terça-feira, 17 de outubro de 2017

Simplicidade das crianças

O João Pedro e eu sempre conversamos no carro quando estamos indo pra casa ou vindo para a escola. Geralmente são coisas triviais, desenhos, super-heróis, sobre coisas do dia-a-dia. Hoje nossa conversa surgiu do nada e me pegou bem de surpresa, assim:
JP: _ Leli, tu te lembra do bebezinho que tava na tua barriga?
Eu: _ Lembro, porque?
JP: _ Te lembra que nós jogamos almofadas em ti e pegou no bebezinho?
Eu: _ Sim.
JP: _ Doeu?
Eu: _ Um pouquinho.
JP: _Ele chorou?
Eu: _ Não.
JP: _ Quando que tu vai poder ter outro bebezinho na tua barriga? Eu quero outro irmão e tem que ser um menino, tá bom?

Ele me fez lembrar da situação que eu estava adiando. Sim, deixei quieto, botei na pilha do analisar mais adiante, tipo lá por dezembro, que é quando acaba o período no qual eu deveria evitar engravidar. Desta data em diante posso voltar a tentar, lá na faculdade, onde me atenderam após a curetagem, na revisão, já passaram data pra marcar retorno, caso decida tentar nova gestação. Uma decisão muito simples pro João, que já fez a escolha de mais um irmão (na verdade primo) e tem que ser menino. Tá tudo certo, é só decidir e já é. Pra mim é um pouco mais complexo, mas vamos esperar o tempo. Quando chegar dezembro...
Até porque depois de tudo ainda não fui consultar a minha médica ginecologista, nem voltei no meu clínico geral para dar satisfação de tudo que aconteceu. Parece fuga, talvez seja!
Mas sei que está tudo bem, me recuperei bem, voltei a andar de bicicleta semana passada (quando não chove né?) estou fazendo uma dieta light (já emagreci 2,5 quilos), estou muito feliz e pretendo emagrecer mais um pouquinho, mas sem neurose! Tô levando tudo numa boa, com calma. Como diz minha sobrinha Amanda, é vida que segue!
Claro que fiquei matutando! Assim como fico quando alguém conta que tá grávida, e isto tem acontecido muito ultimamente. Eu fico feliz porque adoro criança e porque entendo que neste período de transformação espiritual do nosso planeta (papo pra outro post) precisamos de muitos espíritos, de gente que vem pra nos ajudar nesta mudança. Nestes últimos dois meses fiquei sabendo de pelo menos umas 10 grávidas. Acho lindo, me emociono e também penso em como estaria minha barriga e meu bebê se a gestação tivesse seguido. Enfim, vamos adiante, todo tempo é necessário para a maturidade e o aprendizado!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Religião não se discute?

Sempre ouvimos dizer que  religião não se discute. Concordo, porque é direito de cada indivíduo ter ou não uma crença e é obrigação de todos nós respeitar essa escolha e é um dever do estado, assegurado pela Constituição que esta liberdade de escolha seja garantida. E o que sempre vimos sobre religião nas escolas? Não foi uma aula que fala da história, dos dogmas e de como se professa cada culto. Enfim, muita coisa não se dizia e talvez volte a não dizer com esta aprovação do STF de que as escolas voltem a ministrar aulas de ensino religioso confessional (que diabo é isso???) sendo que o professor da disciplina poderá optar por falar apenas de uma única religião. Isto além de ser perigoso, desrespeitoso com os seguidores de religiões que não serão contempladas é inconstitucional. Estamos berrando isso, mas não estamos sendo ouvidos. 
O que leva algumas pessoas ao medo, principalmente porque as disciplinas que dariam suporte para que as crianças pensassem de forma mais ampla e pudessem até discutir sobre as religiões e daí, quem sabe, escolher alguma para professar, foram, ao mesmo tempo, retiradas do currículo escolar. 
Eu não fui catequizada na escola, não porque havia como contrapor a professora de religião, porque não tinha. Mas porque fazer minha cabeça tão bem feita pela minha mãe não é nada fácil. Além do que sou teimosa e tenho um determinado comportamento do contra quando querem me impor alguma coisa. Nem todo mundo é assim. 
Pensem bem, quando eu entrei para o colégio, lá na década de 80, na escola municipal não tínhamos aula de música, nem filosofia e nem sociologia nos primeiros anos, mas sempre teve aula de religião, que pra mim parecia uma catequese (embora não tenha feito catequese) porque não falava sobre as várias religiões existentes no mundo e muito menos se dizia que podíamos escolher a que mais se aproximasse do nosso coração e verdade. 
