sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Catapora

É tempo de catapora, doença infantil, em geral, que causa bolhas d'água, feridas, febre e muita coceira no corpo. As benditas feridinhas podem atacar todo o corpo, do couro cabeludo até cantinhos mais internos aonde quer que tenha pele.
Eu tive, aliás tive quase tudo que foi doença de criança! Tive catapora, caxumba, hepatite A, e mais um monte de coisas. A minha catapora começou numa época em que eu estava passando uns dias lá fora na casa da dona Didi. Não lembro direito como começou. Lembro que tive bastante febre. As feridas se espalharam por tudo e eu tinha na cabeça, dentro das orelhas, embaixo dos braços, nos órgãos genitais, na garganta e sabe-se-lá-mais-onde.
A ferida da garganta não me permitia comer, pois nada passava por ali sem me causar ânsia de vômito. Lembro de tomar apenas canja, ou melhor o caldinho da canja. A gente estava lá fora, no interior de Piratini aonde não tinha água encanada, luz ou telefone. E o telefone mais próximo era há quilômetros de distância da casa da vó Didi, bem como os vizinhos, a cidade, o bar mais perto. Era muito bom ficar lá nas férias, mesmo sem ter absolutamente nada pra fazer. O tempo passava beeeem devagar, minhas horas eram gastas debaixo de uma árvore na frente da casa, aonde deitava no chão e escutava rádio, viajava nas nuvens adivinhando figuras, sonhava com coisas futuras. Outras vezes eu corria atrás dos bichos, porcos, galinhas e patos. Outras brincava de casinha, inventava histórias ou ajudava a vó Didi a fazer biscoitinhos, sovar massa de pães no cilindro e tantas outras atividades domésticas. A gente visitava a casa de alguns vizinhos. Para isto precisávamos fazer longas caminhadas até a casa deles. Mas quando fiquei doente tive que ficar em casa porque não podia pegar frio e chuva e porque não devia contaminar os outros.
Engraçado que mesmo bem distante do meu mano ele pegou catapora também, na mesma época. A diferença é que eu fiquei tapada de feridas dos pés a cabeça e ele teve uma meia dúzia, no máximo, na barriga.
Como a vó Didi já tinha uma idade um pouco avançada, achou melhor voltar pra casa comigo pra minha mãe cuidar de mim. O legal foi que a volta, da casa  lá de fora até o lugar onde pegávamos o ônibus, fui a cavalo com o Vilmar. Foi muito emocionante! Quando cheguei em casa fazia um dia quente, mas caía uma chuva de verão leve e eu fiquei na janela vendo meus irmãos e prima tomando banho de chuva e  se refrescando, mas eu não podia. Foi chato!
Apesar de tantas e tantas feridas creio que não fiquei com nenhuma marca no corpo. Ficar doente é bem ruim, eu achava bem chato não poder fazer várias coisas, mas também tinha lá suas vantagens. Afinal... quando a gente fica doente recebe bastante atenção, carinho, cuidados e mimos.
Meus queridos sobrinhos estão passando pela fase cataporenta. A Larissa teve há bastante tempo, devia ter uns dois aninhos. Este ano foi a vez da Amanda, depois foi o João e agora meu amor Yuri. Tomara que o Pê e o Daniel se livrem dela por enquanto.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Gratidão

Hoje fui na revisão da minha cirurgia, foi tranquilo. Os pontos estavam sequinhos e já foram tirados, não tem dor e a recuperação ótima, apesar do cagaço pré-operatório. Doeu um pouquinho quando a enfermeira levantou e cortou a linha. Não sabia que doía... Mas agora não tá doendo mais.
Próxima revisão só após a retirada do resultado da análise da vesícula pelo início do mês de janeiro. Recomendação médica é evitar alimentos gordurosos, o resto tá tudo liberado.
Agora mais uns diazinhos de repouso na casa da mamãe e voltamos a rotina normal.
Confesso que as coisas saíram melhor do que eu podia imaginar ou esperar. Nunca havia estado numa sala de cirurgia e tinha medo de não ter uma boa recuperação ou de sentir dor. Sim, apelei para o Dr Bezerra de Menezes e todos os amigos da espiritualidade, considero-me atendida, e muito, muito, muito agradecida. Como no post anterior mais uma vez agradeço os médicos, o corpo de enfermagem e todos os funcionários da Fau onde estive internada e fui excelentemente tratada. Demorou um pouquinho da descoberta até a realização da cirurgia, é verdade, mas ao final foi tudo muito bem.
Peço desculpa aos amigos que não tinham ideia de que faria uma cirurgia. É que não gosto de ficar publicando minha vida nas redes sociais, mas o agradecimento pelo tratamento recebido no SUS e pela Fau devem ser públicos. Agradeço também a minha mamis, meu pai, meus irmãos e todos os familiares que me acompanham neste momento. Também sou agradecida aos amigos, em especial a Deisi que insistiu até o fim que eu fizesse a cirurgia pelo SUS e foi comigo consultar. Sou grata a Deus e a toda a espiritualidade, como não podia deixar de ser.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Convalescendo

