sexta-feira, 22 de agosto de 2014

"Cartas de amor aos mortos" II

O livro é simplesmente incrível! Começa que é uma leitura muito fácil e gostosa. E o mais interessante de tudo é ser contado totalmente através de cartas endereçadas a cantores, atores e personalidades já desencarnadas. Pra mim escrever sobre as coisas de que gosto, que me angustiam ou incomodam é uma forma de lidar e compreendê-las. E é exatamente assim que Laurel consegue lidar com suas angústias e problemas depois da morte da irmã May, alguns meses antes de começar o ensino médio.
Com a morte da irmã ela decide mudar de escola, no primeiro dia de aula a professora de inglês solicita um trabalho que consiste em que escrevam uma carta pra alguém que já morreu. A primeira carta de Laurel é para Kurt Cobain, pra quem conta sobre o trabalho e seus sentimentos naquele primeiro dia de escola.
Ela é uma adolescente de 16 anos que sente muita culpa, que se sente sozinha, que sente tanta saudade da irmã e que precisa enfrentar fantasmas aterrorizantes. Ava Dellaira foi muito feliz na forma como escolheu para contar sua história rica de sentimentos. O livro é emocionante! Faz com que lembremos daqueles nossos primeiros dias na escola, do nosso próprio processo de amadurecimento na passagem da adolescência pra vida adulta. Conta um pouco sobre a história dos ídolos e questiona a busca da fama como forma de amor, reconhecimento e realização, visto que tantos destes jovens promissores talentos acabaram optando pelo suicídio para acabar com suas dores e angústias.
Vale muito a pena ler estas cartas! Amei demais a história da Laurel me emocionei muito e, claro, chorei muitas vezes. Não que todas as histórias adolescentes sejam iguais, mas as dúvidas e os medos são muito parecidos. Recomendo demai
s esta leitura!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A pressão do tempo fértil! Uma pergunta que não cala!

Nunca tive medo do tictac do relógio, mesmo pensando, quando era criança, que no ano 2000 seria uma velha. Ainda bem que nos enganamos não é mesmo? Lembro de uma vez em que fiz as contas para saber quantos anos ia ter em dois mil e pensei gente nós vamos estar velhas! E hoje, com 36 anos me acho muito jovem. Daí eu tomei uma caipiras a mais, fiquei uns dias numa ressaca estranha e resolvi procurar um médico. Antes de receitar qualquer tratamento o Dr pediu vários exames de sangue e uma ultrassonografia do abdome para saber se estava tudo bem.  Descobri que preciso fazer uma cirurgia para retirar a vesícula.
Também descobrimos que tenho um cisto, pequenininho, no ovário direito. Depois de constatar isto fui fazer os preventivos anuais com a gineco. Inicialmente está tudo bem, fizemos o pré-câncer anual e trocamos a pílula para inibir o crescimento do cisto. E foi nesta hora que foi feita a pergunta fatídica: 
_Tu queres engravidar? Porque ano passado dissestes que sim e agora? Está com 36, tem que ver em seguida, porque depois fica mais difícil engravidar e as chances do bebê nascer com problemas também aumentam. 
Então tive a sensação de ouvir um tictac. Talvez tenha sido meu coração! Respondi que não sabia ao certo. Que sabia que o tempo estava passando (mas na verdade não estava sentindo deste jeito!) e que recém havia começado um relacionamento e que ele já tem filhos e não quer mais. Fiquei meio com uma sensação de estar prestes a ser reprovada numa prova. Meu Deus! Eu não sei esta resposta!
Talvez algumas pessoas achem que sabem. Várias já me disseram que tenho um grande potencial para ser mãe, que isto é visto com meus sobrinhos. Outras atiraram suas opiniões na minha cara dizendo que eu tinha que ter a revelia do meu companheiro se ele não quisesse. 
E uns dias atrás, antes da consulta médica,  estava conversando com minha prima exatamente sobre isto, de como algumas pessoas se sentem no direito de opinar sobre escolhas tão sérias das vidas alheias. Pra nós mulheres ao mesmo tempo em que existe um moralismo e um torcer de nariz para mulheres que tem filhos por produção independente, tem a cobrança de que se é mulher tem que ser mãe. É obrigatório que se explore o seu lado materno.
Mas e quando a gente não sabe a resposta? Penso se faz parte da minha missão ser mãe! Me sinto despreparada, como sempre. E sei que não tem como, não existe curso ou manual de como ser mãe, educar, cuidar, enfim. E aí bate um medo! Não tenho resposta. Só sei que sou capaz de amar muito e incondicionalmente, isto eu sei porque eu amo os meus sobrinhos assim. Mas esta é a única certeza que eu tenho, de que sou capaz de amar. Será que basta?? 
E de repente esta pergunta não me sai da cabeça e de um minuto pra outro fiquei com o tictac me acompanhando na mente, batendo, batendo, batendo... Não sei a resposta! O tempo de plantar tá se esgotando e para tal preciso da resposta pra pergunta que não cala. Daí neste dia sim, me senti um pouco velha como diria a Larissa. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Simplifica...

