O tio da pipoca, ou o tio do picolé. Não importa, ele vende alegria em saquinho ou no palito e isto é que é importante. Para consumir esta alegria, ou melhor para sentir tudo isto, basta deixar a criança interior falar.
Este tio é meu amigo de muito tempo! Quando eu estudava no CAVG ele sempre ia, inverno e verão, vender suas alegrias em porção. No inverno pipoca quentinha! No verão sorvetes e picolés.
Agora ele está trabalhando na frente do colégio Gonzaga. Continua comercializando os mesmos produtos, pequenas alegrias para pequeninos clientes. Sempre que passo por ali bato um papo com ele.
E a ideia sempre se reforça, como pode tanta alegria caber em um saquinho!
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Se eu fosse a Geni...
Estava contando a uma amiga uma situação que me aconteceu. O término de um "caso amoroso" no qual eu estava no caso e o outro não. Por um tempo as coisas me satisfaziam, mas faltava alguma coisa, eu queria mais, mas ele não queria o mais comigo. Sou muito honesta comigo e com os outros, então amigavelmente contei o que sentia por ele e como estava insatisfeita com o desamor que recebia. Queria que fosse de outro jeito ou não seria de jeito nenhum, no final das contas eu estava sozinha (mesmo acompanhada).
Ele então me perguntou com certo desdém: "tu queres namorar?". Na hora nem tive o insight. Só respondi que sim e se havia algo errado nisto.
Muitos meses, talvez anos, a sinapse se completou e me senti ainda triste, me senti uma Geni, que serve pra muita coisa (pra cuspir, pra transar, pra pegar na rua, pra salvar a cidade), mas não serve pra ser a mulher de alguém ou a namorada. Só que eu não sou Geni, humilde e boa, porque sim ela é cheia de bondade e é resignada. Ela engole "seu capricho" e pelo bem de todos se deita com o general ainda que preferisse "amar com os bichos", salvando a cidade que tanto a maltratava. Eu pensei... se eu fosse a Geni vocês estavam f****** porque eu diria pro general, joga logo uma bomba na cidade pois não vou deitar contigo.
Adoro Chico Buarque, desde criança. Vivia cantando "Morena de Angola" pela casa e dançando que nem doida como se tivesse os chocalhos amarrados nas canelas. A gente nunca cantava "Geni e o Zepelim" por causa da minha tia Geni. Eu não entendia porque, afinal a Geni era a heroína da cidade, salvava todo mundo apesar da ignorância e da ingratidão daquele povo cretino e hipócrita.
Entendia menos ainda a resignação (mas eu não sabia que esta era a palavra) e a humildade da Geni. Não compreendia como podia se submeter a tais afrontas e absurdos, colocar-se tão abaixo sendo ela muito melhor do que todos aqueles poderosos que foram em romaria a sua casa beijar sua mão e pedir pela sua salvação. Muito tempo depois fui perceber que isto é uma característica das pessoas genuinamente boas.
Geni é muito melhor que eu também. Porque se fosse eu no lugar dela não salvaria ninguém daquele lugar. Mas Geni "ela é um poço de bondade", eu não. E ainda que pague o preço de tais decisões prefiro a consciência tranquila e a paz de espírito de me respeitar (já que outros não respeitam) a ter minha mão beijada num dia e receber uma cusparada no outro. Disse pra minha amiga que se eu fosse a Geni entrava no Zepelim e ajudava o general a acabar com a cidade. Mas sabendo da essência de bondade dela acho que agiria muito mal fazendo isto... é que ela é muito melhor que eu. Ela é muito melhor que muitos de nós.
Quanto ao meu caso... não, não joguei uma bomba do zepelim na cabeça dele não. Acabou e (para seguir com a trilha do Chico Buarque) pude ver a cara dele "ao sentir que sem ele eu passo bem demais/ E que venho até remoçando"...
Ele então me perguntou com certo desdém: "tu queres namorar?". Na hora nem tive o insight. Só respondi que sim e se havia algo errado nisto.
