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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Reflexões durante o inferno astral

Eu tento, apesar de ser uma pessoa profundamente irritadiça, controlar a impulsividade, refletir a respeito do que sinto e de como sinto as coisas que as pessoas dizem, porque todas as pessoas em algum momento da nossa vida acreditam que tem a receita perfeita para sermos felizes. Quando criança e até minha vida adulta jovem ouvi as informações e conselhos dos meus pais com atenção, acreditava que acatar suas orientações seria o melhor caminho para mim, mas depois de um tempo percebi que algumas escolhas deveriam ter sido feitas por mim lá atrás, sem esse direcionamento dos pais, visto que quando fiquei por minha conta em outra cidade acabava sem saber como deveria agir e nem sempre tinha a oportunidade de compartilhar as dificuldades e ouvir os conselhos antes de fazer as escolhas. Era independente, sendo totalmente dependente.  Mas vejamos bem, na psicologia o terapeuta dava um chacoalhão e fez com que eu percebesse que estava por minha conta e risco e que os erros seriam meus, com ou sem o aval dos pais. Cabia apenas a mim fazer deles aprendizados.
Embora eu sempre ouvisse meus pais, nunca tive a mesma paciência com terceiros. Acabava algumas vezes brigando muito. Eu brigava muito, ou melhor discutia com meus pais, mas de maneira geral acabava por ceder, mesmo que dentro de mim permanecesse a chama da rebeldia juvenil. Já com pessoas de fora a cara expressiva já dava o recado de "quem pediu tua opinião?" ou "ave Maria quanta bobagem, ignorância e preconceito! Valha-me!". Mas o fato de não bater boca, a menos que seja provocada diretamente, parece-me fez com que as pessoas ficassem opinando sobre certas coisas na minha vida como se estivessem assistindo novela da Glória Peres ou torcendo pra seleção brasileira! O que já ouvi de tira esse cara daí, pega outro mais novo, mais magro, mais bonito, mais... E depois dos abortos então... O que me mandam fazer tratamento, "encomendar" sem o consentimento do pai, tomar remédio, já me disseram até pra fazer promessa! O mais interessante é que eu digo que não vou tentar mais logo que a pessoa pergunta, só que eles não escutam! Seguem dando receita e contando o caso da vizinha que foi na médica fulana que mandou tomar no c*, ops! Digo, receitou ácido fólico e saúde da mulher e exercício físico e sexo três vezes ao dia. Quer dizer que tenho que fazer como o interlocutor e fingir que estou escutando toda a narrativa, com cara de paisagem (que não rola!) e no final de tudo que me "aconselham" repetir o que disse no início "não pretendo mais tentar engravidar!". E às vezes ainda tem quem complete, ah! tem certeza? Mas eu acho que tu devia tentar mais uma vez! A filha da vizinha da minha cumadre lá de cacimbinhas teve 19 abortos espontâneos, mas daí ela fez uma promessa e duas simpatias, além de umas injeções na barriga e mais ácido fólico, saúde da mulher e uma vitamina de ovo de codorna com amendoim e leite condensado com vinho do porto e ficou grávida de trigêmeos. Pois é, a Fátima Bernardes também, mas eu vou deixar pra próxima encarnação ou, se mais adiante eu ainda quiser ter um filho eu adoto.
Ah!
Geralmente o assunto começa e termina sem que a criatura tenha perguntado como que me senti em relação a isso. Se fiquei bem! Querem saber se tenho algum problema, se a médica disse porque aconteceram os abortos. Nesta fase também ignoram a informação que dou, de que @s médic@s  dizem que abortamento espontâneo é muito comum nos três primeiros meses e que algumas mulheres nem chegam a saber que estavam grávidas. E que, apesar de todo o avanço da medicina, mulheres com mais de 40 anos acabam tendo esta dificuldade natural. Ah! Mas a prima da cunhada do meu irmão teve o filho caçula com 46. Pois é, filho caçula, antes disso ela teve outros e provavelmente antes dos 40!
Não passa pela cabeça das pessoas que algumas coisas não bastam ser queridas! Tipo casar e ter filhos, geralmente estas duas necessitam, obrigatoriamente, de outra pessoa. Que cá pra nós algumas vezes quer casar, mas não quer ter filhos. Outras quer ter filhos e morar em casa separada ou não quer casar nem ter filhos, só quer namorar e ter uma vida sem compromissos. Aliás, este último grupo tem crescido. E eu tenho que respeitar a vontade das pessoas, inclusive a do meu parceiro, que é outra pessoa e muitas vezes tem interesses e projetos que não batem com os meus. E aí tem que ter muita conversa e negociação e isso não diz respeito a mais ninguém a não ser nós dois!
Mas porque todo esse blábláblá? Porque semana que vem completo 41 anos e me dou conta a cada dia que se meus pais tivesse me feito me virar mais cedo eu teria ainda mais maturidade hoje em dia. Acredito que isso teria me ajudado a ter mais iniciativa em relação a muitas coisas. Eu gosto da pessoa que eu sou, tenho consciência de tudo que mudei e até melhorei, mas ainda posso e preciso fazer mais. Diz-se por aí que a vida começa ao 40, sou uma criança prestes a completar um aninho com muita experiência.
O que contei aqui é engraçado e parece inventado, mas aconteceu comigo. Eu tenho consciência do meu potencial maternal e eu exerço esse potencial desde os meus 11 anos, quando meu sobrinho Igor foi morar lá em casa. Eu nunca deixo de fazer para meus sobrinhos as comidas ou atividades que sugerem. Eu sou tia, dinda e sou também meio mãe e meio avó! Faço vontades, dou uma ralhada e ensino coisas que eu nunca pensei que ensinaria aos meus filhos, porque eu nunca me imaginei com filhos. E graças a Deus eu os tenho através dos meus sobrinhos todos! Ah! E pr'aquelas pessoas que acham que eu vou me arrepender ou que eu preciso gerar uma criança e pari-la para que seja meu filho eu digo essa necessidade não é minha. Além disso, depois de ter visto Gal Costa e outras mulheres adotando seus filhos depois dos 50 eu me dei conta de que o relógio biológico só dá o start, mas a ação de buscar ter um filho vai além do nosso corpo perecível ela tá na alma e no nosso coração e acontece no momento em que a gente olha nos olhos da nossa criança. Isso acontece logo que a parimos ou assim que a encontramos na vida! Eu sei que nada acontece por acaso e que a vida não tem receita, portanto, vamos parar de querer dirigir a vida alheia e vamos prestar atenção na nossa!
Esse texto começou a ser escrito no auge do inferno astral cruzado com a TPM. O sol já tinha deixado leão e eu estava além de cansada, p da vida e me sentindo uó! Agora, creio que os hormônios baixaram, o inferno astral tá se esvaindo e o sol em virgem fez com que eu parasse de palhaçada  e voltasse ao estado normal se não ia tomar uma coça.
Apesar de toda essa chuva e do meu cabelo tá um horror, sinto-me mais harmonizada e alegre. Sem nem um  pila no bolso, mas bem!

segunda-feira, 5 de março de 2018

Toda mulher quer ser magra

Foto tirada em 08 de dezembro de 2017
A maioria das mulheres quer ser magra! Quase todas dizem que estão acima do peso e precisam perder de dois a três quilos. E pode bem ser verdade! Eu estou acima do peso "ideal" há vários anos. Olhando minhas fotos de adolescência e início da idade adulta me acho super magra, mas na época acreditava estar muito acima do peso. Deve ser porque minha altura é, ou melhor, era de 1,48m e o peso ideal para esta altura era de no máximo 50 quilos. Atualmente... com 40 anos de idade, um centímetro e meio a menos é algo bem difícil de se conseguir.  Há uns seis anos atrás fui a uma nutricionista para uma reeducação alimentar e consequentemente acabar com o sobrepeso que acabava com meus joelhos. Consegui chegar aos 57 quilos e a proeza de entrar numa calça 38, mesmo que por poucos meses.
Sempre sofri com o efeito sanfona! Uma verdadeira agonia, tal qual a de João Grilo, só que ao invés de "ficar rico e ficar pobre" eu fico magra e engordo. Até que com a reeducação consegui manter o peso por algum tempo, mas como não fazia exercícios regulares o peso não se manteve. Além disso, comecei a namorar uma pessoa que gosta de cozinhar e sua linha são massas, carreteiros, arroz com galinha e por aí vai. O resultado foi ganhar vários quilos!
Foto tirada de outro ângulo em 08/12/17
foto tirada em 26/02/2018
Ano passado engravidei e, estando acima do peso, com a gravidez ganhei mais peso ainda. Infelizmente perdi meu bebê e agora luto para eliminar pelo menos dez quilos.Meu compromisso comigo mesma agora é praticar exercício e manter uma alimentação saudável. Descobri que o tal jejum intermitente não funciona comigo. Pois sempre que sigo a dieta certinha e me alimento de três em três horas os ponteiros da balança caem e sinto nas roupas o corpitcho mais enxuto. Quando fico mais tempo sem comer isso não acontece. Hoje, segunda feira e dia oficial de começar a dieta recomecei com os exercícios em casa e vou me disciplinar para manter a dieta! Não costumo cortar nenhum tipo de alimento da minha dieta, não sou a favor do lowcarb e nem gosto do jejum, mas pretendo cuidar para não consumir carboidratos a noite.
Como dizia Emmanuel a Chico Xavier "disciplina, disciplina, disciplina!", esta é a chave para tudo, creio eu. Aliada aos exercícios e boa alimentação tenho usado para ir para o trabalho e outras voltas a bicicleta, o que ajuda muito no condicionamento físico e também a queimar as temidas calorias.
Farei relatos de como estou indo, das conquistas e do que foi eliminado.Também vou tirar fotos para ir acompanhando os progressos e compartilhar cardápios e receitas fit para o objetivo final. Espero que gostem e se inspirem. Cuidados que devemos ter: boa alimentação, saudável, colorida, variada e o mais natural possível. Procure ajuda de profissionais das áreas de nutrição, educação física e um médico para ter certeza de que a saúde está em dia e não há nenhuma contra indicação para os exercícios que pretende praticar e decidir qual tipo de dieta é a mais adequada.
Deixarei registrado meu  peso atual que é 71, 40 quilos. Além de observar o peso também observarei como ficam as roupas com o emagrecimento. As próximas fotos farei com as roupas das que postei aqui. Vamos lá?

