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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Encontros e reencontros - a alegria da vida

Ontem encontrei amigas de faculdade, amigas de anos, amigas da vida que amo demais, mas que por causa das atribulações da vida (e do trabalho!) não encontro com frequência! O juntamento foi marcado de última hora. Do tipo que eu gosto e não recuso "vem tomar café com a gente aqui na mãe"! Eu vou! Sou dessas! Sou como aquela mulher da  canção "Folhetim", "sou dessas mulheres que só dizem sim"! Pros amigos, pros belos encontros e reencontros da vida! Não dispenso uma noitada boa! Principalmente se vir carregada de muita risada!
Nunca me arrependo de dizer sim pra estes programas de última hora! São os melhores! Claro, encontro de amigos de muitos anos algumas vezes também tem lágrimas de saudade! Tem lágrimas de alegrias, mas sempre tem muito mais risadas! E tem amor!
Lembramos do nosso querido Joari Reis e a sua temida prova de enquadramentos cinematográficos. Sim, tínhamos prova de enquadramento! Numa televisão de tubo, daquelas que eram das maiores, mas estavam bem longe de uma 32 polegadas! E o processo pedagógico da prova era o seguinte: o filme era colocado no vídeo cassete (acho que ainda não tinha DVD! Aff! Pessoa entregando a idade! haha) e enquanto a gente ia assistindo o professor ia perguntando, assim, no susto "agora, que enquadramento é esse?".
Até a pessoa mais conhecedora de cinema da turma, no caso a Ana Paula, tinha medo daquela prova! Tanto nervoso essa moça passou que nem lembra qual era o filme que assistiu fazendo a prova!
O meu filme era o Drácula, do Bram Stoker! E eu fiquei sentada  bem atrás, próximo do Joari, que resolveu conversar comigo! Eu apavorada analisando os enquadramentos, quase me distraindo, porque adorava o filme e aquele Drácula sedutor que nossa! E o professor chega perto de mim e diz "agora ela vai ficar com aqueles dentinhos e vai precisar ir lá no meu consultório colocar aparelho"! hahahahaha Como que me concentro com aquele Drácula e com o professor fazendo piada?! hahahaha Não tenho a mínima ideia da minha nota, mas passei sem exame!
E é tão bom lembrar destes momentos de tensão da faculdade! Porque esses momentos eram fichinha perto de alguns que passamos depois! E olha que eu nunca tive pressa de crescer, tanto que não cresci até hoje! hahahahaha Não, brincadeira! Nunca tive pressa de me tornar adulta, de tomar conta das contas e da vida! A faculdade foi muito importante no meu processo de amadurecimento. Éramos nós que tínhamos que resolver os problemas, fazer matrículas, assinar financiamentos. Ali começamos a tomar as rédeas da nossa vida!
Foi na faculdade que aprendemos a nos virar! Meus colegas de faculdade me ensinaram muito! Não apenas de cultura, de conhecimentos técnicos! Ensinaram sobra as diferenças e o quanto ser diferente não impede o amor, pelo contrário nos faz querer ser melhor pra poder amar mais aquele outro tão diverso! Aprendi sobre família! Sobre a minha família e sobre a família de cada um, que é igual, só muda de endereço, mas que também é absurdamente diferente, com tantas peculiaridades, que parece de outro planeta! Ensinaram sobre mim! Ensinaram que eu podia mudar sempre, a todo instante, desde que aquilo tivesse a ver com a minha essência!
Eu sabia disso naquela época???? Óbvio que não! No entanto, aqueles lacinhos que começaram lá nos anos 90 cheios de dedos, porque quando a gente não conhece direito as pessoas fica assim sem saber direito como agir, foram criando corpo, outras pessoas entraram e saíram das nossas vidas. Muita lágrima rolou nos nossos abraços! E muita lágrima de alegria e emoção ao ver como a gente melhorou como pessoas com a ajuda umas das outras! E foram tantas risadas que perdemos a conta! E teve tanta comida boa e umas ruins pra contrabalançar, porque a gente se metia a fazer experiências também!
Como sou grata por tudo! Por todos! Como sou feliz por vocês na minha vida, pelos  sobrinhos emprestados que ganhei, mas principalmente sou grata pelo amor que vocês me deram e dão! A gente deveria marcar um dia no ano pra lembrar dos amigos da faculdade, do segundo grau (ensino médio), do ensino fundamental, colegas e amigos de trabalho, professores e analisar o que cada um deles contribuiu para o que somos hoje!  Posso afirmar sem medo que sem eles a gente não seria o que é! Tenham sido eles uns amores, amigos, parceiros. Ou insuportáveis, carrascos, inimigos, enfim... Claro que não daremos aos últimos o mesmo lugar de destaque no nosso coração e nem devotaremos o mesmo carinho. Mas temos que ter gratidão para com eles, pois se somos mais sábios hoje foi graças a superação que tivemos ao passar pelos percalços que nos causaram.
Esse texto é só pra agradecer mesmo! Pra agradecer a cada um dos meus amigos e colegas de estudos e trabalho pela parceria na jornada.
E pra dizer as minhas amigas que tenho muito orgulho das mulheres que se tornaram e honra por poder dizer que elas são minhas amigas!

