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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Simplicidade das crianças

O João Pedro e eu sempre conversamos no carro quando estamos indo pra casa ou vindo para a escola. Geralmente são coisas triviais, desenhos, super-heróis, sobre coisas do dia-a-dia. Hoje nossa conversa surgiu do nada e me pegou bem de surpresa, assim:
JP: _ Leli, tu te lembra do bebezinho que tava na tua barriga?
Eu: _ Lembro, porque?
JP: _ Te lembra que nós jogamos almofadas em ti e pegou no bebezinho?
Eu: _ Sim.
JP: _ Doeu?
Eu: _ Um pouquinho.
JP: _Ele chorou?
Eu: _ Não.
JP: _ Quando que tu vai poder ter outro bebezinho na tua barriga? Eu quero outro irmão e tem que ser um menino, tá bom?

Ele me fez lembrar da situação que eu estava adiando. Sim, deixei quieto, botei na pilha do analisar mais adiante, tipo lá por dezembro, que é quando acaba o período no qual eu deveria evitar engravidar. Desta data em diante posso voltar a tentar, lá na faculdade, onde me atenderam após a curetagem, na revisão, já passaram data pra marcar retorno, caso decida tentar nova gestação. Uma decisão muito simples pro João, que já fez a escolha de mais um irmão (na verdade primo) e tem que ser menino. Tá tudo certo, é só decidir e já é. Pra mim é um pouco mais complexo, mas vamos esperar o tempo. Quando chegar dezembro...
Até porque depois de tudo ainda não fui consultar a minha médica ginecologista, nem voltei no meu clínico geral para dar satisfação de tudo que aconteceu. Parece fuga, talvez seja!
Mas sei que está tudo bem, me recuperei bem, voltei a andar de bicicleta semana passada (quando não chove né?) estou fazendo uma dieta light (já emagreci 2,5 quilos), estou muito feliz e pretendo emagrecer mais um pouquinho, mas sem neurose! Tô levando tudo numa boa, com calma. Como diz minha sobrinha Amanda, é vida que segue!
Claro que fiquei matutando! Assim como fico quando alguém conta que tá grávida, e isto tem acontecido muito ultimamente. Eu fico feliz porque adoro criança e porque entendo que neste período de transformação espiritual do nosso planeta (papo pra outro post) precisamos de muitos espíritos, de gente que vem pra nos ajudar nesta mudança. Nestes últimos dois meses fiquei sabendo de pelo menos umas 10 grávidas. Acho lindo, me emociono e também penso em como estaria minha barriga e meu bebê se a gestação tivesse seguido. Enfim, vamos adiante, todo tempo é necessário para a maturidade e o aprendizado!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Buscando o gás

