terça-feira, 23 de abril de 2019

"Nas voragens do pecado"

Minha leitura atual se ambienta na França de Catarina de Médici!Uma rainha cruel, que sob o manto da defesa de Deus e da igreja organizou um massacre de luteranos e calvinistas. Sempre que leio ou assisto filmes sobre a  "noite de São Bartolomeu" sinto-me profundamente chocada com a capacidade de usar o nome de Deus para matar pessoas! Óbvio que essa foi uma boa desculpa para muitos se livrarem de desafetos seus, adversário políticos, rivais no coração de alguma dama, enfim...
Nesse romance espírita psicografado por Yvone do Amaral Pereira a história que se desenrola se dá após o ataque do capitão da Fé, Luis de Narbonne, a família de huguenotes Bretencourt de La-Chapelle. O ataque culmina acontece após o filho mais velho da família, Carlos negar-se a apresentar-se diante do capitão e renegar sua fé. A chacina não poupou ninguém! Foram executados adultos, crianças, patrões, empregados, vizinhos e amigos presentes no culto do evangelho que Carlos realizava todos os domingos para estudar o evangelho de Jesus.
Sem desconfiar de nada Luis de Narbonne  crê ter aniquilado a família, mas uma sobrevivente existe. Ruth Carolina, que após jurar no leito de morte da amiga de infância e cunhada Otília de Louvigny, vai a corte em busca de vingança.
Tramas na corte, jogos de interesse, uma Rainha que controla com mão de ferro os filhos fracos que herdariam o trono fazendo todo o possível para afastar os perigos de golpe de filhos bastardos ou sucessores indiretos, como os Valois. A primeira parte conta como se deu a chacina dos La Chapelle, como ficou Ruth desamparada e como arquitetou todo o plano de vingança a moribunda Otília de Louvigny, que teve seu sonho de amor ceifado pelo assassinato de Carlos, seu noivo e irmão de Ruth.
Esta parte também nos ambienta na Paris de 1572 e conta-nos o encontro entre de Narbonne e aquela que seria seu amor e perdição.
Yvone do Amaral Pereira nos dá muitos e ricos detalhes sobre as relações, sobre os locais e as pessoas. Vale muito a pena a leitura.
Outra obra que fala do mesmo tema é o livro de Rochester "A noite de São Bartolomeu" do qual falei aqui. Apesar de apenas estar no início da segunda parte posso perceber que a busca pela vingança aprisionou as almas destas três personagens de forma muito avassaladora. Assim que concluir venho até aqui comentar essa segunda parte!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Quatro anos sem Claudia Hartleben

Sempre falo que a pior coisa que pode acontecer a uma mãe é ter um filho desaparecido. É não saber o que aconteceu, onde está seu filho! Deve ser a pior sensação do mundo para uma mãe não ter a certeza se o filho está vivo ou morto! Não sou capaz de dizer se é pior que saber que o filho desencarnou. Mas digo, com toda certeza de que é profundamente cruel, que é uma chaga que se abre continuamente, justamente pela "possibilidade" daquele desaparecido voltar.
O coração de mãe não se engana, mas ele não deveria viver este luto interminável! Fico tentando, sem sucesso,imaginar como não está o coração de dona Zilá, mãe da professora Cláudia. Tenho plena consciência de que a fé dessa mãe é que a ajuda a manter-se de pé e com a firmeza moral que lhe é visível, desde a primeira entrevista.
Dona Zilá é firme, é forte e consegue consolar e argumentar conosco para que não fiquemos revoltados contra a Justiça. Ela está resignada! Ela escreve a sua filha e a liberta confiando na Justiça Divina. E com essa grandeza e esse amor consegue tocar o nosso coração, nos fazendo pensar como seria nossa reação se estivéssemos no seu lugar.
Peço que Deus e a espiritualidade console o coração desta mãe que, pela crueldade de alguém, foi privada da companhia da filha amada! Que Cláudia seja protegida e auxiliada na espiritualidade, onde, tudo leva crer, já se encontra.
A seguir reproduzo a carta de dona Zilá, publicada no blog Para Cláudia!