domingo, 6 de outubro de 2019

Epílogo

Epílogo é um capítulo extra, após o "the end", e nos conta como as personagens seguiram "a sua vida"! Ele traz aqueles detalhes que ficamos curiosos para saber quando o livro acaba! Aquela pergunta "será que a Cinderela e o príncipe foram mesmo felizes para sempre ou ela acabou indo de volta para o borralho?" A verdade é que os ciclos se  fecham e as histórias seguem acontecendo! Na vida sempre tem  epílogo! E como eu sou espírita acredito que depois da morte também tem!
Essa foto representa minha alegria restaurada! E essa felicidade não tem nada a ver com as cachaças!
Quando estava no final do meu relacionamento ficava pensando como seria minha vida depois do fim. Como que eu ficaria, como reagiria ao ver meu ex com outra pessoa. Confesso que essa foi uma grande parte do meu sofrimento, e também dos argumentos que usava comigo mesma para adiar o rompimento definitivo. Eu sabia que esse passo teria que ser dado por mim, pois no meu entender o outro já tinha deixado claro que não queria mais. Mas eu tinha esperança de que "acordasse" e mudasse de atitude, que voltasse ao que era no início, sei lá, esperança de que tudo ficasse harmonioso e feliz como no início. Não deu! Também acontecia de eu sentir uma certa responsabilidade sobre como ele ficaria.
O lado bom de ter epílogo na vida é que todas as arestas mal aparadas do relacionamento, as quais não conseguimos acertar porque a dor era muito grande, já foram corrigidas enquanto o epílogo estava sendo escrito! E realmente conseguimos transformar um amor/relacionamento morto em amizade. Falamos sobre todas as mágoas e questões não resolvidas! Colocamos pra fora aquele entulho que só nos fazia mal e não permitia que a alegria fluísse.
Foram conversas bem difíceis! Tocar pontos tão delicados, questões que não queríamos admitir nem pra  nós mesmos. Mas sabíamos que para realmente fechar o ciclo só quando tudo fosse encarado de frente, quando tomássemos consciência e admitíssemos nossas falhas em voz alta, ou texto no zap. hahaha Estas conversas tiraram o peso que sentia em meus ombros. E aquela coisa que me fazia sentir responsável por ele deu lugar a uma grande alegria por vê-lo superar traumas e medos. Não foi nada fácil exorcizar estes demônios! Ao mesmo tempo que sofri e chorei junto com ele, senti que era importante que aquelas coisas me fossem confidenciadas. Eu era parte daquele momento que deveria ser superado, assim como ele foi parte dos meus momentos de superação. Agora sinto-me muito mais feliz por ver que ele se reergueu e que nosso final de relacionamento foi realmente um fechamento de ciclo em que aprendemos coisas de que necessitávamos. Essas conversas me ajudaram, pois eu não queria que as coisas simplesmente fossem guardadas sem necessidade. Agora podemos seguir adiante, cada um no seu epílogo particular, com marcas de aprendizados, mas sem rancores.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Zélia Gattai uma contadora de histórias de primeira

Conheci a escrita de  Zélia Gattai quando criança. Ou melhor, conheci a primeira das suas histórias  graças a uma minissérie da Globo chamada "Anarquistas graças a Deus"! Mesmo nome do livro da autora. Apesar de, naquela época, minisséries não serem muito recomendadas para crianças, eu assisti. Tempos depois, (e foi muito tempo mesmo!) li o livro "Crônicas de uma namorada", primeiro livro de Zélia que lia e me apaixonei pela maneira de escrever dela. Já era fã de Jorge Amado, muito tinha lido dele, mas ela me encantou demais. Lembro que certa vez assisti uma entrevista do casal em que Jorge contava do dia que Zélia havia decidido escrever, ou melhor, contar a história da sua família e ele do alto da sua experiência disse a ela "escreve, mas escreve assim, exatamente do jeito que tu conta"! E foi um sucesso!
Atualmente estou lendo a "Casa do Rio Vermelho"! É uma autobiografia, são contos muito engraçados, outros emocionantes da vida de Jorge e Zélia na volta para a Bahia. A procura pela casa, as decepções ao não encontrar um local de acordo com o que imaginavam, até chegarem nesta casa da rua Alagoinhas, 33. É muito interessante ler cada conto imaginando o sorriso dela ao discorrer sobre Rufino e das andanças atrás de casa e depois a construção e mais as viagens que faziam a trabalho e lazer.
O que mais me marcou na minissérie "Anarquistas Graças a Deus" foi quando a personagem da Débora Duarte vai numa loja de discos atrás da valsinha que tanto gostava de ouvir quando passava na rua. E depois a reviravolta que dá quando o disco quebra. Isso tá marcado na minha memória! Sem contar que a Débora parecia muito com a minha mãe!
Não lembro muito de outros personagens, nem da trama pra falar a verdade! Lembro que Débora era casa com Ney Latorraca e tinham uns quantos filhos. Mas logo-logo vou saber tudo desta família porque já comprei o livro no sebo virtual! Fiquei bem chocada ao pagar mais que o dobro do valor do livro em frete! Até tentei comprar outro livro pra amenizar o trauma, mas não deu. Enfim...
Gostei da forma como Zélia relata as situações, os apartes que faz dentro da história para comentar outra e dos comentários que faz sobre as personagens no momento em que está escrevendo o livro. Lembro de assistir na televisão ela dando entrevista sobre o lançamento deste livro, eu estava na faculdade! E lembro de uma outra entrevista que fizeram lá na Casa do Rio Vermelho mostrando os jardins e as peculiaridades daquela casa famosa. Agora, lendo o livro fico puxando da lembrança as imagens que vi na reportagem! É pena que o que lembre seja pouco!
Agora,  lendo este segundo livro de Zélia descobri uma nova escritora favorita. Sim, Zélia e Isabel Allende estão empatadas aqui na minha lista de preferências. Duas mulheres fortes, com histórias de vida incríveis.
Esse post é mais para indicar uma leitura, é uma dica que, além de nos contar a história da família de Jorge e Zélia, conta um período importante do nosso país! E conta assim, sem muita pretensão, conta como quem conta a sua própria história mesmo e só. Vale a pena a leitura!


