_ Estas crianças não sabem brincar! Não se intertem com nada! Tem um mundo de brinquedos, bonecas, carrinhos... tempo livre para brincar e não brincam! No meu tempo não era assim. Ah! Se eu ia ter tempo de tá brincando!
Minha avó conta a sua infância para meus sobrinhos, os netos filhos do filho caçula dela. Há um pouco de ressentimento em sua voz, coisa normal após tantos anos de sofrimento! Sofrimento fruto de mágoas do passado e também criações do seu próprio pessimismo. Não é fácil pra ninguém ter crescido sem ter brincado, sem ter tido infância. Não é fácil ter feito sempre, sempre tudo do jeito que os outros esperavam que fosse feito e, ainda assim, se sentir incompleta. Porque quando se faz tudo o que os outros querem, agradando aos outros, quem se desagrada é a gente!
Uma infância de trabalho na lavoura junto com os pais, plantando e colhendo, capinando, ajudando a cuidar dos animais e da casa. Ter uma irmã sofrendo de doenças mentais e resolver que não iria se separar nem da mãe nem da irmã. Não haviam brinquedos, teve tempo que não tinha comida. Nos momentos de folga, peças velhas que não se usariam mais no arado eram o que viravam as bonecas da vó e das irmãs dela.
Não havia tempo para estudar, as brincadeiras então... raramente existiam.
É interessante como as pessoas enfrentam de forma tão diferentes as coisas que acontecem nas suas vidas! Minha bisavó Elmira criou os filhos sozinha, ajudou a criar os netos, ficou junto com a filha doente até os últimos dias dela. Passou trabalho, passou fome. E não lembro dela carregada de pessimismo.
Minha avó já é mais dura, não com as pessoas, creio que ela seja dura consigo mesma. Tem uma grande seriedade com tudo. Com certeza fruto do sufocamento da sua infância. Ela teve nove filhos, alguns partos dificílimos, a maioria em casa! Ficou viúva cedo! Mas sua quietude vem de muito antes disso! Sua seriedade com tudo na vida vem de não ter tido tempo para brincar, não ter tido meninice.
Lembro de ficar depois da escola na casa dela, mas não lembro muito de vê-la conversando com as pessoas. Posso sentir o cheiro do risoto que fazia aos domingos, posso sentir o odor da casa e as paredes quentes da cozinha onde ficava o fogão a lenha. Mas lembro pouco dela conversando, rindo...
Hoje em dia ela fala bem mais. Tem vezes que fala tanto que parece que precisa se livrar de tudo aquilo dentro dela, tem que botar pra fora. Compreendo a maneira como ela vê as coisas, compreendo seus motivos de tristeza, já perdeu marido, filho, netos... Pensa incessantemente nos que estão longe, nos que estão sem trabalho, nos que dirigem, nos que andam nas ruas, nos que casaram, nos que tem filhos e em todos aqueles de quem gosta, filho dos filhos dos filhos dos filhos... Sua cabeça não para, sempre com preocupações variadas. O sono não vem diante de tanta gente por quem pedir, com quem se preocupar. Há motivos, isto é certo! Mas há algo de melancólico e sofredor! Algo de que me falaram certa vez, que vem nos genes, faz parte do DNA da gente que é misturado. Dizem que cada povo tem seu traço característico, alguns são alegres e falastrões como os italianos, outros sofredores como os portugueses. Minha avó tem um pouco de sangue português, pois embora tenha sido registrada com o sobrenome Nunes, é, na verdade, Oliveira.
Eu tenho um pouco desta melancolia, desta coisa que parece estar sempre tocando um fado de fundo musical. Também tocam boleros arrastados, a velha "Ronda" ou o "Folhetim". Só que comigo tem as batucadas e o Raulzito e todo um repertório que parece não ser o gosto musical de uma mesma pessoa tamanha a disparidade de estilos.
Olhando pra minha avó às vezes parece, que só tocam fados na vida dela. São poucos momentos de riso. Mas o que ela não sabe, não tem consciência é de que é uma vencedora. Ela apenas não acredita nisto!
PS.: Esta história é baseada na história de vida da minha avó, tem muito mais para contar, este é um pequeno reconhecimento para ela que tem sim um história de vida linda. Não foi fácil, mas o mais importante é o proveito que se tira de tudo.
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
"Nem sei como aguentei tudo isto"
Num cantinho da casa de repouso, nome pomposo para o verdadeiro fim a que servem, a pequenina senhora olhava tristemente para a rua, como a espera de alguém que estava certo de vir. Comecei a conversa após alguns instantes sentada a seu lado.
_Como a senhora está hoje?
_Minha filha, nem sei o que faço aqui ainda. Deus perdeu o caderno aonde estava anotado meu nome. Todos da família que tinham mais ou menos minha idade já se foram. Ficaram meus filhos e netos e sobrinhos... mas sou um estorvo pra eles, todos trabalham muito, não tem tempo para cuidar de mim...
A lágrima rolou mansinha pelo rosto marcado de rugas de dona Edith. Seus olhos não tem brilho, mesmo quando seu rosto sorri. Eu pergunto se ela quer dar uma caminhada pela casa, mas ela diz que está muito cansada e prefere conversar ali mesmo. Então ela me pergunta:
_Sabe que hoje sonhei com meu velho?
_É dona Edith? E como foi?
_Ele estava lindo, sorrindo pra mim na entrada da casa aonde morávamos. Então ele veio caminhando até a namoradeira onde eu estava sentada. Ajoelhou aos meus pés, segurou minha mão entre as dele...
_E então?
