quarta-feira, 22 de março de 2017

Sopa de pedra

Quando eu era criança ouvia falar da história de uma mulher muito pobre que fazia sopa de pedra para seus filhos. Era uma coisa que eu não entendia! Na verdade ainda hoje não entendo. Minha mãe conta as histórias da sua infância e como passou necessidade e não tiveram comida muitas vezes, como sobreviviam com dificuldades e apoiados no empreendedorismo do tio Toninho que fazia todo tipo de trabalho possível para levar alguma comida pra casa. Não é um tempo tão distante não década de 50 e 60, talvez um pedaço de 70, um período relativamente próximo de nós.
Considero um tempo bem próximo de mim. Porque quando eu nasci em 1977 ainda estávamos sob a ditadura militar e tinha ainda muita pobreza. Aliás, hoje ainda existe muita pobreza. A mãe costumava dizer (e diz ainda) que a gente não sabe o que é passar trabalho ou fome. Graças a Deus e ao trabalho dela e do pai não sabemos. Isso quer dizer que o tempo de criança dela foi muito mais difícil que o meu. Praticamente não haviam casas na redondeza por onde ela morava e as pessoas não tinham a quem pedir ajuda, porque estava todo mundo no mesmo barco.
Sempre fui pobre, mas sou uma privilegiada! Era nesta época de colégio, que eu não tinha nenhuma vontade de comer que a mãe contava (com o intuito de me fazer comer) que tinha uma mulher que alimentava os filhos com sopa de pedra. E eu pensava, mas como que as pessoas comem pedra????? Que coisa horrível deve ser!
O tempo foi passando e pude perceber que muita coisa mudou. O bairro onde eu morava já não é mais tão despovoado, nos lugares onde era apenas campos agora estão cheios de casas. A população cresceu e vários auxílios ajudaram as pessoas a terem suas próprias casas. Mas ainda assim tem gente que passa fome, mesmo com bolsa família, mesmo com pastoral da criança, mesmo com sopão de rua. Porque é muita gente no nosso país, gente que trabalha e ainda assim não tem como botar comida em casa, ainda assim passa perrengue porque tem que pagar transporte caro e de baixíssima qualidade, tem que pagar água, luz, alguns tem que pagar aluguel e por aí vai. E mesmo tendo gente um pouco melhor na vida, ainda tem gente que precisa apelar pra sopa de pedra ou papelão. É, não faz muito tempo vi uma reportagem em que uma senhorinha (não lembro em que lugar) se alimentava e aos filhos com sopa de papelão! Eu, que sempre tive comida em casa não consigo saber o que é pior neste cardápio sopa de pedra ou de papelão.
Enquanto estas pessoas estão tendo que optar por esta fonte de alimento os políticos estão desviando verbas públicas, as pessoas que deveriam fiscalizar os alimentos estão aceitando propina e deixando carne podre ir pras prateleiras dos mercados, os agrotóxicos poluir os rios, além dos alimentos e por aí vai. Ainda por cima temos que ver os intelectualoides dizendo que tudo que acontece no país é culpa do povo que não sabe votar! Do povo que tá, ainda, na miséria!
Agora a "carne fraca" tá mostrando os horrores que são os bastidores da indústria da carne, mas isto é só pra tirar o foco da reforma da previdência, que é o que vai destruir a vida das pessoas, muito mais do que a carne podre do açougue fedorento!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Uma estranha atração

Minha bisavó dizia que para conhecer os homens devemos observar como ele trata a própria mãe. Completava argumentando que "se um homem trata mãe sua própria mãe e não a respeita, dificilmente tratará outra mulher com respeito". Minha mãe aprendeu com ela a observar e eu, por minha vez, aprendi por tabela. Creio que esta linha de pensamento é um bom método de "avaliação" do caráter de uma pessoa, neste caso homens e mulheres, afinal todos tem ou tiveram mãe.
