Fico muitíssimo indignada quando uma mulher é assediada ou abusada e a primeira coisa que perguntam é sobre a roupa que usava. Eu nunca usei roupas curtíssimas ou decotadérrimas e fui assediada na rua muitas vezes. Não uso roupas curtas porque me sinto desconfortável, porque gosto de sentar no chão, de dobrar as pernas. Mas mesmo com roupas "bem comportadas" sofri assédio.
Teve uma época, quando tinha meus 10 ou 11 anos que tinha medo de ir até o bar da esquina porque tinha um homem que me perseguia. Ele me seguia de bicicleta dizendo um monte de besteiras, falando que queria fazer isto e aquilo, coisas que com dez anos eu não fazia ideia do que se tratava, mas que sabia que não queria aquela coisa asquerosa tocando em mim. Várias vezes eu corri pra casa, pois ele andava sempre de bicicleta. Eu sentia muito medo! Isto aconteceu até um dia que entrei em casa correndo e chorando e meu pai saiu atrás dele e o confrontou.
Naquele momento eu temi por mim e pelo meu pai. Graças a Deus não aconteceu nada e aquele nojento parou de me perseguir.
Mas não fiquei imune a piadas na rua, barulhos de chupão e outras coisas mais. Uma vez eu estava esperando o ônibus, pelas sete horas da manhã, na esquina da minha casa, onde tinha dois bares, mas estavam fechados e um cidadão, já com seus 40 anos e que vivia de fazer pequenos trabalhos de capina nas casas ali da volta resolveu se mostrar. Desceu da bicicleta, encostou-a no muro do bar e veio pra cima de mim com as calças arriadas e balançando seu pênis. Não sei como consegui reagir tão rápido! Deu uma surra de sombrinha no tarado! Bati nele com muita raiva! Tanta que quebrei a sombrinha e ele fugiu correndo! Depois disso pensei no quão arriscado tinha sido minha atitude e que ele poderia ter reagido, me batido e sei lá mais o que. Voltei pra casa tremendo que nem vara verde! Com as pernas bambas e chorando! Nunca mais aquela criatura se quer olhou pra mim, se me via na rua mudava o rumo. Mas ele poderia ter agido diferente e tentado fazer algo comigo novamente não é? E não era porque eu estava de mini ou micro saia, porque nunca usei nada muito acima do joelho. Não era porque eu estava de short curto ou blusa decotada ou transparente. Foi porque eu sou mulher e eles acreditam que mulheres estão aí pra isso.
Eu até acho bom que se use uniforme nas escolas e no trabalho, economizam nossas rouptchas! Mas optar por isso porque guris adolescentes não sabem respeitar as colegas é no mínimo absurdo. E mais absurdo é ouvir da responsável pelo SOE (nem sei se existe isto ainda) que as meninas devem usar "roupas comportadas e que se os guris derem piadas ou passarem a mão ela não tem nada o que fazer!" É acreditem já ouvi mais de uma vez o mesmo argumento no Dom João Braga (escola péssima, aliás) . E de mais de uma pessoa.
Outro dia um pai reagiu ao argumento dizendo que eles deveriam fazer os guris respeitar e não fazer as gurias andarem tapadas. Isso me deu uma pontinha de esperança e pensei, nem tudo tá perdido!
Mas ainda que sejamos maioria, ainda somos vítimas destes abusos.
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
terça-feira, 10 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
Deficiente mental porque fui um?