_Ah! Ele beijou minha mão. Lembro porque senti cócegas por causa do bigode. Sempre senti cócegas do bigode dele! Aí ele passou uma das suas mãos sobre a minha e ficou segurando. Olhou nos meus olhos e me disse assim, "minha velha, não fica triste eu nunca te deixo só, nossos filhos estão em dívida contigo, mas logo-logo nós dois estaremos juntos, falta pouco". Ele vai vir me buscar!
_ Ele disse isso?
_Não, ele não disse, mas eu sei. Mas não te preocupa filha, eu quero ir. Estou cansada de estar aqui. Nem sei como aguentei tudo isto pelo que passei na vida, não sei... Minha vida não foi nada fácil! Passei fome na minha infância. Era uma época de muita miséria, ninguém tinha comida, comia só quem conseguia plantar alguma coisa. Trabalhei muito, lavei passei, cozinhei na casa dos outros, limpei chão, cuidei de criança. Então um dia, num restaurante que estava trabalhando conheci meu véio. Ah! Lembro bem demais daquele dia.
Falando isto foi a primeira vez que vi os olhos de dona Edith brilharem, foi a primeira vez que a vi viva. Ela foi contando como conheceu o marido e como foi difícil para ficarem juntos, pois a família dele se opunha por ela ser pobre. Mas ele insistiu. Tiveram cinco filhos, e nenhum deles vem visitá-la porque "são ocupados". Seus 20 netos não aparecem nunca! Mas ela sempre os desculpa quando ligam, pois ela é mãe, é vó e eles são tudo pra ela.
Ficou viúva numa época em que era bem difícil criar os filhos sendo sozinha. Dona Edith não se importou com as convenções sociais. E logo que pôde, mesmo com cinco crianças começou a trabalhar. Mesmo com a pensão do marido. Nunca mais casou. Desde os 40 anos reserva-se exclusivamente para seu marido. Mantém-se como na juventude, guardando se para o verdadeiro amor.
Nossas conversas são sempre sobre livros, filmes que gosta de assistir, mas nos últimos dias ela vem falando da sua história. E desde o sonho com seu esposo noto que ela vem ficando cada dia mais feliz. Seu olhar, antes disperso e apagado, agora exibe o brilho, que vemos nos olhos dos apaixonados.
Nesta manhã dona Edith me chamou a seu quarto. Fez com que eu sentasse em sua cama e disse:
_No sábado é meu aniversário, estarei completando 96 anos. Sorrindo completou, faltam só quatro p'rus cem, mas não chego lá não. Quero te pedir um favor filha, liga para meus filhos e meus netos, e pra minha irmã Carolina. Aqui tem um dinheirinho, acho que dá pra comprar um bolo e uns salgadinhos. Ah! Compra também uns balões, compra lilás, minha cor favorita. Não esquece os refrigerantes e uma cidra. Traz também umas flores, como é o nome daquelas bem coloridas?
Fiquei olhando para ela com o dinheiro na mão.
_Aquelas que parecem margaridas grandes, sabe?
_Gérberas?
_Isto, traz umas gérberas. Diz pros meus filhos, noras e netos que eles precisam vir. Que é uma comemoração de família e todos devem vir, ah! marca as quatro da tarde.
Saí do quarto deixando dona Edith. Estava pronta para sair e fazer as compras que ela pediu. A tarde liguei para os filhos e a irmã. Todos ficaram certos de estar no sábado na casa de repouso. No dia marcado dona Edith estava radiante. Sua pele parecia estar muito mais saudável e até menos marcada pelas rugas.
Organizamos a sala onde seria feita a festinha e ela colocou, numa mesa próximo da cadeira onde estava sentada a fotografia do seu esposo. Como em muitos anos não via a casa de repouso estava em festa. Todos estavam alegres.
A primeira a chegar foi dona Carolina. Conversou durante bastante tempo com a irmã relembrando o passado e sorrindo das coisas todas que aprontou quando criança.
Aos poucos os filhos de dona Edith foram chegando com seus filhos e as namoradas dos filhos.
Todos riram muito, comeram, beberam, desculparam-se pela ausência e brindaram, com a cidra encomendaou a mim, pela saúde de dona Edith.
Acabada a festa dona Edith levou uma gérbera e o retrato do seu amado de volta a seu quarto.
No meio da noite acordou com a presença do seu velho.
_Como foi a festa Edith?
_Ah! meu velho vieram todos, foi linda! Nunca na minha vida tinha tido um aniversário tão feliz!
Ele a pegou da mão e dançaram pelo quarto, como faziam na mocidade.
Dançaram, dançaram, dançaram,dançaram...
Na manhã seguinte a ausência foi notada por todos, já que era uma das primeiras, sempre, a acordar. Quando entrei no quarto dona Edith ainda estava deitada, parecia estar dormindo. Sobre o peito a fotografia e nos lábios um sorriso tranquilo. Ela havia se ido! Reencontrou seu amor.
No criado mudo uma carta para mim dizia:
"Não chore nem fique triste, minha ausência te dará saudade, tenho certeza, mas saiba que estou indo porque acabou meu tempo, estou feliz, fiz tudo que precisava fazer, criei filhos bons, vi meus netos... tive amigos maravilhosos. Agora vou ficar junto do meu velho, como prometeu ele veio, veio me buscar. Me vista com a roupa que usei no meu aniversário, nas minhas mãos quero apenas a aliança e a gérbera que esta no vaso ao lado da cama. Reza um pai nosso pela minha alma, pede luz pra o meu caminho, mas não chora. Se quiser, pode beijar meu rosto. Avisa a todos os meus, mas esta carta é só tua. Não te preocupa com o teu amor que ainda não apareceu, algo de muito bom esta no teu caminho, eu pude ver. Cuida de mim pela última vez com todo o carinho como sempre fizestes. E depois que eu for sepultada... quando sentires saudade, reza por mim. Um beijinho no teu coração, Edith".
