Num cantinho da casa de repouso, nome pomposo para o verdadeiro fim a que servem, a pequenina senhora olhava tristemente para a rua, como a espera de alguém que estava certo de vir. Comecei a conversa após alguns instantes sentada a seu lado.
_Como a senhora está hoje?
_Minha filha, nem sei o que faço aqui ainda. Deus perdeu o caderno aonde estava anotado meu nome. Todos da família que tinham mais ou menos minha idade já se foram. Ficaram meus filhos e netos e sobrinhos... mas sou um estorvo pra eles, todos trabalham muito, não tem tempo para cuidar de mim...
A lágrima rolou mansinha pelo rosto marcado de rugas de dona Edith. Seus olhos não tem brilho, mesmo quando seu rosto sorri. Eu pergunto se ela quer dar uma caminhada pela casa, mas ela diz que está muito cansada e prefere conversar ali mesmo. Então ela me pergunta:
_Sabe que hoje sonhei com meu velho?
_É dona Edith? E como foi?
_Ele estava lindo, sorrindo pra mim na entrada da casa aonde morávamos. Então ele veio caminhando até a namoradeira onde eu estava sentada. Ajoelhou aos meus pés, segurou minha mão entre as dele...
_E então?
_Ah! Ele beijou minha mão. Lembro porque senti cócegas por causa do bigode. Sempre senti cócegas do bigode dele! Aí ele passou uma das suas mãos sobre a minha e ficou segurando. Olhou nos meus olhos e me disse assim, "minha velha, não fica triste eu nunca te deixo só, nossos filhos estão em dívida contigo, mas logo-logo nós dois estaremos juntos, falta pouco". Ele vai vir me buscar!
_ Ele disse isso?
_Não, ele não disse, mas eu sei. Mas não te preocupa filha, eu quero ir. Estou cansada de estar aqui. Nem sei como aguentei tudo isto pelo que passei na vida, não sei... Minha vida não foi nada fácil! Passei fome na minha infância. Era uma época de muita miséria, ninguém tinha comida, comia só quem conseguia plantar alguma coisa. Trabalhei muito, lavei passei, cozinhei na casa dos outros, limpei chão, cuidei de criança. Então um dia, num restaurante que estava trabalhando conheci meu véio. Ah! Lembro bem demais daquele dia.
Falando isto foi a primeira vez que vi os olhos de dona Edith brilharem, foi a primeira vez que a vi viva. Ela foi contando como conheceu o marido e como foi difícil para ficarem juntos, pois a família dele se opunha por ela ser pobre. Mas ele insistiu. Tiveram cinco filhos, e nenhum deles vem visitá-la porque "são ocupados". Seus 20 netos não aparecem nunca! Mas ela sempre os desculpa quando ligam, pois ela é mãe, é vó e eles são tudo pra ela.
Ficou viúva numa época em que era bem difícil criar os filhos sendo sozinha. Dona Edith não se importou com as convenções sociais. E logo que pôde, mesmo com cinco crianças começou a trabalhar. Mesmo com a pensão do marido. Nunca mais casou. Desde os 40 anos reserva-se exclusivamente para seu marido. Mantém-se como na juventude, guardando se para o verdadeiro amor.
Nossas conversas são sempre sobre livros, filmes que gosta de assistir, mas nos últimos dias ela vem falando da sua história. E desde o sonho com seu esposo noto que ela vem ficando cada dia mais feliz. Seu olhar, antes disperso e apagado, agora exibe o brilho, que vemos nos olhos dos apaixonados.
Nesta manhã dona Edith me chamou a seu quarto. Fez com que eu sentasse em sua cama e disse:
_No sábado é meu aniversário, estarei completando 96 anos. Sorrindo completou, faltam só quatro p'rus cem, mas não chego lá não. Quero te pedir um favor filha, liga para meus filhos e meus netos, e pra minha irmã Carolina. Aqui tem um dinheirinho, acho que dá pra comprar um bolo e uns salgadinhos. Ah! Compra também uns balões, compra lilás, minha cor favorita. Não esquece os refrigerantes e uma cidra. Traz também umas flores, como é o nome daquelas bem coloridas?
Fiquei olhando para ela com o dinheiro na mão.
_Aquelas que parecem margaridas grandes, sabe?
_Gérberas?
_Isto, traz umas gérberas. Diz pros meus filhos, noras e netos que eles precisam vir. Que é uma comemoração de família e todos devem vir, ah! marca as quatro da tarde.
Saí do quarto deixando dona Edith. Estava pronta para sair e fazer as compras que ela pediu. A tarde liguei para os filhos e a irmã. Todos ficaram certos de estar no sábado na casa de repouso. No dia marcado dona Edith estava radiante. Sua pele parecia estar muito mais saudável e até menos marcada pelas rugas.
Organizamos a sala onde seria feita a festinha e ela colocou, numa mesa próximo da cadeira onde estava sentada a fotografia do seu esposo. Como em muitos anos não via a casa de repouso estava em festa. Todos estavam alegres.
A primeira a chegar foi dona Carolina. Conversou durante bastante tempo com a irmã relembrando o passado e sorrindo das coisas todas que aprontou quando criança.
Aos poucos os filhos de dona Edith foram chegando com seus filhos e as namoradas dos filhos.
Todos riram muito, comeram, beberam, desculparam-se pela ausência e brindaram, com a cidra encomendaou a mim, pela saúde de dona Edith.
Acabada a festa dona Edith levou uma gérbera e o retrato do seu amado de volta a seu quarto.
No meio da noite acordou com a presença do seu velho.
_Como foi a festa Edith?
_Ah! meu velho vieram todos, foi linda! Nunca na minha vida tinha tido um aniversário tão feliz!
Ele a pegou da mão e dançaram pelo quarto, como faziam na mocidade.
Dançaram, dançaram, dançaram,dançaram...
Na manhã seguinte a ausência foi notada por todos, já que era uma das primeiras, sempre, a acordar. Quando entrei no quarto dona Edith ainda estava deitada, parecia estar dormindo. Sobre o peito a fotografia e nos lábios um sorriso tranquilo. Ela havia se ido! Reencontrou seu amor.
No criado mudo uma carta para mim dizia:
"Não chore nem fique triste, minha ausência te dará saudade, tenho certeza, mas saiba que estou indo porque acabou meu tempo, estou feliz, fiz tudo que precisava fazer, criei filhos bons, vi meus netos... tive amigos maravilhosos. Agora vou ficar junto do meu velho, como prometeu ele veio, veio me buscar. Me vista com a roupa que usei no meu aniversário, nas minhas mãos quero apenas a aliança e a gérbera que esta no vaso ao lado da cama. Reza um pai nosso pela minha alma, pede luz pra o meu caminho, mas não chora. Se quiser, pode beijar meu rosto. Avisa a todos os meus, mas esta carta é só tua. Não te preocupa com o teu amor que ainda não apareceu, algo de muito bom esta no teu caminho, eu pude ver. Cuida de mim pela última vez com todo o carinho como sempre fizestes. E depois que eu for sepultada... quando sentires saudade, reza por mim. Um beijinho no teu coração, Edith".