fotos: Google imagens

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Começar de novo

Faz uns quatro meses que não escrevo e não é por falta de assunto, pelo contrário. É tanta coisa de que quero falar, tantos assuntos interessantes, mas a desorganização do meu tempo não me permite. Sim, sou organizada em quase tudo, menos no tempo. Chego atrasada em compromissos e acho isso muito chato! Quanto mais cedo acordo mais me atraso! É fora do meu controle consciente! Mas este ano quero mudar isso e uma das minhas metas é para este cantinho que amo escreve duas vezes por semana. Vou começar determinando que escreverei nas terças e sextas. Vou anotar, afinal todos os coach's dizem que pra gente fazer algo tem que colocar no papel, então, tá aí.
Como contei pra vocês tive um aborto espontâneo em agosto e isso mexeu muito comigo. Hoje estou bem e consigo falar e pensar em tudo com muito mais tranquilidade. Sempre penso que, o que tem que acontecer acontecerá, independente das dificuldades ou voltas que precise dar até chegar aonde tem que chegar. Sim determinamos nossos caminhos através de nossas escolhas, mas tem algumas coisas que estão pré determinadas e não tem como fugir. Uma época eu cheguei a pensar que não podia ter filhos, pois embora sempre tenha me preservado, nunca usei por muito tempo métodos como a pílula tida com um dos mais seguros. E quanta gente teve problemas com a camisinha furada?? Comigo nunca aconteceu. Agora este problema sei que não tenho. No entanto, tem a idade e os receios dos riscos de uma gravidez nesta idade que já me disseram é de risco. Por enquanto vamos levando. Afinal, o que tiver de ser será!
Além desta perda outras duas me causaram imensa tristeza que foi a partida do meu tio Guinho em final de agosto e da minha tia Semita em outubro. Não vou rotular 2017 como um ano ruim, não gosto de fazer isso. Mas foi, com certeza, o ano com mais partidas que já passei. Muitas pessoas conhecidas e próximas desencarnaram. Jovens, mães, filhos, pais, tios, irmãos, velhos, mais ou menos, pessoas amadas que deixam saudade profunda, mas que estão noutro plano, livres do envoltório carnal e com certeza se preparando para uma próxima encarnação num planeta de regeneração. É, é como aquele colega que está um ano a nossa frente na escola, ele passa para o próximo nível e precisa mudar de colégio, mas seguimos ligados pelo laço mais forte que existe que é o do amor.
Seguimos nossa caminhada! Até breve é o que dizemos aos nossos entes queridos. A dor da tristeza vai aos poucos dando lugar a saudade e com o tempo a saudade traz lembranças boas e menos dolorosas!
Então, hoje recomeço aqui no blog e recomeço na tentativa de organizar meu tempo ou de me organizar no tempo. Torçam por mim!

Foto: Google imagens

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Simplicidade das crianças

O João Pedro e eu sempre conversamos no carro quando estamos indo pra casa ou vindo para a escola. Geralmente são coisas triviais, desenhos, super-heróis, sobre coisas do dia-a-dia. Hoje nossa conversa surgiu do nada e me pegou bem de surpresa, assim:
JP: _ Leli, tu te lembra do bebezinho que tava na tua barriga?
Eu: _ Lembro, porque?
JP: _ Te lembra que nós jogamos almofadas em ti e pegou no bebezinho?
Eu: _ Sim.
JP: _ Doeu?
Eu: _ Um pouquinho.
JP: _Ele chorou?
Eu: _ Não.
JP: _ Quando que tu vai poder ter outro bebezinho na tua barriga? Eu quero outro irmão e tem que ser um menino, tá bom?