Tudo foi feito como ela havia me pedido. Sua serenidade contagiou a todos e como se soubessem, ninguém chorou. Talvez tenham se envergonhado diante do sorriso da morta. E hoje toda vez que lembro dela, rezo um pai nosso. E lá se vão mais de 40 anos. Ela estava certa, tinha algo de muito bom no meu caminho!
PS.: Esta bem poderia ser a história de alguma idosa ou idoso que a gente conhece, mas não é, eu juntei muitos relatos que ouvi, sentimentos meus e de outros e deu nisso. É uma tentativa de deixar a veia literária fluir!
_Como a senhora está hoje?
_Minha filha, nem sei o que faço aqui ainda. Deus perdeu o caderno aonde estava anotado meu nome. Todos da família que tinham mais ou menos minha idade já se foram. Ficaram meus filhos e netos e sobrinhos... mas sou um estorvo pra eles, todos trabalham muito, não tem tempo para cuidar de mim...
A lágrima rolou mansinha pelo rosto marcado de rugas de dona Edith. Seus olhos não tem brilho, mesmo quando seu rosto sorri. Eu pergunto se ela quer dar uma caminhada pela casa, mas ela diz que está muito cansada e prefere conversar ali mesmo. Então ela me pergunta:
_Sabe que hoje sonhei com meu velho?
_É dona Edith? E como foi?
_Ele estava lindo, sorrindo pra mim na entrada da casa aonde morávamos. Então ele veio caminhando até a namoradeira onde eu estava sentada. Ajoelhou aos meus pés, segurou minha mão entre as dele...
_E então?
_Ah! Ele beijou minha mão. Lembro porque senti cócegas por causa do bigode. Sempre senti cócegas do bigode dele! Aí ele passou uma das suas mãos sobre a minha e ficou segurando. Olhou nos meus olhos e me disse assim, "minha velha, não fica triste eu nunca te deixo só, nossos filhos estão em dívida contigo, mas logo-logo nós dois estaremos juntos, falta pouco". Ele vai vir me buscar!
_ Ele disse isso?
_Não, ele não disse, mas eu sei. Mas não te preocupa filha, eu quero ir. Estou cansada de estar aqui. Nem sei como aguentei tudo isto pelo que passei na vida, não sei... Minha vida não foi nada fácil! Passei fome na minha infância. Era uma época de muita miséria, ninguém tinha comida, comia só quem conseguia plantar alguma coisa. Trabalhei muito, lavei passei, cozinhei na casa dos outros, limpei chão, cuidei de criança. Então um dia, num restaurante que estava trabalhando conheci meu véio. Ah! Lembro bem demais daquele dia.
Falando isto foi a primeira vez que vi os olhos de dona Edith brilharem, foi a primeira vez que a vi viva. Ela foi contando como conheceu o marido e como foi difícil para ficarem juntos, pois a família dele se opunha por ela ser pobre. Mas ele insistiu. Tiveram cinco filhos, e nenhum deles vem visitá-la porque "são ocupados". Seus 20 netos não aparecem nunca! Mas ela sempre os desculpa quando ligam, pois ela é mãe, é vó e eles são tudo pra ela.
Ficou viúva numa época em que era bem difícil criar os filhos sendo sozinha. Dona Edith não se importou com as convenções sociais. E logo que pôde, mesmo com cinco crianças começou a trabalhar. Mesmo com a pensão do marido. Nunca mais casou. Desde os 40 anos reserva-se exclusivamente para seu marido. Mantém-se como na juventude, guardando se para o verdadeiro amor.
Nossas conversas são sempre sobre livros, filmes que gosta de assistir, mas nos últimos dias ela vem falando da sua história. E desde o sonho com seu esposo noto que ela vem ficando cada dia mais feliz. Seu olhar, antes disperso e apagado, agora exibe o brilho, que vemos nos olhos dos apaixonados.
Nesta manhã dona Edith me chamou a seu quarto. Fez com que eu sentasse em sua cama e disse:
_No sábado é meu aniversário, estarei completando 96 anos. Sorrindo completou, faltam só quatro p'rus cem, mas não chego lá não. Quero te pedir um favor filha, liga para meus filhos e meus netos, e pra minha irmã Carolina. Aqui tem um dinheirinho, acho que dá pra comprar um bolo e uns salgadinhos. Ah! Compra também uns balões, compra lilás, minha cor favorita. Não esquece os refrigerantes e uma cidra. Traz também umas flores, como é o nome daquelas bem coloridas?
Fiquei olhando para ela com o dinheiro na mão.
_Aquelas que parecem margaridas grandes, sabe?
_Gérberas?
_Isto, traz umas gérberas. Diz pros meus filhos, noras e netos que eles precisam vir. Que é uma comemoração de família e todos devem vir, ah! marca as quatro da tarde.
Saí do quarto deixando dona Edith. Estava pronta para sair e fazer as compras que ela pediu. A tarde liguei para os filhos e a irmã. Todos ficaram certos de estar no sábado na casa de repouso. No dia marcado dona Edith estava radiante. Sua pele parecia estar muito mais saudável e até menos marcada pelas rugas.
Organizamos a sala onde seria feita a festinha e ela colocou, numa mesa próximo da cadeira onde estava sentada a fotografia do seu esposo. Como em muitos anos não via a casa de repouso estava em festa. Todos estavam alegres.
A primeira a chegar foi dona Carolina. Conversou durante bastante tempo com a irmã relembrando o passado e sorrindo das coisas todas que aprontou quando criança.
Aos poucos os filhos de dona Edith foram chegando com seus filhos e as namoradas dos filhos.
Todos riram muito, comeram, beberam, desculparam-se pela ausência e brindaram, com a cidra encomendaou a mim, pela saúde de dona Edith.
