quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Conhecer-se

O autoconhecimento e o auto-amor nos dão uma segurança que nos ajuda em todas as áreas da nossa vida! Esse conhecimento é simples de adquirir, mas na maioria das vezes não é fácil porque é da nossa natureza complicar as coisas. A gente está enfrentando uma dificuldade de relacionamento, ao invés de sentar, abrir o jogo e colocar para o outro tudo que estamos sentindo, ficamos fechados, sem revelar nossas emoções e imaginando o que o outro tá sentindo, porque o outro tá agindo daquele jeito. Não é fácil admitir que nosso ego tá no comando! No entanto, depois que descemos do pedestal em que nos colocamos e nos despimos da arrogância e da vaidade tudo fica muito simples. Nossas ligações se tornam mais sinceras e nossos laços mais verdadeiros!
Confesso que tenho uma grande dificuldade com o tal "jogo da sedução"! Não sou de me revelar inteira assim para qualquer pessoa, mas meu instinto me revela se o outro é confiável ou não. Desta forma vou me revelando para o outro, mas sem essa ideia de vou dizer que não quero, vou desdenhar para fazer com que o outro me queira! Não consigo fazer isso! Caso o outro demonstre minimamente que não me quer saio de cena e sigo o baile. Posso revelar a ele meu desejo ou sentimento, mas não insisto ao ser "desprezada"! Principalmente porque entendo que não sou uma pessoa irresistível pela qual todos cairão aos meus pés, o outro tem o desejo dele e o livre arbítrio, não ficará comigo só por conta da minha vontade!
Pra chegar neste entendimento sofri bastante! Mas hoje consigo ver as coisas de forma simplificada. Viver o momento de forma consciente faz toda a diferença para que "esses jogos" não interfiram no bem viver. Percebemos que não vale a pena se inquietar por coisas fúteis e passageiras. Que o melhor momento é o presente e ser quem realmente somos, reconhecendo nossa luz e nossa treva nos ajuda a nos melhorarmos cada dia mais. E os relacionamentos se tornam mais fáceis, porque a gente também ficou mais fácil!
Jesus nos disse " conhecereis a verdade e ela vos libertará"! Essa verdade é o autoconhecimento, é o nosso  verdadeiro eu! No instante em que nós enxergamos esse eu mais profundo, com luzes e trevas, nos libertamos de muitas máscaras e nossa vida torna-se mais harmoniosa e feliz.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Uma conversa com Seu Zé