Acabei de ler os relatos destes espíritos que vieram em sua última encarnação com algum grau de deficiência mental. O livro joga por terra aquela ideia de regra quanto ao motivo de alguém reencarnar com limitações físicas ou mentais. São várias histórias contadas pelos próprios espíritos e depois comentada pelo mentor Antonio Carlos. Vamos encontrar histórias de suicidas, ex-usuários de drogas, delatores torturados pelo remorso, pessoas que praticaram mal contra seus semelhantes e até o caso de um rapaz que reencarnou para aproximar a família da espiritualidade. Cada caso é um caso isto o livro deixa bem claro. Aliás, o relato deste jovem me emocionou muito. Ele nasceu sem nenhuma deficiência, mas tornou-se deficiente por conta de um acidente de transito, no qual deveria desencarnar. Como sentia-se em dívida, pois não havia conseguido fazer com que a família se espiritualiza-se pediu permissão para continuar encarnado, sobre o que foi alertado pelo seu mentor que, caso ocorresse, ele viveria com muitas limitações, sofrimento e dor. Ele insistiu e lhe foram concedidos mais alguns anos. Sua missão foi plenamente realizada! Como antes do acidente ele já frequentava o centro espírita e estudava a doutrina, seus companheiros do grupo jovem daquela casa passaram a lhe visitar e mais tarde outras pessoas do centro, com isto a família começou a interessar-se pelo Espiritismo e tornou-se seguidora da doutrina. Quando ele de fato desencarnou, noutro acidente a família compreendeu o desencarne, sabendo que tudo não passava de uma separação momentânea.Enquanto lia, pensei em várias pessoas e famílias que conheço e que tem em seu seio alguém com uma deficiência. Eu mesma tenho dois afilhados com limitações, que são cercados de muito amor, condição imprescindível para o bom desenvolvimento destas pessoas.
Outro relato que muito me tocou foi o do Benedito, que nasceu com deficiência devido a sífilis de que os pais eram portadores. Na sua família todos os irmãos tinham algum grau de deficiência, mas ele foi o mais afetado. Ainda assim, era muito ativo, trabalhava com os pais na lavoura e depois, quando passou a viver na cidade começou a trabalhar rachando lenha na casa das pessoas. Mesmo com o trabalho pesado cuidou dos avós com muito carinho até seu desencarne e depois dos pais. No plano espiritual não ficou com nenhuma sequela da deficiência, visto que seu perispírito não havia sido afetado, mas apenas o corpo físico.
Para quem não crê no espírito, na reencarnação tudo pode parecer apenas uma forma de alento aqueles que sofrem. De toda forma o que devemos ter claro é que precisamos sempre amar. Uma vida não vale a pena se não amarmos.
Recomendo a leitura!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Amar não é difícil
Eu tinha tanto medo de amar, não de amar, porque eu amava, mas de demonstrar, dizer, viver aquilo tudo porque era desconhecido e o desconhecido dá medo. E se eu tivesse que mudar muita coisa na minha vida, e se eu tivesse que mudar muita coisa em mim, descobrindo que eu não era aquela pessoa tão legal, tão bem resolvida, tão "perfeita" como minha mãe achava? Mas que mentira, minha mãe nem acha que sou perfeita e fala dos meus defeitos na minha cara. Tá, mas e se meus defeitos não fossem só aqueles de que ela falava, e se fossem maiores ou mais graves do que a minha mãe dizia? Será que eu conseguiria conviver comigo descobrindo tanto mais coisas a meu respeito? Porque minha mãe conhece cada defeito meu, sabe quando estou bem e quando estou triste, quando estou brava e quando estou cansada. Ela me conhece há tempo demais e apesar de conhecer meu íntimo, me ama imensamente. E ama, não como se eu não tivesse defeitos, mas me ama na esperança, na solidariedade e na certeza de que posso corrigir cada um deles. Ela enxerga em mim alguém melhor. Alguém que eu às vezes não enxergo. Mas com o amor que tem por mim ela vê.
Então tem a questão do amor próprio. Não podemos amar ninguém se não nos amarmos.
Eu ainda não perdi totalmente o receio de demonstrar o amor que sinto, vejam bem, não é mais medo! Consigo me arriscar um pouco. Tive um encontro feliz que me levou a mudar bastante coisa na minha vida. Começou por minha mudança pro meu apartamento. Passa por ceder em algumas coisas, reconhecer limitações, enfim...
Não sei o quanto o outro me ama, apenas sei o que eu sinto. Algumas vezes isto basta, outras, como ainda tenho aqueles terríveis defeitos, não é suficiente. E isto ocorre geralmente naquela época do mês em que os hormônios me atacam e a TPM fica a mil. O corpo inchado, pernas pesadas e a irritação fazem parecer que nada tá certo. Então eu me dou conta e tendo controlar. Às vezes saem algumas reclamações e cobranças, noutras me sinto carente e choro muito. Por tudo... por qualquer coisa! Aí eu ganho alguns abraços apertados e tudo vai voltando ao "normal" novamente.