Acabada a festa dona Edith levou uma gérbera e o retrato do seu amado de volta a seu quarto.
No meio da noite acordou com a presença do seu velho.
_Como foi a festa Edith?
_Ah! meu velho vieram todos, foi linda! Nunca na minha vida tinha tido um aniversário tão feliz!
Ele a pegou da mão e dançaram pelo quarto, como faziam na mocidade.
Dançaram, dançaram, dançaram,dançaram...
Na manhã seguinte a ausência foi notada por todos, já que era uma das primeiras, sempre, a acordar. Quando entrei no quarto dona Edith ainda estava deitada, parecia estar dormindo. Sobre o peito a fotografia e nos lábios um sorriso tranquilo. Ela havia se ido! Reencontrou seu amor.
No criado mudo uma carta para mim dizia:
"Não chore nem fique triste, minha ausência te dará saudade, tenho certeza, mas saiba que estou indo porque acabou meu tempo, estou feliz, fiz tudo que precisava fazer, criei filhos bons, vi meus netos... tive amigos maravilhosos. Agora vou ficar junto do meu velho, como prometeu ele veio, veio me buscar. Me vista com a roupa que usei no meu aniversário, nas minhas mãos quero apenas a aliança e a gérbera que esta no vaso ao lado da cama. Reza um pai nosso pela minha alma, pede luz pra o meu caminho, mas não chora. Se quiser, pode beijar meu rosto. Avisa a todos os meus, mas esta carta é só tua. Não te preocupa com o teu amor que ainda não apareceu, algo de muito bom esta no teu caminho, eu pude ver. Cuida de mim pela última vez com todo o carinho como sempre fizestes. E depois que eu for sepultada... quando sentires saudade, reza por mim. Um beijinho no teu coração, Edith".
Tudo foi feito como ela havia me pedido. Sua serenidade contagiou a todos e como se soubessem, ninguém chorou. Talvez tenham se envergonhado diante do sorriso da morta. E hoje toda vez que lembro dela, rezo um pai nosso. E lá se vão mais de 40 anos. Ela estava certa, tinha algo de muito bom no meu caminho!
PS.: Esta bem poderia ser a história de alguma idosa ou idoso que a gente conhece, mas não é, eu juntei muitos relatos que ouvi, sentimentos meus e de outros e deu nisso. É uma tentativa de deixar a veia literária fluir!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Saudade dos tempos em que não se tinha pressa
Faz tanto tempo que não posto nada aqui! Sinto culpa e uma saudade enorme. Mas não tenho tido tempo. As ideias fervilham na minha mente, tantas histórias para contar... como correr contra o tempo?
Se bem que... a verdade é que cansei de correr. Não consigo mais encarar como normal toda esta correria das pessoas em busca sei-lá-de-quê! As pessoas correm em seus carros, buzinam no sinal, param na faixa, mas mal tu te afasta um milímetro da frente do carro e eles aceleram os automóveis e se vão fazendo tua roupa voar com o deslocamento do vento. Pedestres não conseguem esperar o farol abrir, mesmo que isto signifique proteger suas vidas, eles olham pra cima vendo que a luz verde não está acesa e descem as calçadas de forma perigosa. Quem chega no horário no trabalho sente, mesmo com folga de 5 minutos, que está atrasado! A cobrança é sufocante, tem muito para se fazer e tão pouco tempo! É preciso ser bem informado, é preciso estar nas redes sociais, trabalhar é imprescindível afinal é o que paga tuas contas e garante a bóia na mesa, tem que fazer exercícios, relacionar-se com as pessoas, ler bons livros, ir ao cinema, ao teatro, ficar com os filhos, visitar os parentes distantes e mais uma infinidade de verdades absolutas que a gente recebe por email. E vamos acelerando o nosso ritmo a ponto de sentir taquicardia no meio da tarde, morrendo de medo de que seja sinal de um enfarto, mas na verdade é das duas uma, criação da tua própria cabeça por causa da ansiedade decorrente de não conseguir cumprir todos os prazos que tu mesmo te deu, ou são gases. É, são gases, porque na volta com tanta coisa que precisas fazer na frente do computador tu acaba esquecendo de ir ao banheiro.
Só que eu não quero mais isto pra mim não. Vou voltar a dormir as 8h que preciso por dia, se não viro um bagaço! E o pior, não atino nada, a sinapse fica impossível! E vou dar, ainda, mais valor as coisas que gosto de fazer, minhas aulas de dança, escrever, ler, ver meus amigos, ficar com a minha família. Todas as outras verdades absolutas vou deixar pra lá. Nunca obedeci regras e nunca quis ser mais uma na multidão, sou do contra mesmo, vou contra a maré. Só não corro mais contra o tempo!
Se bem que... a verdade é que cansei de correr. Não consigo mais encarar como normal toda esta correria das pessoas em busca sei-lá-de-quê! As pessoas correm em seus carros, buzinam no sinal, param na faixa, mas mal tu te afasta um milímetro da frente do carro e eles aceleram os automóveis e se vão fazendo tua roupa voar com o deslocamento do vento. Pedestres não conseguem esperar o farol abrir, mesmo que isto signifique proteger suas vidas, eles olham pra cima vendo que a luz verde não está acesa e descem as calçadas de forma perigosa. Quem chega no horário no trabalho sente, mesmo com folga de 5 minutos, que está atrasado! A cobrança é sufocante, tem muito para se fazer e tão pouco tempo! É preciso ser bem informado, é preciso estar nas redes sociais, trabalhar é imprescindível afinal é o que paga tuas contas e garante a bóia na mesa, tem que fazer exercícios, relacionar-se com as pessoas, ler bons livros, ir ao cinema, ao teatro, ficar com os filhos, visitar os parentes distantes e mais uma infinidade de verdades absolutas que a gente recebe por email. E vamos acelerando o nosso ritmo a ponto de sentir taquicardia no meio da tarde, morrendo de medo de que seja sinal de um enfarto, mas na verdade é das duas uma, criação da tua própria cabeça por causa da ansiedade decorrente de não conseguir cumprir todos os prazos que tu mesmo te deu, ou são gases. É, são gases, porque na volta com tanta coisa que precisas fazer na frente do computador tu acaba esquecendo de ir ao banheiro.
