No estudo da Doutrina Espírita, noutro dia lemos um poema chamado "Simplifica..." do espírito Casimiro Cunha, pelo nosso amado Chico Xavier. Em aula a gente costuma brincar uns com os outros quando alguma pergunta mais casca grossa nos atormenta e sempre tem alguém para lembrar... "simplifica, simplifica". a gente tem o dom de complicar mesmo, talvez a ânsia ou o medo sejam os causadores desta torrente de sentimentos. Basta ver que quando o problema e de outro facilmente resolvemos, opinamos, palpitamos e simplificamos. Ao passo que quando a coisa é com a gente ficamos naquele mimimi danado, naquele "ai como sofro!", "Ai de mim". Não existe receita pronta, cada um tem sua caminhada e seu jeito de caminhar. Mesmo próximos, amanda e querendo ajudar não podemos percorrer a estrada de outro. E nem fugir da nossa!
Porque dei de escrever tais coisas nesta segunda feira cinza? Porque me entristece ver pessoas que se gostam se afastando por coisas pequenas e sem importância. Pedir perdão não te faz um fraco, assim como arrumar brigas intermináveis não te faz um forte. Mas uma coisa devo dizer, arrumar brigas faz com que os outros te achem intolerante. Eu demorei muito tempo para me sentir a vontade em dizer as pessoas de quem gosto que as amo, mas sempre soube que amar é um pacote fechado. A gente não pode escolher o que gosta para amar numa pessoa e deixar o que nos desagrada de fora. Do mesmo jeito que não damos só o melhor de nós a quem nos ama. Muitas vezes damos muito da pior parte da gente e neste momento sabemos que aquela pessoa realmente nos ama, que ela realmente é nosso amigo. Neste pacote fechado de bolachas sortidas tem de tudo! Tem as rosquinhas cobertas de glacê, tem as bolachas maria, tem amanteigados, tem bolachas ao leite e tem até bolachinha recheada (tinha umas sortidas da Isabela que eram uma delícia) e não dá pra chegar no super abrir o pacote e pegar só a que gostamos mais. A gente precisa levar o pacote todo pra casa, mesmo que não vá comer as marias.
Com as pessoas também é assim. Elas tem qualidades (bolachinha recheada) e tem defeitos (talvez a maria, pra alguns, eu gosto). Elas tem gostos diferentes da gente (graças a Deus!) e pensamentos diferentes também (aleluia!). Imagina todo o mundo igual a mim??? Que sou um doce! hahahaha Estaríamos todos enjoados de taaanto açúcar! Ou de cara amarrada porque eu bem posso ser azeda que nem jiló (dizem né, não sei não conheço eu só ouço falar)! E eu gosto que as pessoas gostem de mim, inteira (até porque sou pequenininha, se tirar alguma coisa sobra bem pouco pra amar!). E eu bem sei que é difícil! Mas vale a pena, porque eu aprendi a simplificar (um pouco, ainda não vou pro céu) e se tu me gostar inteira faço um esforção para dar só o meu melhor. É claro que se houver implicância meu pior fica mais evidente. E passei a adotar isto pros meus gostares, pra'queles que eu amo.
Respeito o gosto, as ideias (ainda que discorde), as diferenças, porque meu gosto é meio estrambólico, mas é meu e neste ponto é bem difícil que eu vá mudar. Sim, por exemplo, eu gosto de amarelão, rosão, roxão, verdão, azulão, quanto mais colorido e ão, melhor. Poderia optar pela discrição, mas daí só em ocasiões especiais. haha
Nesta fase de simplificar ficou mais evidente pra mim que cada um tem seu tempo de despertar, de amadurecer e de aprender a amar. É uma pena que algumas vezes se peguem apenas nas coisas ruins e aquilo que não foi legal faz com que esqueçam o tudo que aconteceu de bom, amarrem a tromba e fiquem criando clima. Vamos simplificar a gente também, nada tem que ser que nem comédia romântica, a vida é a vida e só acontece uma vez (em cada encarnação, mas depois dessa, sabe lá quando vamos conseguir outra chance?)
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
""Cartas de amor aos mortos" - Ava Dellaira
Estou apaixonada por este estilo de escrita escolhido pela autora Ava Dellaira para contar a estória de Laurel. É uma leitura instigante que
prende demais a nossa atenção. Ava não escolheu uma narração pessoal e direta, tampouco um narrador fora da história para dizer como a vida de Laurel ocorreu naquele momento em que perdeu a irmã e começou o ensino médio. É verdade que quem conta a história é a própria personagem, mas em forma de cartas ricas em detalhes para seus ídolos, ou ídolos de sua irmã, pais, tia e amigos.
Eu que sou do tempo (olha a velhinha falando!haha) em que escrevíamos cartas para amigos distantes, para revistas e até fazíamos cursos por correspondência a leitura é agradabilíssima. Numa época em que as mensagens se resumem de forma absurda (pra mim, pelo menos) sendo trocadas por email, watsap ou sms, com emotions ou palavras abreviadas ler uma longa carta, com detalhes e tantos sentimentos é como voltar um pouco no tempo.
É muito gostoso ver o interesse da adolescente em saber a história daquelas pessoas pra quem ela escreve, para que ela saiba também como eles se sentiam neste mundo. É interessante a forma como ela coloca a importância daqueles ídolos pra ela e para aqueles a quem ama, principalmente para a irmã morta.