Tudo foi feito como ela havia me pedido. Sua serenidade contagiou a todos e como se soubessem, ninguém chorou. Talvez tenham se envergonhado diante do sorriso da morta. E hoje toda vez que lembro dela, rezo um pai nosso. E lá se vão mais de 40 anos. Ela estava certa, tinha algo de muito bom no meu caminho!
PS.: Esta bem poderia ser a história de alguma idosa ou idoso que a gente conhece, mas não é, eu juntei muitos relatos que ouvi, sentimentos meus e de outros e deu nisso. É uma tentativa de deixar a veia literária fluir!
Contos de todo o tipo, historinhas da vida real, crônicas do cotidiano, contos, sonhos e desejos, todos mudando conforme as fases da lua.
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
"Eu te amo, não esquece nunca!"
Cansada de sofrer por um amor não correspondido resolveu botar um ponto final. Não dava para continuar sofrendo! As palavras que disse ao amado serviam mais para si própria do que para ele, que não sofria qualquer culpa, que não compartilhava das dúvidas e dos medos dela. A intimidade dos dois serviu como ponto de partida para entrar no assunto, que para ela, a cada palavra proferida se tornava mais difícil.
Acabou seu discurso aos prantos, desculpou-se por não ser tão livre como gostaria de ser. Cada frase lhe batia de volta como um bumerangue.
_Te amo, mas não posso continuar ficando contigo... não te cobro nada... e sei que teu amor por mim é diferente... sei que não tens intenção de mais nada além do que já dizia Cazuza 'sexo e amizade'... cobro demais é de mim mesma, que não quero sentir o que sinto para não te cobrar o que não devo... nem posso.
Tudo foi dito sem intervalo, sem tempo para réplicas. Ele não deveria dizer nada. Como aconteceu diante do espelho, ninguém retrucou. Foi seguindo, ou pensava que seguia, o roteiro imaginado. Mas ele não poderia dizer nada. Tocá-la menos ainda. Sentir o calor de suas mãos seria covardia demais. Com certeza esqueceria o roteiro, os planos e a decisão definitiva que havia tomado de mudar a situação. Aquele momento era a virada de mesa para ela. O agora ou nunca!
Como previsto ele deixou que ela falasse compulsivamente. Ouviu com atenção os argumentos e ficou os olhos nos olhos dela. Crispou a sobrancelha quando lhe perguntou se ela tinha mesmo segurança de que não queria mais amá-lo, mesmo que sem compromisso, mesmo que apenas uma vez lá que outra? Ela seguiu firme na decisão apesar das lágrimas rolando pelo rosto e a voz fraca que quase não saia.
Ele segurou sua mão trêmula e disse que para ele tudo aquilo era loucura, deveriam continuar como estavam. Ele também a amava e ela sabia.
Ela ergue-se do chão aonde estava sentada e disse que sabia de tudo o que ele estava falando, que acreditava em tudo, por mais incrível que parecesse e embora suas amigas, sua mãe e até ela mesma lhe dissessem que deveria esquecer o que um dia aconteceu entre eles.
_Sempre terei este amor em mim. És parte de mim, mas quero outras coisas.
Ele replicou duro:
_Queres casar? E completou a pergunta com um sorriso irônico.
Ela ficou ferida demais para responder ao sarcasmo. Disse apenas que não sabia, talvez casasse ou não. Não sabia o que queria, sabia apenas que não queria aquela situação.
_Não quero ser objeto apenas de desejos, não quero ser confidente . Não quero mais ouvir o homem que eu amo falando de outras mulheres. Não quero mais não saber afinal de contas o que sou tua, o que somos nós!
O rapaz manteve-se sério, sentado olhando para ela de pé diante dele. Houve um momento de silêncio. Apenas os olhos vermelhos dela pousados, agora com serenidade, nos olhos dele, quase indiferentes.
_Vou embora...
Foi saindo, deixando para trás toda a angústia que viera carregando. Enxugou o rosto. Olhou no espelho do hall e cerrou a porta sem olhar para trás.
Saiu com a certeza de que tu voltara a ser como antes do primeiro beijo que trocaram. Ficou livre daquela dor disfarçada de amor. Sabia que aquilo não era o que buscava. Desespero, incerteza, angústia, dor, nada, nada daquilo foi parecido com o amor que já havia sentido. Cogitava muitas hipóteses e teorias, como era costumeiro. Talvez doesse tanto porque não era correspondida como desejava. Não sabia, não fazia ideia! Também não tinha a menor importância.
Não precisou pensar em como seria o próximo encontro com ele pois demoraria alguns meses, já que ele iria viajar por mais de um mês. Durante este tempo, os dias passaram claros, calmos. No retorno, logo procurou por ela. Marcou um encontro, um café, um conhaque, mas ainda naquele dia. Antes de desligar disse solene...
_"Eu te amo! Não esquece nunca!"
Do outro lado ela sorriu vitoriosa, embora já tivesse escutado a declaração, embora tenha sido ele o primeiro a usar o termo na relação, embora ela nunca tenha tido dúvida nas vezes anteriores... desta vez pareceu-lhe mais verídico, mais sincero. Apenas respondeu calma: _Eu também!
A noite optaram pelo conhaque. Conversaram muito, como de costume ele contou seus projetos, pediu conselhos. Surpreendeu quando perguntou para ela de seu coração. Não pode disfarçar a surpresa, pois ficou corada. Sem jeito respondeu:
_Esta bem, porque a pergunta?
_Quero saber de ti, me interesso, porque a estranheza?
_Nada, apenas me surpreendi, tu nunca perguntou sobre isto antes.
Caminharam lado a lado até a casa dela. Na despedida ele repetiu a declaração pela qual ela tanto ansiou escutar.
_"Eu te amo, não esquece nunca!"
Ela sorriu...
_Eu também...
Ele beijou -a na testa.. O beijo era o selo de autenticação.
Daquele dia em diante, depois que ela disse que não o queria mais, cada despedida era para ele a tentativa de reconquistá-la. Sua declaração a fazia sorrir sempre e sentir, como se finalmente tivesse atingido seu objetivo de ser amada por ele. Agora já não importava, mas era muito bom ouvir.
Teve certeza de ser amada quando resolveu não amá-lo mais.
Acabou seu discurso aos prantos, desculpou-se por não ser tão livre como gostaria de ser. Cada frase lhe batia de volta como um bumerangue.
_Te amo, mas não posso continuar ficando contigo... não te cobro nada... e sei que teu amor por mim é diferente... sei que não tens intenção de mais nada além do que já dizia Cazuza 'sexo e amizade'... cobro demais é de mim mesma, que não quero sentir o que sinto para não te cobrar o que não devo... nem posso.
Tudo foi dito sem intervalo, sem tempo para réplicas. Ele não deveria dizer nada. Como aconteceu diante do espelho, ninguém retrucou. Foi seguindo, ou pensava que seguia, o roteiro imaginado. Mas ele não poderia dizer nada. Tocá-la menos ainda. Sentir o calor de suas mãos seria covardia demais. Com certeza esqueceria o roteiro, os planos e a decisão definitiva que havia tomado de mudar a situação. Aquele momento era a virada de mesa para ela. O agora ou nunca!
