quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Amar não é difícil

Eu tinha tanto medo de amar, não de amar, porque eu amava, mas de demonstrar, dizer, viver aquilo tudo porque era desconhecido e o desconhecido dá medo. E se eu tivesse que mudar muita coisa na minha vida, e se eu tivesse que mudar muita coisa em mim, descobrindo que eu não era aquela pessoa tão legal, tão bem resolvida, tão "perfeita" como minha mãe achava? Mas que mentira, minha mãe nem acha que sou perfeita e fala dos meus defeitos na minha cara. Tá, mas e se meus defeitos não fossem só aqueles de que ela falava, e se fossem maiores ou mais graves do que a minha mãe dizia? Será que eu conseguiria conviver comigo descobrindo tanto mais coisas a meu respeito? Porque minha mãe conhece cada defeito meu, sabe quando estou bem e quando estou triste, quando estou brava e quando estou cansada. Ela me conhece há tempo demais e apesar de conhecer meu íntimo, me ama imensamente. E ama, não como se eu não tivesse defeitos, mas me ama na esperança, na solidariedade e na certeza de que posso corrigir cada um deles. Ela enxerga em mim alguém melhor. Alguém que eu às vezes não enxergo. Mas com o amor que tem por mim ela vê.
Então tem a questão do amor próprio. Não podemos amar ninguém se não nos amarmos.
Eu ainda não perdi totalmente o receio de demonstrar o amor que sinto, vejam bem, não é mais medo! Consigo me arriscar um pouco. Tive um encontro feliz que me levou a mudar bastante coisa na minha vida. Começou por minha mudança pro meu apartamento. Passa por ceder em algumas coisas, reconhecer limitações, enfim...
Não sei o quanto o outro me ama, apenas sei o que eu sinto. Algumas vezes isto basta, outras, como ainda tenho aqueles terríveis defeitos, não é suficiente. E isto ocorre geralmente naquela época do mês em que os hormônios me atacam e a TPM fica a mil. O corpo inchado, pernas pesadas e a irritação fazem parecer que nada tá certo. Então eu me dou conta e tendo controlar. Às vezes saem algumas reclamações e cobranças, noutras me sinto carente e choro muito. Por tudo... por qualquer coisa! Aí eu ganho alguns abraços apertados e tudo vai voltando ao "normal" novamente.
E eu me encho de coragem e penso, "de que vale a vida se não for pra amar as pessoas?" Amar não é difícil, a gente tem dentro esta capacidade mágica. O difícil é não nos deixarmos levar pelo que idealizamos como amor. É esta idealização que nos faz descrer das coisas. Vamos perder o medo de amar! Vamos nos desarmar e AMAR!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Tchau 2014 Seja bem vindo 2015!

Sempre faço uma análise do ano que termina, uma oração e muitos desejos de tudo de melhor para a família, amigos e conhecidos. No geral sempre considero que meu ano foi bom! Creio que sou otimista! E gosto disso. Pessoas negativas me cansam e me entristecem, porque não há argumento que as convença de que as coisas não são tão ruins. É claro que não sou tola a ponto de considerar tudo um mar de rosas. Sei que existem momentos de dificuldade na vida de todos nós num momento ou noutro. Mas o saldo final pra mim sempre é positivo. Prefiro olhar deste jeito. Sim, ainda existem injustiças, diferenças, preconceitos, fome, miséria, tristeza, dor, guerra e não podemos perder a capacidade de nos indignar diante destas mazelas do mundo, principalmente porque da nossa luta contra elas é que surgirá o mundo novo, aquele mundo que tanto desejamos, o mundo melhor. Calar frente as injustiças é compactuar, é não mudar. De nós depende mudarmos nós mesmos (única e real mudança) e ajudar aos que estão a nossa volta. O ano novo, o mundo melhor depende de nós, que nem diz a musiquinha batida de final de ano. Pode ser clichê pra muita gente, mas é a verdade.
"A gente muda e o mundo muda com a gente" já escutei isto em letra de música e concordo.
Creio que um passo para ver a vida positivamente é aproveitar o que temos, é ter gratidão e reconhecer que, muitas vezes, o que nos deixa angustiados, tristes e até amargurados é o que não temos (e que algumas vezes nem precisamos). Sejamos gratos ao que temos, a nossa família e amigos, a nossa saúde, a nossa casa, ao trabalho, ao alimento, a natureza, o mar, a brisa, a chuva, as plantas.
Por isto minhas resoluções de final de ano são simples e não dependem de dinheiro.
1 - Admirar mais a lua e as estrelas (de preferência ao ar livre)
2 - Andar descalça na terra, na grama, na areia (esta vai ser difícil)
3 - Sorrir mais e gargalhar sempre que a situação permitir
4 - Estar mais com os amigos e a família, compartilhar bons momentos
5 - Fazer caminhadas a tardinha diariamente (ou sempre que possível)
6 - Ler mais, quem sabe bato meu recorde de anos anteriores
7 - Ir mais ao cinema (assistir filme em casa também vale)
8 - Ir a lugares que nunca fui (como diria Tim Maia, vale tudo!Todo tipo de lugar, ocasião ou evento)
9 - Fazer um trabalho voluntário (esta resolução vem comigo há vários anos já, mas minha desorganização ainda não permitiu tempo para realizá-la, mas este ano me emprenharei)
10 -Amar e namorar bastante, afinal ninguém é de ferro e o amor transforma a gente e a gente transforma o mundo! <3 nbsp="" p="">Que todos nós tenhamos um 2015 repleto de amor, harmonia, paz, realizações, prosperidade, luz, bençãos, sucesso, alegrias, felicidade, fé e muita saúde.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ampulheta da fertilidade

