quarta-feira, 17 de maio de 2017

Meu primeiro Rochester - A noite de S. Bartolomeu

Já ouviu falar da noite de São Bartolomeu? Pois então, foi um grande massacre que começou após a cerimônia de casamento da princesa Margot na França. O casamento arranjado pelo rei Carlos IX tinha o objetivo de acabar com as disputas entre católicos e protestantes, visto que Margot desposaria Henrique III que era protestante. O rei Carlos tinha em um dos líderes do movimento protestante um grande amigo, a quem tratava como pai. Sua simpatia não foi suficiente para acalmar os católicos em sua ira, que pelas costas do rei tramou a carnificina que teve início assim que Coligni (o amigo do rei e líder protestante) foi assassinado.
Óbvio que em meio a autorização para que católicos executassem protestantes muitos homens aproveitaram-se deste momento para matar seus inimigos. Alguns personagens deste livro aproveitaram para matar credores, adversários políticos e rivais no campo afetivo.
Neste livro Rochester nos conta sobre uma história de amor ambientada neste período e que tem seu ápice na Noite de S. Bartolomeu. Diana D'Armi a jovem filha do Barão João D'Armi  (um viúvo perdulário) abandona sua filha aos cuidados de sua nova esposa Lourença. Esta uma mulher egoísta, mesquinha, vaidosa e promíscua que troca de amante com grande facilidade é justamente quem leva  o seu algoz para casa. O barão de Mailor torna-se amante da baronesa D'Armi num momento em que se encontra financeiramente mal. Ele também não consegue explicar a estranha influência que Lourença exerce sobre ele. Neste encontro a pérfida mulher trama o casamento de Diana, na época uma criança por volta dos 4 anos e dona de uma herança que desperta muitos interesses, com Mailor e após o acerto de uma certa comissão para o pai da noiva, faz-se o casamento da menina. Depois disso a pobre não tem mais amparo! O marido a abandona a própria sorte numa floresta, o pai a vendeu como mercadoria e a madrasta sempre que pode manipula os homens para ganhar algo com Diana.
Todos aqueles que a deveriam auxiliar a abandonam ou a traem. Mas por alguma força ela consegue superar os perigos e descobrir toda a trama que se desenrolou até o momento em que toma consciência sobre sua própria vida.
O livro é rico em detalhes sobre o período, nomes, lugares e acontecimentos.
Confesso que senti falta de uma explicação sobre os laços que ligaram Diana a todos aqueles que a prejudicaram jurando lhe amar.
Indico demais a leitura pois a escrita de Rochester é maravilhosa e nos prende fazendo com que a gente não pare de ler.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

10 coisas que os pais devem fazer com os filhos

Existem muitas coisas que eram tabu antigamente! Antigamente, devemos dizer, é bem recente, tipo 30, 40 anos. Recente sim, parece que quando dizemos faz 10 anos, faz 20 anos, as coisas estão láááá longe, mas na verdade as coisas estão bem perto, estão dentro do nosso próprio ciclo de vida! É engraçado, por exemplo, quando uma criança de 10, 12 anos diz, a minha vida inteira, ou toda a minha vida, porque ela viveu ali, dez, doze anos. Se uma década é pouco na história de uma criança, porque na nossa vida é muito???? A experiência da criança vale tanto quanto a nossa, adultos.
É por isso que a gente precisa conversar sempre com as crianças que estão a nossa volta, não só para orientá-las, mas pra aprender com elas. Obviamente que pessoas mais vividas tem experiências importantes e consequentemente alguns conselhos do que fazer e do que não fazer na vida, mas vamos deixar claro que estas vivências não o tornam o dono da verdade,
Por isso é necessário conversar com as crianças contando nossas histórias, nossos erros e acertos, para que eles possam saber um pouco da vida e fazer suas escolhas com alguma base.
Fiz uma lista de coisas que meus pais fizeram comigo, uma lista de filha, com alguns assuntos espinhentos e outros considerados tabu que acho interessante que os pais falem com os filhos, sem constrangimentos ou repressões.
1 O mais polêmico, constrangedor e difícil imagino para os pais e para os filhos é o SEXO. Desde muito cedo a criança começa querer saber sobre as diferenças entre meninos e meninas, como nasceram, como que a semente chega na barriga da mãe e vira bebê. Então é bom falar a verdade e com clareza. Dizer que o filho é muito jovem pra saber daquilo e cortar o assunto pode fazer com que a curiosidade aumente mais. Fala a verdade! Aliás, uma dica básica, a verdade é o melhor caminho sempre. Mesmo que doa, e ela dói!
É óbvio que tu não vai mostrar um filme de sexo pra criança.  Quando ela perguntar: "Como nascem as crianças?" Não me venha com repolho ou cegonha. Diz que o pai tem uma semente, a mãe tem outra e quando eles namoram as sementes se juntam e a criança começa a ser gerada. O namoro é algo que dependendo do tamanho da criança vai gerar uma outra pergunta, mais ou menos cabeluda. Crianças pequenas entendem namoro como, por exemplo beijo na boca. Tá bom, responde que sim e deu. Quando ela quiser saber mais alguma coisa ela vai perguntar, pode acreditar.