Este parâmetro a gente usa quando não sabe os antecedentes do cara com quem estamos nos relacionando, como forma de avaliar seu caráter, vamos assim dizer. E a gente já se espanta e coloca as barbas de molho quando sabe que aquele a quem estamos conhecendo tem atitude rude com sua genitora. Então imaginem qual não é o meu total choque quando descubro que homens condenados pelo assassinato de mulheres recebem cartas de outras mulheres querendo se relacionar com eles. E mais, enquanto ainda cumprem pena pela morte que causaram!
Quando eu soube que o maníaco do parque, um assassino em série de mulheres, estava por se casar não soube o que pensar. Sim, creio que as pessoas merecem uma segunda chance, mas nosso sistema prisional infelizmente não recupera ninguém. A defesa dele diz que ele é semi imputável e ao mesmo tempo ele nunca me pareceu arrependido dos crimes cruéis que cometeu. O que pra mim é um agravante! É sinal de que não houve mudança.
Ontem, no estudo das obras de Andre Luiz comentamos que mesmo o pior criminoso tem alguém que o ama e ao mesmo tem alguém por quem sente amor. De maneira geral este ente querido é a mãe da vida atual ou de outras, ou um familiar com quem teve elo afetuoso forte. Claro que estes os personagens destes casos também devem ter. Creio que tenha. Mas, no caso de pessoas de fora da família que buscam o convívio com estes homicidas não entendo. Ainda não atingi este nível de evolução! É claro que ele tem direito a amar e ser amado, não quero que lhe seja negado este direito, no entanto, é preciso muita coragem para buscar por um homem destes lá dentro do presídio para constituir uma família.
É o caso do Guilherme de Pádua, do goleiro Bruno e de outros casos que não tomamos conhecimento por serem de menor repercussão! Gente, eles não estão se relacionando com as mulheres que tinham antes de cometer homicídio. Eles não estão se relacionando com pessoas que convivem dentro da prisão. Eles estão se relacionando com mulheres que buscaram por eles. Sei lá, não sei como funciona esta troca de correspondência, mas são pessoas que sabiam dos crimes cometidos por eles e, ainda assim, aceitaram se relacionar, casar e projetam um futuro junto com eles.
Dá pra entender o quão louco é isto! Eu não consigo compreender! A pessoa que vai em busca de um homem nesta situação tem que ter um espírito muito elevado. Porque acho que não sairia da minha cabeça, por exemplo que o Bruno matou, esquartejou, deu de comer aos cachorros e ocultou o corpo da mãe do filho dele. Eu sei, não devemos julgar. Eu sei, temos que perdoar. Mas é uma atração muito estranha! Ele não demonstra arrependimento do que fez! Agora que as pessoas criticaram a contratação dele por aquele time lá e que vários patrocinadores foram embora ele reclama, como se estivesse sendo injustiçado que "quer apenas jogar"!
Tudo bem, tá certo é tua profissão, deve ser reintegrado a sociedade. Correto! Perfeito! Mas numa posição de destaque? Com pompa e circunstância como se tivesse cometido um delito leve? Numa profissão que encanta e influencia milhares de pessoas, inclusive e principalmente crianças?
É uma atração muito estranha a que leva as pessoas a irem com seus filhos no campo pra pedir autógrafo e tirar foto com um homem que matou com requintes de crueldade a mãe do seu filho! Filho que vai crescer sem mãe! Que sabe-se-lá quantos traumas não tem, já que o tempo em que a mãe estava desaparecida ficou com a ex-mulher do Bruno, que sabia o que ele tinha feito!
Não é como tu estar num relacionamento e a pessoa cometer um crime. Não é. Tu sabe o que a pessoa fez! Saiu em toda a imprensa! Tem foto dele saindo pra depor rindo. Ele estava RINDO, porque acreditava (como realmente aconteceu) que não ia pagar pelo que fez!
Talvez Freud, Jung ou Reich expliquem (ou vai saber nem eles consigam) o que leva uma mulher, igual a que foi morta pelo futuro namorado/marido/amante, a buscar este tipo. Eu tive que escrever pra ver se clareava minhas ideias a respeito disso. Porque realmente não consigo compreender. Entendam bem, antes de mais nada quero esclarecer, não tô julgando estas mulheres, elas são livres para amar e se relacionar com quem bem entendem. O que me intriga é a atração por um assassino condenado! Mesmo que seja um homicida de homens, mesmo assim acho perturbador saber tudo o que ele fez e ainda assim querer esta relação.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O feminismo é necessário! É uma esperança

Vivemos numa sociedade machista, patriarcal onde muitas mulheres sofrem abusos e violências caladas, com vergonha e culpa pelo seu sofrimento. É verdade que muita coisa mudou, mas nos recantos mais pobres a coisa ainda segue e ainda há quem diga que estas mulheres gostam.
