"A bibliotecária de Auschwitz" de autoria de Antonio G. Iturbe é um romance baseado na história real de Edita Adlerova uma menina russa prisioneira do campo de concentração e extermínio Auschwitz-Birkenau. A jovem estava com os pais e participava do perigoso esquema de educação montado por Alfred Hirsch no pavilhão 31. Dita, como era conhecida, era a bibliotecária ao qual o título se refere e é através dela, das suas lembranças e vivências que ficamos conhecendo o drama de ser uma criança presa num campo alemão durante a segunda guerra mundial.
O livro ganha a gente nas primeiras citações, nas primeiras palavras da abertura. E dá um destaque grande para algo que devemos todos atentar "livros são perigosos porque nos fazem pensar". Tanto que mesmo dominando quase tudo ao seu redor os alemães não permitiam livros ou qualquer forma de ensino para as crianças prisioneiras em Auschwitz. Ajudar pessoas a pensar e adquirir conhecimento foi o trabalho de Hirsch, tido como louco por tal ousadia.
Adorei esta frase do livro logo que li lembrei imediatamente de Paulo Freire: " Não importa quantos colégios os nazistas fechem, respondia. Cada vez que alguém se detiver num canto para contar algo e algumas crianças se sentarem ao redor para escutar, ali terá sido fundada uma escola". Creio que os amigos professores e educadores apreciarão a leitura. Eu estou apenas no começo, mas já estou apaixonada por Hirsch e Dita! Tem um dito, do qual desconheço a autoria, que diz "Livros não mudam o mundo, livros mudam pessoas. Pessoas mudam o mundo!"
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
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sexta-feira, 19 de setembro de 2014
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Trinta e uns...
Como disse num post anterior todo dia temos novos desafios. Para passar por alguns deles precisamos nos superar e para outros apenas precisamos nos aceitar tal qual somos. Já faz algum tempo que passei a gostar de mim como eu sou, parei de pintar o cabelo, por exemplo. Não que com o cabelo pintado tentasse fugir do que eu era, mas cansei de ter de pintar toda hora pra continuar com aquela cor e manter-me bonita, muitas vezes para olhos externos. Fui deixando a tinta sair aos poucos e ia cortando o cabelo até que um dia só restou meu próprio cabelo, minha cor "original de fábrica". Não penso em pintar novamente, nem se virem os brancos, aliás achei um hoje de manhã! Eu posso mudar de ideia é verdade, pois como fã do Raulzito tento ser uma "metamorfose ambulante". Mas também tenho convicções minhas, opiniões, defesas que mudam e outras que não mudam.
No desafio sem maquiagem muita gente criticou porque não queria aparecer "feia" no face ou outra rede social. As pessoas não queriam aparecer com marcas de expressão, sinais da idade ou do sol, ou mostrar as olheiras. Eu não fui desafiada a sair com minha cara sardenta e meus cílios claros sem rímel. Mas fui desafiada a publicar uma foto do meu sovaco "cabeludo". E eu não só postei a foto do sovaco como minha carucha sem maquiagem e amassada de quem recém acordou. E tô nem aí se alguém achou feio, porque a grande verdade é que quem me ama e a quem eu amo já me viu inúmeras vezes com esta cara ou em condições piores. E estas pessoas seguiram me amando porque me vêem muito além da superfície da minha pele com pó de arroz.
É óbvio que para estas pessoas eu me arrumo toda e tento dar minha melhor versão, a mais bonita e bem apanhada, afinal me amam e merecem meu melhor! Acontece que no dia-a-dia não dá tempo nem existe paciência possível para viver "montada" como uma gueixa.
Volto a dizer que a escolha de maquiar-se deve ser uma única e exclusiva da mulher, se ela gosta ou não e não de um padrão de beleza que quer que sejamos bonitas e bem comportadas, aquele conceito machista. Respeito quem se opõe a limpar a cara, seja por uma causa social, seja para contestar o machismo, seja pro que seja. Mas lendo 'Memórias de uma gueixa" limpo a cara com mais vontade e me sentindo com mais motivos para tal.Não creio que uma mulher possa cogitar a ideia de ser escrava por toda sua infância e parte da adolescência, para ao final desta escravidão, ser uma gueixa de sucesso. Esta escravidão cobra desta mulher inclusive o valor que a casa pagou por ela quando a comprou, mais seus gastos com alimentação, com roupas, com o treinamento para gueixa e possíveis despesas médicas. Não é atoa que elas precisem maquiar-se de forma que seu rosto pareça uma máscara! Afinal como esconder tanto sofrimento se não sob uma boa camada de maquiagem? Desde muito cedo elas precisam aprender a ser bonitas, a sorrir, a mostrar seu charme e elegância para entreter os homens com dança ou música. Como isto pôde ser considerado um futuro bonito e promissor? Eu sei é uma cultura completamente diferente da nossa, mas me choca! E não é diferente das escravas sexuais do tráfego humano atual. Não sei como funciona atualmente isto, como são formadas as gueixas, mas o que conta o livro é uma vida muito difícil e glamourosa apenas após algum tempo como gueixa já bem sucedida. Quando as despesas já foram pagas!
