quarta-feira, 11 de março de 2020

Mulheres de luta que não se entregam!

Consigo ver minhas amigas, a cada encontro, com os olhos de mais amor, de mais admiração ao saber de histórias de superação e coragem que, os homens me perdoem, mas só as mulheres tem pra contar com o sorriso da vitória no rosto! E é nestas vezes que vejo que sou muito privilegiada! Não porque não passei por momentos difíceis! Justamente ao contrário, porque consigo ver essa força delas em mim também! E consigo enxergar que meu problemão, perto do que elas superaram, é bem pequenininho!
Conversas assim servem pra nos fortalecer, pra gente entender que se deixar envolver numa determinada situação não é culpa nossa! Muitas pessoas poderiam passar por situação semelhante, não com aquele abusador também, mas com outro. Porque abusadores são sedutores, são envolventes e a gente acaba ficando com tanto medo de sofrer uma agressão e não ter forças pra romper aquele ciclo que acaba ficando paralisada. Nenhum homem abusador chega no primeiro encontro sendo agressivo! Essas mudanças vão ocorrendo aos poucos e a gente releva, porque é "doutrinada" a tentar agradar todo mundo! Então a gente pensa que é por causa do estresse, que foi assim porque o outro tá com problemas. Só que aquilo vai crescendo, e nosso medo de que numa próxima situação a violência seja maior, seja física não nos deixa agir porque gostamos.
Mas a violência psicológica, os golpes financeiros nos arrasam também! Porque em QUALQUER destas situações nos sentimos culpadas por ter nos deixado envolver, por ter acreditado, por ter sido gente boa! E é muito provável que em torno de nós as pessoas também pensem que a culpa é nossa. Seja por ter sido ingênua, por ter sido boa ou boba, por ter tido medo.
E apesar de todo esse peso a gente levanta. A gente defende outras amigas de situações iguais ou piores, até sem revelar os nossos dramas pessoais.
Não fiz homenagem ao dia das mulheres para as mulheres da minha vida porque estava com este texto aqui "engavetado", esperando o momento de publicá-lo.
Desejo neste dia internacional da Mulher, no mês, na vida, pra sempre, que estas culpas sejam destruídas, que não sejamos mais culpabilizadas por ter sido vítima de um golpe ou crime! Que outras mulheres consigam romper o casulo do medo, do machismo e agarrem suas vidas com gana de viver, de ser feliz.
Agradeço por cada uma das mulheres que vieram antes de mim e lutaram pra que hoje minha vida seja minimamente melhor do que foi a delas.
Peço que a espiritualidade me dê sabedoria e coragem para seguir essa luta, junto com tanta mulherada porreta, e tornar a vida das que virão depois melhor que a que temos hoje, que melhorou, mas ainda tem muito que mudar.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Encontros e reencontros - a alegria da vida