Confesso que tentei fazer a primeira comunhão, todo mundo fazia, era praxe. Então um sábado de manhã cedinho fui até a escola, onde se realizava a missa, para começar o tal curso. Fui apenas este dia e nunca mais. 
Depois, quando na quinta série fui para a escola estadual, continuamos sem as aulas de música, sem filosofia, sem sociologia, ou mesmo moral e cívica, que em algumas escolas tinha, mas tínhamos aula de religião. No entanto, aprendi que se a minha religião não fosse contemplada naquela aula poderia não assisti-la. Descobri isso porque meu colega Michel foi pedir dispensa por ser de uma outra religião, que não a católica. Não lembro a religião dele.
Mas eu só tive aula de religião e não catequese, quando na faculdade tive uma matéria chamada "Deus e a experiência de Deus hoje". O professor Vernetti (não lembro se ele era padre ou filósofo) nos passou várias apostilas falando sobre as diversas religiões, falou-nos dos seus fundamentos. Mas eu tinha aula de sociologia e filosofia. 

Eu não tinha, ainda uma religião, mas achava muito importante que aquela disciplina discorresse sobre tantas religiões diferentes porque ampliava a minha visão sobre o assunto e compreendia como a religião e a política estavam ligadas desde sempre.  
A gente diz que não se discute religião porque muitas pessoas brigam ou querem impor para os outros a sua verdade e para evitar conflitos calamos. Acontece que desde os primórdios a religião está intimamente ligada a política. Era assim na Grécia, no Egito, na idade média, enfim, professores de história podem dar mais informações. Sim, estavam ligadas e exerciam tanto poder quanto os mandatários políticos. Por vezes elas estavam juntas e por outras duelando. Muito poucas vezes o duelo era para defesa do povo. Bem como agora. Nós nos calamos sobre isto e muitos religiosos com o poder midiático entraram e foram eleitos na política. Não pra defender a população, mas para defender os interesses de seu grupo. Eles tem tanto poder que  determinaram a volta do ensino religioso. Eles tem tanto poder que barganham inúmeras leis e projetos só visando seus interesses pessoas e do seus companheiros. 
Portanto, política e religião se discute sim, porque é necessário conhecê-las, saber sua história. Porque talvez as bases das religiões, assim como as bases dos partidos políticos, sejam boas, no entanto as pessoas que formam esta religião ou partido e lideram podem não ser. Pensem nisso!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência = Dia de reflexão

Hoje é o Dia Nacional de Luta Pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, lendo o texto da Adriana me vieram as reflexões sobre vários deficientes com quem convivi e convivo. 
Na minha família foi o primeiro lugar que convivi de perto com alguém portador de deficiência. Minha tia avó Edite era cadeirante. O que sei é que na primeira infância ela não tinha nenhuma deficiência e que depois de uma indigestão teve muita febre, convulsões e acabou ficando sem fala, sem andar. Ela ficava basicamente em casa porque sem grana minha bisa não tinha dinheiro para passear com ela, não haviam ônibus especiais como a pouco tempo surgiram e poucos tinham carro.
Lembro também do Tailor, um rapaz que devia ser uns quatro anos mais velho que eu que tinha uma espécie de paralisia cerebral, também era cadeirante e não falava.
Duas casas ao lado da minha tinha uma moça que tinha uma deficiência parecida com da minha tia avó. Mas ela caminhava. As vezes ela fugia de casa sem roupas.
Agora escrevendo isso lembrei do Daniel, que era primo da tia Lorena, a deficiência do Daniel era alguma coisa mental. Na verdade eu não sei direito, porque era criança e não tinha esta coisa de perguntar o que ele tinha. Apenas sabia que ele agia de forma diferente da maioria das pessoas e diziam que algumas vezes ele tinha uns ataques, podia ser epilepsia, por exemplo, mas as pessoas falavam apenas "ataque" o que engloba muitas coisas.

Estas pessoas eu convivi de perto, lembro deles. Mas muitas pessoas com deficiência física ou mental eram escondidos pelas famílias por vergonha, por preconceito ou ignorância. Outros tantos eram internados em "clinicas" onde a família pagava e abria mão daquela convivência que poderia ser tão rica. A impressão que tenho, tendo base a história da Edite, que os médicos pouco informavam os familiares e simplesmente desistiam daquelas pessoas sem orientar ou ajudar a família a dar qualidade de vida pr'aquelas pessoas. Sorte a minha que minha bisa fez questão de cuidar da Edite até o final da vida dela! 