Como previsto ele deixou que ela falasse compulsivamente. Ouviu com atenção os argumentos e ficou os olhos nos olhos dela. Crispou a sobrancelha quando lhe perguntou se ela tinha mesmo segurança de que não queria mais amá-lo, mesmo que sem compromisso, mesmo que apenas uma vez lá que outra? Ela seguiu firme na decisão apesar das lágrimas rolando pelo rosto e a voz fraca que quase não saia.
Ele segurou sua mão trêmula e disse que para ele tudo aquilo era loucura, deveriam continuar como estavam. Ele também a amava e ela sabia.
Ela ergue-se do chão aonde estava sentada e disse que sabia de tudo o que ele estava falando, que acreditava em tudo, por mais incrível que parecesse e embora suas amigas, sua mãe e até ela mesma lhe dissessem que deveria esquecer o que um dia aconteceu entre eles.
_Sempre terei este amor em mim. És parte de mim, mas quero outras coisas.
Ele replicou duro:
_Queres casar? E completou a pergunta com um sorriso irônico.
Ela ficou ferida demais para responder ao sarcasmo. Disse apenas que não sabia, talvez casasse ou não. Não sabia o que queria, sabia apenas que não queria aquela situação.
_Não quero ser objeto apenas de desejos, não quero ser confidente . Não quero mais ouvir o homem que eu amo falando de outras mulheres. Não quero mais não saber afinal de contas o que sou tua, o que somos nós!
O rapaz manteve-se sério, sentado olhando para ela de pé diante dele. Houve um momento de silêncio. Apenas os olhos vermelhos dela pousados, agora com serenidade, nos olhos dele, quase indiferentes.
_Vou embora...
Foi saindo, deixando para trás toda a angústia que viera carregando. Enxugou o rosto. Olhou no espelho do hall e cerrou a porta sem olhar para trás.
Saiu com a certeza de que tu voltara a ser como antes do primeiro beijo que trocaram. Ficou livre daquela dor disfarçada de amor. Sabia que aquilo não era o que buscava. Desespero, incerteza, angústia, dor, nada, nada daquilo foi parecido com o amor que já havia sentido. Cogitava muitas hipóteses e teorias, como era costumeiro. Talvez doesse tanto porque não era correspondida como desejava. Não sabia, não fazia ideia! Também não tinha a menor importância.
Não precisou pensar em como seria o próximo encontro com ele pois demoraria alguns meses, já que ele iria viajar por mais de um mês. Durante este tempo, os dias passaram claros, calmos. No retorno, logo procurou por ela. Marcou um encontro, um café, um conhaque, mas ainda naquele dia. Antes de desligar disse solene...
_"Eu te amo! Não esquece nunca!"
Do outro lado ela sorriu vitoriosa, embora já tivesse escutado a declaração, embora tenha sido ele o primeiro a usar o termo na relação, embora ela nunca tenha tido dúvida nas vezes anteriores... desta vez pareceu-lhe mais verídico, mais sincero. Apenas respondeu calma: _Eu também!
A noite optaram pelo conhaque. Conversaram muito, como de costume ele contou seus projetos, pediu conselhos. Surpreendeu quando perguntou para ela de seu coração. Não pode disfarçar a surpresa, pois ficou corada. Sem jeito respondeu:
_Esta bem, porque a pergunta?
_Quero saber de ti, me interesso, porque a estranheza?
_Nada, apenas me surpreendi, tu nunca perguntou sobre isto antes.
Caminharam lado a lado até a casa dela. Na despedida ele repetiu a declaração pela qual ela tanto ansiou escutar.
_"Eu te amo, não esquece nunca!"
Ela sorriu...
_Eu também...
Ele beijou -a na testa.. O beijo era o selo de autenticação.
Daquele dia em diante, depois que ela disse que não o queria mais, cada despedida era para ele a tentativa de reconquistá-la. Sua declaração a fazia sorrir sempre e sentir, como se finalmente tivesse atingido seu objetivo de ser amada por ele. Agora já não importava, mas era muito bom ouvir.
Teve certeza de ser amada quando resolveu não amá-lo mais.
terça-feira, 30 de março de 2010
Abóbora de pescoço

Esta lembrança é minha, mas também é compartilhada por muitas outras pessoas. A família grande se espraiou um pouco agora que "as crianças" cresceram. Mas, não muito. Ninguém vai para muito longe não. E caso seja necessário ir, por causa do trabalho ou da vida mesmo, não precisa tristeza, pois sempre que der a "caravana Bispo" arregimenta seus comboios e parte para visitar o ente querido que tá noutra cidade. Era assim quando a Adriane estava no Chuí, viagens que renderam boas histórias e alguns estresses; e foi assim também quando o tio Leopoldo e a tia Lorena foram morar no Rincão do Andrade, na colônia de Pelotas.
Meu tio Leopoldo já não está mais aqui entre nós. Hoje ele está no mundo dos espíritos. Com certeza é um daqueles zombeteiros que vive a pregar peças nos outros, pois esta era sua principal característica enquanto estava por aqui. Não havia situação em que ele não contasse uma piada, nem pessoa com quem ele não brincasse. A mãe conta que o tio era um bom jogador de futebol e que foi jogar num time chamado Carvalhada, se não me engano em Porto Alegre. Na verdade não lembro se chegou a ir ou só foi convidado. Era chamado pelos irmãos de "Máninha", e acabou virando para os sobrinhos o tio Máninha (não sei se precisa o acento, mas é que o má é aberto).
É o filho mais velho da minha vó Mália e do vó Dorocildo, o primeiro de nove, que sobreviveram. Minha bisa adorava ele. E ele a ela. E eu a ele. Ele também gostava muito de tomar umas e outras. Primeiro canha, depois passou para o vinho.
Quando minha vó Mila (a bisa) morreu, eu era bem pequena. Acho que já contei como foi, num suspiro, num bocejo na cama do hospital e sua alma se foi. Eu não fui no velória dela, era criança e minha mãe achava que eu não precisava passar por aquilo. Lembro até hoje de como foi que meu pai contou, ele desligou o telefone e disse que a vó Mila tinha falecido. Se eu fechar os olhos posso ver a cena, estávamos na cozinha. Depois meu pai foi colocar meus manos e eu para dormir e nos ajudou a rezar por ela.
Mas este post não é para ser triste não. Apesar da saudade, os personagens desta história são carregados de graça. Lembrei deste fato só para contar que o tio Maninha foi no velório da bisa... e tomou cachaça... e contou piadas. Todos os irmãos diziam: "_Máninha vai pra casa!" E ele respondia em bom tom: "_ Eu vim pra passar a noite, vou passar a noite!". E assim foi aquela noite, a tristeza pela perda de minha bisa não tinha tamanho e todos sentiam muito. Mas também teve muitos risos por conta das piadas do tio Maninha. Era a despedida dela e ele não poderia agir diferente, pois ele era assim e era assim que ela gostava dele. E não dava para não rir perto dele.
Junto com a tia Lorena o tio Máninha teve três filhos, a Márcia, o Gerson e a Andressa, que é "a rapa do tacho". Meus tios tiveram uma grande tristeza. Na verdade toda a família ficou triste. É porque minha prima Márcia se foi muito cedo, com 18 anos, vítima da leucemia. Todos nós ficamos muito arrasados com a perda, principalmente eu e minhas primas que tínhamos quase a mesma idade dela.