Conheço uma moça jovem, bem estudada, que foi casada há mais de 15 anos com um cara que ela considerava seu grande amor. Fizeram planos, construíram um lar, tiveram filhos. Mas por inúmeros motivos a relação tornou-se insustentável. Ele claro, não quis a separação, então foi tornando as coisas difíceis. Até de fato tudo acontecer. Separação de corpos, outra casa, divisão de bens etc. Aquela pessoa que parecia bom pai teve que ser acionado na Justiça para pagar pensão e depois de muitas tentativas da mãe para que o pai participasse da vida dos filhos ele disse, claramente, que "não tinha interesse"! É, o pai tem direito de dizer que NÃO TEM INTERESSE EM CONVIVER COM OS FILHOS, deve ser porque ele acha que o valor que paga de pensão é o suficiente para suprir todas as faltas das crianças, inclusive a afetiva!
Quem tem uma criança perto de si sabe bem que o valor da pensão geralmente não cobre todos os gastos que se tem com uma criança, porque este gasto vai além da comida. Acontece que uma grande parte dos homens se considera isento de responsabilidade com os filhos SÓ PORQUE DEPOSITA A PENSÃO, coisa que é obrigação! E vamos e venhamos, alguns só fazem porque dá cadeia! Aliás, uma das poucas coisas que resulta em prisão. Então...
Mas não querer conviver com filhos não é privilégio só de pai "comum", celebridades também acham que basta colocar o nome na certidão, depois de inúmeros testes de DNA, pagar a indenização e já basta para que o filho ou filha fique feliz. Foi assim que agiu o Pelé, aquele que fala de si na terceira pessoa e não quis saber da filha ou dos filhos dela. Portanto, não é coisa de ignorante! É coisa de gente que acha que filho é responsabilidade DA MULHER e só. Tem até um ditado né? "Quem pariu Matheus que embale"!
Isto é um tipo de violência sim, contra mulher, contra a família!
É por isto que precisamos de feminismo! É por isto que precisamos criar meninos e meninas de forma igual, cuidando da casa, ajudando em todas as tarefas e mostrando que filhos são responsabilidade do casal (mesmo que ele esteja vivendo separado!).
Contei esta história para ilustrar que muitas vezes não conhecemos as pessoas! Ninguém próximo deste casal fazia ideia de que após a separação, que pareceu amigável, ele teria esta atitude. Os filhos esperam pelo pai e acabam descontando na mãe a "culpa" da separação. Uma amiga que separou-se depois de ter sido agredida pelo companheiro quando estava grávida e por conta da agressão perdeu líquido amniótico e em consequência disso problemas na formação do bebê vivia a constante dor de ver sua filha mais velha a culpando pela separação. A filha ligava e o pai não atendia o celular, pagava pensão apenas para a filha mais velha e foi preciso entrar na Justiça para que o filho fosse incluído. Uma criança especial que precisava de vários tratamentos específicos, que o valor da pensão não cobria. Para completar o pai dizia pra filha que eles não estavam juntos por culpa da mãe. Violência clara durante a relação e após a separação!
Não bastando estes dois casos trago outro, também verídico, também de alguém conhecido. Um relato que após tua leitura vais pensar será que é a fulana? Ou a ciclana? Ela tá falando de alguém que eu conheço? Porque nós mulheres conhecemos vários relatos semelhantes. Sabemos de pais que não pagam pensão e exigem direito a visita. Sem contar aqueles que pagam pensão e se acham no direito de determinar como que a mãe deve usar o dinheiro.