Sou uma espiritualista! É, vou no centro espírita, estudo a doutrina, trabalho no passe, mas creio e faço coisas que não constam na Doutrina codificada por Kardec. Acredito em ervas e suas energias seja através de banhos ou chás! Não vejo problemas em utilizar uma imagem ou um amuleto para concentrar o pensamento e ligar-se com o altíssimo. Sei que Deus está nos lugares mais variados da natureza e que seus elementais estão lá para nos auxiliar no que necessitarmos. Nada disso é condenado pela codificação, mas também não é aceita pela federação espírita.
Tenho um pé em cada barca, penso eu algumas vezes! Então começo a ler as obras básicas e livros que falam do surgimento da umbanda e um véu se descortina! Sempre fui no terreiro, sou batizada lá! Sou afilhada de Itagiba  e sinto muita alegria quando estou lá ouvindo os pontos e observando as giras! Compreendo quando alguém diz que devemos andar de pés descalços na grama, tomar um banho de mar e um banho de ervas, sinto toda minha energia renovada quando entro numa cachoeira!  Porque será que pensei que estava com um pé em cada barca?!
Sei que é porque minhas lembranças de infância sobre religiosidade me levam pra um centro umbandista, mas comecei a descobrir o espiritismo num centro espírita e a partir daí procurei mais sobre a umbanda e mais sobre a doutrina espírita. Minha espiritualização tem fundamento nas duas!
No passe que trabalho faço minhas preces para que aqueles que vem em busca de auxílio recebam o que vieram buscar, dou um pouco da minha energia animalizada e o maior "trabalho" fica a cargo da espiritualidade. No centro de umbanda as pessoas podem conversar com o espírito que dá o passe através do médium e desta forma recebe orientações para resolver os problemas que enfrenta.
Sempre gostei de conversar com os guias, ouvir seus conselhos e orientações. Quase nunca perguntava coisas sobre meus problemas, deixava que a intuição me guiasse ou que o guia me dissesse as coisas sem que eu perguntasse, afinal, sempre acreditei (acredito) que tem gente com problemas mais graves para ocupá-los.
Desta forma sempre recebi a orientação de que precisava como "leia mais livros espíritas", "use menos roupas escuras e beba mais água", "estude, prepare-se, tá na hora de trabalhar" ou "fica tranquila nesta idade o coração dói mesmo, mas logo passa"!
Aí que em Campinas fui conhecer seu Zé Pilintra! Um ser de luz que te olha nos olhos e transmite uma grande doçura e um pouco de malandragem! Um ser cheio de alegria e de riso fácil! Começou perguntando se eu estava bem ao que respondi que sim! Ele falou que eu sempre ia no centro e não perguntava ou pedia nada e eu respondi que tinha mais a agradecer e que eles tinham pessoas com mais dificuldades pra ajudar do que eu. Então ele me contou que não existe isso de meu problema e menos grave ou tem menos importância! "Cada um tá na sua caminhada e tem um aprendizado e as dificuldades são importantes para o crescimento não pelo tamanho que elas tem, mas pela forma que cada um passa por elas!"  Algumas vezes o problema é pequeno e ainda assim podemos pedir auxílio para passarmos por ele com mais sabedoria!
Seu Zé me mostrou a mim mesma de uma forma que eu nunca tinha me visto! E cá pra nós precisava me ver assim! Tinha me perdido um pouco de mim! Agora me reencontrei! Retornou a mim uma paz e uma alegria das quais estava com saudade! Uma felicidade que me permitia rir e cantar na rua sem vergonha! Por isso, se me ver na rua sorrindo que nem boba é a minha meditação sorridente, que aprendi em "comer, rezar, amar", a gente sorri com o fígado e com a cara!
E as dúvidas que tenho sobre as barcas estão pouco a pouco se elucidando e creio que logo saberei em qual barca preciso ficar! Sou lhe muito grata seu Zé! Saravá!

Foto do google imagens

terça-feira, 16 de julho de 2019

E aí, e as novidades?

Essa pergunta é corriqueira quando encontramos pessoas que há tempos não vemos! Eu geralmente respondo que não tem nada de novo, tudo mais ou menos igual no vai e vem da vida! Claro que isso só ocorre quando é com pessoas sem muita intimidade ( e aqui o fator tempo não conta muito!). Já quando o encontro é com pessoas com intimidade e laços de amizade profundos essa pergunta não é nem feita, porque pulamos direto pros assuntos que nos fazem gargalhar, pras fotos dos filhos, sobrinhos e cachorros, pras receitas de comidas, bolos e sobremesas, pros comentários da vida amorosa (que deu ou não certo!), pros filmes, livros e séries que estamos assistindo e pras músicas bregas que ouvimos durante a faxina e que nos fez lembrar daquela festa que a gente foi e foi muito louca! E esse laço de afinidade e amizade é fortalecido com uma camada impermeabilizada de amor!
Eu tenho muitas novidades pra contar! Dos perrengues com casa, término de relacionamento, a intenção de voltar a estudar, a prática e os estudos do espiritismo, algumas tristezas da área política e a alegria imensa de poder contar e ver, mesmo que pela rede social, as crianças a minha volta crescendo e sendo felizes! Aliás, estas alegrias, pequenas do dia-a-dia, que são na verdade a felicidade que não percebemos, são sempre colocadas na frente de qualquer treta na minha narração das novidades! Porque meus amigos, eu sei quando vocês estão tristes e sobrecarregados e contar meu problema não vai amenizar o de vocês. Mas falar do quanto meu sobrinho é piadista e que falou uma coisa muito engraçada e sagaz durante o exame de faixa vai te fazer, por dois segundos esquecer a tua tristeza. Quem sabe até depois das bobagens que vamos falar tomando café ou bebendo cerveja tu não volte a olhar teus problemas de um jeito que te faça sentir menos sobrecarregado. Eu sei, eu também choro! Aliás, a primeira coisa que faço é chorar! Até aproveito para perguntar aos amigos que entendem de astrologia, isso seria por causa do meu marte em câncer????? Primeiro eu choro, depois eu brigo e depois eu choro de novo, porque sei lá...
E é justamente porque eu choro que me coloco aqui como um ombro pra ti chorar se quiser! Tenho pra ti um abraço acolhedor, mesmo que seja pelo zap, juro que prometo que faço o melhor para que te sintas acolhido! E se não quiser falar nada, rir de nada, nem chorar e quiser apenas ficar quieto também estou aqui, te percebendo, mandando uma boa vibração, fazendo uma prece e até pesquisando ervas, simpatias e assemelhados pra que tu consigas te re-energizar, te fortalecer e até arrumar um emprego.
Estou aqui pra ouvir as novidades, me alegrar com as tuas conquistas e recordar as coisas boas (e não tão boas!) do passado! Tô aqui pro que der e vier, com ou sem novidades!
Não estava sabendo muito bem sobre o que escrever hoje e essas palavras me vieram assim uma seguida da outra, uma grande inspiração! Fui eu quem escreveu, mas com certeza quem me inspirou sabe que, algum de vocês que me leem talvez precise do meu carinho, abraço, ombro ou acolhimento. Portanto, chama aí, não te acanhe!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Após a Chuva - Lygia Barbiére -