Ele me fez lembrar da situação que eu estava adiando. Sim, deixei quieto, botei na pilha do analisar mais adiante, tipo lá por dezembro, que é quando acaba o período no qual eu deveria evitar engravidar. Desta data em diante posso voltar a tentar, lá na faculdade, onde me atenderam após a curetagem, na revisão, já passaram data pra marcar retorno, caso decida tentar nova gestação. Uma decisão muito simples pro João, que já fez a escolha de mais um irmão (na verdade primo) e tem que ser menino. Tá tudo certo, é só decidir e já é. Pra mim é um pouco mais complexo, mas vamos esperar o tempo. Quando chegar dezembro...
Até porque depois de tudo ainda não fui consultar a minha médica ginecologista, nem voltei no meu clínico geral para dar satisfação de tudo que aconteceu. Parece fuga, talvez seja!
Mas sei que está tudo bem, me recuperei bem, voltei a andar de bicicleta semana passada (quando não chove né?) estou fazendo uma dieta light (já emagreci 2,5 quilos), estou muito feliz e pretendo emagrecer mais um pouquinho, mas sem neurose! Tô levando tudo numa boa, com calma. Como diz minha sobrinha Amanda, é vida que segue!
Claro que fiquei matutando! Assim como fico quando alguém conta que tá grávida, e isto tem acontecido muito ultimamente. Eu fico feliz porque adoro criança e porque entendo que neste período de transformação espiritual do nosso planeta (papo pra outro post) precisamos de muitos espíritos, de gente que vem pra nos ajudar nesta mudança. Nestes últimos dois meses fiquei sabendo de pelo menos umas 10 grávidas. Acho lindo, me emociono e também penso em como estaria minha barriga e meu bebê se a gestação tivesse seguido. Enfim, vamos adiante, todo tempo é necessário para a maturidade e o aprendizado!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Homologações

Desde que comecei a trabalhar no escritório com meu pai, pra ajudar a pagar a faculdade, atuo no departamento pessoal. O pessoal é aquele setor de contratação de funcionários, que calcula salários, horas, impostos da folha de pagamento, férias e as temidas rescisões. Neste tempo todo, raramente ia aos sindicatos fazer as homologações, geralmente quem fazia isto era o meu pai.
Não vou falar na crise, não vou falar de política ou de direitos trabalhistas, muitos falam sobre isto sempre. É importante, talvez algum dia eu venha falar disto, mas noutra ocasião. Nesta vou falar do lado humano de uma demissão.
Este ano pessoas queridas com muitos anos de trabalho na mesma empresa foram demitidos, entre eles amigas queridas, com mais de uma década de casa. Pessoas que vestiram a camiseta da empresa, que de tantos anos labutando no mesmo lugar sentiam que a firma era sua segunda casa. Todas elas foram pegas de surpresa. Em nenhum momento lhes passou pela cabeça que seus patrões estivessem insatisfeitos com seu trabalho, jamais lhes reclamaram atrasos ou faltas e nunca disseram que faltou fazer isto ou aquilo. Exatamente por isto o aviso prévio foi um choque! Ser demitido quando não se espera é como se o chão fosse tirado debaixo dos nossos pés, se pensa nas contas, na família, no final do mês, se pensa pra onde vou agora, o que farei se meu cotidiano era da casa pro trabalho, do trabalho pra casa? A gente costuma pensar que pertence a um lugar, principalmente quando ele faz parte do nosso dia-a-dia. E também pensa que aquele lugar nos pertence, afinal de contas 18 ou 20 anos de trabalho na mesma empresa não são 20 dias, é uma vida! Conhecemos a família do chefe e o chefe a nossa. Sabemos o quanto foi duro e o quanto ele progrediu e investiu na empresa, no crescimento econômico do setor e até no crescimento da cidade onde está o empreendimento. Temos até orgulho de dizer que somos funcionários daquela pessoa que começou a empresa numa saleta dividida com outros colegas e que hoje tem mais de cem funcionários. É como aquele primo ou amigo de infância que se forma médico depois de tanto esforço.
Agora, na hora de assinar o aviso, de se preparar para receber a demissão e seguir outro caminho é inevitável deixar de pensar "de que valeu"? Eu sempre sou de acreditar que tudo vale a pena! Mas é difícil viver este luto, compreender que talvez, realmente não tenha sido algo pessoal. Avaliamos o quanto de dedicação investimos naquele cotidiano, o quanto esperávamos, o quanto gostávamos, porque tem muita gente que trabalha com amor e satisfação. E pra mim é extremamente duro ir fazer a homologação da rescisão e ver os olhos daquelas pessoas me interrogando "porque?". Na grande maioria das vezes eu não faço ideia do motivo da demissão. Também muitas vezes fico tão chocada com o anuncio da demissão quanto quem recebeu!
Nestes últimos dias achei bem difícil fazer as homologações e fiquei consternada com a dor dos ex-funcionários. Foi uma delas que me falou que precisamos estar conscientes de que não pertencemos a lugar nenhum, mesmo que doa muito falar sobre isto e que nas primeiras semanas tenha sido quase impossível falar ou lembrar do ocorrido sem chorar.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Lar é muito mais que uma casa