Só que eu não quero mais isto pra mim não. Vou voltar a dormir as 8h que preciso por dia, se não viro um bagaço! E o pior, não atino nada, a sinapse fica impossível! E vou dar, ainda, mais valor as coisas que gosto de fazer, minhas aulas de dança, escrever, ler, ver meus amigos, ficar com a minha família. Todas as outras verdades absolutas vou deixar pra lá. Nunca obedeci regras e nunca quis ser mais uma na multidão, sou do contra mesmo, vou contra a maré. Só não corro mais contra o tempo!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Nossa trilha podia ser Adoniran
_Nossa história de amor podia ter começado assim: "De tanto levar frechada do teu olhar/ Meu peito até parece sabe o quê?/Táubua de tiro ao álvaro/Não tem mais onde furar/Táuba de tiro ao álvaro/Não tem mais onde furar [...]", disse ela sorrindo.
Ele pensativo respondeu, olhando nos olhos, como naquele dia:
_É? Foi meu olhar que te frechou????
_Sim, eu nem estava pensando em nada, tinha entrado no boteco para beber com os amigos, dar umas risadas e só...
Enquanto falava lembrava mentalmente do que sentiu quando viu seus olhos verdes sorrindo pra ela. Mas, na verdade a música que fazia com que ela lembrasse dele era "quem te viu, quem te vê". Ela virou para ele e não o viu na velha cadeira de balanço. Erguia-se do sofá, com um pouco de dificuldade quando escutou a voz do Chico cantarolando "Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala/Você era a favorita onde eu era mestre-sala/Hoje a gente nem se fala mas a festa continua/Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua".
Seu amor vinha, os pés arrastando as pantufas sovadas, pegou-a pela mão e foi até o centro da sala. Enlaçou seu corpo em posição de dança, aproximou-se dela. Beijou-a na testa e perguntou:
_Lembra desta minha véia?
Ela não respondeu, apenas sorriu. Então ele questionou:
_Tu gosta de Chico?
Ala não conteve a gargalhada frouxa.
Então, pela primeira vez, em 50 anos de união ele dançou com ela...
Ela olhou para o amado, já de cabelos e barba branca e percebeu que no cantinho do olho corria uma lágrima e falou:
_Adoro Chico e te amo, pra sempre!
Ele pensativo respondeu, olhando nos olhos, como naquele dia:
_É? Foi meu olhar que te frechou????
_Sim, eu nem estava pensando em nada, tinha entrado no boteco para beber com os amigos, dar umas risadas e só...
Enquanto falava lembrava mentalmente do que sentiu quando viu seus olhos verdes sorrindo pra ela. Mas, na verdade a música que fazia com que ela lembrasse dele era "quem te viu, quem te vê". Ela virou para ele e não o viu na velha cadeira de balanço. Erguia-se do sofá, com um pouco de dificuldade quando escutou a voz do Chico cantarolando "Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala/Você era a favorita onde eu era mestre-sala/Hoje a gente nem se fala mas a festa continua/Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua".
Seu amor vinha, os pés arrastando as pantufas sovadas, pegou-a pela mão e foi até o centro da sala. Enlaçou seu corpo em posição de dança, aproximou-se dela. Beijou-a na testa e perguntou:
_Lembra desta minha véia?
Ela não respondeu, apenas sorriu. Então ele questionou:
_Tu gosta de Chico?
Ala não conteve a gargalhada frouxa.
Então, pela primeira vez, em 50 anos de união ele dançou com ela...
Ela olhou para o amado, já de cabelos e barba branca e percebeu que no cantinho do olho corria uma lágrima e falou:
_Adoro Chico e te amo, pra sempre!
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
"Eu te amo, não esquece nunca!"
Cansada de sofrer por um amor não correspondido resolveu botar um ponto final. Não dava para continuar sofrendo! As palavras que disse ao amado serviam mais para si própria do que para ele, que não sofria qualquer culpa, que não compartilhava das dúvidas e dos medos dela. A intimidade dos dois serviu como ponto de partida para entrar no assunto, que para ela, a cada palavra proferida se tornava mais difícil.
Acabou seu discurso aos prantos, desculpou-se por não ser tão livre como gostaria de ser. Cada frase lhe batia de volta como um bumerangue.
_Te amo, mas não posso continuar ficando contigo... não te cobro nada... e sei que teu amor por mim é diferente... sei que não tens intenção de mais nada além do que já dizia Cazuza 'sexo e amizade'... cobro demais é de mim mesma, que não quero sentir o que sinto para não te cobrar o que não devo... nem posso.
Tudo foi dito sem intervalo, sem tempo para réplicas. Ele não deveria dizer nada. Como aconteceu diante do espelho, ninguém retrucou. Foi seguindo, ou pensava que seguia, o roteiro imaginado. Mas ele não poderia dizer nada. Tocá-la menos ainda. Sentir o calor de suas mãos seria covardia demais. Com certeza esqueceria o roteiro, os planos e a decisão definitiva que havia tomado de mudar a situação. Aquele momento era a virada de mesa para ela. O agora ou nunca!
