Mostrando postagens com marcador #LiteraturaECinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #LiteraturaECinema. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de agosto de 2014

Poesias para o domingo

A arte de perder

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério" Elisabeth Bishop






A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.
(Elizabeth Bishop)
(Do livro ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.)

Ambos os poemas acima são de Elisabeth Bishop, os mais atentos perceberão que é o mesmo, mas o que me causou curiosidade é a forma que cada um foi traduzido. Já havia lido a primeira versão, encontrada no site O pensador, mas o segundo... sei lá.. me pareceu mais fiel, embora entenda bem pouco inglês para dizer alguma coisa. Resolvi procurar alguns poemas dela por conta da curiosidade que fiquei depois de ler "Cartas de amor aos mortos" da Ava Dellaira. Então, o próximo passo para saber mais sobre esta mulher é assistir "Flores Raras", que perdi de ver no cinema, pois foi daqueles que ficaram apenas uma semana em cartaz e só. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

A leitura do mês de outubro do meu clube de literatura foi "Ensaio sobre a cegueira",  do José Saramago. Não é nenhuma novidade que ainda não conseguimos concluir a leitura, afinal já estávamos com a leitura anterior um pouco atrasada. Eu achava que precisaria muita atenção para conseguir acompanhar a saga das personagens e do enredo de Saramago, principalmente por conta do estilo do autor. Creio que um pouco desta preocupação se dá por eu ter tentado ler "Canoa de pedra" e não ter conseguido acompanhar todas as idas e vindas dos personagens.
Devo deixar claríssimo que o livro é magnífico. Com momentos fortes, é verdade, mas uma história muito envolvente e tocante. Em alguns momentos eu chorei, como não podia deixar de ser e o que não é novidade pra ninguém (chorona assumida). Ainda não conclui a leitura e fico até altas horas lendo curiosa para saber o que sucederá a seguir com aquelas sete personagens tão diferentes entre si.
Para quem não conhece a história do livro vou tentar resumi-la. A narrativa conta sobre uma cegueira branca que em pouco tempo torna-se uma epidemia. Os cegos e os possíveis contaminados são levados a um manicômio que estava fechado há alguns anos em quarentena. Com o passar dos dias mais e mais pessoas vão tornando-se portadoras da cegueira branca e com medo o governo tenta isolá-las até que todo o país está cego. É na luta pela sobrevivência que os doentes mostram e vivem o lado mais cruel desta luta. Alguns aproveitam a fraqueza dos cegos recentes para extorqui-los, não se sabe ao certo com que intuito, já que dinheiro e riqueza de nada adiantam no caos em que o país se encontra.
As personagens principais são formadas pelo núcleo dos primeiros a ficar cegos. O mais interessante na narrativa de Saramago, na minha opinião, claro, é o fato de nenhuma das personagens ter um nome. Sim, ele conta toda a história identificando as personagens por características físicas, por detalhes da aparência, pela profissão ou por outros detalhes que chamam atenção ao "visualiza-las". Semelhante a nossa narrativa do cotidiano, quando comentamos sobre situações e pessoas a quem não conhecemos intimamente, mas de quem sabemos histórias ou talvez tenhamos presenciado alguma situação que mais tarde mereça ser contada, como um vizinho novo, ou aquele do bloco ao lado que passeia com a cachorrinha.
Este núcleo de personagens demonstra toda a complexidade do ser humano, suas divergências, enfim. Mas é um grupo que não perdeu  toda a dignidade, não se entregou a selvageria ou deixou os instintos primitivos tomarem  conta das suas atitudes totalmente. É possível que o fato de um dos integrantes ainda possuir olhos para ver tenha ajudado, não se pode saber ao certo. Pelo menos não até terminar a leitura.
Após um incêndio no prédio do hospício em que estavam em quarentena os cegos finalmente conseguem ter liberdade, então começam a tomar ciência de como estão as coisas fora daquelas paredes. Bem verdade que não muito diferente visto que todos estão cegos e passam seus dias a buscar o que comer e onde dormir. Os serviços básicos como água e energia elétrica não funcionam. É o caos!
Vou dar só a ideia do que trata o livro, pra dar um gostinho e atiçar a curiosidade.
Vale muito a pena a leitura!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"Deixe-me nascer"

