Nunca tive vergonha da minha condição financeira, da minha família, da minha casa ou do lugar onde eu morava. Sempre soube que éramos pobres e usava de bom grado as roupas, sapatos e outras coisas que ganhava dos primos mais velhos ou de amigos com melhores condições financeiras. Mas tive na adolescência amigos que tinham vergonha da sua família, da casa ou do trabalho dos pais. As roupas de marca eram uma forma de tentar esconder uma casa com problemas estruturais. Um destes amigos foi embora muito cedo, não lembro ao certo a idade que ele tinha quando morreu, mas era no máximo 20 anos. Foi num acidente de carro na estrada entre Pelotas e Rio Grande.
O pai dele me chamava carinhosamente de "porqueira"! E nunca duvidei que fosse carinhoso. Ele falava assim principalmente quando eu e a Ana Paula íamos pra Bento ficar na volta deles enquanto trabalhavam. Nosso amigo tinha vergonha que outras pessoas o vissem ali fazendo o percurso do passeio das pôneis. Mas nós não só passávamos a tarde, como várias vezes íamos ao lado dele fazendo o percurso em volta a da praça. Ele era um cara bem inteligente, estudou na escola técnica e gostava de Guns n' roses. Gosto, aliás, pelo qual vivíamos brigando, afinal ele era do rock e nós até gostávamos de rock, mas estávamos na época das bandinhas água com açúcar, com carinhas bonitinhos e letras melosas.
Entrei apenas uma vez na casa dele, geralmente nos falávamos na esquina da casa dele, que era a metade do caminho entre a minha casa e a casa da Ana Paula. A gente costumava se visitar todos os sábados. Combinamos que um sábado eu iria a casa dela e no outro ela iria na minha. E na hora de ir embora uma acompanhava a outra até um pedaço, que virava até a outra esquina e quando víamos estávamos na esquina da casa da outra e precisávamos acompanhar pelo percurso de novo e de novo. No verão fazíamos isto até um pouquinho antes de anoitecer. O bairro apesar da fama era bem mais calmo também. Neste vai e vem sempre encontrávamos este amigo pelo caminho, ou chamávamos na frente da casa e pra ficarmos de papo ali na frente, falando abobrinhas, discutindo besteiras e dando muita risada. Ficávamos felizes juntos! Desta vez que entrei na casa deste amigo foi numa festa de aniversário dele, acho que era de 18 anos. Além da família só nós duas. E foi nesta única vez que aprendi uma das coisas mais importantes da minha vida. Aprendi que um lar é muito mais, mas muito mais mesmo que uma casa bem estruturada. Um lar é feito de gente que se ama e que mesmo sabendo que não é motivo de orgulho pro outro faz tudo pra ele estar e ser feliz. A casa deste meu amigo tinha problemas no telhado, tinha animais aqui e ali, tinha umas tranqueiras no caminho, alguns entulhos de obras inacabadas. Faltavam algumas coisas materiais, talvez coisas que fizessem falta para o conforto da família que trabalhava duro. Mas sobrava amor, tinha fartura na mesa, tinha muita alegria, tinhas corações abertos e gente acolhedora que te fazia sentir em casa, mesmo que aquela fosse a primeira vez que te vissem.
Eu sei que a maior luta deste meu amigo era pra superar as dificuldades financeiras, ter um lugar confortável pra morar. A vontade de mudar foi o que o levou a batalhar seus sonhos. Acho que quando ele desencarnou não estava morando em Pelotas, mas seguido vinha por causa do trabalho e da família. O desencarne foi um choque, foi estranho pois nesta época ainda temos uma noção de morte muito remota, é como se fôssemos imortais.
Escrevi este texto porque senti saudade daqueles tempos. Lembrei do nosso amigo, dos domingos na Bento, das risadas e dos planos de sermos famosos, ricos, bonitos e magros.
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
terça-feira, 26 de maio de 2015
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Sobre o amor
Ultimamente vejo muita gente pedindo mais amor, coisa que um barbudão há milênios atrás dizia que era o único mandamento, amarmos uns aos outros. Mas tem quem pense que amor é coisa de outro mundo, que amor de verdade só de mãe, aliás, em alguns presídios os caras tatuam isto na pele tamanha dureza daqueles lugares e mostrando que "os brutos também amam", pelo menos suas mães. E realmente o amor materno é algo que representa o amor de verdade. Há exceções, claro, tem quem não tenha vindo a este mundo preparada para ser mãe, ok! Mas aquelas mulheres que se dispõe a serem mães tem dentro delas a semente do amor, daquele que parece ser ideal e utópico de respeitar o outro apesar de todos os defeitos e diferenças, daquele faz com que se abra mão de determinadas coisas para a felicidade do ser amado.
