quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O senhor tempo

Sou uma pessoa que adora ditados populares e algumas frases feitas. Tá certo que é clichê e um tanto brega, mas né, fazer o que se minha veia brega fala mais alto do que as veias cults?! Não considero o termo brega como pejorativo, mesmo que muita gente use com este intuito. Eu pego o brega e transformo, pois entendo na essência dele a presença do amor, do drama, do exagero, do romance e de todo um clima em volta daquilo. Uma peça decorativa pode ser brega, mas ela guarda um apego não ao objeto em si, mas a todas as lembranças que ela remete. Por isso nunca considerei o brega como uma pecha e sim como um lado mais apegado a lembranças e coisas românticas.
Noutro post falarei sobre a brega que vive em mim!
Hoje vou falar do tempo! Mais especificamente da compreensão que ele nos dá, da necessidade de deixarmos ele correr para que consigamos alcançar este entendimento. Por isso começo falando do velho ditado, ou seria conselho?! "Dê tempo ao tempo". Parece redundante parece a primeira vista, além do que, como que se dá tempo ao tempo?
A gente demora um pouco pra aprender como fazer isto.  Na infância somos afoitos queremos esgotar o tempo com inúmeras brincadeiras, na adolescência é fazendo tudo, aproveitando ao máximo, é querendo ser adulto logo, na vida adulta queremos controlar o tempo para usá-lo da melhor maneira possível, sem desperdício porque tempo é dinheiro. Mas quando chegamos na velhice percebemos que não dá pra controlar o tempo, que devemos aproveitá-lo ao nosso favor. Deve ser por isso que vamos ficando mais lentos, mais sábios pelas experiências vividas. Foi observando isso que compreendi o que é dar tempo ao tempo. Em outras palavras é deixar o tempo trabalhar, deixá-lo passar transformando todas as coisas.
Transformando a gente mesmo. Comecei a escrever este texto na sexta e hoje, quando devo encerrar, recebi um áudio justamente falando do tempo, nos convidando a refletir sobre como lidamos com o tempo.
Eu acho que nunca fui muito afoita para fazer tudo logo, para o tempo passar. Lembro que todos diziam que depois que se faz 15 anos o tempo passa ainda mais rápido. Aquilo ficou marcado e nas vésperas dos meus quinze anos eu pensava e pedia que o tempo passasse bem devagar. Óbvio que passou no tempo que tinha que passar, mas tudo é  percebido conforme a situação ao nosso redor. Quando temos um dia cheio de atividades parece que o tempo passa voando. Quando não temos quase nada ou nada para fazer e o tédio toma conta, aí parece que o relógio se arrasta não é?
O interessante de tudo isso é que realmente "o tempo é o melhor remédio" (eu disse que gostava de ditados!). Para curar as dores da alma, do coração só esse sábio senhor chamado tempo. Ele não só nos ajuda a curar essas dores com a compreensão dos porquês, ele também traz respostas, mostra caminhos e ajuda a nos aperfeiçoar através das experiências que vamos tendo ao longo do caminho. É assim na natureza, é assim com a gente também. E aprendemos tanto com ele que acabamos diminuindo o ritmo para aproveitar o tempo.
Como eu disse nunca fui muito apressada agora aos 40 estou um pouco mais tranquila nesse sentido. Aproveito os momentos com as pessoas que me cercam. Sim, me dou ao luxo de "perder" tempo brincando com meus sobrinhos ou jogando conversa fora com minha vó, meus pais ou minhas tias. Não deixo de ir a um encontro com minhas amigas mesmo que isso signifique um pouco menos de sono. Estar com as pessoas de quem gosto é o melhor investimento de tempo. Isso sabemos desde crianças é pena que às vezes na correria do trabalho deixemos de lado.
Comecei este texto falando do tempo por causa da partida recente de pessoas queridas para o plano espiritual. Fiquei preocupada com minha mãe, pois ela ficou muito triste. Dei tempo, pois o luto é muito importante é o tempo de acolher a dor, de ficar triste e chorar. Aos poucos a tristeza vai dando lugar a saudade boa dos momentos vividos com aquelas pessoas e só as lembranças boas voltam a nossa mente. É claro que algumas vezes iremos chorar de saudade, mas é o tempo que ameniza a dor. É ele que fecha a ferida. Minha mãe está melhor, está ocupando suas horas com atividades que lhe dão prazer e isso lhe faz muito bem. Já passou algum tempo e isso demonstra que ele realmente ajuda a curar tudo.
É esse senhor, tempo que sabe das coisas vamos aprender com ele. Não tenhamos medo, não lutemos contra, usemos ele a nosso favor. Afinal "há
tempo para tudo!"