Mas este post é pra contar da vez que fomos para a casa do tio Leopoldo lá no Rincão do Andrade. A Márcia ainda estava bem, bonita e feliz. Eles moravam com a madrinha da tia Lorena, a tia "Jorja". Éramos sempre muito bem recebidos por ela, café bem farto com pão caseiro e doces feitos por ela, bastante frutas, leite, enfim... uma comilança sem tamanho.
"Bobagem e-u não planto!", foi a frase que restou da tentativa da tia "Jorja" de fazer meu tio Máninha plantar tempero verde, couve, coisinhas assim. Para ele plantação de fundamento era feijão. Este meu tio! É sempre assunto nas conversas de família.

Desta vez que fomos lá foi uma bagunça. Começava que logo cedinho tínhamos que pegar o ônibus na frente da praça da Santa Casa, na lancheria Indiana. Foi uma galera: a mãe, eu e meus irmãos, minha tia Ieda, minhas primas Lili e Adriane com os filhos dela, a dona Mercedes (sogra da Adriane), a tia Rosa, a minha prima Graciela, a tia Semita, a minha prima Preta (o nome dela é Maria Cristina, mas a gente chama ela de Preta) e meus tios Jocely e Zé, se não me engano e a memória não me traí estão todos aí. A viagem de ida era tranquila, todos arrumadinhos. Agora a volta... bem... na volta a viagem era bem parecida com aquelas de filmes, onde as pessoas estão indo para o interior carregando galinhas e porcos.
Uma coisa muito comum em nossa família é o destrambelhamento na hora de pegar o ônibus de volta. Sim, porque na ida a gente nunca sabe direito o horário, então tem que chegar cedo, sabe que o ônibus não espera e tal. Mas na volta... sabe como é... tem um que tá no banheiro, tem outro num quarto trocando de roupa, outros foram colher frutas, outros ainda estão tomando café e outros já estão indo para a parada do ônibus. Aí, já viu, é aquela correria louca. A gente sempre ia e passava o dia, afinal de contas, era longe e não dava pra passar apenas uma hora. O ônibus geralmente passava pelas cinco da tarde. Naquele dia a tia Jorja tinha dado pra gente umas abóboras de pescoço enorrrmes, além de laranja e flores que a gente sempre colhia nas terras dos vizinhos.
A epopéia da volta começou com a correria de todo aquele povo para pegar o ônibus. Imagine caro leitor, uma penca de crianças, mais cinco mulheres, cada uma carregando uma abóbora de pescoço, correndo pela estrada de chão batido para pegar o buzum.
O transporte coletivo, como sabemos é meio caótico, em finais de semana o número de carros diminui e o intervalo entre um e outro aumenta. Pense então como não foi a nossa viagem. O primeiro ônibus foi tranquilo, porque os que fazem o transporte para a colônia são aqueles de viagem, com bancos estofadinhos, apesar de bem velhinhos. Conseguimos até tirar um cochilo. É pena que as máquinas digitais ainda não existiam, se não poderíamos ter registrado a dona Mercedes dormindo, de boca aberta e abraçada na abóbora.
Já o segundo, que nos levaria do centro para casa... meus amigos... a coisa foi muito engraçada. O ônibus lotado, aquele povo todo mais a nossa caravana, com um monte de crianças e mais as abóboras para lotar o buzum. A dúvida era cruel, ou segurar a abóbora de pescoço... ou segurar para não cair. E lá fomos nós, cada um com sua abóbora, segurando por onde dava, pendurando a abóbora no pescoço, abraçando que nem bebê.
Enquanto não chegava o momento de descer o pessoal se mantinha tranquilo, conversando amenidades e rindo. ao se aproximar da parada que tínhamos que descer... voltava o destrambelhamento, era mãe chamando criança, era criança com medo de ficar no ônibus, era tia sem saber se segurava o filho ou a abóbora. Uma confusão! Para completar o ônibus estava lotado, e a gente ia pedindo licença, mas não tinha como passar e a parada vinha chegando e as pessoas não abriam espaço para gente descer e dona Mercedes estava lá na frente encabeçando a fila com sua abóbora de pescoço firme e forte. E tinha um senhor que estava bem na porta e além da idade não ouvia bem, e a parada se aproximando e o velhinho não saia pra gente passar, o ônibus já estava parando e as crianças gritavam que não queriam ficar e outras que queriam descer, mas o vôzinho não saia. Foi então que a dona Mercedes na ponta da fila deu com a abóbora de pescoço na bunda do velinho. Nesta época não existia o Estatuto do Idoso, se bem que ela também já tinha uma certa idade. Mas foi engraçado, ele pulou rapidinho para longe da porta e abriu caminho para a gente passar, foi só sentir o pescoço da abóbora. hahahahahahahahahaha
Fomos descendo um a um, reclamando do quanto o ônibus estava lotado e como as pessoas não dão licença e que aquele véio não nos deixava descer e a dona Mercedes dava sonoras gargalhadas com sua "proesa". A diversão havia sido fechada com "chave d'ouro", muitas risadas e uma história bem engraçada para contar.
Como diz uma canção antiga... "que tempo bom, que não volta nunca mais"!
PS.: A lancheria ainda existe e assim com a parada de ônibus pra colônia lá.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Nossa vida também é feita de pequenas tristezas e grandes perdas

Dizem por aí que a única certeza desta vida é que vamos morrer. Alguns de nós está preparado para isto, vive intensamente sua vida, ama incondicionalmente, se diverte e aprecia cada pequena coisa que lhe acontece. Outros não estão porque não querem ver as pessoas que ama e que o amam sofrendo. Mas... como disse anteriormente... a única certeza é de que viemos para cá e um dia partiremos. Esta semana recebi a notícia do falecimento de duas pessoas que conhecia. O primeiro morto de modo muito trágico e que me angustiou demais e ontem meu professor de matemática financeira. Ambas foram notícias chocantes porque tanto um quanto o outro gozavam de ótima saúde.
O Flávio, amigo do meu irmão caçula cometeu suicídio. Quando eu soube senti uma angústia muito grande. Sou espírita e dentro da doutrina, tirar a própria vida é considerado um dos mais graves "pecados", ou melhor erro que podemos cometer, pois junto com ele, ao invés de sanar os problemas acabamos criando outros. Desde que soube não consegui desligar meu pensamento dos pais, dos amigos e do próprio Flávio. Não consegui dormir direito nas noites seguintes, principalmente porque não há uma explicação, ninguém sabe ao certo o que o levou a fazer o que fez.
E o Hugo... Ah! O Hugo com seu jeito engraçado, seu cabelo bagunçado, foi a pessoa que eu nem cogitei que teria morrido quando me falaram que nosso professor havia partido. Jamais poderia me vir a mente que ele, logo ele, tão cheio d vida teria ido embora.
Na volta para casa eu lembrei de quando perdi meu primo Miguel. Assim como o Hugo, o Miguel partiu jovem num acidente de moto. Na época do seu falecimento minha mãe e eu estávamos viajando com o pessoal da faculdade dela. Logo que chegamos a Salvador, cinco dias depois de partirmos de Pelotas, ela soube que ele não tinha resistido os ferimentos. Só que ela não me contou logo, segurou firme com ela a tristeza.