No estudo da Doutrina Espírita, noutro dia lemos um poema chamado "Simplifica..." do espírito Casimiro Cunha, pelo nosso amado Chico Xavier. Em aula a gente costuma brincar uns com os outros quando alguma pergunta mais casca grossa nos atormenta e sempre tem alguém para lembrar... "simplifica, simplifica". a gente tem o dom de complicar mesmo, talvez a ânsia ou o medo sejam os causadores desta torrente de sentimentos. Basta ver que quando o problema e de outro facilmente resolvemos, opinamos, palpitamos e simplificamos. Ao passo que quando a coisa é com a gente ficamos naquele mimimi danado, naquele "ai como sofro!", "Ai de mim". Não existe receita pronta, cada um tem sua caminhada e seu jeito de caminhar. Mesmo próximos, amanda e querendo ajudar não podemos percorrer a estrada de outro. E nem fugir da nossa!
Porque dei de escrever tais coisas nesta segunda feira cinza? Porque me entristece ver pessoas que se gostam se afastando por coisas pequenas e sem importância. Pedir perdão não te faz um fraco, assim como arrumar brigas intermináveis não te faz um forte. Mas uma coisa devo dizer, arrumar brigas faz com que os outros te achem intolerante. Eu demorei muito tempo para me sentir a vontade em dizer as pessoas de quem gosto que as amo, mas sempre soube que amar é um pacote fechado. A gente não pode escolher o que gosta para amar numa pessoa e deixar o que nos desagrada de fora. Do mesmo jeito que não damos só o melhor de nós a quem nos ama. Muitas vezes damos muito da pior parte da gente e neste momento sabemos que aquela pessoa realmente nos ama, que ela realmente é nosso amigo. Neste pacote fechado de bolachas sortidas tem de tudo! Tem as rosquinhas cobertas de glacê, tem as bolachas maria, tem amanteigados, tem bolachas ao leite e tem até bolachinha recheada (tinha umas sortidas da Isabela que eram uma delícia) e não dá pra chegar no super abrir o pacote e pegar só a que gostamos mais. A gente precisa levar o pacote todo pra casa, mesmo que não vá comer as marias.
Com as pessoas também é assim. Elas tem qualidades (bolachinha recheada) e tem defeitos (talvez a maria, pra alguns, eu gosto). Elas tem gostos diferentes da gente (graças a Deus!) e pensamentos diferentes também (aleluia!). Imagina todo o mundo igual a mim??? Que sou um doce! hahahaha Estaríamos todos enjoados de taaanto açúcar! Ou de cara amarrada porque eu bem posso ser azeda que nem jiló (dizem né, não sei não conheço eu só ouço falar)! E eu gosto que as pessoas gostem de mim, inteira (até porque sou pequenininha, se tirar alguma coisa sobra bem pouco pra amar!). E eu bem sei que é difícil! Mas vale a pena, porque eu aprendi a simplificar (um pouco, ainda não vou pro céu) e se tu me gostar inteira faço um esforção para dar só o meu melhor. É claro que se houver implicância meu pior fica mais evidente. E passei a adotar isto pros meus gostares, pra'queles que eu amo.
Respeito o gosto, as ideias (ainda que discorde), as diferenças, porque meu gosto é meio estrambólico, mas é meu e neste ponto é bem difícil que eu vá mudar. Sim, por exemplo, eu gosto de amarelão, rosão, roxão, verdão, azulão, quanto mais colorido e ão, melhor. Poderia optar pela discrição, mas daí só em ocasiões especiais. haha
Nesta fase de simplificar ficou mais evidente pra mim que cada um tem seu tempo de despertar, de amadurecer e de aprender a amar. É uma pena que algumas vezes se peguem apenas nas coisas ruins e aquilo que não foi legal faz com que esqueçam o tudo que aconteceu de bom, amarrem a tromba e fiquem criando clima. Vamos simplificar a gente também, nada tem que ser que nem comédia romântica, a vida é a vida e só acontece uma vez (em cada encarnação, mas depois dessa, sabe lá quando vamos conseguir outra chance?)