Sabemos que não existem coincidências na vida! Todo o acontecimento tem algum propósito! Seja o sorriso de um estranho na rua, o ônibus que passou antes ou aquele livro que vira e mexe alguém fala pra gente ou a aparece no feed de notícias como sugestão de leitura! No meu caso o livro que vem e vai é "Mulheres que correm com os lobos"! Tem aparecido demais pra mim nas mídias sociais! Até no livro "Após a chuva", que estou lendo atualmente! Neste trabalho da Lygia o livro é objeto de um grupo de estudos frequentado pelas personagens principais, Laíssa, Joaquim, Najla e Caio!
A história principal é a de Laíssa, uma psicóloga que descobre, no dia do seu aniversário de casamento (ou seria namoro?), que o marido a traía. Daí em diante sua vida dá uma guinada e ela não só muda sua vida e relacionamento, mas se aprofunda na sua própria história e questões emocionais.
Com ajuda dos amigos Najla, Caio e Christel descobre mais sobre si mesma do que poderia imaginar! Nunca havia passado pela sua cabeça que a consulta atípica de sua paciente Tereza, daria tantos desdobramentos na sua análise sobre a paciente e também na sua autoanálise! Na história Laíssa sempre se depara com o livro "Mulheres que amam demais" e toda vez que ele lhe cai nas mãos ela, por algum motivo, o coloca de lado. Até que  ao ajudar a amiga Najla numa pesquisa para o doutorado se depara com o livro e, desta vez, decide lê-lo.  E percebe que todas as evasivas que teve para evitá-lo estava justamente no seu inconsciente, pelo fato de intuitivamente saber pressentir que tinha muitas características das mulheres que amam demais. Por isso acabava evitando de enfrentar seus próprios sentimentos, repelindo o livro pelo título que lhe causava má impressão.
O tema central deste romance da Lygia Barbiére são os sedutores e suas "vítimas", mulheres que de forma geral amam demais. Ambas características são síndromes psicológicas que vão se formando durante muito tempo no inconsciente. Joaquim é o sedutor, aquele que seduz, que ama estar apaixonado, fazer com que as mulheres se apaixonem, mas que não consegue amar! Num primeiro momento nenhuma das personagens percebe que estas características da vida física
são consequências  e causas de situações espirituais.
O livro fala de questões bem atuais como redes sociais e também traz muito embasamento teórico sobre as síndromes, os desajustes e  bastante referencias de livros e estudos para quem ficar curioso sobre o tema. Ainda não terminei a leitura, mas acredito que logo terei que ler "mulheres que correm com os lobos", afinal, não é por acaso que ele surge e ressurge na minha vida! Certamente tem algo nele que preciso aprender!

segunda-feira, 24 de junho de 2019

"Deus te abençoe!"

