Hoje, assistindo uma matéria sobre cabelos lembrei de como queria ter os cabelos crespos. Aliás, fui mais além, lembrei dos tempos de guria quando via meu tio Chicão penteando seu black power com o "garfo" no banheiro da casa da minha avó. Lembrei que sempre tive vontade de pegar o "garfo" e armar o meu cabelo.
Eu tenho um cabelo volumoso, quando está comprido, claro! Mas ele não é nem liso e nem crespo com cachos. É um montão de cabelo, apenas. E eu querendo ostentar um black power bem armado tipo Paula Lima, Vanessa da Mata, Tony Tornado ou Jacson Five, porque não? Aí todo mundo diz: "é sempre assim, quem tem cabelo liso quer crespo, quem tem crespo quer liso!". O fato é que quando eu era criança, depois que criei cabelo, porque um certo tempo fui carequinha, minhas madeixas eram encaracoladas. A própria cachinhos dourados! Mas, depois dos quatro anos, primeira vez que cortei os cabelos bem curtinhos, ele ficou castanho mais escuro e ondulado, ou melhor, liso em umas partes e crespo em outras. Mas não tem procon pra reclamar deste tipo de coisa!
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Relacionamentos
Eu não entendo nada de relacionamentos. Tirando a minha família e alguns amigos de longa data, não muitos, tive poucos relacionamentos amorosos na vida. Surpreendo-me quando olho pessoas da mesma idade que eu vivendo (ainda) a paixão como os adolescentes. Não me sinto velha, apenas, acho que não sou deste planeta. Lembro da minha adolescência de forma muito clara. Toda semana eu me apaixonava por um guri diferente. A maioria deles eu simplesmente nem lembro o nome. Era um ciclo, paixão arrebatadora, dias falando no guri, desilusão (muitas vezes sem que o cara chegasse a saber meu sentimento ou tivesse feito algo pra mim, do tipo: não é tão bonito, fala errado, cospe na rua, cheira mal ou não gosta de mim. Tudo da minha cabeça E na minha cabeça), tristeza com o "rompimento", choro e, por fim, o bom e velho "ele não me merece!".
Daí a pouco já estava bem. Nunca vivi em função de ninguém que não fosse eu ou minha família. Minha mãe e meu pai me criaram para ser independente. A frase que mais ouvia era: "tens que estudar, trabalhar, ganhar teu dinheiro e não depender de marido. Tens que ser independente!". Eu eu cresci assim, estudando, buscando ser uma boa profissional, ter qualificações, ter cultura, ser inteligente. Não dei muito tempo para os namoros. Mas sempre me diverti muito, sempre fui a festas, boates, bailes, adoro dançar. Sempre gostei de ter com amigos, mas nunca deixar de fazer algo de que gostava porque alguém não gostava. Vou a praia sozinha, vou ao cinema sozinha, danço sozinha em casa, canto no chuveiro. E gosto de ter meu tempo sozinha.
Acho que isto é que acaba atrapalhando os casamentos. Não o tempo que a pessoa precisa ter consigo, mas a falta deste tempo. Eu entendo que casar, ou juntar, ou namorar é comunhão, é compartilhar. Mas ao contrário do que pensam algumas pessoas não é fundir. Embora a mulher adote o nome do marido ela não deixa de existir individualmente para ser um casal. E quando não se respeitam as individualidades e as diferenças acaba dando errado. Outro dia li um artigo que compara o tema com a matemática, Aritmética do amor de Márcio Ezequiel.
Algumas amigas minhas estão passando por momentos estranhos nos seus relacionamentos amorosos. O mais estranho de tudo isto é que, eu que conto nos dedos o tempo que estive namorando com alguém sou a escolhida para aconselhá-las, sendo que elas, desde que as conheço estão sempre namorando com alguém. Contraditório não? Também acho!
Mas em ambos os casos percebo que o "problema" é semelhante, sendo um deles a falta de maturidade, justamente por terem se envolvido em relacionamentos sérios jovens demais. E o outro é o medo terrível de ficar sozinha, a dificuldade de estar consigo. Neste afã de correr da solidão elas vão se envolvendo em relacionamentos apressados, em situações que as levam a mudar suas personalidades e a se submeterem a circunstâncias que só lhe fazem mal. Óbvio que eu estando de fora enxergo tudo de forma clara e cristalina, enquanto quem está no olho do furacão só consegue perceber o vento que lhe suspende no ar.
Eu não sei o que dizer a elas, todos os argumentos que tenho, tudo o que penso sobre seus relacionamentos não tem base científica ou psicológica. É pura especulação! É intuição, nada mais. Assim como meus pais, que intuitivamente me criaram para ser feliz comigo mesma sem depositar ou esperar dos outras a felicidade, eu aconselho minhas queridas amigas a viverem bem consigo mesmas. Confesso que não é fácil se conhecer bem e respeitar-se. Muitas vezes a gente pensa que o melhor mesmo é ser como no passado, apenas uma SRA. Fulana de Tal e colocar sobre os ombros do nosso marido todas as frustrações que temos. Afinal de contas é sempre mais fácil culpar os outros a encarar que somos nós os responsáveis pelo erro.
Daí a pouco já estava bem. Nunca vivi em função de ninguém que não fosse eu ou minha família. Minha mãe e meu pai me criaram para ser independente. A frase que mais ouvia era: "tens que estudar, trabalhar, ganhar teu dinheiro e não depender de marido. Tens que ser independente!". Eu eu cresci assim, estudando, buscando ser uma boa profissional, ter qualificações, ter cultura, ser inteligente. Não dei muito tempo para os namoros. Mas sempre me diverti muito, sempre fui a festas, boates, bailes, adoro dançar. Sempre gostei de ter com amigos, mas nunca deixar de fazer algo de que gostava porque alguém não gostava. Vou a praia sozinha, vou ao cinema sozinha, danço sozinha em casa, canto no chuveiro. E gosto de ter meu tempo sozinha.