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Quarenta anos

É engraçado como as coisas tem uma dimensão quando somos crianças e outra quando crescemos. Começa pela ideia de que os pais são grandes! Conforme vamos crescendo e nos aproximando da altura deles, eles já não parecem tão grandes assim. A mesma coisa acontece com os espaços onde costumávamos brincar. E com os números! Ah! Os números... queridos amigos estudiosos da matemática e aritmética os números assustam! Ou talvez só nos confundam um pouco. É que começamos a vida com apenas um dígito e com o passar do tempo estes dígitos vão aumentando e se agrupando com outros e parecem um numerão. Isto acontece com os números da idade e da balança. E eles vão nos causando medo conforme o período da vida. É, tem período em que os dígitos da balança são mais importantes, tanto quando  estão baixos quando estão altos. Tipo boletim até uma fase, balança até outra fase, idade até outra, boletos até outra, extratos do banco até o fim da vida!
Lembro que quando eu era criança e fazia as contas de quantos anos eu teria no ano dois mil pensava comigo: nossa! No ano 2000 eu vou estar velha! O detalhe é que naquele ano eu completei 23 anos e me achava muito jovem e mal tinha começado a vida!
A ideia de que 20 anos é muito para uma criança deve ser porque apenas contamos os anos. Não temos ciência de que os anos não são apenas quantitativos, eles também são QUALITATIVOS. Quando cheguei nos anos 2000, além de me surpreender que o mundo não tinha acabado (graças! a Deus!) também me surpreendi de ser uma jovem recém saindo da faculdade que não tinha casa, nem marido, nem filhos e nem ideia de que rumo iria tomar depois que pegasse o diploma! Eu me sentia muito inexperiente e sem nenhum preparo para a vida. Eu tinha alguns sonhos e uma leve idealização de como talvez, fosse se desenrolar minha vida. Pra ser sincera nada aconteceu nem perto do que tinha idealizado.
Essa introdução é só para dar uma noção pra vocês de que, se lá na infância eu achava que com 20 estaria velha, que dirá o que pensava sobre ter 40 anos!!!!! Pois é! As mulheres dessa idade que eu conhecia eram já mulheres velhas (isso na minha infância!). Já eram mulheres maduras que tinham vivido suas escolhas e tinham até sofrido, tinha mulher com 40 anos viúva já há sei lá quanto tempo. E devia fazer bastante tempo porque a gente só conhecia ela por viúva, muitos anos depois que fui saber o nome dela. Então estes numerinhos da idade somados a todo o pré-conceito  de como seria uma mulher de quarenta me fez pensar que... sei lá, eu estaria bem "coroa" nesta época.
Cá estou eu... quarentona! Não sou nada, nadinha do que a sociedade dizia na época que eu era criança e também não sou nada do que a sociedade diz que é a mulher de 40 hoje. Aliás, isso daria um globo repórter! hahahaha A mulher de 40 como é? Onde vive? De quê se alimenta?
Não sou viúva, nem separada, nem casada! Não tenho filhos! Já fui e voltei na fase de dúvida sobre o tempo da maternidade e o tempo que tá passando e deixando a maternidade mais longe. Já ignorei esse tempo! Já engravidei e pensei que ganhei do tempo! Abortei e pensei que o tempo tinha me ganho! E agora não tenho tempo pra dar tempo ao tempo, embora precise me dar este tempo. Decidi deixar quieto e daqui a pouco eu volto a avaliar o tempo. Formei, trabalhei, fui embora, trabalhei, não me adaptei e voltei. Comprei apartamento e fiquei longe da mãe. Resolvemos mudar, vendemos apartamento e mudamos. Daí pra ter experiência na vida nada melhor que construir sua própria casa, detalhe, não sou João de Barro, quase surtei. O pedreiro acabou, mudei. Tem muita coisa pra colocar no lugar, loquiei. Tá quase tudo pronto, descansei. Avaliei o passado, as escolhas, os ganhos, as perdas, harmonizei. Agora tô com quarenta comemorei! Não em grande estilo como estava programado desde os meus 15 anos de idade. Tive uns percalços este ano, por isso a festa a fantasia do 40 foi adiada para os 41.
Agora, olhando pra trás e analisando todos os planos que fiz, a verdade é que só fiz um plano. É o único plano que fiz para o futuro foi comemorar meus 40 anos com uma festa a fantasia, todo o resto que aconteceu e foi muito bom foi sem lista, sem plano, sem idealizar. Deu certo! Amei! A ideia de que depois dos quarenta ficamos velhos desapareceu e deu lugar a ideia muito melhor de que todo mundo com mais de quarenta é bem novo!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Os dias após aborto e curetagem

Há dois dias fui realizar a revisão do procedimento de curetagem que fiz no dia 02 de agosto após descobrir que o embrião que eu gestava havia morrido.Fico pensando num termo técnico que não seja morrer para o embrião ou feto na tentativa de afastar a ideia de que um filho morreu. Não consegui achar! Racionalmente feto e embrião parece com algo e não com alguém e consequentemente parece que não é um bebê. Parece, só parece! Não é como ter tido o filho nos braços e ele ter morrido. Não é como ter criado alguém até a adolescência e num dado momento esta pessoa ter desencarnado. Porque quando a gente gesta, pari e cria por um determinado tempo as pessoas a volta entendem que se perdeu um filho. É uma verdade inquestionável que o filho existiu! Mas quando tu gesta até um tempo e este filho  não completa a gestação, ele não se desenvolve de uma semente até um neném fofinho, aquele filho não existe pra quem tá fora. A relação se deu apenas entre mãe e bebê e aqueles mais próximos da gestante.
Então mais uma vez, racionalmente e como espírita eu penso que aconteceu o que tinha que acontecer. Sim, racionalmente isto tá muito claro e jamais necessitaria uma explicação. Mas aqui dentro... ah! aqui dentro tá doendo e tá uma luta entre o cérebro e o coração. Alguns momentos o cérebro domina e a gente compreende até o fato de tá com o choro mais frouxo que o normal e nos auto consolamos com algo como "o luto faz parte" e "chorar é normal tu é humana". Só que eu queria ter superado completamente! Assim o conflito não seria tão grande! Queria já ter decidido se vou tentar de novo ou se vou parar por aqui! Queria não ter que lidar com o fato de que o tempo está passando e depois dos 40 as porcentagens de perda aumentam e as possibilidades de engravidar por método natural diminuem. Ou então saber que vou tentar e que tenho possibilidades de fazer um tratamento para engravidar sem dívidas, ou melhor, sem aumentar as dívidas que já tenho. Queria ficar plenamente feliz com a gravidez de outras mulheres, principalmente não voltando a pensar no interrompimento da minha. Porque é um ciclo sabe? Lembro que perdi, que tive que fazer a curetagem, lembro que faço 40 segunda, e vem as estatísticas sambando na minha cara. Aí eu respiro, penso racionalmente, faço uma prece e choro!
Não bastasse isso, parece que as danadas das estatísticas vem me seguindo. É notícia no face, é reportagem na tevê, é a médica da revisão dizendo que preciso atentar para o prazo de seis meses sem engravidar, mas que também preciso decidir logo se vou tentar e que o método que eu optar para evitar a gravidez por seis meses pode fazer com que demore um pouco mais para engravidar quando já estiver liberada, porque o tempo...
Daí que na minha cabeça racional de virginiana tá uma bagunça e chego a ficar zonza com o choque destas ideias aqui na caixola! O lado bom é que fisicamente está tudo ótimo! Útero recuperando bem e segundo a médica "bem bonitinho"! Nenhuma reação adversa, nem dor... física. Então como se diz por aqui "segue o baile"!
Fico um pouco constrangida quando as pessoas perguntam sobre o bebê e tenho que dizer que abortei. Aliás, esta é a primeira vez que digo/penso/escrevo abortei, porque sei lá, na minha cabeça parece que abortar é algo que se fez por escolha. E a perda é involuntária! Mas o termo técnico é aborto espontâneo. post anterior, eles não querem me chatear, nem me dizer o que fazer, apenas querem que eu não fique triste, querem me ajudar a elevar o moral. Não levo a mal de coração! Mas acabo pensando será que vai dar tempo? Será que vou conseguir? E se acontecer de novo?  Fico constrangida pelo constrangimento do outro. Percebo bem que a pessoa não sabe o que dizer, fica perdida e daí acaba por dizer o velho clássico "tenta de novo". Como disse no
A vida é assim mesmo! Não tem spoiller pra gente saber como que vai ser no próximo episódio, só vivendo pra ver.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Da alegria a tristeza