Como previsto ele deixou que ela falasse compulsivamente. Ouviu com atenção os argumentos e ficou os olhos nos olhos dela. Crispou a sobrancelha quando lhe perguntou se ela tinha mesmo segurança de que não queria mais amá-lo, mesmo que sem compromisso, mesmo que apenas uma vez lá que outra? Ela seguiu firme na decisão apesar das lágrimas rolando pelo rosto e a voz fraca que quase não saia.
Ele segurou sua mão trêmula e disse que para ele tudo aquilo era loucura, deveriam continuar como estavam. Ele também a amava e ela sabia.
Ela ergue-se do chão aonde estava sentada e disse que sabia de tudo o que ele estava falando, que acreditava em tudo, por mais incrível que parecesse e embora suas amigas, sua mãe e até ela mesma lhe dissessem que deveria esquecer o que um dia aconteceu entre eles.
_Sempre terei este amor em mim. És parte de mim, mas quero outras coisas.
Ele replicou duro:
_Queres casar? E completou a pergunta com um sorriso irônico.
Ela ficou ferida demais para responder ao sarcasmo. Disse apenas que não sabia, talvez casasse ou não. Não sabia o que queria, sabia apenas que não queria aquela situação.
_Não quero ser objeto apenas de desejos, não quero ser confidente . Não quero mais ouvir o homem que eu amo falando de outras mulheres. Não quero mais não saber afinal de contas o que sou tua, o que somos nós!
O rapaz manteve-se sério, sentado olhando para ela de pé diante dele. Houve um momento de silêncio. Apenas os olhos vermelhos dela pousados, agora com serenidade, nos olhos dele, quase indiferentes.
_Vou embora...
Foi saindo, deixando para trás toda a angústia que viera carregando. Enxugou o rosto. Olhou no espelho do hall e cerrou a porta sem olhar para trás.
Saiu com a certeza de que tu voltara a ser como antes do primeiro beijo que trocaram. Ficou livre daquela dor disfarçada de amor. Sabia que aquilo não era o que buscava. Desespero, incerteza, angústia, dor, nada, nada daquilo foi parecido com o amor que já havia sentido. Cogitava muitas hipóteses e teorias, como era costumeiro. Talvez doesse tanto porque não era correspondida como desejava. Não sabia, não fazia ideia! Também não tinha a menor importância.
Não precisou pensar em como seria o próximo encontro com ele pois demoraria alguns meses, já que ele iria viajar por mais de um mês. Durante este tempo, os dias passaram claros, calmos. No retorno, logo procurou por ela. Marcou um encontro, um café, um conhaque, mas ainda naquele dia. Antes de desligar disse solene...
_"Eu te amo! Não esquece nunca!"
Do outro lado ela sorriu vitoriosa, embora já tivesse escutado a declaração, embora tenha sido ele o primeiro a usar o termo na relação, embora ela nunca tenha tido dúvida nas vezes anteriores... desta vez pareceu-lhe mais verídico, mais sincero. Apenas respondeu calma: _Eu também!
A noite optaram pelo conhaque. Conversaram muito, como de costume ele contou seus projetos, pediu conselhos. Surpreendeu quando perguntou para ela de seu coração. Não pode disfarçar a surpresa, pois ficou corada. Sem jeito respondeu:
_Esta bem, porque a pergunta?
_Quero saber de ti, me interesso, porque a estranheza?
_Nada, apenas me surpreendi, tu nunca perguntou sobre isto antes.
Caminharam lado a lado até a casa dela. Na despedida ele repetiu a declaração pela qual ela tanto ansiou escutar.
_"Eu te amo, não esquece nunca!"
Ela sorriu...
_Eu também...
Ele beijou -a na testa.. O beijo era o selo de autenticação.
Daquele dia em diante, depois que ela disse que não o queria mais, cada despedida era para ele a tentativa de reconquistá-la. Sua declaração a fazia sorrir sempre e sentir, como se finalmente tivesse atingido seu objetivo de ser amada por ele. Agora já não importava, mas era muito bom ouvir.
Teve certeza de ser amada quando resolveu não amá-lo mais.
Acabou seu discurso aos prantos, desculpou-se por não ser tão livre como gostaria de ser. Cada frase lhe batia de volta como um bumerangue.
_Te amo, mas não posso continuar ficando contigo... não te cobro nada... e sei que teu amor por mim é diferente... sei que não tens intenção de mais nada além do que já dizia Cazuza 'sexo e amizade'... cobro demais é de mim mesma, que não quero sentir o que sinto para não te cobrar o que não devo... nem posso.
Tudo foi dito sem intervalo, sem tempo para réplicas. Ele não deveria dizer nada. Como aconteceu diante do espelho, ninguém retrucou. Foi seguindo, ou pensava que seguia, o roteiro imaginado. Mas ele não poderia dizer nada. Tocá-la menos ainda. Sentir o calor de suas mãos seria covardia demais. Com certeza esqueceria o roteiro, os planos e a decisão definitiva que havia tomado de mudar a situação. Aquele momento era a virada de mesa para ela. O agora ou nunca!
Como previsto ele deixou que ela falasse compulsivamente. Ouviu com atenção os argumentos e ficou os olhos nos olhos dela. Crispou a sobrancelha quando lhe perguntou se ela tinha mesmo segurança de que não queria mais amá-lo, mesmo que sem compromisso, mesmo que apenas uma vez lá que outra? Ela seguiu firme na decisão apesar das lágrimas rolando pelo rosto e a voz fraca que quase não saia.
Ele segurou sua mão trêmula e disse que para ele tudo aquilo era loucura, deveriam continuar como estavam. Ele também a amava e ela sabia.
Ela ergue-se do chão aonde estava sentada e disse que sabia de tudo o que ele estava falando, que acreditava em tudo, por mais incrível que parecesse e embora suas amigas, sua mãe e até ela mesma lhe dissessem que deveria esquecer o que um dia aconteceu entre eles.
