sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Quando me vi de verdade me enxerguei!


Há um tempo atrás sempre me sentia ofendida ou magoada quando alguém dizia que o Rio Grande do Sul é racista ou quando diziam que os gaúchos eram preconceituosos. Eu pensava, gente eu não sou preconceituosa. Eu não acho que sou melhor que os negros ou índios, pelo contrário até fico feliz e orgulhosa de saber que minha descendência tem essa mistura. Mas a verdade é que eu era. Ainda existia um resquício disso em mim e aquela verdade me atingia em cheio e bem no meio da minha cara. Eu sempre tive amigos negros e gays. Eu sempre defendi estas pessoas quando eram vítimas de algum preconceito na minha presença, mas lá no fundo do meu comodismo eu tinha internalizado aquelas coisas todas que as pessoas falam e acham natural. E ao mesmo tempo que eu defendia as pessoas de quem gostava quando eram desrespeitadas, não rebatia ou apontava os comportamentos preconceituosos de amigos ou conhecidos quando não havia ninguém pra eu defender. Vocês compreendem? Eu defendia alguém diante de outra pessoa, alguém que eu, na minha arrogância e preconceito, acreditava precisar da minha defesa. Mas não tinha coragem de apontar uma piada preconceituosa se não tivesse sido feita na presença de alguém que pudesse ser atingido diretamente.
Sabe quando eu me dei conta de que eu era sim uma pessoa com preconceitos? Quando rebati uma brincadeira diante de um casal de amigos negros com uma frase profundamente racista! Naquele dia, quando eu me dei conta do que falei na presença deles e fiquei aterrada comigo mesma e o meu pensamento percebi que era tão preconceituosa quando aquelas pessoas com quem já havia discutido e acusado. Eu chorei tanto diante dos meus amigos com tanta vergonha que se pudesse teria fugido dali. Graças a Deus eles eram pessoas amorosas e me acolheram com carinho, apesar da coisa horrível que disse sem pensar, no automático do "isso é normal e todo mundo diz"! Eu pedi perdão um milhão de vezes pra eles! Não precisei que ninguém me acusasse de nada porque eu me vi de forma nua e crua e me choquei comigo mesma! Minha reforma íntima começou naquela hora! Porque mesmo eles dizendo que sabiam que eu não era racista, eu já tinha me visto do jeito que eu era e não queria ser.
Nunca mais uma frase absurda daquelas ia passar despercebida pra mim. Nunca mais alguém ia dizer que nosso hino é preconceituoso e eu rebateria sem analisar o que aquelas palavras dizem. Porque não é por falta de virtude que um povo se torna escravo. É só pensar! Pode ser, óbvio que quem fez a letra não tenha tido a intenção de ofender ou atingir, mas ofendeu e atingiu. Quando eu falei na presença dos meus amigos a frase fatídica não queria ofender ninguém, mas ofendi. Na verdade ofendi muito mais a mim do que a eles. Vi que pessoa imatura e preconceituosa ainda era. Ainda bem que nenhum de nós tem compromisso com o erro e como bem disse Chico Xavier "ninguém pode voltar e fazer um novo começo, mas todos podem mudar agora e fazer um novo fim"! Um povo é escravizado principalmente pela ganância do dominador! Nunca por falta de qualidades do escravizado, até porque, se nada tivessem a oferecer, pra quê iriam ser subjulgados?
Eu entendi que posso ser solidária a qualquer causa! E compreendi ainda mais, compreendi que mesmo me compadecendo, mesmo tentando me colocar no lugar do outro eu nunca vou saber verdadeiramente como o outro se sente! Eu ouço, acolho e sou empática com aquela pessoa, mas nunca jamais vou dizer que o que ela sentiu em relação a uma situação não é real. Porque sendo branca e de olho claro nunca vou passar por situações que eu sei que acontecem com quem tem a pele negra.
