"A bibliotecária de Auschwitz" de autoria de Antonio G. Iturbe é um romance baseado na história real de Edita Adlerova uma menina russa prisioneira do campo de concentração e extermínio Auschwitz-Birkenau. A jovem estava com os pais e participava do perigoso esquema de educação montado por Alfred Hirsch no pavilhão 31. Dita, como era conhecida, era a bibliotecária ao qual o título se refere e é através dela, das suas lembranças e vivências que ficamos conhecendo o drama de ser uma criança presa num campo alemão durante a segunda guerra mundial.
O livro ganha a gente nas primeiras citações, nas primeiras palavras da abertura. E dá um destaque grande para algo que devemos todos atentar "livros são perigosos porque nos fazem pensar". Tanto que mesmo dominando quase tudo ao seu redor os alemães não permitiam livros ou qualquer forma de ensino para as crianças prisioneiras em Auschwitz. Ajudar pessoas a pensar e adquirir conhecimento foi o trabalho de Hirsch, tido como louco por tal ousadia.
Adorei esta frase do livro logo que li lembrei imediatamente de Paulo Freire: " Não importa quantos colégios os nazistas fechem, respondia. Cada vez que alguém se detiver num canto para contar algo e algumas crianças se sentarem ao redor para escutar, ali terá sido fundada uma escola". Creio que os amigos professores e educadores apreciarão a leitura. Eu estou apenas no começo, mas já estou apaixonada por Hirsch e Dita! Tem um dito, do qual desconheço a autoria, que diz "Livros não mudam o mundo, livros mudam pessoas. Pessoas mudam o mundo!"
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
Mostrando postagens com marcador #livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #livros. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
domingo, 24 de agosto de 2014
Poesias para o domingo
A arte de perder
A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério" Elisabeth Bishop
A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério" Elisabeth Bishop
A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.
(Elizabeth Bishop)
(Do livro ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.)
(Do livro ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.)
Ambos os poemas acima são de Elisabeth Bishop, os mais atentos perceberão que é o mesmo, mas o que me causou curiosidade é a forma que cada um foi traduzido. Já havia lido a primeira versão, encontrada no site O pensador, mas o segundo... sei lá.. me pareceu mais fiel, embora entenda bem pouco inglês para dizer alguma coisa. Resolvi procurar alguns poemas dela por conta da curiosidade que fiquei depois de ler "Cartas de amor aos mortos" da Ava Dellaira. Então, o próximo passo para saber mais sobre esta mulher é assistir "Flores Raras", que perdi de ver no cinema, pois foi daqueles que ficaram apenas uma semana em cartaz e só.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
""Cartas de amor aos mortos" - Ava Dellaira
Estou apaixonada por este estilo de escrita escolhido pela autora Ava Dellaira para contar a estória de Laurel. É uma leitura instigante que
prende demais a nossa atenção. Ava não escolheu uma narração pessoal e direta, tampouco um narrador fora da história para dizer como a vida de Laurel ocorreu naquele momento em que perdeu a irmã e começou o ensino médio. É verdade que quem conta a história é a própria personagem, mas em forma de cartas ricas em detalhes para seus ídolos, ou ídolos de sua irmã, pais, tia e amigos.
Eu que sou do tempo (olha a velhinha falando!haha) em que escrevíamos cartas para amigos distantes, para revistas e até fazíamos cursos por correspondência a leitura é agradabilíssima. Numa época em que as mensagens se resumem de forma absurda (pra mim, pelo menos) sendo trocadas por email, watsap ou sms, com emotions ou palavras abreviadas ler uma longa carta, com detalhes e tantos sentimentos é como voltar um pouco no tempo.
É muito gostoso ver o interesse da adolescente em saber a história daquelas pessoas pra quem ela escreve, para que ela saiba também como eles se sentiam neste mundo. É interessante a forma como ela coloca a importância daqueles ídolos pra ela e para aqueles a quem ama, principalmente para a irmã morta.
Recém comecei a leitura, foram algumas cartas e cerca de 70 páginas de história. De uma estória muito boa! Recomendo a leitura e depois de ler faço um resumo (coisa dificílima pra mim).
prende demais a nossa atenção. Ava não escolheu uma narração pessoal e direta, tampouco um narrador fora da história para dizer como a vida de Laurel ocorreu naquele momento em que perdeu a irmã e começou o ensino médio. É verdade que quem conta a história é a própria personagem, mas em forma de cartas ricas em detalhes para seus ídolos, ou ídolos de sua irmã, pais, tia e amigos.