_Sempre terei este amor em mim. És parte de mim, mas quero outras coisas.
Ele replicou duro:
_Queres casar? E completou a pergunta com um sorriso irônico.
Ela ficou ferida demais para responder ao sarcasmo. Disse apenas que não sabia, talvez casasse ou não. Não sabia o que queria, sabia apenas que não queria aquela situação.
_Não quero ser objeto apenas de desejos, não quero ser confidente . Não quero mais ouvir o homem que eu amo falando de outras mulheres. Não quero mais não saber afinal de contas o que sou tua, o que somos nós!
O rapaz manteve-se sério, sentado olhando para ela de pé diante dele. Houve um momento de silêncio. Apenas os olhos vermelhos dela pousados, agora com serenidade, nos olhos dele, quase indiferentes.
_Vou embora...
Foi saindo, deixando para trás toda a angústia que viera carregando. Enxugou o rosto. Olhou no espelho do hall e cerrou a porta sem olhar para trás.
Saiu com a certeza de que tu voltara a ser como antes do primeiro beijo que trocaram. Ficou livre daquela dor disfarçada de amor. Sabia que aquilo não era o que buscava. Desespero, incerteza, angústia, dor, nada, nada daquilo foi parecido com o amor que já havia sentido. Cogitava muitas hipóteses e teorias, como era costumeiro. Talvez doesse tanto porque não era correspondida como desejava. Não sabia, não fazia ideia! Também não tinha a menor importância.
Não precisou pensar em como seria o próximo encontro com ele pois demoraria alguns meses, já que ele iria viajar por mais de um mês. Durante este tempo, os dias passaram claros, calmos. No retorno, logo procurou por ela. Marcou um encontro, um café, um conhaque, mas ainda naquele dia. Antes de desligar disse solene...
_"Eu te amo! Não esquece nunca!"
Do outro lado ela sorriu vitoriosa, embora já tivesse escutado a declaração, embora tenha sido ele o primeiro a usar o termo na relação, embora ela nunca tenha tido dúvida nas vezes anteriores... desta vez pareceu-lhe mais verídico, mais sincero. Apenas respondeu calma: _Eu também!
A noite optaram pelo conhaque. Conversaram muito, como de costume ele contou seus projetos, pediu conselhos. Surpreendeu quando perguntou para ela de seu coração. Não pode disfarçar a surpresa, pois ficou corada. Sem jeito respondeu:
_Esta bem, porque a pergunta?
_Quero saber de ti, me interesso, porque a estranheza?
_Nada, apenas me surpreendi, tu nunca perguntou sobre isto antes.
Caminharam lado a lado até a casa dela. Na despedida ele repetiu a declaração pela qual ela tanto ansiou escutar.
_"Eu te amo, não esquece nunca!"
Ela sorriu...
_Eu também...
Ele beijou -a na testa.. O beijo era o selo de autenticação.
Daquele dia em diante, depois que ela disse que não o queria mais, cada despedida era para ele a tentativa de reconquistá-la. Sua declaração a fazia sorrir sempre e sentir, como se finalmente tivesse atingido seu objetivo de ser amada por ele. Agora já não importava, mas era muito bom ouvir.
Teve certeza de ser amada quando resolveu não amá-lo mais.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
É por isto que sou a favor de homens barbudos
"Espuma de barbear
São tão malignos que você não quer nem saber o que há neles. Sério.
Se ficou curioso, veja a lista: butano (o conhecido gás de cozinha), uréia de diazolidinyl (que libera formaldeído, substância que pode causar dificuldades respiratórias), trietanolamina (um importante ingrediente do gás mostarda, arma química criada durante a Segunda Guerra Mundial e que pode causar câncer), parabeno (que enfraquecem imitadores de estrogênio, presentes nas pílulas anticoncepcionais).
Para ficar longe de todas essas toxinas, faça a barba com óleos orgânicos, como óleo de amêndoas, géis de barbear ou adote um visual lenhador e não faça a barba."
Claro que além de proteger os homens destas malignas substâncias também acho que eles ficam um charme com a barba por fazer. Mas preferências pessoais a parte, é interessante ficar a par da composição de produtos que corriqueiramente usamos, achando-os tão inofensivos. Clica lá no link da Super e fique por dentro. Afinal de contas, como diz a máxima popular "é melhor prevenir do que remediar"!
São tão malignos que você não quer nem saber o que há neles. Sério.
Se ficou curioso, veja a lista: butano (o conhecido gás de cozinha), uréia de diazolidinyl (que libera formaldeído, substância que pode causar dificuldades respiratórias), trietanolamina (um importante ingrediente do gás mostarda, arma química criada durante a Segunda Guerra Mundial e que pode causar câncer), parabeno (que enfraquecem imitadores de estrogênio, presentes nas pílulas anticoncepcionais).
Para ficar longe de todas essas toxinas, faça a barba com óleos orgânicos, como óleo de amêndoas, géis de barbear ou adote um visual lenhador e não faça a barba."
Claro que além de proteger os homens destas malignas substâncias também acho que eles ficam um charme com a barba por fazer. Mas preferências pessoais a parte, é interessante ficar a par da composição de produtos que corriqueiramente usamos, achando-os tão inofensivos. Clica lá no link da Super e fique por dentro. Afinal de contas, como diz a máxima popular "é melhor prevenir do que remediar"!