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

""Cartas de amor aos mortos" - Ava Dellaira

Estou apaixonada por este estilo de escrita escolhido pela autora Ava Dellaira para contar a estória de Laurel. É uma leitura instigante que
prende demais a nossa atenção. Ava não escolheu uma narração pessoal e direta, tampouco um narrador fora da história para dizer como a vida de Laurel ocorreu naquele momento em que perdeu a irmã e começou o ensino médio. É verdade que quem conta a história é a própria personagem, mas em forma de cartas ricas em detalhes para seus ídolos, ou ídolos de sua irmã, pais, tia e amigos.
Eu que sou do tempo (olha a velhinha falando!haha) em que escrevíamos cartas para amigos distantes, para revistas e até fazíamos cursos por correspondência a leitura é agradabilíssima. Numa época em que as mensagens se resumem de forma absurda (pra mim, pelo menos) sendo trocadas por email, watsap ou sms, com emotions ou palavras abreviadas ler uma longa carta, com detalhes e tantos sentimentos é como voltar um pouco no tempo.
É muito gostoso ver o interesse da adolescente em saber a história daquelas pessoas pra quem ela escreve, para que ela saiba também como eles se sentiam neste mundo. É interessante a forma como ela coloca a importância daqueles ídolos pra ela e para aqueles a quem ama, principalmente para a irmã morta.
Recém comecei a leitura, foram algumas cartas e  cerca de 70 páginas de história. De uma estória muito boa! Recomendo a leitura e depois de ler faço um resumo (coisa dificílima pra mim).

terça-feira, 12 de agosto de 2014

"O dia em que o papa foi a Melo"

"O dia em que o papa foi a Melo" bem podia ser uma lembrança minha, se é que seria possível que eu lembrasse daquele dia longínquo lá em 1988. Mas minhas palavras jamais seria tão encantadoras quanto as de Aldyr Garcia Schlee que nos conta várias estórias com detalhes interessantíssimos e que lembram as velhas histórias das noites de encontros em família e causos que os antigos costumam contar.
A leitura me fez lembrar de mim diante da televisão, sem reconhecer aquele velhinho com uma toquinha bem pequena na cabeça abanando para as pessoas de baixo de um guarda chuva preto. Lembrei da minha mãe comentando comigo, olha lá tá chovendo. E eu instintivamente olho para rua e reparo que no pátio da nossa casa não está chovendo. Tem também as pessoas cantando "a benção João de Deus"... Eu só me lembro disso, mas já devia ter onze anos por esta época. Mas também, é natural que a gente lembre mesmo só aquilo que nos marcou. Eu nunca fui católica, sempre me esquivei da igreja e coisas que o valha, não seria natural que lembrasse da visita do Papa.
Então eu ganhei o meu amigo Vaz o livro do Schlee,que conta justamente isto e me pego tendo memórias da tal visita, que bem pode ser coisa da minha imaginação. E livro bom é assim nos transporta pra outra dimensão, nos faz viajar centenas de quilômetros  pra um lugar onde nunca estivemos, mas que se um dia formos saberemos nos localizar.
Óbvio que como contestadora meu conto favorito é o CONTO VI. As  perguntas, a farofada, o problema no chevrolet tigre e os bêbados tudo faz com que me sinta próxima daquela viagem. É o tipo de causo que qualquer tio poderia ter vivido e agora estar contando dando barrigadas de tanto se rir da viagem que não deu certo, ou melhor, que deu até parte do caminho.
O CONTO VII também me agradou e muito, apesar da tristeza. Confesso que segui a sugestão de "cantarolar tristemente, no final,o título deste conto, se quiser chamá-lo de UN DON DIN".
"O ESPELHO PARTIDO"  não pode ser deixado a parte. É um conta muito singelo. Gostei muitíssimo! O avô completando 98 anos, o espelho que se parte, toda a gente pra comemorar o aniversário e ver o papa, os rosários, a pétalas, as memórias misturadas de vô e neto.
Adorei a linguagem,senti-me o tempo todo como a escutar o Schlee falando com seu jeito sereno aquelas histórias e vez por outra sorrindo do que lembrava e dando detalhes e falando de fulano e sicrano e de como aconteceram aquelas coisas todas n'O dia em que o papa foi a Melo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