2 Porque meninos e meninas são diferentes? Porque todas as pessoas são únicas e diferentes. E todas são especiais. Homens e mulheres tem órgãos diferentes para a reprodução, para poder ter filhos, se quiserem um dia. Eles podem perguntar sobre gurias que gostam de gurias e guris que gostam de guris. A coisa mais importante a dizer neste caso é que acontece, que faz parte da diversidade das pessoas e que é amor e toda forma de amor é bonita. NUNCA, nunca diga pro seu filho que homem gosta de mulher, mulher gosta de homem e o que tá fora disso tá ERRADO. Porque dependendo da idade do seu filho, das dúvidas que ele tem naturalmente durante a adolescência isso vai tornar a vida dele muito difícil. Veja bem, quem pergunta sobre homossexualidade não necessariamente tem dúvida sobre a SUA. Muitas vezes ele tem amigos ou vê colegas que sofrem bulling por serem afeminados e querem ajudar este amigo. Colocar seu filho contra gays e lésbicas não impedirá que ele seja e muito provavelmente o tornará infeliz, porque a adolescência é uma época difícil da vida da gente. Eu sei porque a minha foi bem chorosa! Além disso é natural que existam dúvidas. aliás a gente tem dúvida de tudo, se é adulto ou criança, se o que sente pela amiga é só amizade ou se é amor, porque a gente sente ciúme dos irmãos mais novos, porque nossos primos podem fazer um monte de coisas que a gente não, porque eu não sou todo mundo? Determinar para os adolescentes que ele não podem ser/fazer alguma coisa sem um bom argumento criará muitas outras dúvidas e dores , algumas vezes. E consequentemente infelicidade. E eu tenho toda certeza do mundo que a coisa mais importante pra ti é saber que teu filho é feliz. Então... converse com a mente aberta!
3 Quando teu filho começar a te perguntar sobre sexo, prazer e etc, não diz pra ele que é ruim. Assim como no tópico número 1, isto pode causar mais curiosidade. Fala a verdade, que é bom. Verdade melhor sempre mesmo que doa? Pois é. Diz que é bom, que só pode ser feito quando tiver  A PERMISSÃO DOS DOIS ENVOLVIDOS. Fala que precisa tomar alguns cuidados muito importantes, um deles  É O USO DO PRESERVATIVO. Para os meninos diga que: NÃO É SEMPRE NÃO. E para as meninas diga que QUALQUER TOQUE NÃO CONSENTIDO É ABUSO SIM E DEVE SER DENUNCIADO. Fala pra ele que os parceiros devem conversar sempre para se conhecerem e para saber sobre o que gostam. E QUE QUEM GOSTA RESPEITA O OUTRO SEMPRE TAMBÉM. Isto não é incentivo, tampouco consentimento para que os filhos façam sexo. É uma orientação para QUANDO (porque eles irão fazer sexo um dia) eles estiverem prontos para isso saibam que precisam se prevenir de gravidez, doenças sexualmente transmissíveis e abusos!
4 Converse com seus filhos sobre o toque, o beijo e a permissão. Crianças também se sentem culpadas quando sofrem abusos e acabam não falando por medo e vergonha. Além disso tem o fato de que os abusadores ameaçam a criança com a morte dos pais. Diga que se um toque não for agradável e causar desconforto deve falar com os pais. Fale que ninguém pode tocar suas partes íntimas. Aproveita pra mostrar o vídeo do lado, ele é muito bom pra ajudar as crianças a entenderem o que é toque bom e o que é toque ruim.Conversar sobre isso vai ajudar para que ela  se senta a vontade para conversar contigo sempre que tiver dúvidas. Porque a coisa funciona assim: se  a criança tem dúvida e pergunta pro pai e ele manda perguntar pra mãe e a mãe diz que ele é muito pequeno pra saber ele vai perguntar pro amigo mais velho e isso pode dar certo e o amigo ser o cara que sabe das coisas, mas pode dar errado e o amigo causar uma baita confusão na cabeça do teu filho.
5 Outro tema difícil são as DROGAS. Mas, como qualquer tema a conversa é o que ajudará teu filho fazer a melhor escolha. Aqui a verdade também é a melhor resposta. Dizer que é ruim não é um bom caminho, principalmente se por acaso tu fumar ou beber. Fala pra ele que existem vários tipos de drogas e que elas causam danos a saúde, dependendo do tipo mais rápido ou mais devagar. Fala que inicialmente elas causam uma sensação boa e que é atrás desta sensação que os usuários (nunca diga drogados) vão e acabam se viciando. Ninguém se vicia em qualquer coisa que seja se a coisa for ruim e ele não gostar. Então seja honesto! Mostre as consequências do vício. E não julgue aqueles que estão passando por este problema. Eu sempre falei sobre isto com a minha mãe e nunca tive vontade de experimentar das drogas ilícitas, mas tenho certeza que se tivesse experimentado poderia ter contado abertamente pra ela e não seria julgada. Proibir não é uma boa ideia!