Há dias penso se escrevo ou não esta minha história. Mas é uma via praticamente inevitável, sendo que minha forma de lidar com a tristeza ocorre de duas maneiras, a primeira que é limpando e organizando as coisas depois de ter chorado muito e a segunda é escrever sobre e assim organizar as ideias e os sentimentos (muitas vezes em meio a muitas lágrimas). Escrever não significa redigir um textão aqui no blog, o ato de escrever para entender meu sentimento pode ser contar por email pra um amigo o que passei, o que senti e o que sinto. Colocar as palavras no monitor, vê-las se formando sílaba a sílaba e reler me ajuda a enxergar o que tô sentindo.
A limpeza e organização funciona como se eu me livrasse da parte ruim da tristeza, é o ato físico de jogar fora a dor, a mágoa, a angústia e a culpa daquela melancolia. Fazer o exercício de mover os móveis de lugar e jogar fora o que não serve mais é muito mais que simbólico, ele me ajuda a me libertar daquela sensação negativa que me pesa. Principalmente porque a minha faxina sempre tem que ter música e quando tem música tem dança e cantoria. E já diz o ditado "quem canta seus males espanta".
A escrita também é parte da organização. Ela ajuda a organizar as ideias, como já disse e me faz perceber o que não serve e como posso agir a partir daquela tristeza.
Desta vez eu não pude fazer a limpeza física, do ambiente, talvez por isso vez ou outra o nó aperte na garganta. Então preciso o quanto antes recorrer a escrita para mandar embora as últimas sensações e medos que ainda restam.
Em menos de um mês eu fui da felicidade extrema a uma tristeza muito doída! Descobri em 6 de julho que estava grávida num teste de farmácia, contei ao meu companheiro, que há muito já estava desconfiado,  no dia seguinte fiz um exame de sangue, que confundiu minhas ideias porque eu não sabia ler o resultado, mas no sábado confirmei a gravidez. Não foi planejada, mas foi muito desejada! No final do ano eu deixei de tomar o anticoncepcional. Primeiro sem contar a ninguém, mas depois resolvi que meu companheiro deveria participar da decisão, no que ele me apoiou, inclusive dizendo que ia mesmo me sugerir parar. Sendo assim, ambos sabíamos que poderia ocorrer uma gravidez. Eu, tendo visto relatos de mulheres que levaram de um ano a mais para engravidar após a parada acreditei que comigo também iria demorar. A notícia foi recebida com muita alegria por todos.
Tão logo fiquei sabendo, virginiana que sou, fui logo procurar meu médico para saber se estava fisicamente bem para a gestação. Fiquei pensando que estando com hipotireoidismo e tendo que tomar remédio para controlar o melhor era constatar se estava tudo bem. Na semana seguinte fui ao médico, que solicitou um ultrassom para saber quantas semanas o embrião teria e como estava se desenvolvendo. Pediu urgência! Ah! Esqueci de contar que estou com 39 anos, aquela idade que as pessoas ao mesmo tempo que incentivam dizendo que és jovem e podes ter uma gravidez tranquila te lembram que pode ter riscos, já que é a primeira. Então corri para o primeiro ultrassom.
Em 12 de julho fui lá para fazer o exame e saber como as coisas iam. Minha primeira pulga atrás da orelha. O médico que fez o exame não disse diretamente, mas disse que naquele tempo estimado as coisas deveriam estar mais adiantadas, deveríamos escutar o coração do bebê e ele estaria mais ativo. Meu mundo balançou e meu coração ficou numa angústia permanente até o próximo ultrassom, sugerido para daqui dez dias.
Neste tempo eu rezei muito! Fui ao meu médico que tentou tirar da minha mente a ideia de um bebê morto no meu ventre, mas enfim, ao mesmo tempo ele já me alertou que caso isso tivesse acontecido eu teria que fazer uma curetagem e tal. Saí com o mundo um pouco mais sacudido e tentando sorrir tirando a angústia do meu coração. Nunca o tempo passou tão devagar! Eu marquei o exame que deu um pouco mais de 10 dias e em primeiro de agosto lá fui eu para o ultrassom. E as coisas estavam iguais ao primeiro! Mesmo tamanho, sem batimentos e com um pequeno sangramento há três dias. A médica foi super atenciosa, um amor comigo, me explicou com a maior calma e compaixão do mundo que o feto estava morto e eu precisava retirar o saco gestacional através de um procedimento com meu médico ou procurando o PS.
Eu chorei! E rezei pra não ficar triste demais, nem ficar me sentindo culpada, nem pensar que eu não vou poder tentar de novo, nem que eu tivesse alguma mágoa ao ver outras mulheres grávidas neste momento. Meu maior medo foi ficar com mágoa, porque eu sei que estas coisas são parte de um grande aprendizado. Mas a gente é humano e falho e pode sentir coisas assim.
Então contei pro meu namorido o que aconteceu e não consegui não chorar. E contei pra família e me preparei psicologicamente para ir ao PS fazer a curetagem. Aliás tive medo da dor! No pronto socorro foi rápido, logo me passaram para a ginecologia, aqui demorou um pouco. Fiz o relato do caso, levei os exames, examina um residente, examina o médico e então eles me falam que tenho que ficar no hospital porque o procedimento é feito só no dia seguinte. Foram também muito atenciosos me falando com empatia tudo que seria feito e como. Faz a baixa, exames, coloca acesso e espera até a hora de colocar os compridos para provocar a abertura do colo do útero. Pensei, meu Deus me ajude, dizem que a dor é horrível. É mesmo, mas não mais que a dor da perda.
No mesmo quarto que eu duas moças com menos de 30 na mesma situação, mas com as gestações mais avançadas, bebês mais desenvolvidos. Já sabiam o sexo, já tinham escolhido os nomes. Neste momento me senti menos sofredora. Tinha ganho alguns presentinhos, já tinha pensado nos nomes possíveis, mas não tinha escutado o coração! Não tinha sentido vivo aquele ser que eu amava! Era uma semente germinando. Mas elas tinhas caminhado um pouco mais, já tinham enxoval, planejavam o quarto, chá. Senti uma grande tristeza pensando o quanto a dor era maior pra elas. O nó apertou na garganta! Segurei o choro! Fomos companheiras a noite toda, nossas cólicas aconteciam em intervalos muito próximos. E no dia seguinte fomos uma depois da outra pra sala de cirurgia e depois pra recuperação. Lá se foi mais uma manhã e quase toda a tarde comentando o que sentimos, o que choramos.
Cinco dias de repouso, abstinência sexual, revisão e o nó na garganta. A organização que pude fazer neste período foi guardar os presentes que havia ganho, até porque cada vez que olhava pra eles o nó apertava. Fui muito amparada com palavras de amor, carinho e consolo. Várias lágrimas se juntaram as minhas e sentir isto me consolou muito. Recebi palavras de muito amor! E recebi o incentivo de não desistir, embora neste momento ainda tenha um pouco de receio, justamente por não saber porque a gravidez foi interrompida. Acolho o incentivo com carinho, as pessoas não fazem por mal, elas apenas querem que a gente solte aquela tristeza e agarre uma nova chance de felicidade.
Passaram nove dias desse procedimento. Vira e mexe me assaltam pensamentos de como seria... Mas minhas preces foram atendidas pois consegui receber com felicidade sincera a notícia da gravidez de uma amiga querida.
Sigo adiante com o coração ainda dolorido, colocando as coisas que caíram no lugar, o nó está afrouxando e muito amor tem se multiplicado. Quanto as lágrimas, creio que seja inevitável deixá-las cair, faz parte de mim chorar, seja de alegria ou tristeza! Agradeço o apoio e o carinho do meu companheiro, dos meus pais, dos meus sogros, cunhados, irmãos, tios e amigos. Agradeço aos médicos e enfermeiros que me atenderam no São Francisco. Agradeço a Deus e a espiritualidade a oportunidade de sentir esta felicidade, mesmo tendo sido interrompida, também agradeço o aprendizado.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Saudade de escrever

Fiquei chocada agora quando vi que faz mais de dois meses que não consigo escrever por aqui! Logo eu que estava seguindo uma constância de postagens e assuntos tão bacanas. Exercitava meu lado escritora, aliviava a alma, enfim... Tanta coisa correu, assim como o tempo nestes mais de dois meses! E ao mesmo tempo a sensação é de que nada aconteceu ou mudou. Só olhando cuidadosamente para trás se pode ver com clareza as pequenas mudanças, a acomodação das coisas, os reajustes.
Tudo está correndo bem e entrando nos eixos. Meu pai fez uma cirurgia e já está de alta, podendo retomar a rotina de exercícios, a do trabalho ele retomou antes. Mas graças a Deus tudo correu muito bem.
Eu sigo na minha vida, comecei um trabalho no centro espírita ajudando no passe das quartas feiras e me faz muito bem. Auxilio os frequentadores com dúvidas, dou uma geral nos banheiros, sirvo a água para depois do passe, abro a porta e fecho enfim... ajudo no que for necessário e sinto minhas energias renovadas. Também comecei a participar do trabalho  mediúnico. Chega ser engraçado, porque sabendo da responsabilidade sempre dizia que não tinha intenção de trabalhar no mediúnico e que nem sentia a mediunidade se manifestando para realizar trabalho de tal importância. Fui chamada e como não sou de fugir lá estou eu. Ainda engatinhando, aprendendo, buscando fazer sempre o melhor. O auxílio que recebo do grupo é de extrema importância, porque considero-me muito inexperiente quanto a tudo por lá. E assim sigo, buscando aprender sempre e cada dia mais.
Ainda preciso muito me disciplinar para cumprir melhor os horários e organizar minha agenda, pra conseguir escrever por aqui com a frequência, o cuidado e o carinho devido. Vou me policiar mais pra ver se consigo, pelo menos 21 dias, diz que depois deste tempo a gente se habitua e a prática vira realmente um hábito! Tomara!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Amar não é difícil