O que vejo são sempre pessoas brancas dizendo que aquilo que o negro entendeu e sentiu como preconceito não foi preconceito. É como disse o outro lá "coitadismo"! Eu não posso dizer que uma pessoa que precisou a vida toda trabalhar para comer e por isso não pode estudar, que ela não o fez porque não quis. Eu não vivi aquela situação, não senti aquela dor e NÃO POSSO e NÃO DEVO dizer pros outros que o que eles estão sentindo é exagerado, é demais! Nesta encarnação eu jamais vou saber como é ser negro, ou gay, porque eu não sou nenhuma das duas e, portanto, não faço nenhuma ideia de como é  ser.  Isso é julgar! A gente passa julgando os outros. Estão tristes, deprimidos? Exagerados, não tem o que fazer. Querem cotas? Pra quê, isso é desmerecer os próprios negros. Parece uma defesa né? Não é. Porque a situação econômica de famílias negras da periferia é muito diferente da situação de uma família branca dentro da mesma periferia. Algumas vezes, estudiosos desse tema me corrijam, uma família negra tem mais gente trabalhando do que na branca o número de componentes  é o mesmo e, ainda assim, a renda per capita da família negra é menor.
Sou pobre, fui criada na vila, mas numa casa que era própria, nunca pagamos aluguel! Minha mãe era dona de casa e fazia alguns pequenos lavados para garantir uns troquinhos, quando a gente cresceu ela virou faxineira. Meu pai sempre esteve empregado. E a única vez que ele não esteve eu jurei que ele estava doente, devido ao jeito que ele ficou! Ainda não se falava em depressão, mas tenho certeza que naquela época ele estava depressivo. Não lembro direito, mas não passamos necessidade! Sempre vivemos de forma econômica, sem esbanjamentos ou supérfluos, mas nunca ficamos sem ter o que comer, ou sem poder pagar a luz. No meu colégio tinha muitos colegas sem pai, onde as mães precisam trabalhar mesmo com filhos pequenos. E tinha colegas de 8 anos eram responsáveis pelos irmão menores e por cuidar da casa quando os pais estavam no trabalho. Como que uma criança vai conseguir estudar se tem que cuidar da casa e dos irmãos? Não dá! E não dá, ou melhor, não se pode dizer que é frescura! Ou oportunidade igual! Não é! Eu chegava em casa a comida estava pronta, não precisava nem lavar o prato em que eu comia porque a minha obrigação era estudar e ter boas notas. É evidente que eu iria me sair melhor que aquela coleguinha que ao chegar em casa tinha que fazer almoço e dar para os irmão, depois lavar a louça e organizar a casa, pra só depois então, quem sabe olhar os cadernos.
Não é possível que eu fale como aquela colega se sentia ou se sente diante de todas essas adversidades. Então, hoje, quando o Ciro Gomes diz que aqui no sul tem nazista eu não me ofendo. Primeiro porque não sou e repudio o nazismo, segundo porque tem mesmo e negar não vai fazer eles desaparecerem. Aliás, seria ótimo se acontecesse! E convenhamos que quando ele falou isso não estava sendo xenofóbico! Ele não disse que todos aqui eram nazistas! Mas tem gente que desqualifica as pessoas por serem nordestinas! Desejam a morte, falam e fazem barbaridades! Isso é xenofobia!
Quando alguém não fica de pé quando o hino Riograndense toca não me sinto agredida ou desrespeitada, porque tem algumas partes do nosso hino que desrespeita aquela pessoa e ela tem todo direito de não gostar e demonstrar isso.
Caso alguém diga que não gosta das nossas músicas tradicionalistas ou dos nossos CTGs eu não sinto aquilo como um ataque pessoal, porque, realmente alguns são apenas um outro formato dos clubes chiques da cidade onde apenas as famílias tradicionais são respeitadas e ovacionadas. E eu também não gosto disso! E quanto a nossa música? Quanta gente na sua arrogância soberba não enche a boca pra desqualificar os movimentos culturais dos quais não gosta? Quanta gente classifica ou esculacha artistas de outras regiões pelo simples fato de não gostar ou desconhecer aquela manifestação artística?
Só a maturidade e o autoconhecimento permite nos vermos com os mesmo olhos que enxergamos os outros! Porque quase sempre nossos olhos críticos olham e julgam pra fora. Quando se voltam pra dentro são brandos e condescendentes.