Na escola já na primeira série tinha um colega, não sei que tipo de deficiência ele tinha, apenas lembro que ele tinha um pouco de atraso na aprendizagem. Quando mudei para o Colégio Pedro Osório na minha sala tinha a Taís, ela era down. Outro dia descobri que existem vários níveis (se eu estiver errada me digam). Ela sofria bulling de alguns colegas até que uma das nossas professoras pediu pra ela buscar uma coisa qualquer na secretaria e deu o maior esporro nos guris. Dois ou três babacas que debochavam das características físicas de todo mundo, como se fossem uns príncipes lindos e inteligentes. 
No segundo grau tivemos o convívio feliz de três anos com a Madalena uma surda muda muito amada e engraçada, que ficava furiosa quando não entendíamos o que ela estava falando. E muitas vezes eu não entendia mesmo e olha que era bem descolada, afinal na minha família há quatro surdos mudos. Sim, tenho quatro primos surdo mudos. 
Na minha faculdade lembro de alguns caras mais velhos, que já estavam na faculdade há um bom tempo. Um era o Paulo que tinha uma deficiência que se notava por conta dos seus trejeitos, modo de falar e tinha o Alemão (não lembro do nome dele) que tinha vários tiques. Ambos se formaram. E no curso da mãe tinha um rapaz que era cadeirante também. Tanto o ICH quanto a Católica se adaptaram colocando elevadores. 
Não recordo de ter tido pessoas com deficiência visual nas escolas ou faculdade porque passei. Mas lembro que na rua atrás da minha casa tinha um senhor que era cego. Sempre o via passando com uma das filhas ou no ônibus. Depois conheci o Lucas da Carmem Lúcia e o José Antônio advogado de umas empresas para as quais fazemos contabilidade. 
E também a Michele que sofre de Atrofia Muscular Espinhal. E o Bruno e o Andrei que são down. 
Na verdade, se olharmos a nossa volta existe muita diversidade, tem muita gente portador de alguma deficiência que a gente conhece e se informando, perguntando pra eles mesmo podemos lhes ajudar. Enquanto escrevo vou lembrando das pessoas e de como elas eram independentes e ativas apesar de que um tempo atrás pessoas deficientes eram apenas para serem cuidadas. Aliás, algumas, como disse acima eram escondidas como se fossem um erro, sei lá.
Vamos fazer este exercício e lembrar dos nossos anos de escola quantos deficientes haviam, como era a vida deles, como a gente se comportava com eles. Seria muito útil para esta desconstrução e para a mudança que almejamos. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O gosto

Eu sou uma pessoa que não gosta de tudo que os outros gostam. Parece que sou do contra, mas não é. Apenas não gosto! Respeito o gosto alheio, só não gosto de certas coisas que vira e mexe são moda ou são gostadas por todos. Por exemplo, algumas mulheres se sentem atraídas por homens de farda (polícia, bombeiro, militar, brigada) eu nunca gostei, nunca fiquei de olho, se o cara era do tipo que eu achava bonito, achava bonito se era feio... bom não era a farda que mudaria minha ideia, pelo contrário. Na época do Top Gun Tom Cruise era o galã do momento, muitas mulheres caiam de amores, nunca fez minha cabeça! Tom Cruise de militar??? Não, obrigada! Agora, depois de uma
certa idade até enxergo algum charme nele, mas não é meu preferido. Leonardo de Caprio também foi o bambambam! Aquele que fazia as adolescentes gritarem e tirarem foto da tela do cinema, mas não fazia meu gênero, a começar porque era loiro, de olho verde, todo certinho. Como ator? Maravilhoso! Devia ter ganho o oscar antes, mas não é o tipo de beleza que me faria a cabeça. Agora passado os anos...
Pois é, meu gosto é diferente. Aliás como diz aquele velho ditado "gosto e bunda cada um tem a sua"! Isso vale para avaliar belezas físicas ou belezas artísticas. E até avaliar artisticamente um profissional do ramo. No meu caso a avaliação seria totalmente amadora e muito, muito pessoal. Por exemplo, eu amo o Jack Nicholson e o Morgan Freeman. Amo de paixão e olho qualquer filme estrelado por eles. Pode ser até aquele filme que o povo todo diz que é uma bosta, eu dou cartaz sim, dou audiência mesmo. Já Jim Carey... Entenderam? O meu gosto pessoal não influencia nem é influenciado pelo gosto dos outros, aliás, nem mesmo pelas críticas profissas. Se gosto gosto e ponto final!
