sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Da alegria a tristeza

Há dias penso se escrevo ou não esta minha história. Mas é uma via praticamente inevitável, sendo que minha forma de lidar com a tristeza ocorre de duas maneiras, a primeira que é limpando e organizando as coisas depois de ter chorado muito e a segunda é escrever sobre e assim organizar as ideias e os sentimentos (muitas vezes em meio a muitas lágrimas). Escrever não significa redigir um textão aqui no blog, o ato de escrever para entender meu sentimento pode ser contar por email pra um amigo o que passei, o que senti e o que sinto. Colocar as palavras no monitor, vê-las se formando sílaba a sílaba e reler me ajuda a enxergar o que tô sentindo.
A limpeza e organização funciona como se eu me livrasse da parte ruim da tristeza, é o ato físico de jogar fora a dor, a mágoa, a angústia e a culpa daquela melancolia. Fazer o exercício de mover os móveis de lugar e jogar fora o que não serve mais é muito mais que simbólico, ele me ajuda a me libertar daquela sensação negativa que me pesa. Principalmente porque a minha faxina sempre tem que ter música e quando tem música tem dança e cantoria. E já diz o ditado "quem canta seus males espanta".
A escrita também é parte da organização. Ela ajuda a organizar as ideias, como já disse e me faz perceber o que não serve e como posso agir a partir daquela tristeza.
Desta vez eu não pude fazer a limpeza física, do ambiente, talvez por isso vez ou outra o nó aperte na garganta. Então preciso o quanto antes recorrer a escrita para mandar embora as últimas sensações e medos que ainda restam.
Em menos de um mês eu fui da felicidade extrema a uma tristeza muito doída! Descobri em 6 de julho que estava grávida num teste de farmácia, contei ao meu companheiro, que há muito já estava desconfiado,  no dia seguinte fiz um exame de sangue, que confundiu minhas ideias porque eu não sabia ler o resultado, mas no sábado confirmei a gravidez. Não foi planejada, mas foi muito desejada! No final do ano eu deixei de tomar o anticoncepcional. Primeiro sem contar a ninguém, mas depois resolvi que meu companheiro deveria participar da decisão, no que ele me apoiou, inclusive dizendo que ia mesmo me sugerir parar. Sendo assim, ambos sabíamos que poderia ocorrer uma gravidez. Eu, tendo visto relatos de mulheres que levaram de um ano a mais para engravidar após a parada acreditei que comigo também iria demorar. A notícia foi recebida com muita alegria por todos.
Tão logo fiquei sabendo, virginiana que sou, fui logo procurar meu médico para saber se estava fisicamente bem para a gestação. Fiquei pensando que estando com hipotireoidismo e tendo que tomar remédio para controlar o melhor era constatar se estava tudo bem. Na semana seguinte fui ao médico, que solicitou um ultrassom para saber quantas semanas o embrião teria e como estava se desenvolvendo. Pediu urgência! Ah! Esqueci de contar que estou com 39 anos, aquela idade que as pessoas ao mesmo tempo que incentivam dizendo que és jovem e podes ter uma gravidez tranquila te lembram que pode ter riscos, já que é a primeira. Então corri para o primeiro ultrassom.
Em 12 de julho fui lá para fazer o exame e saber como as coisas iam. Minha primeira pulga atrás da orelha. O médico que fez o exame não disse diretamente, mas disse que naquele tempo estimado as coisas deveriam estar mais adiantadas, deveríamos escutar o coração do bebê e ele estaria mais ativo. Meu mundo balançou e meu coração ficou numa angústia permanente até o próximo ultrassom, sugerido para daqui dez dias.
Neste tempo eu rezei muito! Fui ao meu médico que tentou tirar da minha mente a ideia de um bebê morto no meu ventre, mas enfim, ao mesmo tempo ele já me alertou que caso isso tivesse acontecido eu teria que fazer uma curetagem e tal. Saí com o mundo um pouco mais sacudido e tentando sorrir tirando a angústia do meu coração. Nunca o tempo passou tão devagar! Eu marquei o exame que deu um pouco mais de 10 dias e em primeiro de agosto lá fui eu para o ultrassom. E as coisas estavam iguais ao primeiro! Mesmo tamanho, sem batimentos e com um pequeno sangramento há três dias. A médica foi super atenciosa, um amor comigo, me explicou com a maior calma e compaixão do mundo que o feto estava morto e eu precisava retirar o saco gestacional através de um procedimento com meu médico ou procurando o PS.
Eu chorei! E rezei pra não ficar triste demais, nem ficar me sentindo culpada, nem pensar que eu não vou poder tentar de novo, nem que eu tivesse alguma mágoa ao ver outras mulheres grávidas neste momento. Meu maior medo foi ficar com mágoa, porque eu sei que estas coisas são parte de um grande aprendizado. Mas a gente é humano e falho e pode sentir coisas assim.