Recém comecei a leitura, foram algumas cartas e cerca de 70 páginas de história. De uma estória muito boa! Recomendo a leitura e depois de ler faço um resumo (coisa dificílima pra mim).
prende demais a nossa atenção. Ava não escolheu uma narração pessoal e direta, tampouco um narrador fora da história para dizer como a vida de Laurel ocorreu naquele momento em que perdeu a irmã e começou o ensino médio. É verdade que quem conta a história é a própria personagem, mas em forma de cartas ricas em detalhes para seus ídolos, ou ídolos de sua irmã, pais, tia e amigos.
Eu que sou do tempo (olha a velhinha falando!haha) em que escrevíamos cartas para amigos distantes, para revistas e até fazíamos cursos por correspondência a leitura é agradabilíssima. Numa época em que as mensagens se resumem de forma absurda (pra mim, pelo menos) sendo trocadas por email, watsap ou sms, com emotions ou palavras abreviadas ler uma longa carta, com detalhes e tantos sentimentos é como voltar um pouco no tempo.
É muito gostoso ver o interesse da adolescente em saber a história daquelas pessoas pra quem ela escreve, para que ela saiba também como eles se sentiam neste mundo. É interessante a forma como ela coloca a importância daqueles ídolos pra ela e para aqueles a quem ama, principalmente para a irmã morta.
Recém comecei a leitura, foram algumas cartas e cerca de 70 páginas de história. De uma estória muito boa! Recomendo a leitura e depois de ler faço um resumo (coisa dificílima pra mim).
terça-feira, 12 de agosto de 2014
"O dia em que o papa foi a Melo"
"O dia em que o papa foi a Melo" bem podia ser uma lembrança minha, se é que seria possível que eu lembrasse daquele dia longínquo lá em 1988. Mas minhas palavras jamais seria tão encantadoras quanto as de Aldyr Garcia Schlee que nos conta várias estórias com detalhes interessantíssimos e que lembram as velhas histórias das noites de encontros em família e causos que os antigos costumam contar.
A leitura me fez lembrar de mim diante da televisão, sem reconhecer aquele velhinho com uma toquinha bem pequena na cabeça abanando para as pessoas de baixo de um guarda chuva preto. Lembrei da minha mãe comentando comigo, olha lá tá chovendo. E eu instintivamente olho para rua e reparo que no pátio da nossa casa não está chovendo. Tem também as pessoas cantando "a benção João de Deus"... Eu só me lembro disso, mas já devia ter onze anos por esta época. Mas também, é natural que a gente lembre mesmo só aquilo que nos marcou. Eu nunca fui católica, sempre me esquivei da igreja e coisas que o valha, não seria natural que lembrasse da visita do Papa.
Então eu ganhei o meu amigo Vaz o livro do Schlee,que conta justamente isto e me pego tendo memórias da tal visita, que bem pode ser coisa da minha imaginação. E livro bom é assim nos transporta pra outra dimensão, nos faz viajar centenas de quilômetros pra um lugar onde nunca estivemos, mas que se um dia formos saberemos nos localizar.
Óbvio que como contestadora meu conto favorito é o CONTO VI. As perguntas, a farofada, o problema no chevrolet tigre e os bêbados tudo faz com que me sinta próxima daquela viagem. É o tipo de causo que qualquer tio poderia ter vivido e agora estar contando dando barrigadas de tanto se rir da viagem que não deu certo, ou melhor, que deu até parte do caminho.
O CONTO VII também me agradou e muito, apesar da tristeza. Confesso que segui a sugestão de "cantarolar tristemente, no final,o título deste conto, se quiser chamá-lo de UN DON DIN".
"O ESPELHO PARTIDO" não pode ser deixado a parte. É um conta muito singelo. Gostei muitíssimo! O avô completando 98 anos, o espelho que se parte, toda a gente pra comemorar o aniversário e ver o papa, os rosários, a pétalas, as memórias misturadas de vô e neto.
Adorei a linguagem,senti-me o tempo todo como a escutar o Schlee falando com seu jeito sereno aquelas histórias e vez por outra sorrindo do que lembrava e dando detalhes e falando de fulano e sicrano e de como aconteceram aquelas coisas todas n'O dia em que o papa foi a Melo.
A leitura me fez lembrar de mim diante da televisão, sem reconhecer aquele velhinho com uma toquinha bem pequena na cabeça abanando para as pessoas de baixo de um guarda chuva preto. Lembrei da minha mãe comentando comigo, olha lá tá chovendo. E eu instintivamente olho para rua e reparo que no pátio da nossa casa não está chovendo. Tem também as pessoas cantando "a benção João de Deus"... Eu só me lembro disso, mas já devia ter onze anos por esta época. Mas também, é natural que a gente lembre mesmo só aquilo que nos marcou. Eu nunca fui católica, sempre me esquivei da igreja e coisas que o valha, não seria natural que lembrasse da visita do Papa.
Então eu ganhei o meu amigo Vaz o livro do Schlee,que conta justamente isto e me pego tendo memórias da tal visita, que bem pode ser coisa da minha imaginação. E livro bom é assim nos transporta pra outra dimensão, nos faz viajar centenas de quilômetros pra um lugar onde nunca estivemos, mas que se um dia formos saberemos nos localizar.
Óbvio que como contestadora meu conto favorito é o CONTO VI. As perguntas, a farofada, o problema no chevrolet tigre e os bêbados tudo faz com que me sinta próxima daquela viagem. É o tipo de causo que qualquer tio poderia ter vivido e agora estar contando dando barrigadas de tanto se rir da viagem que não deu certo, ou melhor, que deu até parte do caminho.
O CONTO VII também me agradou e muito, apesar da tristeza. Confesso que segui a sugestão de "cantarolar tristemente, no final,o título deste conto, se quiser chamá-lo de UN DON DIN".