Minha prima Graziele e eu sempre estamos conversando e trocando ideias sobre os mais variados temas. Geralmente quando falamos sobre um assunto surgem inúmeras coisas relacionadas a ele ou outras pessoas vem falar sobre a mesma coisa. Isto aconteceu quando conversamos sobre o aborto e todas os debates que vinham ocorrendo seguidamente por conta do tal "estatuto do nascituro".
No dia que comentamos o assunto fui comprar um livro de aniversário pro meu pai e encontrei um livro psicografado pelo espírito Luiz Sérgio chamado Deixe-me viver. Comprei o livro porque na contracapa o resumo era mais ou menos o que eu penso a respeito da escolha pela maternidade. Mas ao começar a ler o livro não consegui encontrar aquela linha de raciocínio presente no resumo. Ainda não conclui a leitura, mas estou quase lá. Confesso que achei o texto do Luiz Sérgio muito rebuscado e não gostei muito.
Complementando as questões do aborto encontro no youtube o belíssimo filme d'Os Espíritos. Um filme lindo que destaca o livre arbítrio, causa e consequência, o que é Deus, a importância das relações familiares e de amizades e trata a questão do aborto com delicadeza, verdade e de forma direta. Para os espíritas a evolução e o aprendizado só se dá através das reencarnações, como bem disse a personagem de Nelson Xavier, Dr. Levi "tudo passa pelas portas da maternidade".

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Frases, livros, autores e personagens que eu amo!

A casa dos espíritos - Isabel Allende

Sou partidária de que o livro é sempre melhor do que o filme, ainda que o diretor tenha feito um bom trabalho em transformar em imagens as palavras do autor. Mas é bem difícil transformar um livro de forma fiel em filme. Dos livros que tenho lido e feito a comparação com o filme o mais próximo do livro foi "O caçador de pipas" e a série "Orgulho e preconceito" da BBC. No entanto, também acho que tem filmes muuuito bons baseados em livros, embora a história tenham diferenças grandes. Então o que eu faço na minha cabeça, deixo claro, desconsidero o fato de ser baseado e trato ambos como histórias individuais. O que acontece com o livro e o filme "A casa dos espíritos" é algo assim.

O filme tem ótimos atores, mas tem erros bem fortes (na minha opinião, claro!). Uma das coisas que achei uma falta foi o cabelo da personagem Rosa não ter sido pintado de verde para ficar tal qual o livro. Na adaptação para o cinema foram suprimidos os filhos gêmeos de Clara e Esteban, o que na minha opinião não foi legal, visto que tanto Jaime como Nicolás foram muito importantes na formação da personalidade e do caráter de Alba. Aliás a adolescência e a juventude de Alba foi esquecida e todas as suas vivências foram retratadas como experiências vividas por sua mãe Blanca. É como se o filme acabasse na metade do livro.

Outra coisa que também achei mal no filme foi o nome da personagem do Antonio Banderas, sendo que ele deveria ser Pedro Terceiro e no filme aparece como segundo, todo o tempo. É provável que isto se dê pelo fato de terem desconsiderado o Pedro García, o velho, que é o primeiro dos Pedros. Também senti muita falta do casarão da esquina e de todo o movimento que este casarão continha com suas sessões espíritas, entra e saí de pessoas acolhidas por Clara e Jaime e todas as maluquices de Nicolás.

Como toda história de vida, a vida dos Trueba é cheia de histórias de outras pessoas que vão se misturando e desenvolvendo paralelamente. Mas elas são tão importantes para a trama como a história individual de cada personagem da família. Um momento crucial na vida de "Las tres Marías" e de seus donos foi um tremendo terremoto que deixou a casa grande da fazenda em ruínas, tal como seu dono Esteban que foi soterrado por ela.  Comparativamente as histórias deveriam ser tratadas de forma independente como se o filme fosse apenas uma ideia longínqua do livro.

Mas falando exclusivamente do livro, a história de Isabel Allende é fantástica! Adoro seu jeito de descrever em detalhes fisionomias, paisagens, locais e situações. Esteban Trueba é uma criatura pavorosa, da qual não gostei, mas até que me compadeci dele no final do livro, coisa que não ficou clara no filme. (Ops, era pra falar só do livro hahaha) Acontece que mesmo sendo um reacionário de primeira, Esteban arrependeu-se de ter ajudado os milicos a derrubarem o candidato comunista. No livro isto aparece bem claro, sendo falado pelo personagem. No filme não.

A Blanca do livro é resignada e aceita de forma passiva algumas situações impostas pelo pai. Rebelde e determinada era Alba, a neta de cabelos verdes de Trueba. Alba detinha em si o melhor de todas as personagens do livro. Um pouco da clarividência da vó Clara, a generosidade, a bondade e a inteligencia de Jaime, a impetuosidade de Nicolás, a beleza de Rosa, a teimosia (ou seria determinação?) de Esteban, a atuação política de Pedro Terceiro. Ela reunia muitas qualidades e por isto tornava-se tão autêntica e apaixonante. No livro pode-se perceber cada detalhe desta personalidade, no filme ela não passa de uma criança alheia as coisas. Sendo que na história original ela é atuante desde os primeiros anos de vida.