Com estes dias de repouso pós-cirúrgico pude acompanhar algumas séries e até novelas de que gosto. Foi numa tarde destas, assistindo ao folhetim das 19h, Alto Astral que vi a personagem Tina, interpretada pela fantástica Elisabeth Savala conversando com Laura, personagem de Nathália Dill sobre a escolha de ter filhos, o tempo a fertilidade. Era uma fala sobre a terrível ampulheta da fertilidade, esta que marca nosso tempo, o tempo de validade das mulheres. Laura perguntou a Tina se ela nunca tinha querido ter filhos naturais. Tina é casada com Manuel, um viúvo pai de quatro filhos, que ela criou e ama como seus. A pergunta de Laura ela respondeu com uma naturalidade sincera e até sofrida. Tina explicou que quando casou os filhos de Manuel eram bem pequeninos e não dava para ter filhos e o tempo foi passando, foi passando, foi passando e quando ela viu não dava mais tempo.
Eu me vi nesta situação, e vi algumas amigas e muitas mulheres que não conheço mas que sofrem a pressão da ampulheta com suas areias escorregando e lembrando que o tempo está passando. Não casei com um viúvo pai de quatro crianças e creio que se tivesse participado de uma situação destas não sentiria necessidade, tal qual a Tina, de mais filhos. Porque filho adotivo é filho e ponto.
Então eu me vi nela. Eu não sei a resposta pra decisão de ter filhos. Quero, mas não sei, tenho dúvidas, tenho medo. Não tenho resposta! Mas sei que quero ter alguém me chamando de vó quando for velhinha, como não tenho filhos será difícil. Será que vou poder adotar caso o prazo de validade vença?
Minha médica já me disse que até os 38 anos as coisas são tranquilas, mas depois a ovulação fica mais escassa e a possibilidade de engravidar mais difícil. Uma vez, quando me perguntou se eu queria filhos eu estava sozinha. Da segunda o relacionamento era um pouco recente e tem toda uma série de decisões que não dependem só de mim. Mas a ampulheta descarrega a areia na minha cara, só na minha cara. Porque pra muitas pessoas a decisão é só minha. E se antes, antes da ampulheta estar com tão pouca areia eu tivesse decidido por minha conta e risco,sem perguntar a ninguém ter este filho, deixar a fertilidade agir, como tantas outras mulheres já fizeram "antes da hora" como me interpelariam? O que me diriam estes mesmos que me dizem para decidir já?
Jamais poderia decidir por uma produção independente e privar meu filho de ter amor e convivência com o pai. Eu não conseguiria ser feliz sabendo que meu filho quer respostas que eu talvez não pudesse ou não quisesse dar. Então eu deixei pra decidir depois. E agora tem esta história do tempo e a decisão do outro, por quem não posso decidir. Por isto deixei para decidir daqui a pouco, pra resolver depois, mais uma vez.
Por algumas vezes consigo ignorar a ampulheta da fertilidade, virar a cara pra ela. Outras vezes sinto um aperto no peito e não consigo evitar o choro. Sei que tenho amigas passando pelo mesmo sentimento, pelo mesmo momento, pela pressão e tortura desta ampulheta. Como creio que o tempo é o senhor da razão... e nada acontece fora do tempo certo... na devida hora tudo acontecerá.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Catapora