Então contei pro meu namorido o que aconteceu e não consegui não chorar. E contei pra família e me preparei psicologicamente para ir ao PS fazer a curetagem. Aliás tive medo da dor! No pronto socorro foi rápido, logo me passaram para a ginecologia, aqui demorou um pouco. Fiz o relato do caso, levei os exames, examina um residente, examina o médico e então eles me falam que tenho que ficar no hospital porque o procedimento é feito só no dia seguinte. Foram também muito atenciosos me falando com empatia tudo que seria feito e como. Faz a baixa, exames, coloca acesso e espera até a hora de colocar os compridos para provocar a abertura do colo do útero. Pensei, meu Deus me ajude, dizem que a dor é horrível. É mesmo, mas não mais que a dor da perda.
No mesmo quarto que eu duas moças com menos de 30 na mesma situação, mas com as gestações mais avançadas, bebês mais desenvolvidos. Já sabiam o sexo, já tinham escolhido os nomes. Neste momento me senti menos sofredora. Tinha ganho alguns presentinhos, já tinha pensado nos nomes possíveis, mas não tinha escutado o coração! Não tinha sentido vivo aquele ser que eu amava! Era uma semente germinando. Mas elas tinhas caminhado um pouco mais, já tinham enxoval, planejavam o quarto, chá. Senti uma grande tristeza pensando o quanto a dor era maior pra elas. O nó apertou na garganta! Segurei o choro! Fomos companheiras a noite toda, nossas cólicas aconteciam em intervalos muito próximos. E no dia seguinte fomos uma depois da outra pra sala de cirurgia e depois pra recuperação. Lá se foi mais uma manhã e quase toda a tarde comentando o que sentimos, o que choramos.
Cinco dias de repouso, abstinência sexual, revisão e o nó na garganta. A organização que pude fazer neste período foi guardar os presentes que havia ganho, até porque cada vez que olhava pra eles o nó apertava. Fui muito amparada com palavras de amor, carinho e consolo. Várias lágrimas se juntaram as minhas e sentir isto me consolou muito. Recebi palavras de muito amor! E recebi o incentivo de não desistir, embora neste momento ainda tenha um pouco de receio, justamente por não saber porque a gravidez foi interrompida. Acolho o incentivo com carinho, as pessoas não fazem por mal, elas apenas querem que a gente solte aquela tristeza e agarre uma nova chance de felicidade.
Passaram nove dias desse procedimento. Vira e mexe me assaltam pensamentos de como seria... Mas minhas preces foram atendidas pois consegui receber com felicidade sincera a notícia da gravidez de uma amiga querida.
Sigo adiante com o coração ainda dolorido, colocando as coisas que caíram no lugar, o nó está afrouxando e muito amor tem se multiplicado. Quanto as lágrimas, creio que seja inevitável deixá-las cair, faz parte de mim chorar, seja de alegria ou tristeza! Agradeço o apoio e o carinho do meu companheiro, dos meus pais, dos meus sogros, cunhados, irmãos, tios e amigos. Agradeço aos médicos e enfermeiros que me atenderam no São Francisco. Agradeço a Deus e a espiritualidade a oportunidade de sentir esta felicidade, mesmo tendo sido interrompida, também agradeço o aprendizado.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Herculanum - Rochester

Fazer o que né, me apaixonei por Rochester! Admito que não ter algumas explicações sobre determinados encontros retratados no romance me deixa meio desazada! É diferente dos livros do André Luiz, por exemplo, que sempre tem uma explicação de porque fulana e cicrano se encontraram naquela encarnação e naquelas condições. Sinto um pouco a falta destas explicações, mas André Luiz é um repórter da espiritualidade que vem sanar nossas dúvidas e como curioso que é acaba dando bem mais detalhes que outros autores.
Herculanum é um romance maravilhoso! Gente, quem já assistiu algum documentário, ou mesmo assistiu ao filme Pompéia vai adorar. Óbvio fala lugar, do que levou a erupção do Vesúvio e outras coisas. É um romance que  fala de personagens afetados por todos estes acontecimentos e outras que tiveram suas vidas alteradas a partir destes acontecimentos.
O que achei fabuloso foi descobrir, no prólogo, que a história de Rochester está sendo contada sem que a gente perceba. Não vai ter spolier não, calma!
Então em breves linhas a história se resume um pouco a três famílias patrícias (romanas) amigas que vivem em Herculanum. Algumas personagens são pessoas do povo, plebeus ou não-romanos que estão ligados pelo amor ou pela vingança aqueles patrícios. O ponto culminante é a erupção do Vesúvio o aniquilamento das cidades de Pompéia e Herculano e a vida das pessoas que conseguiram salvar-se da lava, da fumaça sufocante, das pedras e do vapor assassino.