Já disse antes, mas não custa nada repetir, Isabel Allende é minha escritora favorita. Acho que um pouco por que faz das suas histórias e experiências pessoas literatura e poesia. Adoro sua forma de escrever, consigo criar o mundo que ela descreve, por mais fantástico que seja, em minha mente. O primeiro romance que li dela foi "Contos de Eva Luna" e de lá pra cá adorei cada um dos seus livros, até o infanto-juvenil "Cidade das feras" está entre meus favoritos.

Fiquei um pouco decepcionada com o filme é verdade. Mas creio que a escolha do elenco para o filme foi boa e os atores encarnaram bem as personagens, pena que o roteiro não tenha sido tão fiel. Talvez tivesse sido melhor dividir a história e ter feito uma série de filme tratando cada geração num filme e desta forma ser mais fiel a história do livro.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Frases, livros, autores e personagens que eu amo!

Costumo dizer, sem medo de errar, que meu autor favorito é Gabriel García Marquéz. Tenho muitos autores de quem gosto, mas o Gabo é o de quem mais gosto. O engraçado é que não gosto nada de ficção científica, mas o realismo fantástico de Gabo me prende. Não acho interessante um cientista maluco que cria bombas, gosmas assassinas ou coisa que o valha. No entanto, fico presa querendo saber da vida da pequena menina que raspava com as unhas o reboco da parede para comer e sua maravilhosa explosão de borboletas.
Na forma de gabo escrever não parece absurdo que um homem fique mais de meio século a espera da morte de seu rival para, assim, poder conquistar finalmente o coração da sua amada. Tampouco soa esquisito que paguem a alguém para sonhar, ainda que alguns sonhos sejam os mais bizarros possíveis. García Márquez é aclamado como autor, mas sua postura política, sua amizade com Fidel Castro e outros homens de grande importância política também são admirados.
Voltando as personagens... as histórias...
Reli há poucos meses O amor nos tempos do cólera. É um livro lindo! E eu, como sou do contra, acabo sempre me apaixonando por Juvenal Urbino. Não gosto da personalidade sombria de Florentino Ariza. Urbino comete seus deslizes, mas o amor que dedica a Fermina na minha visão é mais bonito e puro. Enquanto o de Florentino é uma doença, uma obsessão que me assusta. O amor nos tempos do cólera é dos preferidos no mundo, tendo participação importante num filme protagonizado por John Cusack. Acho o filme muito bonitinho, é uma comédia romântica, que "deixa nas mãos do destino" o reencontro do casal. Ele busca na última página de uma edição de O amor nos tempos do cólera o número do telefone de Sara. Ela espera que uma nota com o número dele chegue até ela. É interessante ver o livro como "personagem".

Mas o personagem de Gabo de que mais gosto e sempre penso é José Arcádio. Pode ser que numa releitura tudo mude, mas sua personalidade me encanta, apesar da casmurrice, do seu fechamento em si mesmo. Torci muito para que não conseguisse se matar quando ficou viúvo. Seus cem anos de solidão, suas investidas pela alquimia e toda a sua família com inúmeros nomes repetidos.Não pude deixar de concordar com a Clara del Valle Trueba (A Casa dos Espíritos, Isabel Allende) quando ela diz que nomes repetidos confundem as memórias nos cadernos de anotar a vida. Gabo não viu problema nisto e foi batizando e rebatizando personagens com os mesmos nomes ou combinando uns com outros formando tantos outros nomes. Aconselho ao leitor de Cem anos de solidão que enquanto lê vá montando a árvore genealógica  dos Buendía, mais no objetivo de não se perder na história.

São tantas personagens, são tantas histórias e até mesmo reportagens que ainda não li! Tenho muito o que ler do meu amado Gabo, depois de reler Cem anos de solidão faço uma resenha e lhes conto se sigo amando José Arcádio. E preciso ler, pelo menos mais três livros do Gabo que comprei e não consegui ler.
Vou contanto aqui o que me encanta neste escritor. Até breve!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Releituras

Reler alguma coisa sempre se pressupõe um conhecimento prévio. Já se sabe do que trata o texto, o livro, a pessoa. Embora eu ame muitos livros de paixão, poucos são aqueles que eu releio. Aos que volto, volto pelo prazer descarado de reencontrar aquelas personagens. Sim, assim como eu "amarro" a leitura para não ter que me separar deles quando percebo que o livro está nas páginas finais, alguns volto a ler só pra encontrar aqueles personagens, lembrar que havia criado um som pr'aquela risada, um cheiro pr'aquela cena, um frio na barriga pr'aquela tórrida noite de amor.
Com o grupo de literatura, que criei com algumas amigas, acabei relendo este ano três livros. Livros que amei ler e reler também. Até pensei que sentiria as mesmas coisas em relação as personagens. Mas me surpreendi. N'algumas releituras me apaixonei ainda mais por alguns personagens, vi situações de forma mais clara noutras e até simpatizei com certas características de outros.