6 Fale sobre os idosos. Devemos ensinar as crianças a respeitarem e a valorizarem os mais velhos. Oportunize que eles convivam com os avós. Tá certo que hoje em dia os avós participam ativamente da vida dos netos, muitos fazendo as vezes dos pais levando na escola, buscando e cuidando. Mas é importante falar sobre a necessidade das crianças ajudarem os avós, deixando claro que eles não são empregados deles.
7 Este assunto faz lembrar de outro tema a necessidade de nossos filhos saberem que não tem empregados. Que eles precisam cuidar das suas coisas, limpar o que sujam, manter seus pertences organizados. E caso tenha uma auxiliar que cuide da casa deve deixar claro  que esta profissional tem que ser respeitada. Não é porque tem alguém que organiza e limpa que el@ vai jogar as coisas, sujar e não se responsabilizar pela sua bagunça.
8 Converse sobre as coisas que seu filho gosta e sobre o que não gosta também. Isto vai demonstrar pra ele que estás interessado na opinião dele. Pergunte pelos amigos, pela escola, pelo que gosta de fazer no dia-a-dia. Deixe ele falar e preste atenção! Dedique toda a sua atenção a esta conversa, que pode ser no caminho da escola pra casa, pode ser antes de dormir, pode ser durante as refeições.
9 Falando em refeições... faça pelo menos uma, UMA DAS REFEIÇÕES com teu filho. O melhor seria que fossem todas, mas se não for possível, escolha uma delas e faça, como um ritual. Comam juntos, falem do tempo, do planejamento do dia, de como o cheiro do café é bom de manhã! Enfim, esteja presente em pelo menos uma refeição da criança.
10 Diga pro seu filho o quanto ele é amado e querido. Demonstre com gestos, auxilie nos temas da escola, jogue bola, brinque de quebra-cabeça, assista o filme ou a série favorita DELE, ande de bicicleta, faça piqueniques, ensine a cozinhar, convide ele e os amigos para fazerem trabalhos, festa do pijama e dormidão em sua casa. Dá trabalho, faz bagunça, mas são lembranças que nunca serão esquecidas. Caso teu filho seja adolescente deixe ele ir nas festinhas, no cinema ou shopping com os amigos. Leva e busca ele, claro, mas deixa ele ficar lá só com os amigos, aprendendo a se cuidar. Isso vai ajudá-lo a ter autonomia. E isso fará muita diferença quando ele precisar se virar sozinho. Sei disso porque fui um pouco protegida e tem algumas coisas com as quais não lido tão bem, por causa desta proteção.
Nenhuma das coisas que tô falando aqui é verdade absoluta. Mas são coisas que eu vivi na minha infância e adolescência e me fez muito bem. É experiência própria! Perceber que muitos jovens não tem nada disso na sua vida e estão adoecendo emocional e psicologicamente me causa enorme tristeza.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Violência contra mulher não é natural!

Desde que me conheço por gente sou contra a submissão da mulher ao homem. Sou feminista sim, precisamos do feminismo sim e para ser feminista não é preciso ser esteriótipo, basta ser mulher e pensar em todos os momentos de medo e tensão que passamos na rua ao lado de homens desconhecidos. Isto basta! O esteriótipo da feminista feia, peluda, que odeia homem é cruel! As mulheres que defendem mulheres que não conseguem se defender não podem ser tratadas assim. Do mesmo jeito que considerar uma mulher que gosta de se embelezar, usar maquiagem e moda de fútil, isto também é cruel. Ninguém é obrigada a ser feminista, aliás é por isto que o feminismo existe, para que nenhuma mulher seja obrigada a nada!
Quando eu era criança bem próximo de mim havia uma história de violência contra uma mulher que trabalhava para sustentar a casa, os filhos e um homem viciado em carteado, que não levava um grão de feijão pra casa e ainda perseguia a sua companheira, ameaçava e acusava de tudo que podia numa violência psicológica sem fim. Numa época em que ser mãe solteira era ser puta (e ainda existe quem pense assim hoje!) ela tentou manter a relação. Várias vezes saiu de casa com os filhos e umas trouxas de roupa e deixou pra trás casa, móveis e aquele que a fazia infeliz. Foram tantas vezes até que se deu conta de que já era considerada sem vergonha, mesmo estando naquele vai e volta com seu "legítimo" marido, mesmo que fosse com o pai dos seus filhos. Então decidiu que não precisava daquilo!
Seguiu em frente trabalhando muito! Criou os filhos com a força do seu braço e sempre teve olhares tortos por não ter se submetido calada a uma vida de violência dentro do lugar que deveria ser o mais seguro pra ela e seus filhos. Recriminavam por ela ter "deixado" o marido! Um homem que como sabemos nunca lhe respeitou e que depois da separação nunca procurou pelos filhos. Talvez no fim da vida né? Com o peso da idade, com a dor das doenças a consciência aponte a solidão e o porquê dela, então... pode ser que o arrependimento surja. Pode ser, não é certo! Afinal de contas quem pensa que é proprietário de uma mulher também crê que tudo que faz lhe é permitido da agressão verbal e psicológica a física. Ele pensa que tudo pode afinal é homem.