Estou há alguns dias sem poder escrever por aqui. Primeiro porque estava me preparando para realizar uma cirurgia e agora por estar me recuperando dela. Foi uma cirurgia simples, apesar do nome ser complicado! Aconteceu na segunda feira a tarde e hoje já estou bem e na casa da mamãe por alguns dias.
Da descoberta da necessidade do procedimento cirúrgico até o acontecimento dele de fato se passaram alguns meses, já que precisei fazê-lo pelo SUS. Aproveito para destacar o ótimo atendimento que tive no Hospital Escola da FAU por toda a equipe, desde a recepção até os médicos, enfermeiros e todos os outros profissionais. Minha recuperação está sendo ótima! Logo logo tudo volta a rotina!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Choro

Tenho mais jeito pra falar sobre e de qualquer coisa através da escrita. Falo pelos cotovelos é verdade, mas quando é pra falar de alguém que gosto, me emociono, engasgo e a voz não sai. Quando é de alguma coisa que me incomoda a voz se eleva uma oitava acima, a entonação fica agressiva e mesmo que não queira brigar ou dar entender que estou brigando a mensagem que passam minhas cordas vocais é justamente o contrário. Então... quando é pra falar a alguém de forma a não ter equívocos opto pela escrita. De maneira geral passo toda a emoção que sinto quando escrevo e muitas e muitas vezes escrevo chorando, quase sem enxergar as palavras digitadas no monitor.
Creio eu que seja a idade que me tornou ainda mais sensível. Sempre fui chorona. Mas a verdade é que nos últimos tempos está mais incontrolável. E tenho como prática desde sempre não engolir o choro! Evitar que as lágrimas caiam é muito dolorido pra mim, dói minha cabeça, machuca minha garganta, aperta o peito, me desliga do que tem ao redor de mim.
Na minha adolescência chorei muito... bem mais que agora e de forma louca. Agora, pelo menos, eu sei porque choro. As coisas que me tocam são diferentes. Fico pensando, por exemplo numa coisa que deixei pra lá, a qual não pensava antes porque não via sentido em pensar ou decidir qualquer coisa quando não dependia de mim apenas, e agora pensar ou decidir também não depende só de mim, mas daí me falam que tenho que decidir o quanto antes porque o tempo tá passando. Então eu fico pensando nisto, fico pensando em quantos anos até os 40. Fico pensando que o tempo já passou e se não aconteceu antes é porque não é pra acontecer. Ou que se for pra acontecer vai acontecer mesmo depois dos 40. E tem a minha porção espírita que não pode deixar de pensar... será que não me comprometi de trazer outros ao mundo e agora estou mudando de ideia? Tem o lado racional que me destaca o livre arbítrio e meu direito de mudar de ideia, de fazer outras escolhas. Daí penso na escolha do outro. Penso nas expectativas da minha família, penso nas pessoas que sempre me falam que eu deveria ter filhos porque tenho muito jeito. E penso no medo que deve dar ao saber que uma vidinha tá na tua mão e é da tua responsabilidade. Pensando nestas coisas acabo chorando.
É provável que eu esteja evitando de pensar no assunto para não ter que tomar uma decisão definitiva, ou só uma decisão temporária. Acaba sendo inevitável lembrar de algumas conversas em que me afirmaram que eu queria ter filhos, mesmo que eu estivesse  negando veementemente. Mas eu não estava, antigamente, mentindo, apenas eu realmente não pensava na hipótese. Agora, até penso, mas não sei a resposta. E quando penso, lembro da história do tempo, da pressa e me apavoro. Claro que apavorada eu choro.