"O ESPELHO PARTIDO" não pode ser deixado a parte. É um conta muito singelo. Gostei muitíssimo! O avô completando 98 anos, o espelho que se parte, toda a gente pra comemorar o aniversário e ver o papa, os rosários, a pétalas, as memórias misturadas de vô e neto.
Adorei a linguagem,senti-me o tempo todo como a escutar o Schlee falando com seu jeito sereno aquelas histórias e vez por outra sorrindo do que lembrava e dando detalhes e falando de fulano e sicrano e de como aconteceram aquelas coisas todas n'O dia em que o papa foi a Melo.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
"Ser mãe é padecer no paraíso"
Esta expressão sempre me pareceu completamente oposta, uma coisa tipo aquela lei da física que diz que "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço". Então pra mim padecer e paraíso parece muito contraditório para estar na mesma frase, e mais ainda, contraditório demais para fazer sentido.
Claro que estou falando como uma filha que é só filha. Que talvez nunca venha ser mãe. E que pensa muito noutro dito que diz "que só aprendemos a ser filhos depois de sermos pais", portanto, talvez, nunca venha a saber como deveria ter sido/agido/comportado para ser uma boa filha pra minha mãe.
Não passei por esta fase do aprendizado e ficarei em dívida com meus pais neste ponto. Sempre tentei ser boa filha, mas creio ter falhado por inúmeras vezes, não entendendo o quão preocupados e responsáveis eram por mim, o quanto queriam o meu bem e o melhor e o mais importante, quantos sacrifícios tiveram de fazer, quantas coisas deixaram de ter/querer/comprar para suprir minhas necessidades.
Este texto é pra minha mãe, pro meu pai, para meus avós e meus tios, para todos aqueles pais e mães que sofreram ou sofrem a ingratidão dos filhos, a incompreensão. Só agora, só neste momento me é possível compreender a máxima posta como título, "ser mãe é padecer no paraíso". Só uma verdadeira mãe consegue amar incondicionalmente e fazer de uma ingratidão algo não nocivo pra si. Óbvio que se abala, que sofre e se magoa, mas consegue transformar e compreender aquilo sem que lhe faça mal e principalmente sem que altere um milimetro se quer seu sentimento maternal pelo filho ingrato. Aliás, como disse (parentese literal para dizer que foi uma das poucas coisas coerente na novela Em família) a personagem Selma "meu filho foi ingrato, como são todos os filhos!". Somos ingratos!
Um dia destes na parada do ônibus duas mães conversavam sobre seus filhos, os trabalhos deles e das coisas que precisavam fazer pra eles mesmo já estando adultos e como quando elas os procuravam pelo celular muitas vezes eram destratadas ou mal tratadas por perguntarem onde estavam, o que faziam, que horas vinham. E que quando o contrario acontecia (dos filhos ligarem) brigavam por a mãe não atender o telefone ou estar fazendo outra coisa e não ter visto.
Numa outra "viagem" de ônibus duas senhoras mais velhas também falavam sobre os filhos. E uma aconselhou a outra a cuidar de si e deixar o filho que se virasse, pois ela já estava "velha" e tudo que podia fazer tinha feito. Mas a outra desculpava o filho que trabalhava muito e a nora, então ela pegava a neta na escola e cuidava de muitas coisas da casa para que eles tivessem algum descanso. Aqui cabe outra expressão popular "mãe só muda de endereço"! Sim, a mesma que aconselhava a deixar o filho de mão muito provavelmente não faria o que diz, porque preocupava-se, porque não quer que o filho ou a filha sacrifique-se já que ela pode ajudar. E neste "pode ajudar" muitas vezes sobrecarrega-se de coisas.
Somos ingratos sim porque muitas vezes queremos voar sem ao menos conseguirmos caminhar com nossas próprias pernas e muitas vezes culpamos nossos pais por isso, ou porque não nos deixaram fazer, ou porque nos cobraram, ou porque nos alertaram do perigo de saltar sem paraquedas. Somos ingratos porque conseguimos brigar, ser rudes e impacientes com as pessoas que mais nos amam, que dariam suas próprias vidas por nós. E não contentes muitos de nós dizemos que eles não fazem mais que sua obrigação porque nós não escolhemos nascer. Como espírita que sou descordo totalmente disso, sei que escolhi bem, escolhi os pais, os irmãos, os companheiros de jornada, a casa, o bairro, a cidade e toda a situação em que me encontro. Creio que tudo faz parte do nosso aprendizado e que o que nos incomoda podemos trabalhar para mudar. Mas isto implica atitude, para isto temos de sair da zona de conforto, da posição de vítima para atuarmos, agirmos e, então, mudarmos.
Como não sou mãe, torna-se fácil para mim dizer que as mães e os pais precisam pensar mais neles mesmos, pensar neles primeiro. Mas é voz corrente, e a sociedade mete o dedo na cara de quem vai contra isto, que depois que se tem filhos homens e mulheres deixam de ser indivíduos com vida própria e passam a viver só para os filhos, pensando primeiro nos filhos e em função dos filhos. Isto é cobrado principalmente das mães e, aliás, com muito mais rigidez.