Ontem encontrei amigas de faculdade, amigas de anos, amigas da vida que amo demais, mas que por causa das atribulações da vida (e do trabalho!) não encontro com frequência! O juntamento foi marcado de última hora. Do tipo que eu gosto e não recuso "vem tomar café com a gente aqui na mãe"! Eu vou! Sou dessas! Sou como aquela mulher da  canção "Folhetim", "sou dessas mulheres que só dizem sim"! Pros amigos, pros belos encontros e reencontros da vida! Não dispenso uma noitada boa! Principalmente se vir carregada de muita risada!
Nunca me arrependo de dizer sim pra estes programas de última hora! São os melhores! Claro, encontro de amigos de muitos anos algumas vezes também tem lágrimas de saudade! Tem lágrimas de alegrias, mas sempre tem muito mais risadas! E tem amor!
Lembramos do nosso querido Joari Reis e a sua temida prova de enquadramentos cinematográficos. Sim, tínhamos prova de enquadramento! Numa televisão de tubo, daquelas que eram das maiores, mas estavam bem longe de uma 32 polegadas! E o processo pedagógico da prova era o seguinte: o filme era colocado no vídeo cassete (acho que ainda não tinha DVD! Aff! Pessoa entregando a idade! haha) e enquanto a gente ia assistindo o professor ia perguntando, assim, no susto "agora, que enquadramento é esse?".
Até a pessoa mais conhecedora de cinema da turma, no caso a Ana Paula, tinha medo daquela prova! Tanto nervoso essa moça passou que nem lembra qual era o filme que assistiu fazendo a prova!
O meu filme era o Drácula, do Bram Stoker! E eu fiquei sentada  bem atrás, próximo do Joari, que resolveu conversar comigo! Eu apavorada analisando os enquadramentos, quase me distraindo, porque adorava o filme e aquele Drácula sedutor que nossa! E o professor chega perto de mim e diz "agora ela vai ficar com aqueles dentinhos e vai precisar ir lá no meu consultório colocar aparelho"! hahahahaha Como que me concentro com aquele Drácula e com o professor fazendo piada?! hahahaha Não tenho a mínima ideia da minha nota, mas passei sem exame!
E é tão bom lembrar destes momentos de tensão da faculdade! Porque esses momentos eram fichinha perto de alguns que passamos depois! E olha que eu nunca tive pressa de crescer, tanto que não cresci até hoje! hahahahaha Não, brincadeira! Nunca tive pressa de me tornar adulta, de tomar conta das contas e da vida! A faculdade foi muito importante no meu processo de amadurecimento. Éramos nós que tínhamos que resolver os problemas, fazer matrículas, assinar financiamentos. Ali começamos a tomar as rédeas da nossa vida!
Foi na faculdade que aprendemos a nos virar! Meus colegas de faculdade me ensinaram muito! Não apenas de cultura, de conhecimentos técnicos! Ensinaram sobra as diferenças e o quanto ser diferente não impede o amor, pelo contrário nos faz querer ser melhor pra poder amar mais aquele outro tão diverso! Aprendi sobre família! Sobre a minha família e sobre a família de cada um, que é igual, só muda de endereço, mas que também é absurdamente diferente, com tantas peculiaridades, que parece de outro planeta! Ensinaram sobre mim! Ensinaram que eu podia mudar sempre, a todo instante, desde que aquilo tivesse a ver com a minha essência!
Eu sabia disso naquela época???? Óbvio que não! No entanto, aqueles lacinhos que começaram lá nos anos 90 cheios de dedos, porque quando a gente não conhece direito as pessoas fica assim sem saber direito como agir, foram criando corpo, outras pessoas entraram e saíram das nossas vidas. Muita lágrima rolou nos nossos abraços! E muita lágrima de alegria e emoção ao ver como a gente melhorou como pessoas com a ajuda umas das outras! E foram tantas risadas que perdemos a conta! E teve tanta comida boa e umas ruins pra contrabalançar, porque a gente se metia a fazer experiências também!
Como sou grata por tudo! Por todos! Como sou feliz por vocês na minha vida, pelos  sobrinhos emprestados que ganhei, mas principalmente sou grata pelo amor que vocês me deram e dão! A gente deveria marcar um dia no ano pra lembrar dos amigos da faculdade, do segundo grau (ensino médio), do ensino fundamental, colegas e amigos de trabalho, professores e analisar o que cada um deles contribuiu para o que somos hoje!  Posso afirmar sem medo que sem eles a gente não seria o que é! Tenham sido eles uns amores, amigos, parceiros. Ou insuportáveis, carrascos, inimigos, enfim... Claro que não daremos aos últimos o mesmo lugar de destaque no nosso coração e nem devotaremos o mesmo carinho. Mas temos que ter gratidão para com eles, pois se somos mais sábios hoje foi graças a superação que tivemos ao passar pelos percalços que nos causaram.
Esse texto é só pra agradecer mesmo! Pra agradecer a cada um dos meus amigos e colegas de estudos e trabalho pela parceria na jornada.
E pra dizer as minhas amigas que tenho muito orgulho das mulheres que se tornaram e honra por poder dizer que elas são minhas amigas!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Muitos dindos, muito amor recebido!