Considero que Caius Lucilius é o personagem principal desta aventura. É durante sua fuga de Herculano que tomamos conhecimento da existência, naquela região, de um discípulo de Jesus, quem vem a salvar a vida de Caius e convertê-lo ao cristianismo. Este discípulo é o centurião que converteu-se após conhecer Jesus. Ele conta sua história a Cáius e mais tarde vem a batiza-lo junto com Sempronius.
Para mim é difícil falar de um livro sem contar detalhes e pormenores, pelo medo de dar spoiler e contar detalhes muito importantes, não contarei mais nada. Apenas indico muito fortemente que o leiam.
A escrita de Rochester é simples e clara. As personagens são fortes e suas histórias incitam muitas reflexões sobre as paixões humanas, os vícios e as virtudes. Algumas ligações podem ser intuídas pela maneira como são narrados os encontros e as sensações das personagens umas com as outras. Como é o caso de Gundica e Virgilia, por exemplo. Todas as ligações são de outras reencarnações.
Além do romance em si é muito forte a impressão que sentimos diante da narração da erupção do Vesúvio, das cinzas tomando conta da cidade, dos vapores venenosos, das pedras que saltavam do vulcão antes da lava se derramar sobre as cidades e tudo que nelas continha.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Meu primeiro Rochester - A noite de S. Bartolomeu

Já ouviu falar da noite de São Bartolomeu? Pois então, foi um grande massacre que começou após a cerimônia de casamento da princesa Margot na França. O casamento arranjado pelo rei Carlos IX tinha o objetivo de acabar com as disputas entre católicos e protestantes, visto que Margot desposaria Henrique III que era protestante. O rei Carlos tinha em um dos líderes do movimento protestante um grande amigo, a quem tratava como pai. Sua simpatia não foi suficiente para acalmar os católicos em sua ira, que pelas costas do rei tramou a carnificina que teve início assim que Coligni (o amigo do rei e líder protestante) foi assassinado.
Óbvio que em meio a autorização para que católicos executassem protestantes muitos homens aproveitaram-se deste momento para matar seus inimigos. Alguns personagens deste livro aproveitaram para matar credores, adversários políticos e rivais no campo afetivo.
Neste livro Rochester nos conta sobre uma história de amor ambientada neste período e que tem seu ápice na Noite de S. Bartolomeu. Diana D'Armi a jovem filha do Barão João D'Armi  (um viúvo perdulário) abandona sua filha aos cuidados de sua nova esposa Lourença. Esta uma mulher egoísta, mesquinha, vaidosa e promíscua que troca de amante com grande facilidade é justamente quem leva  o seu algoz para casa. O barão de Mailor torna-se amante da baronesa D'Armi num momento em que se encontra financeiramente mal. Ele também não consegue explicar a estranha influência que Lourença exerce sobre ele. Neste encontro a pérfida mulher trama o casamento de Diana, na época uma criança por volta dos 4 anos e dona de uma herança que desperta muitos interesses, com Mailor e após o acerto de uma certa comissão para o pai da noiva, faz-se o casamento da menina. Depois disso a pobre não tem mais amparo! O marido a abandona a própria sorte numa floresta, o pai a vendeu como mercadoria e a madrasta sempre que pode manipula os homens para ganhar algo com Diana.
Todos aqueles que a deveriam auxiliar a abandonam ou a traem. Mas por alguma força ela consegue superar os perigos e descobrir toda a trama que se desenrolou até o momento em que toma consciência sobre sua própria vida.
O livro é rico em detalhes sobre o período, nomes, lugares e acontecimentos.
Confesso que senti falta de uma explicação sobre os laços que ligaram Diana a todos aqueles que a prejudicaram jurando lhe amar.
Indico demais a leitura pois a escrita de Rochester é maravilhosa e nos prende fazendo com que a gente não pare de ler.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

10 coisas que os pais devem fazer com os filhos

Existem muitas coisas que eram tabu antigamente! Antigamente, devemos dizer, é bem recente, tipo 30, 40 anos. Recente sim, parece que quando dizemos faz 10 anos, faz 20 anos, as coisas estão láááá longe, mas na verdade as coisas estão bem perto, estão dentro do nosso próprio ciclo de vida! É engraçado, por exemplo, quando uma criança de 10, 12 anos diz, a minha vida inteira, ou toda a minha vida, porque ela viveu ali, dez, doze anos. Se uma década é pouco na história de uma criança, porque na nossa vida é muito???? A experiência da criança vale tanto quanto a nossa, adultos.