"Cláudia minha filha, a Maria Júlia me disse: quer coisa ou motivo maior ou melhor que saber que os que amamos estão bem?!Procura a renovação mental, pensando em todas as coisas boas que vivencias no momento.

A justiça dos homens não é a justiça de Deus, então é preciso que vivas esses bons momentos na tua vida e deixa que aquelas folhas que se vão vão vão…
A alegria e a emoção me invadiram naquele momento, em saber que estás usufruindo tudo de bom que plantastes aqui na terra.
Aqui as homenagens se sucedem, nos enchendo de orgulho.
O nosso reencontro será lindo! Que Deus me ajude que eu consiga ir para onde estás filha.
A tua Paineira está toda florida e as Nogueiras cheias de frutos. Estás aqui em todos os lugares e momentos!
Te amo filha!
Que Jesus te abençoe e te guarde e Maria Santíssima te cubra com seu Sagrado manto.
Te amamos,
Mãe"

segunda-feira, 25 de março de 2019

A Casa do Rio Vermelho

Faz dias que não escrevo! Muitas coisas aconteceram e ao mesmo tempo eu sentia falta de assunto pra contar aqui. Então eu terminei hoje de ler o livro da Zélia Gattai e eu amei tanto que fiz muita propaganda pra todo mundo com quem eu conversei. E achei por bem, que deveria contar aqui mais um tiquinho do que li. Bem tiquinho, só pra vocês terem vontade de ler também.
Disse a minha sogra, que tenho certeza que se ela fosse escrever um livro de contos sua narrativa seria semelhante a de Zélia, cheia de pormenores e historinhas dentro da história maior. Acredito que ela contaria muita coisa interessante de sua vida lá no Capão do Leão, sua vinda pra Pelotas, além de várias histórias engraçadas que ela costuma nos contar nos encontros de família. Agucei o interesse dela e no outro dia da nossa conversa ela foi num sebo procurar alguma coisa da Zélia Gattai, encontrou Jardim de Inverno. Estou louca pra saber o que vai achar do livro!
Mas, voltando ao livro... O que mais amei foi poder estar tão próxima do Jorge e da Zélia. Saber de seus passeios e viagens, dos encontros com os amigos, que pra mim eram tão distantes como Pablo Neruda, por exemplo. Saber pelos olhos de Zélia sobre os tempos de ditadura militar no Brasil, coisa agora exaltada pelo atual presidente e seus eleitores. Perceber que eles se exilaram do país, mas nunca perderam a capacidade de amar o Brasil e que por onde passaram fizeram grandes amizades. Aliás, aprendi muito sobre amizade e amor neste livro! Fiquei um pouco mexida ao final quando Zélia conta o último encontro deles com Pablo Neruda e este lhe pediu: "não me pergunte por ninguém, já morreram todos"!
Uma vez ouvi alguém falar, numa entrevista da televisão, não sei se era Ariano Suassuna ou outro autor, que dizia que o preço de viver muito era ver todos aqueles que amamos partirem! Esse final do livro de Zélia é um pouco assim, cheio da saudade daqueles que se foram!
Mas não desistam de ler A casa do Rio Vermelho por este meu comentário, pois o livro todo é de uma leveza sem igual. Aliás, assim que percebo a autora, uma leveza, um sorriso nos lábios, um amor por seu Jorge, uma casa acolhedora para os amigos, seja onde quer que a casa estivesse Rio, São Paulo, Bahia ou Paris! Como costumava dizer o jardineiro deles, Zuca "Dona Zélia é tão interessante..."
É sim, interessante por demais!