É amor de mãe que te faz crescer, que te aponta os caminhos e te guia para que sigas tuas próprias escolhas com liberdade apesar de o coração estar apertado. O Amor, do qual falou o barbudão JC é assim. Amar é admitir que não tem condições de criar um filho e dar para adoção. É trabalhar de sol a sol e mesmo cansada ter tempo de revisar os temas, dar bronca, dizer não e mandar tomar banho e escovar os dentes. É dar tarefas e ensinar sobre responsabilidade.
A primeira vez que assisti "Minha vida por meus filhos", um filme antigo que deu inúmeras vezes na sessão da tarde chorei que deu gosto. Aliás, choro sempre e tanto que quando o filme tem momentos tocantes meus sobrinhos e meu namorado ficam olhando pra mim pra ver as lágrimas começarem a rolar. E se espantam quando eu não choro! Este filme é lindíssimo e conta a história de uma mulher que depois de dar a luz seu décimo filho descobre um tumor em estágio avançado. Com esta descoberta sua primeira atitude é buscar famílias que queiram adotar seus filhos e mantê-los em contato. Só de lembrar já me dá vontade de chorar! Gente, quando que fragilizados por uma doença terminal nós deixaríamos o egoísmo de lado para cuidar do bem estar e do futuro daqueles que ficariam? Ela conversa com os possíveis pais adotivos e conforme vai encontrando as novas famílias as despedidas vão acontecendo. Como nos casos de adoção ainda hoje, os menores são os primeiros a serem desejados, mas aos poucos todos são acolhidos por novos lares.
E a maior lição do filme é que para amar de verdade é preciso querer e superar o egoísmo e a vaidade.
No filme "Lado a lado", Susan Sarandon interpreta uma mãe, paciente terminal de câncer, que busca um bom entendimento com a futura esposa do ex-marido, pensando no bem estar dos filhos após sua morte. Mas não seria muito melhor que as pessoas tivessem esta consciência mesmo sem estarem doentes? Se por qualquer motivo tua relação com o pai dos teus filhos não deu certo, que pudessem ter uma convivência tranquila pelo bem das crianças. Mas é difícil, porque o egoísmo, a mágoa, o rancor muitas vezes se coloca na frente do bem estar dos próprios filhos, que são usados para machucar o outro, para punir.
Os filhos não são armas, não são um bem de um ou de outro. Filhos são a comprovação de que, ainda que agora tu não tenhas mais "aquele amor", um dia ele existiu e está cristalizado na forma de um filho. E a mágoa, a raiva, o rancor não podem ser maiores que o amor pelo seu filho.
Vai ter quem diga que eu não tenho filho, por isto que falo assim. Mas espero sinceramente que eu pense assim quando/se tiver filhos e pense no bem do outro sempre que eu amar alguém. Porque eu já compreendi que no amor não cabe preconceito, egoísmo, ressentimento, mas mesmo que ainda existam estes sentimentos na tua forma de amor, não deixe de amar, pois o exercício do amor nos faz melhores amantes ou seria amadores, ou quem sabe amorosos?
Tem até umas piadinhas dizendo "aquilo que te dá frio na barriga é montanha russa o amor é outra coisa", por exemplo. E realmente o amor é outra coisa. É uma coisa muito boa e que vale a pena sempre, leve o tempo que levar.
É amor de mãe que te faz crescer, que te aponta os caminhos e te guia para que sigas tuas próprias escolhas com liberdade apesar de o coração estar apertado. O Amor, do qual falou o barbudão JC é assim. Amar é admitir que não tem condições de criar um filho e dar para adoção. É trabalhar de sol a sol e mesmo cansada ter tempo de revisar os temas, dar bronca, dizer não e mandar tomar banho e escovar os dentes. É dar tarefas e ensinar sobre responsabilidade.