Nunca tive vergonha da minha condição financeira, da minha família, da minha casa ou do lugar onde eu morava. Sempre soube que éramos pobres e usava de bom grado as roupas, sapatos e outras coisas que ganhava dos primos mais velhos ou de amigos com melhores condições financeiras. Mas tive na adolescência amigos que tinham vergonha da sua família, da casa ou do trabalho dos pais. As roupas de marca eram uma forma de tentar esconder uma casa com problemas estruturais. Um destes amigos foi embora muito cedo, não lembro ao certo a idade que ele tinha quando morreu, mas era no máximo 20 anos. Foi num acidente de carro na estrada entre Pelotas e Rio Grande.
O pai dele me chamava carinhosamente de "porqueira"! E nunca duvidei que fosse carinhoso. Ele falava assim principalmente quando eu e a Ana Paula íamos pra Bento ficar na volta deles enquanto trabalhavam. Nosso amigo tinha vergonha que outras pessoas o vissem ali fazendo o percurso do passeio das pôneis. Mas nós não só passávamos a tarde, como várias vezes íamos ao lado dele fazendo o percurso em volta a da praça. Ele era um cara bem inteligente, estudou na escola técnica e gostava de Guns n' roses. Gosto, aliás, pelo qual vivíamos brigando, afinal ele era do rock e nós até gostávamos de rock, mas estávamos na época das bandinhas água com açúcar, com carinhas bonitinhos e letras melosas.
Entrei apenas uma vez na casa dele, geralmente nos falávamos na esquina da casa dele, que era a metade do caminho entre a minha casa e a casa da Ana Paula. A gente costumava se visitar todos os sábados. Combinamos que um sábado eu iria a casa dela e no outro ela iria na minha. E na hora de ir embora uma acompanhava a outra até um pedaço, que virava até a outra esquina e quando víamos estávamos na esquina da casa da outra e precisávamos acompanhar pelo percurso de novo e de novo. No verão fazíamos isto até um pouquinho antes de anoitecer. O bairro apesar da fama era bem mais calmo também. Neste vai e vem sempre encontrávamos este amigo pelo caminho, ou chamávamos na frente da casa e pra ficarmos de papo ali na frente, falando abobrinhas, discutindo besteiras e dando muita risada. Ficávamos felizes juntos! Desta vez que entrei na casa deste amigo foi numa festa de aniversário dele, acho que era de 18 anos. Além da família só nós duas. E foi nesta única vez que aprendi uma das coisas mais importantes da minha vida. Aprendi que um lar é muito mais, mas muito mais mesmo que uma casa bem estruturada. Um lar é feito de gente que se ama e que mesmo sabendo que não é motivo de orgulho pro outro faz tudo pra ele estar e ser feliz. A casa deste meu amigo tinha problemas no telhado, tinha animais aqui e ali, tinha umas tranqueiras no caminho, alguns entulhos de obras inacabadas. Faltavam algumas coisas materiais, talvez coisas que fizessem falta para o conforto da família que trabalhava duro. Mas sobrava amor, tinha fartura na mesa, tinha muita alegria, tinhas corações abertos e gente acolhedora que te fazia sentir em casa, mesmo que aquela fosse a primeira vez que te vissem.
Eu sei que a maior luta deste meu amigo era pra superar as dificuldades financeiras, ter um lugar confortável pra morar. A vontade de mudar foi o que o levou a batalhar seus sonhos. Acho que quando ele desencarnou não estava morando em Pelotas, mas seguido vinha por causa do trabalho e da família. O desencarne foi um choque, foi estranho pois nesta época ainda temos uma noção de morte muito remota, é como se fôssemos imortais.
Escrevi este texto porque senti saudade daqueles tempos. Lembrei do nosso amigo, dos domingos na Bento, das risadas e dos planos de sermos famosos, ricos, bonitos e magros.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Salve são Jorge! Ogunhê!

Sou espírita, aos poucos vou me reformando intimamente, tentando modificar  e me melhorar, tentando eliminar vícios e ser alguém melhor. Mas antes de me descobrir espírita, me descobri espiritualista, certamente reminiscências de outras vidas em que trabalhei com ervas para curar (o que é uma coisa que me vem intuitivamente quando alguém tá doente), lembrança daquelas possíveis existências em que vivi como indígena, como africana, aqui e talvez lá no berço da humanidade, enfim... E enquanto espiritualista me identifico muito com as práticas da umbanda (onde praticamente fui criada). Assim como eu, o centro espiritualista que me introduziu na espiritualidade também está evoluindo, trabalha alguns dias com o espiritismo, tendo como base as obras de Kardec. Não existem mais "trabalhos" com sacrifícios de animais nem oferendas nas ruas, tudo agora vira doação para as famílias necessitadas  que frequentam o centro. As oferendas viraram auxílio para aqueles que necessitam o que comer e o que vestir.
Nesta minha andança um santo, um orixá sempre esteve comigo. É algo inexplicável mas o sentido de proteção nos perigos que passei sempre vinha do meu querido São Jorginho. Sim, nesta intimidade mesmo, afinal de contas, ele é o grande orixá, o venerado santo católico, mas antes de mais nada é um espírito amigo que me auxilia nos momentos difíceis e como meu amigo aceita que o chame carinhosamente assim. Minha fé contagiou muita gente na minha família e de certa forma somos uma família devota de São Jorge. Tenho muito a agradecer a este amigo que tantas vezes me auxiliou e ajudou aos meus familiares. Neste dia de homenagens a São jorge elevo meu pensamento em agradecimento por todas as graças concedidas! Salve São Jorge! Salve Ogum orixá guerreiro! Ogunhê!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Catapora