Imagem: Google

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Pedalando

Hoje faz dois anos que decidi usar a bicicleta como meio de transporte para vir ao trabalho, fazer minhas vendas e entregas e até dar uns passeios. É uma ótima alternativa, mas Pelotas tem temporadas de muita chuva e daí a bike fica em casa. Uma coisa é certa quem sabe andar de bicicleta não esquece. Claro, saí meio desequilibrado, dói as pernas nas primeiras pedaladas, subir uma ladeira é fogo (isso que por aqui tem pouquíssimas), mas tudo é questão de seguir pedalando.
Aprendi a andar de bicicleta na rua da casa onde cresci no Jardim Europa. Para aprender eu caí sim. Mas o Flávio, que me ensinou um pouco, era bem louco e não me deu chance de chorar, nem reclamar, foi curto e grosso me mandou levantar e tentar de novo. Daquele dia em diante eu comecei a pedalar. Foi pouco, porque minha caloi vermelha passou pro meu irmão e depois eu ganharia outra bicicleta, que nunca veio porque daí perdi o interesse de pedalar e a preguiça me pegou.
Sempre que precisava de uma bike pedia a do mano emprestada, que na época era daquelas de fazer manobras e tals, não lembro o nome. hahaha Mas eu ia aonde era preciso e sempre tinha um engraçadinho pra pedir que eu levantasse a roda! Esse período foi na adolescência e depois disso nunca mais andei de bicicleta mesmo. Tentei andar na do João Vítor lá fora, mas não tinha condição. Até que trouxe a bicicleta da Larissa pra cidade e comecei aos poucos a pedalar. Minha mãe achava que eu não devia porque poderia ser atropelada, ou atropelar alguém. hahaha Graças a Deus não aconteceu nenhuma das duas.
Meu treinamento começou no Humuarama, eu pegava a bicicleta e pedalava do meu condomínio até lá, ia até o fundo e voltava. Dava uns 15 minutos e foi muito bom pra eu reaprender a me equilibrar, desviar, cuidar os carros e as pessoas. Como era pouco movimento foi super tranquilo. Depois disso comecei a pedalar mais longe, até decidir vir para o trabalho. Confesso que no meio desse monte de carros que tem em Pelotas fiquei apreensiva, mas vou pedalando no meu tempo, devagar e sempre. O primeiro ano não foi de muita frequência no pedal, mas depois a coisa foi engrenando.
Tem muitas vantagens usar a bicicleta é prática e mais rápida que caminhar ou esperar o ônibus. Ajuda a tonificar as pernas, queimar umas calorias, faz bem pro corpo todo e pra cabeça também. Não polui o ar! E pode ser feito em grupo ou sozinho! Ajuda no senso de direção, lateralidade, estas coisas.
É pena que pedalar em dia de chuva e muito frio é ruim, mas estou seriamente pensando em comprar uma capa, mas isso é outra coisa.
Agora estou comemorando os dois anos que estou pedalando mais assiduamente.
A prefeitura fez algumas ciclofaixas, mas ainda faltam bastante, sem contar que algumas foram entregues há apenas alguns meses e já estão deterioradas, como é o caso da Domingos de Almeida. Outras estão tão esburacadas  que tem quem prefira pedalar na rua. Ainda falta um pouco de simpatia dos motoristas. E falta educação do trânsito de todos os lados, motoristas, pedestres e ciclistas. Quem sabe um dia a coisa melhore. O importante é que quem quer pedalar por aí seja prudente.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Meu super herói favorito