A primeira vez que assisti "Minha vida por meus filhos", um filme antigo que deu inúmeras vezes na sessão da tarde chorei que deu gosto. Aliás, choro sempre e tanto que quando o filme tem momentos tocantes meus sobrinhos e meu namorado ficam olhando pra mim pra ver as lágrimas começarem a rolar. E se espantam quando eu não choro! Este filme é lindíssimo e conta a história de uma mulher que depois de dar a luz seu décimo filho descobre um tumor em estágio avançado. Com esta descoberta sua primeira atitude é buscar famílias que queiram adotar seus filhos e mantê-los em contato. Só de lembrar já me dá vontade de chorar! Gente, quando que fragilizados por uma doença terminal nós deixaríamos o egoísmo de lado para cuidar do bem estar e do futuro daqueles que ficariam? Ela conversa com os possíveis pais adotivos e conforme vai encontrando as novas famílias as despedidas vão acontecendo. Como nos casos de adoção ainda hoje, os menores são os primeiros a serem desejados, mas aos poucos todos são acolhidos por novos lares.
E a maior lição do filme é que para amar de verdade é preciso querer e superar o egoísmo e a vaidade.
Os filhos não são armas, não são um bem de um ou de outro. Filhos são a comprovação de que, ainda que agora tu não tenhas mais "aquele amor", um dia ele existiu e está cristalizado na forma de um filho. E a mágoa, a raiva, o rancor não podem ser maiores que o amor pelo seu filho.
Vai ter quem diga que eu não tenho filho, por isto que falo assim. Mas espero sinceramente que eu pense assim quando/se tiver filhos e pense no bem do outro sempre que eu amar alguém. Porque eu já compreendi que no amor não cabe preconceito, egoísmo, ressentimento, mas mesmo que ainda existam estes sentimentos na tua forma de amor, não deixe de amar, pois o exercício do amor nos faz melhores amantes ou seria amadores, ou quem sabe amorosos?
Tem até umas piadinhas dizendo "aquilo que te dá frio na barriga é montanha russa o amor é outra coisa", por exemplo. E realmente o amor é outra coisa. É uma coisa muito boa e que vale a pena sempre, leve o tempo que levar.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Purple Door
"Purple door" uma porta violeta que muda a vida de jovens moradores de rua está é a síntese da transformação que opera a cafeteria com este nome. Eles auxiliam moradores de rua dando cursos e oferecendo trabalho e desta forma mudam a vida destas pessoas. O casal Madison Chandler e Mark Smesrud, de Denver, no Colorado tomou a iniciativa por não se conformar com o fato de existirem mais de dois mil pessoas sem teto entre 15 e 24 anos. Iniciativas como estas existem só não são tão divulgadas como as tragédias e as dores do mundo. Saiba mais sobre a Purple Door aqui. A fonte das informações contidas neste texto são da Hypeness.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Salve são Jorge! Ogunhê!
Sou espírita, aos poucos vou me reformando intimamente, tentando modificar e me melhorar, tentando eliminar vícios e ser alguém melhor. Mas antes de me descobrir espírita, me descobri espiritualista, certamente reminiscências de outras vidas em que trabalhei com ervas para curar (o que é uma coisa que me vem intuitivamente quando alguém tá doente), lembrança daquelas possíveis existências em que vivi como indígena, como africana, aqui e talvez lá no berço da humanidade, enfim... E enquanto espiritualista me identifico muito com as práticas da umbanda (onde praticamente fui criada). Assim como eu, o centro espiritualista que me introduziu na espiritualidade também está evoluindo, trabalha alguns dias com o espiritismo, tendo como base as obras de Kardec. Não existem mais "trabalhos" com sacrifícios de animais nem oferendas nas ruas, tudo agora vira doação para as famílias necessitadas que frequentam o centro. As oferendas viraram auxílio para aqueles que necessitam o que comer e o que vestir.Nesta minha andança um santo, um orixá sempre esteve comigo. É algo inexplicável mas o sentido de proteção nos perigos que passei sempre vinha do meu querido São Jorginho. Sim, nesta intimidade mesmo, afinal de contas, ele é o grande orixá, o venerado santo católico, mas antes de mais nada é um espírito amigo que me auxilia nos momentos difíceis e como meu amigo aceita que o chame carinhosamente assim. Minha fé contagiou muita gente na minha família e de certa forma somos uma família devota de São Jorge. Tenho muito a agradecer a este amigo que tantas vezes me auxiliou e ajudou aos meus familiares. Neste dia de homenagens a São jorge elevo meu pensamento em agradecimento por todas as graças concedidas! Salve São Jorge! Salve Ogum orixá guerreiro! Ogunhê!
terça-feira, 10 de março de 2015
Não é a roupa da mulher que deve ser mudada, mas o comportamento do homem!