É por isso que a gente precisa conversar sempre com as crianças que estão a nossa volta, não só para orientá-las, mas pra aprender com elas. Obviamente que pessoas mais vividas tem experiências importantes e consequentemente alguns conselhos do que fazer e do que não fazer na vida, mas vamos deixar claro que estas vivências não o tornam o dono da verdade,
Por isso é necessário conversar com as crianças contando nossas histórias, nossos erros e acertos, para que eles possam saber um pouco da vida e fazer suas escolhas com alguma base.
Fiz uma lista de coisas que meus pais fizeram comigo, uma lista de filha, com alguns assuntos espinhentos e outros considerados tabu que acho interessante que os pais falem com os filhos, sem constrangimentos ou repressões.
1 O mais polêmico, constrangedor e difícil imagino para os pais e para os filhos é o SEXO. Desde muito cedo a criança começa querer saber sobre as diferenças entre meninos e meninas, como nasceram, como que a semente chega na barriga da mãe e vira bebê. Então é bom falar a verdade e com clareza. Dizer que o filho é muito jovem pra saber daquilo e cortar o assunto pode fazer com que a curiosidade aumente mais. Fala a verdade! Aliás, uma dica básica, a verdade é o melhor caminho sempre. Mesmo que doa, e ela dói!
É óbvio que tu não vai mostrar um filme de sexo pra criança.  Quando ela perguntar: "Como nascem as crianças?" Não me venha com repolho ou cegonha. Diz que o pai tem uma semente, a mãe tem outra e quando eles namoram as sementes se juntam e a criança começa a ser gerada. O namoro é algo que dependendo do tamanho da criança vai gerar uma outra pergunta, mais ou menos cabeluda. Crianças pequenas entendem namoro como, por exemplo beijo na boca. Tá bom, responde que sim e deu. Quando ela quiser saber mais alguma coisa ela vai perguntar, pode acreditar.
2 Porque meninos e meninas são diferentes? Porque todas as pessoas são únicas e diferentes. E todas são especiais. Homens e mulheres tem órgãos diferentes para a reprodução, para poder ter filhos, se quiserem um dia. Eles podem perguntar sobre gurias que gostam de gurias e guris que gostam de guris. A coisa mais importante a dizer neste caso é que acontece, que faz parte da diversidade das pessoas e que é amor e toda forma de amor é bonita. NUNCA, nunca diga pro seu filho que homem gosta de mulher, mulher gosta de homem e o que tá fora disso tá ERRADO. Porque dependendo da idade do seu filho, das dúvidas que ele tem naturalmente durante a adolescência isso vai tornar a vida dele muito difícil. Veja bem, quem pergunta sobre homossexualidade não necessariamente tem dúvida sobre a SUA. Muitas vezes ele tem amigos ou vê colegas que sofrem bulling por serem afeminados e querem ajudar este amigo. Colocar seu filho contra gays e lésbicas não impedirá que ele seja e muito provavelmente o tornará infeliz, porque a adolescência é uma época difícil da vida da gente. Eu sei porque a minha foi bem chorosa! Além disso é natural que existam dúvidas. aliás a gente tem dúvida de tudo, se é adulto ou criança, se o que sente pela amiga é só amizade ou se é amor, porque a gente sente ciúme dos irmãos mais novos, porque nossos primos podem fazer um monte de coisas que a gente não, porque eu não sou todo mundo? Determinar para os adolescentes que ele não podem ser/fazer alguma coisa sem um bom argumento criará muitas outras dúvidas e dores , algumas vezes. E consequentemente infelicidade. E eu tenho toda certeza do mundo que a coisa mais importante pra ti é saber que teu filho é feliz. Então... converse com a mente aberta!
3 Quando teu filho começar a te perguntar sobre sexo, prazer e etc, não diz pra ele que é ruim. Assim como no tópico número 1, isto pode causar mais curiosidade. Fala a verdade, que é bom. Verdade melhor sempre mesmo que doa? Pois é. Diz que é bom, que só pode ser feito quando tiver  A PERMISSÃO DOS DOIS ENVOLVIDOS. Fala que precisa tomar alguns cuidados muito importantes, um deles  É O USO DO PRESERVATIVO. Para os meninos diga que: NÃO É SEMPRE NÃO. E para as meninas diga que QUALQUER TOQUE NÃO CONSENTIDO É ABUSO SIM E DEVE SER DENUNCIADO. Fala pra ele que os parceiros devem conversar sempre para se conhecerem e para saber sobre o que gostam. E QUE QUEM GOSTA RESPEITA O OUTRO SEMPRE TAMBÉM. Isto não é incentivo, tampouco consentimento para que os filhos façam sexo. É uma orientação para QUANDO (porque eles irão fazer sexo um dia) eles estiverem prontos para isso saibam que precisam se prevenir de gravidez, doenças sexualmente transmissíveis e abusos!