Muitos meses, talvez anos, a sinapse se completou e me senti ainda triste, me senti uma Geni, que serve pra muita coisa (pra cuspir, pra transar, pra pegar na rua, pra salvar a cidade), mas não serve pra ser a mulher de alguém ou a namorada. Só que eu não sou Geni, humilde e boa, porque sim ela é cheia de bondade e é resignada. Ela engole "seu capricho" e pelo bem de todos se deita com o general ainda que preferisse "amar com os bichos", salvando a cidade que tanto a maltratava. Eu pensei... se eu fosse a Geni vocês estavam f****** porque eu diria pro general, joga logo uma bomba na cidade pois não vou deitar contigo.
Adoro Chico Buarque, desde criança. Vivia cantando "Morena de Angola" pela casa e dançando que nem doida como se tivesse os chocalhos amarrados nas canelas. A gente nunca cantava "Geni e o Zepelim" por causa da minha tia Geni. Eu não entendia porque, afinal a Geni era a heroína da cidade, salvava todo mundo apesar da ignorância e da ingratidão daquele povo cretino e hipócrita.
Entendia menos ainda a resignação (mas eu não sabia que esta era a palavra) e a humildade da Geni. Não compreendia como podia se submeter a tais afrontas e absurdos, colocar-se tão abaixo sendo ela muito melhor do que todos aqueles poderosos que foram em romaria a sua casa beijar sua mão e pedir pela sua salvação. Muito tempo depois fui perceber que isto é uma característica das pessoas genuinamente boas.
Geni é muito melhor que eu também. Porque se fosse eu no lugar dela não salvaria ninguém daquele lugar. Mas Geni "ela é um poço de bondade", eu não. E ainda que pague o preço de tais decisões prefiro a consciência tranquila e a paz de espírito de me respeitar (já que outros não respeitam) a ter minha mão beijada num dia e receber uma cusparada no outro. Disse pra minha amiga que se eu fosse a Geni entrava no Zepelim e ajudava o general a acabar com a cidade. Mas sabendo da essência de bondade dela acho que agiria muito mal fazendo isto... é que ela é muito melhor que eu. Ela é muito melhor que muitos de nós.
Quanto ao meu caso... não, não joguei uma bomba do zepelim na cabeça dele não. Acabou e (para seguir com a trilha do Chico Buarque) pude ver a cara dele "ao sentir que sem ele eu passo bem demais/ E que venho até remoçando"...
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Nó
Tem dias que o nó aperta!
No cadarço,
na gravata...
na garganta,
no estômago,
nas tripas,
no peito.
E só afrouxa quando a lágrima rola,
o suspiro desamarra o grito que escapa,
o pé fica descalço,
a gravata sai da gola.
Tem dias que se sente o cansaço,
que se sente a saudade,
que parece faltar um pedaço.
Ás vezes falta um laço,
falta força, falta ar,
quando o nó aperta demais
precisamos lembrar que somos mais,
temos que lembrar que somos nós.
No cadarço,
na gravata...
na garganta,
no estômago,
nas tripas,
no peito.
E só afrouxa quando a lágrima rola,
o suspiro desamarra o grito que escapa,
o pé fica descalço,
a gravata sai da gola.
Tem dias que se sente o cansaço,
que se sente a saudade,
que parece faltar um pedaço.
Ás vezes falta um laço,
falta força, falta ar,
quando o nó aperta demais
precisamos lembrar que somos mais,
temos que lembrar que somos nós.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Releituras
Reler alguma coisa sempre se pressupõe um conhecimento prévio. Já se sabe do que trata o texto, o livro, a pessoa. Embora eu ame muitos livros de paixão, poucos são aqueles que eu releio. Aos que volto, volto pelo prazer descarado de reencontrar aquelas personagens. Sim, assim como eu "amarro" a leitura para não ter que me separar deles quando percebo que o livro está nas páginas finais, alguns volto a ler só pra encontrar aqueles personagens, lembrar que havia criado um som pr'aquela risada, um cheiro pr'aquela cena, um frio na barriga pr'aquela tórrida noite de amor.