Há dias fico pensando sobre o que iria escrever esta semana. Tenho dificuldade de elencar temas porque, como virginiana, tem alguns temas da minha vida que não considero relevantes e outros que penso que sempre precisam ser melhores avaliados e estudados. Daí fico dias pensando vou falar sobre isso, tenho que falar daquilo e no final acabo deixando pra depois.
Mas hoje decidi começar e depois a gente vê qual o tema da história. além disso, daqui a pouco texto "dá cria"!
Dindos Moraes e Sandra
Dindos Enilda e Vanderlei
Faz um tempo que decidi que eu ia procurar as pessoas, independente do retorno delas. Tipo compromisso comigo mesma de mandar uma mensagem, perguntar se tá bem, me oferecer pra tomar um mate ou café. Isso principalmente com familiares e amigos mais experientes (tipo os que já tem mais de 60!). Nessa conta estão meus padrinhos, que não são da minha família de sangue. Quer dizer... parte deles. Porque, por falta dos outros sacramentos da igreja (e isso aprendi graças ao padre Magnum, digo, Zattera, que me deu aula de Mistério Cristão na UCPel!), batismo eu tenho de sobra! Sou batizada em casa pela minha vó materna e meu tio Chicão! Não satisfeita e sem saber que este batismo já valia pra tudo (isso também aprendi no Mistério Cristão!) minha mãe foi lá cobrar do padre Schreimer o fato da igreja não permitir que eu, uma criança, recebesse o "santo sacramento" porque ela não era casada (outro sacramento!). Daí o padre que a conhecia desde sempre disse que me levasse lá que ele me batizaria sim. Adoro gente que quebra as regras que lhe parecem injustas!
Daí, pra completar eu fui batizada na umbanda! Lá os batismos anteriores também valiam, mas... eles pensaram, vai que ela resolva ser umbandista né, já tá batizada! Sorte que eles pararam por aí, se não era capaz de terem feito até um bar mitzvá! hahaha Eu sei, essa cerimônia é só pra meninos!
Mãe e pai
A escolha dos meus padrinhos não sei ao certo como aconteceu. Sei que minha madrinha na igreja, dinda Sandra, era colega de trabalho do meu pai. Um mulher linda gente, vocês não tem noção! Vou postar uma fotinho pra vocês verem que digo a verdade! Meu dindo Moraes também! Ela me contou que ela perguntou pro pai se ele teria um filho, ele disse que sim e ela falou que se fosse guria ela ia ser madrinha e foi assim. Não tenho ideia de quantas afilhadas ela tem! Só sei que filhos foram três, todos meninos! Com quem eu converso agora para ter notícias dela que mora em Bento Gonçalves. Há alguns anos ela teve um AVC. Está bem dentro do quadro. Conversamos uma vez pelo telefone e ontem recebi um vídeo dela, nossa! Que vontade que deu de dar um abração bem apertado!
Dindos Vanderlei e Enilda na missa da minha formatura do Técnico em Contabilidade
Meus padrinhos em casa certamente foram pra que eu tivesse dindos próximos, porque a vida acaba afastando as pessoas por conta de muitos compromissos. Mas eu vou atrás deles, perto ou longe!
Os da umbanda tenho uma convivência mais próxima! Mesmo com anos sem nos encontrarmos, como já aconteceu, no reencontro parece que foi ontem. Isso deve ocorrer porque os padrinhos e
Minha madrinha em casa Vó Amália
spirituais (não tinha falado deles!) não me deixam nunquinha! E sempre que o sapato aperta e a barriga dói a gente vai buscar ajuda. Então, depois que fomos buscar ajuda para a Larissa, nunca mais abandonei o centro ou os dindos, vira e mexe estou lá. Com o whats então, todo dia a gente se fala!
E porque resolvi falar disso hoje? Porque eu achei importante agradecer a estas pessoas pelo carinho que me dedicam, por aceitarem me apresentar pras suas religiões (mesmo que eu escolhesse seguir outros caminhos!), porque todo dia um laço afetivo deve ser fortalecido por mais forte que ele seja. Laços sanguíneos são indissolúveis, mas laços de amor se fortalecem a cada troca por mais singela que seja!
Parece um exagero todos estes batismos e padrinhos, mas, parafraseando Cazuza, "sou exagerada"! E sou tão grata por, na infância ter recebido tanto amor e ter podido conviver com gente tão diversa. Isso me fez  um grande bem! Sem contar que aumentou a minha família, afinal a família dos meus dindos é minha também, me aguentem! hahaha