Acho que isto é que acaba atrapalhando os casamentos. Não o tempo que a pessoa precisa ter consigo, mas a falta deste tempo. Eu entendo que casar, ou juntar, ou namorar é comunhão, é compartilhar. Mas ao contrário do que pensam algumas pessoas não é fundir. Embora a mulher adote o nome do marido ela não deixa de existir individualmente para ser um casal. E quando não se respeitam as individualidades e as diferenças acaba dando errado. Outro dia li um artigo que compara o tema com a matemática, Aritmética do amor de Márcio Ezequiel.
Algumas amigas minhas estão passando por momentos estranhos nos seus relacionamentos amorosos. O mais estranho de tudo isto é que, eu que conto nos dedos o tempo que estive namorando com alguém sou a escolhida para aconselhá-las, sendo que elas, desde que as conheço estão sempre namorando com alguém. Contraditório não? Também acho!
Mas em ambos os casos percebo que o "problema" é semelhante, sendo um deles a falta de maturidade, justamente por terem se envolvido em relacionamentos sérios jovens demais. E o outro é o medo terrível de ficar sozinha, a dificuldade de estar consigo. Neste afã de correr da solidão elas vão se envolvendo em relacionamentos apressados, em situações que as levam a mudar suas personalidades e a se submeterem a circunstâncias que só lhe fazem mal. Óbvio que eu estando de fora enxergo tudo de forma clara e cristalina, enquanto quem está no olho do furacão só consegue perceber o vento que lhe suspende no ar.
Eu não sei o que dizer a elas, todos os argumentos que tenho, tudo o que penso sobre seus relacionamentos não tem base científica ou psicológica. É pura especulação! É intuição, nada mais. Assim como meus pais, que intuitivamente me criaram para ser feliz comigo mesma sem depositar ou esperar dos outras a felicidade, eu aconselho minhas queridas amigas a viverem bem consigo mesmas. Confesso que não é fácil se conhecer bem e respeitar-se. Muitas vezes a gente pensa que o melhor mesmo é ser como no passado, apenas uma SRA. Fulana de Tal e colocar sobre os ombros do nosso marido todas as frustrações que temos. Afinal de contas é sempre mais fácil culpar os outros a encarar que somos nós os responsáveis pelo erro.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Duas meninas, duas histórias e duas escolhas
Pelo conhecimento da doutrina espírita sempre fico martelando na minha cabeça o quanto não devo julgar o outro pelas suas atitudes e ações. Ao olhar pra alguém não sabemos o que ela carrega dentro de si, sua história, suas marcas, seus estigmas. Mas comparando, e eu sei que a gente não deve comparar, algumas histórias e situações não dá para não julgar um pouco. Não julgar no sentido de culpar, punir e criticar. Digo analisar, refletir cada uma das situações e achar algumas coisas injustas, algo que às vezes parece ingratidão, coisas que parecem puro capricho de gente mimada. Nada de apontar o dedo e dizer, "tu tá errado", não. O objetivo é aprender, é tentar compreender. Enfim... Vou contar duas histórias, que não tem ligação alguma, a não ser o meu olhar, claro. Que são contraditórias mas bons exemplos de como se comportar diante de duas escolhas a vida e a morte.
Tatiana nasceu numa família pobre, muito pobre. Pais sem nenhuma formação escolar e muitos irmãos para dividir tudo. A economia doméstica não era o forte da família e grana nunca estava sobrando. Desde muito cedo apresentou problemas de saúde, anos mais tarde de uma primeira internação em Porto Alegre foi diagnosticado um diabetes e uma grave doença no fígado, cirrose hepática. Seu abdômem acentuado desde a infância já denunciavam sua enfermidade, que por falta do tratamento adequado só agravou-se. Seu desenvolvimento não era como das outras crianças, a subnutrição era evidente no seu corpinho mirrado de adolescente de 18 anos e sua feição, ao mesmo tempo tranquila e triste se contradiziam. No corpo pequeno parecia uma criança por volta dos 10 anos e no rosto marcas de expressão que demonstravam de forma nua e crua o seu sofrimento e os sacrifícios porque tinha passado.
Tatá nunca recebeu tratamento especial de sua mãe, muitas vezes o medicamento obrigatório não era comprado por falta de dinheiro e por descuido mesmo, pra não dizer puro desinteresse. A alimentação que devia ser diferenciada, balanceada e respeitada era segundo plano na casa. Era ela mesma quem lutava com as panelas, fazendo a suas refeições e do restante da família. Tudo era mal cuidado, sua saúde, a casa não tinha higiene adequada, a comida não era separada, a insulina faltava, tudo indicava que aquela fuga do hospital de Porto Alegre era um indício de que a mãe não tinha nenhum interesse pela filha. Ou melhor, que para a mãe apenas suas necessidades eram importantes e estar com uma filha em outra cidade, longe de suas "prioridades", não era legal.
Não foi legal permitir que uma criança sofresse calada, com aquele sorriso singelo, com seu comportamento sempre sem revolta. A mãe não estendia a mão para a própria filha, ela nunca cumpriu o seu papel de mãe. Mas Tatá era abnegada, tal como a descreveu uma amiga, era um anjo que estava sempre pronta para ajudar, sempre tinha um sorriso guardado para cada um que lhe chegava.
A gravidade da sua enfermidade ia aparecendo a cada dia. Sua barriga ia crescendo sempre e sempre, a alimentação era precária, mas ela não desistia. Foi internada numa outra vez. O caso havia agravado demais. O sorriso ainda estava mantido em seus lábios, mesmo no momento mais crítico, mesmo com a possibilidade de morte prestes a acontecer.