4 Converse com seus filhos sobre o toque, o beijo e a permissão. Crianças também se sentem culpadas quando sofrem abusos e acabam não falando por medo e vergonha. Além disso tem o fato de que os abusadores ameaçam a criança com a morte dos pais. Diga que se um toque não for agradável e causar desconforto deve falar com os pais. Fale que ninguém pode tocar suas partes íntimas. Aproveita pra mostrar o vídeo do lado, ele é muito bom pra ajudar as crianças a entenderem o que é toque bom e o que é toque ruim.Conversar sobre isso vai ajudar para que ela  se senta a vontade para conversar contigo sempre que tiver dúvidas. Porque a coisa funciona assim: se  a criança tem dúvida e pergunta pro pai e ele manda perguntar pra mãe e a mãe diz que ele é muito pequeno pra saber ele vai perguntar pro amigo mais velho e isso pode dar certo e o amigo ser o cara que sabe das coisas, mas pode dar errado e o amigo causar uma baita confusão na cabeça do teu filho.
5 Outro tema difícil são as DROGAS. Mas, como qualquer tema a conversa é o que ajudará teu filho fazer a melhor escolha. Aqui a verdade também é a melhor resposta. Dizer que é ruim não é um bom caminho, principalmente se por acaso tu fumar ou beber. Fala pra ele que existem vários tipos de drogas e que elas causam danos a saúde, dependendo do tipo mais rápido ou mais devagar. Fala que inicialmente elas causam uma sensação boa e que é atrás desta sensação que os usuários (nunca diga drogados) vão e acabam se viciando. Ninguém se vicia em qualquer coisa que seja se a coisa for ruim e ele não gostar. Então seja honesto! Mostre as consequências do vício. E não julgue aqueles que estão passando por este problema. Eu sempre falei sobre isto com a minha mãe e nunca tive vontade de experimentar das drogas ilícitas, mas tenho certeza que se tivesse experimentado poderia ter contado abertamente pra ela e não seria julgada. Proibir não é uma boa ideia!
6 Fale sobre os idosos. Devemos ensinar as crianças a respeitarem e a valorizarem os mais velhos. Oportunize que eles convivam com os avós. Tá certo que hoje em dia os avós participam ativamente da vida dos netos, muitos fazendo as vezes dos pais levando na escola, buscando e cuidando. Mas é importante falar sobre a necessidade das crianças ajudarem os avós, deixando claro que eles não são empregados deles.
7 Este assunto faz lembrar de outro tema a necessidade de nossos filhos saberem que não tem empregados. Que eles precisam cuidar das suas coisas, limpar o que sujam, manter seus pertences organizados. E caso tenha uma auxiliar que cuide da casa deve deixar claro  que esta profissional tem que ser respeitada. Não é porque tem alguém que organiza e limpa que el@ vai jogar as coisas, sujar e não se responsabilizar pela sua bagunça.
8 Converse sobre as coisas que seu filho gosta e sobre o que não gosta também. Isto vai demonstrar pra ele que estás interessado na opinião dele. Pergunte pelos amigos, pela escola, pelo que gosta de fazer no dia-a-dia. Deixe ele falar e preste atenção! Dedique toda a sua atenção a esta conversa, que pode ser no caminho da escola pra casa, pode ser antes de dormir, pode ser durante as refeições.
9 Falando em refeições... faça pelo menos uma, UMA DAS REFEIÇÕES com teu filho. O melhor seria que fossem todas, mas se não for possível, escolha uma delas e faça, como um ritual. Comam juntos, falem do tempo, do planejamento do dia, de como o cheiro do café é bom de manhã! Enfim, esteja presente em pelo menos uma refeição da criança.
10 Diga pro seu filho o quanto ele é amado e querido. Demonstre com gestos, auxilie nos temas da escola, jogue bola, brinque de quebra-cabeça, assista o filme ou a série favorita DELE, ande de bicicleta, faça piqueniques, ensine a cozinhar, convide ele e os amigos para fazerem trabalhos, festa do pijama e dormidão em sua casa. Dá trabalho, faz bagunça, mas são lembranças que nunca serão esquecidas. Caso teu filho seja adolescente deixe ele ir nas festinhas, no cinema ou shopping com os amigos. Leva e busca ele, claro, mas deixa ele ficar lá só com os amigos, aprendendo a se cuidar. Isso vai ajudá-lo a ter autonomia. E isso fará muita diferença quando ele precisar se virar sozinho. Sei disso porque fui um pouco protegida e tem algumas coisas com as quais não lido tão bem, por causa desta proteção.