Aproveito para desculpar-me com minha mãe, mais uma vez, aliás ela tem várias cartas minhas pedindo desculpas por coisas muito bobas, mas que martelaram sem fim na minha cabecinha adolescente. É provável mãe que eu nunca venha a aprender a ser a filha que tu e o pai mereciam ter. Mas fica sabendo que tu és o meu modelo de filha, tu és a filha que eu quero me tornar, pois tu não mede esforços para cuidar da vó, aliás, não mediu para cuidar do vô e da vó Cela também. Aliás tu não mede esforços para auxiliar quem quer que seja e não importa a situação. Tu és também o meu modelo de ser humano. Tomara que um dia eu seja um pouquinho do que tu me ensinou, do que tu é. Obrigada mãe!
PS.: Este texto, como disse, vai para todas as mães e pais, principalmente pra mães que eu tenho o prazer de conhecer nesta caminhada e que sei, que numa ou noutra situação deve se identificar. Entre elas: minhas tias Ieda, Semita, Rosa, Marli, Margarida, Geni, Fidelcina, Deca, Daima, minhas avós Amália e Cela, minha irmã Mana, minhas primas, muitas amigas, minha sogra Ana.
Claro que estou falando como uma filha que é só filha. Que talvez nunca venha ser mãe. E que pensa muito noutro dito que diz "que só aprendemos a ser filhos depois de sermos pais", portanto, talvez, nunca venha a saber como deveria ter sido/agido/comportado para ser uma boa filha pra minha mãe.
Não passei por esta fase do aprendizado e ficarei em dívida com meus pais neste ponto. Sempre tentei ser boa filha, mas creio ter falhado por inúmeras vezes, não entendendo o quão preocupados e responsáveis eram por mim, o quanto queriam o meu bem e o melhor e o mais importante, quantos sacrifícios tiveram de fazer, quantas coisas deixaram de ter/querer/comprar para suprir minhas necessidades.
Este texto é pra minha mãe, pro meu pai, para meus avós e meus tios, para todos aqueles pais e mães que sofreram ou sofrem a ingratidão dos filhos, a incompreensão. Só agora, só neste momento me é possível compreender a máxima posta como título, "ser mãe é padecer no paraíso". Só uma verdadeira mãe consegue amar incondicionalmente e fazer de uma ingratidão algo não nocivo pra si. Óbvio que se abala, que sofre e se magoa, mas consegue transformar e compreender aquilo sem que lhe faça mal e principalmente sem que altere um milimetro se quer seu sentimento maternal pelo filho ingrato. Aliás, como disse (parentese literal para dizer que foi uma das poucas coisas coerente na novela Em família) a personagem Selma "meu filho foi ingrato, como são todos os filhos!". Somos ingratos!
Um dia destes na parada do ônibus duas mães conversavam sobre seus filhos, os trabalhos deles e das coisas que precisavam fazer pra eles mesmo já estando adultos e como quando elas os procuravam pelo celular muitas vezes eram destratadas ou mal tratadas por perguntarem onde estavam, o que faziam, que horas vinham. E que quando o contrario acontecia (dos filhos ligarem) brigavam por a mãe não atender o telefone ou estar fazendo outra coisa e não ter visto.
Numa outra "viagem" de ônibus duas senhoras mais velhas também falavam sobre os filhos. E uma aconselhou a outra a cuidar de si e deixar o filho que se virasse, pois ela já estava "velha" e tudo que podia fazer tinha feito. Mas a outra desculpava o filho que trabalhava muito e a nora, então ela pegava a neta na escola e cuidava de muitas coisas da casa para que eles tivessem algum descanso. Aqui cabe outra expressão popular "mãe só muda de endereço"! Sim, a mesma que aconselhava a deixar o filho de mão muito provavelmente não faria o que diz, porque preocupava-se, porque não quer que o filho ou a filha sacrifique-se já que ela pode ajudar. E neste "pode ajudar" muitas vezes sobrecarrega-se de coisas.
Somos ingratos sim porque muitas vezes queremos voar sem ao menos conseguirmos caminhar com nossas próprias pernas e muitas vezes culpamos nossos pais por isso, ou porque não nos deixaram fazer, ou porque nos cobraram, ou porque nos alertaram do perigo de saltar sem paraquedas. Somos ingratos porque conseguimos brigar, ser rudes e impacientes com as pessoas que mais nos amam, que dariam suas próprias vidas por nós. E não contentes muitos de nós dizemos que eles não fazem mais que sua obrigação porque nós não escolhemos nascer. Como espírita que sou descordo totalmente disso, sei que escolhi bem, escolhi os pais, os irmãos, os companheiros de jornada, a casa, o bairro, a cidade e toda a situação em que me encontro. Creio que tudo faz parte do nosso aprendizado e que o que nos incomoda podemos trabalhar para mudar. Mas isto implica atitude, para isto temos de sair da zona de conforto, da posição de vítima para atuarmos, agirmos e, então, mudarmos.
Como não sou mãe, torna-se fácil para mim dizer que as mães e os pais precisam pensar mais neles mesmos, pensar neles primeiro. Mas é voz corrente, e a sociedade mete o dedo na cara de quem vai contra isto, que depois que se tem filhos homens e mulheres deixam de ser indivíduos com vida própria e passam a viver só para os filhos, pensando primeiro nos filhos e em função dos filhos. Isto é cobrado principalmente das mães e, aliás, com muito mais rigidez.
Aproveito para desculpar-me com minha mãe, mais uma vez, aliás ela tem várias cartas minhas pedindo desculpas por coisas muito bobas, mas que martelaram sem fim na minha cabecinha adolescente. É provável mãe que eu nunca venha a aprender a ser a filha que tu e o pai mereciam ter. Mas fica sabendo que tu és o meu modelo de filha, tu és a filha que eu quero me tornar, pois tu não mede esforços para cuidar da vó, aliás, não mediu para cuidar do vô e da vó Cela também. Aliás tu não mede esforços para auxiliar quem quer que seja e não importa a situação. Tu és também o meu modelo de ser humano. Tomara que um dia eu seja um pouquinho do que tu me ensinou, do que tu é. Obrigada mãe!