Outro dia vi uma cena que me levou direto pros dias da minha infância. Vi uma senhora levando um botijão de gás para dentro de casa, empurrando-o com a mão. Lembrei da época em que não tinha telentrega de gás e quando acabava o bujão tínhamos que levar o vazio até a venda mais próxima e depois trazer o cheio.
A gente tinha sorte, pois na esquina da nossa casa o seu Ernesto vendia gás. Então eram poucos metros empurrando o botijão. Minha mãe levava aquele trambolho até com certa elegância, empurrava com o pé e ele rolava pra frente, bem retinho pra longe, quando se aproximava outro empurrão e logo chegávamos na venda. Na volta era igual, o botijão mais pesado vinha rolando pela rua e nós atrás.
Tinha gente que tinha um ferro que prendia em ambos os lados do bujão e vinham arrastando ele. Também rolando, mas sem o perigo do dito cujo se desvincilhar e cair na valeta ou invadir o meio da rua. Lá em casa a gente não tinha, então quando eu ia buscar o gás pra mãe acabava protagonizando algumas cenas dignas de comédia pastelão. Sim, claro que eu empurrava o botijão com o pé. Óbvio que sem elegância nenhuma. Certamente que ele não ia retinho que nem quando a mãe empurrava. Ele ia lá e cá quase num zigzag invadindo o meio da rua e muitas vezes até atravessando a "estrada" de um lado pro outro e eu corria atrás dele desesperada pra evitar que caísse na valeta lá do outro lado. Daí tinha que segurar o bujão com a mão, porque não tinha perna suficiente pra fazer isto com o pé. Empurrava o botijão mais uma vez pro lado certo da rua e ele parava bem na beirinha da valeta, ficando por um triz fora dela. Lá ia eu correndo de novo!
O trajeto de poucos metros, que eu fazia com folga quando esperava o ônibus na frente da minha casa e saía caminhando enquanto ele vinha da outra pontada rua, parecia interminável quando eu o fazia com o botijão do gás. E a mãe contava que quando era pequena e morava no mato tinha que buscar água numas bambonas maiores que o botijão. E que meus tios até caminhavam em cima do barril da água que nem aqueles acrobatas do circo! E eu ficava pensando em quanto tombo não ia cair se tentasse uma proeza daquelas! Então chegava na venda do seu Ernesto e comprava o gás e tinha que voltar com o bujão ainda mais pesado, cheio pra casa. E lá ia eu, aquele toco de gente, que ainda sou, empurrando aquele trambolho pela rua de forma totalmente desajeitada. Nunca entendi porque que ele ia conforme queria e não reto que nem ele ia quando a mãe empurrava! Quando chegava de volta em casa estava com a roupa e as pernas toda cinza daquela tinta, gordura, sujeira do botijão. As mãos coloridas daquilo, toda escabelada e esbaforida! Certamente com a cara vermelha do esforço.
Então a mãe ligava o gás no botijão encaixando a válvula presa na mangueira, apertava bem pra não vazar o gás. Porque vazamento de gás é um perigo! E pra ter certeza de que não estava saindo gás, fazia uma espuma com a esponja de lavar louça e colocava na volta da válvula, se fizesse mais espuma tava vazando. E eu morria de medo de ter que fazer aquilo quando crescesse! Ainda bem que agora tem a telentrega e o moço chega lá com o botijão cheio, instala tudo e pronto.
As vezes passava o caminhão do gás com aquela musiquinha, mas isto já foi nos anos 90, quando começaram a dizer que nas vendas não tinha lugar adequado pra armazenar os botijões cheios e que havia risco de explosões e incêndios. Mas o gás nunca acaba na hora que o caminhão passa né? Ele sempre dá de terminar no meio do cozimento do arroz meio dia, ou quando a gente tá assando o pão de noite! Aí a gente não podia chamar o caminhão do gás, porque ele passava na hora que queria e não quando a gente precisava. Quando acontecia do gás acabar e o seu Ernesto não vendia mais gás a gente tinha que ir com o pai até o posto de gasolina comprar. Daí sim era uma beleza, porque a gente não precisava empurrar o botijão e pra completar fazia um passeio. Mas mesmo quando o caminhão entrega o gás era o pai ou a mãe que ligavam o bujão. Só agora é que o entregar faz tudo pra gente. Que sorte! Algumas dicas de segurança são importantes, por isso coloquei a foto ao lado.  Ah! Também tinha a musiquinha! "Se tem o lacre azul, do cachorrinho, pode confiar, é liquigás"! hahahaha Vai o vídeo se alguém quiser relembrar!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Desejar não é o mesmo que planejar