É a mesma coisa com desenho, pintura, escultura e por aí a fora! Não vou discutir se é ou não arte, se é ou não bonito, apenas acho que a ARTE NÃO DEVE NUNCA SER PROIBIDA.
Eu não gosto de filmes pornôs. Já digo assim, não vi nenhum mais de 15 minutos, se é que chegou a tal, acho escroto e fora da realidade. Acho uma bosta mesmo e não sinto nenhuma excitação. Mas não acho que devam ser proibidos. Os filmes que são feitos pela indústria, não aquelas gravações que são jogadas na internet por homem escroto e machista para expor a mulher, ou por pedófilos que ficam trocando experiências. Estes devem ser proibidos e os culpados punidos com rigor.
Não li 50 tons de cinza, por exemplo, mas não é o tipo de leitura erótica que me agrada. Sou muito mais Zélia Gattai em Crônicas de uma namorada, ou Jorge Amado ou Izabel Allende ou meu amado Gabo. Existe muito tesão na escrita destes últimos e está presente em vários livros. Livros que tem histórias além da f*da. Histórias próximas da realidade. No caso do Gabo histórias de um realismo fantástico! Não preciso do empresário engomadinho que exerce poder sobre uma jovem inexperiente e com visíveis sintomas de abuso. Mas não passou nunca na minha cabeça proibir qualquer livro por retratar amor, sexo ou a vida de uma forma diferente do que eu penso.
Também não vou ofertar qualquer filme, livro, série ou peça de teatro para qualquer dos meus sobrinhos sem analisar se eles tem capacidade de compreender aquela peça de ficão. Isso deveria ocorrer na casa de todo mundo. Tipo, crianças menores de 14 anos, não deveriam assistir big brother, na minha opinião. Talvez isso seja muito mais nocivo do que a exposição queer. Não que eu tenha achado alguma coisa bonita. Não achei! Mas compreender e avaliar a capacidade intelectual das crianças a respeito do que irão ver numa obra de arte é função dos pais. Mesmo que a escola convide para um passeio o estudante só vai com a permissão dos pais. Até hoje vai o bilhetinho pro pai ou a mãe assinar, dizendo quando, onde e do que se trata o passeio. Criar uma criança é dureza, requer disposição, interesse e muito boa vontade. Criar um sujeito crítico e que sabe a diferença entre o que é bom ou ruim, o que deve ou não ser feito é mais ainda. E é nossa obrigação. Os caráteres não são formados a partir, apenas do que dizemos que pode ou não pode, até porque eles testam os limites. Ele é formado pelo nosso exemplo. Não é dizer que não pode ver o sexy hot e ser pego no flagra. É explicar claramente, sem moralismo ou meias verdades porque não pode.
Nunca vou esquecer de uma vez assistindo uma propaganda de campanha contra Aids em que eu perguntei pra minha mãe o que era sexo oral. Eu devia ter uns oito, nove anos. Ela disse que eu ainda era muito nova pra saber e que quando eu fosse maior me explicaria. Eu aceitei a resposta porque ela não mentiu. Mas acabei descobrindo o que era em conversas com colegas, e no próprio colégio onde haviam várias campanhas contra a Aids. Atualmente pouco se vê falar sobre HIV/Aids na televisão, não há campanhas sistemáticas como havia na minha infância e adolescência. Não é por acaso que estejam sendo notificados tantos casos entre jovens. Porque está acontecendo? Não é pela ideia de que já existem remédios e agora a Aids não mata. Não é não! É porque não se fala, não se orienta, não tem campanha na televisão pra provocar o debate na mesa do jantar. É por isso! É porque surgiu um moralismo que dita que tudo é feio e errado, mas que como bem antigamente acontecia, o moralismo tá de cueca, porque a boca fala uma coisa e as atitudes mostram outra.
Tá faltando muita coerência por aí! Não quer que o filho aprenda com exposição que mostra sexo, pois bem, conversa com ele. Orienta, prepara pra vida. Essa é tua obrigação como pai ou mãe. Não fica achando que vai ter uma hora certa. A hora certa é quando o filho pergunta. O filho perguntou? Beleza, responde de forma simples o que tu achas que ele vai compreender. Geralmente eles se dão por satisfeitos. Se surgirem novas perguntas, responde. Não tem certeza se deve falar sobre aquele assunto ou não sabe um jeito mais light de falar dele, faz que nem a mãe, diz que quando ele for maior vai explicar. Só não foge do assunto. Não deixa pra escola, porque, na escola tá tudo sendo proibido. Se o livro mostra o aparelho reprodutor masculino as mães puritanas vão lá reclamar e dizer que a escola tá falando de pornografia. Se o boneco vem com pênis fazem campanha pra fechar a fábrica, se se fala em educação sexual e a escola entrega uma camisinha pras criaturinhas verem como é, os pais surtam e vão lá fazer protesto dizendo que a escola tá estimulando o sexo.