quarta-feira, 6 de março de 2019

Vivendo a Bahia

Faz uns dias que estou vivendo na Bahia! Sim, na Bahia de Zélia Gattai e Jorge Amado!
Vejo a Salvador pelos olhos e lembranças de Zélia num período anterior a ditadura militar, posterior, durante e da época em que colocava as memórias no papel, lá pelos anos 90, contadas através das muitas histórias ocorridas na casa do Rio Vermelho. Tenho vivido entre artistas de todas as áreas nesta tão aconchegante casa da rua Alagoinhas, 33. São lembranças cômicas, outras tão ternas que sentimentos a emoção do momento, outras de fé, são memórias de todo o tipo que nos fazem sentir parte da família sentados na varando, ouvindo a máquina de escrever de Jorge e o miado do gato Nacib.
Já a Bahia de Jorge Amado é uma Bahia de luto, com um pelourinho repleto de homens e mulheres fortes, pelejando para que, como negros, fossem respeitados ali, naquele lugar que era tão deles quanto dos brancos com ideias anti-semitas retratada e interpretada lindamente em Tenda dos Milagres. Ontem assisti ao capítulo em que mestre Lídio é levado para prestar esclarecimentos sobre seu negócio ao delegado Francisco mata negros. Lembrava dessa cena vivamente! A ameaça de quebrar os dedos do artista, o espancamento, Zé Alma Grande seguindo a vida de capitão do mato perseguindo seus irmãos. Que agonia, que aperto no peito!
Minha memória de criança traz muito forte a emoção que senti ao assistir as cenas pela primeira vez. E minha memória mais antiga ainda, aquela das outras vidas, me faz sentir parte do terreiro de Magé Bassã! Lembro como a forma que a mediunidade dela acontecia, o jeito como enxergava o que viria a acontecer me encantava, apesar do certo medinho que acompanhava a possibilidade de uma visagem!
Confesso que não lembrava da história de Jerônimo e Rosa de Oxalá, tampouco lembrava de sua filha. Mas lembrava perfeitamente da Yaba! Acho que era pela beleza daquela mulher que surgia nua da cintura pra cima e com a cabeça raspada!
Essa Salvador nos encanta e ao mesmo tempo nos faz lembrar que não podemos parar de lutar. Hoje, vivemos momentos em que as pessoas pensam poder botar pra fora todo o preconceito contido em seus peitos. Ainda existe perseguição e racismo no nosso país! O mais triste é que é nas palavras e atitudes do presidente do país que estes preconceituosos acham apoio pra suas intolerâncias.
Acontece que esse povo de luta não se achica e não se entrega, dão sua vida pela liberdade, dão exemplos de amor e de solidariedade. E estes que lutam são a maioria! São eles que fazem as coisas mudar e acontecer. Tanto é verdade que no carnaval do Rio de Janeiro deste ano a escola campeã é Estação Primeira de Mangueira, que levou para a Sapucaí o samba-enredo Histórias para ninar gente grande e homenageou os esquecidos da história oficial do país!
Muito agradecida Mangueira por mostrar que sim, escolas de samba ensinam sobre muita coisa passando pela arte, pela história e pela política!

Samba-Enredo 2019 - Histórias Para Ninar Gente Grande
G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira (RJ)

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500
Tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não tá no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
Tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos brasis que se faz um país de lecis, jamelões
São verde e rosa as multidões

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Zélia Gattai uma contadora de histórias de primeira