Como disse, esta é a história de duas meninas, que nunca se conheceram, que tinham pouca diferença de idade, mas que apesar de algumas semelhanças tem algo oposto em suas escolhas. Laila é uma menina que nasceu de uma relação de amor, embora por algum tempo, talvez ela tenha pensado que não. Sua história também é trágica em alguns pontos. Logo aos primeiros anos de vida perdeu o pai num acidente de motocicleta. Um ano depois sua mãe cometeu suicídio. A causa não é sabida. Dizem que há ou havia um diário, mas não houve carta de despedida. Foi então com seis para sete anos que ela foi para a casa dos avós paternos. É óbvio que a situação não era a mais agradável, afinal agora ela era uma órfã. Mas estava sendo recebida na casa de seus avós, familiares queridos, com quem sempre convivera. Para os avós a situação também não era a mais tranquila, de um lado havia uma avó, cheia de dor e tristeza pela perda de dois filhos; e de outro o avô, também sofrido.
A criança chegou numa casa pronta, aonde ela não era mais o centro das atenções, haviam outras crianças, havia outra constituição de família. As coisas não foram fáceis. Os adultos não sabiam como agir, o que fazer. Ela por sua vez, não se sentia parte daquele lugar. Não entendia o que e porque tudo aquilo havia acontecido com ela. Justo com ela.
Mal ou bem, frustrando as expectativas ou atendendo ela foi acolhida pela sua família. Nunca lhe faltou alimento, jamais lhe faltou moradia, roupas, incentivo para a escola ou o trabalho. No entanto, Laila buscava outras coisas. Seu modo quieto e tímido demonstravam uma superficial tranquilidade e aceitação resignada. Mas por dentro ninguém sabia o que se passava. Sua saúde física era ótima, mas talvez emocionalmente as coisas estivessem prejudicadas.
Enquanto Tatá precisava lutar pela sua saúde, esforçar-se para conseguir uma boa alimentação, cuidar da casa e dividir suas coisas com vários irmãos. Laila tinha tudo, a saúde, uma boa casa, valores em dinheiro guardado, alimentação nas horas certas. Mas uma lutava para sobreviver e a outra não tirava da mente a intensa vontade de morrer. No hospital Tatá sorria enquanto a vida se esvaia de suas veias. Laila foi levada para o pronto socorro para que lhe fosse injetado vida, mesmo que sua vontade fosse de dormir sem precisar acordar. Ela se negava a viver, acorda, dorme, toma banho, faz as coisas mas por obrigação. Sua opção foi agir como se já estivesse morta, enclausurada em seu quarto. Tatá por seu lado queria muito poder sair, sentir o calor do sol.
Uma escolheu viver, mesmo que aquilo fosse por poucos momentos, o importante era viver intensamente, sentir sua vida pulsando nas veias. A outra queria que tudo que fosse vivo em seu corpo se esvaísse, que o coração pulsasse pela última vez. Uma sorria apesar da certeza de que não viveria mais por muito tempo. A outra chorava por não entender como não conseguia dar cabo de sua própria vida. Uma acreditava ser amada apesar de tudo dizer o contrário. A outra queria um amor que jamais poderia voltar a ter e mesmo que muitos lhe demonstrassem amor ela preferia não o receber. Uma partiu jovem, deixou pessoas tristes e gente culpada porque acreditava que devia ter feito algo, que precisava ter feito mais por ela. A outra não queria que ninguém fizesse nada, porque nada do que fizesse mudaria o que ela sentia dentro. Não havia explicação do que se passava com ela, não compreendia e não entendia como explicar seus sentimentos.
Duas meninas, duas histórias e duas escolhas. Cada uma das gurias fez uma escolha para suas vidas e mesmo que se esforçassem para que acontecesse suas escolhas aconteceram ao contrário. Quem queria viver desencarnou jovem. Quem queria morrer foi salva. Talvez não fosse a demonstração de amor que ela quisesse ter. Talvez ela pense que aquilo foi feito por obrigação, por culpa e ela não queria aquilo. Cada uma agiu de uma forma, tomou a sua decisão. Mas nem tudo saí como a gente escolhe. É difícil não comparar, uma não tinha nada e a outra tinha tudo. Uma tem a vida pela frente a outra, é hoje apenas lembrança.
Tatiana nasceu numa família pobre, muito pobre. Pais sem nenhuma formação escolar e muitos irmãos para dividir tudo. A economia doméstica não era o forte da família e grana nunca estava sobrando. Desde muito cedo apresentou problemas de saúde, anos mais tarde de uma primeira internação em Porto Alegre foi diagnosticado um diabetes e uma grave doença no fígado, cirrose hepática. Seu abdômem acentuado desde a infância já denunciavam sua enfermidade, que por falta do tratamento adequado só agravou-se. Seu desenvolvimento não era como das outras crianças, a subnutrição era evidente no seu corpinho mirrado de adolescente de 18 anos e sua feição, ao mesmo tempo tranquila e triste se contradiziam. No corpo pequeno parecia uma criança por volta dos 10 anos e no rosto marcas de expressão que demonstravam de forma nua e crua o seu sofrimento e os sacrifícios porque tinha passado.
Tatá nunca recebeu tratamento especial de sua mãe, muitas vezes o medicamento obrigatório não era comprado por falta de dinheiro e por descuido mesmo, pra não dizer puro desinteresse. A alimentação que devia ser diferenciada, balanceada e respeitada era segundo plano na casa. Era ela mesma quem lutava com as panelas, fazendo a suas refeições e do restante da família. Tudo era mal cuidado, sua saúde, a casa não tinha higiene adequada, a comida não era separada, a insulina faltava, tudo indicava que aquela fuga do hospital de Porto Alegre era um indício de que a mãe não tinha nenhum interesse pela filha. Ou melhor, que para a mãe apenas suas necessidades eram importantes e estar com uma filha em outra cidade, longe de suas "prioridades", não era legal.
Não foi legal permitir que uma criança sofresse calada, com aquele sorriso singelo, com seu comportamento sempre sem revolta. A mãe não estendia a mão para a própria filha, ela nunca cumpriu o seu papel de mãe. Mas Tatá era abnegada, tal como a descreveu uma amiga, era um anjo que estava sempre pronta para ajudar, sempre tinha um sorriso guardado para cada um que lhe chegava.