Para completar o pacote de como despreparar seu filho pra vida os pais não participam das reuniões, não conhecem os amigos dos filhos, não conversam e muitas vezes nem sabe onde os filhos estão porque estão muito ocupados no mundo deles. Quando acontece alguma coisa fica a pergunta a culpa é de quem? Quer levar pro culto, pra missa, pro centro espírita? Ótimo, leva, dou o maior apoio, se for da vontade deles ir, claro! Mas esclareça! Não cria teu filho como se ele estivesse numa redoma na qual está protegido, a vida não é assim, tu devia saber bem disso!
Termino com a seguinte conclusão, era uma exposição que não tinha quase nenhuma visibilidade, (pelo menos eu não tinha ouvido falar até o fechamento da mostra) agora tem. Por conta da pressão e do fechamento muitas mídias estão falando e mostrando as obras que tanto estão sendo criticadas. (Já pensou que teu filho já deve ter visto alguma delas???? )
Quem não ia ver porque não tinha interesse talvez tenha ficado bem curioso e resolva ver na internet. Aliás, outra cidade já se prontificou a receber a mostra. Então...

Fotos da internet achadas pelo google imagens

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Quarenta anos

É engraçado como as coisas tem uma dimensão quando somos crianças e outra quando crescemos. Começa pela ideia de que os pais são grandes! Conforme vamos crescendo e nos aproximando da altura deles, eles já não parecem tão grandes assim. A mesma coisa acontece com os espaços onde costumávamos brincar. E com os números! Ah! Os números... queridos amigos estudiosos da matemática e aritmética os números assustam! Ou talvez só nos confundam um pouco. É que começamos a vida com apenas um dígito e com o passar do tempo estes dígitos vão aumentando e se agrupando com outros e parecem um numerão. Isto acontece com os números da idade e da balança. E eles vão nos causando medo conforme o período da vida. É, tem período em que os dígitos da balança são mais importantes, tanto quando  estão baixos quando estão altos. Tipo boletim até uma fase, balança até outra fase, idade até outra, boletos até outra, extratos do banco até o fim da vida!
Lembro que quando eu era criança e fazia as contas de quantos anos eu teria no ano dois mil pensava comigo: nossa! No ano 2000 eu vou estar velha! O detalhe é que naquele ano eu completei 23 anos e me achava muito jovem e mal tinha começado a vida!
A ideia de que 20 anos é muito para uma criança deve ser porque apenas contamos os anos. Não temos ciência de que os anos não são apenas quantitativos, eles também são QUALITATIVOS. Quando cheguei nos anos 2000, além de me surpreender que o mundo não tinha acabado (graças! a Deus!) também me surpreendi de ser uma jovem recém saindo da faculdade que não tinha casa, nem marido, nem filhos e nem ideia de que rumo iria tomar depois que pegasse o diploma! Eu me sentia muito inexperiente e sem nenhum preparo para a vida. Eu tinha alguns sonhos e uma leve idealização de como talvez, fosse se desenrolar minha vida. Pra ser sincera nada aconteceu nem perto do que tinha idealizado.
Essa introdução é só para dar uma noção pra vocês de que, se lá na infância eu achava que com 20 estaria velha, que dirá o que pensava sobre ter 40 anos!!!!! Pois é! As mulheres dessa idade que eu conhecia eram já mulheres velhas (isso na minha infância!). Já eram mulheres maduras que tinham vivido suas escolhas e tinham até sofrido, tinha mulher com 40 anos viúva já há sei lá quanto tempo. E devia fazer bastante tempo porque a gente só conhecia ela por viúva, muitos anos depois que fui saber o nome dela. Então estes numerinhos da idade somados a todo o pré-conceito  de como seria uma mulher de quarenta me fez pensar que... sei lá, eu estaria bem "coroa" nesta época.
Cá estou eu... quarentona! Não sou nada, nadinha do que a sociedade dizia na época que eu era criança e também não sou nada do que a sociedade diz que é a mulher de 40 hoje. Aliás, isso daria um globo repórter! hahahaha A mulher de 40 como é? Onde vive? De quê se alimenta?