Ás vezes acho que não sou normal, graças a Deus! hahahaha Meu herói favorito sempre foi e será o Hulk, tá certo que o Thor é gato e o capitão América interessante e o homem de ferro seria uma ótima parceria para um goró, mas o Hulk é outra coisa e agora, sendo interpretado por Mark Ruffalo não tem pra ninguém! Além disso, Hulk e David Baner são amores antigos! É, desde a época em que eu assistia a série na tevê e não existiam tantos recursos gráficos pro cara ficar gigante. Concordo que é um tanto estranho a transformação rasgar toda a roupa menos a calça da cintura até o joelho, e depois, na volta de Baner ao seu corpitcho  ele aparecer peladão! Mas aceito que a sociedade ainda não está preparada pra encarar, seja no cinema ou no gibi, um gigante verde com o pingulinho balançando enquanto foge do exército que quer o matar ao mesmo tempo que luta contra o crime!
Teve gente boa interpretando o Hulk, eu até admito! Eric Bana e Edward Norton são interessantes, mas né... Ruffalo é bom ator faz comédia, filme de suspense, ação, é bonito, é engajado, enfim!
Eu disse antes que o incrível  Hulk é meu herói desde que me conheço por gente e é a pura verdade! Eu batizei um urso de pelúcia que minha dinda Sandra me deu com o nome de David por causa do Hulk (o da série que eu assistia na televisão, possivelmente em preto e branco!).  Eu era tão fissurada que meu tio Lauro me deu uma camiseta do super herói no meu aniversário de 4 anos. E foi a única camiseta de herói que tive na vida! Ainda bem que tenho foto hahaha
Sempre entendi que a transformação do Hulk acontecia porque ele ficava muito irritado com as injustiças e com a perseguição. Uma coisa que sempre me chamou atenção é que o David tentava com todas as forças não deixar o Hulk sair. Ou seja, ele tentava manter a harmonia e o equilíbrio, mas não conseguia. Existia uma luta interna entre o ser racional, equilibrado e o ser mais primitivo que agia impulsiva e agressivamente na tentativa de se defender ou defender outras pessoas. Muitas vezes nós passamos por isso. Ficamos repetindo mantras do tipo "não vou me irritar, não vou me irritar" e basta um momento de invigilância lá vem o grandão interior dando sopapos a torto e a direito.
Hoje, espírita que sou tento seguir o exemplo do David (fazendo uma vigilância mais pesada!) pra não me transformar numa fera verde de revolta. Entendo o cientista como um discípulo de JC que ainda não atingiu a elevação e acaba perdendo a luta interna para o Hulk. Aliás, sempre o entendi dessa forma, por isso ficava tão triste por ver ele ter que abandonar o lugar que estava por causa daquela perseguição ao verdão. Eu pensava sempre, coitado, ele não queria causar todo esse estrago! O David sempre luta para o Hulk não sair, mas ele acaba saindo e causando muita destruição. E quando o cientista vai embora da cidade em que está é a metáfora do recomeço. É aquela velha história deu errado essa tentativa, mas não posso parar tenho que tentar de novo. Então ele vai lá e recomeça, noutra cidade, com outras pessoas.
 Eu também sempre luto contra a irritação, a impaciência e etc. Nem sempre consigo, mas não paro de tentar, um dia a gente chega lá. Sempre podemos recomeçar, acertar o passo, basta querer e agir!
Como disse lá no início, não sou muito normal não e sempre encontro alguns indícios de cunho espiritual em todas as obras que leio ou assisto. É, não sei porque fico assistindo os filmes e pensando que tem uma outra mensagem além da que tá explícita!
Na minha busca espiritual estou numa caminhada bem devagar. Olhando para trás acredito que consegui dar alguns passos e melhorei em alguns aspectos. Mas tenho a plena consciência de que tenho muito chão pela frente.