Quando voltamos, uma semana depois aconteceu algo que foi bem engraçado. Tínhamos uma sacola de calçados e ela estava solta no porta malas do ônibus em que viajávamos. A Cristina, uma amiga nossa bem estabanada, no momento de arrumar as coisas dela pegou a bolsa plástica com nossos sapatos e guardou dentro de uma mala gigante que ela carregava. Ao descer na rodoviária de Santa Maria procuramos pela sacola, reviramos o bagageiro do ônibus e nada. A Cristina junto nos ajudando a procurar.
Como não achamos ficamos ali, sentadas uma defronte a outra aguardando nosso ônibus. Neste momento, que tenho de forma nítida na minha cabeça como se houvesse ocorrido a meia hora atrás, eu disse: "gostava tanto daquele sapato..." E a minha mãe disse, como sempre sábia, "coisas muito mais importantes a gente perde na vida!". Eu sabia exatamente do que ela estava falando, era do Miguel. Comecei a chorar no mesmo instante.
Foi então que lembrei de um verso que minha mãe falava pra mim às vezes quando eu chorava por bobagens, "chorava porque não tinha sapatos, até o dia em que conheci um homem que não tinha pés". Sofrer por coisas pequenas não faz o menor sentido quando perdemos alguém de quem gostamos.
Na vida só existem duas certezas, a primeira já disse, é a morte e a segunda é que a única coisa capaz de fazer com que nossa história valeu a pena são as pessoas que amamos.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
As valetas no caminho
Aqui na minha cidade ainda existem muitos bairros que não possuem saneamento básico, o esgoto fica aberto, juntando toda a sorte de bichos e insetos. Na vila onde eu morava, no Jardim Europa, era assim. Aliás ainda é. Só não tinha valeta na frente das casas de quem comprava os tubos e fechava. Meu pai fechou a que ficava na frente da nossa casa, minha tia que morava do lado também, o Zé Arnaldo, filho da vó Didi também e o seu Alceu, vizinho do outro lado da minha casa também. Mas em todo o resto da rua as valetas eram abertas.
Eu nunca tive muito jeito para pular as ditas valetas. Nunquinha! Uma vez eu estava com umas amigas e minha prima brincando de pegar, para fugir todas as gurias pularam a vala e eu... bem, eu vinha correndo rápido e tinha em mente pular a valeta também, mas quando chegou perto desisti, só que aí já era tarde. Escorreguei como em câmera lenta para dentro da valeta, finquei os pés no lodo e quase perco o chinelo de dedos. Foi muito engraçado! Tanto que sentei na beira da valeta e fiquei rindo, não conseguia sair de dentro daquela água imunda.
Mas a vez mais engraçada e triste de todas foi uma vez que fui para a casa do meu tio Toninho. Quase que eu apanhei daquela vez. Porque é que eu não aprendia que não consiguia pular valeta? Então, estava lá na casa do tio e a Fabiana, minha prima, me convidou para ir chamar a prima dela, que era ali perto. Fui, com a permissão da mãe. Fomos lá na Elisangela e depois voltamos. Foi aí que apareceu uma valeta no caminho. A Fabiana pulou bem bela e eu... bem... eu dei um belo de um mergulho naquela água podre. Caí inteirinha, dos pés a cabeça. Ficou tudo um nojo, roupa, cabelo. Tudinho. Cheguei chorando na casa do tio, é claro!, já imaginando qual seria a reação da minha mãe que não tinha levado outra roupa pra mim.
Lembro que ela queria me dar umas palmadas por conta do mergulho incoveniente, mas a tia Tereza me pegou pelo braço e me enfiou num tanque de lavar roupa. A água fria foi tirando o lodo que tinha por todo o lado e eu chorava dizendo que não tinha conseguido pular a valeta. Não tive pernas para chegar ao outro lado. Que dia! Nunca esqueci disso, porque desta vez não foi tão engraçado. Mas enfim, faz parte da minha história. É claro que depois disso eu acabei caindo outras vezes nas valetas no caminho, só que esta foi a única vez que caí de cabeça. Sem querer, mas de cabeça.
Eu nunca tive muito jeito para pular as ditas valetas. Nunquinha! Uma vez eu estava com umas amigas e minha prima brincando de pegar, para fugir todas as gurias pularam a vala e eu... bem, eu vinha correndo rápido e tinha em mente pular a valeta também, mas quando chegou perto desisti, só que aí já era tarde. Escorreguei como em câmera lenta para dentro da valeta, finquei os pés no lodo e quase perco o chinelo de dedos. Foi muito engraçado! Tanto que sentei na beira da valeta e fiquei rindo, não conseguia sair de dentro daquela água imunda.
Mas a vez mais engraçada e triste de todas foi uma vez que fui para a casa do meu tio Toninho. Quase que eu apanhei daquela vez. Porque é que eu não aprendia que não consiguia pular valeta? Então, estava lá na casa do tio e a Fabiana, minha prima, me convidou para ir chamar a prima dela, que era ali perto. Fui, com a permissão da mãe. Fomos lá na Elisangela e depois voltamos. Foi aí que apareceu uma valeta no caminho. A Fabiana pulou bem bela e eu... bem... eu dei um belo de um mergulho naquela água podre. Caí inteirinha, dos pés a cabeça. Ficou tudo um nojo, roupa, cabelo. Tudinho. Cheguei chorando na casa do tio, é claro!, já imaginando qual seria a reação da minha mãe que não tinha levado outra roupa pra mim.
Lembro que ela queria me dar umas palmadas por conta do mergulho incoveniente, mas a tia Tereza me pegou pelo braço e me enfiou num tanque de lavar roupa. A água fria foi tirando o lodo que tinha por todo o lado e eu chorava dizendo que não tinha conseguido pular a valeta. Não tive pernas para chegar ao outro lado. Que dia! Nunca esqueci disso, porque desta vez não foi tão engraçado. Mas enfim, faz parte da minha história. É claro que depois disso eu acabei caindo outras vezes nas valetas no caminho, só que esta foi a única vez que caí de cabeça. Sem querer, mas de cabeça.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Flor do mato

Esta flor me lembra os tempos que passava na casa da vó Didi, lá fora, onde não tinha luz, nem água encanada, mas onde eu adorava estar. Tenho ótimas recordações. Lembro com nitidez impressionante as férias que passei lá, ficava as tardes debaixo de uma aroeira, deitada sobre um pelego de ovelha escutando um radinho de pilha. O rádio só pegava estações AM, mas pra mim tanto fazia. Que tempo bom!!!! Lembro também que estas férias foram interrompidas pela catapora. Fiquei tomada de feridinhas. Elas estavam por toda parte, na garganta, nas partes íntimas, na cabeça, enfim... por tudo!
A vó Didi ficou com medo que eu piorasse e ligou pra mãe, a notícia era que meu irmão também estava com catapora. Voltei para a cidade. Foi muito emocionante porque o Vilmar me levou até o lugar onde tínhamos de pegar o ônibus de volta a cavalo. Nunca vou me esquecer, lembro daquele passei como se tivesse acontecido ontem.