Não sou viúva, nem separada, nem casada! Não tenho filhos! Já fui e voltei na fase de dúvida sobre o tempo da maternidade e o tempo que tá passando e deixando a maternidade mais longe. Já ignorei esse tempo! Já engravidei e pensei que ganhei do tempo! Abortei e pensei que o tempo tinha me ganho! E agora não tenho tempo pra dar tempo ao tempo, embora precise me dar este tempo. Decidi deixar quieto e daqui a pouco eu volto a avaliar o tempo. Formei, trabalhei, fui embora, trabalhei, não me adaptei e voltei. Comprei apartamento e fiquei longe da mãe. Resolvemos mudar, vendemos apartamento e mudamos. Daí pra ter experiência na vida nada melhor que construir sua própria casa, detalhe, não sou João de Barro, quase surtei. O pedreiro acabou, mudei. Tem muita coisa pra colocar no lugar, loquiei. Tá quase tudo pronto, descansei. Avaliei o passado, as escolhas, os ganhos, as perdas, harmonizei. Agora tô com quarenta comemorei! Não em grande estilo como estava programado desde os meus 15 anos de idade. Tive uns percalços este ano, por isso a festa a fantasia do 40 foi adiada para os 41.
Agora, olhando pra trás e analisando todos os planos que fiz, a verdade é que só fiz um plano. É o único plano que fiz para o futuro foi comemorar meus 40 anos com uma festa a fantasia, todo o resto que aconteceu e foi muito bom foi sem lista, sem plano, sem idealizar. Deu certo! Amei! A ideia de que depois dos quarenta ficamos velhos desapareceu e deu lugar a ideia muito melhor de que todo mundo com mais de quarenta é bem novo!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Os dias após aborto e curetagem

Há dois dias fui realizar a revisão do procedimento de curetagem que fiz no dia 02 de agosto após descobrir que o embrião que eu gestava havia morrido.Fico pensando num termo técnico que não seja morrer para o embrião ou feto na tentativa de afastar a ideia de que um filho morreu. Não consegui achar! Racionalmente feto e embrião parece com algo e não com alguém e consequentemente parece que não é um bebê. Parece, só parece! Não é como ter tido o filho nos braços e ele ter morrido. Não é como ter criado alguém até a adolescência e num dado momento esta pessoa ter desencarnado. Porque quando a gente gesta, pari e cria por um determinado tempo as pessoas a volta entendem que se perdeu um filho. É uma verdade inquestionável que o filho existiu! Mas quando tu gesta até um tempo e este filho  não completa a gestação, ele não se desenvolve de uma semente até um neném fofinho, aquele filho não existe pra quem tá fora. A relação se deu apenas entre mãe e bebê e aqueles mais próximos da gestante.
Então mais uma vez, racionalmente e como espírita eu penso que aconteceu o que tinha que acontecer. Sim, racionalmente isto tá muito claro e jamais necessitaria uma explicação. Mas aqui dentro... ah! aqui dentro tá doendo e tá uma luta entre o cérebro e o coração. Alguns momentos o cérebro domina e a gente compreende até o fato de tá com o choro mais frouxo que o normal e nos auto consolamos com algo como "o luto faz parte" e "chorar é normal tu é humana". Só que eu queria ter superado completamente! Assim o conflito não seria tão grande! Queria já ter decidido se vou tentar de novo ou se vou parar por aqui! Queria não ter que lidar com o fato de que o tempo está passando e depois dos 40 as porcentagens de perda aumentam e as possibilidades de engravidar por método natural diminuem. Ou então saber que vou tentar e que tenho possibilidades de fazer um tratamento para engravidar sem dívidas, ou melhor, sem aumentar as dívidas que já tenho. Queria ficar plenamente feliz com a gravidez de outras mulheres, principalmente não voltando a pensar no interrompimento da minha. Porque é um ciclo sabe? Lembro que perdi, que tive que fazer a curetagem, lembro que faço 40 segunda, e vem as estatísticas sambando na minha cara. Aí eu respiro, penso racionalmente, faço uma prece e choro!
Não bastasse isso, parece que as danadas das estatísticas vem me seguindo. É notícia no face, é reportagem na tevê, é a médica da revisão dizendo que preciso atentar para o prazo de seis meses sem engravidar, mas que também preciso decidir logo se vou tentar e que o método que eu optar para evitar a gravidez por seis meses pode fazer com que demore um pouco mais para engravidar quando já estiver liberada, porque o tempo...
Daí que na minha cabeça racional de virginiana tá uma bagunça e chego a ficar zonza com o choque destas ideias aqui na caixola! O lado bom é que fisicamente está tudo ótimo! Útero recuperando bem e segundo a médica "bem bonitinho"! Nenhuma reação adversa, nem dor... física. Então como se diz por aqui "segue o baile"!