PS.: Este texto, como disse, vai para todas as mães e pais, principalmente pra mães que eu tenho o prazer de conhecer nesta caminhada e que sei, que numa ou noutra situação deve se identificar. Entre elas: minhas tias Ieda, Semita, Rosa, Marli, Margarida, Geni, Fidelcina, Deca, Daima, minhas avós Amália e Cela, minha irmã Mana, minhas primas, muitas amigas, minha sogra Ana.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
"Sentimento de incoerência"
Pois é as previsões astrológicas dizem que sol e lua em posições opostas no meu mapa astral podem dar uma sensação de incoerência, algo tipo "dizer uma coisa e fazer outra". Sempre tenho muito cuidado com isto, porque tenho a intenção (e o compromisso íntimo) de adequar e afinar o discurso a prática de forma a chegar aquela máxima do Paulo Freire de "um dia minha fala ser a minha prática". Mas realmente não é lá missão tão barbadinha assim! O sentimento de incoerência aparece mesmo algumas vezes e a cabeça e o coração não chegam a um acordo para que se possa expressar em palavras o que se esta pensando. Até, porque nem eu mesma tô a par do que tá rolando.
Não costumo planejar as coisas, já devo ter falado sobre isto por aqui. Não planejei fazer jornalismo, não planejei trabalhar num escritório de contabilidade, não planejei ir morar noutras cidades, nem planejei voltar, nem planejei ir morar sozinha. As vezes que tentei planejar coisas simples como ir ao cinema, por exemplo, alguma situação exterior fez com que o planejamento fosse por água abaixo. O que me faz pensar que o melhor é deixar as coisas acontecerem e programar-se a curtíssimo prazo. Afinal como virginiana não conseguiria não ter o mínimo de organização no não-planejamento.
Ontem foi um dia que o plano A era ir ao cinema. Mas como diz minha amiga Jacque precisamos sempre ter o plano B! E o plano B foi fazer uma atividade que nunca havia feito antes, ou tinha feito apenas uma vez, meditar. Tal como a Elizabeth Gilbert, autora de "Comer, rezar, amar" não sou nada boa nisto! É dizer pra esvaziar a mente e todos os pensamentos fanfarrões invadem minha cabeça fazendo aquela festa! O bom é que ontem não foi uma meditação propriamente dita, mas uma espécie de palestra. E cada coisa que o Mestre disse me caiu como uma luva, comprovando minha teoria que só acontece o que deve acontecer e se os rumos mudaram no meio do caminho é porque era este o rumo a tomar. Achei o tema tratado tão pertinente a mim que até uma fala dele sobre "sentir-se em casa" era semelhante a minha sensação de sentir-me em casa. Renovação, educação emocional, maturidade, autoconhecimento... isto me fez lembrar o "meu" mantra dos últimos anos "tudo tem seu tempo"! E lembrei obviamente da minha companheira de mantra e filosofias Camila, que tenho certeza gostaria muito de ter escutado o Mestre ontem.
As previsões dos astros seguem falando de certa instabilidade devida a entrada da lua cheia. Não é a toa que o nome deste blog é Luna em fases, né? Nisto não há incoerência.
Ah! Peço desculpas se o texto estiver confuso, pode ter acontecido por causa do "sentimento de incoerência"! =D
Não costumo planejar as coisas, já devo ter falado sobre isto por aqui. Não planejei fazer jornalismo, não planejei trabalhar num escritório de contabilidade, não planejei ir morar noutras cidades, nem planejei voltar, nem planejei ir morar sozinha. As vezes que tentei planejar coisas simples como ir ao cinema, por exemplo, alguma situação exterior fez com que o planejamento fosse por água abaixo. O que me faz pensar que o melhor é deixar as coisas acontecerem e programar-se a curtíssimo prazo. Afinal como virginiana não conseguiria não ter o mínimo de organização no não-planejamento.
Ontem foi um dia que o plano A era ir ao cinema. Mas como diz minha amiga Jacque precisamos sempre ter o plano B! E o plano B foi fazer uma atividade que nunca havia feito antes, ou tinha feito apenas uma vez, meditar. Tal como a Elizabeth Gilbert, autora de "Comer, rezar, amar" não sou nada boa nisto! É dizer pra esvaziar a mente e todos os pensamentos fanfarrões invadem minha cabeça fazendo aquela festa! O bom é que ontem não foi uma meditação propriamente dita, mas uma espécie de palestra. E cada coisa que o Mestre disse me caiu como uma luva, comprovando minha teoria que só acontece o que deve acontecer e se os rumos mudaram no meio do caminho é porque era este o rumo a tomar. Achei o tema tratado tão pertinente a mim que até uma fala dele sobre "sentir-se em casa" era semelhante a minha sensação de sentir-me em casa. Renovação, educação emocional, maturidade, autoconhecimento... isto me fez lembrar o "meu" mantra dos últimos anos "tudo tem seu tempo"! E lembrei obviamente da minha companheira de mantra e filosofias Camila, que tenho certeza gostaria muito de ter escutado o Mestre ontem.As previsões dos astros seguem falando de certa instabilidade devida a entrada da lua cheia. Não é a toa que o nome deste blog é Luna em fases, né? Nisto não há incoerência.