PS.: Preciso tirar uma foto com o Chicão!





segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Final de ano outra vez

O final do ano anterior não foi muito legal pra mim, mas foi um ano de começo de encerramento de ciclo! O ciclo fechou-se no início deste ano a partir da minha decisão e mais pro meio do ano fechou-se. Acontece que esse fechamento é um processo mental, físico e emocional. Este último é o mais difícil de concluir, precisa de luto, de choro, de entendimento, de perdão e de amor! Amor próprio e amor pelos outros para permitir que cada um seja como é e admitir que, mesmo gostando ou amando aquela pessoa, a convivência com aquela forma de ser não é possível pra nós! Então a gente segue! Curando as feridas e resgatando nosso melhor!
Neste final de ano estou muito melhor do que no passado! Estou mais forte, mais feliz por ter me reencontrado. Sim, às vezes a gente se perde! Mas se reencontrar é bom demais!
Agora sinto-me pronta para novos ciclo! Que venham e sejam de crescimento!
Agora é despedir-se deste ano que foi feliz em muitos momentos e agradecer aqueles momentos que não foram bons pelos aprendizados que tivemos!
Dois mil e vinte está logo ali, façamos dele um ano de paz, harmonia e amor!

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Homenagem de 25 anos de formatura

Parece que foi ontem que senti o frio na barriga ao começar a estudar num colégio tão grande! Eram vários ônibus, muita gente, só na minha turma umas trinta! E como num passe de mágica em pouco tempo já conhecia quase todo mundo! Já tinha me apaixonado pelo Hari 😂 e até os professores dos outros cursos me conheciam e davam carona! Entrar naquele corredor de árvores faz passar um filme de três anos maravilhosos na minha cabeça, anos de muita amizade e de diferenças que o tempo dissolveu e ao rever colegas deixa os olhos rasos d'água! Todos os dias agradeço por não ter passado na escola técnica! Minha vida talvez não tivesse tantas boas amizades como tive estudando no CAVG! Talvez minha vidinha fosse mais sem graça! 25 anos e parece que foi ontem!
Logo no primeiro ano muitos banhos, porque bicho tem que ir pro tanque! Eu muito grande que sou bastava um dos guris e já era! Passei o ano todo levando outras roupas pro colégio pra não passar o dia todo molhada! Também foi no primeiro ano que me apelidaram de "cascudinha"! A referência era a "Cascuda", que, olha o horror, não tenho certeza do nome, mas acho que é Adriana. Todos diziam que a gente era muito parecida e que ela era minha mãe! Óbvio que ficamos amigas, somos amigas até hoje! O apelido dela foi por causa do Cascão, um interno que já tinha se formado quando entrei e os guris diziam que ela era namorada dele. Daquelas coisas que pegam e a gente leva pra vida, Apelidos! :) 
Cheguei no CAVG com 14 anos! Na minha festa de 15 foram poucos colegas, mas "se Maomé não vai a montanha..." eu levei o coquetel de frutas pro colégio! Juntamos nosso grupinho Leandra, eu, o Clóvis, o Vó, o Claudiomar, o Jaspion e mais uns e depois do almoço tomamos aquele o coquetel. E como a gente conversava e ria! E a gente estudava também, embora pareça mentira!
Atrás da sala de aula em que estudávamos tinha (tem até hoje!) um bosque onde eu adorava dormir depois do almoço! Debaixo das árvores no verão e escarrapachada no sol em cima da minha jaqueta no inverno! As gurias jogavam cartas! Foi no CAVG que aprendi a jogar escova! hahaha Um dia, um calor terrível, resolvi ficar só com a camiseta que ia até os joelhos na sala de aulas que só tinha guria! Mas eu não contava que os guris da agropecuária iam lá paquerar minhas colegas! Que vergonha eu passei, porque antes de vê-los na janela, tinha feito um monte de palhaçada e até desfilado na sala! Essa foi a primeira vez que fui no CTG!
E meu amigo Vacaria me recitou a poesia, "Paisagens do açude grande - o fio dental"! Fiquei envergonhada de novo, mas era até bonitinhos os versos! 
Muitas coisas aconteceram naqueles três anos! Quantos amigos que nunca mais vi! Darci, Giba, Charles, Robson! Nossa sorte é que a internet apareceu e podemos reencontrar alguns deles. Também é sorte que naquela época não tinha, porque nossa! Cada mico! hahaha
Anos que valeram muito a pena! Aprendizados que carrego comigo pro resto da vida e amigos que carrego no coração!
Depois do CAVG fui direto pra faculdade. No ano seguinte a mãe foi fazer história na federal e encontrei alguns colegas do CAVG lá e foi muito legal este reencontro. A amizade cresceu ainda mais e o laço segue firme até hoje!
Ser homenageada por ter vivido estes anos de CAVG é até uma redundância! É bom ser homenageada, mas melhor ainda é poder reencontrar os amigos, matar a saudade e relembrar aqueles dias tão bons da adolescência! 
E nossos professores! Quantas brigas com o João Vicente de química! Quanta risada com a Janete de biologia falando dos filhos! Quanta comida fizemos nas aulas da Nonô! E as costuras que davam erradas, mas a Beth nos salvava! E as corajosas que aceitaram matar a galinha com o professor da agropecuária e depois não conseguiram almoçar!?
Os almoços no bandejão, as sobremesas musicais promovidas pelo Jorjão! Nossa, daqui a pouco começo a chorar! Estas lembranças estão tão vivas que custo mesmo a crer que já passaram 25 anos!
Só tenho a agradecer por tudo! Também aproveito a deixa para agradecer aos professores e aos funcionários da escola que tanto nos deram nestes anos! Agradeço às minhas amigas queridas! E vamos nos encontrar com mais frequência! ❤️