Eu tinha tanto medo de amar, não de amar, porque eu amava, mas de demonstrar, dizer, viver aquilo tudo porque era desconhecido e o desconhecido dá medo. E se eu tivesse que mudar muita coisa na minha vida, e se eu tivesse que mudar muita coisa em mim, descobrindo que eu não era aquela pessoa tão legal, tão bem resolvida, tão "perfeita" como minha mãe achava? Mas que mentira, minha mãe nem acha que sou perfeita e fala dos meus defeitos na minha cara. Tá, mas e se meus defeitos não fossem só aqueles de que ela falava, e se fossem maiores ou mais graves do que a minha mãe dizia? Será que eu conseguiria conviver comigo descobrindo tanto mais coisas a meu respeito? Porque minha mãe conhece cada defeito meu, sabe quando estou bem e quando estou triste, quando estou brava e quando estou cansada. Ela me conhece há tempo demais e apesar de conhecer meu íntimo, me ama imensamente. E ama, não como se eu não tivesse defeitos, mas me ama na esperança, na solidariedade e na certeza de que posso corrigir cada um deles. Ela enxerga em mim alguém melhor. Alguém que eu às vezes não enxergo. Mas com o amor que tem por mim ela vê.
Então tem a questão do amor próprio. Não podemos amar ninguém se não nos amarmos.
Eu ainda não perdi totalmente o receio de demonstrar o amor que sinto, vejam bem, não é mais medo! Consigo me arriscar um pouco. Tive um encontro feliz que me levou a mudar bastante coisa na minha vida. Começou por minha mudança pro meu apartamento. Passa por ceder em algumas coisas, reconhecer limitações, enfim...
Não sei o quanto o outro me ama, apenas sei o que eu sinto. Algumas vezes isto basta, outras, como ainda tenho aqueles terríveis defeitos, não é suficiente. E isto ocorre geralmente naquela época do mês em que os hormônios me atacam e a TPM fica a mil. O corpo inchado, pernas pesadas e a irritação fazem parecer que nada tá certo. Então eu me dou conta e tendo controlar. Às vezes saem algumas reclamações e cobranças, noutras me sinto carente e choro muito. Por tudo... por qualquer coisa! Aí eu ganho alguns abraços apertados e tudo vai voltando ao "normal" novamente.
E eu me encho de coragem e penso, "de que vale a vida se não for pra amar as pessoas?" Amar não é difícil, a gente tem dentro esta capacidade mágica. O difícil é não nos deixarmos levar pelo que idealizamos como amor. É esta idealização que nos faz descrer das coisas. Vamos perder o medo de amar! Vamos nos desarmar e AMAR!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Tchau 2014 Seja bem vindo 2015!

Sempre faço uma análise do ano que termina, uma oração e muitos desejos de tudo de melhor para a família, amigos e conhecidos. No geral sempre considero que meu ano foi bom! Creio que sou otimista! E gosto disso. Pessoas negativas me cansam e me entristecem, porque não há argumento que as convença de que as coisas não são tão ruins. É claro que não sou tola a ponto de considerar tudo um mar de rosas. Sei que existem momentos de dificuldade na vida de todos nós num momento ou noutro. Mas o saldo final pra mim sempre é positivo. Prefiro olhar deste jeito. Sim, ainda existem injustiças, diferenças, preconceitos, fome, miséria, tristeza, dor, guerra e não podemos perder a capacidade de nos indignar diante destas mazelas do mundo, principalmente porque da nossa luta contra elas é que surgirá o mundo novo, aquele mundo que tanto desejamos, o mundo melhor. Calar frente as injustiças é compactuar, é não mudar. De nós depende mudarmos nós mesmos (única e real mudança) e ajudar aos que estão a nossa volta. O ano novo, o mundo melhor depende de nós, que nem diz a musiquinha batida de final de ano. Pode ser clichê pra muita gente, mas é a verdade.
"A gente muda e o mundo muda com a gente" já escutei isto em letra de música e concordo.
Creio que um passo para ver a vida positivamente é aproveitar o que temos, é ter gratidão e reconhecer que, muitas vezes, o que nos deixa angustiados, tristes e até amargurados é o que não temos (e que algumas vezes nem precisamos). Sejamos gratos ao que temos, a nossa família e amigos, a nossa saúde, a nossa casa, ao trabalho, ao alimento, a natureza, o mar, a brisa, a chuva, as plantas.
Por isto minhas resoluções de final de ano são simples e não dependem de dinheiro.
1 - Admirar mais a lua e as estrelas (de preferência ao ar livre)
2 - Andar descalça na terra, na grama, na areia (esta vai ser difícil)
3 - Sorrir mais e gargalhar sempre que a situação permitir
4 - Estar mais com os amigos e a família, compartilhar bons momentos
5 - Fazer caminhadas a tardinha diariamente (ou sempre que possível)
6 - Ler mais, quem sabe bato meu recorde de anos anteriores
7 - Ir mais ao cinema (assistir filme em casa também vale)
8 - Ir a lugares que nunca fui (como diria Tim Maia, vale tudo!Todo tipo de lugar, ocasião ou evento)
9 - Fazer um trabalho voluntário (esta resolução vem comigo há vários anos já, mas minha desorganização ainda não permitiu tempo para realizá-la, mas este ano me emprenharei)
10 -Amar e namorar bastante, afinal ninguém é de ferro e o amor transforma a gente e a gente transforma o mundo! <3 nbsp="" p="">Que todos nós tenhamos um 2015 repleto de amor, harmonia, paz, realizações, prosperidade, luz, bençãos, sucesso, alegrias, felicidade, fé e muita saúde.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ampulheta da fertilidade

Com estes dias de repouso pós-cirúrgico pude acompanhar algumas séries e até novelas de que gosto. Foi numa tarde destas, assistindo ao folhetim das 19h, Alto Astral que vi a personagem Tina, interpretada pela fantástica Elisabeth Savala conversando com Laura, personagem de Nathália Dill sobre a escolha de ter filhos, o tempo a fertilidade. Era uma fala sobre a terrível ampulheta da fertilidade, esta que marca nosso tempo, o tempo de validade das mulheres. Laura perguntou a Tina se ela nunca tinha querido ter filhos naturais. Tina é casada com Manuel, um viúvo pai de quatro filhos, que ela criou e ama como seus. A pergunta de Laura ela respondeu com uma naturalidade sincera e até sofrida. Tina explicou que quando casou os filhos de Manuel eram bem pequeninos e não dava para ter filhos e o tempo foi passando, foi passando, foi passando e quando ela viu não dava mais tempo.
Eu me vi nesta situação, e vi algumas amigas e muitas mulheres que não conheço mas que sofrem a pressão da ampulheta com suas areias escorregando e lembrando que o tempo está passando. Não casei com um viúvo pai de quatro crianças e creio que se tivesse participado de uma situação destas não sentiria necessidade, tal qual a Tina, de mais filhos. Porque filho adotivo é filho e ponto.
Então eu me vi nela. Eu não sei a resposta pra decisão de ter filhos. Quero, mas não sei, tenho dúvidas, tenho medo. Não tenho resposta! Mas sei que quero ter alguém me chamando de vó quando for velhinha, como não tenho filhos será difícil. Será que vou poder adotar caso o prazo de validade vença?
Minha médica já me disse que até os 38 anos as coisas são tranquilas, mas depois a ovulação fica mais escassa e a possibilidade de engravidar mais difícil. Uma vez, quando me perguntou se eu queria filhos eu estava sozinha. Da segunda o relacionamento era um pouco recente e tem toda uma série de decisões que não dependem só de mim. Mas a ampulheta descarrega a areia na minha cara, só na minha cara. Porque pra muitas pessoas a decisão é só minha. E se antes, antes da ampulheta estar com tão pouca areia eu tivesse decidido por minha conta e risco,sem perguntar a ninguém ter este filho, deixar a fertilidade agir, como tantas outras mulheres já fizeram "antes da hora" como me interpelariam? O que me diriam estes mesmos que me dizem para decidir já?
Jamais poderia decidir por uma produção independente e privar meu filho de ter amor e convivência com o pai. Eu não conseguiria ser feliz sabendo que meu filho quer respostas que eu talvez não pudesse ou não quisesse dar. Então eu deixei pra decidir depois. E agora tem esta história do tempo e a decisão do outro, por quem não posso decidir. Por isto deixei para decidir daqui a pouco, pra resolver depois, mais uma vez.
Por algumas vezes consigo ignorar a ampulheta da fertilidade, virar a cara pra ela. Outras vezes sinto um aperto no peito e não consigo evitar o choro. Sei que tenho amigas passando pelo mesmo sentimento, pelo mesmo momento, pela pressão e tortura desta ampulheta. Como creio que o tempo é o senhor da razão... e nada acontece fora do tempo certo... na devida hora tudo acontecerá.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Gratidão