Penso que muitos casos como o relatado no livro devem ter acontecido por lá e acontecem aqui no Brasil, para uma vida não menos sofrida e nenhum pouco glamourosa. Quantas vezes não nos chocamos ao saber que os pais vendem as filhas por não terem o que comer e como ocorrem casos de exploração sexual, inclusive de menores, com o conhecimento de autoridades algumas vezes. É um bom motivo para limpar a cara e mostrar minhas marquinhas de trinta e uns. Mas é o meu motivo! Eu não tenho nenhuma intenção de parecer chique, elegante e charmosa até porque não sou nenhum pouco. Sou aquela pessoa que vai caminhar com camiseta velha, o cabelo meio desgrenhado, sem nenhuma bijuteria e observa as outras mulheres que passam e pensa: "como elas conseguem estar tão chiques, sem sequer suar?" E eu lá com aquela cachoeira de baixo dos braços! É sou do tipo que parece mendiga quando tá em casa! hahaha E mesmo que tente não fica elegante de calça jeans e camiseta branca, que nem a Julia Roberts ou a Gisele Bünchen devem ser. Mas, justamente isto me permite não ter vergonha de perder a pose e me jogar numa piscina de roupa e tudo numa festa com os amigos ou rolar na grama e jogar bola com as crianças. Embora eu não tenha filho, tenho muitos sobrinhos, e vira e mexe ando com as roupas meladas ou sujas. E digo pra vocês isto não tem preço!
Então, nestes meus trinta e uns tenho dias de perua nos quais me maquio, me trabalho toda na biju e uso com muito amor meus lenços. Tenho dias de tô nem aí, que são a maioria em que enfio uma roupa confortável, meus lenços, que não podem faltar e tá pronto. E outras do tipo vestida pra matar, mas estes são tão raros que nem lembro quando foi a última vez. E tem os dias em que tento, com todo meu ser, estar elegante e chique, e estes são os dias de festas de 15 anos, formaturas, casamentos ou coisas do tipo, mas confesso que nem com muito esforço consigo, pois geralmente levo um par de havaianas na bolsa e no final da festa tô sambando de chinelo de dedos bem feliz.
Desculpem alguns amigos mais chiques, mas eu sou uma pessoa muito simples, alguns dirão até "chinela", outros "bagaceira", mas eu sou assim mesmo, fazer o quê? Não posso lutar contra a natureza. Acho que mesmo com o treinamento para ser gueixa não ia ter dado certo! Sério, só minha gaitada seria motivo para expulsão de alguma casa de chá. Ainda bem que nasci no Brasil!
No desafio sem maquiagem muita gente criticou porque não queria aparecer "feia" no face ou outra rede social. As pessoas não queriam aparecer com marcas de expressão, sinais da idade ou do sol, ou mostrar as olheiras. Eu não fui desafiada a sair com minha cara sardenta e meus cílios claros sem rímel. Mas fui desafiada a publicar uma foto do meu sovaco "cabeludo". E eu não só postei a foto do sovaco como minha carucha sem maquiagem e amassada de quem recém acordou. E tô nem aí se alguém achou feio, porque a grande verdade é que quem me ama e a quem eu amo já me viu inúmeras vezes com esta cara ou em condições piores. E estas pessoas seguiram me amando porque me vêem muito além da superfície da minha pele com pó de arroz.
É óbvio que para estas pessoas eu me arrumo toda e tento dar minha melhor versão, a mais bonita e bem apanhada, afinal me amam e merecem meu melhor! Acontece que no dia-a-dia não dá tempo nem existe paciência possível para viver "montada" como uma gueixa.