Esta história é triste! É a história de uma mulher que não teve sorte na vida amorosa. Ficou grávida na adolescência e foi abandonada. Mais tarde outro companheiro e uma vida infeliz! Agressões, brigas, privações, outro filho e um destino de trabalho. Outro filho sem pai, sem pensão! Ela trabalhava para manter os filhos, para dar tudo que podia, tudo que eles queriam. Encontrou outro companheiro. Pensou, desta vez hei de ser feliz. Que nada! O fulano tinha uma vida de crime. Ela quis fugir, ele ameaçava os filhos, os netos, agredia. Exigia visita! Exigia droga, exigia dinheiro dentro da tranca. Sobre ele a acusação de abuso infantil. "Um bandido dizem uns!", "ela gosta dessa vida acusam outros" e ela lutando pra ter uma vida reta, trabalhando direto sem parar para comer. Até que a doença a parou!
Vários dias sem conseguir comer, muitas dores, fraquezas, diarreia, médicos sem saber o diagnóstico. Mas todos próximos desconfiando. São dias no pronto socorro sem saber a doença e exposta a todos os vírus, bactérias e doenças nos corredores superlotados. Então um médico diz que é uma infecção grave. Levam para isolamento. Após mais exames o diagnóstico, soro positivo! Além da dor física, da fome porque não consegue comer a vergonha, o medo, a culpa! Ninguém se coloca no lugar daquela mulher murcha na cama do hospital! Ninguém pensa como deve estar a cabeça dela! A raiva deve estar lhe corroendo por dentro! Ela não quer falar nem ouvir sobre o companheiro, ou ex. Deve desejar internamente que sofra tudo que ela passa neste momento. Deve se sentir culpada por desejar algo assim pra  alguém. E ainda tem muita luta pra vencer, muita luta pra travar. Mas a primeira luta é pela vida! Antes de qualquer coisa é superar este momento crítico, passando pela infecção quase generalizada e passar para o tratamento do hiv. Sei que ela pode se recuperar. Quado estava na secretaria de saúde vi muitas pessoas ficarem muito mal e depois se recuperarem, com o apoio da família e dos amigos.
Isto tudo porque ela passou é violência! Foi a vida toda passando de uma situação pra outra com vergonha e sentindo culpa por tudo que lhe acontecia. Aguentava calada, porque se a culpa é minha tenho que aguentar quieta! Cheia de vergonha, com medo da reação do outro, que só faltou dizer que não foi dele que pegou! Mais uma violência!
Talvez se ela tivesse crescido perto de uma feminista as coisas hoje fossem diferentes! Quem sabe se na primeira agressão lá atrás já não teria denunciado o ex companheiro e ela se sentiria mais protegida? Sabe-se-lá se tivesse exigido pensão e participação dos pais dos filhos na criação não seria outro o quadro atual? Cogitações apenas. A única coisa real é que precisamos do feminismo! Precisamos de todas as feministas! Sim, precisamos daquelas que são chamadas de radiciais, que não aceitam uma vírgula machista pra cima de nós. Sim, precisamos daquelas que fazem passeada, levam cartazes, rasgam o verbo e a roupa em defesa da igualdade de direitos. Precisamos muito dos homens que não consideram justa esta maneira da sociedade proceder com as mulheres. Precisamos que corrijam os amigos abusadores, os que fazem piadinhas machistas e homofóbicas, os que consideram que cuidado da casa e dos filhos é obrigação da mulher porque ele é o "PROVEDOR" da família, sendo que na maioria dos lares brasileiros as mulheres também trabalham.
Sabe escrevendo este texto fiquei pensando em quantas outras histórias reais, parecidas com estas eu conheço! Quantas acabaram mal com a morte das mulheres, com filhos abandonados ou perdidos!Quanta tristeza! Lá na vila tem muita história assim e eu posso afirmar que as mulheres não gostam da violência que sofrem, que elas não são culpadas e que querem mudar este final. Sejamos empátic@s, deixemos o julgamento de lado e vamos tentar ajudar estas mulheres da melhor forma possível! Nem uma a menos!