"Ser mãe é padecer no paraíso"

Esta expressão sempre me pareceu completamente oposta, uma coisa tipo aquela lei da física que diz que "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço". Então pra mim padecer e paraíso parece muito contraditório para estar na mesma frase, e mais ainda, contraditório demais para fazer sentido.
Claro que estou falando como uma filha que é só filha. Que talvez nunca venha ser mãe. E que pensa muito noutro dito que diz "que só aprendemos a ser filhos depois de sermos pais", portanto, talvez, nunca venha a saber como deveria ter sido/agido/comportado para ser uma boa filha pra minha mãe.
Não passei por esta fase do aprendizado e ficarei em dívida com meus pais neste ponto. Sempre tentei ser boa filha, mas creio ter falhado por inúmeras vezes, não entendendo o quão preocupados e responsáveis eram por mim, o quanto queriam o meu bem e o melhor e o mais importante, quantos sacrifícios tiveram de fazer, quantas coisas deixaram de ter/querer/comprar para suprir minhas necessidades.
Este texto é pra minha mãe, pro meu pai, para meus avós e meus tios, para todos aqueles pais e mães que sofreram ou sofrem a ingratidão dos filhos, a incompreensão. Só agora, só neste momento me é possível compreender a máxima posta como título, "ser mãe é padecer no paraíso". Só uma verdadeira mãe consegue amar incondicionalmente e fazer de uma ingratidão algo não nocivo pra si. Óbvio que se abala, que sofre e se magoa, mas consegue transformar e compreender aquilo sem que lhe faça mal e principalmente sem que altere um milimetro se quer seu sentimento maternal pelo filho ingrato. Aliás, como disse (parentese literal para dizer que foi uma das poucas coisas coerente na novela Em família) a personagem Selma "meu filho foi ingrato, como são todos os filhos!". Somos ingratos!
Um dia destes na parada do ônibus duas mães conversavam sobre seus filhos, os trabalhos deles e das coisas que precisavam fazer pra eles mesmo já estando adultos e como quando elas os procuravam pelo celular muitas vezes eram destratadas ou mal tratadas por perguntarem onde estavam, o que faziam, que horas vinham. E que quando o contrario acontecia (dos filhos ligarem) brigavam por a mãe não atender o telefone ou estar fazendo outra coisa e não ter visto.
Numa outra "viagem" de ônibus duas senhoras mais velhas também falavam sobre os filhos. E uma aconselhou a outra a cuidar de si e deixar o filho que se virasse, pois ela já estava "velha" e tudo que podia fazer tinha feito. Mas a outra desculpava o filho que trabalhava muito e a nora, então ela pegava a neta na escola e cuidava de muitas coisas da casa para que eles tivessem algum descanso. Aqui cabe outra expressão popular "mãe só muda de endereço"! Sim, a mesma que aconselhava a deixar o filho de mão muito provavelmente não faria o que diz, porque preocupava-se, porque não quer que o filho ou a filha sacrifique-se já que ela pode ajudar. E neste "pode ajudar" muitas vezes sobrecarrega-se de coisas.
Somos ingratos sim porque muitas vezes queremos voar sem ao menos conseguirmos caminhar com nossas próprias pernas e muitas vezes culpamos nossos pais por isso, ou porque não nos deixaram fazer, ou porque nos cobraram, ou porque nos alertaram do perigo de saltar sem paraquedas. Somos ingratos porque conseguimos brigar, ser rudes e impacientes com as pessoas que mais nos amam, que dariam suas próprias vidas por nós. E não contentes muitos de nós dizemos que eles não fazem mais que sua obrigação porque nós não escolhemos nascer. Como espírita que sou descordo totalmente disso, sei que escolhi bem, escolhi os pais, os irmãos, os companheiros de jornada, a casa, o bairro, a cidade e toda a situação em que me encontro. Creio que tudo faz parte do nosso aprendizado e que o que nos incomoda podemos trabalhar para mudar. Mas isto implica atitude, para isto temos de sair da zona de conforto, da posição de vítima para atuarmos, agirmos e, então, mudarmos.
Como não sou mãe, torna-se fácil para mim dizer que as mães e os pais precisam pensar mais neles mesmos, pensar neles primeiro. Mas é voz corrente, e a sociedade mete o dedo na cara de quem vai contra isto, que depois que se tem filhos homens e mulheres deixam de ser indivíduos com vida própria e passam a viver só para os filhos, pensando primeiro nos filhos e em função dos filhos. Isto é cobrado principalmente das mães e, aliás, com muito mais rigidez.
Aproveito para desculpar-me com minha mãe, mais uma vez, aliás ela tem várias cartas minhas pedindo desculpas por coisas muito bobas, mas que martelaram sem fim na minha cabecinha adolescente. É provável mãe que eu nunca venha a aprender a ser a filha que tu e o pai mereciam ter. Mas fica sabendo que tu és o meu modelo de filha, tu és a filha que eu quero me tornar, pois tu não mede esforços para cuidar da vó, aliás, não mediu para cuidar do vô e da vó Cela também. Aliás tu não mede esforços para auxiliar quem quer que seja e não importa a situação. Tu és também o meu modelo de ser humano. Tomara que um dia eu seja um pouquinho do que tu me ensinou, do que tu é. Obrigada mãe!