Ah! Peço desculpas se o texto estiver confuso, pode ter acontecido por causa do "sentimento de incoerência"! =D
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Tempo
Tenho tantas histórias e estórias pra colocar aqui e o tempo passa tão rápido! Tem períodos que meu tempo pra escrever é enorme e consigo postar textos gigantes (pessoa prolixa!) quase todo o dia e em outros períodos não consigo alcançar a meta de um texto por semana. Lá no Imprensa Nanica não vou há meses! Mas são tantas coisas acontecendo na política, na sociedade, no mundo que tem dias que me sinto sufocada, atropelada. E neste atropelo não consigo formular uma ideia a respeito das coisas apenas lamento.
Também tem uma coisa quando eu resolvi mudar, digo tentar mudar, optei por não usar certas palavras, não propagar as coisas de que não gosto. Não me tornei alienada não. Assisto jornal, mas às vezes não consigo ler os jornais locais, leio notícias na internet, ou seja sigo me informando. Mas como eu escutei uma vez da amiga Zeneida deixo "entrar por um ouvido e sair por outro" (ela não disse com estas palavras). Prefiro não ficar falando do que não deu certo e do que tá ruim. Não vivo felizinha, embora ande pela rua com um sorriso bobo, alvo de deboche d'algumas amigas. Sei que temos muito o que mudar e melhorar, mas realmente me conscientizei que falar incansavelmente sobre um problema não o torna melhor ou soluciona.
Confesso que é beeeem difícil pra mim. Falando parece fácil, barbadinha como dizia o Igor, mas não é não. Mas uma coisa posso dizer sem medo, a vida fica mais leve quando largamos toda esta carga negativa. Quando paramos de ajuntar pensamentos e sentimentos negativos, preocupações e angústias. Conseguimos viver pequenos momentos de prazer e satisfação e, até é possível, andar com um sorriso no canto da boca contagiando outras pessoas.
Por isto, ao invés de reclamar da falta do tempo... com o qual eu fiz as pazes porque "tudo tem seu tempo certo de acontecer" e este é um mantra que devo estar usando há pelo menos uns quatro anos... vou falar das coisas legais que acontecem quando o tempo tá curto.
É quando o tempo é curto a gente aproveita, valoriza, vive intensamente aquilo, a coisa, a situação. Eu aprendi isto quando morei fora. Foram poucos meses, mas o aprendizado foi enorme. Neste período de visitas com tempo contado me fizeram aprender que agora é o tempo certo pra tudo. A sensação de chegar na rodoviária num final de semana ou feriado e já comprar a passagem de volta é terrível, mas ajuda a gente a perceber que pequenas discussões que a gente tem, que muitas vezes se repetem, podem ser deixadas pra lá, porque temos tanta coisa pra contar do tempo que a gente estava separado e discutir aquela bobagem, aí sim, é perda de tempo.
Por estar longe dos meus sobrinhos aquele tempo juntinho deles pequenos (e lá se vão 10 anos!) era precioso! Não podia deixar de brincar com eles, estar com eles, rir com eles, se não de que forma poderia contar as histórias e as expressões que eles inventavam naquela época?
Conheci tanta rodoviária! Gente, não sei, mas tenho número de pelo menos sete rodoviárias no meu celular. Ia pegando os números pra saber horários de ônibus e como sempre precisava saber os horários guardei os números. Às vezes calculava mal os horários de chegada e precisava ficar uma hora esperando o próximo ônibus, quando não tinha que bater na porta da Ana Paula pedindo abrigo porque ônibus só no outro dia de manhã. E este imprevisto era ótimo, pelo menos pra mim, que reencontrava minha amiga querida, sabia das novidades, comia uma comidinha quentinha e sempre ria muito na companhia dela. Na vinda de Campinas bati na porta dela apenas com a roupa do corpo, porque por causa de um atraso quase perco o ônibus dentro da rodoviária. Foi uma correria danada! Meu irmão não conseguia estacionamento, eu tinha que trocar a passagem comprada na internet, a minha sobrinha e a cunhada com minha mala e a gente se desencontrou. A saída do ônibus já estava atrasada e eu ligando pra eles e nada. Resultado... vim embora sem mala, depois de termos tentado que eles me entregassem a mala em alguma parada do ônibus pelo trajeto.
Então eu chego em Porto Alegre e o último bus já tinha saído. Tinha tido uma enchente em São Lourenço do Sul e parte da estrada estava fechada e o percurso até Pelotas era mais longo, enfim... Mais uma vez a Anucha me salva de passar a noite na rodoviária! E aquela noite foi muito legal!
Foram algumas horinhas que fiquei lá, mas foram horinhas inesquecíveis.
O tempo pode nos atropelar e quem sabe até dizer que "não vamos conseguir fazer tudo que queremos". E pode também nos ensinar a andar devagar apreciando as coisas e os momentos. É a gente quem escolhe!
Quadrinhos Bichinhos de Jardim
Também tem uma coisa quando eu resolvi mudar, digo tentar mudar, optei por não usar certas palavras, não propagar as coisas de que não gosto. Não me tornei alienada não. Assisto jornal, mas às vezes não consigo ler os jornais locais, leio notícias na internet, ou seja sigo me informando. Mas como eu escutei uma vez da amiga Zeneida deixo "entrar por um ouvido e sair por outro" (ela não disse com estas palavras). Prefiro não ficar falando do que não deu certo e do que tá ruim. Não vivo felizinha, embora ande pela rua com um sorriso bobo, alvo de deboche d'algumas amigas. Sei que temos muito o que mudar e melhorar, mas realmente me conscientizei que falar incansavelmente sobre um problema não o torna melhor ou soluciona.