PS.: Certamente as protagonistas destas histórias irão se reconhecer. Peço desculpas por ter contado suas histórias sem pedir permissão! Aproveito para dizer que seus relatos são importantes para que outras mulheres em situação semelhante saibam que não estão sozinhas e que denunciar, que não calar é o melhor. Vocês são exemplos de coragem pra mim e eu as amo! <3

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Bicicleta é vida

Há muito tempo eu achava que trocar o ônibus por bicicleta seria ótimo. Eu ganharia tempo, qualidade de vida, faria exercício e perderia uns quilinhos. Então eu decidi pegar a bicicleta da minha sobrinha lá de fora e começar a andar, até chegar num ponto de ir pro trabalho pedalando. Hoje consigo fazer isto (uhúl!)! Faz uns dois ou três meses que venho e volto do trabalho de magrela. É ótimo porque é rápido e não preciso ficar esperando ônibus. Ganho tempo, pois um percurso de meia hora a pé, leva 10 ou 15 minutos de bike. E economizo a academia, mas ainda não perdi os quilinhos que pretendo (ainda, mas vou!).
No início do ano de 2016, quando trouxe a bichinha e comecei a treinar, andava só dentro do Humuarama, que tinha pouco movimento de carros e me sentia segura. Fazia um percurso de 30 minutos dentro do loteamento e voltava pra casa. Daí comecei a me arriscar um pouquinho mais e ia até a casa do Rafa, que era umas seis quadras da minha e tinha que atravessar a Ferreira Vianna com todo o fluxo de carros indo ou voltando do Laranjal.
Quando me mudei pensei que seria a hora certa para pedalar, mas comecei a indo pro trabalho a pé (levava meia hora e tinha que acordar pelo menos meia hora mais cedo), pois minha mãe me desencorajava um pouco, porque tinha medo que eu fosse atropelada andando de bicicleta. Mas depois de um percurso no sábado a tarde de uns 20 ou 30 minutos, como dá pra ver na rota (aqui embaixo), eu achei que poderia sim ir pro trabalho de bicicleta. Mas antes de me sentir totalmente segura fomos fazer um passeio pelo centro no domingo a tarde! Foi tranquilo, até porque no domingo o centro é super calmo e com poucos carros.
Daí em diante comecei a sentir mais coragem para arriscar vir para o centro no dia-a-dia.

Estes meses foram muito bons e descobri que andar de bicicleta é ótimo. Me supero todo dia, pois todo dia tem uma subidinha, pequeninha, mas que me desafia. E apesar de estar sentindo as pernas algumas vezes, consigo vencer o percurso, é só não parar na pista (como sempre dizia Raulzito!).

Mas nem tudo são flores e precisamos lembrar que sim, alguns motoristas gostam de mostrar o quanto são machos e poderosos e podem nos derrubar com um pequeno deslocamento de vento. Outro dia um senhor, muito mal educado, diga-se, reclamou que eu estava "atrapalhando" a passagem dele, que estava andando de bicicleta na calçada! E eu estava na rua, com parte da bicicleta sobre a faixa de pedestres e bloqueando a rampa para cadeirantes.  Fiquei chateada, porque ele foi grosso! Mas me serviu de lição, porque agora sempre presto muita atenção quando paro para não ficar sobre a faixa e pra não bloquear a rampa.
Tem alguns motoristas que, mesmo tendo muito espaço a direita, fazem questão de vir bem coladinhos na pista de ciclistas, é uma atração inexplicável! E ainda tem alguns motociclistas que circulam na faixa de ciclistas de boas, acho que pra eles é tudo a mesma coisa.
Eu tento fazer tudo o mais certinho possível, como boa virginiana, não podia ser diferente! Evito ao máximo andar sobre a calçada, já andei, mas evito, porque é lugar de pedestres. Espero o sinal abrir pra mim, mesmo que não venha carro. Evito andar na contramão, embora ande duas quadras pra chegar ao trabalho. Tenho um espelho e pretendo colocar luzes e comprar um capacete.
Foram bons aprendizados que tive neste ano. Andar de bicicleta é vida e nos ajuda a valorizar a vida também, afinal é a nossa pele que rala no caso de um tombo!