sábado, 22 de novembro de 2014

Trabalho de formiguinha Um mundo melhor é a gente que faz

Muitas vezes pensamos que somos pequenos, que nossas ações ou atitudes não vão ajudar a mudar nada no mundo. Acreditamos que aquele gesto é insignificante diante de tantas carências e sofrimento. Mas me recuso a pensar assim. Assim como me recuso a crer que existe mais mal do que bem no mundo. O bem existe, apenas é mais tímido, simples. O mal é ousado, choca, machuca e acaba tendo maior repercussão. Devemos continuar combatendo o mal sim, mas sempre acreditando no bem. A fé, o amor, o bem, a caridade, a esperança devem estar presentes no nosso trabalho de formiguinha.
É verdade de que o fato de eu não jogar um papel ou uma garrafa no chão não vai impedir o aumento na camada de ozônio e o derretimento das geleiras. Só que se todo mundo pensar assim o processo pode até acelerar. Tem também o fato de que aquela pessoa torna-se um exemplo para outros, um multiplicador e isto sim faz a diferença.
E como o bem e o amor existem e não tem tamanho nem idade surgem almas lindas como a de William Winslow, como a de Ryan e tantas outras crianças que não deixam que a pouca idade os impeça de lutar pelo que crêem. Willian tem oito anos e criou uma forma de alimentar crianças carentes no bairro onde mora. Tudo começou quando ele ficou sabendo do programa voltado a segurança alimentar de crianças chamado "Backpack Buddies". Em sua festa de aniversário ele resolveu pedir doações de alimentos e dinheiro ao invés de presentes para ele e conseguiu arrecada mais de mil quilos de alimentos e U$ 305.
Em 2014 William conseguiu arrecadar doações suficientes para alimentar 16 crianças por um ano inteiro. Para isto ele contou com a ajuda dos pais, 50 voluntários, quatro mercearias e um restaurante. O guri não pretende parar por aí não, quer poder expandir sua área de atuação para além de seu bairro. Como vemos é um trabalho de formiguinha. Não temos como saber se William acabará com a fome no mundo, mas está muito inclinado a fazer todo o possível para isto. E é bem provável que com seu empenho consiga e sua pouca idade não é empecilho. Tanto que agora tem até uma fundação com seu nome "Willian's food drive". Realmente o que é bom nasce pronto!
Informações retiradas do site Hypeness

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Nem sei...

Nem sei direito o que escrever, nem por onde começar. Um pouco de preguiça misturada com algum cansaço acumulado de poucas horas de sono, trabalho e uns três anos sem férias. Daí que a preguiça parece que não nos deixa nunca mais. Então eu olho pra tela do computador e nenhuma ideia me ocorre. Ao mesmo tempo várias ideias me ocorrem, mas vou descartando-as por considera-las muito íntimas ou por crer que não interessam a quem lê. E a seleção do tema vai ficando... a preguiça se encostando... a procrastinação aumentando... e como diz o chapeleiro maluco da Alice "tanta coisa pra fazer e tão pouco tempo!"

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Genealogias familiares confusas