Toda vez que eu escrevo ou digo a frase "Deus abençoe" confesso que me sinto um pouco velhinha! Quando criança eu muito escutei essa frase vinda de pessoas bem mais velhas do que eu! Geralmente mulheres na posição de avó ou tia, ou senhorinhas que se encontrava na rua! Naquela época, óbvio, não entendia a intensidade e a extensão desta frase, a significação e o desejo de quem diz pra outra pessoa "Deus te abençoe"! Só com os anos, com a compreensão do quanto nosso pensamento é poderoso e o quanto nossas palavras "solidificam" esses pensamentos é que consegui entender todo o amor que aquelas mulheres transmitiam pros outros com esta frase! Talvez para algumas fosse apenas uma expressão decorada, de praxe em situações sociais, como ocorria com alguns tios, quando era obrigatório "tomar a benção"!  Eu nunca fui obrigada a beijar mão de ninguém e pedir benção, mas minha mãe conta que tinha que fazer isso e vejo como se distorcem as coisas com o passar do tempo, com imposições que fazem algo forte perder o sentido.
É como dizer "eu te amo" sem ter o sentimento! Assisti um filme uma vez que o cara questionava o dizer "eu te amo" num relacionamento a todo momento. Ele dizia que no final das contas dizer pra alguém "eu te amo" tantas vezes era como dizer "sanduíche de queijo"! Penso que, se a frase é dita sem sentimento a todo momento, no final das contas,  sim ela perde o significado e o sentido. Como pedir a benção! Mas se aquela frase é dita com amor realmente e é envolvida em atos que afirmem este amor ela não perderá sentido, pelo contrário, ganhará força!
Agora eu adotei o "Deus te abençoe" e uso muito porque é uma expressão que demonstra todo o amor e o sentimento que tenho pelas pessoas que amo! Desejar saúde, paz, amor, felicidade, prosperidade, realizações, alegrias, enfim todos estes desejos que tornariam a vida de alguém realmente feliz pode ser trocada pela frase "Deus te abençoe"! Porque é Ele quem nos permitirá sermos felizes na nossa totalidade (felicidade possível neste planeta de provas e expiações)! Porque esta frase dita com todo o sentimento de que aquela pessoa seja abençoada envolve tanta coisa e tanto sentimento que nossa capacidade humana ainda não é capaz de dimensionar. Quando desejo a meus sobrinhos que Deus os abençoe estou desejando de todo o meu ser que eles tenham o melhor, que tenham proteção, luz, harmonia, paz, que tenham saúde, fé, coragem, sabedoria, amor, paciência... entendem? É tanta coisa que eu desejo a alguém que amo que para conseguir desejar tudo teria que usar uma centena de palavras e expressões. Mas usando a benção de Deus eu desejo tudo isso e muito mais, principalmente sem a possibilidade de esquecer algum bom  e importante desejo!
E porque tô falando isso?! Porque dependendo de pra quem eu desejo sinto um pouco de constrangimento! Mas ao mesmo tempo quero que as pessoas passem a usar essa expressão com toda a força que ela tem! Não sou eu quem abençoa  é Deus e ele transmite através dessa benção o amor em todas as nuances e toda a complexidade que eu tenho pela minha família, pelos meus amigos e por toda a nossa família universal! Que Deus nos abençoe e inspire a viver de forma coerente e harmônica! Amar alguém é uma benção, ser amado é uma benção ainda maior!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

As pessoas não querem justiça, querem vingança!