É tempo de catapora, doença infantil, em geral, que causa bolhas d'água, feridas, febre e muita coceira no corpo. As benditas feridinhas podem atacar todo o corpo, do couro cabeludo até cantinhos mais internos aonde quer que tenha pele.
Eu tive, aliás tive quase tudo que foi doença de criança! Tive catapora, caxumba, hepatite A, e mais um monte de coisas. A minha catapora começou numa época em que eu estava passando uns dias lá fora na casa da dona Didi. Não lembro direito como começou. Lembro que tive bastante febre. As feridas se espalharam por tudo e eu tinha na cabeça, dentro das orelhas, embaixo dos braços, nos órgãos genitais, na garganta e sabe-se-lá-mais-onde.
A ferida da garganta não me permitia comer, pois nada passava por ali sem me causar ânsia de vômito. Lembro de tomar apenas canja, ou melhor o caldinho da canja. A gente estava lá fora, no interior de Piratini aonde não tinha água encanada, luz ou telefone. E o telefone mais próximo era há quilômetros de distância da casa da vó Didi, bem como os vizinhos, a cidade, o bar mais perto. Era muito bom ficar lá nas férias, mesmo sem ter absolutamente nada pra fazer. O tempo passava beeeem devagar, minhas horas eram gastas debaixo de uma árvore na frente da casa, aonde deitava no chão e escutava rádio, viajava nas nuvens adivinhando figuras, sonhava com coisas futuras. Outras vezes eu corria atrás dos bichos, porcos, galinhas e patos. Outras brincava de casinha, inventava histórias ou ajudava a vó Didi a fazer biscoitinhos, sovar massa de pães no cilindro e tantas outras atividades domésticas. A gente visitava a casa de alguns vizinhos. Para isto precisávamos fazer longas caminhadas até a casa deles. Mas quando fiquei doente tive que ficar em casa porque não podia pegar frio e chuva e porque não devia contaminar os outros.
Engraçado que mesmo bem distante do meu mano ele pegou catapora também, na mesma época. A diferença é que eu fiquei tapada de feridas dos pés a cabeça e ele teve uma meia dúzia, no máximo, na barriga.
Como a vó Didi já tinha uma idade um pouco avançada, achou melhor voltar pra casa comigo pra minha mãe cuidar de mim. O legal foi que a volta, da casa  lá de fora até o lugar onde pegávamos o ônibus, fui a cavalo com o Vilmar. Foi muito emocionante! Quando cheguei em casa fazia um dia quente, mas caía uma chuva de verão leve e eu fiquei na janela vendo meus irmãos e prima tomando banho de chuva e  se refrescando, mas eu não podia. Foi chato!
Apesar de tantas e tantas feridas creio que não fiquei com nenhuma marca no corpo. Ficar doente é bem ruim, eu achava bem chato não poder fazer várias coisas, mas também tinha lá suas vantagens. Afinal... quando a gente fica doente recebe bastante atenção, carinho, cuidados e mimos.
Meus queridos sobrinhos estão passando pela fase cataporenta. A Larissa teve há bastante tempo, devia ter uns dois aninhos. Este ano foi a vez da Amanda, depois foi o João e agora meu amor Yuri. Tomara que o Pê e o Daniel se livrem dela por enquanto.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Convalescendo

Estou há alguns dias sem poder escrever por aqui. Primeiro porque estava me preparando para realizar uma cirurgia e agora por estar me recuperando dela. Foi uma cirurgia simples, apesar do nome ser complicado! Aconteceu na segunda feira a tarde e hoje já estou bem e na casa da mamãe por alguns dias.
Da descoberta da necessidade do procedimento cirúrgico até o acontecimento dele de fato se passaram alguns meses, já que precisei fazê-lo pelo SUS. Aproveito para destacar o ótimo atendimento que tive no Hospital Escola da FAU por toda a equipe, desde a recepção até os médicos, enfermeiros e todos os outros profissionais. Minha recuperação está sendo ótima! Logo logo tudo volta a rotina!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Genealogias familiares confusas