E eu me encho de coragem e penso, "de que vale a vida se não for pra amar as pessoas?" Amar não é difícil, a gente tem dentro esta capacidade mágica. O difícil é não nos deixarmos levar pelo que idealizamos como amor. É esta idealização que nos faz descrer das coisas. Vamos perder o medo de amar! Vamos nos desarmar e AMAR!
Então tem a questão do amor próprio. Não podemos amar ninguém se não nos amarmos.
Eu ainda não perdi totalmente o receio de demonstrar o amor que sinto, vejam bem, não é mais medo! Consigo me arriscar um pouco. Tive um encontro feliz que me levou a mudar bastante coisa na minha vida. Começou por minha mudança pro meu apartamento. Passa por ceder em algumas coisas, reconhecer limitações, enfim...
Não sei o quanto o outro me ama, apenas sei o que eu sinto. Algumas vezes isto basta, outras, como ainda tenho aqueles terríveis defeitos, não é suficiente. E isto ocorre geralmente naquela época do mês em que os hormônios me atacam e a TPM fica a mil. O corpo inchado, pernas pesadas e a irritação fazem parecer que nada tá certo. Então eu me dou conta e tendo controlar. Às vezes saem algumas reclamações e cobranças, noutras me sinto carente e choro muito. Por tudo... por qualquer coisa! Aí eu ganho alguns abraços apertados e tudo vai voltando ao "normal" novamente.
E eu me encho de coragem e penso, "de que vale a vida se não for pra amar as pessoas?" Amar não é difícil, a gente tem dentro esta capacidade mágica. O difícil é não nos deixarmos levar pelo que idealizamos como amor. É esta idealização que nos faz descrer das coisas. Vamos perder o medo de amar! Vamos nos desarmar e AMAR!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Tchau 2014 Seja bem vindo 2015!
Sempre faço uma análise do ano que termina, uma oração e muitos desejos de tudo de melhor para a família, amigos e conhecidos. No geral sempre considero que meu ano foi bom! Creio que sou otimista! E gosto disso. Pessoas negativas me cansam e me entristecem, porque não há argumento que as convença de que as coisas não são tão ruins. É claro que não sou tola a ponto de considerar tudo um mar de rosas. Sei que existem momentos de dificuldade na vida de todos nós num momento ou noutro. Mas o saldo final pra mim sempre é positivo. Prefiro olhar deste jeito. Sim, ainda existem injustiças, diferenças, preconceitos, fome, miséria, tristeza, dor, guerra e não podemos perder a capacidade de nos indignar diante destas mazelas do mundo, principalmente porque da nossa luta contra elas é que surgirá o mundo novo, aquele mundo que tanto desejamos, o mundo melhor. Calar frente as injustiças é compactuar, é não mudar. De nós depende mudarmos nós mesmos (única e real mudança) e ajudar aos que estão a nossa volta. O ano novo, o mundo melhor depende de nós, que nem diz a musiquinha batida de final de ano. Pode ser clichê pra muita gente, mas é a verdade.
"A gente muda e o mundo muda com a gente" já escutei isto em letra de música e concordo.
Creio que um passo para ver a vida positivamente é aproveitar o que temos, é ter gratidão e reconhecer que, muitas vezes, o que nos deixa angustiados, tristes e até amargurados é o que não temos (e que algumas vezes nem precisamos). Sejamos gratos ao que temos, a nossa família e amigos, a nossa saúde, a nossa casa, ao trabalho, ao alimento, a natureza, o mar, a brisa, a chuva, as plantas.
Por isto minhas resoluções de final de ano são simples e não dependem de dinheiro.
1 - Admirar mais a lua e as estrelas (de preferência ao ar livre)
2 - Andar descalça na terra, na grama, na areia (esta vai ser difícil)
3 - Sorrir mais e gargalhar sempre que a situação permitir
4 - Estar mais com os amigos e a família, compartilhar bons momentos
5 - Fazer caminhadas a tardinha diariamente (ou sempre que possível)
6 - Ler mais, quem sabe bato meu recorde de anos anteriores
7 - Ir mais ao cinema (assistir filme em casa também vale)
8 - Ir a lugares que nunca fui (como diria Tim Maia, vale tudo!Todo tipo de lugar, ocasião ou evento)
9 - Fazer um trabalho voluntário (esta resolução vem comigo há vários anos já, mas minha desorganização ainda não permitiu tempo para realizá-la, mas este ano me emprenharei)
10 -Amar e namorar bastante, afinal ninguém é de ferro e o amor transforma a gente e a gente transforma o mundo! <3 nbsp="" p="">Que todos nós tenhamos um 2015 repleto de amor, harmonia, paz, realizações, prosperidade, luz, bençãos, sucesso, alegrias, felicidade, fé e muita saúde.