Quando cheguei em casa tomada de feridas fui ver como estava meu irmão e qual não foi minha surpresa, ele tinha meia dúzia (e olhe lá se chegava a isso) de feridinhas na barriga, não teve febre e nem nada. Minha mãe costuma dizer que ele era tão arteiro que nem as doenças o queriam. E isto acontecia sempre, eu pegava piolho e ele nada; eu peguei hepatite, cachumba e ele nem tchum! Mas uma coisa eu era mais que ele, velha. hahahaha Sim, sou mais velha e quando ele brigava na rua quem o defendia era eu. Até ele ficar maior que eu, claro! Hoje em dia ele é quem me defende e nós dividimos uma paixão arrasadora, a Larissa. Filha dele e minha sobrinha adorada. Estes são os laços que nos unem, mãe, pai, avós, doenças de criança, recordações da infância e uma guria linda.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Meu primeiro cigarro

Algumas lições na vida são doloridas. Mas fazem parte e fazem principalmente com que a gente se torne melhor. A minha mãe, como já disse, esta sempre certa, até mesmo quando ela está errada. Eu explico. Desde que eu me conheço por gente minha mãe é fumante. Costumo dizer que sou fumante passiva desde óvulo. E ao contrário dos meus irmãos, não me incomodo com a fumaça ou o cheiro do cigarro. Pelo contrário, quando estava morando fora de casa era o cheiro do cigarro em outras pessoas que me fazia sentir perto dela. Eu tinha um colega no jornal, o Tarso, que era fumante. Além de colegas de trabalho éramos também vizinhos, então no final da tarde ou a noite nos juntávamos para tomar chimarrão e eu sempre dizia pra ele: teu cheiro faz eu lembrar da minha mãe! E ele respondia: E este teu hoby faz eu lembrar da minha. É que sempre que estava em casa e estava frio eu colocava um roupão atoalhado, coisa de velhinha... hahaha
Como ia dizendo minha mãe está certa até quando está errada. Ela nunca falava que não podíamos fumar. O que dizia era que o cigarro é um veneno! Sempre me ensinava coisas importantes, mas eu sempre fui assim... deste jeito, desde criança, então uma vez ela perguntou porque eu chupava bico (chupeta) e eu respondi com outra pergunta, porque tu chupa cigarro? Acho que ela entendeu que teria que me ensinar de outro jeito. E a lição que aprendi foi assim:
Eu tinha uns três ou quatro anos de idade, estávamos no pátio, nos fundos da minha casa. Lembro com uma nitidez fantástica a cena. Minha mãe fumando e eu tagarelando pra lá e pra cá, com o canudo de uma caneta bic, fazendo que fumava. Caminhava, zanzava. Daí olhei para a minha mãe e disse:
_ Empresta o fogo senhora?, fiquei com o canudo na boca sorrindo.
A mãe deu uma tragada das boas no cigarro e soprou a fumaça dentro do canudo, direto na minha boca. Sim, eu me afoguei com toda a fumaça que entrou por ali. Tossi muito e até chorei. Disse que ela não sabia brincar, que não era pra acender meu cigarro de verdade.
Parece cruel. Mas não foi, ela queria me mostrar, embora tivesse dito muitas vezes que o cigarro é um veneno e ela fumava por que era burra, que o tabaco era um vício que ia muito além do charme de se fazer pose com ele entre os dedos. Tem o gosto amargo da fumaça, tem o mal e as doenças que pode causar, tem a poluição do ar, o cheiro nas roupas, enfim... muitos males. Mal que até Hitler lutou contra e que apenas as empresas que vendem cigarros é que escondem através de propagandas que falam de liberdade e sucesso.
A verdade é que a partir deste dia nunca mais brinquei que fumava. Já até fumei cigarrilhas com sabor e cheiro de chocolate e canela e até mesmo cigarros. Mas nunca aprendi a tragar. Eu só me exibo fazendo pose com o cigarro entre os dedos, chupo a fumaça e solto pela boca, de um jeito bem superficial. Me disseram que para tragar temos que engolir a fumaça, mas isto eu não faço não. Até porque não consigo.
Eu compreendo o quanto é difícil e duro ser dependente de um vício como o cigarro. E entendo ainda mais que as pessoas tenham se deixado viciar. Foram muitos anos de campanha de incentivo ao fumo, desde propagandas até estrelas de cinema fumando nas telas demonstrando charme e glamour. Minha mãe já tentou várias vezes deixar o vício, mas voltou. Alguns dizem que falta vontade, outros que falta vergonha. Eu discordo é uma dependência.
Mesmo não concordando com algumas leis que estão aparecendo por aí, mesmo que o cheiro ou a fumaça não me incomodem, desde que não seja jogada direto na minha cara, é lógico, digo que o fumo é um veneno! Quem não fumou, nunca experimentou, não fume, não experimente.
P'raqueles que fumam digo que: tentem reduzir os danos, alimente-se bem, bebam bastante água, consumam vitamina C, façam um exercício físico, vá ao médico regularmente. Ah! E tentem deixar o cigarro, é claro!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Se um desconhecido lhe oferecer flores...
... isto é impulse! Este era o slogan dos desodorantes Impulse. Como eu adorava aquelas propagandas e até escrevi um texto n'O diafragma, é pena que ninguém mais escreveu lá. snif! Bem, porque estou dizendo tudo isto, porque agora pouco um gurizinho dos seus dez anos me deu uma flor. Adorei!! Pra falar a verdade ganhei o dia.
O pé, o prego e a cebola
Existem simpatias e "tratamentos médicos caseiros" que muitas vezes não entendemos, mas que são realizados pelos adultos quando somos crianças e que ficam guardados na nossa memória para sempre. Destes "tratamentos" lembro muito nitidamente de dois.
O primeiro ocorria sempre que uma criança ao cair batia com a cabeça. Este consistia em pressionar o "galo" com uma faca. Calma, pressionar com o lado da faca, em cruz. Do contrário não funcionava. Algumas pessoas diziam umas palavras sussurradas e que não conseguíamos compreender porque estávamos chorando muito alto por termos caído. Cabe explicar que o dito "galo" era o inchaço que levantava no local em que havíamos batido, ficava um pouco arroxeado depois de algum tempo.
Esta simpatia de amassar o "galo" com a faca aconteceu poucas vezes comigo, pois sempre que eu caia o que eu machucava eram os joelhos. Tanto que muitos anos atrás, já adulta, caí um grande tombo quando morava em Ijuí. O resultado disso foi uma luxação, estraguei o joelho e até hoje ele dói vez por outra, sem contar os dias de chuva.
O segundo "tratamento" visava evitar que a criança, imagino eu, adoecesse de tétano. Acontecia geralmente quando a gurizada pisava num prego ou outro objeto de metal. Neste caso então, a mãe, o pai, ou o adulto que cuidava passava um pedaço de cebola no local machucado e depois enfiava a cebola no prego. Ficava-se observando o machucado e o apodrecer do prego, que praticamente se desmanchava com a cebola.