Volto a dizer que a escolha de maquiar-se deve ser uma única e exclusiva da mulher, se ela gosta ou não e não de um padrão de beleza que quer que sejamos bonitas e bem comportadas, aquele conceito machista. Respeito quem se opõe a limpar a cara, seja por uma causa social, seja para contestar o machismo, seja pro que seja. Mas lendo 'Memórias de uma gueixa" limpo a cara com mais vontade e me sentindo com mais motivos para tal.Não creio que uma mulher possa cogitar a ideia de ser escrava por toda sua infância e parte da adolescência, para ao final desta escravidão, ser uma gueixa de sucesso. Esta escravidão cobra desta mulher inclusive o valor que a casa pagou por ela quando a comprou, mais seus gastos com alimentação, com roupas, com o treinamento para gueixa e possíveis despesas médicas. Não é atoa que elas precisem maquiar-se de forma que seu rosto pareça uma máscara! Afinal como esconder tanto sofrimento se não sob uma boa camada de maquiagem? Desde muito cedo elas precisam aprender a ser bonitas, a sorrir, a mostrar seu charme e elegância para entreter os homens com dança ou música. Como isto pôde ser considerado um futuro bonito e promissor? Eu sei é uma cultura completamente diferente da nossa, mas me choca! E não é diferente das escravas sexuais do tráfego humano atual. Não sei como funciona atualmente isto, como são formadas as gueixas, mas o que conta o livro é uma vida muito difícil e glamourosa apenas após algum tempo como gueixa já bem sucedida. Quando as despesas já foram pagas!
Penso que muitos casos como o relatado no livro devem ter acontecido por lá e acontecem aqui no Brasil, para uma vida não menos sofrida e nenhum pouco glamourosa. Quantas vezes não nos chocamos ao saber que os pais vendem as filhas por não terem o que comer e como ocorrem casos de exploração sexual, inclusive de menores, com o conhecimento de autoridades algumas vezes. É um bom motivo para limpar a cara e mostrar minhas marquinhas de trinta e uns. Mas é o meu motivo! Eu não tenho nenhuma intenção de parecer chique, elegante e charmosa até porque não sou nenhum pouco. Sou aquela pessoa que vai caminhar com camiseta velha, o cabelo meio desgrenhado, sem nenhuma bijuteria e observa as outras mulheres que passam e pensa: "como elas conseguem estar tão chiques, sem sequer suar?" E eu lá com aquela cachoeira de baixo dos braços! É sou do tipo que parece mendiga quando tá em casa! hahaha E mesmo que tente não fica elegante de calça jeans e camiseta branca, que nem a Julia Roberts ou a Gisele Bünchen devem ser. Mas, justamente isto me permite não ter vergonha de perder a pose e me jogar numa piscina de roupa e tudo numa festa com os amigos ou rolar na grama e jogar bola com as crianças. Embora eu não tenha filho, tenho muitos sobrinhos, e vira e mexe ando com as roupas meladas ou sujas. E digo pra vocês isto não tem preço!Então, nestes meus trinta e uns tenho dias de perua nos quais me maquio, me trabalho toda na biju e uso com muito amor meus lenços. Tenho dias de tô nem aí, que são a maioria em que enfio uma roupa confortável, meus lenços, que não podem faltar e tá pronto. E outras do tipo vestida pra matar, mas estes são tão raros que nem lembro quando foi a última vez. E tem os dias em que tento, com todo meu ser, estar elegante e chique, e estes são os dias de festas de 15 anos, formaturas, casamentos ou coisas do tipo, mas confesso que nem com muito esforço consigo, pois geralmente levo um par de havaianas na bolsa e no final da festa tô sambando de chinelo de dedos bem feliz.
Desculpem alguns amigos mais chiques, mas eu sou uma pessoa muito simples, alguns dirão até "chinela", outros "bagaceira", mas eu sou assim mesmo, fazer o quê? Não posso lutar contra a natureza. Acho que mesmo com o treinamento para ser gueixa não ia ter dado certo! Sério, só minha gaitada seria motivo para expulsão de alguma casa de chá. Ainda bem que nasci no Brasil!
domingo, 24 de agosto de 2014
Poesias para o domingo
A arte de perder
A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério" Elisabeth Bishop
A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério" Elisabeth Bishop
A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.
Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.
Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.
Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.
Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.
Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.
(Elizabeth Bishop)
(Do livro ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.)
(Do livro ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.)
Ambos os poemas acima são de Elisabeth Bishop, os mais atentos perceberão que é o mesmo, mas o que me causou curiosidade é a forma que cada um foi traduzido. Já havia lido a primeira versão, encontrada no site O pensador, mas o segundo... sei lá.. me pareceu mais fiel, embora entenda bem pouco inglês para dizer alguma coisa. Resolvi procurar alguns poemas dela por conta da curiosidade que fiquei depois de ler "Cartas de amor aos mortos" da Ava Dellaira. Então, o próximo passo para saber mais sobre esta mulher é assistir "Flores Raras", que perdi de ver no cinema, pois foi daqueles que ficaram apenas uma semana em cartaz e só.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
"Cartas de amor aos mortos" II
O livro é simplesmente incrível! Começa que é uma leitura muito fácil e gostosa. E o mais interessante de tudo é ser contado totalmente através de cartas endereçadas a cantores, atores e personalidades já desencarnadas. Pra mim escrever sobre as coisas de que gosto, que me angustiam ou incomodam é uma forma de lidar e compreendê-las. E é exatamente assim que Laurel consegue lidar com suas angústias e problemas depois da morte da irmã May, alguns meses antes de começar o ensino médio.