Imagens do Google

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Começar de novo

Faz uns quatro meses que não escrevo e não é por falta de assunto, pelo contrário. É tanta coisa de que quero falar, tantos assuntos interessantes, mas a desorganização do meu tempo não me permite. Sim, sou organizada em quase tudo, menos no tempo. Chego atrasada em compromissos e acho isso muito chato! Quanto mais cedo acordo mais me atraso! É fora do meu controle consciente! Mas este ano quero mudar isso e uma das minhas metas é para este cantinho que amo escreve duas vezes por semana. Vou começar determinando que escreverei nas terças e sextas. Vou anotar, afinal todos os coach's dizem que pra gente fazer algo tem que colocar no papel, então, tá aí.
Como contei pra vocês tive um aborto espontâneo em agosto e isso mexeu muito comigo. Hoje estou bem e consigo falar e pensar em tudo com muito mais tranquilidade. Sempre penso que, o que tem que acontecer acontecerá, independente das dificuldades ou voltas que precise dar até chegar aonde tem que chegar. Sim determinamos nossos caminhos através de nossas escolhas, mas tem algumas coisas que estão pré determinadas e não tem como fugir. Uma época eu cheguei a pensar que não podia ter filhos, pois embora sempre tenha me preservado, nunca usei por muito tempo métodos como a pílula tida com um dos mais seguros. E quanta gente teve problemas com a camisinha furada?? Comigo nunca aconteceu. Agora este problema sei que não tenho. No entanto, tem a idade e os receios dos riscos de uma gravidez nesta idade que já me disseram é de risco. Por enquanto vamos levando. Afinal, o que tiver de ser será!
Além desta perda outras duas me causaram imensa tristeza que foi a partida do meu tio Guinho em final de agosto e da minha tia Semita em outubro. Não vou rotular 2017 como um ano ruim, não gosto de fazer isso. Mas foi, com certeza, o ano com mais partidas que já passei. Muitas pessoas conhecidas e próximas desencarnaram. Jovens, mães, filhos, pais, tios, irmãos, velhos, mais ou menos, pessoas amadas que deixam saudade profunda, mas que estão noutro plano, livres do envoltório carnal e com certeza se preparando para uma próxima encarnação num planeta de regeneração. É, é como aquele colega que está um ano a nossa frente na escola, ele passa para o próximo nível e precisa mudar de colégio, mas seguimos ligados pelo laço mais forte que existe que é o do amor.
Seguimos nossa caminhada! Até breve é o que dizemos aos nossos entes queridos. A dor da tristeza vai aos poucos dando lugar a saudade e com o tempo a saudade traz lembranças boas e menos dolorosas!
Então, hoje recomeço aqui no blog e recomeço na tentativa de organizar meu tempo ou de me organizar no tempo. Torçam por mim!

Foto: Google imagens

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Simplicidade das crianças

O João Pedro e eu sempre conversamos no carro quando estamos indo pra casa ou vindo para a escola. Geralmente são coisas triviais, desenhos, super-heróis, sobre coisas do dia-a-dia. Hoje nossa conversa surgiu do nada e me pegou bem de surpresa, assim:
JP: _ Leli, tu te lembra do bebezinho que tava na tua barriga?
Eu: _ Lembro, porque?
JP: _ Te lembra que nós jogamos almofadas em ti e pegou no bebezinho?
Eu: _ Sim.
JP: _ Doeu?
Eu: _ Um pouquinho.
JP: _Ele chorou?
Eu: _ Não.
JP: _ Quando que tu vai poder ter outro bebezinho na tua barriga? Eu quero outro irmão e tem que ser um menino, tá bom?

Ele me fez lembrar da situação que eu estava adiando. Sim, deixei quieto, botei na pilha do analisar mais adiante, tipo lá por dezembro, que é quando acaba o período no qual eu deveria evitar engravidar. Desta data em diante posso voltar a tentar, lá na faculdade, onde me atenderam após a curetagem, na revisão, já passaram data pra marcar retorno, caso decida tentar nova gestação. Uma decisão muito simples pro João, que já fez a escolha de mais um irmão (na verdade primo) e tem que ser menino. Tá tudo certo, é só decidir e já é. Pra mim é um pouco mais complexo, mas vamos esperar o tempo. Quando chegar dezembro...
Até porque depois de tudo ainda não fui consultar a minha médica ginecologista, nem voltei no meu clínico geral para dar satisfação de tudo que aconteceu. Parece fuga, talvez seja!
Mas sei que está tudo bem, me recuperei bem, voltei a andar de bicicleta semana passada (quando não chove né?) estou fazendo uma dieta light (já emagreci 2,5 quilos), estou muito feliz e pretendo emagrecer mais um pouquinho, mas sem neurose! Tô levando tudo numa boa, com calma. Como diz minha sobrinha Amanda, é vida que segue!
Claro que fiquei matutando! Assim como fico quando alguém conta que tá grávida, e isto tem acontecido muito ultimamente. Eu fico feliz porque adoro criança e porque entendo que neste período de transformação espiritual do nosso planeta (papo pra outro post) precisamos de muitos espíritos, de gente que vem pra nos ajudar nesta mudança. Nestes últimos dois meses fiquei sabendo de pelo menos umas 10 grávidas. Acho lindo, me emociono e também penso em como estaria minha barriga e meu bebê se a gestação tivesse seguido. Enfim, vamos adiante, todo tempo é necessário para a maturidade e o aprendizado!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Religião não se discute?