Que 2017 tenha mais passeios de bicicleta e idas e vindas pro trabalho, com segurança!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Compaixão

Não estou repassando notícias que considero negativas. Tá acontecendo tanta coisa louca nestes últimos tempos que resolvi só ler. Quando me choco, reflito e tento não me contaminar. No entanto, uma notícia que li hoje me fez muito mal, porque é uma má interpretação, é um equívoco e as pessoas precisam saber que, como em todas as religiões, no espiritismo também existem pessoas que não são tão legais quanto deveriam, afinal escolheram uma doutrina que visa EM PRIMEIRO LUGAR A REFORMA ÍNTIMA DO INDIVÍDUO QUE A SEGUE. Esclarecido isto, preciso dizer que fiquei envergonhada de uma pessoa se dizer espírita e falar tantas barbaridades a mãe de uma menina de sete anos vítima de estupro, além de se recusar a atendê-la.
Gente, primeira coisa, muito importante que a médica não compreendeu na doutrina, talvez porque não tenha estudado, ou talvez porque tenha entendido mal, não importa, a compaixão e o amor são as bases da doutrina, Jesus nos ensinou isto.
Depois é necessário esclarecer que:
1º Sim, nós vivemos muitas encarnações, pra quem acredita isto é fato, para quem não acredita, não devemos impor, é a nossa escolha e o livre arbítrio deles. A Doutrina ensina isto "doutora"!
2º Cada situação vivida por nós pode ser (geralmente é) efeito de uma causa anterior, mas ninguém olha pra outra pessoa e diz, sem o mínimo de empatia e compaixão pelo irmão, "que a culpa de tudo aquilo é dela". Até porque Deus é misericordioso e nos permite esquecer as outras existências para melhor vivermos na atual. Cada resgate dos erros passados pode se dar de uma forma, cada caso é um caso, não tem regra e nem estatuto que diz "matou vai ser assassinado, foi estuprador será estuprado". Mas é uma visão dentro do espiritismo, para muita gente isto não passa de fantasia, de ópio para aceitar as coisas sem revolta. E antes de qualquer coisa um ser humano deve ver o outro como ser humano também. Ela devia ter exercido seu papel de médica e fim. E como espírita devia ter acolhido mãe e filha encaminhando para o auxílio psicológico de que necessitavam. A orientação religiosa só pode ser dada se solicitada.
3º Ninguém nasce para fazer o mal ou para sofrer o mal. A nova existência é uma nova oportunidade de recomeçar e fazer tudo certo, nos tornando pessoas melhores. Pode acontecer de errarmos, somos humanos! Lamento dizer "doutora", mas acho que a senhora tá precisando rever as bases da Doutrina Espírita e começar a sua reforma interior, não se preocupe, não vou lhe atacar como fez com a menina de sete anos atribuindo a ela a culpa do estupro que sofreu, mas repense suas atitudes como um bom espírita faria.
4º Ninguém tem o direito de dizer coisas sobre uma encarnação anterior, seja verdade ou puro devaneio, pra ninguém, a menos que a própria pessoa busque estas lembranças. Ainda assim, só lembrará o que lhe for permitido. A lei do esquecimento nos protege.
"Doutora" sei que a senhora é alguém estudada, formada em medicina, especialista em pediatria, vou lhe dar um conselho, se quiser aproveitá-lo faça, se não, é só jogar fora. Mas além de rever as bases da Doutrina Espírita a senhora deveria se analisar, nada é preto no branco como disse. Faltou prestar atenção ao nosso mestre Jesus o cara com maior compaixão de que se ouviu falar, ele acolhia os pobres, os miseráveis, os deserdados, aqueles que estavam agindo errado, porque acreditava que eram estes que mais necessitavam do seu amor. Acorde enquanto é tempo, desça do seu pedestal de "médica pediatra espírita" e comece a praticar a humildade, o amor e a compaixão, afinal de contas, sendo espírita tem consciência de que a sua ação em relação a mãe e a esta menina terão uma reação no futuro.