Com o grupo de literatura, que criei com algumas amigas, acabei relendo este ano três livros. Livros que amei ler e reler também. Até pensei que sentiria as mesmas coisas em relação as personagens. Mas me surpreendi. N'algumas releituras me apaixonei ainda mais por alguns personagens, vi situações de forma mais clara noutras e até simpatizei com certas características de outros.
O primeiro foi O pequeno príncipe, que já reli inúmeras vezes sem nenhum motivo externo, só a vontade de "ouvir" novamente a risada gorda do principezinho! A primeira vez que o li era criança ainda e não lembro bem o que pensei a respeito. Das primeiras vezes que reli sempre fiquei com uma ideia que já tinha, mais a respeito de tudo que o principezinho trazia é que tínhamos que refletir, pensar, filosofar. Como se ele fosse uma pessoa adulta, só que com aparência de criança. Acho que a ideia de filosofar me levou pra isto. Desta última compreendi o entendimento daquele príncipe guri sobre a vida, o nosso aprendizado na terra e principalmente enxerguei a questão espiritual. Uma ideia que me veio de que Exúpery sabia que o espírito é imortal e como diz no livro o corpo é só uma casca pesada que não nos permite voar de volta pro nosso pequeno asteroide. Não tive nenhuma nova impressão sobre o livro, apenas acrescentei questões que não captei das outras vezes pela minha própria imaturidade na época. Compreendi claramente a importância de cuidar muito bem da nossa criança interior, pois é ela que nos impulsiona na busca da felicidade e dos nossos sonhos. É quem nos encoraja!
A segunda releitura foi O amor nos tempos do cólera. Havia lido há bastante tempo. Pensava, até concluir a leitura, que minha interpretação do livro estava equivocada, porque nunca percebi o amor de Fermina Daza e Florentino Ariza como aquele amor a que o título se refere. Pelo contrário, sempre vi, da parte do Florentino uma obsessão pela mulher, que ficava em suspenso a cada caso que começava desde a gloriosa noite em que foi abusado no navio. Dela nunca percebi muito amor ou mesmo carinho por ele.
Para mim O amor nos tempos do cólera é a construção do bonito amor entre Juvenal Urbino e Fermina Daza. Em nenhuma das duas leituras me senti atraída por Florentino! Acho-o fraco, ainda que profundamente apaixonado. Mesmo que se entregue as paixões sem medo ou reservas.
Sem dúvida é uma linda história de amor, ou melhor duas, ou várias.
Minha intenção não é criticar nada, pois não sou crítica literária ou de cinema. E não critico nenhuma vírgula do que Gabo escreveu. Amo sua forma de escrever! Sou fã incondicional! Ainda que não tenha me apaixonado por Florentino Ariza, como me apaixonei por José Arcádio Buendía gostei muito de várias lições do livro, entre a mais importante é que NÃO HÁ IDADE PARA O AMOR.
Comparando com o filme confesso que fiquei decepcionada. Muitas coisas que considerei super importantes no livro se quer foram citadas no filme. Personagens importantes foram ignorados!
Atualmente estou relendo O caçador de pipas. Da primeira vez que li tive uma visão de tudo, principalmente do egoísmo e ciúme de Amir em relação a Hassan, muito diferente da que estou tendo hoje. Fui surpreendida pela História dos afegãos, pela visão de uma criança afegã, da atuação dos russos naquele território, a violência da guerra, os preconceitos e o ódio tão arraigado contra pessoas minimamente diferentes entre si. E além de todos os grandes problemas dos adultos (que afetavam também as crianças que não entendiam direito tudo aquilo de política), ainda tinha as coisas da infância, as necessidades de crescer, aprender, estudar, brincar e os garotos maiores que sempre amedrontavam os pequenos.
Sinto o mesmo peso no peito em relação aos abusos e sofrimentos vividos por Hassan. E, ainda que veja Amir mais egoísta, também compreendo os motivos que o levam a tal egoísmo e a angústia que sentia por se sentir mau. Mas ainda não chorei, como pensei que choraria de novo.