Fico muitíssimo indignada quando uma mulher é assediada ou abusada e a primeira coisa que perguntam é sobre a roupa que usava. Eu nunca usei roupas curtíssimas ou decotadérrimas e fui assediada na rua muitas vezes. Não uso roupas curtas porque me sinto desconfortável, porque gosto de sentar no chão, de dobrar as pernas. Mas mesmo com roupas "bem comportadas" sofri assédio.
Teve uma época, quando tinha meus 10 ou 11 anos que tinha medo de ir até o bar da esquina porque tinha um homem que me perseguia. Ele me seguia de bicicleta dizendo um monte de besteiras, falando que queria fazer isto e aquilo, coisas que com dez anos eu não fazia ideia do que se tratava, mas que sabia que não queria aquela coisa asquerosa tocando em mim. Várias vezes eu corri pra casa, pois ele andava sempre de bicicleta. Eu sentia muito medo! Isto aconteceu até um dia que entrei em casa correndo e chorando e meu pai saiu atrás dele e o confrontou.
Naquele momento eu temi por mim e pelo meu pai. Graças a Deus não aconteceu nada e aquele nojento parou de me perseguir.
Mas não fiquei imune a piadas na rua, barulhos de chupão e outras coisas mais. Uma vez eu estava esperando o ônibus, pelas sete horas da manhã, na esquina da minha casa, onde tinha dois bares, mas estavam fechados e um cidadão, já com seus 40 anos e que vivia de fazer pequenos trabalhos de capina nas casas ali da volta resolveu se mostrar. Desceu da bicicleta, encostou-a no muro do bar e veio pra cima de mim com as calças arriadas e balançando seu pênis. Não sei como consegui reagir tão rápido! Deu uma surra de sombrinha no tarado! Bati nele com muita raiva! Tanta que quebrei a sombrinha e ele fugiu correndo! Depois disso pensei no quão arriscado tinha sido minha atitude e que ele poderia ter reagido, me batido e sei lá mais o que. Voltei pra casa tremendo que nem vara verde! Com as pernas bambas e chorando! Nunca mais aquela criatura se quer olhou pra mim, se me via na rua mudava o rumo. Mas ele poderia ter agido diferente e tentado fazer algo comigo novamente não é? E não era porque eu estava de mini ou micro saia, porque nunca usei nada muito acima do joelho. Não era porque eu estava de short curto ou blusa decotada ou transparente. Foi porque eu sou mulher e eles acreditam que mulheres estão aí pra isso.
Eu até acho bom que se use uniforme nas escolas e no trabalho, economizam nossas rouptchas! Mas optar por isso porque guris adolescentes não sabem respeitar as colegas é no mínimo absurdo. E mais absurdo é ouvir da responsável pelo SOE (nem sei se existe isto ainda) que as meninas devem usar "roupas comportadas e que se os guris derem piadas ou passarem a mão ela não tem nada o que fazer!" É acreditem já ouvi mais de uma vez o mesmo argumento no Dom João Braga (escola péssima, aliás) . E de mais de uma pessoa.
Outro dia um pai reagiu ao argumento dizendo que eles deveriam fazer os guris respeitar e não fazer as gurias andarem tapadas. Isso me deu uma pontinha de esperança e pensei, nem tudo tá perdido!
Mas ainda que sejamos maioria, ainda somos vítimas destes abusos.
Teve uma época, quando tinha meus 10 ou 11 anos que tinha medo de ir até o bar da esquina porque tinha um homem que me perseguia. Ele me seguia de bicicleta dizendo um monte de besteiras, falando que queria fazer isto e aquilo, coisas que com dez anos eu não fazia ideia do que se tratava, mas que sabia que não queria aquela coisa asquerosa tocando em mim. Várias vezes eu corri pra casa, pois ele andava sempre de bicicleta. Eu sentia muito medo! Isto aconteceu até um dia que entrei em casa correndo e chorando e meu pai saiu atrás dele e o confrontou.
Naquele momento eu temi por mim e pelo meu pai. Graças a Deus não aconteceu nada e aquele nojento parou de me perseguir.