Tem um texto que eu adoro, do qual desconheço a autoria que chama-se "O homem que morreu de confusão". Transcreverei o texto logo abaixo para que tomem ciência do conteúdo e compreendam que é possível que na minha família venha a acontecer algo do tipo, tanto do lado do meu pai, quanto da minha mãe. Eu na verdade não acho as coisas confusas, consigo entender bem tudo, embora algumas vezes me surpreenda com a descoberta de um parentesco a mais com um já parente.
Começo falando do lado da minha mãe. Minha vó Amália tinha vários irmãos e aconteceu de dois casarem-se. A princípio a coisa parece terrível, como dois irmão casam entre si! Mas esmiuçando a árvore genealógica descobrimos que a irmã era minha avó e não os que casaram. Explico melhor!
Minha avó Mália era filha da bisa Elmira com um cidadão o qual não sei o nome, só sei que o sobrenome é Oliveira. Este senhor Oliveira tinha outros filhos, que vinham ser meio irmãos da minha vó. E minha bisa, por sua vez, teve outros filhos e filhas de outros relacionamentos, sendo estes meio irmãos da minha vó. Ocorreu então que o meio irmão paterno da vó Mália, tio Ilvo deu de apaixonar-se pela meia irmã materna da vó Mália, a tia Ursina, ou talvez Orestina, não estou bem certa do nome. E por conta deste amor casaram-se.
Como é de praxe misturar deu de acontecer de meus tios Leopoldo e Claudio (mais conhecido como Guinho) resolverem casar com as irmãs Lorena e Loraci. Até aí tudo bem, nem tem confusão, apenas uma sequência, quase um tradição de família, visto que os filhos do tio Guinho a Claudia e o Maicom casaram-se com um casal de irmãos.
A confusão acontece mesmo quando eu digo que minha irmã é casada com meu tio. Todo mundo acha absurdo e contesta e quer explicações.  E a explicação é muito mais fácil, do que o caso dos meio irmãos da vó. É sim. Meu pai foi casado, antes de conhecer minha mãe e teve 4 filhos, perdeu um ainda criancinha. São eles meus meio irmão, entre elas a Mana que veio casar com meu tio por parte de mãe. Sendo assim não há nenhum parentesco entre eles, a não ser eu que sou irmã de uma e sobrinha da outra, minha mãe que é madrasta de uma e irmã do outro e meu pai que é pai de um e sogro do outro. Dos filhos da minha irmã com meu tio acabei tendo três sobrinhos/primos. Minha mãe tem sobrinhos/netos postiços. E meu pai tem netos e sobrinhos por afinidade. Uma loucura! Eu e a minha mãe somos tias dos mesmos sobrinhos! Isto é fantástico!
Além das questões que expus ainda tem o fato de eu ser madrinha de metade dos meus sobrinhos filhos desta minha irmã. E da minha sobrinha mais velha, de quem não sou madrinha, sou cumadre, pois batizei o filho dela. é uma trama bem trabalhada!
Não bastasse as confusões mais antigas deu de acontecer justamente do meu irmão caçula ter um romance passageiro com uma prima de segundo grau, ou seja filha de uma prima. Deste romance nasceu o João Pedro que é meu sobrinho e afilhado e primo em terceiro grau. O Pedro conseguiu a proeza de ser primo (terceiro) dos próprios pais e neto e tataraneto da mesma vó. No caso a minha vó Mália. Minha mãe é vó da criança e a irmã dela é bisavó.
Do lado do meu pai a confusão não é menos comum. Começa com os irmãos que casaram com irmãs. Minha avó Cela casou com o vô gentil. E o irmão dela casou com a dona Santa.  Meu pai e minha tia Eva se casaram com os irmãos Dalva e Edegar. Esta é das misturas mais simples. Já meu tio mais velho, o tio Lauro resolveu misturar bem e casou com a prima Marli. Teve 4 filhos, que são também seus primos.
Eu que não sou de me assustar nem cogito esta bobagem de sair da história por conta da confusão, gosto mais é que misture tudo mesmo. Só nunca namorei primo, porque pra mim eles são a mesma coisa que irmão. Tô pensando em desenhar a árvore genealógica, mas tô com receio de que fique tudo um borrão de tanta linha cruzada de cá pra lá que vai ter.

O texto, que acho foi inspirado na minha família está logo abaixo.
"O HOMEM QUE MORREU DE CONFUSÃO 

Foi encontrado no bolso de um suicida, em Maceió, a seguinte carta: 

Ilmo Sr. Delegado de polícia, não culpe ninguém pela minha morte. 
Deixei esta vida porque um dia a mais que eu vivesse, acabaria morrendo louco. 

Explico-lhe Sr. Delegado, tive o destino de casar-me com uma viúva, a qual tinha uma filha, se eu soubesse disso jamais teria me casado. 

Meu pai, para maior desgraça, era viúvo e quis ele se casar com a filha de 
minha mulher, resultou daí que minha mulher tornou-se sogra de meu pai, 
minha enteada ficou sendo minha mãe e meu pai era ao mesmo tempo meu genro. 

Após algum tempo, minha enteada trouxe ao mundo um menino que veio a ser meu irmão, porém neto de minha mulher de maneira que fiquei sendo avô do meu irmão. Com o decorrer do tempo, minha mulher deu a luz a um menino, que como irmão de minha mãe, era cunhado de meu pai e tio de seu filho, passando minha mulher a ser nora de sua própria filha. 

Eu, Sr. Delegado, fiquei sendo pai de minha mãe, tornando-me irmão de meu pai e de meus filhos e, minha mulher ficou sendo minha avó, já que é mãe de mamãe, assim acabei sendo avô de mim mesmo. 

Restando, Sr. Delegado, antes que a coisa se complique mais, resolvi 
despedir-me deste mundo. 

Perdão Sr. Delegado." 

Fonte do texto: Ivan Meyer

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Tábua de salvação

A primeira vez que ouvi falar na expressão "tábua de salvação" foi quando li, num livro que não recordo o nome. Lembro que eu era bem criança e achei a expressão estranha e sem muito sentido. Até que minha mãe me explicou dando um exemplo assim "tábua de salvação é uma tábua ou um escombro no qual a pessoa se agarra quando está se afogando", no caso de uso geral, a expressão significa alguém, ou alguma coisa, que ajudou quem estava em perigo a salvar-se. Daí fez sentido!
Depois disso várias vezes ouvi ou li a frase e na maioria das  vezes era no sentido de pessoas que foram salvas de situações dramáticas. E algumas outras vezes, conhecendo a história de algumas pessoas eu torci muito e rezei pra que elas encontrassem suas tábuas de salvação. Eu sei que ninguém salva alguém que não quer ser salvo. A ninguém é possível dar paz ao outro ou felicidade, porque ambas são interiores. Mas podemos estar ao lado e dar alguma segurança. Devemos mostrar aquela pessoa que ela não esta sozinha.
Um amigo me contou uma vez quando foi demitido de um trabalho que amava muito ficou terrivelmente deprimido. Ele destacou que ficou realmente muito mal, que não conseguia sair da cama, não comia e não dormia bem. Foram vários dias naquela deprê. E que uma amiga ficou todo o tempo que ele estava mal junto com ele. Chegava de manhã e ficava até a noite, sem falar uma palavra muitas vezes, mas estava lá. Mostrando que ele não estava só, que aquilo era só um obstáculo e que tudo ficaria bem. A amiga foi a "tábua de salvação" dele. Acho esta história, verdadeira muito linda, de um amor genuíno e de uma amizade pura e verdadeira.
Quero muito que duas pessoas que passam por problemas sérios encontrem suas "tábuas de salvação" e consigam romper o ciclo vicioso em que se encontram no momento. Rezo para que superem suas dificuldades e tenham muita felicidade em suas vidas.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Encontros e despedidas