Os três livros são muito bem vistos literariamente. O primeiro um clássico da literatura. O segundo chega a ser dos mais cultuados pelos fãs de Gabriel García Márquez, mas meus favoritos dele são outros. E o terceiro um retrato da nossa história recente. Sim, da nossa história, pois o mundo é a nossa casa. Mesmo que ignoremos o que aconteceu no beco escuro por medo ou vergonha, ainda assim o acontecimento irá mexer conosco.
Estou amando o grupo de literatura, os livros, os filmes, os debates e as conversas sobre os livros e os autores. Ler é um ótimo exercício! Tenho uma "pequena" lista de releituras, entre elas Cem anos de solidão, mas como ainda tenho muitos livros que são as primeiras leituras estou cultivando a saudade dos Buendía.
Com o grupo de literatura, que criei com algumas amigas, acabei relendo este ano três livros. Livros que amei ler e reler também. Até pensei que sentiria as mesmas coisas em relação as personagens. Mas me surpreendi. N'algumas releituras me apaixonei ainda mais por alguns personagens, vi situações de forma mais clara noutras e até simpatizei com certas características de outros.
O primeiro foi O pequeno príncipe, que já reli inúmeras vezes sem nenhum motivo externo, só a vontade de "ouvir" novamente a risada gorda do principezinho! A primeira vez que o li era criança ainda e não lembro bem o que pensei a respeito. Das primeiras vezes que reli sempre fiquei com uma ideia que já tinha, mais a respeito de tudo que o principezinho trazia é que tínhamos que refletir, pensar, filosofar. Como se ele fosse uma pessoa adulta, só que com aparência de criança. Acho que a ideia de filosofar me levou pra isto. Desta última compreendi o entendimento daquele príncipe guri sobre a vida, o nosso aprendizado na terra e principalmente enxerguei a questão espiritual. Uma ideia que me veio de que Exúpery sabia que o espírito é imortal e como diz no livro o corpo é só uma casca pesada que não nos permite voar de volta pro nosso pequeno asteroide. Não tive nenhuma nova impressão sobre o livro, apenas acrescentei questões que não captei das outras vezes pela minha própria imaturidade na época. Compreendi claramente a importância de cuidar muito bem da nossa criança interior, pois é ela que nos impulsiona na busca da felicidade e dos nossos sonhos. É quem nos encoraja!
A segunda releitura foi O amor nos tempos do cólera. Havia lido há bastante tempo. Pensava, até concluir a leitura, que minha interpretação do livro estava equivocada, porque nunca percebi o amor de Fermina Daza e Florentino Ariza como aquele amor a que o título se refere. Pelo contrário, sempre vi, da parte do Florentino uma obsessão pela mulher, que ficava em suspenso a cada caso que começava desde a gloriosa noite em que foi abusado no navio. Dela nunca percebi muito amor ou mesmo carinho por ele.Para mim O amor nos tempos do cólera é a construção do bonito amor entre Juvenal Urbino e Fermina Daza. Em nenhuma das duas leituras me senti atraída por Florentino! Acho-o fraco, ainda que profundamente apaixonado. Mesmo que se entregue as paixões sem medo ou reservas.
Sem dúvida é uma linda história de amor, ou melhor duas, ou várias.
Minha intenção não é criticar nada, pois não sou crítica literária ou de cinema. E não critico nenhuma vírgula do que Gabo escreveu. Amo sua forma de escrever! Sou fã incondicional! Ainda que não tenha me apaixonado por Florentino Ariza, como me apaixonei por José Arcádio Buendía gostei muito de várias lições do livro, entre a mais importante é que NÃO HÁ IDADE PARA O AMOR.
Comparando com o filme confesso que fiquei decepcionada. Muitas coisas que considerei super importantes no livro se quer foram citadas no filme. Personagens importantes foram ignorados!