Eu que sou do tempo (olha a velhinha falando!haha) em que escrevíamos cartas para amigos distantes, para revistas e até fazíamos cursos por correspondência a leitura é agradabilíssima. Numa época em que as mensagens se resumem de forma absurda (pra mim, pelo menos) sendo trocadas por email, watsap ou sms, com emotions ou palavras abreviadas ler uma longa carta, com detalhes e tantos sentimentos é como voltar um pouco no tempo.
É muito gostoso ver o interesse da adolescente em saber a história daquelas pessoas pra quem ela escreve, para que ela saiba também como eles se sentiam neste mundo. É interessante a forma como ela coloca a importância daqueles ídolos pra ela e para aqueles a quem ama, principalmente para a irmã morta.
Recém comecei a leitura, foram algumas cartas e cerca de 70 páginas de história. De uma estória muito boa! Recomendo a leitura e depois de ler faço um resumo (coisa dificílima pra mim).
terça-feira, 12 de agosto de 2014
"O dia em que o papa foi a Melo"
"O dia em que o papa foi a Melo" bem podia ser uma lembrança minha, se é que seria possível que eu lembrasse daquele dia longínquo lá em 1988. Mas minhas palavras jamais seria tão encantadoras quanto as de Aldyr Garcia Schlee que nos conta várias estórias com detalhes interessantíssimos e que lembram as velhas histórias das noites de encontros em família e causos que os antigos costumam contar.
A leitura me fez lembrar de mim diante da televisão, sem reconhecer aquele velhinho com uma toquinha bem pequena na cabeça abanando para as pessoas de baixo de um guarda chuva preto. Lembrei da minha mãe comentando comigo, olha lá tá chovendo. E eu instintivamente olho para rua e reparo que no pátio da nossa casa não está chovendo. Tem também as pessoas cantando "a benção João de Deus"... Eu só me lembro disso, mas já devia ter onze anos por esta época. Mas também, é natural que a gente lembre mesmo só aquilo que nos marcou. Eu nunca fui católica, sempre me esquivei da igreja e coisas que o valha, não seria natural que lembrasse da visita do Papa.
Então eu ganhei o meu amigo Vaz o livro do Schlee,que conta justamente isto e me pego tendo memórias da tal visita, que bem pode ser coisa da minha imaginação. E livro bom é assim nos transporta pra outra dimensão, nos faz viajar centenas de quilômetros pra um lugar onde nunca estivemos, mas que se um dia formos saberemos nos localizar.
Óbvio que como contestadora meu conto favorito é o CONTO VI. As perguntas, a farofada, o problema no chevrolet tigre e os bêbados tudo faz com que me sinta próxima daquela viagem. É o tipo de causo que qualquer tio poderia ter vivido e agora estar contando dando barrigadas de tanto se rir da viagem que não deu certo, ou melhor, que deu até parte do caminho.
O CONTO VII também me agradou e muito, apesar da tristeza. Confesso que segui a sugestão de "cantarolar tristemente, no final,o título deste conto, se quiser chamá-lo de UN DON DIN".
"O ESPELHO PARTIDO" não pode ser deixado a parte. É um conta muito singelo. Gostei muitíssimo! O avô completando 98 anos, o espelho que se parte, toda a gente pra comemorar o aniversário e ver o papa, os rosários, a pétalas, as memórias misturadas de vô e neto.
Adorei a linguagem,senti-me o tempo todo como a escutar o Schlee falando com seu jeito sereno aquelas histórias e vez por outra sorrindo do que lembrava e dando detalhes e falando de fulano e sicrano e de como aconteceram aquelas coisas todas n'O dia em que o papa foi a Melo.
A leitura me fez lembrar de mim diante da televisão, sem reconhecer aquele velhinho com uma toquinha bem pequena na cabeça abanando para as pessoas de baixo de um guarda chuva preto. Lembrei da minha mãe comentando comigo, olha lá tá chovendo. E eu instintivamente olho para rua e reparo que no pátio da nossa casa não está chovendo. Tem também as pessoas cantando "a benção João de Deus"... Eu só me lembro disso, mas já devia ter onze anos por esta época. Mas também, é natural que a gente lembre mesmo só aquilo que nos marcou. Eu nunca fui católica, sempre me esquivei da igreja e coisas que o valha, não seria natural que lembrasse da visita do Papa.