Nenhuma das coisas que tô falando aqui é verdade absoluta. Mas são coisas que eu vivi na minha infância e adolescência e me fez muito bem. É experiência própria! Perceber que muitos jovens não tem nada disso na sua vida e estão adoecendo emocional e psicologicamente me causa enorme tristeza.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Violência contra mulher não é natural!

Desde que me conheço por gente sou contra a submissão da mulher ao homem. Sou feminista sim, precisamos do feminismo sim e para ser feminista não é preciso ser esteriótipo, basta ser mulher e pensar em todos os momentos de medo e tensão que passamos na rua ao lado de homens desconhecidos. Isto basta! O esteriótipo da feminista feia, peluda, que odeia homem é cruel! As mulheres que defendem mulheres que não conseguem se defender não podem ser tratadas assim. Do mesmo jeito que considerar uma mulher que gosta de se embelezar, usar maquiagem e moda de fútil, isto também é cruel. Ninguém é obrigada a ser feminista, aliás é por isto que o feminismo existe, para que nenhuma mulher seja obrigada a nada!
Quando eu era criança bem próximo de mim havia uma história de violência contra uma mulher que trabalhava para sustentar a casa, os filhos e um homem viciado em carteado, que não levava um grão de feijão pra casa e ainda perseguia a sua companheira, ameaçava e acusava de tudo que podia numa violência psicológica sem fim. Numa época em que ser mãe solteira era ser puta (e ainda existe quem pense assim hoje!) ela tentou manter a relação. Várias vezes saiu de casa com os filhos e umas trouxas de roupa e deixou pra trás casa, móveis e aquele que a fazia infeliz. Foram tantas vezes até que se deu conta de que já era considerada sem vergonha, mesmo estando naquele vai e volta com seu "legítimo" marido, mesmo que fosse com o pai dos seus filhos. Então decidiu que não precisava daquilo!
Seguiu em frente trabalhando muito! Criou os filhos com a força do seu braço e sempre teve olhares tortos por não ter se submetido calada a uma vida de violência dentro do lugar que deveria ser o mais seguro pra ela e seus filhos. Recriminavam por ela ter "deixado" o marido! Um homem que como sabemos nunca lhe respeitou e que depois da separação nunca procurou pelos filhos. Talvez no fim da vida né? Com o peso da idade, com a dor das doenças a consciência aponte a solidão e o porquê dela, então... pode ser que o arrependimento surja. Pode ser, não é certo! Afinal de contas quem pensa que é proprietário de uma mulher também crê que tudo que faz lhe é permitido da agressão verbal e psicológica a física. Ele pensa que tudo pode afinal é homem.
Eu vi isto na minha infância e nunca achei natural, nunca aceitei. Nunca consegui achar que ela que estava errada e que deveria mudar. Aliás, sempre achei que ela deveria mudar de casa, de marido, até que ela mudou! É uma mulher forte, que eu amo de todo coração!
Esta história poderia ter acabado mal, porque ele a ameaçava de morte! Sorte que nunca tentou!
Porque caso de assassinato de mulheres acontecem todo dia!
Há cinco anos atrás mais ou menos, quando meu pai foi fazer uma cirurgia e precisou ficar na UTI algum tempo estava internada uma moça que foi incendiada pelo ex-companheiro na esquina do hospital onde trabalhava. Num dos horários de visita os pais dela estavam lá e vocês não tem noção do sofrimento daquela gente humilde. A moça morreu! E a gente pensa que é sorte quanto sabe de algum caso de violência perto da gente que não termina assim.

Foi nesta época que  uma amiga muito amada me contou meio por alto as brigas que tinha com o companheiro. O detalhe é que ela estava com a filha pequena noutro estado e sem nenhum parente ou suporte por perto. Numa das conversas por messenger ou msn, nem lembro, perguntei se ele era violento. Ela jurou que não, mas eu não acreditei. Uns dias mais tarde ela me mandou uma mensagem para o celular pedindo que entrasse na sua conta da rede social e mudasse a senha, pois desconfiava que ele estava acessando suas conversas. Um tempo mais tarde ela me disse que ele a agrediu. Orientei que ela fizesse um boletim de ocorrência e ela argumentava que seria inútil pois ele era policial e na cidade pequena pouca gente daria importância ao que ela dizia. Alguns meses mais tarde ela descobriu que estava grávida e concomitantemente descobriu que ele tinha outra mulher e que também estava grávida. Com a outra ele ia ao médico e acompanhava, com minha amiga não. Quando minha amiga dizia que ia embora ele ameaçava tirar o filho deles, dizia que ela seria presa se tentasse levá-lo embora. Então ela saiu de casa. Depois de uma briga com agressões físicas. Ela estava GRÁVIDA e começou a perder líquido amniótico. O bebê nasceu com sequelas. E eu ia sabendo destas coisas e não podia fazer nada. Ela fez o B.O. e tal como previa ninguém se importou. Ela estava sozinha! Ela quase perdeu o filho! Ela teve que ir pra outra cidade com ele mais uma vez sozinha.