Com a morte da irmã ela decide mudar de escola, no primeiro dia de aula a professora de inglês solicita um trabalho que consiste em que escrevam uma carta pra alguém que já morreu. A primeira carta de Laurel é para Kurt Cobain, pra quem conta sobre o trabalho e seus sentimentos naquele primeiro dia de escola.
Ela é uma adolescente de 16 anos que sente muita culpa, que se sente sozinha, que sente tanta saudade da irmã e que precisa enfrentar fantasmas aterrorizantes. Ava Dellaira foi muito feliz na forma como escolheu para contar sua história rica de sentimentos. O livro é emocionante! Faz com que lembremos daqueles nossos primeiros dias na escola, do nosso próprio processo de amadurecimento na passagem da adolescência pra vida adulta. Conta um pouco sobre a história dos ídolos e questiona a busca da fama como forma de amor, reconhecimento e realização, visto que tantos destes jovens promissores talentos acabaram optando pelo suicídio para acabar com suas dores e angústias.
Vale muito a pena ler estas cartas! Amei demais a história da Laurel me emocionei muito e, claro, chorei muitas vezes. Não que todas as histórias adolescentes sejam iguais, mas as dúvidas e os medos são muito parecidos. Recomendo demai
s esta leitura!
Com a morte da irmã ela decide mudar de escola, no primeiro dia de aula a professora de inglês solicita um trabalho que consiste em que escrevam uma carta pra alguém que já morreu. A primeira carta de Laurel é para Kurt Cobain, pra quem conta sobre o trabalho e seus sentimentos naquele primeiro dia de escola.Ela é uma adolescente de 16 anos que sente muita culpa, que se sente sozinha, que sente tanta saudade da irmã e que precisa enfrentar fantasmas aterrorizantes. Ava Dellaira foi muito feliz na forma como escolheu para contar sua história rica de sentimentos. O livro é emocionante! Faz com que lembremos daqueles nossos primeiros dias na escola, do nosso próprio processo de amadurecimento na passagem da adolescência pra vida adulta. Conta um pouco sobre a história dos ídolos e questiona a busca da fama como forma de amor, reconhecimento e realização, visto que tantos destes jovens promissores talentos acabaram optando pelo suicídio para acabar com suas dores e angústias.
Vale muito a pena ler estas cartas! Amei demais a história da Laurel me emocionei muito e, claro, chorei muitas vezes. Não que todas as histórias adolescentes sejam iguais, mas as dúvidas e os medos são muito parecidos. Recomendo demai
s esta leitura!
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
""Cartas de amor aos mortos" - Ava Dellaira
Estou apaixonada por este estilo de escrita escolhido pela autora Ava Dellaira para contar a estória de Laurel. É uma leitura instigante que
prende demais a nossa atenção. Ava não escolheu uma narração pessoal e direta, tampouco um narrador fora da história para dizer como a vida de Laurel ocorreu naquele momento em que perdeu a irmã e começou o ensino médio. É verdade que quem conta a história é a própria personagem, mas em forma de cartas ricas em detalhes para seus ídolos, ou ídolos de sua irmã, pais, tia e amigos.
Eu que sou do tempo (olha a velhinha falando!haha) em que escrevíamos cartas para amigos distantes, para revistas e até fazíamos cursos por correspondência a leitura é agradabilíssima. Numa época em que as mensagens se resumem de forma absurda (pra mim, pelo menos) sendo trocadas por email, watsap ou sms, com emotions ou palavras abreviadas ler uma longa carta, com detalhes e tantos sentimentos é como voltar um pouco no tempo.
É muito gostoso ver o interesse da adolescente em saber a história daquelas pessoas pra quem ela escreve, para que ela saiba também como eles se sentiam neste mundo. É interessante a forma como ela coloca a importância daqueles ídolos pra ela e para aqueles a quem ama, principalmente para a irmã morta.
Recém comecei a leitura, foram algumas cartas e cerca de 70 páginas de história. De uma estória muito boa! Recomendo a leitura e depois de ler faço um resumo (coisa dificílima pra mim).
prende demais a nossa atenção. Ava não escolheu uma narração pessoal e direta, tampouco um narrador fora da história para dizer como a vida de Laurel ocorreu naquele momento em que perdeu a irmã e começou o ensino médio. É verdade que quem conta a história é a própria personagem, mas em forma de cartas ricas em detalhes para seus ídolos, ou ídolos de sua irmã, pais, tia e amigos.