Confesso que é beeeem difícil pra mim. Falando parece fácil, barbadinha como dizia o Igor, mas não é não. Mas uma coisa posso dizer sem medo, a vida fica mais leve quando largamos toda esta carga negativa. Quando paramos de ajuntar pensamentos e sentimentos negativos, preocupações e angústias. Conseguimos viver pequenos momentos de prazer e satisfação e, até é possível, andar com um sorriso no canto da boca contagiando outras pessoas.
Por isto, ao invés de reclamar da falta do tempo... com o qual eu fiz as pazes porque "tudo tem seu tempo certo de acontecer" e este é um mantra que devo estar usando há pelo menos uns quatro anos... vou falar das coisas legais que acontecem quando o tempo tá curto.
É quando o tempo é curto a gente aproveita, valoriza, vive intensamente aquilo, a coisa, a situação. Eu aprendi isto quando morei fora. Foram poucos meses, mas o aprendizado foi enorme. Neste período de visitas com tempo contado me fizeram aprender que agora é o tempo certo pra tudo. A sensação de chegar na rodoviária num final de semana ou feriado e já comprar a passagem de volta é terrível, mas ajuda a gente a perceber que pequenas discussões que a gente tem, que muitas vezes se repetem, podem ser deixadas pra lá, porque temos tanta coisa pra contar do tempo que a gente estava separado e discutir aquela bobagem, aí sim, é perda de tempo.
Por estar longe dos meus sobrinhos aquele tempo juntinho deles pequenos (e lá se vão 10 anos!) era precioso! Não podia deixar de brincar com eles, estar com eles, rir com eles, se não de que forma poderia contar as histórias e as expressões que eles inventavam naquela época?
Conheci tanta rodoviária! Gente, não sei, mas tenho número de pelo menos sete rodoviárias no meu celular. Ia pegando os números pra saber horários de ônibus e como sempre precisava saber os horários guardei os números. Às vezes calculava mal os horários de chegada e precisava ficar uma hora esperando o próximo ônibus, quando não tinha que bater na porta da Ana Paula pedindo abrigo porque ônibus só no outro dia de manhã. E este imprevisto era ótimo, pelo menos pra mim, que reencontrava minha amiga querida, sabia das novidades, comia uma comidinha quentinha e sempre ria muito na companhia dela. Na vinda de Campinas bati na porta dela apenas com a roupa do corpo, porque por causa de um atraso quase perco o ônibus dentro da rodoviária. Foi uma correria danada! Meu irmão não conseguia estacionamento, eu tinha que trocar a passagem comprada na internet, a minha sobrinha e a cunhada com minha mala e a gente se desencontrou. A saída do ônibus já estava atrasada e eu ligando pra eles e nada. Resultado... vim embora sem mala, depois de termos tentado que eles me entregassem a mala em alguma parada do ônibus pelo trajeto.
Então eu chego em Porto Alegre e o último bus já tinha saído. Tinha tido uma enchente em São Lourenço do Sul e parte da estrada estava fechada e o percurso até Pelotas era mais longo, enfim... Mais uma vez a Anucha me salva de passar a noite na rodoviária! E aquela noite foi muito legal!
Foram algumas horinhas que fiquei lá, mas foram horinhas inesquecíveis.O tempo pode nos atropelar e quem sabe até dizer que "não vamos conseguir fazer tudo que queremos". E pode também nos ensinar a andar devagar apreciando as coisas e os momentos. É a gente quem escolhe!
Quadrinhos Bichinhos de Jardim
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Desejar não é o mesmo que planejar
Algumas pessoas acham estranho uma mulher não planejar para sua vida casar e ter filhos. Mais estranho eu acho é que as pessoas creiam ser comum ou correto, ou normal, ou sei lá, que alguém planeje algo que depende, invariavelmente de outras pessoas. Sim, não posso planejar, simplesmente me casar com 25 anos, sendo que para tal é necessário que outra pessoa também o queira. Também não posso planejar ser mãe aos 26, pelo mesmo motivo. Sim, eu posso partir para uma produção independente, mas no caso precisaria de um parceiro eventual, ou de um doador. Em ambas situações não é possível realizar MEU PLANO sem que outra pessoa participe. E daí já acho que se outra pessoa está envolvida não pode ser MEU PLANO, deve ser NOSSO.
Uma coisa é desejar, é ter vontade de um dia casar e ter filhos. Outra bem diferente é planejar as coisas criando expectativas que talvez nunca venham a se realizar. Quando alguém me pergunta sobre casamento e filhos, geralmente destacando meu jeito com as crianças ou meu extinto materno latente, fico pensando na Susanita, amiga da Mafalda que já tem em mente com quem (profissão e status social) irá casar, quantos filhos terá e a profissão deles.
Tenho que rir porque pra mim a Susanita nada mais é que uma doida. Engraçadíssima! Mas conservadora e completamente maluca que na infância planejou sua vida de dondoca. Aliás, não planejou só a sua vida, mas também a dos filhos. E sofre com certas situações que podem vir a acontecer (ou não).
Veja bem, não tenho nada contra pessoas que desejam casar, ter filhos, cachorro, casinha branca com cerquinha. Apenas eu não tenho nenhuma lembrança de ter tido, algum dia na vida, estes desejos. Pra mim estas coisas não são metas ou planos. Acho que podem acontecer ou não.