Imagens do Google

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Só o amor merece revanche

Hoje eu estou me sentindo um pouco cansada! Dizem que a gente precisa aprender a descansar e não a desistir, mas tem alguns sentimentos alguma situações que desestimulam as pessoas e cansam demais. Dá muita vontade de desistir! O ódio, a raiva, essa energia negativa e desejos de vingança nos cansam, fazem mal e nos deixam sem forças. Não adianta tomar vitaminas ou energéticos, pois o cansaço é físico e mental e mesmo dormir torna-se difícil para alguns. Eu definitivamente não compreendo como algumas pessoas conseguem se deixar levar por estes sentimentos e não se sentir pesados, massacrados. Só de ler uma notícia ou texto carregado de raiva e ódio eu já me sinto exausta, imagina se eu usasse destes sentimentos para decidir meus caminhos, fazer minhas escolhas? Acho que minha energia vital já teria se esvaído completamente.
As pessoas, assim como os espíritos, são percebidos pela sua leveza ou densidade, que são formados pelos seus sentimentos, pensamentos, desejos, ações, palavras.Como disse Jesus a boca fala do que está cheio o coração! Uma pessoa que ama incondicionalmente é leve, luminosa, algumas até parecem frágeis tamanha sua sutileza. Pensem em Chico Xavier, Madre Tereza, Gandhi. Jesus é um ser angelical, então nem vou citar aqui pois está muito a nossa frente, reles mortais que somos ainda engatinhando na nossa escada evolutiva. E mesmo com todos os ensinamentos e dicas que vão das buscas a espiritualidade até os livros de autoajuda ainda há quem prefira o pessimismo e a tristeza.
Opções, escolhas do livre arbítrio que devem ser respeitadas, mas não precisamos compartilhar ou viver estas escolhas para demonstrar que as respeitamos. Eu fico muito impressionada como as pessoas defendem a violência como forma de combate a violência! Fico chocada com religiosos defendendo tortura e pena de morte. Consideram a vida inicial do feto como algo inestimável, não podemos pensar em interrompê-la. Aborto é crime hediondo não se pode nem pensar. Mas uma pessoa que cometeu um crime seja qual for, essa tem que morrer, tem que sofrer.
Eu fico muito triste quando assisto uma notícia como a do homicídio da menina Eduarda, óbvio que fico triste, chocada e penso na dor dos pais que tiveram que se despedir dessa forma tão brutal de uma criança que amavam tanto. Evidente que desejo que o culpado seja punido de forma rigorosa, mas vociferar impropérios, culpar a todos que creem em outra forma de punir, considerar todos hipócritas e apontar o dedo pra cara dos outros não me faz mais justa, nem mais humana, nem me faz ficar próxima da dor daquela família. Eu não sei, não sou capaz de imaginar e nenhuma pessoa qualquer é capaz de saber o tamanho da dor daquela mãe! E se estiver dizendo que sabe está sendo profundamente egocêntrica.  E um dos nossos problemas atuais é achar que sabemos mais que os outros o que eles estão sentindo. A gente sabe o tamanho e a intensidade da dor do outro, melhor que ele mesmo, e geralmente essa dor não é nada se comparada com a nossa. Depressão? Frescura, falta do que fazer, falta de laço. Tentativa de suicídio? Tá querendo aparecer, "quem quer se matar não avisa!"
A gente sabe muito bem o que o outro deve fazer para resolver seu problema, mas quanto ao nosso, ah! o nosso é muito grande, muito dolorido, ninguém tem capacidade de compreender! Sabemos bem como o outro se sente e o que deve fazer, mas nunca conseguimos nos por a disposição dessa pessoa para ajudar sem julgar. Geralmente não queremos nem ficar perto, porque quem está em sofrimento não faz nada pelos outros.
Não sou dona da verdade, nem tenho intenção de fazer ninguém mudar de ideia ou opinião. Aliás, sou grata por ver tanta coisa desconexa e ideias conflitantes, pois graças a elas posso refletir sobre minhas escolhas, minhas decisões e minhas próprias atitudes. Porque a única pessoa que posso modificar sou eu mesma.  Eu decidi que vou descansar! Que não vou mais ler estas notícias tristes! Não sou alienada, apenas, neste momento em que as pessoas estão utilizando o ódio como combustível para suas escolhas, eu vou optar pelo amor. Tem muita gente odiando quem não conhece  apenas pelas opiniões alheias.  Chico Xavier disse uma vez que "ele tinha inimigos, mas que ELE não era inimigo de ninguém". É isso que penso em relação ao ódio, a raiva ou a mágoa, provavelmente exista quem tenha estes sentimentos por mim, mas todo dia eu me esforço de verdade para não ter estes sentimentos por ninguém.  Porque como o Chico também dizia, "só o amor merece revanche"!