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"A gente muda e o mundo muda com a gente" já escutei isto em letra de música e concordo.
Creio que um passo para ver a vida positivamente é aproveitar o que temos, é ter gratidão e reconhecer que, muitas vezes, o que nos deixa angustiados, tristes e até amargurados é o que não temos (e que algumas vezes nem precisamos). Sejamos gratos ao que temos, a nossa família e amigos, a nossa saúde, a nossa casa, ao trabalho, ao alimento, a natureza, o mar, a brisa, a chuva, as plantas.
Por isto minhas resoluções de final de ano são simples e não dependem de dinheiro.
1 - Admirar mais a lua e as estrelas (de preferência ao ar livre)
2 - Andar descalça na terra, na grama, na areia (esta vai ser difícil)
3 - Sorrir mais e gargalhar sempre que a situação permitir
4 - Estar mais com os amigos e a família, compartilhar bons momentos
5 - Fazer caminhadas a tardinha diariamente (ou sempre que possível)
6 - Ler mais, quem sabe bato meu recorde de anos anteriores
7 - Ir mais ao cinema (assistir filme em casa também vale)
8 - Ir a lugares que nunca fui (como diria Tim Maia, vale tudo!Todo tipo de lugar, ocasião ou evento)
9 - Fazer um trabalho voluntário (esta resolução vem comigo há vários anos já, mas minha desorganização ainda não permitiu tempo para realizá-la, mas este ano me emprenharei)
10 -Amar e namorar bastante, afinal ninguém é de ferro e o amor transforma a gente e a gente transforma o mundo! <3 nbsp="" p="">Que todos nós tenhamos um 2015 repleto de amor, harmonia, paz, realizações, prosperidade, luz, bençãos, sucesso, alegrias, felicidade, fé e muita saúde.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Ampulheta da fertilidade
Com estes dias de repouso pós-cirúrgico pude acompanhar algumas séries e até novelas de que gosto. Foi numa tarde destas, assistindo ao folhetim das 19h, Alto Astral que vi a personagem Tina, interpretada pela fantástica Elisabeth Savala conversando com Laura, personagem de Nathália Dill sobre a escolha de ter filhos, o tempo a fertilidade. Era uma fala sobre a terrível ampulheta da fertilidade, esta que marca nosso tempo, o tempo de validade das mulheres. Laura perguntou a Tina se ela nunca tinha querido ter filhos naturais. Tina é casada com Manuel, um viúvo pai de quatro filhos, que ela criou e ama como seus. A pergunta de Laura ela respondeu com uma naturalidade sincera e até sofrida. Tina explicou que quando casou os filhos de Manuel eram bem pequeninos e não dava para ter filhos e o tempo foi passando, foi passando, foi passando e quando ela viu não dava mais tempo.
Eu me vi nesta situação, e vi algumas amigas e muitas mulheres que não conheço mas que sofrem a pressão da ampulheta com suas areias escorregando e lembrando que o tempo está passando. Não casei com um viúvo pai de quatro crianças e creio que se tivesse participado de uma situação destas não sentiria necessidade, tal qual a Tina, de mais filhos. Porque filho adotivo é filho e ponto.
Então eu me vi nela. Eu não sei a resposta pra decisão de ter filhos. Quero, mas não sei, tenho dúvidas, tenho medo. Não tenho resposta! Mas sei que quero ter alguém me chamando de vó quando for velhinha, como não tenho filhos será difícil. Será que vou poder adotar caso o prazo de validade vença?
Minha médica já me disse que até os 38 anos as coisas são tranquilas, mas depois a ovulação fica mais escassa e a possibilidade de engravidar mais difícil. Uma vez, quando me perguntou se eu queria filhos eu estava sozinha. Da segunda o relacionamento era um pouco recente e tem toda uma série de decisões que não dependem só de mim. Mas a ampulheta descarrega a areia na minha cara, só na minha cara. Porque pra muitas pessoas a decisão é só minha. E se antes, antes da ampulheta estar com tão pouca areia eu tivesse decidido por minha conta e risco,sem perguntar a ninguém ter este filho, deixar a fertilidade agir, como tantas outras mulheres já fizeram "antes da hora" como me interpelariam? O que me diriam estes mesmos que me dizem para decidir já?