É claro que numa sociedade ainda muito machista como a nossa o pensamento de que mulher é para ser do lar é muito presente. Para muitas mulheres (e vejam bem não concordo ou descordo) o casamento é a garantia de uma vida tranquila financeiramente, mesmo que tenha que se submeter a alguns caprichos machistas. Mas na minha casa, justamente para não necessitar sujeitar-se a outra pessoa, fui estimulada a estudar, ter uma profissão e buscar ser uma mulher independente e livre, para escolher o que bem quisesse para minha vida. Fui estimulada a buscar independência não só pela minha mãe, mas também pelo meu pai. É claro que as motivações deles são diferentes.
Eu gosto de criança e sem falsa modéstia sei que seria uma boa mãe, ou pelo menos tentaria ser a melhor possível. No entanto, sempre pensei no quão importante é para uma criança ter a presença do pai e da mãe na sua vida. E por isto a produção independente nunca me pareceu uma ideia muito plausível. Mas não tô falando de uma situação em que a mulher engravida, mesmo que sem se prevenir, sem querer. Caso acontecesse comigo assumiria certamente. Mas como sempre tive muito medo de que isto ocorresse tomava as precauções. E nas vezes em que tive uma dúvida, mesmo que remota, usei a pílula do dia seguinte. Fui na farmácia comprei e tomei. Depois de saber que é um método abortivo fiquei com certo receio. Mas agora já foi. Talvez um dia eu venha engravidar, mas não tenho ideia se ocorrerá ou não. Não fiz nenhum planejamento a curto ou a longo prazo para isto. E acredito do fundo do meu coração de que se for pra ser, será no tempo certo. Neste momento não me sinto preparada, embora pareça e algumas pessoas achem que estou.
Quanto a casar com todo o ritual, a pompa e a circunstância, nunca fez meu gênero. Existe possibilidade de um não-casamento como lançou a ideia a Niara. Ou morar junto, ou namorar para sempre. Também não sei nem tenho ideia. Como espírita sei que devo ter planejado tudinho lá na erraticidade e como fui abençoada pelo dom do esquecimento deixo que as coisas aconteçam no momento que devem acontecer.
Desculpem o desabafo. Faz bastante tempo que rumino estas questões todas na minha cabeça e no meu coração e comigo pelo menos as coisas só ficam realmente claras quando as coloco no papel e definitivamente pra fora. Agora sim está tudo cristalino! ;)
Uma coisa é desejar, é ter vontade de um dia casar e ter filhos. Outra bem diferente é planejar as coisas criando expectativas que talvez nunca venham a se realizar. Quando alguém me pergunta sobre casamento e filhos, geralmente destacando meu jeito com as crianças ou meu extinto materno latente, fico pensando na Susanita, amiga da Mafalda que já tem em mente com quem (profissão e status social) irá casar, quantos filhos terá e a profissão deles.Tenho que rir porque pra mim a Susanita nada mais é que uma doida. Engraçadíssima! Mas conservadora e completamente maluca que na infância planejou sua vida de dondoca. Aliás, não planejou só a sua vida, mas também a dos filhos. E sofre com certas situações que podem vir a acontecer (ou não).
Veja bem, não tenho nada contra pessoas que desejam casar, ter filhos, cachorro, casinha branca com cerquinha. Apenas eu não tenho nenhuma lembrança de ter tido, algum dia na vida, estes desejos. Pra mim estas coisas não são metas ou planos. Acho que podem acontecer ou não.
É claro que numa sociedade ainda muito machista como a nossa o pensamento de que mulher é para ser do lar é muito presente. Para muitas mulheres (e vejam bem não concordo ou descordo) o casamento é a garantia de uma vida tranquila financeiramente, mesmo que tenha que se submeter a alguns caprichos machistas. Mas na minha casa, justamente para não necessitar sujeitar-se a outra pessoa, fui estimulada a estudar, ter uma profissão e buscar ser uma mulher independente e livre, para escolher o que bem quisesse para minha vida. Fui estimulada a buscar independência não só pela minha mãe, mas também pelo meu pai. É claro que as motivações deles são diferentes.Eu gosto de criança e sem falsa modéstia sei que seria uma boa mãe, ou pelo menos tentaria ser a melhor possível. No entanto, sempre pensei no quão importante é para uma criança ter a presença do pai e da mãe na sua vida. E por isto a produção independente nunca me pareceu uma ideia muito plausível. Mas não tô falando de uma situação em que a mulher engravida, mesmo que sem se prevenir, sem querer. Caso acontecesse comigo assumiria certamente. Mas como sempre tive muito medo de que isto ocorresse tomava as precauções. E nas vezes em que tive uma dúvida, mesmo que remota, usei a pílula do dia seguinte. Fui na farmácia comprei e tomei. Depois de saber que é um método abortivo fiquei com certo receio. Mas agora já foi. Talvez um dia eu venha engravidar, mas não tenho ideia se ocorrerá ou não. Não fiz nenhum planejamento a curto ou a longo prazo para isto. E acredito do fundo do meu coração de que se for pra ser, será no tempo certo. Neste momento não me sinto preparada, embora pareça e algumas pessoas achem que estou.
Quanto a casar com todo o ritual, a pompa e a circunstância, nunca fez meu gênero. Existe possibilidade de um não-casamento como lançou a ideia a Niara. Ou morar junto, ou namorar para sempre. Também não sei nem tenho ideia. Como espírita sei que devo ter planejado tudinho lá na erraticidade e como fui abençoada pelo dom do esquecimento deixo que as coisas aconteçam no momento que devem acontecer.
Desculpem o desabafo. Faz bastante tempo que rumino estas questões todas na minha cabeça e no meu coração e comigo pelo menos as coisas só ficam realmente claras quando as coloco no papel e definitivamente pra fora. Agora sim está tudo cristalino! ;)
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