Acho que a poesia é essa:
PAISAGENS DO “AÇUDE GRANDE” FIO DENTAL
Jayme Caetno Braun

Eu tenteio mais um amate
olhando o “açude brabo”,
nesse barulhão do diabo
como estrondos de combate,
enquanto o meu cusco late,
pro lado do litoral,
vem cruzando, por sinal,
um lote lindo pelado,
com aquele troço engraçado
que chamam de “fio dental”.

É um barbante colorido,
de cor berrante e moderna,
passado no entrepernas,
e na cintura prendido,
o fio termina escondido
e reparte pelo meio,
pra mim que domo e tropeio,
lidando com qualquer bicho,
o nome certo, é rabicho,
pra segurar o arreio.

Eu sempre usei o palito,
de guanchuma ou pitangueira,
na vivência galponeira
que integra o meu infinito
e não posso achar bonito
algo que assim me confunda;
não há primeira sem segunda-feira
e a quarta sucede a quinta,
porém a graça despinta;

com esse barbante na bunda.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Um brinde ao dilema - texto resgatado

domingo, julho 16, 2006

Um brinde ao dilema!

Numa mesa de bar resolvem-se muitas coisas. Dá-se fim a miséria do mundo, soluciona-se as crises mundiais, discute-se poesia, política, sugere-se leituras, fala-se alto, pedimos mais uma cerveja.
Lembramos do passado, do ex-namorado, das brigas familiares, da saudade de ser criança e não ter responsabilidades, além das provas do bimestre. Pedimos mais uma cerveja.
_ Garçom, por favor!
Escutamos um samba, o sax. Observamos os casais dançando, falamos do quanto gostamos de dançar ou do fato de não saber cadenciar os passos, dois pra lá, dois pra cá. Pedimos mais uma.
Discutimos sobre liderança, a responsabilidade de ser um líder, da comunidade que aceita ou não esse líder e porquê, falamos de carisma, sem lembrar dele. Pensamos como mudar o mundo, abrimos nosso voto para a próxima eleição, e admitimos não fazer efetivamente nada que mude realmente as coisas. Pedimos outra cerveja.
Não choramos porque o momento é de alegria. Levantamos um brinde ao dilema, na verdade brindamos a tudo e a todos na mesa, ameaçamos levantar e dançar, rimos. Pedimos a saideira.
De tudo isso ficou a amizade, a promessa de outro encontro assim que possível, o abraço apertado. Na verdade quedou-se dentro de nós todo aquele dilema, todas aquelas coisas que discutimos soando no pensamento, acelerando o coração. Não temos, de verdade, a solução para todos aqueles problemas, estamos incomodados, agitados, angustiados com a situação, a nossa no mundo, a do mundo no nosso entendimento, as nossas possibilidades de ações efetivas, como enxergamos os nosso dilemas.

domingo, 6 de outubro de 2019

Epílogo