Mas não fiquei imune a piadas na rua, barulhos de chupão e outras coisas mais. Uma vez eu estava esperando o ônibus, pelas sete horas da manhã, na esquina da minha casa, onde tinha dois bares, mas estavam fechados e um cidadão, já com seus 40 anos e que vivia de fazer pequenos trabalhos de capina nas casas ali da volta resolveu se mostrar. Desceu da bicicleta, encostou-a no muro do bar e veio pra cima de mim com as calças arriadas e balançando seu pênis. Não sei como consegui reagir tão rápido! Deu uma surra de sombrinha no tarado! Bati nele com muita raiva! Tanta que quebrei a sombrinha e ele fugiu correndo! Depois disso pensei no quão arriscado tinha sido minha atitude e que ele poderia ter reagido, me batido e sei lá mais o que. Voltei pra casa tremendo que nem vara verde! Com as pernas bambas e chorando! Nunca mais aquela criatura se quer olhou pra mim, se me via na rua mudava o rumo. Mas ele poderia ter agido diferente e tentado fazer algo comigo novamente não é? E não era porque eu estava de mini ou micro saia, porque nunca usei nada muito acima do joelho. Não era porque eu estava de short curto ou blusa decotada ou transparente. Foi porque eu sou mulher e eles acreditam que mulheres estão aí pra isso.
Eu até acho bom que se use uniforme nas escolas e no trabalho, economizam nossas rouptchas! Mas optar por isso porque guris adolescentes não sabem respeitar as colegas é no mínimo absurdo. E mais absurdo é ouvir da responsável pelo SOE (nem sei se existe isto ainda) que as meninas devem usar "roupas comportadas e que se os guris derem piadas ou passarem a mão ela não tem nada o que fazer!" É acreditem já ouvi mais de uma vez o mesmo argumento no Dom João Braga (escola péssima, aliás) . E de mais de uma pessoa.
Outro dia um pai reagiu ao argumento dizendo que eles deveriam fazer os guris respeitar e não fazer as gurias andarem tapadas. Isso me deu uma pontinha de esperança e pensei, nem tudo tá perdido!
Mas ainda que sejamos maioria, ainda somos vítimas destes abusos.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Deficiente mental porque fui um?
Acabei de ler os relatos destes espíritos que vieram em sua última encarnação com algum grau de deficiência mental. O livro joga por terra aquela ideia de regra quanto ao motivo de alguém reencarnar com limitações físicas ou mentais. São várias histórias contadas pelos próprios espíritos e depois comentada pelo mentor Antonio Carlos. Vamos encontrar histórias de suicidas, ex-usuários de drogas, delatores torturados pelo remorso, pessoas que praticaram mal contra seus semelhantes e até o caso de um rapaz que reencarnou para aproximar a família da espiritualidade. Cada caso é um caso isto o livro deixa bem claro. Aliás, o relato deste jovem me emocionou muito. Ele nasceu sem nenhuma deficiência, mas tornou-se deficiente por conta de um acidente de transito, no qual deveria desencarnar. Como sentia-se em dívida, pois não havia conseguido fazer com que a família se espiritualiza-se pediu permissão para continuar encarnado, sobre o que foi alertado pelo seu mentor que, caso ocorresse, ele viveria com muitas limitações, sofrimento e dor. Ele insistiu e lhe foram concedidos mais alguns anos. Sua missão foi plenamente realizada! Como antes do acidente ele já frequentava o centro espírita e estudava a doutrina, seus companheiros do grupo jovem daquela casa passaram a lhe visitar e mais tarde outras pessoas do centro, com isto a família começou a interessar-se pelo Espiritismo e tornou-se seguidora da doutrina. Quando ele de fato desencarnou, noutro acidente a família compreendeu o desencarne, sabendo que tudo não passava de uma separação momentânea.Enquanto lia, pensei em várias pessoas e famílias que conheço e que tem em seu seio alguém com uma deficiência. Eu mesma tenho dois afilhados com limitações, que são cercados de muito amor, condição imprescindível para o bom desenvolvimento destas pessoas.
Outro relato que muito me tocou foi o do Benedito, que nasceu com deficiência devido a sífilis de que os pais eram portadores. Na sua família todos os irmãos tinham algum grau de deficiência, mas ele foi o mais afetado. Ainda assim, era muito ativo, trabalhava com os pais na lavoura e depois, quando passou a viver na cidade começou a trabalhar rachando lenha na casa das pessoas. Mesmo com o trabalho pesado cuidou dos avós com muito carinho até seu desencarne e depois dos pais. No plano espiritual não ficou com nenhuma sequela da deficiência, visto que seu perispírito não havia sido afetado, mas apenas o corpo físico.