Eu que sou do tempo (olha a velhinha falando!haha) em que escrevíamos cartas para amigos distantes, para revistas e até fazíamos cursos por correspondência a leitura é agradabilíssima. Numa época em que as mensagens se resumem de forma absurda (pra mim, pelo menos) sendo trocadas por email, watsap ou sms, com emotions ou palavras abreviadas ler uma longa carta, com detalhes e tantos sentimentos é como voltar um pouco no tempo.
É muito gostoso ver o interesse da adolescente em saber a história daquelas pessoas pra quem ela escreve, para que ela saiba também como eles se sentiam neste mundo. É interessante a forma como ela coloca a importância daqueles ídolos pra ela e para aqueles a quem ama, principalmente para a irmã morta.
Recém comecei a leitura, foram algumas cartas e cerca de 70 páginas de história. De uma estória muito boa! Recomendo a leitura e depois de ler faço um resumo (coisa dificílima pra mim).
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Frases, livros, autores e personagens que eu amo!
A casa dos espíritos - Isabel Allende
Sou partidária de que o livro é sempre melhor do que o filme, ainda que o diretor tenha feito um bom trabalho em transformar em imagens as palavras do autor. Mas é bem difícil transformar um livro de forma fiel em filme. Dos livros que tenho lido e feito a comparação com o filme o mais próximo do livro foi "O caçador de pipas" e a série "Orgulho e preconceito" da BBC. No entanto, também acho que tem filmes muuuito bons baseados em livros, embora a história tenham diferenças grandes. Então o que eu faço na minha cabeça, deixo claro, desconsidero o fato de ser baseado e trato ambos como histórias individuais. O que acontece com o livro e o filme "A casa dos espíritos" é algo assim.
O filme tem ótimos atores, mas tem erros bem fortes (na minha opinião, claro!). Uma das coisas que achei uma falta foi o cabelo da personagem Rosa não ter sido pintado de verde para ficar tal qual o livro. Na adaptação para o cinema foram suprimidos os filhos gêmeos de Clara e Esteban, o que na minha opinião não foi legal, visto que tanto Jaime como Nicolás foram muito importantes na formação da personalidade e do caráter de Alba. Aliás a adolescência e a juventude de Alba foi esquecida e todas as suas vivências foram retratadas como experiências vividas por sua mãe Blanca. É como se o filme acabasse na metade do livro.
Outra coisa que também achei mal no filme foi o nome da personagem do Antonio Banderas, sendo que ele deveria ser Pedro Terceiro e no filme aparece como segundo, todo o tempo. É provável que isto se dê pelo fato de terem desconsiderado o Pedro García, o velho, que é o primeiro dos Pedros. Também senti muita falta do casarão da esquina e de todo o movimento que este casarão continha com suas sessões espíritas, entra e saí de pessoas acolhidas por Clara e Jaime e todas as maluquices de Nicolás.
Como toda história de vida, a vida dos Trueba é cheia de histórias de outras pessoas que vão se misturando e desenvolvendo paralelamente. Mas elas são tão importantes para a trama como a história individual de cada personagem da família. Um momento crucial na vida de "Las tres Marías" e de seus donos foi um tremendo terremoto que deixou a casa grande da fazenda em ruínas, tal como seu dono Esteban que foi soterrado por ela. Comparativamente as histórias deveriam ser tratadas de forma independente como se o filme fosse apenas uma ideia longínqua do livro.
Mas falando exclusivamente do livro, a história de Isabel Allende é fantástica! Adoro seu jeito de descrever em detalhes fisionomias, paisagens, locais e situações. Esteban Trueba é uma criatura pavorosa, da qual não gostei, mas até que me compadeci dele no final do livro, coisa que não ficou clara no filme. (Ops, era pra falar só do livro hahaha) Acontece que mesmo sendo um reacionário de primeira, Esteban arrependeu-se de ter ajudado os milicos a derrubarem o candidato comunista. No livro isto aparece bem claro, sendo falado pelo personagem. No filme não.
A Blanca do livro é resignada e aceita de forma passiva algumas situações impostas pelo pai. Rebelde e determinada era Alba, a neta de cabelos verdes de Trueba. Alba detinha em si o melhor de todas as personagens do livro. Um pouco da clarividência da vó Clara, a generosidade, a bondade e a inteligencia de Jaime, a impetuosidade de Nicolás, a beleza de Rosa, a teimosia (ou seria determinação?) de Esteban, a atuação política de Pedro Terceiro. Ela reunia muitas qualidades e por isto tornava-se tão autêntica e apaixonante. No livro pode-se perceber cada detalhe desta personalidade, no filme ela não passa de uma criança alheia as coisas. Sendo que na história original ela é atuante desde os primeiros anos de vida.