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Reflexões durante o inferno astral

Eu tento, apesar de ser uma pessoa profundamente irritadiça, controlar a impulsividade, refletir a respeito do que sinto e de como sinto as coisas que as pessoas dizem, porque todas as pessoas em algum momento da nossa vida acreditam que tem a receita perfeita para sermos felizes. Quando criança e até minha vida adulta jovem ouvi as informações e conselhos dos meus pais com atenção, acreditava que acatar suas orientações seria o melhor caminho para mim, mas depois de um tempo percebi que algumas escolhas deveriam ter sido feitas por mim lá atrás, sem esse direcionamento dos pais, visto que quando fiquei por minha conta em outra cidade acabava sem saber como deveria agir e nem sempre tinha a oportunidade de compartilhar as dificuldades e ouvir os conselhos antes de fazer as escolhas. Era independente, sendo totalmente dependente.  Mas vejamos bem, na psicologia o terapeuta dava um chacoalhão e fez com que eu percebesse que estava por minha conta e risco e que os erros seriam meus, com ou sem o aval dos pais. Cabia apenas a mim fazer deles aprendizados.
Embora eu sempre ouvisse meus pais, nunca tive a mesma paciência com terceiros. Acabava algumas vezes brigando muito. Eu brigava muito, ou melhor discutia com meus pais, mas de maneira geral acabava por ceder, mesmo que dentro de mim permanecesse a chama da rebeldia juvenil. Já com pessoas de fora a cara expressiva já dava o recado de "quem pediu tua opinião?" ou "ave Maria quanta bobagem, ignorância e preconceito! Valha-me!". Mas o fato de não bater boca, a menos que seja provocada diretamente, parece-me fez com que as pessoas ficassem opinando sobre certas coisas na minha vida como se estivessem assistindo novela da Glória Peres ou torcendo pra seleção brasileira! O que já ouvi de tira esse cara daí, pega outro mais novo, mais magro, mais bonito, mais... E depois dos abortos então... O que me mandam fazer tratamento, "encomendar" sem o consentimento do pai, tomar remédio, já me disseram até pra fazer promessa! O mais interessante é que eu digo que não vou tentar mais logo que a pessoa pergunta, só que eles não escutam! Seguem dando receita e contando o caso da vizinha que foi na médica fulana que mandou tomar no c*, ops! Digo, receitou ácido fólico e saúde da mulher e exercício físico e sexo três vezes ao dia. Quer dizer que tenho que fazer como o interlocutor e fingir que estou escutando toda a narrativa, com cara de paisagem (que não rola!) e no final de tudo que me "aconselham" repetir o que disse no início "não pretendo mais tentar engravidar!". E às vezes ainda tem quem complete, ah! tem certeza? Mas eu acho que tu devia tentar mais uma vez! A filha da vizinha da minha cumadre lá de cacimbinhas teve 19 abortos espontâneos, mas daí ela fez uma promessa e duas simpatias, além de umas injeções na barriga e mais ácido fólico, saúde da mulher e uma vitamina de ovo de codorna com amendoim e leite condensado com vinho do porto e ficou grávida de trigêmeos. Pois é, a Fátima Bernardes também, mas eu vou deixar pra próxima encarnação ou, se mais adiante eu ainda quiser ter um filho eu adoto.
Ah!
Geralmente o assunto começa e termina sem que a criatura tenha perguntado como que me senti em relação a isso. Se fiquei bem! Querem saber se tenho algum problema, se a médica disse porque aconteceram os abortos. Nesta fase também ignoram a informação que dou, de que @s médic@s  dizem que abortamento espontâneo é muito comum nos três primeiros meses e que algumas mulheres nem chegam a saber que estavam grávidas. E que, apesar de todo o avanço da medicina, mulheres com mais de 40 anos acabam tendo esta dificuldade natural. Ah! Mas a prima da cunhada do meu irmão teve o filho caçula com 46. Pois é, filho caçula, antes disso ela teve outros e provavelmente antes dos 40!
Não passa pela cabeça das pessoas que algumas coisas não bastam ser queridas! Tipo casar e ter filhos, geralmente estas duas necessitam, obrigatoriamente, de outra pessoa. Que cá pra nós algumas vezes quer casar, mas não quer ter filhos. Outras quer ter filhos e morar em casa separada ou não quer casar nem ter filhos, só quer namorar e ter uma vida sem compromissos. Aliás, este último grupo tem crescido. E eu tenho que respeitar a vontade das pessoas, inclusive a do meu parceiro, que é outra pessoa e muitas vezes tem interesses e projetos que não batem com os meus. E aí tem que ter muita conversa e negociação e isso não diz respeito a mais ninguém a não ser nós dois!
Mas porque todo esse blábláblá? Porque semana que vem completo 41 anos e me dou conta a cada dia que se meus pais tivesse me feito me virar mais cedo eu teria ainda mais maturidade hoje em dia. Acredito que isso teria me ajudado a ter mais iniciativa em relação a muitas coisas. Eu gosto da pessoa que eu sou, tenho consciência de tudo que mudei e até melhorei, mas ainda posso e preciso fazer mais. Diz-se por aí que a vida começa ao 40, sou uma criança prestes a completar um aninho com muita experiência.
O que contei aqui é engraçado e parece inventado, mas aconteceu comigo. Eu tenho consciência do meu potencial maternal e eu exerço esse potencial desde os meus 11 anos, quando meu sobrinho Igor foi morar lá em casa. Eu nunca deixo de fazer para meus sobrinhos as comidas ou atividades que sugerem. Eu sou tia, dinda e sou também meio mãe e meio avó! Faço vontades, dou uma ralhada e ensino coisas que eu nunca pensei que ensinaria aos meus filhos, porque eu nunca me imaginei com filhos. E graças a Deus eu os tenho através dos meus sobrinhos todos! Ah! E pr'aquelas pessoas que acham que eu vou me arrepender ou que eu preciso gerar uma criança e pari-la para que seja meu filho eu digo essa necessidade não é minha. Além disso, depois de ter visto Gal Costa e outras mulheres adotando seus filhos depois dos 50 eu me dei conta de que o relógio biológico só dá o start, mas a ação de buscar ter um filho vai além do nosso corpo perecível ela tá na alma e no nosso coração e acontece no momento em que a gente olha nos olhos da nossa criança. Isso acontece logo que a parimos ou assim que a encontramos na vida! Eu sei que nada acontece por acaso e que a vida não tem receita, portanto, vamos parar de querer dirigir a vida alheia e vamos prestar atenção na nossa!
Esse texto começou a ser escrito no auge do inferno astral cruzado com a TPM. O sol já tinha deixado leão e eu estava além de cansada, p da vida e me sentindo uó! Agora, creio que os hormônios baixaram, o inferno astral tá se esvaindo e o sol em virgem fez com que eu parasse de palhaçada  e voltasse ao estado normal se não ia tomar uma coça.
Apesar de toda essa chuva e do meu cabelo tá um horror, sinto-me mais harmonizada e alegre. Sem nem um  pila no bolso, mas bem!