Não sei lidar direito com despedidas! Durante um pouco mais de um ano fiquei indo e vindo e não importava quantas vezes eu embarcasse no ônibus aqui ou desembarcasse dar tchau era um exercício bem difícil, sempre regado de lágrimas e soluços. Foi um tempo de bom aprendizado, de crescimento pessoal e amadurecimento. E mais que tudo foi um tempo de descoberta de mim e da minha família.
Sempre fui muito ligada a minha mãe e ir pra longe, mesmo que o telefone ou a internet nos re-ligasse partir era uma dor terrível, digno de filme, tamanho era meu chororô. O lado bom foi aprender a ser independente, a agir por mim, tomar decisões. O lado ruim era sentir saudade, se sentir sozinha, não poder ver as pessoas que amava na hora que queria. Creio que o aprendizado maior foi descobrir o quanto minha família era importante pra mim. Não só o núcleo direto, pais, irmãos e sobrinhos. Mas todos! Minha avó, meus tios e tias, meus primos.
Para completar este período foi bem na época da novela Senhora do Destino que tinha o tema de abertura a música "Encontros e Despedidas" do Milton Nascimento cantado pela Maria Rita. E toda vez que eu entrava no ônibus a música começava a tocar na minha cabeça, numa trilha sonora de choro e "até logo".
Depois deste tempo a despedida que me arrancava lágrimas era da minha sobrinha, que pequenininha não queria ficar ou nos deixar ir embora. Que dor sentia vendo aquela guriazinha chorando. Hoje a história se repete com outro sobrinho. A agonia é a mesma. Ver os olhinhos cheios de lágrimas parte meu coração. E como as despedidas não me são nada fáceis fico destruída e aos prantos. A trilha sonora volta a mente na voz de Elis Regina e o choro rola frouxo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Amofinada

Acho muito estranho quando não tenho assunto para escrever. Pra mim escrever é ordenar pensamentos, é compreender sentimentos, expurgar tristezas. E quando estou Sentindo muitas coisas ao mesmo tempo e não consigo escrever isto me deixa apreensiva, porque sei que vai demorar um pouco mais a digerir o que acontece e consequentemente minha harmonia interior não será a mesma. Geralmente quando isto me ocorre eu me recolho e fico quieta. Choro um pouco... ou muito e com o passar dos dias as coisas se acomodam e eu enxergo melhor tudo.
São preocupações nas quais não posso agir. São aquelas coisas que a gente tem que entender e respeitar, para as quais a gente pode fazer prece e dizer, lembrar que está a disposição, que está apostos, mas que independem totalmente da gente. São decisões e escolhas dos outros. É a caminhada do outro e nós só podemos fazer companhia, a escolha do caminho é do outro.
Talvez seja o mais difícil exercício do amor, deixar que as pessoas passem e aprendam o que precisam aprender por si. Quando os pais ensinam o certo e o errado, dizem não, dão carinho e amor devem ficar com a consciência tranquila e confiar no bom trabalho que fizeram. Mesmo assim é difícil não se amofinar com as dificuldades naturais que os filhos enfrentam na sua jornada.
É, eu que não tenho filhos me amofino do mesmo jeito.  Neste momento me sinto amofinada e sem palavras para explicar. Mas ao mesmo tempo grata por poder exercitar o amor.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Arte no auxílio do tratamento

Depois de assistir este vídeo lembrei de uma apresentação da Larissa na Fundação de Apoio Universitário (Fau). Esta apresentação foi uma iniciativa da professora Mônica Borba que dava aula de ballet na Cia da Dança. Se não me fala a memória a apresentação aconteceu no ano de 2007, depois da mostra de final de ano da academia. Este espetáculo, na Fau, foi muito emblemático para nós pois foi na UTI deste hospital que ela esteve internada ainda bebezinho.
Foi muito emocionante ver ela e as coleguinhas dançando naquela sala para outras crianças enfermas com suas mães. Percebia-se a expressão de encantamento da gurizada e a distração das mães, que naquele momento sentiam-se aliviados da rotina de remédios e tratamentos. Óbvio que a emoção falou muito alto em mim, chorei bastante.
Acho lindo as iniciativas de levar arte para aquelas pessoas que estão hospitalizadas. Música, dança, brincadeiras, pinturas são tão belas e certamente ajudam no tratamento. Não é por acaso que são tidos como uma forma de se aproximar de Deus.
Os Doutores da Alegria é uma iniciativa que acho linda demais. São mais de duas décadas de trabalho junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde. Foram mais de "um milhão de visitas de um elenco de cerca 40 palhaços profissionais (não voluntários) e possui unidades em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Recife." No site explica como doar e ajudar.