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terça-feira, 6 de outubro de 2015

#365 Dias de Notícias Boas #8 O AMOR TEM MUITAS VERSÕES

O amor tem muitas versões, mas nenhuma delas é nó que sufoca, pelo contrário geralmente é laço e é liberto. É claro, que humanos que somos, queremos muuuito ser correspondidos em todo o amor que damos, mas... nem sempre conseguimos o que queremos. E a principal característica do amor verdadeiro e querer ver o outro bem, com a gente (que maravilha!) ou sem a gente (lágrima nos olhos, coração apertado, mas a certeza de que lá adiante esta pessoa vai estar feliz e nós por ela). Isto é desapego! Não quer dizer que não devamos querer ter reciprocidade. No entanto a maturidade nos faz perceber que não a ter e nutrir  ódio ou raiva só causa mais dor. É saber que passaremos por um luto, por algum sofrimento e até dor, mas que vai passar.
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
Um amor desprendido acontece entre familiares, amigos, casais. E foi um amor destes que ajudou uma mulher que queria muito ser mãe ter seu filho nos braços. Lá em Pernambuco a Gabriela Souza queria um bebê, tentou algumas vezes, mas não tinha condições de gestar a criança e abortava espontaneamente, o que lhe doía demais. Pensou em entrar na fila de adoção, afinal podemos ser mães de coração, basta ter amor pra isto. Mas um dia ela fez um desabafo no feice e uma amiga virtual resolveu que podia ajudar no desejo da Gabriela. Foi então que, depois de matutar, Danielle Figueiredo ofereceu-se para ser barriga solidária.
O processo foi cuidadoso, mas correu super bem e depois de nove meses vieram ao mundo Martim e Pilar, enchendo a vida de Gabriela e do marido Eduardo Breckenfeld.
Podem dizer o que quiserem da humanidade eu não escuto, pois apenas um ato de amor verdadeiro, de caridade (tal qual aquele que Jesus pediu pra nós) é capaz de levar alguém a ajudar outro alguém de uma forma tão generosa como esta. O amor existe e sei que tem muita gente que ainda não aprendeu a amar. O bem também existe, mas acontece de forma discreta. Nós nos impressionamos com a violência e com o sofrimento porque a dor é grande e repercute muito mais. Não é que não devamos nos impressionar e agir para acabar com a dor. É que não devemos perder a esperança. O amor existe, tem muitas versões e se procurarmos bem todo dia veremos uma declaração de amor a nossa frente.

Fonte: Zero Hora

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ampulheta da fertilidade

Com estes dias de repouso pós-cirúrgico pude acompanhar algumas séries e até novelas de que gosto. Foi numa tarde destas, assistindo ao folhetim das 19h, Alto Astral que vi a personagem Tina, interpretada pela fantástica Elisabeth Savala conversando com Laura, personagem de Nathália Dill sobre a escolha de ter filhos, o tempo a fertilidade. Era uma fala sobre a terrível ampulheta da fertilidade, esta que marca nosso tempo, o tempo de validade das mulheres. Laura perguntou a Tina se ela nunca tinha querido ter filhos naturais. Tina é casada com Manuel, um viúvo pai de quatro filhos, que ela criou e ama como seus. A pergunta de Laura ela respondeu com uma naturalidade sincera e até sofrida. Tina explicou que quando casou os filhos de Manuel eram bem pequeninos e não dava para ter filhos e o tempo foi passando, foi passando, foi passando e quando ela viu não dava mais tempo.
Eu me vi nesta situação, e vi algumas amigas e muitas mulheres que não conheço mas que sofrem a pressão da ampulheta com suas areias escorregando e lembrando que o tempo está passando. Não casei com um viúvo pai de quatro crianças e creio que se tivesse participado de uma situação destas não sentiria necessidade, tal qual a Tina, de mais filhos. Porque filho adotivo é filho e ponto.
Então eu me vi nela. Eu não sei a resposta pra decisão de ter filhos. Quero, mas não sei, tenho dúvidas, tenho medo. Não tenho resposta! Mas sei que quero ter alguém me chamando de vó quando for velhinha, como não tenho filhos será difícil. Será que vou poder adotar caso o prazo de validade vença?
Minha médica já me disse que até os 38 anos as coisas são tranquilas, mas depois a ovulação fica mais escassa e a possibilidade de engravidar mais difícil. Uma vez, quando me perguntou se eu queria filhos eu estava sozinha. Da segunda o relacionamento era um pouco recente e tem toda uma série de decisões que não dependem só de mim. Mas a ampulheta descarrega a areia na minha cara, só na minha cara. Porque pra muitas pessoas a decisão é só minha. E se antes, antes da ampulheta estar com tão pouca areia eu tivesse decidido por minha conta e risco,sem perguntar a ninguém ter este filho, deixar a fertilidade agir, como tantas outras mulheres já fizeram "antes da hora" como me interpelariam? O que me diriam estes mesmos que me dizem para decidir já?
Jamais poderia decidir por uma produção independente e privar meu filho de ter amor e convivência com o pai. Eu não conseguiria ser feliz sabendo que meu filho quer respostas que eu talvez não pudesse ou não quisesse dar. Então eu deixei pra decidir depois. E agora tem esta história do tempo e a decisão do outro, por quem não posso decidir. Por isto deixei para decidir daqui a pouco, pra resolver depois, mais uma vez.
Por algumas vezes consigo ignorar a ampulheta da fertilidade, virar a cara pra ela. Outras vezes sinto um aperto no peito e não consigo evitar o choro. Sei que tenho amigas passando pelo mesmo sentimento, pelo mesmo momento, pela pressão e tortura desta ampulheta. Como creio que o tempo é o senhor da razão... e nada acontece fora do tempo certo... na devida hora tudo acontecerá.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Desejar não é o mesmo que planejar