Fico um pouco constrangida quando as pessoas perguntam sobre o bebê e tenho que dizer que abortei. Aliás, esta é a primeira vez que digo/penso/escrevo abortei, porque sei lá, na minha cabeça parece que abortar é algo que se fez por escolha. E a perda é involuntária! Mas o termo técnico é aborto espontâneo. post anterior, eles não querem me chatear, nem me dizer o que fazer, apenas querem que eu não fique triste, querem me ajudar a elevar o moral. Não levo a mal de coração! Mas acabo pensando será que vai dar tempo? Será que vou conseguir? E se acontecer de novo?  Fico constrangida pelo constrangimento do outro. Percebo bem que a pessoa não sabe o que dizer, fica perdida e daí acaba por dizer o velho clássico "tenta de novo". Como disse no
A vida é assim mesmo! Não tem spoiller pra gente saber como que vai ser no próximo episódio, só vivendo pra ver.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Da alegria a tristeza

Há dias penso se escrevo ou não esta minha história. Mas é uma via praticamente inevitável, sendo que minha forma de lidar com a tristeza ocorre de duas maneiras, a primeira que é limpando e organizando as coisas depois de ter chorado muito e a segunda é escrever sobre e assim organizar as ideias e os sentimentos (muitas vezes em meio a muitas lágrimas). Escrever não significa redigir um textão aqui no blog, o ato de escrever para entender meu sentimento pode ser contar por email pra um amigo o que passei, o que senti e o que sinto. Colocar as palavras no monitor, vê-las se formando sílaba a sílaba e reler me ajuda a enxergar o que tô sentindo.
A limpeza e organização funciona como se eu me livrasse da parte ruim da tristeza, é o ato físico de jogar fora a dor, a mágoa, a angústia e a culpa daquela melancolia. Fazer o exercício de mover os móveis de lugar e jogar fora o que não serve mais é muito mais que simbólico, ele me ajuda a me libertar daquela sensação negativa que me pesa. Principalmente porque a minha faxina sempre tem que ter música e quando tem música tem dança e cantoria. E já diz o ditado "quem canta seus males espanta".
A escrita também é parte da organização. Ela ajuda a organizar as ideias, como já disse e me faz perceber o que não serve e como posso agir a partir daquela tristeza.
Desta vez eu não pude fazer a limpeza física, do ambiente, talvez por isso vez ou outra o nó aperte na garganta. Então preciso o quanto antes recorrer a escrita para mandar embora as últimas sensações e medos que ainda restam.
Em menos de um mês eu fui da felicidade extrema a uma tristeza muito doída! Descobri em 6 de julho que estava grávida num teste de farmácia, contei ao meu companheiro, que há muito já estava desconfiado,  no dia seguinte fiz um exame de sangue, que confundiu minhas ideias porque eu não sabia ler o resultado, mas no sábado confirmei a gravidez. Não foi planejada, mas foi muito desejada! No final do ano eu deixei de tomar o anticoncepcional. Primeiro sem contar a ninguém, mas depois resolvi que meu companheiro deveria participar da decisão, no que ele me apoiou, inclusive dizendo que ia mesmo me sugerir parar. Sendo assim, ambos sabíamos que poderia ocorrer uma gravidez. Eu, tendo visto relatos de mulheres que levaram de um ano a mais para engravidar após a parada acreditei que comigo também iria demorar. A notícia foi recebida com muita alegria por todos.
Tão logo fiquei sabendo, virginiana que sou, fui logo procurar meu médico para saber se estava fisicamente bem para a gestação. Fiquei pensando que estando com hipotireoidismo e tendo que tomar remédio para controlar o melhor era constatar se estava tudo bem. Na semana seguinte fui ao médico, que solicitou um ultrassom para saber quantas semanas o embrião teria e como estava se desenvolvendo. Pediu urgência! Ah! Esqueci de contar que estou com 39 anos, aquela idade que as pessoas ao mesmo tempo que incentivam dizendo que és jovem e podes ter uma gravidez tranquila te lembram que pode ter riscos, já que é a primeira. Então corri para o primeiro ultrassom.
Em 12 de julho fui lá para fazer o exame e saber como as coisas iam. Minha primeira pulga atrás da orelha. O médico que fez o exame não disse diretamente, mas disse que naquele tempo estimado as coisas deveriam estar mais adiantadas, deveríamos escutar o coração do bebê e ele estaria mais ativo. Meu mundo balançou e meu coração ficou numa angústia permanente até o próximo ultrassom, sugerido para daqui dez dias.