Hoje fui na revisão da minha cirurgia, foi tranquilo. Os pontos estavam sequinhos e já foram tirados, não tem dor e a recuperação ótima, apesar do cagaço pré-operatório. Doeu um pouquinho quando a enfermeira levantou e cortou a linha. Não sabia que doía... Mas agora não tá doendo mais.
Próxima revisão só após a retirada do resultado da análise da vesícula pelo início do mês de janeiro. Recomendação médica é evitar alimentos gordurosos, o resto tá tudo liberado.
Agora mais uns diazinhos de repouso na casa da mamãe e voltamos a rotina normal.
Confesso que as coisas saíram melhor do que eu podia imaginar ou esperar. Nunca havia estado numa sala de cirurgia e tinha medo de não ter uma boa recuperação ou de sentir dor. Sim, apelei para o Dr Bezerra de Menezes e todos os amigos da espiritualidade, considero-me atendida, e muito, muito, muito agradecida. Como no post anterior mais uma vez agradeço os médicos, o corpo de enfermagem e todos os funcionários da Fau onde estive internada e fui excelentemente tratada. Demorou um pouquinho da descoberta até a realização da cirurgia, é verdade, mas ao final foi tudo muito bem.
Peço desculpa aos amigos que não tinham ideia de que faria uma cirurgia. É que não gosto de ficar publicando minha vida nas redes sociais, mas o agradecimento pelo tratamento recebido no SUS e pela Fau devem ser públicos. Agradeço também a minha mamis, meu pai, meus irmãos e todos os familiares que me acompanham neste momento. Também sou agradecida aos amigos, em especial a Deisi que insistiu até o fim que eu fizesse a cirurgia pelo SUS e foi comigo consultar. Sou grata a Deus e a toda a espiritualidade, como não podia deixar de ser.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Leveza

Nossos dias pedem leveza, não só porque está aquecendo e com o calor devemos optar por pés descalços e roupas soltas, mas também porque devemos aprender que levar a vida a ferro e fogo não vale a pena. É claro que esta é uma constatação que chegamos depois de viver algum tempo, depois de alguns anos de experiência. É como ir a praia. Sim, lembre que quando éramos crianças e íamos para a praia ficávamos o dia todo dentro d'água sob o sol torrencial sem se importar que a noite estaríamos ardidos, mas felizes. Com o passar dos anos muitas vezes optamos pela sombra das árvores quando o sol tá a pino, depois vamos até a água damos um belo mergulho, alguns até gostam de se bronzear e deitam com o sol inundando o corpo de calor. Continuamos gostando da praia, da água, da areia como na infância, só preferimos não ficar ardidos e buscamos maneiras de nos proteger.
A vida é assim, deste mesmo jeitinho. Algumas vezes será inevitável ficar com a queimadura do sol por termos sido imprudentes e impulsivos e termos esquecido o filtro solar, que na minha época de infância ninguém falava. Vamos passar por isto com ajuda de um hidratante e outros cuidados básicos. Mas com a maturidade percebemos que não precisamos passar por isto e se acontecer aceitamos lembrando de quando éramos crianças e mesmo com a ardência estávamos felizes.
No nosso dia-a-dia podemos optar por passar pelas coisas com leveza ou fazer de tudo uma batalha, uma guerra que acaba conosco e no final do dia parece que fomos mastigados por um dinossauro e cuspidos fora. Lutar contra o que não pode ser mudado e viver vendo o pior de tudo em tudo nos deixa muito cansados. E o pior, não muda nada! Ver as coisas com otimismo e positividade nos ajuda significativamente e nos dá disposição e, muitas vezes, clareza para enxergar o que pode ser mudado.
Desejo a todos muita leveza nestes dias quentes que eu amo!

Foto: google imagens

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Otimismo e boa vontade

Gerbera é uma das minhas flores favoritas pelas suas cores vibrantes!
Embora eu seja otimista não vivo no "jogo do contente" tal qual a Poliana. No meu entendimento ser otimista é acreditar que as coisas vão mudar, que elas são boas e que tudo tem um aprendizado. Não é apenas ver o lado bom e pronto. É também compreender que existem coisas erradas ou ruins e analisar para entender e mudar, se é o que queremos. Para mudar é necessário boa vontade. Não vou falar sobre o livro, pois eu não o li. Não considero muito que Poliana seja uma resignada. Sei lá, o que considero como resignação é não lutar contra o que não pode ser mudado, e não se desgastar tentando voltar o tempo ou modificar um fato consumado. Mas resignar-se, aceitar que aquilo é como é, não significa ficar inerte. Eu posso aceitar que minha família é pobre e não vão poder pagar uma faculdade cara pra mim. Resigno-me, aceito. No entanto, tem outras maneiras para chegar ao estudo que quero tentando bolsa de estudos, trabalhando no dia e estudando a noite, enfim... Resignar-se não é acomodar-se. Pelo menos eu penso assim.
Os mosquitinhos dão vida quando usados como coadjuvantes nos buquês. Mas são singelos e belos solitos!
Por isto, decidi, há algum tempo que serei positiva, otimista. Cortei palavras e gírias que não tem um significado bom. Por exemplo, porque dizer "pior" quando posso dizer "é verdade" e "realmente"? Não divulgo notícias tristes, embora algumas vezes faça comentários ou críticas a respeito de alguns aspectos da mesma. Faço todo o possível para ser coerente e agir conforme as coisas que eu digo. Vigio meus pensamentos e mando pra bem longe intrusos que tentar dar vazão a tristeza, discórdia ou desconfianças. Neste coco quem manda sou eu. Procuro ser grata a tudo e principalmente ser grata com aqueles que gostam de mim, pois não tem tesouro mais valioso que carinho e amor. Divulgo iniciativas fraternas e caritativas de todo o tipo.
Prímula era uma das quais não conhecia! Me apaixonei!
Eu acredito na humanidade. Reconheço que tem coisas erradas e algumas pessoas perdidas achando que estão fazendo grandes progressos pessoais prejudicando outros. São uma minoria, mas ganham destaque porque geralmente são ousados e prejudicam muitos. O fato destes existirem não podem balançar as minhas crenças e convicções, por isso é preciso agir e eu decidi mudar as coisas em mim para ver o mundo com outros olhos. Aceitar as coisas e buscar a simplicidade é um passo importante na minha caminhada.
Helicônias são exóticas!
Nestes últimos dias estamos no final da campanha pelas eleições presidenciais e para governador. O povo tá descontrolado tanto de um lado como de outro. São muitas acusações, diz-que-me-disse, palavrório e promessas vazias. Respeito a decisão de cada um quanto ao seu voto, mas preferi me abster. Decepcionei-me muito com a política nos últimos anos, quem me conhece sabe que são muitos os motivos. E ainda tem as coligações que não me descem na goela tamanha incoerência que apresentam. Então uma amiga lançou uma campanha linda em que se "dá flores" aos amigos. Eu que adoro flores de todo tipo entrei contudo e descobri flores maravilhosas das quais nunca tinha ouvido falar ou visto. Embora as previsões de muitos problemas no futuro, seja com qual candidato eleito, eu opto pela esperança de que breve as coisas irão mudar. Principalmente porque sei que as pessoas estão se conscientizando. Sendo assim ofereço flores a vocês para colorir e perfumar seus dias!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Os brinquedos que queria e nunca tive, mas que também não fizeram falta

Eu sempre gostei de uma brincadeira que dizia "eu sou pobre, pobre, pobre de marré, marré geci" (a gente cantava geci, mas não sei se é assim mesmo). É uma brincadeira de roda, bem antiga, que, acredito quase nenhuma criança brinque. Geralmente a gente queria ser a rica, mas depois de um tempo a gente percebe que ser a rica não é tão bom quanto ser a pobre cercada de gente. Era legal quando todas as minhas primas estavam juntas e então se formava aquela fila de gurias enoooorme. E a gente ia, umas puxando as outras, saltitando e cantando.
Foi muito bom brincar tantas vezes disso, acho que foi esta brincadeira uma das responsáveis por minha afeição a família, a consciência de que ser pobre não é um problema e ser rico não quer dizer que seremos felizes.
Minha criancice foi cheia de brincadeiras de roda, de pegar, de esconder, de pular sapata, de subir em árvore (mesmo sem saber descer depois), de jogar bola com meu primo Anderson, de casinha, de boneca, de fazer show (de dança e música, porque os artistas são completos) na garagem de casa. Eu sabia, como na canção da brincadeira, que eu era pobre e que muitos brinquedos que apareciam nas propagandas da televisão não poderia ter. Assim como sandálias melissinha ou lápis de cor faber castell e canetinhas. Na época causava um pouco de frustração, mas não causou trauma algum. Pra falar bem a verdade, creio que o único brinquedo "de marca" que tive foi o meu bebê. Um bebê pequeno, carequinha, de vestidinho azul e uma xuquinha pequena do lado da cabeça. Nem sei de quem ganhei, mas a boneca me acompanhou por longo tempo e dei de presente pra Nathália, minha primeira sobrinha. No más a gente usava a imaginação para brincar e alguns jogos de tabuleiro como damas, dominó, varetas e coisas assim.
Na minha época de criança a febre entre as meninas era mesmo a Susy e a Barbie (no seu início de carreira). Eu nunca tive nenhuma das duas. Quando pedia pra mãe ou pro pai eles diziam que quando "tivessem dinheiro compravam", mas não sobrava dinheiro, então... Minha prima Lili tinha e a gente brincava junto. Uma outra amiga, a Alessandra, também tinha. Ela tinha duas Barbies e um Ken e quando a gente brincava junto pegava emprestado com o irmão dela um Falcon, pra namorar a boneca com que eu brincava. Vai ver que foi aí que surgiu minha preferência por barbudões, o que acha Niara? Mas isto foi uma fase, logo comecei a fazer revistas com as colegas do colégio, adorava dançar e aos poucos fui deixando as bonecas e me dedicando mais a estas atividades.
Lembro que também tive vontade de ter uma daquelas barraquinhas da Mônica. Não era todo mundo que tinha, também devia ser bem caro! Mas foi uma onda passageira! Ou seria nuvem? Pois é, a gente sempre acampou no Barro Duro e depois no Camping Municipal, então não fazia muito sentido acampar no quarto ou na sala lá de casa. E quando a gente brincava de acampar ou de casinha o mano e eu fazíamos umas barracas de lençol e cobertores e fazia o mesmo efeito. Até a mãe chegar e botar ordem na casa!
Fiquei lembrando disso hoje, olhando as fotinhos dos amigos no face e pensando nos presentes que as crianças podem pedir pelo dia da criança. Pensei bastante pensando que, embora na época eu quisesse muito aquelas coisas, elas não me fizeram falta realmente. Não deixei de ser uma pessoa feliz por esta falta. E ainda, quando ganhei uma melissinha usada, claro, não gostei. Meu pé suava, resvalava, cheirava mal. Devo ter usado umas duas vezes e tchau! Preferia mesmo meus havaianas amarelos que ganhei da tia Rosa para deixar de chupar bico. Hoje eu até acho engraçado quando uma pessoa me pergunta abismada: "tu nunca teve uma Barbie?". Pois é, nunca tive! E não me fez falta não.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Buscando o gás