Eu vi isto na minha infância e nunca achei natural, nunca aceitei. Nunca consegui achar que ela que estava errada e que deveria mudar. Aliás, sempre achei que ela deveria mudar de casa, de marido, até que ela mudou! É uma mulher forte, que eu amo de todo coração!
Esta história poderia ter acabado mal, porque ele a ameaçava de morte! Sorte que nunca tentou!
Porque caso de assassinato de mulheres acontecem todo dia!
Há cinco anos atrás mais ou menos, quando meu pai foi fazer uma cirurgia e precisou ficar na UTI algum tempo estava internada uma moça que foi incendiada pelo ex-companheiro na esquina do hospital onde trabalhava. Num dos horários de visita os pais dela estavam lá e vocês não tem noção do sofrimento daquela gente humilde. A moça morreu! E a gente pensa que é sorte quanto sabe de algum caso de violência perto da gente que não termina assim.

Foi nesta época que  uma amiga muito amada me contou meio por alto as brigas que tinha com o companheiro. O detalhe é que ela estava com a filha pequena noutro estado e sem nenhum parente ou suporte por perto. Numa das conversas por messenger ou msn, nem lembro, perguntei se ele era violento. Ela jurou que não, mas eu não acreditei. Uns dias mais tarde ela me mandou uma mensagem para o celular pedindo que entrasse na sua conta da rede social e mudasse a senha, pois desconfiava que ele estava acessando suas conversas. Um tempo mais tarde ela me disse que ele a agrediu. Orientei que ela fizesse um boletim de ocorrência e ela argumentava que seria inútil pois ele era policial e na cidade pequena pouca gente daria importância ao que ela dizia. Alguns meses mais tarde ela descobriu que estava grávida e concomitantemente descobriu que ele tinha outra mulher e que também estava grávida. Com a outra ele ia ao médico e acompanhava, com minha amiga não. Quando minha amiga dizia que ia embora ele ameaçava tirar o filho deles, dizia que ela seria presa se tentasse levá-lo embora. Então ela saiu de casa. Depois de uma briga com agressões físicas. Ela estava GRÁVIDA e começou a perder líquido amniótico. O bebê nasceu com sequelas. E eu ia sabendo destas coisas e não podia fazer nada. Ela fez o B.O. e tal como previa ninguém se importou. Ela estava sozinha! Ela quase perdeu o filho! Ela teve que ir pra outra cidade com ele mais uma vez sozinha.
Ele seguiu sua rotina sem nenhuma alteração! Enquanto ela estava dilacerada com um filho no hospital e o outro longe dela.
Quando o bebê ficou bem ela voltou pra sua cidade natal, mas a violência não acabou pois ele colocava o filho mais velho contra ela dizendo que a culpa de estarem longe um do outro era da mãe. O caçula precisa de cuidados especiais, que muitas vezes não se consegue na rede básica, mas o pai se nega ajudar com valores extra pensão alimentícia. Ela se desdobra para ajudar e sustentar as crianças, por sorte agora não está mais sozinha, esta perto da família.
Estes são apenas dois, três dos casos de violência que conheço! E tu aí do outro lado se pensar um pouco, se observar amigas, tias, primas talvez perceba também. É por isso que precisamos do feminismo. Fico feliz se tu nunca sofreu assédio ou violência, fico feliz de coração, mas não quer dizer que assédio e violência não existam. E não é por falta de jogo de cintura que as denúncias estão aparecendo. É porque o feminismo está ajudando as mulheres a se darem conta, a perderem o medo e a entenderem que a culpa nunca é da vítima, que elas não estão sozinhas. Vocês tem todo direito de não serem feministas, o feminismo defenderá este direito. Mas por favor defendam as mulheres!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Perdi o medo de Emannuel

Levei muito tempo até ter coragem de pegar um dos livros  psicografados pelo Chico Xavier narrados pelo espírito Emmanuel. Confesso que tinha um pouco de medo da linguagem e do próprio né? Porque se ele davam umas alfinetadas no Chico, que diria pra mim? Medo da resposta! hahahaha Além disso sempre lembrava da história de que o médium doava ectoplasma para a materialização de alguns espíritos e entre eles estava o seu mentor e contam que quando ele aparecia o pessoal estremecia. Forma tantas histórias de que as pessoas tinham medo dele que me contagiei deste medo. Medo besta e bobo, porque o espírito Emmanuel é só luz e bondade. Ele é direto e reto, sem rodeios ou nhenhenhé! O que me agrada muito, não sou fã de nariz de cera!
Pensei que a linguagem dos seus livros fosse rebuscada e difícil, já que são lembranças de muito tempo atrás. Cheguei a pensar que fosse mais difícil que André Luiz. Mas fui surpreendida com um texto simples e poético!