Eu me lembro bem de como aconteceu comigo. Quando meu pai e minha mãe foram morar juntos eles tinham um chalé. Eram duas peças que com a minha chegada e de meus irmãos depois precisou ser ampliada. Eu devia ter uns cinco anos, por aí... Já tínhamos a cozinha, o banheiro e dois quartos de alvenaria nos fundos do chalé. Foi então que o pai desmanchou a parte de madeira para construir a sala no mesmo espaço. Durante algum tempo as madeiras ficaram ali na frente perto da cozinha. A mãe sempre dizia para não andar lá por que tinha prego nas tábuas e eu podia me machucar. Dito e feito! A teimosa foi lá, andar no meio das tábuas do chalé, olhar aqueles pedaços de madeira onde via imagens de bichos e coisas nos nós da madeira, (eu sempre fui assim, vejo imagem nas nuvens, nas sombras, em nós de madeira, em folhas retorcidas, em desenhos abstratos). Alguns minutos depois, estava com um prego enfiado no pé. Não lembro como as coisas aconteceram. Lembro apenas da dor, do prego no pé, da tábua dependurada e da mãe me salvando. Ah! Também lembro de mim dizendo pra ela que tinha estragado meu chinelo de dedo. Aí, então a mãe puxou a tábua bem rapidinho pra eu não sentir dor, olhou o ferimento e disse que tinha que passar uma cebola. Eu não entendi, mas minha mãe sempre tinha razão. E ainda hoje tem.
Pegou meia cebola, passou a cebola no pé, me deixou sentadinha numa cadeira foi lá e enfiou a metade da cebola no prego sem dó nem piedade. Realmente não lembro se teve curativo com mertiolate ou iodo, que era horrível porque ardia muito. Uns dias depois fui andar novamente lá no meio dos entulhos do chalé para ver como estava o prego e ele estava todo torto, apodrecido.
Meu pé esquerdo tem um calo que me incomoda bastante, ainda hoje. Mas de tudo ficou a lembrança de minha mãezinha me salvando daquele monte de tábuas e pregos enferrujados, da eficiência da cebola e da fragilidade do prego que ajuda a construir uma casa, mas se desmancha por uma cebola. Claro que minhas vacinas estavam sempre em dia.
Ps.: Tem uma música do Cesar Oliveira e do Rogério Melo que diz "saudade é prego na bota".
O primeiro ocorria sempre que uma criança ao cair batia com a cabeça. Este consistia em pressionar o "galo" com uma faca. Calma, pressionar com o lado da faca, em cruz. Do contrário não funcionava. Algumas pessoas diziam umas palavras sussurradas e que não conseguíamos compreender porque estávamos chorando muito alto por termos caído. Cabe explicar que o dito "galo" era o inchaço que levantava no local em que havíamos batido, ficava um pouco arroxeado depois de algum tempo.
Esta simpatia de amassar o "galo" com a faca aconteceu poucas vezes comigo, pois sempre que eu caia o que eu machucava eram os joelhos. Tanto que muitos anos atrás, já adulta, caí um grande tombo quando morava em Ijuí. O resultado disso foi uma luxação, estraguei o joelho e até hoje ele dói vez por outra, sem contar os dias de chuva.
O segundo "tratamento" visava evitar que a criança, imagino eu, adoecesse de tétano. Acontecia geralmente quando a gurizada pisava num prego ou outro objeto de metal. Neste caso então, a mãe, o pai, ou o adulto que cuidava passava um pedaço de cebola no local machucado e depois enfiava a cebola no prego. Ficava-se observando o machucado e o apodrecer do prego, que praticamente se desmanchava com a cebola.
Eu me lembro bem de como aconteceu comigo. Quando meu pai e minha mãe foram morar juntos eles tinham um chalé. Eram duas peças que com a minha chegada e de meus irmãos depois precisou ser ampliada. Eu devia ter uns cinco anos, por aí... Já tínhamos a cozinha, o banheiro e dois quartos de alvenaria nos fundos do chalé. Foi então que o pai desmanchou a parte de madeira para construir a sala no mesmo espaço. Durante algum tempo as madeiras ficaram ali na frente perto da cozinha. A mãe sempre dizia para não andar lá por que tinha prego nas tábuas e eu podia me machucar. Dito e feito! A teimosa foi lá, andar no meio das tábuas do chalé, olhar aqueles pedaços de madeira onde via imagens de bichos e coisas nos nós da madeira, (eu sempre fui assim, vejo imagem nas nuvens, nas sombras, em nós de madeira, em folhas retorcidas, em desenhos abstratos). Alguns minutos depois, estava com um prego enfiado no pé. Não lembro como as coisas aconteceram. Lembro apenas da dor, do prego no pé, da tábua dependurada e da mãe me salvando. Ah! Também lembro de mim dizendo pra ela que tinha estragado meu chinelo de dedo. Aí, então a mãe puxou a tábua bem rapidinho pra eu não sentir dor, olhou o ferimento e disse que tinha que passar uma cebola. Eu não entendi, mas minha mãe sempre tinha razão. E ainda hoje tem.
Pegou meia cebola, passou a cebola no pé, me deixou sentadinha numa cadeira foi lá e enfiou a metade da cebola no prego sem dó nem piedade. Realmente não lembro se teve curativo com mertiolate ou iodo, que era horrível porque ardia muito. Uns dias depois fui andar novamente lá no meio dos entulhos do chalé para ver como estava o prego e ele estava todo torto, apodrecido.
Meu pé esquerdo tem um calo que me incomoda bastante, ainda hoje. Mas de tudo ficou a lembrança de minha mãezinha me salvando daquele monte de tábuas e pregos enferrujados, da eficiência da cebola e da fragilidade do prego que ajuda a construir uma casa, mas se desmancha por uma cebola. Claro que minhas vacinas estavam sempre em dia.
Ps.: Tem uma música do Cesar Oliveira e do Rogério Melo que diz "saudade é prego na bota".
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Primeiro beijo

Na época da minha adolescência eu tinha uma amiga praticamente inseparável. Éramos assim como gêmeas siamesas, sabe? Vivíamos coladas uma na outra, ela na minha casa, eu na casa dela. A gente morava perto uma da outra e nossa prática preferida, depois das visitas, era acompanhar a outra até a esquina. Isto era demais, porque eu ia com ela até a esquina da casa dela, umas sete quadras da minha, depois ela voltava comigo até a minha esquina. E assim ficávamos até começar a escurecer, conversando na rua e caminhando pra lá e pra cá.
A Ana Paula, minha amiga, cumadre, companheira esteve presente em muitos momentos da minha vida e eu na dela. Nossas manhãs de sábado eram no calçadão, pegávamos o ônibus, muitas vezes escondido do pai dela, que era muito bravo, e íamos passear ou ficar ouvindo música na porta do Trekos.
A Trekos (loja de discos) existe até hoje aqui em Pelotas e daquele tempo o único funcionário que continua lá é o Gilmar. A gente, é claro, conhecia todos, paquerava uns, brigava com outros (hahaha) e continuava lá, na loja, ouvindo música e vendo quem passava.
Foi num destes sábados longínquos que dei meu primeiro beijo. Devia ter uns treze ou catorze anos. Não foi uma coisa magnífica, mas como se diz o primeiro a gente nunca esquece.