Algumas pessoas acham estranho uma mulher não planejar para sua vida casar e ter filhos. Mais estranho eu acho é que as pessoas creiam ser comum ou correto, ou normal, ou sei lá, que alguém planeje algo que depende, invariavelmente de outras pessoas. Sim, não posso planejar, simplesmente me casar com 25 anos, sendo que para tal é necessário que outra pessoa também o queira. Também não posso planejar ser mãe aos 26, pelo mesmo motivo. Sim, eu posso partir para uma produção independente, mas no caso precisaria de um parceiro eventual, ou de um doador. Em ambas situações não é possível realizar MEU PLANO sem que outra pessoa participe. E daí já acho que se outra pessoa está envolvida não pode ser MEU PLANO, deve ser NOSSO.
Uma coisa é desejar, é ter vontade de um dia casar e ter filhos. Outra bem diferente é planejar as coisas criando expectativas que talvez nunca venham a se realizar. Quando alguém me pergunta sobre casamento e filhos, geralmente destacando meu jeito com as crianças ou meu extinto materno latente, fico pensando na Susanita, amiga da Mafalda que já tem em mente com quem (profissão e status social) irá casar, quantos filhos terá e a profissão deles.
Tenho que rir porque pra mim a Susanita nada mais é que uma doida. Engraçadíssima! Mas conservadora e completamente maluca que na infância planejou sua vida de dondoca. Aliás, não planejou só a sua vida, mas também a dos filhos. E sofre com certas situações que podem vir a acontecer (ou não).
Veja bem, não tenho nada contra pessoas que desejam casar, ter filhos, cachorro, casinha branca com cerquinha. Apenas eu não tenho nenhuma lembrança de ter tido, algum dia na vida, estes desejos. Pra mim estas coisas não são metas ou planos. Acho que podem acontecer ou não.
É claro que numa sociedade ainda muito machista como a nossa o pensamento de que mulher é para ser do lar é muito presente. Para muitas mulheres (e vejam bem não concordo ou descordo) o casamento é a garantia de uma vida tranquila financeiramente, mesmo que tenha que se submeter a alguns caprichos machistas. Mas na minha casa, justamente para não necessitar sujeitar-se a outra pessoa, fui estimulada a estudar, ter uma profissão e buscar ser uma mulher independente e livre, para escolher o que bem quisesse para minha vida. Fui estimulada a buscar independência não só pela minha mãe, mas também pelo meu pai. É claro que as motivações deles são diferentes.
Eu gosto de criança e sem falsa modéstia sei que seria uma boa mãe, ou pelo menos tentaria ser a melhor possível. No entanto, sempre pensei no quão importante é para uma criança ter a presença do pai e da mãe na sua vida. E por isto a produção independente nunca me pareceu uma ideia muito plausível. Mas não tô falando de uma situação em que a mulher engravida, mesmo que sem se prevenir, sem querer. Caso acontecesse comigo assumiria certamente. Mas como sempre tive muito medo de que isto ocorresse tomava as precauções. E nas vezes em que tive uma dúvida, mesmo que remota, usei a pílula do dia seguinte.  Fui na farmácia comprei e tomei. Depois de saber que é um método abortivo fiquei com certo receio. Mas agora já foi. Talvez um dia eu venha engravidar, mas não tenho ideia se ocorrerá ou não. Não fiz nenhum planejamento a curto ou a longo prazo para isto. E acredito do fundo do meu coração de que se for pra ser, será no tempo certo. Neste momento não me sinto preparada, embora pareça e algumas pessoas achem que estou.
Quanto a casar com todo o ritual, a pompa e a circunstância, nunca fez meu gênero. Existe possibilidade de um não-casamento como lançou a ideia a Niara. Ou morar junto, ou namorar para sempre. Também não sei nem tenho ideia. Como espírita sei que devo ter planejado tudinho lá na erraticidade e como fui abençoada pelo dom do esquecimento deixo que as coisas aconteçam no momento que devem acontecer.
Desculpem o desabafo. Faz bastante tempo que rumino estas questões todas na minha cabeça e no meu coração e comigo pelo menos as coisas só ficam realmente claras quando as coloco no papel e definitivamente pra fora. Agora sim está tudo cristalino! ;)

sábado, 15 de outubro de 2011

Os achados do Bisovô!


Meu bisô (de quem falo aqui) tinha  uma mania, além de beber e fumar (que não são bem uma mania) de juntar tudo que encontrava na rua. Sério! Juntava pregos, prendedores (ou pregadores) de roupa, grampos de cabelos, batons, chaveiros, pentes, enfim... tudo que fosse perdido por alguém o bisô juntava.
E depois ele distribuía, claro! Minha mãe tem até hoje alguns dos prendedores que ele deu a ela. Imaginem quantos anos utilizamos os mesmos prendedores achados na rua. Penduramos as roupas para secar ao vento e eles ali, firmes.
A mãe me disse que ele carregava os achados dele dentro de uma bolsinha, imagino eu que como uma espécie de necessaire.


Ele sempre dividia os achados dele com os outros. Minha avó reclama até hoje que ele queria dar pra ela os "batão" que ele encontrou pelas estradas. E ela reclama, "eu não uso batom nem comprado por mim, vou usar estas coisas que nem sei de onde saíram?!" Até concordo usar batom achado na rua não é recomendável. hahaha
E lá ia o bisô cheio de coisas naquela bolsinha, muito pregos, pentes e grampos. Ele considerava importante não desperdiçar estas coisas. Além do que, conservava a cidade limpa!
Quando encontrei este prendedor de roupas perdido na calçada próxima ao trabalho não pude deixar de pensar no bisô e sua mania.
Quase que... numa homenagem ao veinho... juntei o pregador do chão. Se bem que, lá no condomínio sempre que encontro prendedores eu junto. hahaha Será mania de família? No fim acabei optando apenas por tirar as fotos e escrever este post cheio de nostalgia.