Decidi que começaria pelo início, ou seja com o Livro "Há dois mil anos", mas ele não estava disponível na biblioteca. Fiquei olhando o que tinha e me deparei com "Paulo e Estevão", um romance espírita do qual muita gente já havia falado e sugerido a leitura. Teve quem tivesse tecido inúmeros elogios, então resolvi lê-lo. Fui lendo com certo receio e muita precaução. Tudo o que diziam do livro e do Emmanuel era a pura verdade.  Perdi o medo!! Óbvio que não tenho intenção de dar de cara com ele por aí né? Ainda não tô preparada! hahaha Tô anos luz de distância do Chico!

Mas vamos falar de "Paulo e Estevão"?
Eu sempre pensei, equivocadamente, que Paulo havia sido um dos 12 apóstolos. Daqueles que acompanharam Jesus na divulgação do Evangelho e no Calvário. Sim, ele foi o apóstolo mais atuante e exemplar divulgador da doutrina de amor de Jesus pelo mundo. Mas antes disso tivemos Jeziel, que adotou o nome de Estevão depois de anos de escravidão nas galeras. Acontece que ele já era um seguidor atuante da doutrina do Mestre, mesmo sem saber. Seguia seu coração e servia a todos, mesmo como escravo, com amor genuíno. Em recompensa por sua dedicação foi libertado e adotou o novo nome Estevão. Era um pregador inspirado pela espiritualidade! Sua doçura e bondade atraía as pessoas e despertou a ira do sinédrio na pessoa Saulo de Tarso, um doutor da lei de Moisés que não admitia uma doutrina superior a mosaica, ainda mais vinda de um carpinteiro que foi morto entre ladrões.
Estevão foi o primeiro mártir da doutrina do Cristo e Saulo o primeiro perseguidor. As qualidades  de Saulo como orador, estudioso da lei, creio no meu entender, que foram o que levou Jesus a buscá-lo na estrada de Damasco. A cegueira física foi o que fez com que Saulo se curasse da cegueira do fanatismo. Foi ela que lhe permitiu olhar para dentro de si mesmo, julgar-se e principalmente perdoar-se. Saulo foi exemplo vivo da humildade e de que podemos sim mudar e nos transformar, desde que queiramos verdadeiramente. Só depois de bastante tempo trabalhando o evangelho é que mudou seu nome. "É preciso enterrar o homem velho!" Paulo passou de perseguidor dos seguidores do Mestre a um divulgador atuante e exemplar da sua doutrina de amor.  Também foi muito perseguido por seus ex-companheiros de Sinédrio.
Foi Paulo também que criou o termo cristão, para designar aqueles que seguiam o evangelho do Cristo. Sua história nos traz conhecimento de um passado histórico que só ouvimos falar pela bíblia e pelo próprio evangelho. Nas aulas de história ouvimos falar de Pilatos, de Nero e outros, mas neste livro conseguimos nos sentir lá (o que certamente aconteceu!). Mostra como o poder e o fanatismo cega as pessoas a ponto de não enxergarem seus próprios irmãos, a virarem as costas pros próprios filhos.
Recomendo a leitura! Deixem o medo de lado e não se assustem com o tamanho do livro! Aproveitem as belas palavras, a narrativa poética e rica e os exemplos inspiradores. Já estou louca para ler os próximos! Ah! Não briguem por não ter dado mais detalhes, mas queria apenas aguçar a curiosidade de vocês! Leiam, tenho certeza de que irão gostar!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Sopa de pedra

Quando eu era criança ouvia falar da história de uma mulher muito pobre que fazia sopa de pedra para seus filhos. Era uma coisa que eu não entendia! Na verdade ainda hoje não entendo. Minha mãe conta as histórias da sua infância e como passou necessidade e não tiveram comida muitas vezes, como sobreviviam com dificuldades e apoiados no empreendedorismo do tio Toninho que fazia todo tipo de trabalho possível para levar alguma comida pra casa. Não é um tempo tão distante não década de 50 e 60, talvez um pedaço de 70, um período relativamente próximo de nós.
Considero um tempo bem próximo de mim. Porque quando eu nasci em 1977 ainda estávamos sob a ditadura militar e tinha ainda muita pobreza. Aliás, hoje ainda existe muita pobreza. A mãe costumava dizer (e diz ainda) que a gente não sabe o que é passar trabalho ou fome. Graças a Deus e ao trabalho dela e do pai não sabemos. Isso quer dizer que o tempo de criança dela foi muito mais difícil que o meu. Praticamente não haviam casas na redondeza por onde ela morava e as pessoas não tinham a quem pedir ajuda, porque estava todo mundo no mesmo barco.
Sempre fui pobre, mas sou uma privilegiada! Era nesta época de colégio, que eu não tinha nenhuma vontade de comer que a mãe contava (com o intuito de me fazer comer) que tinha uma mulher que alimentava os filhos com sopa de pedra. E eu pensava, mas como que as pessoas comem pedra????? Que coisa horrível deve ser!