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Inocência infantil

Quando eu era criança sempre ficava pensando que  acabar com o desemprego, com a violência e os problemas na educação era muito fácil. É óbvio que esse pensamento era ingênuo! Eu pensava assim é só o prefeito, governador ou presidente contratar para as vagas que são necessárias as pessoas que estão desempregadas. Era simplista mesmo, eu era criança! Mas eu pensava assim, na minha escola falta professor, merendeira, alguém para a manutenção e eu conheço vários professores desempregados, que se formaram, alguns tinham feito estágio no colégio, era só contratar eles e pronto.
Eu dizia que se fosse política ia usar a mão-de-obra das pessoas do próprio bairro para construir creches, escolas, locais de lazer. E isso não iria gerar emprego apenas na construção, esses locais precisam ser preservados, limpos, mantidos em condições pra população. Quando se construir mais escolas tem mais vaga para alunos e consequentemente para professores, merendeiras, higienizadoras. Então é uma boa ideia criar mais escolas, até porque tem muita criança sem escola, sem creche! Imagina numa só creche quantas pessoas são empregadas????
A mesma coisa, pensava eu, se construir outros postos de saúde. Gente! No posto sempre precisam de médicos, a maior queixa das pessoas é que são poucas fichas pra procura que tem! Geralmente só tem um médico, que muitas vezes trabalha em apenas um turno, então... Chama médico, enfermeiro, técnicos, higienizadores pro Posto, tem muita gente que saiu da faculdade agora e não tem serviço!
Pensava assim, porque eu acreditava que os políticos estariam todos lá na prefeitura, na câmara e sei lá mais onde pensando em formas de beneficiar e ajudar a população da cidade, que, inclusive os elegeram! Mas o que acontece não é isso! Eles estão lá organizando uma forma de benefício próprio, alguma coisa que renda para o partido, qualquer coisa que os ajude a melhorar a vida da família. E quem pensa diferente e realmente quer ajudar a população precisa muitas vezes ter que entrar no jogo para passar seus projetos.
Tem gente que quer se eleger pra colocar nome em rua!? O que o nome da rua vai beneficiar a população da cidade me digam???? Agora ir lá no bairro e saber da necessidade e da prioridade das pessoas que estão lá...
Aí a gente sabe que tem violência, tem roubo, tem assalto, tem morte e tem drogas, mas tem gente que acha que a população ter arma em casa vai resolver. Qualificar os policiais e contratar mais, garantir condições de trabalho dignas é muito difícil. Melhor mesmo e muito mais fácil deixar as pessoas comprar armas do que construir uma escola. Afinal de contas gente que pensa não é bom pra atual classe política que temos, mais negócio é deixar que ande com arma matando gente inocente mesmo!
Na minha inocência infantil eu via solução pras coisas, aliás ainda vejo. Mas pra isso muita coisa vai ter que mudar!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Refaz os exames prefeita