A gravidade da sua enfermidade ia aparecendo a cada dia. Sua barriga ia crescendo sempre e sempre, a alimentação era precária, mas ela não desistia. Foi internada numa outra vez. O caso havia agravado demais. O sorriso ainda estava mantido em seus lábios, mesmo no momento mais crítico, mesmo com a possibilidade de morte prestes a acontecer.
Como disse, esta é a história de duas meninas, que nunca se conheceram, que tinham pouca diferença de idade, mas que apesar de algumas semelhanças tem algo oposto em suas escolhas. Laila é uma menina que nasceu de uma relação de amor, embora por algum tempo, talvez ela tenha pensado que não. Sua história também é trágica em alguns pontos. Logo aos primeiros anos de vida perdeu o pai num acidente de motocicleta. Um ano depois sua mãe cometeu suicídio. A causa não é sabida. Dizem que há ou havia um diário, mas não houve carta de despedida. Foi então com seis para sete anos que ela foi para a casa dos avós paternos. É óbvio que a situação não era a mais agradável, afinal agora ela era uma órfã. Mas estava sendo recebida na casa de seus avós, familiares queridos, com quem sempre convivera. Para os avós a situação também não era a mais tranquila, de um lado havia uma avó, cheia de dor e tristeza pela perda de dois filhos; e de outro o avô, também sofrido.
A criança chegou numa casa pronta, aonde ela não era mais o centro das atenções, haviam outras crianças, havia outra constituição de família. As coisas não foram fáceis. Os adultos não sabiam como agir, o que fazer. Ela por sua vez, não se sentia parte daquele lugar. Não entendia o que e porque tudo aquilo havia acontecido com ela. Justo com ela.
Mal ou bem, frustrando as expectativas ou atendendo ela foi acolhida pela sua família. Nunca lhe faltou alimento, jamais lhe faltou moradia, roupas, incentivo para a escola ou o trabalho. No entanto, Laila buscava outras coisas. Seu modo quieto e tímido demonstravam uma superficial tranquilidade e aceitação resignada. Mas por dentro ninguém sabia o que se passava. Sua saúde física era ótima, mas talvez emocionalmente as coisas estivessem prejudicadas.
Enquanto Tatá precisava lutar pela sua saúde, esforçar-se para conseguir uma boa alimentação, cuidar da casa e dividir suas coisas com vários irmãos. Laila tinha tudo, a saúde, uma boa casa, valores em dinheiro guardado, alimentação nas horas certas. Mas uma lutava para sobreviver e a outra não tirava da mente a intensa vontade de morrer. No hospital Tatá sorria enquanto a vida se esvaia de suas veias. Laila foi levada para o pronto socorro para que lhe fosse injetado vida, mesmo que sua vontade fosse de dormir sem precisar acordar. Ela se negava a viver, acorda, dorme, toma banho, faz as coisas mas por obrigação. Sua opção foi agir como se já estivesse morta, enclausurada em seu quarto. Tatá por seu lado queria muito poder sair, sentir o calor do sol.
Uma escolheu viver, mesmo que aquilo fosse por poucos momentos, o importante era viver intensamente, sentir sua vida pulsando nas veias. A outra queria que tudo que fosse vivo em seu corpo se esvaísse, que o coração pulsasse pela última vez. Uma sorria apesar da certeza de que não viveria mais por muito tempo. A outra chorava por não entender como não conseguia dar cabo de sua própria vida. Uma acreditava ser amada apesar de tudo dizer o contrário. A outra queria um amor que jamais poderia voltar a ter e mesmo que muitos lhe demonstrassem amor ela preferia não o receber. Uma partiu jovem, deixou pessoas tristes e gente culpada porque acreditava que devia ter feito algo, que precisava ter feito mais por ela. A outra não queria que ninguém fizesse nada, porque nada do que fizesse mudaria o que ela sentia dentro. Não havia explicação do que se passava com ela, não compreendia e não entendia como explicar seus sentimentos.
Duas meninas, duas histórias e duas escolhas. Cada uma das gurias fez uma escolha para suas vidas e mesmo que se esforçassem para que acontecesse suas escolhas aconteceram ao contrário. Quem queria viver desencarnou jovem. Quem queria morrer foi salva. Talvez não fosse a demonstração de amor que ela quisesse ter. Talvez ela pense que aquilo foi feito por obrigação, por culpa e ela não queria aquilo. Cada uma agiu de uma forma, tomou a sua decisão. Mas nem tudo saí como a gente escolhe. É difícil não comparar, uma não tinha nada e a outra tinha tudo. Uma tem a vida pela frente a outra, é hoje apenas lembrança.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Uma prece pr'ocê
Tem lembranças que nunca se consegue esquecer, por mais remota que seja. Eu lembro bem de quando fui dar banho nos gatinhos da Lili e os matei afogados num tanque cheio de água e sabão. Sinto culpa até hoje, não foi uma coisa de caso pensado, na verdade eu nem pensei. Não queria matá-los. Só dar banho! Mas criança né? Pensei que era quem nem a mãe fazia com a roupa coloca de molho um tempo, depois torce.
Também tem uma lembrança que guardo bem quietinha na minha cabeça. Talvez meu pai nem lembre disso. E esta recordação veio a tona depois que uma médium, que me deu um passe no centro espírita, disse para convidar meu pai para fazer uma oração. Não veio como um filme, não.
Veio de forma progressiva assim...
Quando eu era criança, pelos seis ou sete anos, numa noite de inverno a minha mãe foi ficar com minha tia e minha prima Graciela no hospital. A Nêga, como a chamamos, é uma prima muito querida, seis anos mais nova do que eu. Quando criança sofreu muito com doenças respiratórias e nos períodos de frio rigoroso acabava precisando algumas vezes ser internada para nebulização. Nem faz tanto tempo assim, mas não era tão fácil as famílias terem dinheiro, cartão de crédito ou coisa parecida para comprar um nebulizador. Por isso era preciso internação hospitalar.