O primeiro foi O pequeno príncipe, que já reli inúmeras vezes sem nenhum motivo externo, só a vontade de "ouvir" novamente a risada gorda do principezinho! A primeira vez que o li era criança ainda e não lembro bem o que pensei a respeito. Das primeiras vezes que reli sempre fiquei com uma ideia que já tinha, mais a respeito de tudo que o principezinho trazia é que tínhamos que refletir, pensar, filosofar. Como se ele fosse uma pessoa adulta, só que com aparência de criança. Acho que a ideia de filosofar me levou pra isto. Desta última compreendi o entendimento daquele príncipe guri sobre a vida, o nosso aprendizado na terra e principalmente enxerguei a questão espiritual. Uma ideia que me veio de que Exúpery sabia que o espírito é imortal e como diz no livro o corpo é só uma casca pesada que não nos permite voar de volta pro nosso pequeno asteroide. Não tive nenhuma nova impressão sobre o livro, apenas acrescentei questões que não captei das outras vezes pela minha própria imaturidade na época. Compreendi claramente a importância de cuidar muito bem da nossa criança interior, pois é ela que nos impulsiona na busca da felicidade e dos nossos sonhos. É quem nos encoraja!

A segunda releitura foi  O amor nos tempos do cólera. Havia lido há bastante tempo. Pensava, até concluir a leitura, que minha interpretação do livro estava equivocada, porque nunca percebi o amor de Fermina Daza e Florentino Ariza como aquele amor a que o título se refere. Pelo contrário, sempre vi, da parte do Florentino uma obsessão pela mulher, que ficava em suspenso a cada caso que começava desde a gloriosa noite em que foi abusado no navio. Dela nunca percebi muito amor ou mesmo carinho por ele.
Para mim O amor nos tempos do cólera é a construção do bonito amor entre Juvenal Urbino e Fermina Daza. Em nenhuma das duas leituras me senti atraída por Florentino! Acho-o fraco, ainda que profundamente apaixonado. Mesmo que se entregue as paixões sem medo ou reservas.
Sem dúvida é uma linda história de amor, ou melhor duas, ou várias.
Minha intenção não é criticar nada, pois não sou crítica literária ou de cinema. E não critico nenhuma vírgula do que Gabo escreveu. Amo sua forma de escrever! Sou fã incondicional! Ainda que não tenha me apaixonado por Florentino Ariza, como me apaixonei por José Arcádio Buendía gostei muito de várias lições do livro, entre a mais importante é que NÃO HÁ IDADE PARA O AMOR.
Comparando com o filme confesso que fiquei decepcionada. Muitas coisas que considerei super importantes no livro se quer foram citadas no filme. Personagens importantes foram ignorados!

Atualmente estou relendo O caçador de pipas. Da primeira vez que li tive uma visão de tudo, principalmente do egoísmo e ciúme de Amir em relação a Hassan, muito diferente da que estou tendo hoje. Fui surpreendida pela História dos afegãos, pela visão de uma criança afegã, da atuação dos russos naquele território, a violência da guerra, os preconceitos e o ódio tão arraigado contra pessoas minimamente diferentes entre si. E além de todos os grandes problemas dos adultos (que afetavam também as crianças que não entendiam direito tudo aquilo de política), ainda tinha as coisas da infância, as necessidades de crescer, aprender, estudar, brincar e os garotos maiores que sempre amedrontavam os pequenos.
Sinto o mesmo peso no peito em relação aos abusos e sofrimentos vividos por Hassan. E, ainda que veja Amir mais egoísta, também compreendo os motivos que o levam a tal egoísmo e a angústia que sentia por se sentir mau. Mas ainda não chorei, como pensei que choraria de novo.

Os três livros são muito bem vistos literariamente. O primeiro um clássico da literatura. O segundo chega a ser dos mais cultuados pelos fãs de Gabriel García Márquez, mas meus favoritos dele são outros. E o terceiro um retrato da nossa história recente. Sim, da nossa história, pois o mundo é a nossa casa. Mesmo que ignoremos o que aconteceu no beco escuro por medo ou vergonha, ainda assim o acontecimento irá mexer conosco.

Estou amando o grupo de literatura, os livros, os filmes, os debates e as conversas sobre os livros e os autores. Ler é um ótimo exercício! Tenho uma "pequena" lista de releituras, entre elas Cem anos de solidão, mas como ainda tenho muitos livros que são as primeiras leituras estou cultivando a saudade dos Buendía.