Descobri que sou uma péssima blogueira e uma péssima manifestante!
Sim, eu convoco, eu chamo eu faço um estardalhaço e muitas vezes não posso ir ao ato! E por aqui onde poderia fazer um barulho acabo deixando o tempo passar e não escrevo. Mas hoje estou aqui. Vamos ver se consigo a frequência que pretendo.
Aqui em Pelotas está acontecendo algo muito grave, um ato criminoso contra as mulheres da periferia. Foi denunciada uma fraude na realização de exames papanicolau, que são feitos anualmente pelas mulheres como prevenção ao câncer de colo de útero. O que ocorria é que os exames eram avaliados por amostragem, sendo assim apenas uma parte era realmente examinada. Com isso várias mulheres foram diagnosticadas com câncer de colo de útero em estágio avançado e pelo menos duas morreram em consequência disso.
É um crime o que esse laboratório e a Prefeitura de Pelotas fizeram! As pessoas morreram! Demoraram a buscar um tratamento porque acreditavam que estavam saudáveis! Essa semana tivemos notícia de mais uma moça que perdeu a vida em consequência desta atitude irresponsável. Indignação, revolta, tudo isso a gente sente e é o mínimo que podemos sentir em relação a isso.
Há uma mobilização de mulheres, há um abaixo assinado e há um auxílio e orientação deste coletivo para ajudar aquelas mulheres que fizeram seus exames e não sabem sua real situação. São denuncias muito graves e a prefeita e a secretária da saúde ficam tratando como suposta fraude! O que mais é preciso acontecer para admitirem o erro gravíssimo e criminoso que cometeram?
Tem que morrer mais mulheres? Mais crianças devem ficar sem mães?
Minha tia morreu no ano passado após dois meses de internação para exames. Foi diagnosticada com câncer no fígado, após um exame invasivo faleceu. Os médicos disseram pra minha prima que estava generalizado. Ela fazia exames regulares na UBS. Agora não saberemos detalhes. No entanto, podemos concluir que, se no fígado era metástase o início foi em outro lugar.
Outra conhecida, vizinha da minha tia, fez exames, o médico indicou tirar o ovário por conta de muitos miomas. Fizeram a cirurgia e não retiraram nada, deixaram-na com sequelas, vários meses com infecção e outros problemas. Numa nova investigação descobriram o câncer. Nova cirurgia, quimioterapia. Agora está bem, mas precisou passar por coisas que seriam desnecessárias se os exames fossem feitos corretamente, se o médico pedisse mais exames investigativos como ultrassom, só pra dar um exemplo. O caso é que, se no plano de saúde, quando a gente paga o exame tem médico que não quer pedir, imagina na saúde pública onde os exames levam anos para serem liberados?
Nós estamos nas mãos de pessoas que não tem escrúpulos e muitas vezes nem responsabilidade! Não enxergam a vida das pessoas, o quanto um erro destes repercute em toda uma família! Não podemos  nos calar! Assine o abaixo assina, busque seus direitos, vá até a unidade básica refazer o exame, procure o coletivo pela vida das mulheres . Vá ao Mercado público no sábado pela manhã, participe da panfletagem ou caso precise de informações porque conhece alguém ou fez os exames e acha que os resultados estão errados, fala prazamiga, divulga. Não podemos perder mais ninguém dessa forma e ficar calada.
É pela vida das mulheres de Pelotas! Refaz os exames prefeita!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Pela humanidade