Numa noite destas minha mãe foi acompanhar a tia Rosa. Meus irmãos e eu ficamos com o meu pai. Então o pai veio nos explicar que a mãe "dormiria" fora porque a Graciela estava doente no hospital. Naquela época seguidamente ela estava indo para o hospital com crises respiratórias. Daí, disse pro pai que ela já tinha estado no hospital e se era grave. Foi então que ele nos convidou para rezar pedindo por ela. Quando fecho os olhos lembro daquela noite. Meus olhinhos fechados, as mãos juntinhas e o pai puxando a reza.
A fé é algo incontestável, principalmente a fé de uma criança. Nós rezamos pela Nêga, no centro espírita do meu padrinho foram feitos trabalhos e simpatias, tudo buscando que a sua saúde melhorasse. Tudo junto resultou na cura dela.
Ainda criança eu acreditava que tinha sido aquela oração junto com meu pai e meus irmãos que tinha promovido a cura. Não podemos saber, o importante é que o objetivo foi alcançado.
Desta vez, eu tenho que ficar a vontade para convidar o pai para fazer uma oração. Tenho que abrir o coração, deixar a vergonha de lado, dar a mão e em comunhão falar com Deus.
Também tem uma lembrança que guardo bem quietinha na minha cabeça. Talvez meu pai nem lembre disso. E esta recordação veio a tona depois que uma médium, que me deu um passe no centro espírita, disse para convidar meu pai para fazer uma oração. Não veio como um filme, não.
Veio de forma progressiva assim...
Quando eu era criança, pelos seis ou sete anos, numa noite de inverno a minha mãe foi ficar com minha tia e minha prima Graciela no hospital. A Nêga, como a chamamos, é uma prima muito querida, seis anos mais nova do que eu. Quando criança sofreu muito com doenças respiratórias e nos períodos de frio rigoroso acabava precisando algumas vezes ser internada para nebulização. Nem faz tanto tempo assim, mas não era tão fácil as famílias terem dinheiro, cartão de crédito ou coisa parecida para comprar um nebulizador. Por isso era preciso internação hospitalar.
Numa noite destas minha mãe foi acompanhar a tia Rosa. Meus irmãos e eu ficamos com o meu pai. Então o pai veio nos explicar que a mãe "dormiria" fora porque a Graciela estava doente no hospital. Naquela época seguidamente ela estava indo para o hospital com crises respiratórias. Daí, disse pro pai que ela já tinha estado no hospital e se era grave. Foi então que ele nos convidou para rezar pedindo por ela. Quando fecho os olhos lembro daquela noite. Meus olhinhos fechados, as mãos juntinhas e o pai puxando a reza.
A fé é algo incontestável, principalmente a fé de uma criança. Nós rezamos pela Nêga, no centro espírita do meu padrinho foram feitos trabalhos e simpatias, tudo buscando que a sua saúde melhorasse. Tudo junto resultou na cura dela.
Ainda criança eu acreditava que tinha sido aquela oração junto com meu pai e meus irmãos que tinha promovido a cura. Não podemos saber, o importante é que o objetivo foi alcançado.
Desta vez, eu tenho que ficar a vontade para convidar o pai para fazer uma oração. Tenho que abrir o coração, deixar a vergonha de lado, dar a mão e em comunhão falar com Deus.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
A copa da minha vida
Desde que eu me lembro, me dou por gente, eu gosto de copa do mundo!
Lembro um pouco vagamente a de 1982, confesso que misturo algumas lembranças desta com a de 1986. Mas tenho desculpa, em 82 tinha apenas cinco aninhos. Já em 1986, guardo na memória a triste lembrança do Careca saindo de campo apoiado em outros jogadores, os pênaltis perdidos por Sócrates e Zico, o galinho de ouro. Esta sim, acabou comigo e arrasou meu coraçãozinho de torcedora mirim. Na época não gostava do Casagrande, ou melhor, já não gostava. Também não era muito fã do Júnior, gostava um pouquinho do Zico, até ele perder aquele pênalti, fiquei muito de cara com ele. Mas amava de paixão mesmo era o Muller, este sim morava e mora no meu coração.
No entanto, a Copa da minha vida foi a de 1994. Foi o tetra Campeonato com Romário, Bebeto, Dunga, Cafú e todo o povo erguendo a taça do mundo "que era nossa".
O melhor de tudo era a preparação para os jogos, o quentão, as pipocas, o juntamento com os primos na casa da tia Semita, a bagunça a algazarra quando vinha o grito de gol.
Todos os jogos estavam já programados, era na casa da Preta e do Atila, com a Lili, o Marcelo, o Vinicios, a Scheila, eu e mais um povo. Depois começou a crescer a torcida e veio a Adriane, o Guto (que sempre torce contra a seleção), a Nara, o Zizo, a mãe, a tia Ieda, Tia Semita, Tio Zé e quem mais aparecesse. As vezes faltava espaço pra sentar e a gente ia para o chão. Pulávamos juntos quando o gol saía e xingávamos com palavrões quando o juiz não dava o pênalti que a gente achava que era. Deve ter sido nesta época que aprendi o que é lateral, tiro de meta e escanteio. O tal do impedimento às vezes é esquecido num cantinho do cérebro, mas eu sei.
Também deve ter sido por ali que comecei a gostar dos zagueiros, os caras fortes e bravos que fazem a defesa. Ricardo Gomes, Ricardo Rocha, Aldair. Depois veio o Lúcio, que nesta copa da África foi, sem sombra de dúvidas e, digo sem medo de errar, o melhor, eu disse, O MELHOR JOGADOR DA SELEÇÃO CONVOCADA PELO DUNGA. Aquela copa de 1994 foi sofrida hein?! Nossa decisão em pênaltis e o Taffarel para salvar nosso coração que quase saiu pela boca quando disseram que a decisão seria daquela forma.