Sempre ouvimos dizer que  religião não se discute. Concordo, porque é direito de cada indivíduo ter ou não uma crença e é obrigação de todos nós respeitar essa escolha e é um dever do estado, assegurado pela Constituição que esta liberdade de escolha seja garantida. E o que sempre vimos sobre religião nas escolas? Não foi uma aula que fala da história, dos dogmas e de como se professa cada culto. Enfim, muita coisa não se dizia e talvez volte a não dizer com esta aprovação do STF de que as escolas voltem a ministrar aulas de ensino religioso confessional (que diabo é isso???) sendo que o professor da disciplina poderá optar por falar apenas de uma única religião. Isto além de ser perigoso, desrespeitoso com os seguidores de religiões que não serão contempladas é inconstitucional. Estamos berrando isso, mas não estamos sendo ouvidos. 
O que leva algumas pessoas ao medo, principalmente porque as disciplinas que dariam suporte para que as crianças pensassem de forma mais ampla e pudessem até discutir sobre as religiões e daí, quem sabe, escolher alguma para professar, foram, ao mesmo tempo, retiradas do currículo escolar. 
Eu não fui catequizada na escola, não porque havia como contrapor a professora de religião, porque não tinha. Mas porque fazer minha cabeça tão bem feita pela minha mãe não é nada fácil. Além do que sou teimosa e tenho um determinado comportamento do contra quando querem me impor alguma coisa. Nem todo mundo é assim. 
Pensem bem, quando eu entrei para o colégio, lá na década de 80, na escola municipal não tínhamos aula de música, nem filosofia e nem sociologia nos primeiros anos, mas sempre teve aula de religião, que pra mim parecia uma catequese (embora não tenha feito catequese) porque não falava sobre as várias religiões existentes no mundo e muito menos se dizia que podíamos escolher a que mais se aproximasse do nosso coração e verdade. 
Confesso que tentei fazer a primeira comunhão, todo mundo fazia, era praxe. Então um sábado de manhã cedinho fui até a escola, onde se realizava a missa, para começar o tal curso. Fui apenas este dia e nunca mais. 
Depois, quando na quinta série fui para a escola estadual, continuamos sem as aulas de música, sem filosofia, sem sociologia, ou mesmo moral e cívica, que em algumas escolas tinha, mas tínhamos aula de religião. No entanto, aprendi que se a minha religião não fosse contemplada naquela aula poderia não assisti-la. Descobri isso porque meu colega Michel foi pedir dispensa por ser de uma outra religião, que não a católica. Não lembro a religião dele.
Mas eu só tive aula de religião e não catequese, quando na faculdade tive uma matéria chamada "Deus e a experiência de Deus hoje". O professor Vernetti (não lembro se ele era padre ou filósofo) nos passou várias apostilas falando sobre as diversas religiões, falou-nos dos seus fundamentos. Mas eu tinha aula de sociologia e filosofia. 

Eu não tinha, ainda uma religião, mas achava muito importante que aquela disciplina discorresse sobre tantas religiões diferentes porque ampliava a minha visão sobre o assunto e compreendia como a religião e a política estavam ligadas desde sempre.  
A gente diz que não se discute religião porque muitas pessoas brigam ou querem impor para os outros a sua verdade e para evitar conflitos calamos. Acontece que desde os primórdios a religião está intimamente ligada a política. Era assim na Grécia, no Egito, na idade média, enfim, professores de história podem dar mais informações. Sim, estavam ligadas e exerciam tanto poder quanto os mandatários políticos. Por vezes elas estavam juntas e por outras duelando. Muito poucas vezes o duelo era para defesa do povo. Bem como agora. Nós nos calamos sobre isto e muitos religiosos com o poder midiático entraram e foram eleitos na política. Não pra defender a população, mas para defender os interesses de seu grupo. Eles tem tanto poder que  determinaram a volta do ensino religioso. Eles tem tanto poder que barganham inúmeras leis e projetos só visando seus interesses pessoas e do seus companheiros. 
Portanto, política e religião se discute sim, porque é necessário conhecê-las, saber sua história. Porque talvez as bases das religiões, assim como as bases dos partidos políticos, sejam boas, no entanto as pessoas que formam esta religião ou partido e lideram podem não ser. Pensem nisso!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência = Dia de reflexão