Atualmente estou relendo O caçador de pipas. Da primeira vez que li tive uma visão de tudo, principalmente do egoísmo e ciúme de Amir em relação a Hassan, muito diferente da que estou tendo hoje. Fui surpreendida pela História dos afegãos, pela visão de uma criança afegã, da atuação dos russos naquele território, a violência da guerra, os preconceitos e o ódio tão arraigado contra pessoas minimamente diferentes entre si. E além de todos os grandes problemas dos adultos (que afetavam também as crianças que não entendiam direito tudo aquilo de política), ainda tinha as coisas da infância, as necessidades de crescer, aprender, estudar, brincar e os garotos maiores que sempre amedrontavam os pequenos.Sinto o mesmo peso no peito em relação aos abusos e sofrimentos vividos por Hassan. E, ainda que veja Amir mais egoísta, também compreendo os motivos que o levam a tal egoísmo e a angústia que sentia por se sentir mau. Mas ainda não chorei, como pensei que choraria de novo.
Os três livros são muito bem vistos literariamente. O primeiro um clássico da literatura. O segundo chega a ser dos mais cultuados pelos fãs de Gabriel García Márquez, mas meus favoritos dele são outros. E o terceiro um retrato da nossa história recente. Sim, da nossa história, pois o mundo é a nossa casa. Mesmo que ignoremos o que aconteceu no beco escuro por medo ou vergonha, ainda assim o acontecimento irá mexer conosco.
Estou amando o grupo de literatura, os livros, os filmes, os debates e as conversas sobre os livros e os autores. Ler é um ótimo exercício! Tenho uma "pequena" lista de releituras, entre elas Cem anos de solidão, mas como ainda tenho muitos livros que são as primeiras leituras estou cultivando a saudade dos Buendía.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Dia de amar seu corpo - Love your body
Este ano eu conheci uma pessoa muito especial. Eu costumo dizer que tem gente que eu gosto de graça. É assim, olhei, pronto, já gostei. Tem outras que nem com reza braba! Mas faz parte da evolução do nosso espírito passar por estes aprendizados e saber lidar bem, também com estas antipatias gratuitas. Sim, tanto gostar quanto não gostar tem explicação. Mas não vou explicar aqui não. Porque vim para falar de uma pessoa muito especial que conheci este ano e me ensinou muitas coisas através de seus dramas e sofrimentos pessoais. E ensinou-me ainda mais coisas com seus olhos brilhantes, seu sorriso de pérola, seu jeito meigo e a sua força.
Esta pessoa tão especial tem uma história de vida rica, cheia de altos e baixos e de muita superação também. Ela própria, é bem provável, que não se considere uma pessoa tão especial assim, porque luta consigo mesma. A luta se apresenta com marcas (talvez algumas irreversíveis) no corpo e no tratamento para superar um transtorno alimentar, que coloca sua vida em risco e demonstra o seu desconforto com ele.
Não posso falar do que ela sente. Mas posso e sinto que devo dizer o bem que sua forma de sentir e amar as coisas mudou em mim.
Por causa desta pessoa tão especial fui pesquisar e saber como funciona e o que leva uma pessoa a um TA. Confesso que é bem complexo e difícil de entender. Para mim que relaciono, sempre, a extrema magreza a fome e a miséria, é bem complicado compreender todo o mecanismo que leva a estes transtornos. Mas conviver com esta pessoa tão especial me fez perceber que, ao contrário do que podia imaginar, estas pessoas sofrem muito. Sofrem por não conseguirem ver que seu corpo é uma pequena parte do todo que elas são. Padecem de uma tortura covarde em busca de um corpo de boneca Barbie. Sofrem ao serem bombardeadas por uma ideia de que a felicidade só é alcançada com um corpo magro e esguio.
Já sofri por pensar que era muito gorda. Agora olho as fotos daquela época e me pergunto aonde estava com a cabeça? E quando era criança meus pais brigavam comigo para comer e reclamavam o fato de eu ser magrela. Já passei por várias fases, fui bem magra até meus 9 anos de idade, quando comecei a menstruar, daí veio a adolescência, os hormônios e as calças tamanho 40. Fui morar sozinha e a saudade e a distância eram descontadas nas guloseimas e comidinhas. Então chegaram as calças tamanho 42. Há um ano atrás cheguei aos 64 quilos. Mas ao contrário do pânico que tinha com estes números da balança na adolescência, passei a me amar mais.