A gente já tinha expulsado o Guto da sala porque ele só azucrinava a gente torcendo enlouquecido pela Itália, naquela final dramática. Eu e as gurias elogiávamos o belo Roberto Baggio, sem saber que mais tarde seria ele quem nos ajudaria a conquistar o tetra campeonato mundial de futebol nos Estados Unidos. Aquele placar zerado me dava uma aflição tremenda. Nem o meu ídolo Romário, nem Bebeto tinham conseguido balançar a rede e estávamos em estado total de ansiedade.
Vai que os jogadores vão para o centro do campo, decide-se qual a goleira que será usada para as cobranças e Parreira escala Aldair para bater o primeiro pênalti. O Vinícios, que joga futebol e adora, levanta do sofá e diz enfático: "vou embora zagueiro não pode bater pênalti!"
Aquela frase nunca mais saiu da minha cabeça! Mas ainda assim eu disse pra ele, "o Aldair é bom!" Ele respondeu: "mas é zagueiro!" E ele não ficou na sala, saiu para rua e ficou na frente da casa. Depois da terceira cobrança, a segunda do Brasil ele voltou. A ansiedade era gigante e foi então que a Itália já tinha perdido um pênalti, mas a angustia daquele jogo não acabar não diminuia. Vai que Baggio vai todo seguro, bonitão bater o pênalti. É só ele e o Taffarel, e o nosso goleiro é muito bom. Mas o Taffa nem precisou fazer muito esforço porque o italiano chuta bem embaixo da bola e ela sobe, sobe, sobe e vai por cima do travessão dando o título para o Brasil.
O grito de tetra invade a sala, as ruas, o Brasil. Os jogadores emocionam o país homenageando o nosso querido Airton Senna da Silva, que morreu naquele ano. Esta copa ficou na minha memória para sempre, não consigo esquecer alguns lances, comemorações e principalmente a comunhão da minha família. Nunca mais uma copa do mundo foi igual. Em 1998 foi triste, 2002 eu estava em Ijuí, terra do Dunga, 2006 lembro bem pouco, claro, a cabeçada de Zidane é inesquecível. 2010 ainda está acontecendo, agora torço pela Espanha. Mas nenhuma das copas que vieram depois de 94 mexem tnato comigo. Quem sabe 2014??? Quem sabe...
Lembro um pouco vagamente a de 1982, confesso que misturo algumas lembranças desta com a de 1986. Mas tenho desculpa, em 82 tinha apenas cinco aninhos. Já em 1986, guardo na memória a triste lembrança do Careca saindo de campo apoiado em outros jogadores, os pênaltis perdidos por Sócrates e Zico, o galinho de ouro. Esta sim, acabou comigo e arrasou meu coraçãozinho de torcedora mirim. Na época não gostava do Casagrande, ou melhor, já não gostava. Também não era muito fã do Júnior, gostava um pouquinho do Zico, até ele perder aquele pênalti, fiquei muito de cara com ele. Mas amava de paixão mesmo era o Muller, este sim morava e mora no meu coração.
No entanto, a Copa da minha vida foi a de 1994. Foi o tetra Campeonato com Romário, Bebeto, Dunga, Cafú e todo o povo erguendo a taça do mundo "que era nossa".
O melhor de tudo era a preparação para os jogos, o quentão, as pipocas, o juntamento com os primos na casa da tia Semita, a bagunça a algazarra quando vinha o grito de gol.
Todos os jogos estavam já programados, era na casa da Preta e do Atila, com a Lili, o Marcelo, o Vinicios, a Scheila, eu e mais um povo. Depois começou a crescer a torcida e veio a Adriane, o Guto (que sempre torce contra a seleção), a Nara, o Zizo, a mãe, a tia Ieda, Tia Semita, Tio Zé e quem mais aparecesse. As vezes faltava espaço pra sentar e a gente ia para o chão. Pulávamos juntos quando o gol saía e xingávamos com palavrões quando o juiz não dava o pênalti que a gente achava que era. Deve ter sido nesta época que aprendi o que é lateral, tiro de meta e escanteio. O tal do impedimento às vezes é esquecido num cantinho do cérebro, mas eu sei.
Também deve ter sido por ali que comecei a gostar dos zagueiros, os caras fortes e bravos que fazem a defesa. Ricardo Gomes, Ricardo Rocha, Aldair. Depois veio o Lúcio, que nesta copa da África foi, sem sombra de dúvidas e, digo sem medo de errar, o melhor, eu disse, O MELHOR JOGADOR DA SELEÇÃO CONVOCADA PELO DUNGA. Aquela copa de 1994 foi sofrida hein?! Nossa decisão em pênaltis e o Taffarel para salvar nosso coração que quase saiu pela boca quando disseram que a decisão seria daquela forma.
A gente já tinha expulsado o Guto da sala porque ele só azucrinava a gente torcendo enlouquecido pela Itália, naquela final dramática. Eu e as gurias elogiávamos o belo Roberto Baggio, sem saber que mais tarde seria ele quem nos ajudaria a conquistar o tetra campeonato mundial de futebol nos Estados Unidos. Aquele placar zerado me dava uma aflição tremenda. Nem o meu ídolo Romário, nem Bebeto tinham conseguido balançar a rede e estávamos em estado total de ansiedade.
Vai que os jogadores vão para o centro do campo, decide-se qual a goleira que será usada para as cobranças e Parreira escala Aldair para bater o primeiro pênalti. O Vinícios, que joga futebol e adora, levanta do sofá e diz enfático: "vou embora zagueiro não pode bater pênalti!"
Aquela frase nunca mais saiu da minha cabeça! Mas ainda assim eu disse pra ele, "o Aldair é bom!" Ele respondeu: "mas é zagueiro!" E ele não ficou na sala, saiu para rua e ficou na frente da casa. Depois da terceira cobrança, a segunda do Brasil ele voltou. A ansiedade era gigante e foi então que a Itália já tinha perdido um pênalti, mas a angustia daquele jogo não acabar não diminuia. Vai que Baggio vai todo seguro, bonitão bater o pênalti. É só ele e o Taffarel, e o nosso goleiro é muito bom. Mas o Taffa nem precisou fazer muito esforço porque o italiano chuta bem embaixo da bola e ela sobe, sobe, sobe e vai por cima do travessão dando o título para o Brasil.