Sou a mulher maravilha, ou não
Calma, antes de mais deixem que eu esclareça, não estou me achando não. O título é uma homenagem a minha heroína de infância. Confesso que nas minhas preferências ela vinha depois do incrível Hulk, de quem eu tinha um pouco de pena, pois ele era um incompreendido (na minha avaliação) e todos o perseguiam e o irritavam, até que ele ficasse verde e quebrasse tudo. Pura identificação!!!! A mulher maravilha era toda bonitona, uma das únicas mulheres da liga da Justiça, sempre maravilhosa, sempre uma maravilha. Não me idenficava muito não. Nunca me achei charmosa ou elegante. Sempre fui de falar alto, esbravejar quando irritada, me alterar quando vejo injustiças, enfim... muito mais Hulk, só que menos verde.
Mas o título do post vem por outro motivo, nada a ver com minhas semelhanças psicológicas com este ou aquele personagem de histórias em quadrinhos. O caso que vou relatar é verídico e engraçado. Agora, relembrando o fato, me passou pela cabeça de que a pequena dor no ombro que estou tento há dias se deva a ele. Bem, vamos ao relato.
Alguns dias atrás, acho que umas três semanas, por aí, fui com meus pais para o nosso sítio, na colônia de Pelotas (para quem não é daqui fica difícil compreender esta expressão, mas a colônia nada mais é do que a zona rural da cidade, a expressão também pode ser substituída por "Lá fora", ao que se refere a fora da cidade, centro urbano). Quando chegamos ainda fiquei mais um pouco dentro do carro. Estava com muita preguiça e sono. Como minha sobrinha não havia ido conosco, fui no banco de trás, aonde geralmente ela exige a presença da minha mãe. Fiquei por ali, enquanto meu pai e minha mãe descarregavam a camionete que vinha cheia, como de costume, ração para as galinhas, comida para os cavalos, coisas compradas para o final de semana.
Após alguns minutos de preguiça dentro do carro, peguei minha sacola, com coisas apenas para o final de semana e desci. E qual não é a surpresa? O carro saiu andando, descendo o pequeno declive e eu tive que agarra-lo a unha, quase. Não tinha idéia de que tinha tanta força. Pedi ajuda, claro. Mas meu pai, com as mãos cheias de sacolas queria que eu puxasse o freio de mão, sendo que pra mim, da porta trazeira seria impossível tal façanha. Na minha cabeça, se eu voltasse para dentro do carro aí sim é que ele sairia em disparada e entraria na horta. Isto se não fosse parado pela amoreira. Mas, vai saber né?
Fiquei ali, tentando manter o carro firme. E meu pai me olhando com cara de que eu tinha que ser ágil. Resultado??? Tive que dizer pra ele, vai me ajudar ou solto o carro???
Gente do céu, foi uma coisa muito estranha!!! Minha mãe quase morreu rindo da minha cara, tentando segurar o carro, logo eu, pra quem ela dá as sacoles mais leves quando vamos ao super.
O mais engraçado é que muitas vezes tive que ajudar a empurrar carros. Tentar mantê-los em algum lugar foi a primeira vez. Confesso que empurrar é mais fácil! E eu que queria ser a Mulher Maravilha quando criança. Acho que mesmo acreditando ser um desenho animado, nunca teria conseguido imaginar que iria segurar um carro. Pelo menos não assim. Afinal, parecendo tanto com o Hulk talvez o mais provável fosse jogar o veículo contra alguém que me tivesse perseguindo.
Mas o título do post vem por outro motivo, nada a ver com minhas semelhanças psicológicas com este ou aquele personagem de histórias em quadrinhos. O caso que vou relatar é verídico e engraçado. Agora, relembrando o fato, me passou pela cabeça de que a pequena dor no ombro que estou tento há dias se deva a ele. Bem, vamos ao relato.
Alguns dias atrás, acho que umas três semanas, por aí, fui com meus pais para o nosso sítio, na colônia de Pelotas (para quem não é daqui fica difícil compreender esta expressão, mas a colônia nada mais é do que a zona rural da cidade, a expressão também pode ser substituída por "Lá fora", ao que se refere a fora da cidade, centro urbano). Quando chegamos ainda fiquei mais um pouco dentro do carro. Estava com muita preguiça e sono. Como minha sobrinha não havia ido conosco, fui no banco de trás, aonde geralmente ela exige a presença da minha mãe. Fiquei por ali, enquanto meu pai e minha mãe descarregavam a camionete que vinha cheia, como de costume, ração para as galinhas, comida para os cavalos, coisas compradas para o final de semana.
Após alguns minutos de preguiça dentro do carro, peguei minha sacola, com coisas apenas para o final de semana e desci. E qual não é a surpresa? O carro saiu andando, descendo o pequeno declive e eu tive que agarra-lo a unha, quase. Não tinha idéia de que tinha tanta força. Pedi ajuda, claro. Mas meu pai, com as mãos cheias de sacolas queria que eu puxasse o freio de mão, sendo que pra mim, da porta trazeira seria impossível tal façanha. Na minha cabeça, se eu voltasse para dentro do carro aí sim é que ele sairia em disparada e entraria na horta. Isto se não fosse parado pela amoreira. Mas, vai saber né?
Fiquei ali, tentando manter o carro firme. E meu pai me olhando com cara de que eu tinha que ser ágil. Resultado??? Tive que dizer pra ele, vai me ajudar ou solto o carro???
Gente do céu, foi uma coisa muito estranha!!! Minha mãe quase morreu rindo da minha cara, tentando segurar o carro, logo eu, pra quem ela dá as sacoles mais leves quando vamos ao super.
O mais engraçado é que muitas vezes tive que ajudar a empurrar carros. Tentar mantê-los em algum lugar foi a primeira vez. Confesso que empurrar é mais fácil! E eu que queria ser a Mulher Maravilha quando criança. Acho que mesmo acreditando ser um desenho animado, nunca teria conseguido imaginar que iria segurar um carro. Pelo menos não assim. Afinal, parecendo tanto com o Hulk talvez o mais provável fosse jogar o veículo contra alguém que me tivesse perseguindo.
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