Não sei ao certo o que deu o start, se foi a minha busca por paz de espírito ou se foi a auto aceitação mesmo. Sei que o primeiro passo foi parar de fazer coisas que não gostava, deixar de lado aqueles desagrados que fazia comigo mesma. Neste exercício resolvi não pintar mais meu cabelo e deixá-lo na cor natural. Decidi que mesmo acima do peso, bem acima, ia participar da apresentação de dança do ventre. Sim, me apresentei com um ventre bem avantajado e nunca me senti tão bem. Como passava dos 30 e os joelhos estavam reclamando (e naquele vídeo do Pedro Bial sobre o filtro solar ele diz que precisamos cuidar dos nossos joelhos...) fui ao ortopedista e por fim na nutricionista.
Não espero que ninguém faça as coisas como eu, afinal... nem todo mundo é virginiana neurótica como eu, que pensa que tudo pode ser feito de forma organizada e mesmo dentro da desorganização há alguma lógica. Comecei o tratamento de reeducação alimentar vai fazer um ano e a cada dia que passa amo mais meu corpitcho. Não pelo corpo simplesmente, mas sim pelo aprendizado, por ter percebido que nós podemos nos tornar e fazer o que queremos desde que nos aceitemos.
Conhecer esta pessoa tão especial este ano me fez ver que muitas de nós colocamos no corpo o sofrimento que não conseguimos compreender. A guerra interior faz com que a gente se bombardei com pensamentos ruins sobre nóss mesmos, nos cega a ponto de não conseguir ver o que há de melhor na gente. Pegar na mão de outra pessoa que tá sofrendo estas angústias também nos ajuda a seguir adiante, buscando o melhor.
Queria poder dizer que meu encontro comigo mesma e meu encontro com esta pessoa tão especial este ano tivesse representado pra ela o mesmo que representou pra mim. Mas não posso.
Atualmente ela esta internada, buscando encontrar seu amor próprio, seu querer bem, sua paz. Meu pensamento a segue, na tentativa de fazer a ela o bem que ela me faz com sua amizade. Não sei se consigo, mas desejo muito.
Aprendi a amar meu corpo e estas buscas me ajudaram a me libertar de algumas ideias preconcebidas, preconceitos e pre-julgamentos. O corpo físico tornou-se apenas uma representação do que trago por dentro. Talvez alguns não consigam enxergar, e por isto valorizem tanto a embalagem, mas o conteúdo vou tentando qualificar a cada dia.
dia de amar seu corpo
Esta pessoa tão especial tem uma história de vida rica, cheia de altos e baixos e de muita superação também. Ela própria, é bem provável, que não se considere uma pessoa tão especial assim, porque luta consigo mesma. A luta se apresenta com marcas (talvez algumas irreversíveis) no corpo e no tratamento para superar um transtorno alimentar, que coloca sua vida em risco e demonstra o seu desconforto com ele.
Não posso falar do que ela sente. Mas posso e sinto que devo dizer o bem que sua forma de sentir e amar as coisas mudou em mim.
Por causa desta pessoa tão especial fui pesquisar e saber como funciona e o que leva uma pessoa a um TA. Confesso que é bem complexo e difícil de entender. Para mim que relaciono, sempre, a extrema magreza a fome e a miséria, é bem complicado compreender todo o mecanismo que leva a estes transtornos. Mas conviver com esta pessoa tão especial me fez perceber que, ao contrário do que podia imaginar, estas pessoas sofrem muito. Sofrem por não conseguirem ver que seu corpo é uma pequena parte do todo que elas são. Padecem de uma tortura covarde em busca de um corpo de boneca Barbie. Sofrem ao serem bombardeadas por uma ideia de que a felicidade só é alcançada com um corpo magro e esguio.