É tempo de catapora, doença infantil, em geral, que causa bolhas d'água, feridas, febre e muita coceira no corpo. As benditas feridinhas podem atacar todo o corpo, do couro cabeludo até cantinhos mais internos aonde quer que tenha pele.
Eu tive, aliás tive quase tudo que foi doença de criança! Tive catapora, caxumba, hepatite A, e mais um monte de coisas. A minha catapora começou numa época em que eu estava passando uns dias lá fora na casa da dona Didi. Não lembro direito como começou. Lembro que tive bastante febre. As feridas se espalharam por tudo e eu tinha na cabeça, dentro das orelhas, embaixo dos braços, nos órgãos genitais, na garganta e sabe-se-lá-mais-onde.
A ferida da garganta não me permitia comer, pois nada passava por ali sem me causar ânsia de vômito. Lembro de tomar apenas canja, ou melhor o caldinho da canja. A gente estava lá fora, no interior de Piratini aonde não tinha água encanada, luz ou telefone. E o telefone mais próximo era há quilômetros de distância da casa da vó Didi, bem como os vizinhos, a cidade, o bar mais perto. Era muito bom ficar lá nas férias, mesmo sem ter absolutamente nada pra fazer. O tempo passava beeeem devagar, minhas horas eram gastas debaixo de uma árvore na frente da casa, aonde deitava no chão e escutava rádio, viajava nas nuvens adivinhando figuras, sonhava com coisas futuras. Outras vezes eu corria atrás dos bichos, porcos, galinhas e patos. Outras brincava de casinha, inventava histórias ou ajudava a vó Didi a fazer biscoitinhos, sovar massa de pães no cilindro e tantas outras atividades domésticas. A gente visitava a casa de alguns vizinhos. Para isto precisávamos fazer longas caminhadas até a casa deles. Mas quando fiquei doente tive que ficar em casa porque não podia pegar frio e chuva e porque não devia contaminar os outros.
Engraçado que mesmo bem distante do meu mano ele pegou catapora também, na mesma época. A diferença é que eu fiquei tapada de feridas dos pés a cabeça e ele teve uma meia dúzia, no máximo, na barriga.
Como a vó Didi já tinha uma idade um pouco avançada, achou melhor voltar pra casa comigo pra minha mãe cuidar de mim. O legal foi que a volta, da casa  lá de fora até o lugar onde pegávamos o ônibus, fui a cavalo com o Vilmar. Foi muito emocionante! Quando cheguei em casa fazia um dia quente, mas caía uma chuva de verão leve e eu fiquei na janela vendo meus irmãos e prima tomando banho de chuva e  se refrescando, mas eu não podia. Foi chato!
Apesar de tantas e tantas feridas creio que não fiquei com nenhuma marca no corpo. Ficar doente é bem ruim, eu achava bem chato não poder fazer várias coisas, mas também tinha lá suas vantagens. Afinal... quando a gente fica doente recebe bastante atenção, carinho, cuidados e mimos.
Meus queridos sobrinhos estão passando pela fase cataporenta. A Larissa teve há bastante tempo, devia ter uns dois aninhos. Este ano foi a vez da Amanda, depois foi o João e agora meu amor Yuri. Tomara que o Pê e o Daniel se livrem dela por enquanto.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Gratidão

Hoje fui na revisão da minha cirurgia, foi tranquilo. Os pontos estavam sequinhos e já foram tirados, não tem dor e a recuperação ótima, apesar do cagaço pré-operatório. Doeu um pouquinho quando a enfermeira levantou e cortou a linha. Não sabia que doía... Mas agora não tá doendo mais.
Próxima revisão só após a retirada do resultado da análise da vesícula pelo início do mês de janeiro. Recomendação médica é evitar alimentos gordurosos, o resto tá tudo liberado.
Agora mais uns diazinhos de repouso na casa da mamãe e voltamos a rotina normal.
Confesso que as coisas saíram melhor do que eu podia imaginar ou esperar. Nunca havia estado numa sala de cirurgia e tinha medo de não ter uma boa recuperação ou de sentir dor. Sim, apelei para o Dr Bezerra de Menezes e todos os amigos da espiritualidade, considero-me atendida, e muito, muito, muito agradecida. Como no post anterior mais uma vez agradeço os médicos, o corpo de enfermagem e todos os funcionários da Fau onde estive internada e fui excelentemente tratada. Demorou um pouquinho da descoberta até a realização da cirurgia, é verdade, mas ao final foi tudo muito bem.
Peço desculpa aos amigos que não tinham ideia de que faria uma cirurgia. É que não gosto de ficar publicando minha vida nas redes sociais, mas o agradecimento pelo tratamento recebido no SUS e pela Fau devem ser públicos. Agradeço também a minha mamis, meu pai, meus irmãos e todos os familiares que me acompanham neste momento. Também sou agradecida aos amigos, em especial a Deisi que insistiu até o fim que eu fizesse a cirurgia pelo SUS e foi comigo consultar. Sou grata a Deus e a toda a espiritualidade, como não podia deixar de ser.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Convalescendo

