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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Frases, livros, autores e personagens que eu amo!

A casa dos espíritos - Isabel Allende

Sou partidária de que o livro é sempre melhor do que o filme, ainda que o diretor tenha feito um bom trabalho em transformar em imagens as palavras do autor. Mas é bem difícil transformar um livro de forma fiel em filme. Dos livros que tenho lido e feito a comparação com o filme o mais próximo do livro foi "O caçador de pipas" e a série "Orgulho e preconceito" da BBC. No entanto, também acho que tem filmes muuuito bons baseados em livros, embora a história tenham diferenças grandes. Então o que eu faço na minha cabeça, deixo claro, desconsidero o fato de ser baseado e trato ambos como histórias individuais. O que acontece com o livro e o filme "A casa dos espíritos" é algo assim.

O filme tem ótimos atores, mas tem erros bem fortes (na minha opinião, claro!). Uma das coisas que achei uma falta foi o cabelo da personagem Rosa não ter sido pintado de verde para ficar tal qual o livro. Na adaptação para o cinema foram suprimidos os filhos gêmeos de Clara e Esteban, o que na minha opinião não foi legal, visto que tanto Jaime como Nicolás foram muito importantes na formação da personalidade e do caráter de Alba. Aliás a adolescência e a juventude de Alba foi esquecida e todas as suas vivências foram retratadas como experiências vividas por sua mãe Blanca. É como se o filme acabasse na metade do livro.

Outra coisa que também achei mal no filme foi o nome da personagem do Antonio Banderas, sendo que ele deveria ser Pedro Terceiro e no filme aparece como segundo, todo o tempo. É provável que isto se dê pelo fato de terem desconsiderado o Pedro García, o velho, que é o primeiro dos Pedros. Também senti muita falta do casarão da esquina e de todo o movimento que este casarão continha com suas sessões espíritas, entra e saí de pessoas acolhidas por Clara e Jaime e todas as maluquices de Nicolás.

Como toda história de vida, a vida dos Trueba é cheia de histórias de outras pessoas que vão se misturando e desenvolvendo paralelamente. Mas elas são tão importantes para a trama como a história individual de cada personagem da família. Um momento crucial na vida de "Las tres Marías" e de seus donos foi um tremendo terremoto que deixou a casa grande da fazenda em ruínas, tal como seu dono Esteban que foi soterrado por ela.  Comparativamente as histórias deveriam ser tratadas de forma independente como se o filme fosse apenas uma ideia longínqua do livro.

Mas falando exclusivamente do livro, a história de Isabel Allende é fantástica! Adoro seu jeito de descrever em detalhes fisionomias, paisagens, locais e situações. Esteban Trueba é uma criatura pavorosa, da qual não gostei, mas até que me compadeci dele no final do livro, coisa que não ficou clara no filme. (Ops, era pra falar só do livro hahaha) Acontece que mesmo sendo um reacionário de primeira, Esteban arrependeu-se de ter ajudado os milicos a derrubarem o candidato comunista. No livro isto aparece bem claro, sendo falado pelo personagem. No filme não.

A Blanca do livro é resignada e aceita de forma passiva algumas situações impostas pelo pai. Rebelde e determinada era Alba, a neta de cabelos verdes de Trueba. Alba detinha em si o melhor de todas as personagens do livro. Um pouco da clarividência da vó Clara, a generosidade, a bondade e a inteligencia de Jaime, a impetuosidade de Nicolás, a beleza de Rosa, a teimosia (ou seria determinação?) de Esteban, a atuação política de Pedro Terceiro. Ela reunia muitas qualidades e por isto tornava-se tão autêntica e apaixonante. No livro pode-se perceber cada detalhe desta personalidade, no filme ela não passa de uma criança alheia as coisas. Sendo que na história original ela é atuante desde os primeiros anos de vida.

Já disse antes, mas não custa nada repetir, Isabel Allende é minha escritora favorita. Acho que um pouco por que faz das suas histórias e experiências pessoas literatura e poesia. Adoro sua forma de escrever, consigo criar o mundo que ela descreve, por mais fantástico que seja, em minha mente. O primeiro romance que li dela foi "Contos de Eva Luna" e de lá pra cá adorei cada um dos seus livros, até o infanto-juvenil "Cidade das feras" está entre meus favoritos.

Fiquei um pouco decepcionada com o filme é verdade. Mas creio que a escolha do elenco para o filme foi boa e os atores encarnaram bem as personagens, pena que o roteiro não tenha sido tão fiel. Talvez tivesse sido melhor dividir a história e ter feito uma série de filme tratando cada geração num filme e desta forma ser mais fiel a história do livro.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Frases, livros, autores e personagens que eu amo!