Neste tempo eu rezei muito! Fui ao meu médico que tentou tirar da minha mente a ideia de um bebê morto no meu ventre, mas enfim, ao mesmo tempo ele já me alertou que caso isso tivesse acontecido eu teria que fazer uma curetagem e tal. Saí com o mundo um pouco mais sacudido e tentando sorrir tirando a angústia do meu coração. Nunca o tempo passou tão devagar! Eu marquei o exame que deu um pouco mais de 10 dias e em primeiro de agosto lá fui eu para o ultrassom. E as coisas estavam iguais ao primeiro! Mesmo tamanho, sem batimentos e com um pequeno sangramento há três dias. A médica foi super atenciosa, um amor comigo, me explicou com a maior calma e compaixão do mundo que o feto estava morto e eu precisava retirar o saco gestacional através de um procedimento com meu médico ou procurando o PS.
Eu chorei! E rezei pra não ficar triste demais, nem ficar me sentindo culpada, nem pensar que eu não vou poder tentar de novo, nem que eu tivesse alguma mágoa ao ver outras mulheres grávidas neste momento. Meu maior medo foi ficar com mágoa, porque eu sei que estas coisas são parte de um grande aprendizado. Mas a gente é humano e falho e pode sentir coisas assim.
Então contei pro meu namorido o que aconteceu e não consegui não chorar. E contei pra família e me preparei psicologicamente para ir ao PS fazer a curetagem. Aliás tive medo da dor! No pronto socorro foi rápido, logo me passaram para a ginecologia, aqui demorou um pouco. Fiz o relato do caso, levei os exames, examina um residente, examina o médico e então eles me falam que tenho que ficar no hospital porque o procedimento é feito só no dia seguinte. Foram também muito atenciosos me falando com empatia tudo que seria feito e como. Faz a baixa, exames, coloca acesso e espera até a hora de colocar os compridos para provocar a abertura do colo do útero. Pensei, meu Deus me ajude, dizem que a dor é horrível. É mesmo, mas não mais que a dor da perda.
No mesmo quarto que eu duas moças com menos de 30 na mesma situação, mas com as gestações mais avançadas, bebês mais desenvolvidos. Já sabiam o sexo, já tinham escolhido os nomes. Neste momento me senti menos sofredora. Tinha ganho alguns presentinhos, já tinha pensado nos nomes possíveis, mas não tinha escutado o coração! Não tinha sentido vivo aquele ser que eu amava! Era uma semente germinando. Mas elas tinhas caminhado um pouco mais, já tinham enxoval, planejavam o quarto, chá. Senti uma grande tristeza pensando o quanto a dor era maior pra elas. O nó apertou na garganta! Segurei o choro! Fomos companheiras a noite toda, nossas cólicas aconteciam em intervalos muito próximos. E no dia seguinte fomos uma depois da outra pra sala de cirurgia e depois pra recuperação. Lá se foi mais uma manhã e quase toda a tarde comentando o que sentimos, o que choramos.
Cinco dias de repouso, abstinência sexual, revisão e o nó na garganta. A organização que pude fazer neste período foi guardar os presentes que havia ganho, até porque cada vez que olhava pra eles o nó apertava. Fui muito amparada com palavras de amor, carinho e consolo. Várias lágrimas se juntaram as minhas e sentir isto me consolou muito. Recebi palavras de muito amor! E recebi o incentivo de não desistir, embora neste momento ainda tenha um pouco de receio, justamente por não saber porque a gravidez foi interrompida. Acolho o incentivo com carinho, as pessoas não fazem por mal, elas apenas querem que a gente solte aquela tristeza e agarre uma nova chance de felicidade.
Passaram nove dias desse procedimento. Vira e mexe me assaltam pensamentos de como seria... Mas minhas preces foram atendidas pois consegui receber com felicidade sincera a notícia da gravidez de uma amiga querida.
Sigo adiante com o coração ainda dolorido, colocando as coisas que caíram no lugar, o nó está afrouxando e muito amor tem se multiplicado. Quanto as lágrimas, creio que seja inevitável deixá-las cair, faz parte de mim chorar, seja de alegria ou tristeza! Agradeço o apoio e o carinho do meu companheiro, dos meus pais, dos meus sogros, cunhados, irmãos, tios e amigos. Agradeço aos médicos e enfermeiros que me atenderam no São Francisco. Agradeço a Deus e a espiritualidade a oportunidade de sentir esta felicidade, mesmo tendo sido interrompida, também agradeço o aprendizado.