Já disse antes, mas não custa nada repetir, Isabel Allende é minha escritora favorita. Acho que um pouco por que faz das suas histórias e experiências pessoas literatura e poesia. Adoro sua forma de escrever, consigo criar o mundo que ela descreve, por mais fantástico que seja, em minha mente. O primeiro romance que li dela foi "Contos de Eva Luna" e de lá pra cá adorei cada um dos seus livros, até o infanto-juvenil "Cidade das feras" está entre meus favoritos.
Fiquei um pouco decepcionada com o filme é verdade. Mas creio que a escolha do elenco para o filme foi boa e os atores encarnaram bem as personagens, pena que o roteiro não tenha sido tão fiel. Talvez tivesse sido melhor dividir a história e ter feito uma série de filme tratando cada geração num filme e desta forma ser mais fiel a história do livro.
Sou partidária de que o livro é sempre melhor do que o filme, ainda que o diretor tenha feito um bom trabalho em transformar em imagens as palavras do autor. Mas é bem difícil transformar um livro de forma fiel em filme. Dos livros que tenho lido e feito a comparação com o filme o mais próximo do livro foi "O caçador de pipas" e a série "Orgulho e preconceito" da BBC. No entanto, também acho que tem filmes muuuito bons baseados em livros, embora a história tenham diferenças grandes. Então o que eu faço na minha cabeça, deixo claro, desconsidero o fato de ser baseado e trato ambos como histórias individuais. O que acontece com o livro e o filme "A casa dos espíritos" é algo assim.
O filme tem ótimos atores, mas tem erros bem fortes (na minha opinião, claro!). Uma das coisas que achei uma falta foi o cabelo da personagem Rosa não ter sido pintado de verde para ficar tal qual o livro. Na adaptação para o cinema foram suprimidos os filhos gêmeos de Clara e Esteban, o que na minha opinião não foi legal, visto que tanto Jaime como Nicolás foram muito importantes na formação da personalidade e do caráter de Alba. Aliás a adolescência e a juventude de Alba foi esquecida e todas as suas vivências foram retratadas como experiências vividas por sua mãe Blanca. É como se o filme acabasse na metade do livro.
Outra coisa que também achei mal no filme foi o nome da personagem do Antonio Banderas, sendo que ele deveria ser Pedro Terceiro e no filme aparece como segundo, todo o tempo. É provável que isto se dê pelo fato de terem desconsiderado o Pedro García, o velho, que é o primeiro dos Pedros. Também senti muita falta do casarão da esquina e de todo o movimento que este casarão continha com suas sessões espíritas, entra e saí de pessoas acolhidas por Clara e Jaime e todas as maluquices de Nicolás.
Como toda história de vida, a vida dos Trueba é cheia de histórias de outras pessoas que vão se misturando e desenvolvendo paralelamente. Mas elas são tão importantes para a trama como a história individual de cada personagem da família. Um momento crucial na vida de "Las tres Marías" e de seus donos foi um tremendo terremoto que deixou a casa grande da fazenda em ruínas, tal como seu dono Esteban que foi soterrado por ela. Comparativamente as histórias deveriam ser tratadas de forma independente como se o filme fosse apenas uma ideia longínqua do livro.
Mas falando exclusivamente do livro, a história de Isabel Allende é fantástica! Adoro seu jeito de descrever em detalhes fisionomias, paisagens, locais e situações. Esteban Trueba é uma criatura pavorosa, da qual não gostei, mas até que me compadeci dele no final do livro, coisa que não ficou clara no filme. (Ops, era pra falar só do livro hahaha) Acontece que mesmo sendo um reacionário de primeira, Esteban arrependeu-se de ter ajudado os milicos a derrubarem o candidato comunista. No livro isto aparece bem claro, sendo falado pelo personagem. No filme não.
A Blanca do livro é resignada e aceita de forma passiva algumas situações impostas pelo pai. Rebelde e determinada era Alba, a neta de cabelos verdes de Trueba. Alba detinha em si o melhor de todas as personagens do livro. Um pouco da clarividência da vó Clara, a generosidade, a bondade e a inteligencia de Jaime, a impetuosidade de Nicolás, a beleza de Rosa, a teimosia (ou seria determinação?) de Esteban, a atuação política de Pedro Terceiro. Ela reunia muitas qualidades e por isto tornava-se tão autêntica e apaixonante. No livro pode-se perceber cada detalhe desta personalidade, no filme ela não passa de uma criança alheia as coisas. Sendo que na história original ela é atuante desde os primeiros anos de vida.