O tempo foi passando e pude perceber que muita coisa mudou. O bairro onde eu morava já não é mais tão despovoado, nos lugares onde era apenas campos agora estão cheios de casas. A população cresceu e vários auxílios ajudaram as pessoas a terem suas próprias casas. Mas ainda assim tem gente que passa fome, mesmo com bolsa família, mesmo com pastoral da criança, mesmo com sopão de rua. Porque é muita gente no nosso país, gente que trabalha e ainda assim não tem como botar comida em casa, ainda assim passa perrengue porque tem que pagar transporte caro e de baixíssima qualidade, tem que pagar água, luz, alguns tem que pagar aluguel e por aí vai. E mesmo tendo gente um pouco melhor na vida, ainda tem gente que precisa apelar pra sopa de pedra ou papelão. É, não faz muito tempo vi uma reportagem em que uma senhorinha (não lembro em que lugar) se alimentava e aos filhos com sopa de papelão! Eu, que sempre tive comida em casa não consigo saber o que é pior neste cardápio sopa de pedra ou de papelão.
Enquanto estas pessoas estão tendo que optar por esta fonte de alimento os políticos estão desviando verbas públicas, as pessoas que deveriam fiscalizar os alimentos estão aceitando propina e deixando carne podre ir pras prateleiras dos mercados, os agrotóxicos poluir os rios, além dos alimentos e por aí vai. Ainda por cima temos que ver os intelectualoides dizendo que tudo que acontece no país é culpa do povo que não sabe votar! Do povo que tá, ainda, na miséria!
Agora a "carne fraca" tá mostrando os horrores que são os bastidores da indústria da carne, mas isto é só pra tirar o foco da reforma da previdência, que é o que vai destruir a vida das pessoas, muito mais do que a carne podre do açougue fedorento!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Uma estranha atração

Minha bisavó dizia que para conhecer os homens devemos observar como ele trata a própria mãe. Completava argumentando que "se um homem trata mãe sua própria mãe e não a respeita, dificilmente tratará outra mulher com respeito". Minha mãe aprendeu com ela a observar e eu, por minha vez, aprendi por tabela. Creio que esta linha de pensamento é um bom método de "avaliação" do caráter de uma pessoa, neste caso homens e mulheres, afinal todos tem ou tiveram mãe.
Este parâmetro a gente usa quando não sabe os antecedentes do cara com quem estamos nos relacionando, como forma de avaliar seu caráter, vamos assim dizer. E a gente já se espanta e coloca as barbas de molho quando sabe que aquele a quem estamos conhecendo tem atitude rude com sua genitora. Então imaginem qual não é o meu total choque quando descubro que homens condenados pelo assassinato de mulheres recebem cartas de outras mulheres querendo se relacionar com eles. E mais, enquanto ainda cumprem pena pela morte que causaram!
Quando eu soube que o maníaco do parque, um assassino em série de mulheres, estava por se casar não soube o que pensar. Sim, creio que as pessoas merecem uma segunda chance, mas nosso sistema prisional infelizmente não recupera ninguém. A defesa dele diz que ele é semi imputável e ao mesmo tempo ele nunca me pareceu arrependido dos crimes cruéis que cometeu. O que pra mim é um agravante! É sinal de que não houve mudança.
Ontem, no estudo das obras de Andre Luiz comentamos que mesmo o pior criminoso tem alguém que o ama e ao mesmo tem alguém por quem sente amor. De maneira geral este ente querido é a mãe da vida atual ou de outras, ou um familiar com quem teve elo afetuoso forte. Claro que estes os personagens destes casos também devem ter. Creio que tenha. Mas, no caso de pessoas de fora da família que buscam o convívio com estes homicidas não entendo. Ainda não atingi este nível de evolução! É claro que ele tem direito a amar e ser amado, não quero que lhe seja negado este direito, no entanto, é preciso muita coragem para buscar por um homem destes lá dentro do presídio para constituir uma família.
É o caso do Guilherme de Pádua, do goleiro Bruno e de outros casos que não tomamos conhecimento por serem de menor repercussão! Gente, eles não estão se relacionando com as mulheres que tinham antes de cometer homicídio. Eles não estão se relacionando com pessoas que convivem dentro da prisão. Eles estão se relacionando com mulheres que buscaram por eles. Sei lá, não sei como funciona esta troca de correspondência, mas são pessoas que sabiam dos crimes cometidos por eles e, ainda assim, aceitaram se relacionar, casar e projetam um futuro junto com eles.
Dá pra entender o quão louco é isto! Eu não consigo compreender! A pessoa que vai em busca de um homem nesta situação tem que ter um espírito muito elevado. Porque acho que não sairia da minha cabeça, por exemplo que o Bruno matou, esquartejou, deu de comer aos cachorros e ocultou o corpo da mãe do filho dele. Eu sei, não devemos julgar. Eu sei, temos que perdoar. Mas é uma atração muito estranha! Ele não demonstra arrependimento do que fez! Agora que as pessoas criticaram a contratação dele por aquele time lá e que vários patrocinadores foram embora ele reclama, como se estivesse sendo injustiçado que "quer apenas jogar"!