Costumo dizer, sem medo de errar, que meu autor favorito é Gabriel García Marquéz. Tenho muitos autores de quem gosto, mas o Gabo é o de quem mais gosto. O engraçado é que não gosto nada de ficção científica, mas o realismo fantástico de Gabo me prende. Não acho interessante um cientista maluco que cria bombas, gosmas assassinas ou coisa que o valha. No entanto, fico presa querendo saber da vida da pequena menina que raspava com as unhas o reboco da parede para comer e sua maravilhosa explosão de borboletas.
Na forma de gabo escrever não parece absurdo que um homem fique mais de meio século a espera da morte de seu rival para, assim, poder conquistar finalmente o coração da sua amada. Tampouco soa esquisito que paguem a alguém para sonhar, ainda que alguns sonhos sejam os mais bizarros possíveis. García Márquez é aclamado como autor, mas sua postura política, sua amizade com Fidel Castro e outros homens de grande importância política também são admirados.
Voltando as personagens... as histórias...
Reli há poucos meses O amor nos tempos do cólera. É um livro lindo! E eu, como sou do contra, acabo sempre me apaixonando por Juvenal Urbino. Não gosto da personalidade sombria de Florentino Ariza. Urbino comete seus deslizes, mas o amor que dedica a Fermina na minha visão é mais bonito e puro. Enquanto o de Florentino é uma doença, uma obsessão que me assusta. O amor nos tempos do cólera é dos preferidos no mundo, tendo participação importante num filme protagonizado por John Cusack. Acho o filme muito bonitinho, é uma comédia romântica, que "deixa nas mãos do destino" o reencontro do casal. Ele busca na última página de uma edição de O amor nos tempos do cólera o número do telefone de Sara. Ela espera que uma nota com o número dele chegue até ela. É interessante ver o livro como "personagem".

Mas o personagem de Gabo de que mais gosto e sempre penso é José Arcádio. Pode ser que numa releitura tudo mude, mas sua personalidade me encanta, apesar da casmurrice, do seu fechamento em si mesmo. Torci muito para que não conseguisse se matar quando ficou viúvo. Seus cem anos de solidão, suas investidas pela alquimia e toda a sua família com inúmeros nomes repetidos.Não pude deixar de concordar com a Clara del Valle Trueba (A Casa dos Espíritos, Isabel Allende) quando ela diz que nomes repetidos confundem as memórias nos cadernos de anotar a vida. Gabo não viu problema nisto e foi batizando e rebatizando personagens com os mesmos nomes ou combinando uns com outros formando tantos outros nomes. Aconselho ao leitor de Cem anos de solidão que enquanto lê vá montando a árvore genealógica  dos Buendía, mais no objetivo de não se perder na história.

São tantas personagens, são tantas histórias e até mesmo reportagens que ainda não li! Tenho muito o que ler do meu amado Gabo, depois de reler Cem anos de solidão faço uma resenha e lhes conto se sigo amando José Arcádio. E preciso ler, pelo menos mais três livros do Gabo que comprei e não consegui ler.
Vou contanto aqui o que me encanta neste escritor. Até breve!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Frases, livros, autores e personagens que eu amo!


Não foi inadvertidamente que li primeiro "Quincas Borba". Sim, o próprio Machado de Assis no início do romance destaca a importância de primeiro conhecer as "Memórias póstumas de Brás Cubas". Talvez por ter contrariado Machado (este meu tão querido autor) que a frase mais marcante do livro, a qual guardo encrustada na memória seja "ao vencedor as batatas". Não é nada poético como "os olhos de ressaca de Capitu". Nem tão jocoso, diria o próprio Machado, como "bonita porém coxa".
Estou lendo "Memórias..." e forço a minha própria memória para lembrar da história de Quincas Borba. E não consigo lembrar de nada, além da dita frase. Após passado o primeiro instante de sandice nos primeiros capítulos do livro a leitura esta fluindo. E vira e mexe a frase do Quincas me vem a lembrança.
Quando pensei em fazer este post, esta frase foi a primeira que veio a minha cabeça. Claro, que existem várias outras frases, românticas, bonitas e com um conteúdo bem mais significativo do que esta, mas... apesar de sermos racionais nem sempre a razão explica o porquê de gostarmos de certas coisas e não de outros. Lembro de um professor na faculdade que disse que com Machado de Assis se aprendia muita coisa velha em resposta a minha esfuziante máxima de que adorava o autor por sempre aprender coisas novas. É possível que a razão não explique o que eu considero novo e ele velho. Também não importa, visto que continuei lendo muito Machado de Assis.
O que mais amo na escrita de Machado é o uso da ironia. Na adolescência a gente acha que Machado de Assis é chato, mas não é. Ele tem um humor fantástico e o uso da ironia como argumento da escrita faz com que consigamos compreender, por exemplo o motivo que levou Capitu a trair Bentinho. Se é que isto aconteceu, claro. E vem a dúvida, outra presença constante nos romances machadianos.
Não sou uma grande conhecedora de Machado de Assis, confesso. O primeiro livro dele que li foi "Helena", ainda no primário e acho que devo ler novamente. Foi o primeiro romance que li na vida. Depois li "O alienista", "Dom Casmurro", "Quincas Borba", alguns contos e poemas. Não posso dizer que é o meu autor favorito e mais amado, mas tem um lugar especial pelo seu realismo. Ainda que suas estórias se passem no século retrasado a proximidade das personagens com as pessoas "reais" é muito forte. Quem já não teve a reação ou não exclamou uma frase, mesmo que mental, como a que descreve Marina ("bonita porém coxa")?
Muito da obra de Machado conheci pela televisão através de novelas e séries baseadas nos seus romances, tal como "Iaiá Garcia" e "Uns braços". Mas sou daquelas que acha a história do livro é a verdadeira. E convenhamos que nem sempre os filmes são fiéis a obra literária. Seguirei contando pra vocês a respeito dos meus livros, personagens e frases favoritas. Comecei por um autor que respeito muito!

Fotos: google