PS.: Este texto, como disse, vai para todas as mães e pais, principalmente pra mães que eu tenho o prazer de conhecer nesta caminhada e que sei, que numa ou noutra situação deve se identificar. Entre elas: minhas tias Ieda, Semita, Rosa, Marli, Margarida, Geni, Fidelcina, Deca, Daima, minhas avós Amália e Cela, minha irmã Mana, minhas primas, muitas amigas, minha sogra Ana.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

"Sentimento de incoerência"

Pois é as previsões astrológicas dizem que sol e lua em posições opostas no meu mapa astral podem dar uma sensação de incoerência, algo tipo "dizer uma coisa e fazer outra". Sempre tenho muito cuidado com isto, porque tenho a intenção (e o compromisso íntimo) de adequar e afinar o discurso a prática de forma a chegar aquela máxima do Paulo Freire de "um dia minha fala ser a minha prática". Mas realmente não é lá missão tão barbadinha assim! O sentimento de incoerência aparece mesmo algumas vezes e a cabeça e o coração não chegam a um acordo para que se possa expressar em palavras o que se esta pensando. Até, porque nem eu mesma tô a par do que tá rolando.
Não costumo planejar as coisas, já devo ter falado sobre isto por aqui. Não planejei fazer jornalismo, não planejei trabalhar num escritório de contabilidade, não planejei ir morar noutras cidades, nem planejei voltar, nem planejei ir morar sozinha. As vezes que tentei planejar coisas simples como ir ao cinema, por exemplo, alguma situação exterior fez com que o planejamento fosse por água abaixo. O que me faz pensar que o melhor é deixar as coisas acontecerem e programar-se a curtíssimo prazo.  Afinal como virginiana não conseguiria não ter o mínimo de organização no não-planejamento.
Ontem foi um dia que o plano A era ir ao cinema. Mas como diz minha amiga Jacque precisamos sempre ter o plano B! E o plano B foi fazer uma atividade que nunca havia feito antes, ou tinha feito apenas uma vez, meditar. Tal como a Elizabeth Gilbert, autora de "Comer, rezar, amar" não sou nada boa nisto! É dizer pra esvaziar a mente e todos os pensamentos fanfarrões invadem minha cabeça fazendo aquela festa! O bom é que ontem não foi uma meditação propriamente dita, mas uma espécie de palestra. E cada coisa que o Mestre disse me caiu como uma luva, comprovando minha teoria que só acontece o que deve acontecer e se os rumos mudaram no meio do caminho é porque era este o rumo a tomar. Achei o tema tratado tão pertinente a mim que até uma fala dele sobre "sentir-se em casa" era semelhante a minha sensação de sentir-me em casa. Renovação, educação emocional, maturidade, autoconhecimento... isto me fez lembrar o "meu" mantra dos últimos anos "tudo tem seu tempo"! E lembrei obviamente da minha companheira de mantra e filosofias Camila, que tenho certeza gostaria muito de ter escutado o Mestre ontem.
As previsões dos astros seguem falando de certa instabilidade devida a entrada da lua cheia. Não é a toa que o nome deste blog é Luna em fases, né? Nisto não há incoerência.
Ah! Peço desculpas se o texto estiver confuso, pode ter acontecido por causa do "sentimento de incoerência"! =D