Vivemos num mundo que foi pouco a pouco acostumando-se a ouvir sobre as mais diferentes tragédias e mortes enquanto almoça ou janta em frente a televisão. Algumas vezes, logo que entrei no curso de jornalismo, vi professores e colegas comentando do sensacionalismo e do quanto determinadas matérias abalavam e como elas eram editadas para serem logo esquecidas. Ou seja, depois de uma notícia triste sobre a morte de alguém (coisa que deveria causar comoção!) vinha uma notícia de esportes ou sobre um show na cidade. Logo a primeira notícia perdia força e era esquecida! Esta era a forma como se determinava a edição de um telejornal por exemplo. Salvo quando aconteciam grandes tragédias e a cobertura jornalística massacrava familiares, amigos e até vítimas com perguntas e entradas ao vivo. Tanto se buscava que saturava-se (satura-se) os horários da programação com incontáveis inserções da mesma tragédia, às vezes sem nenhuma novidade.
Graças a Deus não me contaminei com esta banalização! Não consigo compreender que as pessoas se conformem com as barbaridades que ocorrem ou que pensem que "ah! isso é normal naquele lugar!". Não é normal pessoas serem metralhadas num carro porque faziam bem o seu trabalho como representante do povo. E também não é normal uma pessoa ser esfaqueada ou levar um tiro porque não quis entregar a bolsa ou o celular. SIMPLESMENTE NÃO É NORMAL! Não é normal uma gestante ter que fazer parto de emergência porque foi vítima de uma bala "encontrada". É sim, bala encontrada. Não existe bala perdida quando esta encontra o corpo de alguém e ceifa a vida de uma pessoa. Não é normal ter tiroteio na esquina, na frente, na rua de trás ou no bairro que a gente mora. Não é normal nem aqui em Pelotas e nem em nenhum outro lugar, nem no Rio, nem em São Paulo e nem em Porto Alegre. Em lugar nenhum a gente pode crer que é normal.
Não é normal sabermos e vermos notícias de jovens com todo o potencial e vida pela frente simplesmente desistirem de lutar. Não é normal uma criança de sete anos sair pra ir para a escola e sumir. Não é normal!
A gente precisa se comover sim com estas coisas. Precisa se mobilizar e até chorar, porque não é a nossa dor particular, mas é a dor de centenas de pessoas iguais a nós. Podia ser a nossa dor! Podia ser a dor da nossa mãe! Gente não consigo compreender que as pessoas achem que é só uma coisa cotidiana que aconteceu em Rio Grande, que amanhã depois vai acontecer em Morro Redondo e que vai acontecer em outros lugares porque as coisas são assim.
A gente precisa simplificar nossa forma de viver, diminuir o passo, ouvir quem está a nossa volta, amar, cuidar das coisas que gostamos. Precisamos ser simples, mas não podemos fazer destas tragédias coisas sem importância. Porque simples não é a mesma coisa que não ter importância. Seria muita falta de senso! Seria desvalorizar a vida demasiado! É óbvio que eu não preciso desmerecer a Marielle para reclamar justiça para o filho de um conhecido que foi morto num assalto. É evidente que a médica e tantas outras pessoas que perderam suas vidas em assaltos, em acidentes de trânsito causado por irresponsáveis que abusaram da bebida ou da velocidade merecem respeito, comoção e protestos. Mas para isso eu não preciso dizer que eles não estão recebendo o que lhes é devido  porque não é político, ou porque não tem certa religião ou cor da pele. A gente tem que aprender a unir as coisas e dizer que o que aconteceu com fulana é inaceitável e o que aconteceu com ciclana também. Porque na verdade tudo está ligado!
Ainda bem que temos o exemplo da Marielle e tivemos tantos outros como Doroty Stein, Chico Mendes, Gandhi, Madre Tereza que lutaram pelos outros, lutaram por um mundo melhor. Temos várias outras pessoas que estão nesta luta. O momento é nos engajarmos, é darmos as mãos a elas. O momento é de unir forças pelo bem maior! Mas para que isso aconteça temos que colocar nosso orgulho e vaidade de lado, colocar o nosso umbigo em segundo plano e pensar na coletividade. Pode não ser fácil, mas temos e podemos começar agora.  Pela humanidade, por nós!Vamos?

sexta-feira, 9 de março de 2018

Cardápio da primeira semana sem carboidrato à noite

Esta semana foi de tentativa de aprimorar cardápios para a noite! Estou gostando bastante, embora algumas vezes um macarrãozinho e o arroz façam uma certa falta. Mas apesar de todo o vício de segunda até hoje fui bem, pois só comi carboidratos depois das 19h ontem, que foi dia internacional da Mulher e para comemorar meu irmão caçula fez a janta.