Estou há alguns dias sem poder escrever por aqui. Primeiro porque estava me preparando para realizar uma cirurgia e agora por estar me recuperando dela. Foi uma cirurgia simples, apesar do nome ser complicado! Aconteceu na segunda feira a tarde e hoje já estou bem e na casa da mamãe por alguns dias.
Da descoberta da necessidade do procedimento cirúrgico até o acontecimento dele de fato se passaram alguns meses, já que precisei fazê-lo pelo SUS. Aproveito para destacar o ótimo atendimento que tive no Hospital Escola da FAU por toda a equipe, desde a recepção até os médicos, enfermeiros e todos os outros profissionais. Minha recuperação está sendo ótima! Logo logo tudo volta a rotina!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Choro

Tenho mais jeito pra falar sobre e de qualquer coisa através da escrita. Falo pelos cotovelos é verdade, mas quando é pra falar de alguém que gosto, me emociono, engasgo e a voz não sai. Quando é de alguma coisa que me incomoda a voz se eleva uma oitava acima, a entonação fica agressiva e mesmo que não queira brigar ou dar entender que estou brigando a mensagem que passam minhas cordas vocais é justamente o contrário. Então... quando é pra falar a alguém de forma a não ter equívocos opto pela escrita. De maneira geral passo toda a emoção que sinto quando escrevo e muitas e muitas vezes escrevo chorando, quase sem enxergar as palavras digitadas no monitor.
Creio eu que seja a idade que me tornou ainda mais sensível. Sempre fui chorona. Mas a verdade é que nos últimos tempos está mais incontrolável. E tenho como prática desde sempre não engolir o choro! Evitar que as lágrimas caiam é muito dolorido pra mim, dói minha cabeça, machuca minha garganta, aperta o peito, me desliga do que tem ao redor de mim.
Na minha adolescência chorei muito... bem mais que agora e de forma louca. Agora, pelo menos, eu sei porque choro. As coisas que me tocam são diferentes. Fico pensando, por exemplo numa coisa que deixei pra lá, a qual não pensava antes porque não via sentido em pensar ou decidir qualquer coisa quando não dependia de mim apenas, e agora pensar ou decidir também não depende só de mim, mas daí me falam que tenho que decidir o quanto antes porque o tempo tá passando. Então eu fico pensando nisto, fico pensando em quantos anos até os 40. Fico pensando que o tempo já passou e se não aconteceu antes é porque não é pra acontecer. Ou que se for pra acontecer vai acontecer mesmo depois dos 40. E tem a minha porção espírita que não pode deixar de pensar... será que não me comprometi de trazer outros ao mundo e agora estou mudando de ideia? Tem o lado racional que me destaca o livre arbítrio e meu direito de mudar de ideia, de fazer outras escolhas. Daí penso na escolha do outro. Penso nas expectativas da minha família, penso nas pessoas que sempre me falam que eu deveria ter filhos porque tenho muito jeito. E penso no medo que deve dar ao saber que uma vidinha tá na tua mão e é da tua responsabilidade. Pensando nestas coisas acabo chorando.
É provável que eu esteja evitando de pensar no assunto para não ter que tomar uma decisão definitiva, ou só uma decisão temporária. Acaba sendo inevitável lembrar de algumas conversas em que me afirmaram que eu queria ter filhos, mesmo que eu estivesse  negando veementemente. Mas eu não estava, antigamente, mentindo, apenas eu realmente não pensava na hipótese. Agora, até penso, mas não sei a resposta. E quando penso, lembro da história do tempo, da pressa e me apavoro. Claro que apavorada eu choro.