Ele seguiu sua rotina sem nenhuma alteração! Enquanto ela estava dilacerada com um filho no hospital e o outro longe dela.
Quando o bebê ficou bem ela voltou pra sua cidade natal, mas a violência não acabou pois ele colocava o filho mais velho contra ela dizendo que a culpa de estarem longe um do outro era da mãe. O caçula precisa de cuidados especiais, que muitas vezes não se consegue na rede básica, mas o pai se nega ajudar com valores extra pensão alimentícia. Ela se desdobra para ajudar e sustentar as crianças, por sorte agora não está mais sozinha, esta perto da família.
Estes são apenas dois, três dos casos de violência que conheço! E tu aí do outro lado se pensar um pouco, se observar amigas, tias, primas talvez perceba também. É por isso que precisamos do feminismo. Fico feliz se tu nunca sofreu assédio ou violência, fico feliz de coração, mas não quer dizer que assédio e violência não existam. E não é por falta de jogo de cintura que as denúncias estão aparecendo. É porque o feminismo está ajudando as mulheres a se darem conta, a perderem o medo e a entenderem que a culpa nunca é da vítima, que elas não estão sozinhas. Vocês tem todo direito de não serem feministas, o feminismo defenderá este direito. Mas por favor defendam as mulheres!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Perdi o medo de Emannuel

Levei muito tempo até ter coragem de pegar um dos livros  psicografados pelo Chico Xavier narrados pelo espírito Emmanuel. Confesso que tinha um pouco de medo da linguagem e do próprio né? Porque se ele davam umas alfinetadas no Chico, que diria pra mim? Medo da resposta! hahahaha Além disso sempre lembrava da história de que o médium doava ectoplasma para a materialização de alguns espíritos e entre eles estava o seu mentor e contam que quando ele aparecia o pessoal estremecia. Forma tantas histórias de que as pessoas tinham medo dele que me contagiei deste medo. Medo besta e bobo, porque o espírito Emmanuel é só luz e bondade. Ele é direto e reto, sem rodeios ou nhenhenhé! O que me agrada muito, não sou fã de nariz de cera!
Pensei que a linguagem dos seus livros fosse rebuscada e difícil, já que são lembranças de muito tempo atrás. Cheguei a pensar que fosse mais difícil que André Luiz. Mas fui surpreendida com um texto simples e poético!
Decidi que começaria pelo início, ou seja com o Livro "Há dois mil anos", mas ele não estava disponível na biblioteca. Fiquei olhando o que tinha e me deparei com "Paulo e Estevão", um romance espírita do qual muita gente já havia falado e sugerido a leitura. Teve quem tivesse tecido inúmeros elogios, então resolvi lê-lo. Fui lendo com certo receio e muita precaução. Tudo o que diziam do livro e do Emmanuel era a pura verdade.  Perdi o medo!! Óbvio que não tenho intenção de dar de cara com ele por aí né? Ainda não tô preparada! hahaha Tô anos luz de distância do Chico!

Mas vamos falar de "Paulo e Estevão"?
Eu sempre pensei, equivocadamente, que Paulo havia sido um dos 12 apóstolos. Daqueles que acompanharam Jesus na divulgação do Evangelho e no Calvário. Sim, ele foi o apóstolo mais atuante e exemplar divulgador da doutrina de amor de Jesus pelo mundo. Mas antes disso tivemos Jeziel, que adotou o nome de Estevão depois de anos de escravidão nas galeras. Acontece que ele já era um seguidor atuante da doutrina do Mestre, mesmo sem saber. Seguia seu coração e servia a todos, mesmo como escravo, com amor genuíno. Em recompensa por sua dedicação foi libertado e adotou o novo nome Estevão. Era um pregador inspirado pela espiritualidade! Sua doçura e bondade atraía as pessoas e despertou a ira do sinédrio na pessoa Saulo de Tarso, um doutor da lei de Moisés que não admitia uma doutrina superior a mosaica, ainda mais vinda de um carpinteiro que foi morto entre ladrões.