Epílogo é um capítulo extra, após o "the end", e nos conta como as personagens seguiram "a sua vida"! Ele traz aqueles detalhes que ficamos curiosos para saber quando o livro acaba! Aquela pergunta "será que a Cinderela e o príncipe foram mesmo felizes para sempre ou ela acabou indo de volta para o borralho?" A verdade é que os ciclos se  fecham e as histórias seguem acontecendo! Na vida sempre tem  epílogo! E como eu sou espírita acredito que depois da morte também tem!
Essa foto representa minha alegria restaurada! E essa felicidade não tem nada a ver com as cachaças!
Quando estava no final do meu relacionamento ficava pensando como seria minha vida depois do fim. Como que eu ficaria, como reagiria ao ver meu ex com outra pessoa. Confesso que essa foi uma grande parte do meu sofrimento, e também dos argumentos que usava comigo mesma para adiar o rompimento definitivo. Eu sabia que esse passo teria que ser dado por mim, pois no meu entender o outro já tinha deixado claro que não queria mais. Mas eu tinha esperança de que "acordasse" e mudasse de atitude, que voltasse ao que era no início, sei lá, esperança de que tudo ficasse harmonioso e feliz como no início. Não deu! Também acontecia de eu sentir uma certa responsabilidade sobre como ele ficaria.
O lado bom de ter epílogo na vida é que todas as arestas mal aparadas do relacionamento, as quais não conseguimos acertar porque a dor era muito grande, já foram corrigidas enquanto o epílogo estava sendo escrito! E realmente conseguimos transformar um amor/relacionamento morto em amizade. Falamos sobre todas as mágoas e questões não resolvidas! Colocamos pra fora aquele entulho que só nos fazia mal e não permitia que a alegria fluísse.
Foram conversas bem difíceis! Tocar pontos tão delicados, questões que não queríamos admitir nem pra  nós mesmos. Mas sabíamos que para realmente fechar o ciclo só quando tudo fosse encarado de frente, quando tomássemos consciência e admitíssemos nossas falhas em voz alta, ou texto no zap. hahaha Estas conversas tiraram o peso que sentia em meus ombros. E aquela coisa que me fazia sentir responsável por ele deu lugar a uma grande alegria por vê-lo superar traumas e medos. Não foi nada fácil exorcizar estes demônios! Ao mesmo tempo que sofri e chorei junto com ele, senti que era importante que aquelas coisas me fossem confidenciadas. Eu era parte daquele momento que deveria ser superado, assim como ele foi parte dos meus momentos de superação. Agora sinto-me muito mais feliz por ver que ele se reergueu e que nosso final de relacionamento foi realmente um fechamento de ciclo em que aprendemos coisas de que necessitávamos. Essas conversas me ajudaram, pois eu não queria que as coisas simplesmente fossem guardadas sem necessidade. Agora podemos seguir adiante, cada um no seu epílogo particular, com marcas de aprendizados, mas sem rancores.