Algumas pessoas acham estranho uma mulher não planejar para sua vida casar e ter filhos. Mais estranho eu acho é que as pessoas creiam ser comum ou correto, ou normal, ou sei lá, que alguém planeje algo que depende, invariavelmente de outras pessoas. Sim, não posso planejar, simplesmente me casar com 25 anos, sendo que para tal é necessário que outra pessoa também o queira. Também não posso planejar ser mãe aos 26, pelo mesmo motivo. Sim, eu posso partir para uma produção independente, mas no caso precisaria de um parceiro eventual, ou de um doador. Em ambas situações não é possível realizar MEU PLANO sem que outra pessoa participe. E daí já acho que se outra pessoa está envolvida não pode ser MEU PLANO, deve ser NOSSO.
Uma coisa é desejar, é ter vontade de um dia casar e ter filhos. Outra bem diferente é planejar as coisas criando expectativas que talvez nunca venham a se realizar. Quando alguém me pergunta sobre casamento e filhos, geralmente destacando meu jeito com as crianças ou meu extinto materno latente, fico pensando na Susanita, amiga da Mafalda que já tem em mente com quem (profissão e status social) irá casar, quantos filhos terá e a profissão deles.
Tenho que rir porque pra mim a Susanita nada mais é que uma doida. Engraçadíssima! Mas conservadora e completamente maluca que na infância planejou sua vida de dondoca. Aliás, não planejou só a sua vida, mas também a dos filhos. E sofre com certas situações que podem vir a acontecer (ou não).
Veja bem, não tenho nada contra pessoas que desejam casar, ter filhos, cachorro, casinha branca com cerquinha. Apenas eu não tenho nenhuma lembrança de ter tido, algum dia na vida, estes desejos. Pra mim estas coisas não são metas ou planos. Acho que podem acontecer ou não.
É claro que numa sociedade ainda muito machista como a nossa o pensamento de que mulher é para ser do lar é muito presente. Para muitas mulheres (e vejam bem não concordo ou descordo) o casamento é a garantia de uma vida tranquila financeiramente, mesmo que tenha que se submeter a alguns caprichos machistas. Mas na minha casa, justamente para não necessitar sujeitar-se a outra pessoa, fui estimulada a estudar, ter uma profissão e buscar ser uma mulher independente e livre, para escolher o que bem quisesse para minha vida. Fui estimulada a buscar independência não só pela minha mãe, mas também pelo meu pai. É claro que as motivações deles são diferentes.
Eu gosto de criança e sem falsa modéstia sei que seria uma boa mãe, ou pelo menos tentaria ser a melhor possível. No entanto, sempre pensei no quão importante é para uma criança ter a presença do pai e da mãe na sua vida. E por isto a produção independente nunca me pareceu uma ideia muito plausível. Mas não tô falando de uma situação em que a mulher engravida, mesmo que sem se prevenir, sem querer. Caso acontecesse comigo assumiria certamente. Mas como sempre tive muito medo de que isto ocorresse tomava as precauções. E nas vezes em que tive uma dúvida, mesmo que remota, usei a pílula do dia seguinte.  Fui na farmácia comprei e tomei. Depois de saber que é um método abortivo fiquei com certo receio. Mas agora já foi. Talvez um dia eu venha engravidar, mas não tenho ideia se ocorrerá ou não. Não fiz nenhum planejamento a curto ou a longo prazo para isto. E acredito do fundo do meu coração de que se for pra ser, será no tempo certo. Neste momento não me sinto preparada, embora pareça e algumas pessoas achem que estou.
Quanto a casar com todo o ritual, a pompa e a circunstância, nunca fez meu gênero. Existe possibilidade de um não-casamento como lançou a ideia a Niara. Ou morar junto, ou namorar para sempre. Também não sei nem tenho ideia. Como espírita sei que devo ter planejado tudinho lá na erraticidade e como fui abençoada pelo dom do esquecimento deixo que as coisas aconteçam no momento que devem acontecer.
Desculpem o desabafo. Faz bastante tempo que rumino estas questões todas na minha cabeça e no meu coração e comigo pelo menos as coisas só ficam realmente claras quando as coloco no papel e definitivamente pra fora. Agora sim está tudo cristalino! ;)