Jamais poderia decidir por uma produção independente e privar meu filho de ter amor e convivência com o pai. Eu não conseguiria ser feliz sabendo que meu filho quer respostas que eu talvez não pudesse ou não quisesse dar. Então eu deixei pra decidir depois. E agora tem esta história do tempo e a decisão do outro, por quem não posso decidir. Por isto deixei para decidir daqui a pouco, pra resolver depois, mais uma vez.
Por algumas vezes consigo ignorar a ampulheta da fertilidade, virar a cara pra ela. Outras vezes sinto um aperto no peito e não consigo evitar o choro. Sei que tenho amigas passando pelo mesmo sentimento, pelo mesmo momento, pela pressão e tortura desta ampulheta. Como creio que o tempo é o senhor da razão... e nada acontece fora do tempo certo... na devida hora tudo acontecerá.
Eu me vi nesta situação, e vi algumas amigas e muitas mulheres que não conheço mas que sofrem a pressão da ampulheta com suas areias escorregando e lembrando que o tempo está passando. Não casei com um viúvo pai de quatro crianças e creio que se tivesse participado de uma situação destas não sentiria necessidade, tal qual a Tina, de mais filhos. Porque filho adotivo é filho e ponto.
Então eu me vi nela. Eu não sei a resposta pra decisão de ter filhos. Quero, mas não sei, tenho dúvidas, tenho medo. Não tenho resposta! Mas sei que quero ter alguém me chamando de vó quando for velhinha, como não tenho filhos será difícil. Será que vou poder adotar caso o prazo de validade vença?
Minha médica já me disse que até os 38 anos as coisas são tranquilas, mas depois a ovulação fica mais escassa e a possibilidade de engravidar mais difícil. Uma vez, quando me perguntou se eu queria filhos eu estava sozinha. Da segunda o relacionamento era um pouco recente e tem toda uma série de decisões que não dependem só de mim. Mas a ampulheta descarrega a areia na minha cara, só na minha cara. Porque pra muitas pessoas a decisão é só minha. E se antes, antes da ampulheta estar com tão pouca areia eu tivesse decidido por minha conta e risco,sem perguntar a ninguém ter este filho, deixar a fertilidade agir, como tantas outras mulheres já fizeram "antes da hora" como me interpelariam? O que me diriam estes mesmos que me dizem para decidir já?
Jamais poderia decidir por uma produção independente e privar meu filho de ter amor e convivência com o pai. Eu não conseguiria ser feliz sabendo que meu filho quer respostas que eu talvez não pudesse ou não quisesse dar. Então eu deixei pra decidir depois. E agora tem esta história do tempo e a decisão do outro, por quem não posso decidir. Por isto deixei para decidir daqui a pouco, pra resolver depois, mais uma vez.
Por algumas vezes consigo ignorar a ampulheta da fertilidade, virar a cara pra ela. Outras vezes sinto um aperto no peito e não consigo evitar o choro. Sei que tenho amigas passando pelo mesmo sentimento, pelo mesmo momento, pela pressão e tortura desta ampulheta. Como creio que o tempo é o senhor da razão... e nada acontece fora do tempo certo... na devida hora tudo acontecerá.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Catapora
É tempo de catapora, doença infantil, em geral, que causa bolhas d'água, feridas, febre e muita coceira no corpo. As benditas feridinhas podem atacar todo o corpo, do couro cabeludo até cantinhos mais internos aonde quer que tenha pele.
Eu tive, aliás tive quase tudo que foi doença de criança! Tive catapora, caxumba, hepatite A, e mais um monte de coisas. A minha catapora começou numa época em que eu estava passando uns dias lá fora na casa da dona Didi. Não lembro direito como começou. Lembro que tive bastante febre. As feridas se espalharam por tudo e eu tinha na cabeça, dentro das orelhas, embaixo dos braços, nos órgãos genitais, na garganta e sabe-se-lá-mais-onde.
