sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O mundo tem fome!

Algumas crianças seguem uma ideologia instintiva muito semelhante a da Mafalda, personagem do argentino Quino, questionando as pessoas e os motivos pelos quais estamos no mundo, porque há tanta diferença entre umas pessoas e outras e por aí vai... Outras simplesmente vivem a simplicidade de ser criança. Quando digo isto quero ressaltar que elas não vêem as dificuldades que nós, considerados adultos, colocamos nas coisas, que por vezes são muito, MUITO SIMPLES.
No geral a gurizada tem uma fase em que não quer comer, a alimentação acaba se resumindo as guloseimas que sabemos que elas não deveriam comer e que adoram. Ficam as mães de um lado querendo fazer com que os mandinhos* comam verduras, frutas e troquem o refri pelo suco. Nesta fase a briga na hora das refeições é certa, não há dúvidas.
Eu passei por esta fase lá pelos sete ou oito anos. Meu irmão do meio sempre foi comilão e pelo que me lembro nunca teve este problema, inclusive nos dias de hoje com 30 anos. Fastio nunca foi um problema para ele.
Já o caçula sempre foi magrelo, quase tísico. Com certeza um vento mais forte o carregaria para longe com facilidade. Ele foi, de nós os três, o que mais tempo esteve na fase de pouca comida. Ainda hoje ele fica longas horas sem se alimentar, motivo pelo qual seu estômago dói e não é culpa da fome e sim de uma gastrite, que já o levou ao pronto socorro. Quando ficava sozinho em casa por algum motivo seu prato certo era pipoca. A sua inapetência era motivo de muita briga na hora do almoço lá em casa. Mas ele sempre teve muita presença de espírito, característica que lhe é de grande valia hoje em dia, que causa gargalhada nos colegas do curso de Direito da FURG e que na infância causava irritação por parte dos mais velhos pelo atrevimento das palavras. Numa das brigas para ele comer foi que minha mãe toda paciente e carinhosa explicava pra ele como éramos privilegiados em ter comida em casa. Minha mãe argumentava com ele:
_ Come meu filho, tem um monte de criança na rua que não tem o que comer!
De pronto ele olhou para ela e emendou:
_ Então dá pra elas!
Fim de discussão!!! É esta capacidade que as crianças tem que eu admiro. Pois, se ele não quer comer e tem gente que tem fome  porque força-lo a comer e deixar os que tem apetite famintos?

* Aqui no sul, principalmente em Pelotas, além do famoso guri e guria costumamos usar para denominar os meninos e meninas, também utilizamos piá, mandinho ou mandinha.

Um comentário:

Antonio Guadalupe Júnior disse...

Esse teu irmão é o mesmo que ficou de cueca em frente ao bar João Gilberto? rsrsrs