Outro dia vi uma cena que me levou direto pros dias da minha infância. Vi uma senhora levando um botijão de gás para dentro de casa, empurrando-o com a mão. Lembrei da época em que não tinha telentrega de gás e quando acabava o bujão tínhamos que levar o vazio até a venda mais próxima e depois trazer o cheio.
A gente tinha sorte, pois na esquina da nossa casa o seu Ernesto vendia gás. Então eram poucos metros empurrando o botijão. Minha mãe levava aquele trambolho até com certa elegância, empurrava com o pé e ele rolava pra frente, bem retinho pra longe, quando se aproximava outro empurrão e logo chegávamos na venda. Na volta era igual, o botijão mais pesado vinha rolando pela rua e nós atrás.
Tinha gente que tinha um ferro que prendia em ambos os lados do bujão e vinham arrastando ele. Também rolando, mas sem o perigo do dito cujo se desvincilhar e cair na valeta ou invadir o meio da rua. Lá em casa a gente não tinha, então quando eu ia buscar o gás pra mãe acabava protagonizando algumas cenas dignas de comédia pastelão. Sim, claro que eu empurrava o botijão com o pé. Óbvio que sem elegância nenhuma. Certamente que ele não ia retinho que nem quando a mãe empurrava. Ele ia lá e cá quase num zigzag invadindo o meio da rua e muitas vezes até atravessando a "estrada" de um lado pro outro e eu corria atrás dele desesperada pra evitar que caísse na valeta lá do outro lado. Daí tinha que segurar o bujão com a mão, porque não tinha perna suficiente pra fazer isto com o pé. Empurrava o botijão mais uma vez pro lado certo da rua e ele parava bem na beirinha da valeta, ficando por um triz fora dela. Lá ia eu correndo de novo!
O trajeto de poucos metros, que eu fazia com folga quando esperava o ônibus na frente da minha casa e saía caminhando enquanto ele vinha da outra pontada rua, parecia interminável quando eu o fazia com o botijão do gás. E a mãe contava que quando era pequena e morava no mato tinha que buscar água numas bambonas maiores que o botijão. E que meus tios até caminhavam em cima do barril da água que nem aqueles acrobatas do circo! E eu ficava pensando em quanto tombo não ia cair se tentasse uma proeza daquelas! Então chegava na venda do seu Ernesto e comprava o gás e tinha que voltar com o bujão ainda mais pesado, cheio pra casa. E lá ia eu, aquele toco de gente, que ainda sou, empurrando aquele trambolho pela rua de forma totalmente desajeitada. Nunca entendi porque que ele ia conforme queria e não reto que nem ele ia quando a mãe empurrava! Quando chegava de volta em casa estava com a roupa e as pernas toda cinza daquela tinta, gordura, sujeira do botijão. As mãos coloridas daquilo, toda escabelada e esbaforida! Certamente com a cara vermelha do esforço.
Então a mãe ligava o gás no botijão encaixando a válvula presa na mangueira, apertava bem pra não vazar o gás. Porque vazamento de gás é um perigo! E pra ter certeza de que não estava saindo gás, fazia uma espuma com a esponja de lavar louça e colocava na volta da válvula, se fizesse mais espuma tava vazando. E eu morria de medo de ter que fazer aquilo quando crescesse! Ainda bem que agora tem a telentrega e o moço chega lá com o botijão cheio, instala tudo e pronto.
As vezes passava o caminhão do gás com aquela musiquinha, mas isto já foi nos anos 90, quando começaram a dizer que nas vendas não tinha lugar adequado pra armazenar os botijões cheios e que havia risco de explosões e incêndios. Mas o gás nunca acaba na hora que o caminhão passa né? Ele sempre dá de terminar no meio do cozimento do arroz meio dia, ou quando a gente tá assando o pão de noite! Aí a gente não podia chamar o caminhão do gás, porque ele passava na hora que queria e não quando a gente precisava. Quando acontecia do gás acabar e o seu Ernesto não vendia mais gás a gente tinha que ir com o pai até o posto de gasolina comprar. Daí sim era uma beleza, porque a gente não precisava empurrar o botijão e pra completar fazia um passeio. Mas mesmo quando o caminhão entrega o gás era o pai ou a mãe que ligavam o bujão. Só agora é que o entregar faz tudo pra gente. Que sorte! Algumas dicas de segurança são importantes, por isso coloquei a foto ao lado.  Ah! Também tinha a musiquinha! "Se tem o lacre azul, do cachorrinho, pode confiar, é liquigás"! hahahaha Vai o vídeo se alguém quiser relembrar!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Não sei a resposta

Há dias que sinto-me um pouco estranha, talvez a mudança na idade. Eu não me sinto velha, nem nunca me senti. Observo meus sobrinhos crescendo, os filhos dos amigos, mas olhando de mim pra mim sigo me sentindo a mesma de sempre. Não é a mesma da adolescência, claro que não, até poderia, pois acho que minha adolescência foi o período mais choroso da minha vida. Chorava por tudo! E tenho me sentido um pouco assim nestes dias. Mas não é a mesma coisa. É uma melancolia que não consigo identificar de onde veio, apenas aquele imenso mar por traz dos meus olhos querendo fluir. Não é preciso palavra rude, se bem que estas antecipam as ondas e o esforço para contê-las é tanto que sinto dor de cabeça. Fico envergonhada porque me sinto boba e injusta me sentindo assim. Racionalmente sei que não há motivos. Mas racionalmente, também, algumas coisas não me saem da cabeça e como sempre acontece, toda vez que um assunto martela na tua mente dúzias de artigos e posts falam justamente deste tema.
E aí, a gente que parece ter tudo tão bem pensado e organizado precisa rever os conceitos, observar a si próprio e quem sabe até se convencer de que as escolhas que fez até agora eram as melhores e não sabe mesmo o que escolher de agora em diante. Eu não sei mesmo a resposta pra esta pergunta! Vai ver me mantive em algum ponto da minha adolescência.Eu já contei aqui que nunca fiz planos pra minha vida, eu nunca soube o que aconteceria, no que trabalharia, o que buscaria. Nunca fiz planos de casar e ter filhos, por exemplo. E o que mais lembro de meus pais aconselharem é: "estuda, seja independente!" Foi o que eu fiz. Estudei. E foi muito bom! E eu gosto tanto que penso em seguir estudando muitas coisas. Além disso, não tenho plano pra mais nada!
E estes sentimentos contraditórios, diversos e opostos talvez sejam um indicio de que, quem sabe, neste momento eu deva planejar algo. A minha amiga Jacque diz que"temos sempre que ter um plano B". O que se faz quando não se tem nem o A? Não faço a mínima ideia! Acho que tô um pouco assustada por ter de fazer uma cirurgia, coisa que jamais imaginei. Também tem este negócio da maternidade. É, eu bem que tento deixar quieto, não pensar, não buscar uma resposta pra pergunta da minha médica "se quero ter filhos?". Eu mesma não sei a resposta, muito poucas vezes eu pensei a respeito. Primeiro, bem provável, porque era jovem e a ideia de tempo se esgotando não existia. Segundo por que, embora não soubesse se queria ou não ter filhos, sabia exatamente as circunstâncias na qual não queria ter um filho. Não queria ter um filho por acidente ou a revelia do pai, porque não acho justo que um filho não conviva com seu pai e me consideraria muito egoísta ao negar isto a meu filho. Como também acho muito doido um filho ser renegado pelo pai, seja lá os motivos que ele tenha, pra mim nenhum motivo é justo. Terceiro, tive muito poucas relações duradouras que pudessem levar a pensar em filhos, família, enfim. É possível que não pensasse nisto nunca, se a doutora não tivesse feito a pergunta. Talvez esteja me sentindo um pouco pressionada e como não sei a resposta me sinta assim! Eu realmente não sei e minhas tentativas de expressar isto através da escrita não tem me dado muita luz, mas ajudam a desabafar um pouco. Pode ser que outras pessoas estejam na mesma situação, não digo que seja uma encruzilhada, porque embora eu pense nas coisas, pra mim não existe nenhuma obrigação de dar uma resposta pra esta pergunta. Ao mesmo tempo que não consigo esquecer de vez.
Como espírita, algumas vezes eu penso se não programei ser mãe e agora estou deixando isto. Tô usando do meu livre arbítrio, eu sei, com todo o direito, mas também penso naquele que esperava esta minha ajuda. Ao mesmo tempo penso que, se fosse mesmo pra ser, já teria acontecido. Porque eu bem me cuido e previno, mas acontecem "acidentes". Então tento escutar o que meu coração diz, tento serenar minha mente e esquecer outras preocupações, mas não consigo. Então penso no que a cantora Alcione disse uma vez numa entrevista sobre isto, ela disse que "foi mãe dos filhos que a vida lhe deu". E eu acho que fui um pouco, sou um pouco, bem pouco, óbvio. Mas a verdade é que a pergunta me inquieta, como talvez inquiete muitas mulheres. E vem acompanhada de tantas outras, como as que já mencionei e mais aquela "até que ponto eu quereria mesmo isto e até que ponto isto faz parte da "tradição" de que mulher só se completa depois de ser mãe?". As perguntas não cessam. E eu não sei as respostas.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Trinta e sete

