segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Voltar pra escola


Quando me convidaram para fazer o técnico em Contabilidade eu pensei que seria muito chato voltar para uma sala de aula do "segundo grau". Imaginei que não me adaptaria por já ter passado pela faculdade e estar acabando uma pós-graduação em áreas totalmentes diferentes. Confesso que, algumas professoras me dão nos nervos e tratam a todos como crianças de pré-escolar. Mas alguns "coleguinhas" merecem.
Agora estou acabando o primeiro ano do técnico acreditava que teria muita dificuldade em aprender coisas como matemática, estatística e a própria contabilidade. Na verdade matemática ainda está sendo um caroço pra mim, tenho provas pra fazer ainda.
No entanto, o melhor de tudo foi voltar a estudar no mesmo colégio em que fiz parte do meu "primeiro grau", o fundamental de agora. Lembro dos colegas com quem compartilhei quatro anos da minha vida. Guris de quem gostei, amigos que fiz e que guardo no peito mesmo sem vê-los com freqüência. E agora, com o horário de verão chego na escola com os dias ainda claros e vejo aquele Ipê roxo (na verdade eu não sei se é ipê ou jacarandá, mas é um dos dois)florido, com suas florzinhas lilás azuladas e lembro das aulas de educação física, do recreio... tantas lembranças! Não resisti e tiri uma foto de um cantinho especial, da árvore. No muros de um lado ficavam alguns dos guris o Sandro, o Emerson, o Endrigo, o Pichê. Do outro ficava o Marcelo - "Pixote" e a turminha dele. Na quadra de futebol o Jeferson e a turminha dele sempre jogando bola. Na de volei era o Cristiano, o Juliano, o Carlos, o Geléia. Onde eu e minhas amigas ficávamos agora é uma espécie de arquibancada.
A escola tá um pouco diferente, mas no fundo é o Pedro Osório e suas histórias de fantasmas no auditório, de pessoas em forma de espírito nos corredores e aparições do próprio coronel Pedro Osório nos vidros.
Um amigo meu, professor, outro dia comentou que os alunos hoje em dia parecem uns selvagens. Eu mexi com ele que eram "selvagens sem motocicleta". Pensem em como chocou a "juventude transviada" do James Dean e os "selvagem da motocicleta" com Marlon Brando. Agora potencialize isso. Dê uma carga de violência, de falta de limites, de liberalidade, de descontrole. Estes são os alunos de hoje. Não a culpa não é só dos professores, é dos pais também. Os pais deixam os filhos para serem educados na escola, lá eles vão para se instruir, educação, respeito, limites tem que ser dados em casa. Uma das minhas professoras também estava comentando em como as crianças são revoltadas, agressivas, desobedientes. Eu imagino que pra ela deva ter sido horrível, pois se na nossa aula, como todos adultos se alguém fala ela já manda fazer silêncio, imaginem numa sala de segunda série? O mais engraçado foi ela dizendo que não podia liberar os alunos e não tinha como controlá-los em sala de aula, daqui a pouco um disse que ia sair, ela disse que não e ele ameaçou que se jogaria da janela e diria que a professora tinha empurrado ele. Aí de mim se respondesse pra professora! Como dizem aqui pro sul,"o pau comia", levava umas boas palmadas e ficava de castigo.
Mas agora não pode existir castigo assim. Os professores praticamente não podem corrigir os alunos. O que se pode esperar?

Um comentário:

Juliana Vitorino disse...

Oi Léli,
vi que és de Pelotas, então o amigo só pode ser o Aleks. Acertei?
Eu tinha te respondido antes, mas o blogger me devolveu a mensagem, informando de algum erro na entrega.
Mas, bem, eu tava tentando dizer que essa força do povo salvadorenho é linda mesmo e, foi ela que me fez passar quase 2008 inteiro morando lá. A história do Monseñor Romero é linda, um homem que dedicou amor e cuidado a seu povo e, por isso mesmo, sempre penso sobre como o homem pode ser cruel. A injustiça acerca de seu assassinato é uma grande vergonha para El Salvador, que ainda luta pra curar tantas feridas.
Obrigada pelo comentário. Quando quiser espiar, pode chegar que a janela tá aberta! =)