sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sobre o amor

Ultimamente vejo muita gente pedindo mais amor, coisa que um barbudão há milênios atrás dizia que era o único mandamento, amarmos uns aos outros. Mas tem quem pense que amor é coisa de outro mundo, que amor de verdade só de mãe, aliás, em alguns presídios os caras tatuam isto na pele tamanha dureza daqueles lugares e mostrando que "os brutos também amam", pelo menos suas mães. E realmente o amor materno é algo que representa o amor de verdade. Há exceções, claro, tem quem não tenha vindo a este mundo preparada para ser mãe, ok! Mas aquelas mulheres que se dispõe a serem mães tem dentro delas a semente do amor, daquele que parece ser ideal e utópico de respeitar o outro apesar de todos os defeitos e diferenças, daquele faz com que se abra mão de determinadas coisas para a felicidade do ser amado.
É amor de mãe que te faz crescer, que te aponta os caminhos e te guia para que sigas tuas próprias escolhas com liberdade apesar de o coração estar apertado. O Amor, do qual falou o barbudão JC é assim. Amar é admitir que não tem condições de criar um filho e dar para adoção. É trabalhar de sol a sol e mesmo cansada ter tempo de revisar os temas, dar bronca, dizer não e mandar tomar banho e escovar os dentes. É dar tarefas e ensinar sobre responsabilidade.

A primeira vez que assisti "Minha vida por meus filhos", um filme antigo que deu inúmeras vezes na sessão da tarde chorei que deu gosto. Aliás, choro sempre e tanto que quando o filme tem momentos tocantes meus sobrinhos e meu namorado ficam olhando pra mim pra ver as lágrimas começarem a rolar. E se espantam quando eu não choro! Este filme é lindíssimo e conta a história de uma mulher que depois de dar a luz seu décimo filho descobre um tumor em estágio avançado. Com esta descoberta sua primeira atitude é buscar famílias que queiram adotar seus filhos e mantê-los em contato. Só de lembrar já me dá vontade de chorar! Gente, quando que fragilizados por uma doença terminal nós deixaríamos o egoísmo de lado para cuidar do bem estar e do futuro daqueles que ficariam? Ela conversa com os possíveis pais adotivos e conforme vai encontrando as novas famílias as despedidas vão acontecendo. Como nos casos de adoção ainda hoje, os menores são os primeiros a serem desejados, mas aos poucos todos são acolhidos por novos lares.
E a maior lição do filme é que para amar de verdade é preciso querer e superar o egoísmo e a vaidade.
No filme "Lado a lado", Susan Sarandon interpreta uma mãe, paciente terminal de câncer, que busca um bom entendimento com a futura esposa do ex-marido, pensando no bem estar dos filhos após sua morte. Mas não seria muito melhor que as pessoas tivessem esta consciência mesmo sem estarem doentes? Se por qualquer motivo tua relação com o pai dos teus filhos não deu certo, que pudessem ter uma convivência tranquila pelo bem das crianças. Mas é difícil, porque o egoísmo, a mágoa, o rancor muitas vezes se coloca na frente do bem estar dos próprios filhos, que são usados para machucar o outro, para punir.
Os filhos não são armas, não são um bem de um ou de outro. Filhos são a comprovação de que, ainda que agora tu não tenhas mais "aquele amor", um dia ele existiu e está cristalizado na forma de um filho. E a mágoa, a raiva, o rancor não podem ser maiores que o amor pelo seu filho.
Vai ter quem diga que eu não tenho filho, por isto que falo assim. Mas espero sinceramente que eu pense assim quando/se tiver filhos e pense no bem do outro sempre que eu amar alguém. Porque eu já compreendi que no amor não cabe preconceito, egoísmo, ressentimento, mas mesmo que ainda existam estes sentimentos na tua forma de amor, não deixe de amar, pois o exercício do amor nos faz melhores amantes ou seria amadores, ou quem sabe amorosos?
Tem até umas piadinhas dizendo "aquilo que te dá frio na barriga é montanha russa o amor é outra coisa", por exemplo. E realmente o amor é outra coisa.  É  uma coisa muito boa e que vale a pena sempre, leve o tempo que levar.

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