Tudo bem, tá certo é tua profissão, deve ser reintegrado a sociedade. Correto! Perfeito! Mas numa posição de destaque? Com pompa e circunstância como se tivesse cometido um delito leve? Numa profissão que encanta e influencia milhares de pessoas, inclusive e principalmente crianças?
É uma atração muito estranha a que leva as pessoas a irem com seus filhos no campo pra pedir autógrafo e tirar foto com um homem que matou com requintes de crueldade a mãe do seu filho! Filho que vai crescer sem mãe! Que sabe-se-lá quantos traumas não tem, já que o tempo em que a mãe estava desaparecida ficou com a ex-mulher do Bruno, que sabia o que ele tinha feito!
Não é como tu estar num relacionamento e a pessoa cometer um crime. Não é. Tu sabe o que a pessoa fez! Saiu em toda a imprensa! Tem foto dele saindo pra depor rindo. Ele estava RINDO, porque acreditava (como realmente aconteceu) que não ia pagar pelo que fez!
Talvez Freud, Jung ou Reich expliquem (ou vai saber nem eles consigam) o que leva uma mulher, igual a que foi morta pelo futuro namorado/marido/amante, a buscar este tipo. Eu tive que escrever pra ver se clareava minhas ideias a respeito disso. Porque realmente não consigo compreender. Entendam bem, antes de mais nada quero esclarecer, não tô julgando estas mulheres, elas são livres para amar e se relacionar com quem bem entendem. O que me intriga é a atração por um assassino condenado! Mesmo que seja um homicida de homens, mesmo assim acho perturbador saber tudo o que ele fez e ainda assim querer esta relação.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O feminismo é necessário! É uma esperança

Vivemos numa sociedade machista, patriarcal onde muitas mulheres sofrem abusos e violências caladas, com vergonha e culpa pelo seu sofrimento. É verdade que muita coisa mudou, mas nos recantos mais pobres a coisa ainda segue e ainda há quem diga que estas mulheres gostam.
Conheço uma moça jovem, bem estudada, que foi casada há mais de 15 anos com um cara que ela considerava seu grande amor. Fizeram planos, construíram um lar, tiveram filhos. Mas por inúmeros motivos a relação tornou-se insustentável. Ele claro, não quis a separação, então foi tornando as coisas difíceis. Até de fato tudo acontecer. Separação de corpos, outra casa, divisão de bens etc. Aquela pessoa que parecia bom pai teve que ser acionado na Justiça para pagar pensão e depois de muitas tentativas da mãe para que o pai participasse da vida dos filhos ele disse, claramente, que "não tinha interesse"! É, o pai tem direito de dizer que NÃO TEM INTERESSE EM CONVIVER COM OS FILHOS, deve ser porque ele acha que o valor que paga de pensão é o suficiente para suprir todas as faltas das crianças, inclusive a afetiva!
Quem tem uma criança perto de si sabe bem que o valor da pensão geralmente não cobre todos os gastos que se tem com uma criança, porque este gasto vai além da comida. Acontece que uma grande parte dos homens se considera isento de responsabilidade com os filhos SÓ PORQUE DEPOSITA A PENSÃO, coisa que é obrigação! E vamos e venhamos, alguns só fazem porque dá cadeia! Aliás, uma das poucas coisas que resulta em prisão. Então...
Mas não querer conviver com filhos não é privilégio só de pai "comum", celebridades também acham que basta colocar o nome na certidão, depois de inúmeros testes de DNA, pagar a indenização e já basta para que o filho ou filha fique feliz. Foi assim que agiu o Pelé, aquele que fala de si na terceira pessoa e não quis saber da filha ou dos filhos dela. Portanto, não é coisa de ignorante! É coisa de gente que acha que filho é responsabilidade DA MULHER e só. Tem até um ditado né? "Quem pariu Matheus que embale"!
Isto é um tipo de violência sim, contra mulher, contra a família!
É por isto que precisamos de feminismo! É por isto que precisamos criar meninos e meninas de forma igual, cuidando da casa, ajudando em todas as tarefas e mostrando que filhos são responsabilidade do casal (mesmo que ele esteja vivendo separado!).
Contei esta história para ilustrar que muitas vezes não conhecemos as pessoas! Ninguém próximo deste casal fazia ideia de que após a separação, que pareceu amigável, ele teria esta atitude. Os filhos esperam pelo pai e acabam descontando na mãe a "culpa" da separação. Uma amiga que separou-se depois de ter sido agredida pelo companheiro quando estava grávida e por conta da agressão perdeu líquido amniótico e em consequência disso problemas na formação do bebê vivia a constante dor de ver sua filha mais velha a culpando pela separação. A filha ligava e o pai não atendia o celular, pagava pensão apenas para a filha mais velha e foi preciso entrar na Justiça para que o filho fosse incluído. Uma criança especial que precisava de vários tratamentos específicos, que o valor da pensão não cobria. Para completar o pai dizia pra filha que eles não estavam juntos por culpa da mãe. Violência clara durante a relação e após a separação!