Àqueles que não são espíritas eu peço perdão! Peço perdão a este menina e a mãe dela! Nossa Doutrina é perfeita, no entanto os espíritas são imperfeitos! Fico profundamente triste em saber que alguém teve coragem de dizer uma coisa destas num momento de sofrimento e dor de um irmão. Perdoem, sei que é difícil!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Esqueçam o "pão e circo" agora é hora de protesto

É tanta denúncia de corrupção, é tanto projeto de lei e emenda parlamentar com ideia errada, é tanto descaso com educação, saúde e segurança, que nem aquela velha estratégia de colocar o futebol e destacar a "pátria de chuteiras" tá desviando o foco do povo. É, não teve copa. Não teve não. Apesar dos 7 x 1  da Alemanha sobre nossa "valorosa" seleção canarinho (#SQN) e da perplexidade que muitos ficaram naquela fatídica tarde, nenhum segundo daquele foi mais estarrecedor quanto saber com provas concretas, porque saber sem provas todos sabíamos, que muito mais da metade dos nossos representantes estão muito envolvidos em casos de corrupção. Ainda que tenhamos visto e sabido de  protestos e as denúncias antecipadas de desvios e superfaturamento nas obras da copa,ainda que ainda houvesse uma possibilidade de torcer pela seleção, os 7 a um foram uma pá de cal nas esperanças futebolísticas brasileiras. As pessoas resolveram focar nos seus times e deixar aquele projeto de "circo" pra lá, pois não dá pra ter admiração alguma quando os caras ganham milhões para fazer um trabalho que, fazem mal feito e depois culpam o clima, a pressão, aqueles dois dias sem treinar que os deixou "fora de forma". Ninguém engole mais!
É claro que o fato de as camisas da CBF (mesmo que do camelô!) terem sido usadas por uma parte da população nos protestos contra a corrupção foi uma completa contradição, afinal de contas, não é de hoje que sabemos que a dita instituição é pra lá de corrupta e que muitos times de futebol e seus dirigentes também. Como diz meu amigo Nauro Júnior, "quem gosta de futebol é o torcedor, jogador gosta de dinheiro!". Atrevo-me a ter a singela ideia de que, aqueles que vestiram a camisa verde-amarela para protestar estavam colocando naquele símbolo sua última esperança, estavam torcendo como faziam na copa para que seu ato representasse uma verdadeira mudança. Mas... Foi mais um 7 a 1 né? Uma parte dos apoiadores só queriam tirar os holofotes de cima das suas denúncias e apontando o dedo para pedaladas e outros cositas acabavam por abafar o caso.
Acontece que, embora a grande maioria da população não tenha acesso a informações isentas, esta mesma população não quer mais saber do circo e quer muito mais que pão. Basta ver que, em outros tempos, a derrota da seleção na copa América estaria sendo muito mais falada e muito mais presente nos noticiários. Ninguém, ou quase ninguém, acredita que haja possibilidades de uma medalha de ouro nas Olimpíadas. Mas todos desconfiam, principalmente depois da queda da ciclovia e outros fiascos, que tem muita grana contabilizada e não utilizada nestas obras. A questão é que esta corrupção e descompromisso está matando gente. Seja na utilização de materiais de segunda mão, seja na retirada dos pertences dos moradores de rua, seja no descaso com a opressão dos indígenas. É impossível apoiar um time que é apoiado e usado para desviar nosso olhar de outros problemas graves do nosso cotidiano.
O que realmente me dá esperanças é ver que, por todo o país as pessoas estão se mobilizando. Sem bandeira partidária, mas pelas ideias, pela defesa do que creem. Hoje foram os agricultores, os professores, os alunos a irem as ruas pedindo respeito e dizendo que não aceitam os desmandos. Foram pessoas comuns protestando pela falta de segurança e outras tantas denunciando os abusos da polícia e da política. Ainda tem muito o que ser mudado, ainda tem muita gente para despertar para a necessidade que temos de sermos mais justos, mais amorosos, mais atuantes. Ainda há muito o que lutar pelo respeito as diferenças e aos direitos alheios. Mas as coisas estão acontecendo.