Então, ontem completei 37 anos de vida. 37 nesta existência. A primeira coisa que me vem a mente neste momento é a gratidão. Eu não tenho palavras  para expressar o quanto sou grata por tudo que vivi. Tive momentos difíceis, principalmente em momentos cruciais em que a mudança, o crescimento dependiam de uma transformação interna e que nada tinham a ver com os números da idade. Mas nestes momentos sempre tive alguém com uma palavra correta, um conselho, um abraço, um sorriso ou um "engole esse choro!" que me fizeram muito bem.
Algumas pessoas partiram e outras tantas chegaram! É aquele famoso vai e vem da estação da vida que nos faz aprender a amar. Eu podia dizer muitas coisas sobre estas pessoas, o quanto as amo ainda, apesar das distâncias; e o quanto sou grata por eles me amarem, mas me faltam palavras.
São 37 anos de muita alegria e de muita gratidão a Deus, a minha família, aos meus queridos amigos. E este é o único momento em que fico sem palavras. A única coisa que minha emoção me permite pensar é muito obrigada de todo o coração!!!!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Trinta e uns...

Como disse num post anterior todo dia temos novos desafios. Para passar por alguns deles precisamos nos superar e para outros apenas precisamos nos aceitar tal qual somos. Já faz algum tempo que passei a gostar de mim como eu sou, parei de pintar o cabelo, por exemplo. Não que com o cabelo pintado tentasse fugir do que eu era, mas cansei de ter de pintar toda hora pra continuar com aquela cor e manter-me bonita, muitas vezes para olhos externos. Fui deixando a tinta sair aos poucos e ia cortando o cabelo até que um dia só restou meu próprio cabelo, minha cor "original de fábrica". Não penso em pintar novamente, nem se virem os brancos, aliás achei um hoje de manhã! Eu posso mudar de ideia é verdade, pois como fã do Raulzito tento ser uma "metamorfose ambulante". Mas também tenho convicções minhas, opiniões, defesas que mudam e outras que não mudam.
No desafio sem maquiagem muita gente criticou porque não queria aparecer "feia" no face ou outra rede social. As pessoas não queriam aparecer com marcas de expressão, sinais da idade ou do sol, ou mostrar as olheiras. Eu não fui desafiada a sair com minha cara sardenta e meus cílios claros sem rímel. Mas fui desafiada a publicar uma foto do meu sovaco "cabeludo". E eu não só postei a foto do sovaco como minha carucha sem maquiagem e amassada de quem recém acordou. E tô nem aí se alguém achou feio, porque a grande verdade é que quem me ama e a quem eu amo já me viu inúmeras vezes com esta cara ou em condições piores. E estas pessoas seguiram me amando porque me vêem muito além da superfície da minha pele com pó de arroz.
É óbvio que para estas pessoas eu me arrumo toda e tento dar minha melhor versão, a mais bonita e bem apanhada, afinal me amam e merecem meu melhor! Acontece que no dia-a-dia não dá tempo nem existe paciência possível para viver "montada" como uma gueixa.
Volto a dizer que a escolha de maquiar-se deve ser uma única e exclusiva da mulher, se ela gosta ou não e não de um padrão de beleza que quer que sejamos bonitas e bem comportadas, aquele conceito machista. Respeito quem se opõe a limpar a cara, seja por uma causa social, seja para contestar o machismo, seja pro que seja. Mas lendo 'Memórias de uma gueixa" limpo a cara com mais vontade e me sentindo com mais motivos para tal.Não creio que uma mulher possa cogitar a ideia de ser escrava por toda sua infância e parte da adolescência, para ao final desta escravidão, ser uma gueixa de sucesso. Esta escravidão cobra desta mulher inclusive o valor que a casa pagou por ela quando a comprou, mais seus gastos com alimentação, com roupas, com o treinamento para gueixa e possíveis despesas médicas. Não é atoa que elas precisem maquiar-se de forma que seu rosto pareça uma máscara! Afinal como esconder tanto sofrimento se não sob uma boa camada de maquiagem? Desde muito cedo elas precisam aprender a ser bonitas, a sorrir, a mostrar seu charme e elegância para entreter os homens com dança ou música. Como isto pôde ser considerado um futuro bonito e promissor?  Eu sei é uma cultura completamente diferente da nossa, mas me choca! E não é diferente das escravas sexuais do tráfego humano atual. Não sei como funciona atualmente isto, como são formadas as gueixas, mas o que conta o livro é uma vida muito difícil e glamourosa apenas após algum tempo como gueixa já bem sucedida. Quando as despesas já foram pagas!

Penso que muitos casos como o relatado no livro devem ter acontecido por lá e acontecem aqui no Brasil, para uma vida não menos sofrida e nenhum pouco glamourosa. Quantas vezes não nos chocamos ao saber que os pais vendem as filhas por não terem o que comer e como ocorrem casos de exploração sexual, inclusive de menores, com o conhecimento de autoridades algumas vezes. É um bom motivo para limpar a cara e mostrar minhas marquinhas de trinta e uns. Mas é o meu motivo! Eu não tenho nenhuma intenção de parecer chique, elegante e charmosa até porque não sou nenhum pouco. Sou aquela pessoa que vai caminhar com camiseta velha, o cabelo meio desgrenhado, sem nenhuma bijuteria e observa as outras mulheres que passam e pensa: "como elas conseguem estar tão chiques, sem sequer suar?" E eu lá com aquela cachoeira de baixo dos braços! É sou do tipo que parece mendiga quando tá em casa! hahaha E mesmo que tente não fica elegante de calça jeans e camiseta branca, que nem a Julia Roberts ou a Gisele Bünchen devem ser. Mas, justamente isto me permite não ter vergonha de perder a pose e me jogar numa piscina de roupa e tudo numa festa com os amigos ou rolar na grama e jogar bola com as crianças. Embora eu não tenha filho, tenho muitos sobrinhos, e vira e mexe ando com as roupas meladas ou sujas. E digo pra vocês isto não tem preço!
Então, nestes meus trinta e uns tenho dias de perua nos quais me maquio, me trabalho toda na biju e uso com muito amor meus lenços. Tenho dias de tô nem aí, que são a maioria em que enfio uma roupa confortável, meus lenços, que não podem faltar e tá pronto. E outras do tipo vestida pra matar, mas estes são tão raros que nem lembro quando foi a última vez. E tem os dias em que tento, com todo meu ser, estar elegante e chique, e estes são os dias de festas de 15 anos, formaturas, casamentos ou coisas do tipo, mas confesso que nem com muito esforço consigo, pois geralmente levo um par de havaianas na bolsa e no final da festa tô sambando de chinelo de dedos bem feliz.
Desculpem alguns amigos mais chiques, mas eu sou uma pessoa muito simples, alguns dirão até "chinela", outros "bagaceira", mas eu sou assim mesmo, fazer o quê? Não posso lutar contra a natureza. Acho que mesmo com o treinamento para ser gueixa não ia ter dado certo! Sério, só minha gaitada seria motivo para expulsão de alguma casa de chá. Ainda bem que nasci no Brasil!

sábado, 30 de agosto de 2014

Quando setembro chegar!

Quando setembro chegar vou fazer aniversário, um aninho mais nesta existência. Também vai chegar
a primavera, as flores abrirão, seu perfume e suas cores irão inundar as paisagens e o ar. Muita gente vai espirrar adoidado por conta das alergias do polem e tal, mas tudo bem porque é primavera, os dias são mais bonitos! 
Geralmente faço uma revisão daquela lista de resoluções feita no fim do ano. Vejo sempre quanta coisa boa aconteceu, quantos dias felizes pude viver junto daqueles a quem amo. E como setembro, ou melhor, meu aniversário marca a revolução solar no meu signo, procuro ver o que me aguarda segundo os astros, o que fiz de bom, as metas que alcancei (embora não tenha rigidez com o prazo), as que precisam ser trabalhadas e aquelas que, realmente, não tem a menor chance. Como disse num post uns dias atrás não faço planos a longo prazo. Gosto das coisas inesperadas, como acontece quando encontramos amigos na rua, vamos tomar um café e o café vira uma cervejinha e a cervejinha jantinha e quando vê foi uma noitada com muita conversa,  risada e amor. Muitos planos deixam as coisas meio engessadas. Ainda que seja virgem com ascendente em virgem! É, eu sei...
Então, agora, daqui um dia, quando setembro chegar, numa bela segunda feira vou agradecer, mais uma vez a Deus por mais este setembro, por mais esta primavera. Vou fazer algumas reflexões sobre a vida, como é praxe, mas daí só em setembro. 
Por agora vou me despedindo de agosto, que foi um mês bom e dar as boas vindas ao lindo setembro que se apresenta com algumas poesias e frase colhidas na internet. 

"Que setembro venha com bons ventos, que me traga sorte e amor, que não me deixe sofrer por favor." (Caio Fernando Abreu)

"8 de setembro

Hoje, este dia foi uma taça cheia,
hoje, este dia foi uma onda imensa,
hoje, foi a terra inteira.

Hoje, o mar tempestuoso 
ergueu-nos num beijo
tão alto que estremecemos
ao clarão de um relâmpago
e, unidos, descemos
para mergulharmos enlaçados.