Conheci a escrita de  Zélia Gattai quando criança. Ou melhor, conheci a primeira das suas histórias  graças a uma minissérie da Globo chamada "Anarquistas graças a Deus"! Mesmo nome do livro da autora. Apesar de, naquela época, minisséries não serem muito recomendadas para crianças, eu assisti. Tempos depois, (e foi muito tempo mesmo!) li o livro "Crônicas de uma namorada", primeiro livro de Zélia que lia e me apaixonei pela maneira de escrever dela. Já era fã de Jorge Amado, muito tinha lido dele, mas ela me encantou demais. Lembro que certa vez assisti uma entrevista do casal em que Jorge contava do dia que Zélia havia decidido escrever, ou melhor, contar a história da sua família e ele do alto da sua experiência disse a ela "escreve, mas escreve assim, exatamente do jeito que tu conta"! E foi um sucesso!
Atualmente estou lendo a "Casa do Rio Vermelho"! É uma autobiografia, são contos muito engraçados, outros emocionantes da vida de Jorge e Zélia na volta para a Bahia. A procura pela casa, as decepções ao não encontrar um local de acordo com o que imaginavam, até chegarem nesta casa da rua Alagoinhas, 33. É muito interessante ler cada conto imaginando o sorriso dela ao discorrer sobre Rufino e das andanças atrás de casa e depois a construção e mais as viagens que faziam a trabalho e lazer.
O que mais me marcou na minissérie "Anarquistas Graças a Deus" foi quando a personagem da Débora Duarte vai numa loja de discos atrás da valsinha que tanto gostava de ouvir quando passava na rua. E depois a reviravolta que dá quando o disco quebra. Isso tá marcado na minha memória! Sem contar que a Débora parecia muito com a minha mãe!
Não lembro muito de outros personagens, nem da trama pra falar a verdade! Lembro que Débora era casa com Ney Latorraca e tinham uns quantos filhos. Mas logo-logo vou saber tudo desta família porque já comprei o livro no sebo virtual! Fiquei bem chocada ao pagar mais que o dobro do valor do livro em frete! Até tentei comprar outro livro pra amenizar o trauma, mas não deu. Enfim...
Gostei da forma como Zélia relata as situações, os apartes que faz dentro da história para comentar outra e dos comentários que faz sobre as personagens no momento em que está escrevendo o livro. Lembro de assistir na televisão ela dando entrevista sobre o lançamento deste livro, eu estava na faculdade! E lembro de uma outra entrevista que fizeram lá na Casa do Rio Vermelho mostrando os jardins e as peculiaridades daquela casa famosa. Agora, lendo o livro fico puxando da lembrança as imagens que vi na reportagem! É pena que o que lembre seja pouco!
Agora,  lendo este segundo livro de Zélia descobri uma nova escritora favorita. Sim, Zélia e Isabel Allende estão empatadas aqui na minha lista de preferências. Duas mulheres fortes, com histórias de vida incríveis.
Esse post é mais para indicar uma leitura, é uma dica que, além de nos contar a história da família de Jorge e Zélia, conta um período importante do nosso país! E conta assim, sem muita pretensão, conta como quem conta a sua própria história mesmo e só. Vale a pena a leitura!


fotos: Google imagens

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Compreendendo parte da jornada

Ontem fiz a última consulta com a psicóloga! Contei aqui que desde a primeira eliminei um peso enorme que estava carregando! Eu sempre tive uma visão muito prática de mim mesma e dos acontecimentos da vida. Os imprevistos e desacertos sempre são encarados como aprendizado, apesar da dor que causam algumas vezes. Quando tive dois abortos espontâneos eu sabia que havia muito aprendizado ali. Mas ser mãe apenas espiritual, que era como eu me via, acabou me desorientando por um tempo, porque as pessoas a minha volta não enxergam além do material, como eu estava vendo.
Depois que saí da consulta fiquei pensando e refletindo sobre os acontecimentos anteriores a gravidez e a descoberta. E qual não foi minha surpresa ao lembrar de mim mesma me colocando a disposição da espiritualidade para isso! Sim, eu havia me colocado a disposição da espiritualidade para que trazer para a matéria, mesmo que por pouco tempo, espíritos que necessitassem e eu não lembrava. Acredito que estava pronta para isso, tanto que conscientemente me coloquei a disposição, mas naquele momento porque passava pelo retorno dos meus filhos a erraticidade nunca me passou pela cabeça o que havia feito. Apenas agora, depois de toda confusão, sofrimento e da ajuda da psicóloga foi que lembrei da minha atitude!
A confusão que sentia era um misto de medo de ter causado o abortamento por alguma causa inconsciente ou de ter causado sem querer algum sofrimento aos meus filhos. Mas consegui compreender que nenhuma das duas situações aconteceram. Era assim que deveria ter acontecido! Eu os amei, eu os amo! Sei que temos uma ligação de outras vidas, talvez não de mãe e filhos, mas de amizade e amor. E isso se fortaleceu com essa terapia, porque eu entendi que eles são meus filhos, eu os tive aqui, eles estão aqui no meu coração.
Agradeço por ter podido viver esta experiência, por ter conseguido amar duas pessoas só por amar mesmo.  Sou grata por terem me escolhido! E sou muito agradecida a Ceires por ter me ajudado a enxergar isso, por me ajudar a me apropriar dos meus filhos, da minha maternidade, que eu sentia, mas não conseguia me apropriar com receio de que as pessoas não me compreendessem. A verdade é que, muito provavelmente, elas não compreenderão. Mas está tudo bem, cada um tem seu tempo e sua jornada. Esta é a minha, estou compartilhando para que, caso alguém esteja numa situação semelhante veja que não está só. Busque ajuda se não estiver se sentindo forte e segura para encarar as coisas sozinha! Tenha fé em si mesma, tenha amor por si e siga a sua jornada de forma leve, tão leve quanto puder.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Buscar a si