O momento é de união e mobilização, nem o Tite, nem a seleção, muito menos o Neimar (só pra citar um dos "ídolos" do futebol) vai fazer as pessoas pararem de cobrar dos políticos a mudança que precisa ser feita. Porque se é pra ser circo, que tenham bons palhaços. E não é só de pão que vive o homem.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Eu e a mediunidade

Todos somos médiuns em maior ou menor grau. Tá lá nas obras básicas. Também tá lá que mediunidade é dívida, nada de status ou vantagem. Quanto mais ostensiva a mediunidade, mais dívida! Eu tenho uma grande intuição, creio que seja esta a minha mediunidade. E é só isso. Não vejo, não escuto. De vez enquanto sonho com algumas coisas que lá adiante fazem sentido, mas para por aí. Eu sinto a energia dos pontos quando vou a uma terreira, sinto meu corpo todo arrepiar quando escuto uma batucada, sinto a energia das pessoas quando fazem uma prece. Nunca fui ao centro espírita com intenção de ir para o trabalho mediúnico, ou coisa que o valha. Mas eu tenho um dindo que eu amo de paixão e ele sempre me diz que "mediunidade não se coloca na porta do vizinho!". Então resolvi que precisava saber mais sobre tudo isto, para estar preparada. Foi aí que decidi ir para o centro espírita estudar e me preparar para quando fosse chegada a hora de pôr em prática a minha mediunidade estar afiada.
Estou estudando a doutrina há uns bons anos, ainda tem muito pra estudar, muitos livros pra ler e ainda não me sinto preparada para nada, aliás, isto acontece comigo sempre, referente a qualquer coisa que preciso fazer e que requeira preparação. Aconteceu na dança do ventre, no jornalismo, na contabilidade e na mediunidade também, óbvio.
O que eu tenho claro, depois deste tempo de estudo é que, não tenho mediunidade para o trabalho mediúnico. Eu tentei fazer o melhor lá, mas não tinha conexão. Como costumo dizer, o aparelho não esta habilitado. Ao mesmo tempo, fui fazendo outras coisas dentro da casa espírita, coisas que me fazem muito bem e agradam muito mais, como trabalhar na recepção do passe as quartas feiras. Este trabalho me faz um bem enorme, sinto-me sempre revigorada quando acaba. E me sentia completamente mal quando saía do mediúnico. Sério, me sentia uma grande fraude, que estava só reproduzindo animismos na mesa, enquanto pessoas e espíritos precisavam de auxílio e isto me fazia muito mal. Graças a espiritualidade eu consegui falar sobre isto e como me sentia a responsável pelo trabalho e fui dispensada para seguir outros afazeres e estudos.
Muitas pessoas me disseram, olhando na minha cara, que eu tinha uma grande mediunidade, mas eu do meu lado aprendendo não vejo nada disso. A Zeneida, facilitadora do nosso estudo, sempre diz que "ninguém tem um mediumnometro, para medir o grau de mediunidade dos outros", ou seja, a gente tem que se conhecer e através do autoconhecimento saber sobre nós e sobre a mediunidade que carregamos. Eu tenho dois pensamentos o primeiro é que não tenho mediunidade tarefa e o segundo é que, talvez não seja a hora e que se for o caso. no momento certo tudo vai se ajeitar.
De outro lado, com minha forte intuição é um mecanismo forte para me orientar na minha caminhada. Penso que estamos em um momento em que talvez, encarnados estejam precisando muito mais do nosso olhar e do nosso acolhimento do que os desencarnados. Já ajudei pessoas ouvindo suas histórias e até aconselhando sobre algumas coisas, sempre deixando claro que, se fosse EU, faria assim ou assado. Mas recebendo-as bem, tentando ser uma pessoa livre de preconceitos ou julgamentos e auxiliando aquelas pessoas da melhor maneira possível.
Penso que, se nem tudo é culpa dos espíritos, certamente nem todo o nosso propósito de caridade tenha a ver com a mediunidade. No meu entender, atualmente, os encarnados estão bem mais necessitados de amparo do que os desencarnados, além do que, para os desencarnados existem os trabalhos mediúnicos, para encarnados são as portas do centro espírita, é o sorriso no rosto de quem o recepciona, é a nossa boa vontade e interesse em ajudar. Agora resta as diretorias dos centros valorizarem todos os trabalhadores do centro afim de que o centro espírita seja realmente a casa espírita!