A ferida da garganta não me permitia comer, pois nada passava por ali sem me causar ânsia de vômito. Lembro de tomar apenas canja, ou melhor o caldinho da canja. A gente estava lá fora, no interior de Piratini aonde não tinha água encanada, luz ou telefone. E o telefone mais próximo era há quilômetros de distância da casa da vó Didi, bem como os vizinhos, a cidade, o bar mais perto. Era muito bom ficar lá nas férias, mesmo sem ter absolutamente nada pra fazer. O tempo passava beeeem devagar, minhas horas eram gastas debaixo de uma árvore na frente da casa, aonde deitava no chão e escutava rádio, viajava nas nuvens adivinhando figuras, sonhava com coisas futuras. Outras vezes eu corria atrás dos bichos, porcos, galinhas e patos. Outras brincava de casinha, inventava histórias ou ajudava a vó Didi a fazer biscoitinhos, sovar massa de pães no cilindro e tantas outras atividades domésticas. A gente visitava a casa de alguns vizinhos. Para isto precisávamos fazer longas caminhadas até a casa deles. Mas quando fiquei doente tive que ficar em casa porque não podia pegar frio e chuva e porque não devia contaminar os outros.
Engraçado que mesmo bem distante do meu mano ele pegou catapora também, na mesma época. A diferença é que eu fiquei tapada de feridas dos pés a cabeça e ele teve uma meia dúzia, no máximo, na barriga.
Como a vó Didi já tinha uma idade um pouco avançada, achou melhor voltar pra casa comigo pra minha mãe cuidar de mim. O legal foi que a volta, da casa lá de fora até o lugar onde pegávamos o ônibus, fui a cavalo com o Vilmar. Foi muito emocionante! Quando cheguei em casa fazia um dia quente, mas caía uma chuva de verão leve e eu fiquei na janela vendo meus irmãos e prima tomando banho de chuva e se refrescando, mas eu não podia. Foi chato!
Apesar de tantas e tantas feridas creio que não fiquei com nenhuma marca no corpo. Ficar doente é bem ruim, eu achava bem chato não poder fazer várias coisas, mas também tinha lá suas vantagens. Afinal... quando a gente fica doente recebe bastante atenção, carinho, cuidados e mimos.
Meus queridos sobrinhos estão passando pela fase cataporenta. A Larissa teve há bastante tempo, devia ter uns dois aninhos. Este ano foi a vez da Amanda, depois foi o João e agora meu amor Yuri. Tomara que o Pê e o Daniel se livrem dela por enquanto.
Eu tive, aliás tive quase tudo que foi doença de criança! Tive catapora, caxumba, hepatite A, e mais um monte de coisas. A minha catapora começou numa época em que eu estava passando uns dias lá fora na casa da dona Didi. Não lembro direito como começou. Lembro que tive bastante febre. As feridas se espalharam por tudo e eu tinha na cabeça, dentro das orelhas, embaixo dos braços, nos órgãos genitais, na garganta e sabe-se-lá-mais-onde.
A ferida da garganta não me permitia comer, pois nada passava por ali sem me causar ânsia de vômito. Lembro de tomar apenas canja, ou melhor o caldinho da canja. A gente estava lá fora, no interior de Piratini aonde não tinha água encanada, luz ou telefone. E o telefone mais próximo era há quilômetros de distância da casa da vó Didi, bem como os vizinhos, a cidade, o bar mais perto. Era muito bom ficar lá nas férias, mesmo sem ter absolutamente nada pra fazer. O tempo passava beeeem devagar, minhas horas eram gastas debaixo de uma árvore na frente da casa, aonde deitava no chão e escutava rádio, viajava nas nuvens adivinhando figuras, sonhava com coisas futuras. Outras vezes eu corria atrás dos bichos, porcos, galinhas e patos. Outras brincava de casinha, inventava histórias ou ajudava a vó Didi a fazer biscoitinhos, sovar massa de pães no cilindro e tantas outras atividades domésticas. A gente visitava a casa de alguns vizinhos. Para isto precisávamos fazer longas caminhadas até a casa deles. Mas quando fiquei doente tive que ficar em casa porque não podia pegar frio e chuva e porque não devia contaminar os outros.
Engraçado que mesmo bem distante do meu mano ele pegou catapora também, na mesma época. A diferença é que eu fiquei tapada de feridas dos pés a cabeça e ele teve uma meia dúzia, no máximo, na barriga.