Tem um texto que eu adoro, do qual desconheço a autoria que chama-se "O homem que morreu de confusão". Transcreverei o texto logo abaixo para que tomem ciência do conteúdo e compreendam que é possível que na minha família venha a acontecer algo do tipo, tanto do lado do meu pai, quanto da minha mãe. Eu na verdade não acho as coisas confusas, consigo entender bem tudo, embora algumas vezes me surpreenda com a descoberta de um parentesco a mais com um já parente.
Começo falando do lado da minha mãe. Minha vó Amália tinha vários irmãos e aconteceu de dois casarem-se. A princípio a coisa parece terrível, como dois irmão casam entre si! Mas esmiuçando a árvore genealógica descobrimos que a irmã era minha avó e não os que casaram. Explico melhor!
Minha avó Mália era filha da bisa Elmira com um cidadão o qual não sei o nome, só sei que o sobrenome é Oliveira. Este senhor Oliveira tinha outros filhos, que vinham ser meio irmãos da minha vó. E minha bisa, por sua vez, teve outros filhos e filhas de outros relacionamentos, sendo estes meio irmãos da minha vó. Ocorreu então que o meio irmão paterno da vó Mália, tio Ilvo deu de apaixonar-se pela meia irmã materna da vó Mália, a tia Ursina, ou talvez Orestina, não estou bem certa do nome. E por conta deste amor casaram-se.
Como é de praxe misturar deu de acontecer de meus tios Leopoldo e Claudio (mais conhecido como Guinho) resolverem casar com as irmãs Lorena e Loraci. Até aí tudo bem, nem tem confusão, apenas uma sequência, quase um tradição de família, visto que os filhos do tio Guinho a Claudia e o Maicom casaram-se com um casal de irmãos.
A confusão acontece mesmo quando eu digo que minha irmã é casada com meu tio. Todo mundo acha absurdo e contesta e quer explicações.  E a explicação é muito mais fácil, do que o caso dos meio irmãos da vó. É sim. Meu pai foi casado, antes de conhecer minha mãe e teve 4 filhos, perdeu um ainda criancinha. São eles meus meio irmão, entre elas a Mana que veio casar com meu tio por parte de mãe. Sendo assim não há nenhum parentesco entre eles, a não ser eu que sou irmã de uma e sobrinha da outra, minha mãe que é madrasta de uma e irmã do outro e meu pai que é pai de um e sogro do outro. Dos filhos da minha irmã com meu tio acabei tendo três sobrinhos/primos. Minha mãe tem sobrinhos/netos postiços. E meu pai tem netos e sobrinhos por afinidade. Uma loucura! Eu e a minha mãe somos tias dos mesmos sobrinhos! Isto é fantástico!
Além das questões que expus ainda tem o fato de eu ser madrinha de metade dos meus sobrinhos filhos desta minha irmã. E da minha sobrinha mais velha, de quem não sou madrinha, sou cumadre, pois batizei o filho dela. é uma trama bem trabalhada!
Não bastasse as confusões mais antigas deu de acontecer justamente do meu irmão caçula ter um romance passageiro com uma prima de segundo grau, ou seja filha de uma prima. Deste romance nasceu o João Pedro que é meu sobrinho e afilhado e primo em terceiro grau. O Pedro conseguiu a proeza de ser primo (terceiro) dos próprios pais e neto e tataraneto da mesma vó. No caso a minha vó Mália. Minha mãe é vó da criança e a irmã dela é bisavó.
Do lado do meu pai a confusão não é menos comum. Começa com os irmãos que casaram com irmãs. Minha avó Cela casou com o vô gentil. E o irmão dela casou com a dona Santa.  Meu pai e minha tia Eva se casaram com os irmãos Dalva e Edegar. Esta é das misturas mais simples. Já meu tio mais velho, o tio Lauro resolveu misturar bem e casou com a prima Marli. Teve 4 filhos, que são também seus primos.
Eu que não sou de me assustar nem cogito esta bobagem de sair da história por conta da confusão, gosto mais é que misture tudo mesmo. Só nunca namorei primo, porque pra mim eles são a mesma coisa que irmão. Tô pensando em desenhar a árvore genealógica, mas tô com receio de que fique tudo um borrão de tanta linha cruzada de cá pra lá que vai ter.

O texto, que acho foi inspirado na minha família está logo abaixo.
"O HOMEM QUE MORREU DE CONFUSÃO 

Foi encontrado no bolso de um suicida, em Maceió, a seguinte carta: 

Ilmo Sr. Delegado de polícia, não culpe ninguém pela minha morte. 
Deixei esta vida porque um dia a mais que eu vivesse, acabaria morrendo louco. 

Explico-lhe Sr. Delegado, tive o destino de casar-me com uma viúva, a qual tinha uma filha, se eu soubesse disso jamais teria me casado. 

Meu pai, para maior desgraça, era viúvo e quis ele se casar com a filha de 
minha mulher, resultou daí que minha mulher tornou-se sogra de meu pai, 
minha enteada ficou sendo minha mãe e meu pai era ao mesmo tempo meu genro. 

Após algum tempo, minha enteada trouxe ao mundo um menino que veio a ser meu irmão, porém neto de minha mulher de maneira que fiquei sendo avô do meu irmão. Com o decorrer do tempo, minha mulher deu a luz a um menino, que como irmão de minha mãe, era cunhado de meu pai e tio de seu filho, passando minha mulher a ser nora de sua própria filha. 

Eu, Sr. Delegado, fiquei sendo pai de minha mãe, tornando-me irmão de meu pai e de meus filhos e, minha mulher ficou sendo minha avó, já que é mãe de mamãe, assim acabei sendo avô de mim mesmo. 

Restando, Sr. Delegado, antes que a coisa se complique mais, resolvi 
despedir-me deste mundo. 

Perdão Sr. Delegado." 

Fonte do texto: Ivan Meyer