Hoje os nossos corpos dilataram-se,
cresceram até ao extremo do mundo
e rolaram fundidos
numa só gota 
de cera oi meteoro.

Entre mim e ti abriu-se uma nova porta
e alguém, sem rosto ainda,
esperava-nos ali." (Pablo Neruda)

"Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada." (Cecília Meireles)


"Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…" (Mario Quintana)

"Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo." (Carlos Drumond de Andrade)
"Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração." (Fernando Pessoa)

"Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude."(Vinícius de Moraes)


terça-feira, 26 de agosto de 2014

8 coisas pra fazer antes de bater as botas

Fuxicando nas postagens deixadas de lado no blog encontro uma curiosa com o título: "8 coisas pra fazer antes de bater as botas" e me intriga o fato de eu não ter seguido o meme, coisa da qual eu gostcho muito!
A orientação é: "1) Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;2) Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;3) Comentar no blog de quem nos convidou;4) Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação";5) Mencionar as regras."
Agora, lendo as regras, me vem a mente que... talvez eu não tenha uma, nunca antes na minha própria história de vida, pensado em oito coisas que sonhe fazer antes de bater a cassuleta! Coisa, alíás, que fiz muito pouco na minha vida foi "plano de vida"! Pois é, pode parecer estranho, vai ter gente que vai dizer, como que uma pessoa nascida sob o signo de virgem, com ascendente em virgem não faz lista de planos para a vida?! Como que vai deixar a vida acontecer assim, sem uma organização prévia?! Pois então... nunca fiz! Quando estava acabando o 1° grau (porque sou do século passado sim senhor e fiz foi primeiro grau!) tinha na minha cabeça uma meta, o propósito de fazer o 2° grau na Escola Técnica de Pelotas. E qual não é minha surpresa?! Não passei na escola técnica pra fazer Telecomunicações. Até tinha pensado em ser professora, mas nesta época já tinha mudado de ideia, tantas vezes quanto a ETFPel mudou de nome, tornando-se IFSul. Daí, como era regra fiz teste pra escola, pro CAVG e pro Pelotense. Naquele tempo meu pai não tentou fazer minha cabeça pra Contabilidade. E como os resultados na escola e no Pelotense foram negativos e o CAVG me recebeu de braços abertos me fui bem faceira fazer Economia Doméstica. Ainda com alguma esperança de ser chamada em segunda chamada na escola, mas nada feito. Então... como o destino mudou completamente (graças a Deus!) meu plano original de ser uma telecomunicadora desisti de fazer planos e metas, pelo menos a longo prazo .
No CAVG fiz amigas muito importantes pra minha vida! Uma amiga do coração que está sempre perto de mim, mesmo que esteja longe. Sem contar as inúmeros histórias, as olimpíadas das cores, os "shows" no auditório do colégio, as aulas gaseadas pra caminhar no Arco Íris, tomar umas biritas, os amigos, as risadas, enfim. Foi um tempo maravilhoso! Ah! E foi no Visconde da Graça que descobri que usava bastante o sarcasmo e a ironia nos meus textos, comecei a gostar mais de ler e decidi ser jornalista. Fiz o plano de ser uma grande jornalista, reconhecida e importante e tudo mais. Quem sabe até escrevesse um livro e me tornasse uma grande escritora?!
Passei no vestibular em primeira chamada, em 28° lugar, não era lá uma colocação muito boa mas e daí? Importante é que tinha passado e pra mim já tava de bom tamanho. Sonhava com um jornalismo daqueles, de alguma outra encarnação minha, aquele boêmio, verdadeiro, engajado e combativo, que formava opinião. Mas no fim das contas, amei a faculdade, fiz mais uma porção de amigos do coração, aprimorei minha forma de escrever, aprendi sobre um montão de coisas e descobri que o jornalismo não era do jeito que eu havia sonhado. Mas segui firme! Estudei bastante, me formei e saí mundo afora pra exercer meu talento jornalístico nos jornais e nos bares da vida. Foi então que descobri que o jornalismo não era mais como naquela minha outra encarnação. Os jornais independentes não existiam mais e haviam tornado-se empresas e como empresas visavam o lucro e tratavam a informação como mercadoria. O destino foi tentando me fazer desistir aos poucos, mas eu teimosa, seguia firme, mas me convenci de que ele estava certo e meu jornalismo era de outro século e pra exercer o deste século eu estava sofrendo demais. Ainda não escrevi meu livro, mas ainda há tempo. Quem sabe não é uma das "oito coisas pra fazer antes de bater as botas"?
Das duas vezes que planejei alguma coisa veio o destino que me fez mudar de ideia. Mas talvez eu seja comodista, ou me adapte bem as coisas, e segui tranquila.
Depois de decidir ficar por aqui e "ouvir meu roquizinho antigo que não assusta ninguém", fui me inscrever no técnico em Contabilidade no João XXIII, mas meu plano era não ser sorteada e não cursar. Mas, como todos os outros planos, de cinco pessoas que se inscreveram juntos fui a única sorteada. Como não sou de desperdiçar chance ou tirar vaga dos outros, fui cursar o técnico em Contabilidade. Novamente fiz mais uma penca de amigos maravilhosos e queridos. E fiquei aqui por casa, perto da família, trabalhando numa profissão da qual me orgulho e que me sustentou desde sempre.
Só ainda não faço ideia das oito coisas pra fazer antes de partir pra cidade dos pés juntos! Mas o exercício foi bom, visto que a pergunta que não quer calar ainda martela, um pouco na minha  cabeça. Foi bom pra eu perceber que não havia planejado o caminho, mas que fiz o caminho ao caminhar, como dizem deve ser feito. Não sei se é um ditado ou uma poesia, que diz que todo homem deve, "plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho". Eu não sei se vou seguir isto,até já plantei uma árvore, mas nunca mais soube notícias. Foi lá no CAVG. Entonces... vou tentar fazer a lista, com muitas possibilidades de mudar um item ou outro, porque não sei bem as respostas pra estas perguntas sobre o futuro.
1) Escrever um livro;
2) Realizar um trabalho voluntário
3) Organizar melhor meu tempo, para ter algum tempo sobrando
4) Conhecer o México, a Espanha, o Chile e Portugal
5) Plantar e cuidar uma árvore, frutífera de preferência
6) Comemorar um aniversário com uma festa a fantasia, quem sabe nos 40?
7) Aplaudir o amanhecer e o entardecer próxima da natureza
8) Viver bem!
Fazer o filho é a tal pergunta que não cala, e pra qual eu não tenho ideia da resposta, então...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A pressão do tempo fértil! Uma pergunta que não cala!

Nunca tive medo do tictac do relógio, mesmo pensando, quando era criança, que no ano 2000 seria uma velha. Ainda bem que nos enganamos não é mesmo? Lembro de uma vez em que fiz as contas para saber quantos anos ia ter em dois mil e pensei gente nós vamos estar velhas! E hoje, com 36 anos me acho muito jovem. Daí eu tomei uma caipiras a mais, fiquei uns dias numa ressaca estranha e resolvi procurar um médico. Antes de receitar qualquer tratamento o Dr pediu vários exames de sangue e uma ultrassonografia do abdome para saber se estava tudo bem.  Descobri que preciso fazer uma cirurgia para retirar a vesícula.
Também descobrimos que tenho um cisto, pequenininho, no ovário direito. Depois de constatar isto fui fazer os preventivos anuais com a gineco. Inicialmente está tudo bem, fizemos o pré-câncer anual e trocamos a pílula para inibir o crescimento do cisto. E foi nesta hora que foi feita a pergunta fatídica: 
_Tu queres engravidar? Porque ano passado dissestes que sim e agora? Está com 36, tem que ver em seguida, porque depois fica mais difícil engravidar e as chances do bebê nascer com problemas também aumentam. 
Então tive a sensação de ouvir um tictac. Talvez tenha sido meu coração! Respondi que não sabia ao certo. Que sabia que o tempo estava passando (mas na verdade não estava sentindo deste jeito!) e que recém havia começado um relacionamento e que ele já tem filhos e não quer mais. Fiquei meio com uma sensação de estar prestes a ser reprovada numa prova. Meu Deus! Eu não sei esta resposta!
Talvez algumas pessoas achem que sabem. Várias já me disseram que tenho um grande potencial para ser mãe, que isto é visto com meus sobrinhos. Outras atiraram suas opiniões na minha cara dizendo que eu tinha que ter a revelia do meu companheiro se ele não quisesse. 
E uns dias atrás, antes da consulta médica,  estava conversando com minha prima exatamente sobre isto, de como algumas pessoas se sentem no direito de opinar sobre escolhas tão sérias das vidas alheias. Pra nós mulheres ao mesmo tempo em que existe um moralismo e um torcer de nariz para mulheres que tem filhos por produção independente, tem a cobrança de que se é mulher tem que ser mãe. É obrigatório que se explore o seu lado materno.
Mas e quando a gente não sabe a resposta? Penso se faz parte da minha missão ser mãe! Me sinto despreparada, como sempre. E sei que não tem como, não existe curso ou manual de como ser mãe, educar, cuidar, enfim. E aí bate um medo! Não tenho resposta. Só sei que sou capaz de amar muito e incondicionalmente, isto eu sei porque eu amo os meus sobrinhos assim. Mas esta é a única certeza que eu tenho, de que sou capaz de amar. Será que basta?? 
E de repente esta pergunta não me sai da cabeça e de um minuto pra outro fiquei com o tictac me acompanhando na mente, batendo, batendo, batendo... Não sei a resposta! O tempo de plantar tá se esgotando e para tal preciso da resposta pra pergunta que não cala. Daí neste dia sim, me senti um pouco velha como diria a Larissa.