Já sofri por pensar que era muito gorda. Agora olho as fotos daquela época e me pergunto aonde estava com a cabeça? E quando era criança meus pais brigavam comigo para comer e reclamavam o fato de eu ser magrela. Já passei por várias fases, fui bem magra até meus 9 anos de idade, quando comecei a menstruar, daí veio a adolescência, os hormônios e as calças tamanho 40. Fui morar sozinha e a saudade e a distância eram descontadas nas guloseimas e comidinhas. Então chegaram as calças tamanho 42. Há um ano atrás cheguei aos 64 quilos. Mas ao contrário do pânico que tinha com estes números da balança na adolescência, passei a me amar mais.
Não sei ao certo o que deu o start, se foi a minha busca por paz de espírito ou se foi a auto aceitação mesmo. Sei que o primeiro passo foi parar de fazer coisas que não gostava, deixar de lado aqueles desagrados que fazia comigo mesma. Neste exercício resolvi não pintar mais meu cabelo e deixá-lo na cor natural. Decidi que mesmo acima do peso, bem acima, ia participar da apresentação de dança do ventre. Sim, me apresentei com um ventre bem avantajado e nunca me senti tão bem. Como passava dos 30 e os joelhos estavam reclamando (e naquele vídeo do Pedro Bial sobre o filtro solar ele diz que precisamos cuidar dos nossos joelhos...) fui ao ortopedista e por fim na nutricionista.
Não espero que ninguém faça as coisas como eu, afinal... nem todo mundo é virginiana neurótica como eu, que pensa que tudo pode ser feito de forma organizada e mesmo dentro da desorganização há alguma lógica. Comecei o tratamento de reeducação alimentar vai fazer um ano e a cada dia que passa amo mais meu corpitcho. Não pelo corpo simplesmente, mas sim pelo aprendizado, por ter percebido que nós podemos nos tornar e fazer o que queremos desde que nos aceitemos.
Conhecer esta pessoa tão especial este ano me fez ver que muitas de nós colocamos no corpo o sofrimento que não conseguimos compreender. A guerra interior faz com que a gente se bombardei com pensamentos ruins sobre nóss mesmos, nos cega a ponto de não conseguir ver o que há de melhor na gente. Pegar na mão de outra pessoa que tá sofrendo estas angústias também nos ajuda a seguir adiante, buscando o melhor.
Queria poder dizer que meu encontro comigo mesma e meu encontro com esta pessoa tão especial este ano tivesse representado pra ela o mesmo que representou pra mim. Mas não posso.
Atualmente ela esta internada, buscando encontrar seu amor próprio, seu querer bem, sua paz. Meu pensamento a segue, na tentativa de fazer a ela o bem que ela me faz com sua amizade. Não sei se consigo, mas desejo muito.
Aprendi a amar meu corpo e estas buscas me ajudaram a me libertar de algumas ideias preconcebidas, preconceitos e pre-julgamentos. O corpo físico tornou-se apenas uma representação do que trago por dentro. Talvez alguns não consigam enxergar, e por isto valorizem tanto a embalagem, mas o conteúdo vou tentando qualificar a cada dia.
dia de amar seu corpo
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Salve Jorge!
Sou devota de São Jorge. E por curiosidade do que iria rolar fui assistir o primeiro capítulo da nova novela da Glória Peres que sempre trata de algum tema de interesse público, neste caso o tráfico de mulheres. Confesso que não gosto muito da atuação da atriz Nanda Costa, não a acho convincente. Mas Rodrigo Lombardi e Flávia Alessandra já comprovaram seu talento. No primeiro capítulo, apenas, não dá pra saber se a Morena terá uma representação boa mesmo.
Não assisti toda a novela não, tenho certeza de que Glória Peres não é uma mulher machista (pelo menos penso isto). No entanto, a parte que vi a mocinha do folhetim diz a uma amiga que há uma estrela para ela, que está reservada e a fará brilhar e conquistar seus objetivos. No dia seguinte ela conhece Theo. Não gostei! Quer dizer que uma mãe solteira da favela só tem uma estrela que brilha se encontrar "um príncipe encantado" que a tirara daquela situação? Espero que a coisa melhore. Tem muita gente boa ali, tem temas interessantes e importantes de serem debatidos.