Há muito tempo eu fiz terapia. Meu querido psicólogo chama-se Afonso Langone, uma criatura adorável, que me ajudou demais. Quando entrei pra faculdade com recém feitos 17 anos fui tomada por uma grande confusão de sentimentos e medos. Não era adulta, não era criança e descobri, naquelas salas com tanta gente diferente de mim, que eu não sabia quem eu era ou o que queria ser. Ou melhor, quem queria ser! Langone me colocou em mim mesma, me ajudou a me enxergar direito, com olhos de amor e cuidado.
Não sei dizer o que me fez sair do prumo naquela época. Só sei que foi um momento de muitas lágrimas, muitas, demais, do nada! Normalmente eu choro! Assistindo filme, novela, série ou comercial de margarina. Mas naquele período foi algo que não tem como explicar, chorava simplesmente. Não havia um motivo, só lágrimas!
Agora eu sinto essa energia, esse choro vertendo sem um motivo aparente. A diferença é que agora eu sei de onde vem essa necessidade de por pra fora o choro entalado. É bem provável que o momento do país somado a minha história pessoal tenha feito com que eu chegasse no limite de tentar superar sozinha as dores e buscasse ajuda. Lá atrás, quando Langone me resgatou eu não consegui me dar conta de que precisava de ajuda. Sorte que meu pai e minha mãe perceberam.
Semana passada, após uma reação extremíssima que tive percebi que sozinha não conseguiria sair disso! Procurei ajuda! Meu primeiro psicólogo era espírita. Isso não influenciou no meu tratamento clínico mas foi importante para que ele me percebesse nesse lado. Talvez se ele fosse de outra crença ou sem religião, não percebesse o quanto esse conflito me afetava nesta área, ou talvez esta área fosse quem me afetasse e por isso eu não tava entendendo nada de mim e, em consequência, não conseguia me relacionar com quase ninguém!
A religiosidade foi um dos requisitos na minha escolha. Na primeira sessão já consegui sentir um grande alívio só de falar de tudo que me cercava, do que motivou minha desestrutura e o quanto viver minha religião me atrapalhava e me ajudava ao mesmo tempo em relação a isso. Saí do consultório tão mais leve que no outro dia as pessoas já começaram a me achar mais magra. É verdade! Essa primeira conversa já me tirou um peso que eu não sabia mais como carregar.
Em muitos momentos da vida tive dificuldade em lidar com meus próprios sentimentos. Mas não era sufocante a ponto de só chorar porque era a única forma que conseguia alívio na alma. É importante reconhecer que não conseguimos dar conta de tudo sozinhos, que algumas vezes precisaremos sim de ajuda profissional, além da ajuda da família e amigos. Porque há casos em que por mais bem que o outro nos queira seu conselho machuca igual.
Não tenham vergonha de buscar um psicólogo ou um terapeuta. Todos nós necessitamos em algum momento que alguém nos diga "tu tens todo direito de sentir isso", agora vamos entender o que te leva a isso e como podemos transformar isso para que tu fiques bem.  Tua vida, teus sentimentos, tua história são importantes sim. E, apesar de algumas situações serem difíceis e ruins, a gente pode e deve buscar auxílio para superar. Busque e ame a si mesmo! Lembra que a pessoa mais importante na tua vida ÉS TU! Tu é o personagem principal da tua história, todos os outros são coadjuvantes!