O grito de tetra invade a sala, as ruas, o Brasil. Os jogadores emocionam o país homenageando o nosso querido Airton Senna da Silva, que morreu naquele ano. Esta copa ficou na minha memória para sempre, não consigo esquecer alguns lances, comemorações e principalmente a comunhão da minha família. Nunca mais uma copa do mundo foi igual. Em 1998 foi triste, 2002 eu estava em Ijuí, terra do Dunga, 2006 lembro bem pouco, claro, a cabeçada de Zidane é inesquecível. 2010 ainda está acontecendo, agora torço pela Espanha. Mas nenhuma das copas que vieram depois de 94 mexem tnato comigo. Quem sabe 2014??? Quem sabe...
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Personagens da infância
Toda vez que penso nisso, fico com medo de chegar a conclusão de que realmente sou maluca. É que a maioria dos personagens de desenho animado que as outras crianças tinham medo ou não gostavam eram justamente os que eu gostava. Eu já cheguei a falar sobre isto n'outro post há um tempo atrás. No "Sítio do Pica-pau Amarelo" meu personagem favorito era a Cuca. Meus amigos dizem que sentiam medo dela, eu adorava, me identificava a beça. Principalmente, quando ela, se olhando no espelho, dizia com a maior auto confiança do mundo, "lindona, lindona!". Depois dela amava o Saci, ádorava suas traquinagens, o gorro vermelho e seu rodopio. Nunca fui muito de gente assim... muito-muito boazinha. Também gostava da Tia Anastácia, pode ser que em relação a esta as explicações venham de outras encarnações esquecidas providencialmente.
Minha heroina era a Mulher Maravilha. Meu sonho era sair na frente da minha casa e num "giro simples" me transformar da mulher comum, trabalhadora na super heroina linda e forte. Confesso que algumas vezes tentei, mas não tive muito êxito. Acho que a árvore que tínhamos na frente de casa não era o mesmo tipo daquela aonde ela se transformava. Hoje em dia não sei não se gostaria de andar com um tomara que caía com as estrelas dos EUA.
O meu herói favorito ficava verde de raiva. Na verdade, de todos os super heróis o incrível Hulk era o que mais me parecia semelhante a nós, gente. Outro dia minha amiga Jannah disse que sentia medo dele.
Além de gostar dos personagens "estranhos" e "diferentes" eu não gostava daqueles que a maioria das crianças gostava como o Popai e a Olívia Palito. A doida aqui não gostava! Também não gostava e ainda não gosto, da Xuxa. Na Caverna do Dragão tinha pavor daquela Uni. Tanto ela quanto o gurizinho me irritavam demais!!!
E por aí vai...
Será que Freud explica? Tenho lá minhas dúvidas quanto a isso, só tenho certeza de que nunca quis ser igual as outras pessoas. Na minha adolescência customizava roupas, usava camisas e camisetas do meu pai, com muitos acessórios, claro! Enquanto minhas amigas queriam namorar e beijar na boca eu estava pensando em estudar e adquirir a tal independência que minha mãe tanto falava. Eu queria mesmo ser artista, dançar pela vida afora, dar muitas piruetas. Mas nunca quis ser paquita, pelo contrário, achava muito bobas. Enquanto as gurias queriam ser louras eu comecei a pintar meu cabelo de vermelho. Quando todas achavam que as bruxas eram más e queriam ser fadas... Eu queria mais era uma boa bruxa, voar na minha vassoura (apesar de ter medo de altura), fazer poções mágicas e magias, cultivar ervas no meu quintal e dançar pra lua cheia.
Esta sou eu, uma luna em fases, uma imprensa nanica, uma apaixonada pela natureza, uma maluca beleza, com dias de fúria. Fiz terapia sim, me encontrei e me entendi. Algumas vezes a conexão falha e parece que as coisas não funcionam, mas é só respirar fundo e tomar um café que logo-logo o provedor coloca tudo no caminho.
Enfim, comecei falando nas personagens e viajei legal na maionese. Quem me conhece sabe que sou assim, um assunto puxa o outro e a prosa entra madrugada adentro. Caso algum psicólogo queira fazer um diagnóstico.. é só mandá-lo por email. Ah! E por favor, se for caso de internação, não digam nada pra minha família. Valeu!
Minha heroina era a Mulher Maravilha. Meu sonho era sair na frente da minha casa e num "giro simples" me transformar da mulher comum, trabalhadora na super heroina linda e forte. Confesso que algumas vezes tentei, mas não tive muito êxito. Acho que a árvore que tínhamos na frente de casa não era o mesmo tipo daquela aonde ela se transformava. Hoje em dia não sei não se gostaria de andar com um tomara que caía com as estrelas dos EUA.
O meu herói favorito ficava verde de raiva. Na verdade, de todos os super heróis o incrível Hulk era o que mais me parecia semelhante a nós, gente. Outro dia minha amiga Jannah disse que sentia medo dele.
Além de gostar dos personagens "estranhos" e "diferentes" eu não gostava daqueles que a maioria das crianças gostava como o Popai e a Olívia Palito. A doida aqui não gostava! Também não gostava e ainda não gosto, da Xuxa. Na Caverna do Dragão tinha pavor daquela Uni. Tanto ela quanto o gurizinho me irritavam demais!!!
E por aí vai...
