil. Como na música do Zeca Pagodinho, se deixássemos "a vida nos levar", aceitando o que vem de bom e de ruim, seríamos mais capazes de nos permitirmos ser felizes. Tá certo que tem momentos em que é bem difícil ver o lado bom daquela "catástrofe" que nos acontece. O que não podemos é perder a capacidade de olhar pra trás e, se não conseguirmos enxergar o lado bom, pelo menos, aprender com o ocorrido.
O vento é assim, é como a vida. Ele nos leva se quiser, mesmo que a gente não queira, que nem a vida. Então, como o vento é como a vida, tenho aula de reforço todo o ano, porque... gente... eu moro em Pelotas, já vivi em outras cidades, mas nunca estive num lugar que tivesse tanto vento por tanto tempo ao longo do ano. Sendo assim, aprendi um pouco, bem pouquinho, com o vento, a deixar a vida me levar assim como ele, levava meus cabelos.
Ele é um professor insistente. Quando saímos a rua e é o seu dia, não adianta gel, nem laquê, nem presilha de cabelos. O penteado despenca, a boca e os olhos ficam com areia, as roupas voam e nas esquinas parece que quem irá voar somos nós. Até mesmo os passarinhos, acostumados a planar ao seu gosto, tem dificuldade de se manter numa direção.
Foi assim, a duras penas, jogando muitas vassouras no chão e até chorando que a Gilda aprendeu que, em dia de vento é impossível varrer. Vamos a história.
Como contei, a Gilda, minha prima, morou conosco durante um tempo. Fazia companhia pra vó Cela, cuidava um pouco de meus irmãos e de mim e ajudava a mãe em alguns afazeres.
Um dos afazeres que mais lembro da Gilda fazendo era varrer o pátio. Tínhamos um pátio grande, comprido, com duas garagens. Nos fundos do pátio, próximo a casa da vó tinha algumas árvores frutíferas, entre elas uma parreira, que perdia normalmente suas folhas e nos dias de ventania ainda mais.
Então lá ia a "Xita", vassoura em punho, determinada a acabar com a sujeira do pátio. Vinha dos fundos para a frente numa tentativa vã de vencer o vento que soprava da frente para os fundos. Com seu jeito meio doido e desajeitado ela esbravejava no terreiro contra o vento. Daí mudava a estratégia. Para enganar o vento e pegá-lo de surpresa ia para a frente da casa e vinha varrendo espevitadamente. Ao que o vento respondia com um redemoinho levantando as folhas e a terra do chão no rosto da Gilda, como se desse uma baforada de cigarros na cara dela, com a diferença de ser poeira ao invés de fumaça. Que raiva que ela sentia daquele vento danado, cretino e desavergonhado, que levanta a saia das moças na esquina e não deixa que uma trabalhadora varra em paz o pátio da casa. Nessa hora ela não se continha e gritava chorando:
_ Ôh! tiia! Olha aqui este vento tia!
A minha mãe rindo disfarçadamente dizia:
_ Muda de lado Gilda, varre pro outro lado.
Era então que mais uma vez, lá ia a Gilda para os fundos da casa recomeçar a varrição. E bem que tentava varrer. E bem que tentava não se deixar vencer pelo sopro que levava para onde já estava limpo toda a sujeira. A Gilda não aguentava isso e se rendia, chorando e gritando como em surto, jogava a vassoura no chão:
_Olha aqui tiia! Esse vento só me "contrareia"!
Ô Gilda, como o tempo passou! E como ele nos contrariou tantas e tantas vezes naquele pátio. Varríamos cada uma de um lado, na tentativa frustrada de sermos mais rápidas que o vento. Quantas vezes corremos por lá. Quantas vezes apaguei a luz para te assustar depois de uma "sessão noturna" de filmes de terror. Mas o tempo, assim como o vento que remove montanhas carregando-as grão por grão, foi nos levando pra longe uma da outra. Não é à-toa que se fala nas areias do tempo, aquelas que escorrem pela ampulheta. Assim como elas, fomos pouco a pouco nos afastando. Hoje, a semelhança dos tempos da tua adolescência e da minha infância, tens muitas responsabilidades, marido, filhos, um bar para cuidar. Bar este onde "é proibido entrar bêbado, mas sair poooode"!
Agradeço muito a ti por ter sido tão presente na minha vida, por ter me dado tantas boas recordações. Lamento apenas não ter dito o quanto te amo, o quanto és especial para mim. Quem sabe, jogando estas palavras no vento, um dia eu tenha a oportunidade de te dizer tudo isto? Pode ser que ele não nos "contrareie".