Já disse antes, mas não custa nada repetir, Isabel Allende é minha escritora favorita. Acho que um pouco por que faz das suas histórias e experiências pessoas literatura e poesia. Adoro sua forma de escrever, consigo criar o mundo que ela descreve, por mais fantástico que seja, em minha mente. O primeiro romance que li dela foi "Contos de Eva Luna" e de lá pra cá adorei cada um dos seus livros, até o infanto-juvenil "Cidade das feras" está entre meus favoritos.
Fiquei um pouco decepcionada com o filme é verdade. Mas creio que a escolha do elenco para o filme foi boa e os atores encarnaram bem as personagens, pena que o roteiro não tenha sido tão fiel. Talvez tivesse sido melhor dividir a história e ter feito uma série de filme tratando cada geração num filme e desta forma ser mais fiel a história do livro.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Frases, livros, autores e personagens que eu amo!
Costumo dizer, sem medo de errar, que meu autor favorito é Gabriel García Marquéz. Tenho muitos autores de quem gosto, mas o Gabo é o de quem mais gosto. O engraçado é que não gosto nada de ficção científica, mas o realismo fantástico de Gabo me prende. Não acho interessante um cientista maluco que cria bombas, gosmas assassinas ou coisa que o valha. No entanto, fico presa querendo saber da vida da pequena menina que raspava com as unhas o reboco da parede para comer e sua maravilhosa explosão de borboletas.
Na forma de gabo escrever não parece absurdo que um homem fique mais de meio século a espera da morte de seu rival para, assim, poder conquistar finalmente o coração da sua amada. Tampouco soa esquisito que paguem a alguém para sonhar, ainda que alguns sonhos sejam os mais bizarros possíveis. García Márquez é aclamado como autor, mas sua postura política, sua amizade com Fidel Castro e outros homens de grande importância política também são admirados.
Voltando as personagens... as histórias...
Reli há poucos meses O amor nos tempos do cólera. É um livro lindo! E eu, como sou do contra, acabo sempre me apaixonando por Juvenal Urbino. Não gosto da personalidade sombria de Florentino Ariza. Urbino comete seus deslizes, mas o amor que dedica a Fermina na minha visão é mais bonito e puro. Enquanto o de Florentino é uma doença, uma obsessão que me assusta. O amor nos tempos do cólera é dos preferidos no mundo, tendo participação importante num filme protagonizado por John Cusack. Acho o filme muito bonitinho, é uma comédia romântica, que "deixa nas mãos do destino" o reencontro do casal. Ele busca na última página de uma edição de O amor nos tempos do cólera o número do telefone de Sara. Ela espera que uma nota com o número dele chegue até ela. É interessante ver o livro como "personagem".
Mas o personagem de Gabo de que mais gosto e sempre penso é José Arcádio. Pode ser que numa releitura tudo mude, mas sua personalidade me encanta, apesar da casmurrice, do seu fechamento em si mesmo. Torci muito para que não conseguisse se matar quando ficou viúvo. Seus cem anos de solidão, suas investidas pela alquimia e toda a sua família com inúmeros nomes repetidos.Não pude deixar de concordar com a Clara del Valle Trueba (A Casa dos Espíritos, Isabel Allende) quando ela diz que nomes repetidos confundem as memórias nos cadernos de anotar a vida. Gabo não viu problema nisto e foi batizando e rebatizando personagens com os mesmos nomes ou combinando uns com outros formando tantos outros nomes. Aconselho ao leitor de Cem anos de solidão que enquanto lê vá montando a árvore genealógica dos Buendía, mais no objetivo de não se perder na história.
São tantas personagens, são tantas histórias e até mesmo reportagens que ainda não li! Tenho muito o que ler do meu amado Gabo, depois de reler Cem anos de solidão faço uma resenha e lhes conto se sigo amando José Arcádio. E preciso ler, pelo menos mais três livros do Gabo que comprei e não consegui ler.
Vou contanto aqui o que me encanta neste escritor. Até breve!
Na forma de gabo escrever não parece absurdo que um homem fique mais de meio século a espera da morte de seu rival para, assim, poder conquistar finalmente o coração da sua amada. Tampouco soa esquisito que paguem a alguém para sonhar, ainda que alguns sonhos sejam os mais bizarros possíveis. García Márquez é aclamado como autor, mas sua postura política, sua amizade com Fidel Castro e outros homens de grande importância política também são admirados.
Voltando as personagens... as histórias...