Será que Freud explica? Tenho lá minhas dúvidas quanto a isso, só tenho certeza de que nunca quis ser igual as outras pessoas. Na minha adolescência customizava roupas, usava camisas e camisetas do meu pai, com muitos acessórios, claro! Enquanto minhas amigas queriam namorar e beijar na boca eu estava pensando em estudar e adquirir a tal independência que minha mãe tanto falava. Eu queria mesmo ser artista, dançar pela vida afora, dar muitas piruetas. Mas nunca quis ser paquita, pelo contrário, achava muito bobas. Enquanto as gurias queriam ser louras eu comecei a pintar meu cabelo de vermelho. Quando todas achavam que as bruxas eram más e queriam ser fadas... Eu queria mais era uma boa bruxa, voar na minha vassoura (apesar de ter medo de altura), fazer poções mágicas e magias, cultivar ervas no meu quintal e dançar pra lua cheia.
Esta sou eu, uma luna em fases, uma imprensa nanica, uma apaixonada pela natureza, uma maluca beleza, com dias de fúria. Fiz terapia sim, me encontrei e me entendi. Algumas vezes a conexão falha e parece que as coisas não funcionam, mas é só respirar fundo e tomar um café que logo-logo o provedor coloca tudo no caminho.
Enfim, comecei falando nas personagens e viajei legal na maionese. Quem me conhece sabe que sou assim, um assunto puxa o outro e a prosa entra madrugada adentro. Caso algum psicólogo queira fazer um diagnóstico.. é só mandá-lo por email. Ah! E por favor, se for caso de internação, não digam nada pra minha família. Valeu!
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Chá de laranja com aspirina
Nos dias que me acordo com a cabeça como se tivesse cheia d'água, o nariz entupido que mal dá pra respirar, o corpo dolorido e a garganta raspando só consigo lembrar de como era bom aquele tempo de criança quando minha mãe me dava de noite um cházinho de laranja com uma aspirina dentro e no outro dia eu estava renovada. Tá certo, a idade chega pra todos, fazer o quê né?! Mas um gosto tão singelo me remete aquele tempinho. Sim, porque mesmo não sendo mais criança minha mãe continua me levando cházinho de laranja na cama. O resultado não foi o mesmo. Talvez tenha sido pela falta da aspirina.
Lembro que a pior coisa de estar doente quando criança era não poder brincar, não poder sair pra rua, enquanto meus irmãos andavam por lá jogando bola e correndo. A questão é que geralmente irmãos na mesma faixa etária de idade acabam adoecendo junto.
Só que lá em casa a coisa era diferente, eu ficava doente e meu mano raramente ficava. Minha mãe dizia que era porque ele era muito arteiro. Ele sempre foi, e ainda é, inquieto, mexe com todo muito, amassa um, abraça outro e escabela outros tantos, não consegue ficar quieto. Desta forma, como ele sempre foi assim, eu tive cachumba, contagiei a turma toda e ele nada. Antes disso tive hepatite A e ele nada. Desta vez eu tinha que ficar em repouso, minha cama foi para o corredor para evitar que os guris ficassem doentes e meus pertences ficavam separados. Mas o que mais me deixou de cara foi a catapora. Gente! Eu tive tanta ferida e tanta febre que nem sei.
Estava passando uns dias pra fora na casa da vó Didi, já contei dela pra vocês. Tivemos que vir antes do previsto porque ela ficou com medo que a doença agravasse. Pelo telefone a mãe disse que o mano também estava com catapora. Sim, estava, meia dúzia de feridinhas na barriga e olhe lá. E eu com ferida até no céu da boca. Não conseguia comer porque até na garganta tinha catapora. E lá estava eu esperando a catapora passar enquanto meu irmão tomava banho de chuva no pátio.
É incrível!!!! E mesmo que a mãe cuidasse pra ele não ficar comigo pra não se contagiar da doença, virava e mexia ele aparecia pra me achacar, pra brincar, só pra olhar pra minha cara ou pra gente brigar. E ele tinha sorte, das doenças mais graves que tive ele nunca se contagiou.
Bom mesmo era quando tínhamos gripe, daí ficávamos juntos deitados no sofá, tapados de cobertor vendo televisão e esperando o cházinho de laranja com aspirina. É claro que esta calma só acontecia por alguns minutos e logo ele saia a fazer suas artes por aí.
Lembro que a pior coisa de estar doente quando criança era não poder brincar, não poder sair pra rua, enquanto meus irmãos andavam por lá jogando bola e correndo. A questão é que geralmente irmãos na mesma faixa etária de idade acabam adoecendo junto.
Só que lá em casa a coisa era diferente, eu ficava doente e meu mano raramente ficava. Minha mãe dizia que era porque ele era muito arteiro. Ele sempre foi, e ainda é, inquieto, mexe com todo muito, amassa um, abraça outro e escabela outros tantos, não consegue ficar quieto. Desta forma, como ele sempre foi assim, eu tive cachumba, contagiei a turma toda e ele nada. Antes disso tive hepatite A e ele nada. Desta vez eu tinha que ficar em repouso, minha cama foi para o corredor para evitar que os guris ficassem doentes e meus pertences ficavam separados. Mas o que mais me deixou de cara foi a catapora. Gente! Eu tive tanta ferida e tanta febre que nem sei.
Estava passando uns dias pra fora na casa da vó Didi, já contei dela pra vocês. Tivemos que vir antes do previsto porque ela ficou com medo que a doença agravasse. Pelo telefone a mãe disse que o mano também estava com catapora. Sim, estava, meia dúzia de feridinhas na barriga e olhe lá. E eu com ferida até no céu da boca. Não conseguia comer porque até na garganta tinha catapora. E lá estava eu esperando a catapora passar enquanto meu irmão tomava banho de chuva no pátio.
É incrível!!!! E mesmo que a mãe cuidasse pra ele não ficar comigo pra não se contagiar da doença, virava e mexia ele aparecia pra me achacar, pra brincar, só pra olhar pra minha cara ou pra gente brigar. E ele tinha sorte, das doenças mais graves que tive ele nunca se contagiou.
Bom mesmo era quando tínhamos gripe, daí ficávamos juntos deitados no sofá, tapados de cobertor vendo televisão e esperando o cházinho de laranja com aspirina. É claro que esta calma só acontecia por alguns minutos e logo ele saia a fazer suas artes por aí.
Assinar:
Postagens (Atom)