Então eu ganhei o meu amigo Vaz o livro do Schlee,que conta justamente isto e me pego tendo memórias da tal visita, que bem pode ser coisa da minha imaginação. E livro bom é assim nos transporta pra outra dimensão, nos faz viajar centenas de quilômetros pra um lugar onde nunca estivemos, mas que se um dia formos saberemos nos localizar.
Óbvio que como contestadora meu conto favorito é o CONTO VI. As perguntas, a farofada, o problema no chevrolet tigre e os bêbados tudo faz com que me sinta próxima daquela viagem. É o tipo de causo que qualquer tio poderia ter vivido e agora estar contando dando barrigadas de tanto se rir da viagem que não deu certo, ou melhor, que deu até parte do caminho.
O CONTO VII também me agradou e muito, apesar da tristeza. Confesso que segui a sugestão de "cantarolar tristemente, no final,o título deste conto, se quiser chamá-lo de UN DON DIN".
"O ESPELHO PARTIDO" não pode ser deixado a parte. É um conta muito singelo. Gostei muitíssimo! O avô completando 98 anos, o espelho que se parte, toda a gente pra comemorar o aniversário e ver o papa, os rosários, a pétalas, as memórias misturadas de vô e neto.
Adorei a linguagem,senti-me o tempo todo como a escutar o Schlee falando com seu jeito sereno aquelas histórias e vez por outra sorrindo do que lembrava e dando detalhes e falando de fulano e sicrano e de como aconteceram aquelas coisas todas n'O dia em que o papa foi a Melo.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Frases, livros, autores e personagens que eu amo!
Não foi inadvertidamente que li primeiro "Quincas Borba". Sim, o próprio Machado de Assis no início do romance destaca a importância de primeiro conhecer as "Memórias póstumas de Brás Cubas". Talvez por ter contrariado Machado (este meu tão querido autor) que a frase mais marcante do livro, a qual guardo encrustada na memória seja "ao vencedor as batatas". Não é nada poético como "os olhos de ressaca de Capitu". Nem tão jocoso, diria o próprio Machado, como "bonita porém coxa".
Estou lendo "Memórias..." e forço a minha própria memória para lembrar da história de Quincas Borba. E não consigo lembrar de nada, além da dita frase. Após passado o primeiro instante de sandice nos primeiros capítulos do livro a leitura esta fluindo. E vira e mexe a frase do Quincas me vem a lembrança.
Quando pensei em fazer este post, esta frase foi a primeira que veio a minha cabeça. Claro, que existem várias outras frases, românticas, bonitas e com um conteúdo bem mais significativo do que esta, mas... apesar de sermos racionais nem sempre a razão explica o porquê de gostarmos de certas coisas e não de outros. Lembro de um professor na faculdade que disse que com Machado de Assis se aprendia muita coisa velha em resposta a minha esfuziante máxima de que adorava o autor por sempre aprender coisas novas. É possível que a razão não explique o que eu considero novo e ele velho. Também não importa, visto que continuei lendo muito Machado de Assis.O que mais amo na escrita de Machado é o uso da ironia. Na adolescência a gente acha que Machado de Assis é chato, mas não é. Ele tem um humor fantástico e o uso da ironia como argumento da escrita faz com que consigamos compreender, por exemplo o motivo que levou Capitu a trair Bentinho. Se é que isto aconteceu, claro. E vem a dúvida, outra presença constante nos romances machadianos.
Não sou uma grande conhecedora de Machado de Assis, confesso. O primeiro livro dele que li foi "Helena", ainda no primário e acho que devo ler novamente. Foi o primeiro romance que li na vida. Depois li "O alienista", "Dom Casmurro", "Quincas Borba", alguns contos e poemas. Não posso dizer que é o meu autor favorito e mais amado, mas tem um lugar especial pelo seu realismo. Ainda que suas estórias se passem no século retrasado a proximidade das personagens com as pessoas "reais" é muito forte. Quem já não teve a reação ou não exclamou uma frase, mesmo que mental, como a que descreve Marina ("bonita porém coxa")?
Muito da obra de Machado conheci pela televisão através de novelas e séries baseadas nos seus romances, tal como "Iaiá Garcia" e "Uns braços". Mas sou daquelas que acha a história do livro é a verdadeira. E convenhamos que nem sempre os filmes são fiéis a obra literária. Seguirei contando pra vocês a respeito dos meus livros, personagens e frases favoritas. Comecei por um autor que respeito muito!
Fotos: google
Assinar:
Postagens (Atom)