Reli há poucos meses O amor nos tempos do cólera. É um livro lindo! E eu, como sou do contra, acabo sempre me apaixonando por Juvenal Urbino. Não gosto da personalidade sombria de Florentino Ariza. Urbino comete seus deslizes, mas o amor que dedica a Fermina na minha visão é mais bonito e puro. Enquanto o de Florentino é uma doença, uma obsessão que me assusta. O amor nos tempos do cólera é dos preferidos no mundo, tendo participação importante num filme protagonizado por John Cusack. Acho o filme muito bonitinho, é uma comédia romântica, que "deixa nas mãos do destino" o reencontro do casal. Ele busca na última página de uma edição de O amor nos tempos do cólera o número do telefone de Sara. Ela espera que uma nota com o número dele chegue até ela. É interessante ver o livro como "personagem".
Mas o personagem de Gabo de que mais gosto e sempre penso é José Arcádio. Pode ser que numa releitura tudo mude, mas sua personalidade me encanta, apesar da casmurrice, do seu fechamento em si mesmo. Torci muito para que não conseguisse se matar quando ficou viúvo. Seus cem anos de solidão, suas investidas pela alquimia e toda a sua família com inúmeros nomes repetidos.Não pude deixar de concordar com a Clara del Valle Trueba (A Casa dos Espíritos, Isabel Allende) quando ela diz que nomes repetidos confundem as memórias nos cadernos de anotar a vida. Gabo não viu problema nisto e foi batizando e rebatizando personagens com os mesmos nomes ou combinando uns com outros formando tantos outros nomes. Aconselho ao leitor de Cem anos de solidão que enquanto lê vá montando a árvore genealógica dos Buendía, mais no objetivo de não se perder na história.São tantas personagens, são tantas histórias e até mesmo reportagens que ainda não li! Tenho muito o que ler do meu amado Gabo, depois de reler Cem anos de solidão faço uma resenha e lhes conto se sigo amando José Arcádio. E preciso ler, pelo menos mais três livros do Gabo que comprei e não consegui ler.
Vou contanto aqui o que me encanta neste escritor. Até breve!
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Frases, livros, autores e personagens que eu amo!
Não foi inadvertidamente que li primeiro "Quincas Borba". Sim, o próprio Machado de Assis no início do romance destaca a importância de primeiro conhecer as "Memórias póstumas de Brás Cubas". Talvez por ter contrariado Machado (este meu tão querido autor) que a frase mais marcante do livro, a qual guardo encrustada na memória seja "ao vencedor as batatas". Não é nada poético como "os olhos de ressaca de Capitu". Nem tão jocoso, diria o próprio Machado, como "bonita porém coxa".
Estou lendo "Memórias..." e forço a minha própria memória para lembrar da história de Quincas Borba. E não consigo lembrar de nada, além da dita frase. Após passado o primeiro instante de sandice nos primeiros capítulos do livro a leitura esta fluindo. E vira e mexe a frase do Quincas me vem a lembrança.
Quando pensei em fazer este post, esta frase foi a primeira que veio a minha cabeça. Claro, que existem várias outras frases, românticas, bonitas e com um conteúdo bem mais significativo do que esta, mas... apesar de sermos racionais nem sempre a razão explica o porquê de gostarmos de certas coisas e não de outros. Lembro de um professor na faculdade que disse que com Machado de Assis se aprendia muita coisa velha em resposta a minha esfuziante máxima de que adorava o autor por sempre aprender coisas novas. É possível que a razão não explique o que eu considero novo e ele velho. Também não importa, visto que continuei lendo muito Machado de Assis.O que mais amo na escrita de Machado é o uso da ironia. Na adolescência a gente acha que Machado de Assis é chato, mas não é. Ele tem um humor fantástico e o uso da ironia como argumento da escrita faz com que consigamos compreender, por exemplo o motivo que levou Capitu a trair Bentinho. Se é que isto aconteceu, claro. E vem a dúvida, outra presença constante nos romances machadianos.
Não sou uma grande conhecedora de Machado de Assis, confesso. O primeiro livro dele que li foi "Helena", ainda no primário e acho que devo ler novamente. Foi o primeiro romance que li na vida. Depois li "O alienista", "Dom Casmurro", "Quincas Borba", alguns contos e poemas. Não posso dizer que é o meu autor favorito e mais amado, mas tem um lugar especial pelo seu realismo. Ainda que suas estórias se passem no século retrasado a proximidade das personagens com as pessoas "reais" é muito forte. Quem já não teve a reação ou não exclamou uma frase, mesmo que mental, como a que descreve Marina ("bonita porém coxa")?
Muito da obra de Machado conheci pela televisão através de novelas e séries baseadas nos seus romances, tal como "Iaiá Garcia" e "Uns braços". Mas sou daquelas que acha a história do livro é a verdadeira. E convenhamos que nem sempre os filmes são fiéis a obra literária. Seguirei contando pra vocês a respeito dos meus livros, personagens e frases favoritas. Comecei por um autor que respeito muito!
Fotos: google
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