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Nomes bons para gritar

Tem nomes que parece terem sido feitos pra gente gritaaarrrrrrrrrr até ficar rouca. Não que eu saia pela rua gritando o nome das pessoas. Na verdade, quando eu vejo um conhecido na rua faço "psiu!", coisa, aliás , que eu não respondo quando fazem pra mim. Mas eu digo que tem nomes bons para gritar por causa da minha avó paterna. Eu não conheci meu avô paterno, pessoa muito boa, pelo menos, é o que se pode supor de alguém, mesmo sem conhecer, que se chama Gentil. Ele me conheceu. Chamava minha mãe de castelhana, porque ela sempre estava com o chimarrão do lado, e a mim de potranquinha. Não tenho lembrança alguma dele. Ao contrário da Vó Cela, desta sim tenho inúmeras imagens guardadas na memória.
A vó Idorcelina, mais conhecida como vó Cela foi morar lá em casa quando eu era bem criança, devia ter uns nove anos, acho... Ela morava nos fundos da nossa casa, onde tinha o quarto e a cozinha dela. Junto com ela vivia a minha prima Gilda, que deve ser uns cinco ou seis anos mais velha que eu. Nós aprontávamos muito, lá em casa éramos muito ligados a "Xita", como chamava meu irmão.
Foi um tempo muito bom, do qual guardo ótimas recordações. A vó fazia umas comidas que eu adorava, entre elas a canja e um picolé de chocolate, que ninguém sabe a receita. Ela fazia mate na casca da laranja de umbigo e era uma delícia. E este, mesmo sabendo como fazer, não é a mesma coisa. Porque aquele mate doce na laranja tem um gostinho de infância, de meninice, como diriam os poetas, que mesmo com todo o açúcar que se coloque na erva jamais será o mesmo gosto. Pode até ser parecido, pode ser o combustível para trazer a tona lembranças guardadas profundamente de dias ensolarados de inverno no pátio da minha casa. Mas o gostinho não será o mesmo.
A Gilda tinha muitas responsabilidades com a vó Cela, tinha que cuidá-la, ajudar nos afazeres da casa e tudo mais. Só, que ela era adolescente, queria farrear, namorar e ter um tempo pra ela, para as coisas dela. Mas quando não era a vó chamando, éramos eu e meus irmãos na volta dela. É por isso que digo que tem nomes que são bons de gritar, a "Xita" ia ver televisão com a gente lá em casa e a vó ficava nos fundos e de lá chamava...
_Giiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiilllllllllllllllllllllllllllllllda!
Então ela saia correndo. Vez por outra acabava levando uns cascudos, umas bengaladas... Sabe como é... Por causa dessa possível herança genética, disse pro meu pai que não vou dar a ele bengala.
Aí! Fico escrevendo sobre a vó e lembro tantas coisas que aconteceram e que cotidianamente não recordo. Além das comidinhas, a vó Cela sempre levava o chimarrão da manhã para tomar com a mãe. Levava a sua cuia pequena, com ervas no bule d'água. Uma vez, nossa!, estávamos com uma obra em casa, e tinha umas caixas que o pedreiro usava para carregar massa. A vó vinha lá dos fundos com o bule de água e a cuia e caiu na caixa do cal. Pobrezinha! Ficou entalada na caixa gritando: (aqui relembro, mais uma vez, há nomes bons de gritar)
_Riiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiita!!!
Tivemos que chamar uma enfermeira que era nossa vizinha para fazer uns curativos na vó. Claro que depois de tudo a gente riu bastante da situação, porque ela caiu na caixa e não durrubou nem a cuia e nem o bule.
Minha avó não era uma pessoa assim tão fácil de conviver. Na época, era o que eu pensava, mas olhando pra trás, nós crianças e ela já mais velha, na verdade a maior dificuldade era a diferença de idade que existia. Ela queria que a gente se comportasse como adultos e, nós, do nosso lado sendo criança e achando que ela era muito chata. E ainda por cima não deixava a "Xita" brincar com a gente.
Mesmo com a ranzizisse da idade a vó sempre gostou de ter a gente por perto. Não lembro de sentar no colo dela, mas recordo de ficar na volta enquanto ela cozinhava, de ela nos repreender por colocar muito limão na comida, porque limão afina o sangue.
O mais importante foi ter convivido de perto com a vó e com a Gilda e de alguma forma com meus tios e tias. A família do meu pai não é muito de se visitar, mas quando a vó estava morando lá em casa todo o sábado as tias nos visitavam.
E o melhor de tudo era saber que a família era grande e cada tio tinha me dado mais de dois primos e que a convivência com alguns deles é algo que guardo com muito carinho no meu coração, numa caixinha valiosa que sempre levarei comigo.
Mais adiante foi contar umas histórias engraçadas da Gilda, minha prima querida.