Janta de segunda feira 05/03
Basicamente aproveitei o que já tinha pronto em casa ou havia sobrado do almoço. No caso do jantar de segunda feira fiz uma salada de cenoura ralada, tomate e cebola e aproveitei um guisadinho que tinha sobrado do almoço. Para complementar de sobremesa comi uma banana com canela. Coloquei a banana com canela polvilhada por cima no micro por um minuto. Satisfação garantida para o começo da semana!
sobremesa do dia 05/03














Janta de terça feira 06/03
Na terça feira ao meio dia minha mãe fez um risoto de frango e sobrou molho de galinha com ervilhas e milho. O que eu adoro! De noite fui de saladinha de tomate, cenoura, repolho com linhaça e o molhinho do almoço, desta vez sem o arroz. A maçã é uma fruta que me dá um certo desgaste e quando estou com o estômago vazia não como, pois dá uma fome triplicada. Mas na terça aproveitei para comer uma maçãzinha com canela e cravos. Coloquei a fruta partida em 4 por um minuto no micro com um cravo fincado em cada pedaço e com canela polvilhada por cima. Ficou uma delícia!




Quarta feira eu tenho trabalho no centro espírita e estudo então chego por volta de dez da noite. Normalmente comia o que sobrava do jantar ou fazia uma torrada ou sanduíche para matar a fome. Como decidi não comer carboidratos depois das 19h esse cardápio teve que ser substituído. Apelei para a aveioca salgada.
A receita é muito simples duas colheres de aveia, quatro colheres de água. Deixa a aveia hidratar um pouco depois acrescenta um ovo e bate misturando com a aveia, coloca uma pitada de sal e algum tempero. Eu coloco orégano, alho líquido e um pouco de pimenta preta.  Aquece a frigideira e unta com um fio de azeite. Tenho que fazer assim pois não tenho frigideira anti-aderente. Nesta massa de quarta misturei cenoura ralada. Misturei bem e coloquei na frigideira quente. Deixei assar por baixo e virei. Depois rechiei com atum (de lata) tomate, cebola, queijo e orégano. Pode deixar aberta ou dobrar como um crepe.
Jantar de quarta 07/03

Na quinta feira como contei comemos uma massa pene com molho de peito de frango que foi levada ao forno com creme de leite e queijo. Jantei bem tarde! Tomei duas taças de espumante! Estava deliciosa a massa, mas não tirei foto. Uma pena!

Hoje não quis jacar de novo. Por isso vim pra casa fazer minha aveioca com recheio de queijo e presunto. Estou tentando evitar os alimentos processados, mas como tenho estes dois ingredientes em casa e não tenho intenção de jogar fora ou deixar estragar estou usando. Fechei de um jeito diferente a de hoje. Ficou bem gostosa. Comi dois cookies de sobremesa. Não era o ideal, mas...
Não costumo beber nada durante a refeição. Antes de dormir sempre tomo um chá morno!

Jantar de sexta 09/03

Uma coisa que acho bem importante é variar as frutas e legumes nas refeições para que possamos adquirir o máximo de nutrientes e vitaminas. Algumas coisas eu realmente como todos os dias ou quase todos, tipo:  banana, o arroz e o feijão dupla imbatível do almoço, cenoura, tomate e cebola. Sigo as medidas indicadas pela nutricionista que consultei há anos. E é possível que já estejam defasadas, mas me sinto bem saciada se como de três em três horas. Evito pular refeições, porque do contrário desconto na próxima e isso é o horror! Normalmente não tenho vontade de comer doces. Agora, se sentir cheiro de chocolate estou perdida! hahaha
Não bebo sucos e nem refrigerantes. Por outro lado gosto de uma cervejinha gelada! Diminui bastante há alguns meses. Evito beber durante os dias úteis da semana e tento beber pouca quantidade por questões da dieta e porque não tenho sentido muita vontade mesmo. Acho que é por causa da minha busca por trabalhar a minha espiritualidade. Mas de vez enquando bebo!
Os exercícios seguem firmes. Faço em torno de 40 minutos de bicicleta diariamente indo e voltando do trabalho. Nos dias que chego mais cedo faço aeróbica ou zumba em casa assistindo vídeos bem legais no youtube. Geralmente são entre 15 e 30 minutos.
Embora a balança ainda não tenha dito isso, duas pessoas me acharam bem mais magra nas últimas semanas. É tão bom ouvir isso!