Não bastando estes dois casos trago outro, também verídico, também de alguém conhecido. Um relato que após tua leitura vais pensar será que é a fulana? Ou a ciclana? Ela tá falando de alguém que eu conheço? Porque nós mulheres conhecemos vários relatos semelhantes. Sabemos de pais que não pagam pensão e exigem direito a visita. Sem contar aqueles que pagam pensão e se acham no direito de determinar como que a mãe deve usar o dinheiro.
Esta história é triste! É a história de uma mulher que não teve sorte na vida amorosa. Ficou grávida na adolescência e foi abandonada. Mais tarde outro companheiro e uma vida infeliz! Agressões, brigas, privações, outro filho e um destino de trabalho. Outro filho sem pai, sem pensão! Ela trabalhava para manter os filhos, para dar tudo que podia, tudo que eles queriam. Encontrou outro companheiro. Pensou, desta vez hei de ser feliz. Que nada! O fulano tinha uma vida de crime. Ela quis fugir, ele ameaçava os filhos, os netos, agredia. Exigia visita! Exigia droga, exigia dinheiro dentro da tranca. Sobre ele a acusação de abuso infantil. "Um bandido dizem uns!", "ela gosta dessa vida acusam outros" e ela lutando pra ter uma vida reta, trabalhando direto sem parar para comer. Até que a doença a parou!
Vários dias sem conseguir comer, muitas dores, fraquezas, diarreia, médicos sem saber o diagnóstico. Mas todos próximos desconfiando. São dias no pronto socorro sem saber a doença e exposta a todos os vírus, bactérias e doenças nos corredores superlotados. Então um médico diz que é uma infecção grave. Levam para isolamento. Após mais exames o diagnóstico, soro positivo! Além da dor física, da fome porque não consegue comer a vergonha, o medo, a culpa! Ninguém se coloca no lugar daquela mulher murcha na cama do hospital! Ninguém pensa como deve estar a cabeça dela! A raiva deve estar lhe corroendo por dentro! Ela não quer falar nem ouvir sobre o companheiro, ou ex. Deve desejar internamente que sofra tudo que ela passa neste momento. Deve se sentir culpada por desejar algo assim pra  alguém. E ainda tem muita luta pra vencer, muita luta pra travar. Mas a primeira luta é pela vida! Antes de qualquer coisa é superar este momento crítico, passando pela infecção quase generalizada e passar para o tratamento do hiv. Sei que ela pode se recuperar. Quado estava na secretaria de saúde vi muitas pessoas ficarem muito mal e depois se recuperarem, com o apoio da família e dos amigos.
Isto tudo porque ela passou é violência! Foi a vida toda passando de uma situação pra outra com vergonha e sentindo culpa por tudo que lhe acontecia. Aguentava calada, porque se a culpa é minha tenho que aguentar quieta! Cheia de vergonha, com medo da reação do outro, que só faltou dizer que não foi dele que pegou! Mais uma violência!
Talvez se ela tivesse crescido perto de uma feminista as coisas hoje fossem diferentes! Quem sabe se na primeira agressão lá atrás já não teria denunciado o ex companheiro e ela se sentiria mais protegida? Sabe-se-lá se tivesse exigido pensão e participação dos pais dos filhos na criação não seria outro o quadro atual? Cogitações apenas. A única coisa real é que precisamos do feminismo! Precisamos de todas as feministas! Sim, precisamos daquelas que são chamadas de radiciais, que não aceitam uma vírgula machista pra cima de nós. Sim, precisamos daquelas que fazem passeada, levam cartazes, rasgam o verbo e a roupa em defesa da igualdade de direitos. Precisamos muito dos homens que não consideram justa esta maneira da sociedade proceder com as mulheres. Precisamos que corrijam os amigos abusadores, os que fazem piadinhas machistas e homofóbicas, os que consideram que cuidado da casa e dos filhos é obrigação da mulher porque ele é o "PROVEDOR" da família, sendo que na maioria dos lares brasileiros as mulheres também trabalham.
Sabe escrevendo este texto fiquei pensando em quantas outras histórias reais, parecidas com estas eu conheço! Quantas acabaram mal com a morte das mulheres, com filhos abandonados ou perdidos!Quanta tristeza! Lá na vila tem muita história assim e eu posso afirmar que as mulheres não gostam da violência que sofrem, que elas não são culpadas e que querem mudar este final. Sejamos empátic@s, deixemos o julgamento de lado e vamos tentar ajudar estas mulheres da melhor forma possível! Nem uma a menos!

PS.: Certamente as protagonistas destas histórias irão se reconhecer. Peço desculpas por ter contado suas histórias sem pedir permissão! Aproveito para dizer que seus relatos são importantes para que outras mulheres em situação semelhante saibam que não estão sozinhas e que denunciar, que não calar é o melhor. Vocês são exemplos de coragem pra mim e eu as amo! <3