Como a vó Didi já tinha uma idade um pouco avançada, achou melhor voltar pra casa comigo pra minha mãe cuidar de mim. O legal foi que a volta, da casa lá de fora até o lugar onde pegávamos o ônibus, fui a cavalo com o Vilmar. Foi muito emocionante! Quando cheguei em casa fazia um dia quente, mas caía uma chuva de verão leve e eu fiquei na janela vendo meus irmãos e prima tomando banho de chuva e se refrescando, mas eu não podia. Foi chato!
Apesar de tantas e tantas feridas creio que não fiquei com nenhuma marca no corpo. Ficar doente é bem ruim, eu achava bem chato não poder fazer várias coisas, mas também tinha lá suas vantagens. Afinal... quando a gente fica doente recebe bastante atenção, carinho, cuidados e mimos.
Meus queridos sobrinhos estão passando pela fase cataporenta. A Larissa teve há bastante tempo, devia ter uns dois aninhos. Este ano foi a vez da Amanda, depois foi o João e agora meu amor Yuri. Tomara que o Pê e o Daniel se livrem dela por enquanto.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Gratidão
Hoje fui na revisão da minha cirurgia, foi tranquilo. Os pontos estavam sequinhos e já foram tirados, não tem dor e a recuperação ótima, apesar do cagaço pré-operatório. Doeu um pouquinho quando a enfermeira levantou e cortou a linha. Não sabia que doía... Mas agora não tá doendo mais.
Próxima revisão só após a retirada do resultado da análise da vesícula pelo início do mês de janeiro. Recomendação médica é evitar alimentos gordurosos, o resto tá tudo liberado.
Agora mais uns diazinhos de repouso na casa da mamãe e voltamos a rotina normal.
Confesso que as coisas saíram melhor do que eu podia imaginar ou esperar. Nunca havia estado numa sala de cirurgia e tinha medo de não ter uma boa recuperação ou de sentir dor. Sim, apelei para o Dr Bezerra de Menezes e todos os amigos da espiritualidade, considero-me atendida, e muito, muito, muito agradecida. Como no post anterior mais uma vez agradeço os médicos, o corpo de enfermagem e todos os funcionários da Fau onde estive internada e fui excelentemente tratada. Demorou um pouquinho da descoberta até a realização da cirurgia, é verdade, mas ao final foi tudo muito bem.
Peço desculpa aos amigos que não tinham ideia de que faria uma cirurgia. É que não gosto de ficar publicando minha vida nas redes sociais, mas o agradecimento pelo tratamento recebido no SUS e pela Fau devem ser públicos. Agradeço também a minha mamis, meu pai, meus irmãos e todos os familiares que me acompanham neste momento. Também sou agradecida aos amigos, em especial a Deisi que insistiu até o fim que eu fizesse a cirurgia pelo SUS e foi comigo consultar. Sou grata a Deus e a toda a espiritualidade, como não podia deixar de ser.
Próxima revisão só após a retirada do resultado da análise da vesícula pelo início do mês de janeiro. Recomendação médica é evitar alimentos gordurosos, o resto tá tudo liberado.
Agora mais uns diazinhos de repouso na casa da mamãe e voltamos a rotina normal.
Confesso que as coisas saíram melhor do que eu podia imaginar ou esperar. Nunca havia estado numa sala de cirurgia e tinha medo de não ter uma boa recuperação ou de sentir dor. Sim, apelei para o Dr Bezerra de Menezes e todos os amigos da espiritualidade, considero-me atendida, e muito, muito, muito agradecida. Como no post anterior mais uma vez agradeço os médicos, o corpo de enfermagem e todos os funcionários da Fau onde estive internada e fui excelentemente tratada. Demorou um pouquinho da descoberta até a realização da cirurgia, é verdade, mas ao final foi tudo muito bem.
Peço desculpa aos amigos que não tinham ideia de que faria uma cirurgia. É que não gosto de ficar publicando minha vida nas redes sociais, mas o agradecimento pelo tratamento recebido no SUS e pela Fau devem ser públicos. Agradeço também a minha mamis, meu pai, meus irmãos e todos os familiares que me acompanham neste momento. Também sou agradecida aos amigos, em especial a Deisi que insistiu até o fim que eu fizesse a cirurgia pelo SUS e foi comigo consultar. Sou grata a Deus e a toda a espiritualidade, como não podia deixar de ser.
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