Para quem não crê no espírito, na reencarnação tudo pode parecer apenas uma forma de alento aqueles que sofrem. De toda forma o que devemos ter claro é que precisamos sempre amar. Uma vida não vale a pena se não amarmos.
Recomendo a leitura!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Amar não é difícil
Eu tinha tanto medo de amar, não de amar, porque eu amava, mas de demonstrar, dizer, viver aquilo tudo porque era desconhecido e o desconhecido dá medo. E se eu tivesse que mudar muita coisa na minha vida, e se eu tivesse que mudar muita coisa em mim, descobrindo que eu não era aquela pessoa tão legal, tão bem resolvida, tão "perfeita" como minha mãe achava? Mas que mentira, minha mãe nem acha que sou perfeita e fala dos meus defeitos na minha cara. Tá, mas e se meus defeitos não fossem só aqueles de que ela falava, e se fossem maiores ou mais graves do que a minha mãe dizia? Será que eu conseguiria conviver comigo descobrindo tanto mais coisas a meu respeito? Porque minha mãe conhece cada defeito meu, sabe quando estou bem e quando estou triste, quando estou brava e quando estou cansada. Ela me conhece há tempo demais e apesar de conhecer meu íntimo, me ama imensamente. E ama, não como se eu não tivesse defeitos, mas me ama na esperança, na solidariedade e na certeza de que posso corrigir cada um deles. Ela enxerga em mim alguém melhor. Alguém que eu às vezes não enxergo. Mas com o amor que tem por mim ela vê.
Então tem a questão do amor próprio. Não podemos amar ninguém se não nos amarmos.
Eu ainda não perdi totalmente o receio de demonstrar o amor que sinto, vejam bem, não é mais medo! Consigo me arriscar um pouco. Tive um encontro feliz que me levou a mudar bastante coisa na minha vida. Começou por minha mudança pro meu apartamento. Passa por ceder em algumas coisas, reconhecer limitações, enfim...
Não sei o quanto o outro me ama, apenas sei o que eu sinto. Algumas vezes isto basta, outras, como ainda tenho aqueles terríveis defeitos, não é suficiente. E isto ocorre geralmente naquela época do mês em que os hormônios me atacam e a TPM fica a mil. O corpo inchado, pernas pesadas e a irritação fazem parecer que nada tá certo. Então eu me dou conta e tendo controlar. Às vezes saem algumas reclamações e cobranças, noutras me sinto carente e choro muito. Por tudo... por qualquer coisa! Aí eu ganho alguns abraços apertados e tudo vai voltando ao "normal" novamente.
E eu me encho de coragem e penso, "de que vale a vida se não for pra amar as pessoas?" Amar não é difícil, a gente tem dentro esta capacidade mágica. O difícil é não nos deixarmos levar pelo que idealizamos como amor. É esta idealização que nos faz descrer das coisas. Vamos perder o medo de amar! Vamos nos desarmar e AMAR!
Então tem a questão do amor próprio. Não podemos amar ninguém se não nos amarmos.
Eu ainda não perdi totalmente o receio de demonstrar o amor que sinto, vejam bem, não é mais medo! Consigo me arriscar um pouco. Tive um encontro feliz que me levou a mudar bastante coisa na minha vida. Começou por minha mudança pro meu apartamento. Passa por ceder em algumas coisas, reconhecer limitações, enfim...
Não sei o quanto o outro me ama, apenas sei o que eu sinto. Algumas vezes isto basta, outras, como ainda tenho aqueles terríveis defeitos, não é suficiente. E isto ocorre geralmente naquela época do mês em que os hormônios me atacam e a TPM fica a mil. O corpo inchado, pernas pesadas e a irritação fazem parecer que nada tá certo. Então eu me dou conta e tendo controlar. Às vezes saem algumas reclamações e cobranças, noutras me sinto carente e choro muito. Por tudo... por qualquer coisa! Aí eu ganho alguns abraços apertados e tudo vai voltando ao "normal" novamente.
E eu me encho de coragem e penso, "de que vale a vida se não for pra amar as pessoas?" Amar não é difícil, a gente tem dentro esta capacidade mágica. O difícil é não nos deixarmos levar pelo que idealizamos como amor. É esta idealização que nos faz descrer das coisas. Vamos perder o medo de amar! Vamos nos desarmar e AMAR!
Assinar:
Postagens (Atom)