Sempre fiquei muito impressionada com as pessoas criticando os direitos humanos! Aquela cobrança irracional da falta dos direitos humanos junto das famílias que haviam perdido um ente amado para a violência de um crime ao invés do clamor pela justiça me causava (e causa!) um grande desassossego! Até já fiz um texto aqui falando sobre isso!
Atualmente, com o presidente eleito, a situação de revolta contra os direitos humanos (e até contra  qualquer tipo de humanidade e empatia) parece que cresceu. Desde sempre o atual presidente bateu duramente contra os direitos humanos vociferando "que protegiam bandidos" e defendendo que sua candidatura e futuro governo seria em prol dos "cidadãos de bem", por isso defendia a flexibilização do porte de armas, entre outras coisas. Essa visão completamente equivocada do que são Direitos Humanos, Justiça e cidadãos de bem se contrapõe diretamente aos princípios do Cristo, que alguns destes seguidores destes governantes dizem seguir.
Na última semana tivemos a notícia do vazamento de mensagens entre o atual ministro da Justiça, juiz Sergio Moro e do procurador Deltan Dallagnol responsável pelas investigações da lava-jato. Conversas estas que indicavam um grande acordo e parceria para que provas fossem ignoradas ou indícios de provas fossem supervalorizados para que a prisão de Lula fosse realizada. Não vou entrar no mérito do que discutiram, acordaram ou tramaram contra o ex-presidente e outros investigados. Mas destaco que esta conversa é grave e não deveria acontecer pois demonstra que a Justiça não é isenta, não segue a "letra fria da lei" como defendem os eleitores do atual governo.
Vi pessoas defendendo a atitude do juiz e do procurador com o argumento de que o que estavam fazendo era para "prender bandidos"! E foi neste momento que percebi que as pessoas odeiam os Direitos  Humanos porque não querem Justiça, mas sim vingança! Sim, são pessoas que defendem a pena de morte, que aceitam a tortura e que pensam que se uma pessoa tá presa é porque fez alguma coisa errada. Não passa pela cabeça destas pessoas que se um juiz e um promotor se conchavam para manipular uma situação contra uma pessoa conhecida e poderosa como um ex-presidente, por exemplo, tem todas as possibilidades de agir da mesma forma contra um qualquer, como eu, ou como vocês, que não tem uma dinheirama para pagar bons advogados.  Eu não tenho! Eu sei que a lei é igual para todos, mas que a Justiça não é, porque quando tu não tem condições de ter um bom profissional para te defender tuas chances de sair de uma situação talvez seja bem difícil. Já quem tem dinheiro, por exemplo, pode conseguir um habeas corpus muito mais rápido. Tem gente que só vai prestar explicações na delegacia, enquanto outros vão direto pro xilindró.
Como a esmagadora maioria das pessoas que eu conheço e que vivem neste país são pobres não compreendo o porquê de defenderem este tipo de atitude ilegal! Ou melhor, não compreendia, mas depois dos argumentos para defesa e de toda a raiva contra os direitos humanos eu entendi. As pessoas querem se vingar daqueles que consideram bandidos, criminosos!
Elas não querem que seja feita justiça para seus entes queridos que sofreram violência! Elas querem ver o sofrimento, a dor, a agonia daquele que cometeu o erro, que praticou a violência. E acreditam-se superiores, creem-se cheios do bem, mesmo defendendo o mal do outro. Para estas pessoas o mandamento de Jesus é impossível, não é nem considerado! Imagina se alguém que é contra os direitos humanos conseguirá pensar na ideia de  "perdoar um inimigo", que dirá amar!
O que mais me entristece em tudo isso é que justamente usam o nome de Jesus para justificar suas atitudes preconceituosas e cheias de ódio. Usam o nome do Cristo que é só amor para justificar violência e morte!
Eu concordo que quem comete um crime deve ser responsabilizado por seu erro. Mas temos leis para isso! Não posso, sendo realmente uma admiradora de JC, concordar com o ódio e a vingança! Tá lá no Evangelho, tá nas palavras e, principalmente, está nos exemplos do Mestre! Ele nos deu apenas dois mandamentos "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos". A gente vem falindo porque seguimos ideias distorcidas destes mandamentos! Ainda não aprendemos a amar incondicionalmente as pessoas, sem querer nada em troca, sem cobranças. Pra algumas pessoas é difícil perdoar os filhos ou os pais que cometeram algum erro com eles, imagina se conseguirão pensar em perdoar inimigos?! Façamos como nos ensinou Francisco de Assis, comecemos as mudanças pelo possível, pelo que conseguimos, comecemos amando aqueles que estão próximos, perdoando-os como queremos ser perdoados e depois a gente dá o próximo passo! Tentemos nos desarmar da raiva, do ódio, da vingança. Jesus nos ensinou tanto, vamos seguir seu exemplo!
E sejamos coerentes! Não façamos aos outros o que não queremos que nos façam! Vamos exigir justiça, mas que seja igual pra todos! Que seja para mim e para o outro! Nada de dois pesos e duas medidas! Que sejamos mesmo todos iguais perante a lei. E se aquele cara que a gente admira por algum motivo pisar na bola, que ele pague como aconteceria comigo ou com meu vizinho! Essas mudanças começam na gente!