Hoje é o Dia Nacional de Luta Pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, lendo o texto da Adriana me vieram as reflexões sobre vários deficientes com quem convivi e convivo. 
Na minha família foi o primeiro lugar que convivi de perto com alguém portador de deficiência. Minha tia avó Edite era cadeirante. O que sei é que na primeira infância ela não tinha nenhuma deficiência e que depois de uma indigestão teve muita febre, convulsões e acabou ficando sem fala, sem andar. Ela ficava basicamente em casa porque sem grana minha bisa não tinha dinheiro para passear com ela, não haviam ônibus especiais como a pouco tempo surgiram e poucos tinham carro.
Lembro também do Tailor, um rapaz que devia ser uns quatro anos mais velho que eu que tinha uma espécie de paralisia cerebral, também era cadeirante e não falava.
Duas casas ao lado da minha tinha uma moça que tinha uma deficiência parecida com da minha tia avó. Mas ela caminhava. As vezes ela fugia de casa sem roupas.
Agora escrevendo isso lembrei do Daniel, que era primo da tia Lorena, a deficiência do Daniel era alguma coisa mental. Na verdade eu não sei direito, porque era criança e não tinha esta coisa de perguntar o que ele tinha. Apenas sabia que ele agia de forma diferente da maioria das pessoas e diziam que algumas vezes ele tinha uns ataques, podia ser epilepsia, por exemplo, mas as pessoas falavam apenas "ataque" o que engloba muitas coisas.

Estas pessoas eu convivi de perto, lembro deles. Mas muitas pessoas com deficiência física ou mental eram escondidos pelas famílias por vergonha, por preconceito ou ignorância. Outros tantos eram internados em "clinicas" onde a família pagava e abria mão daquela convivência que poderia ser tão rica. A impressão que tenho, tendo base a história da Edite, que os médicos pouco informavam os familiares e simplesmente desistiam daquelas pessoas sem orientar ou ajudar a família a dar qualidade de vida pr'aquelas pessoas. Sorte a minha que minha bisa fez questão de cuidar da Edite até o final da vida dela! 
Na escola já na primeira série tinha um colega, não sei que tipo de deficiência ele tinha, apenas lembro que ele tinha um pouco de atraso na aprendizagem. Quando mudei para o Colégio Pedro Osório na minha sala tinha a Taís, ela era down. Outro dia descobri que existem vários níveis (se eu estiver errada me digam). Ela sofria bulling de alguns colegas até que uma das nossas professoras pediu pra ela buscar uma coisa qualquer na secretaria e deu o maior esporro nos guris. Dois ou três babacas que debochavam das características físicas de todo mundo, como se fossem uns príncipes lindos e inteligentes. 
No segundo grau tivemos o convívio feliz de três anos com a Madalena uma surda muda muito amada e engraçada, que ficava furiosa quando não entendíamos o que ela estava falando. E muitas vezes eu não entendia mesmo e olha que era bem descolada, afinal na minha família há quatro surdos mudos. Sim, tenho quatro primos surdo mudos. 
Na minha faculdade lembro de alguns caras mais velhos, que já estavam na faculdade há um bom tempo. Um era o Paulo que tinha uma deficiência que se notava por conta dos seus trejeitos, modo de falar e tinha o Alemão (não lembro do nome dele) que tinha vários tiques. Ambos se formaram. E no curso da mãe tinha um rapaz que era cadeirante também. Tanto o ICH quanto a Católica se adaptaram colocando elevadores. 
Não recordo de ter tido pessoas com deficiência visual nas escolas ou faculdade porque passei. Mas lembro que na rua atrás da minha casa tinha um senhor que era cego. Sempre o via passando com uma das filhas ou no ônibus. Depois conheci o Lucas da Carmem Lúcia e o José Antônio advogado de umas empresas para as quais fazemos contabilidade. 
E também a Michele que sofre de Atrofia Muscular Espinhal. E o Bruno e o Andrei que são down. 
Na verdade, se olharmos a nossa volta existe muita diversidade, tem muita gente portador de alguma deficiência que a gente conhece e se informando, perguntando pra eles mesmo podemos lhes ajudar. Enquanto escrevo vou lembrando das pessoas e de como elas eram independentes e ativas apesar de que um tempo atrás pessoas deficientes eram apenas para serem cuidadas. Aliás, algumas, como disse acima eram escondidas como se fossem um erro, sei lá.
Vamos fazer este exercício e lembrar dos nossos anos de escola quantos deficientes haviam, como era a vida deles, como a gente se comportava com eles. Seria muito útil para esta desconstrução e para a mudança que almejamos.