Estevão foi o primeiro mártir da doutrina do Cristo e Saulo o primeiro perseguidor. As qualidades  de Saulo como orador, estudioso da lei, creio no meu entender, que foram o que levou Jesus a buscá-lo na estrada de Damasco. A cegueira física foi o que fez com que Saulo se curasse da cegueira do fanatismo. Foi ela que lhe permitiu olhar para dentro de si mesmo, julgar-se e principalmente perdoar-se. Saulo foi exemplo vivo da humildade e de que podemos sim mudar e nos transformar, desde que queiramos verdadeiramente. Só depois de bastante tempo trabalhando o evangelho é que mudou seu nome. "É preciso enterrar o homem velho!" Paulo passou de perseguidor dos seguidores do Mestre a um divulgador atuante e exemplar da sua doutrina de amor.  Também foi muito perseguido por seus ex-companheiros de Sinédrio.
Foi Paulo também que criou o termo cristão, para designar aqueles que seguiam o evangelho do Cristo. Sua história nos traz conhecimento de um passado histórico que só ouvimos falar pela bíblia e pelo próprio evangelho. Nas aulas de história ouvimos falar de Pilatos, de Nero e outros, mas neste livro conseguimos nos sentir lá (o que certamente aconteceu!). Mostra como o poder e o fanatismo cega as pessoas a ponto de não enxergarem seus próprios irmãos, a virarem as costas pros próprios filhos.
Recomendo a leitura! Deixem o medo de lado e não se assustem com o tamanho do livro! Aproveitem as belas palavras, a narrativa poética e rica e os exemplos inspiradores. Já estou louca para ler os próximos! Ah! Não briguem por não ter dado mais detalhes, mas queria apenas aguçar a curiosidade de vocês! Leiam, tenho certeza de que irão gostar!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Sopa de pedra

Quando eu era criança ouvia falar da história de uma mulher muito pobre que fazia sopa de pedra para seus filhos. Era uma coisa que eu não entendia! Na verdade ainda hoje não entendo. Minha mãe conta as histórias da sua infância e como passou necessidade e não tiveram comida muitas vezes, como sobreviviam com dificuldades e apoiados no empreendedorismo do tio Toninho que fazia todo tipo de trabalho possível para levar alguma comida pra casa. Não é um tempo tão distante não década de 50 e 60, talvez um pedaço de 70, um período relativamente próximo de nós.
Considero um tempo bem próximo de mim. Porque quando eu nasci em 1977 ainda estávamos sob a ditadura militar e tinha ainda muita pobreza. Aliás, hoje ainda existe muita pobreza. A mãe costumava dizer (e diz ainda) que a gente não sabe o que é passar trabalho ou fome. Graças a Deus e ao trabalho dela e do pai não sabemos. Isso quer dizer que o tempo de criança dela foi muito mais difícil que o meu. Praticamente não haviam casas na redondeza por onde ela morava e as pessoas não tinham a quem pedir ajuda, porque estava todo mundo no mesmo barco.
Sempre fui pobre, mas sou uma privilegiada! Era nesta época de colégio, que eu não tinha nenhuma vontade de comer que a mãe contava (com o intuito de me fazer comer) que tinha uma mulher que alimentava os filhos com sopa de pedra. E eu pensava, mas como que as pessoas comem pedra????? Que coisa horrível deve ser!
O tempo foi passando e pude perceber que muita coisa mudou. O bairro onde eu morava já não é mais tão despovoado, nos lugares onde era apenas campos agora estão cheios de casas. A população cresceu e vários auxílios ajudaram as pessoas a terem suas próprias casas. Mas ainda assim tem gente que passa fome, mesmo com bolsa família, mesmo com pastoral da criança, mesmo com sopão de rua. Porque é muita gente no nosso país, gente que trabalha e ainda assim não tem como botar comida em casa, ainda assim passa perrengue porque tem que pagar transporte caro e de baixíssima qualidade, tem que pagar água, luz, alguns tem que pagar aluguel e por aí vai. E mesmo tendo gente um pouco melhor na vida, ainda tem gente que precisa apelar pra sopa de pedra ou papelão. É, não faz muito tempo vi uma reportagem em que uma senhorinha (não lembro em que lugar) se alimentava e aos filhos com sopa de papelão! Eu, que sempre tive comida em casa não consigo saber o que é pior neste cardápio sopa de pedra ou de papelão.
Enquanto estas pessoas estão tendo que optar por esta fonte de alimento os políticos estão desviando verbas públicas, as pessoas que deveriam fiscalizar os alimentos estão aceitando propina e deixando carne podre ir pras prateleiras dos mercados, os agrotóxicos poluir os rios, além dos alimentos e por aí vai. Ainda por cima temos que ver os intelectualoides dizendo que tudo que acontece no país é culpa do povo que não sabe votar! Do povo que tá, ainda, na miséria!
Agora a "carne fraca" tá mostrando os horrores que são os bastidores da indústria da carne, mas isto é só pra tirar o foco da reforma da previdência, que é o que vai destruir a vida das pessoas, muito mais do que a carne podre do açougue fedorento!