sexta-feira, 14 de junho de 2019

"Que não seja imortal, posto que é chama"

Eu tive vários relacionamentos que se dividiram entre namoros, ficadas, casos e paixonites que duraram uma noite e nada mais. Muitos, a maioria destes relacionamentos foram importantes pra mim, mas eu sabia que não daria em nada, que não passaria daquelas horas juntos. De alguns ficou a amizade, de outros restou só a lembrança! Aliás tem uns que a pessoa parece que evaporou, nunca mais vi ou ouvi falar. Mas cumpriram os papéis de me ensinar a amar a mim mesma antes de qualquer outra pessoa!
De todos estes envolvimentos amorosos apenas dois eu acreditei que seria "pra sempre"! O primeiro e o último. Nada dessa ideia de que o melhor ainda está por vir! Nada deste tipo! Acreditei que o primeiro e o último (ou o mais recente) seriam pra sempre pelo sentimento que eu tinha por aqueles caras! O primeiro uma graça alcançada pela intervenção do Senhor do Bonfim! Conheci na Bahia um ser humano que morava em Brasília e por quem me apaixonei a primeira vista! A sensação é de que já o conhecia há anos, nos demos super bem de cara. Mas a distância acabou com o namoro!
O relacionamento que estava, do qual ainda vivo o luto, também acreditei que seria pra sempre! Este foi uma graça alcançada através do santo facebook. hahaha Já nos conhecíamos pessoalmente, nos falamos de passada quando fomos vizinhos e no face nos re-encontramos. Existia uma conexão grande entre nós. E eu ainda tenho sentimentos de amor, carinho e amizade por ele. Mas não é mais recíproco, não tá mais confortável ficar junto porque dói! Eu sei que alguns relacionamentos são de ajustes, são pras pessoas se encontrarem, se amarem, aprender juntos e depois serem felizes da forma como devem ou precisam em outras situações. Isso não quer dizer  que não doa!
Dói bastante! E cada momento desta separação vem sendo um passo para a minha própria transformação. Constatar que havia acabado foi difícil, separar as coisas, perceber que agora não tem mais a volta daquele companheiro foi uma cacetada dolorida, contar pra minha família e depois sair do grupo da família do outro, contar da separação, dizer o quanto dói e como sinto aquele rompimento e o afastamento com todos foi uma grande barra e tão duro quanto a decisão de romper o relacionamento no primeiro momento! Por isso fiquei tanto tempo enrolando para sair do grupo! Sabia que o outro não havia compartilhado nada com seus familiares e que sair implicaria em dar as explicações que ele não deu! No final tive de fazer tudo, mesmo contra minha vontade, mas ficar mantendo aquela situação estava insustentável, porque pro outro parecia que eu estava apenas blefando.  Pelo menos esta foi a impressão que tive!
Agora é acostumar com a ideia e a falta do meu ex-namorado. E aqui vai mais uma etapa, que provavelmente só vai se concluir no final do mês. É meu primeiro término em etapas! E dói do mesmo jeito e quando a gente pensa que passou vem outra dificuldade que não foi considerada! Mas seguimos!
Nesse momento não passa na minha mente a possibilidade de um novo relacionamento! Estou tentando aprender o que de fato é o "pra sempre"! Independente de entender ou não o que isso significa sigo lembrando das palavras do poetinha no seu "Soneto de  fidelidade". E creio que foi infinito enquanto durou e por ter tido esta oportunidade agradeço!

Vinicius de Moraes



De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.