Não assisti toda a novela não, tenho certeza de que Glória Peres não é uma mulher machista (pelo menos penso isto). No entanto, a parte que vi a mocinha do folhetim diz a uma amiga que há uma estrela para ela, que está reservada e a fará brilhar e conquistar seus objetivos. No dia seguinte ela conhece Theo. Não gostei! Quer dizer que uma mãe solteira da favela só tem uma estrela que brilha se encontrar "um príncipe encantado" que a tirara daquela situação? Espero que a coisa melhore. Tem muita gente boa ali, tem temas interessantes e importantes de serem debatidos.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Frases de filmes que eu adoro!
Eu adoro livros e filmes. Algumas das frases que uso no meu dia-a-dia são cópias fiéis de falas de algum personagem. Outras me fazem entrar em êxtase só ao lembrar da cena e de toda a história da trama. Este é o caso da frase dita pela personagem Zoe Barry, irmã de Erica Barry, no filme "Alguém tem que ceder". A cena acontece na casa de Érica, quando ela entra e diz: "_ Trouxe uma coisa pra você da feira" e entra o lindo do Keanu Reeves com umas flores na mão. É uma das cenas que mais gosto! Óbvio que quem me conhece deve estar perguntando... e as frases do Jack Nicholson? Minha frase favorita dele, depois de "querida cheguei" n'O iluminado, é a declaração de amor que ele faz no filme "Melhor é impossível". Não tem como não se derreter por alguém que te diz, "Você me faz querer ser uma pessoa melhor". <3 span="span">3>
E existem muitas outras declarações de amor que ficam na nossa mente para sempre. Em Love Story surgiu a máxima de que "amar é nunca ter que pedir perdão". Talvez a grande maioria das frases que irão aparecer por aqui sejam de amor, como vocês verão nas fotos. Mas são máximas que fizeram total sentido no momento.
São tantos filmes... algumas frases me matam de rir, como a frase do João Grilo n'O auto da Compadecida:
"Estou cansado desta agonia de ficar rico, ficar pobre, ficar rico, ficar pobre" ou aquela do Chicó, que foi incorporada por muita gente, "não sei, só sei que foi assim".
No filme O discurso do Rei gargalhei sozinha quando ouvi o Rei George V falar a seu filho George VI, "que nenhuma mulher divorciada fará parte da família real". Foi impossível não rir da previsão falha dele, depois de conhecer a história de Camila Parker e do Príncipe Charles.
Não posso esquecer da maravilhosa declaração de Leléu após salvar o matador Frederico Evandro de um touro desembestado em Lisbela e o prisioneiro de que "corno e touro a gente pega pelo chifre".
Outras frases me fazem chorar como criança, este é o caso do poema Salgueiro Chorão, do filme Meu primeiro amor.
"Salgueiro chorão com lágrimas escorrendo;
Porque você chora e fica gemendo?
Será porque ele lhe deixou um dia?
Será porque ficar aqui, não mais podia?
Em seus galhos ele se balança;
E ainda espera a alegria que aquele balançar lhe dava;
Em sua sombra abrigo ele encontrou;
Imagina que seu sorriso jamais se acabou;
Salgueiro chorão pare de chorar;
Há algo que poderá lhe consolar;
Acha que a morte para sempre os separou;
Mas em seu coração para sempre ficou."
Também tem votos de casamento em incontáveis películas, como os votos de Page no filme "Para sempre". Achei muito singela a declaração dela, e a dele também.
Em meio as várias cartas do personagem Gerry em P.S. Eu te amo, esta despedida/declaração de amor é uma das mais bonitas. Gosto muito quando ele diz numa das cartas o quão colorida ela estava no dia que se conheceram.

E tem uma pixação maravilhosa que aparece n'O fabuloso destino de Amélie Poulain. Este filme é muitíssimo bonito, com tantas frases doces e bonitas, que escolhi duas, das que lembro mais claramente. "Sem você, a emoção de hoje seria pele morta da emoção do passado"
E também: "Uma mulher sem amor murcha como uma flor sem sol"
Fotos da internet
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