segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Chafariz do calçadão

O Chafariz do calçadão da nossa cidade é muito lindo! Pra quem tá longe, talvez seja uma boa maneira de lembrar da cidade. No sábado ouvi um apelo do jornalista Pablo Rodrigues dizendo pra que a gente cultive a cultura viva, a cultura dos livros, das tradições, das artes, enfim... Nós temos muitos prédios históricos em Pelotas, temos os chafarizes, a Caixa d'água. Eu defendo a cultura viva sim, mas admirar nossos prédios é importante! Seria muito legal se as pessoas fossem ler na Bibliotheca Pública Pelotense, no redondo da praça Coronel Pedro Osório, enfim... Trocar experiências, as leituras públicas que o Pablo sugeriu seria ótimo. Quem sabe estas coisas possam ser associadas a esta cultura que a gente tanto gosta de preservar, não é?

domingo, 6 de novembro de 2011

Catedral São Francisco de Paula - Pelotas

A minha observação sobre os vários ângulos da Catedral São Francisco de Paula começou com um pedido da minha querida prima Claudete, que hoje tá morando lá em Goiânia com a família. A saudade da terrinha fez com que ela me pedisse umas fotos daqui. Fotografias que retratassem a cidade e as pessoas. E eu enviei umas fotos da Catedral. E toda vez que passo por ali, e isto é praticamente todo santo dia, imagino uma foto nova, uma foto diferente. Hoje quando estava vindo pra casa não resisti e tirei mais algumas. Espero que a família que está longe goste e os amigos também.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pablo Neruda

Vinte Poemas de Amor – XX
Pablo Neruda
tradução de Fernando Assis Pacheco
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".


O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.


Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.


Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.


Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.


Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.


Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.


Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.


A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.


Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.


De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.


Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.


Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.


Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.


Grafite #ArteDeRua

Este grafite, muito legal, fica nos fundos do Sesc Pelotas. Quer dizer, pelas minhas contas eu acho que  é. Gostei das cores! Foi bem difícil fazer esta foto que pega todo o desenho, mas fiz uns planos dos detalhes que mais gostei.
Este pirata barbudo com nariz de palhaço pode ser visto em outros grafites da cidade. Agora eu não lembro aonde, mas creio que na Av. Bento Gonçalves tem um.Gente, é um trabalho fantástico! Observem a expressão do olho do pirata! Realmente, não se pode negar o grande talento destes artistas de rua.
Pelo que pude observar o trabalho é de vários artistas, de vários grafiteiros e, além de alguns tipos de desenhos, através dos quais podemos já saber de quem se trata, tem a assinatura deles nas tevês postas aos pés da ovelha amarela. Até me arrisquei a pensar que as várias televisões fossem uma crítica.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

#Primavera, as duas flores de Castro Alves

AS DUAS FLORES

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
 Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

#Primavera e as flores do campo seguem regadas a poesia


Livros e flores
Machado de Assis

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?




Pedras e Flores
Augusto Branco

As pessoas são muito reativas: costumam retribuir exatamente aquilo que recebem. Retribuem o bem com o bem, e o mal com o mal. Mas tu, para seres imensamente feliz, procederás diferente:

Retribua com flores a todas as pedras que te atirarem.

Haverá um momento em que as pedras de teus inimigos acabarão, e assim eles só poderão atirar em você as próprias flores que receberam de ti.


Teu Segredo
Clarice Lispector

Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

#Primavera, Cecilia Meireles

Delicadas florezinhas do campo. Elas são tão pequeninas, mas tão belas!

Primavera
Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.