A Ana e eu estávamos lá vendo o pessoal que passava, reconhecendo alguns rostos que como nós também estava sempre por ali. Então o Iran passou, ficou olhando, daí um pouco voltou, puxou assunto e me convidou para dar uma volta. Fomos caminhando em direção a Praça Coronel Pedro Osório. Na época a praça era mal vista devido as moças que ganham a vida por ali. Hoje não é diferente, as moças continuam lá. No entanto, eu mudei minha maneira de ver a praça e não a considero mais um local proibido, mas um espaço para todos. Foi lá, na frente desta estátua que aparece aí na foto, que dei meu primeiro e desajeitado beijo.
Aquela ânsia que fazia querer e não querer o beijo, aquela aflição de como contar pra mãe, enfim. A Ana sempre dizia pra minha mãe quando saíamos, "não te preocupa Rita, tá comigo, tá com Deus". E eu com medo de como seria o beijo, foi uma coisa muito rápida, muito estranha e bem molhada. Talvez o fato de não ter sido com alguém de quem gostasse tenha contribuído para ser assim. Enfim.
Naquele dia eu beijei. Depois voltei com o Iran para encontrar a Ana e convenci o seu Nei, pai dela, para que ela dormisse lá em casa. Não que eu tivesse medo de contar pra minha mãe que tinha beijado. Sabia que ela não brigaria comigo ou coisa assim, mas sei lá né, na adolescência tudo parece um soooonho... ou um drrrrrama.
Então ela foi dormir lá. Eu contei para a minha mãe minha mais nova experiência e como tinha sido estranho e diferente do que eu pensava. Lembro bem. Minha mãe disse que era assim mesmo e que no dia que eu gostasse de alguém de verdade o beijo seria diferente. É claro que ela estava certa, como sempre. Daí ela olhou pra Ana e perguntou, "tá comigo, tá com Deus é?". E a Ana respondeu: "Ele dormiu um pouquinho, mas não foi nada grave".
Na segunda feira uma colega mexeu comigo dizendo que eu estava namorando na praça. Fiquei louca de vergonha!
No sábado seguinte estávamos lá, no mesmo lugar, a Ana e eu, daí apresentei o Iran para minha prima Lili. Ele também pediu um beijo pra ela lá na praça Coronel Pedro Osório. E eu pensei, ainda bem que eu não era apaixonada por ele, se não seria uma desilusão. Mas como disse, na adolescência tudo é sonho ou drama e nesta época meu sonho atendia pelo nome de Nill, cantor do Dominó Não tinha espaço pra mais ninguém, mesmo que este ninguém fosse de carne e osso e o Nill de sonho.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Catedral São Francisco de Paula

Quando eu era pequena imaginava o que seriam aquelas "casquinhas" de sorvete coloridas. Minha tia sempre dizia que tinha casado lá, na Catedral. E eu olhava para cima e só conseguia fazer uma conexão: _ Parecem com casquinhas de sorvete azul!
Coisa de criança!
Admito que, embora não seja católica e não me ligue muito em igrejas, a Catedral São Francisco de Paula é uma das mais bonitas que já conheci. Vale a pena!
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Hotel Manta

Quando eu era pequena, digo criança, porque pequena eu ainda sou, eu via o luminoso do Hotel Manta lá da minha casa. A cidade era menor, tinham menos prédios e era possível lá de longe avistar as letras que mudavam de cor quase no céu. O bairro onde eu morava é um bairro pobre, suas ruas são de saibro e terra e nos tempos de chuva viram de barro.
Eu nasci e me criei naquela rua, naquela casa. Rua 36, número 105 do Jardim Europa. Passei praticamente toda a minha vida lá. A casa começou pequeninha, partiu de um chalé de duas peças onde meus pais moravam, depois eu cheguei. Daí a casa foi aumentando e a família também. Três anos depois de mim veio meu mano e mais três depois veio o nenê. Tínhamos um pátio grande, tínhamos árvores nos fundos da casa e algumas vezes meu mano teve cachorros. O nenê teve uma gata, a Natacha. Eu nunca tive bichos de estimação não. Gostava mesmo era das garagens onde ficava dançando sem parar, e do meu quarto claro, com posteres de cantores e atores de quem gosto até hoje. Foi lá que nasceu minha mania de escrever.

Esta casa traz muitas recordações, é nela que estamos na maioria das fotos e é nela que estamos, meus irmãos e eu, na foto que eu mais gosto da gente. Quanta saudade!
Nesta rua eu conhecia todos os vizinhos, minha tia morava do lado da nossa casa e do lado da casa dela uma vó postiça que todos amávamos, a vó Didi. O mano e eu passamos algumas férias na casa dela no interior de Piratini. No piratinizinho do Vilmar (filho da vó Didi). Confesso que não lembro o nome dela, porque eu sempre a chamei de vó Didi e pronto.
Que tempo bom, que não volta nunca mais! Ainda bem que tem as lembranças todas guardadas na memória e no coração. Muitas festas da minha mãe e turma dela de faculdade, muitos natais, muitas jantas de amigo secreto e abraços de ano novo com os vizinhos da rua. Quando me mudei para o apartamento em que moro hoje, achei que nunca sentiria saudade da minha casa. Demorou alguns anos para a saudade bater. Na verdade eu lembro com carinho e a recordação das coisas, dos lugares da casa vem nitidamente. Na minha lembrança posso caminhar pela casa e revisitar minha infância e adolescência. E toda esta nostalgia foi despertada pelo luminoso do Hotel Manta, que vejo todos os dias do corredor da escola aonde faço o técnico em contabilidade a noite.
PS.: Na foto batida da porta da cozinha estamos o mano, eu e o nenê. Eu era maior que eles, hoje só subindo num banquinho.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Uma saudade enorme
Desde a primeira série sempre dividi a carteira com guris. O principal motivo era porque eu conversava demais e as professoras acreditavam que com os meninos não falaria tanto. Foi assim que me apaixonei pela primeira vez, o nome dele é Moisés. Neste tempo eu já gostava de caras mais altos, e ele era bem mais alto, nesta época eu deveria medir 1,20 e ele 1,50, sei lá.
Depois na segunda série eu sentava ao lado do Vaguinho, que também era meu vizinho. Nós íamos juntos para o colégio. Quando eu adoecia ele levava a matéria pra eu copiar. Anos depois ele ficou muito amigo do meu irmão Cristian, e muito mais anos depois a gente chegou a ter um namorico rápido. Mas não deu certo, porque pra mim ele é como um irmão.
Apesar de parecer namoradeira (o que fui só no tempo da faculdade, agora estou mais calma) na época de colégio nunca fui. Eu me apaixonava toda a semana por um guri diferente, era assim mesmo, toda a semana, mas era um flerte, aquele gostar de longe. Tipo a música do Seu Jorge, "tô namorando aquela mina, mas não sei se ela me namora" lálálálálálá.
Foi quando mudei de colégio que conheci um grande amor e um grande amigo. Na nova escola as carteiras eram individuais, cada um tinha a sua. Na sexta série eu conheci o Alexandre Godinho. Óbvio que ele era mais alto do que eu, e ele sentava na minha frente o que impedia minha visão. Nós trocamos de lugar e com toda a proximidade que tínhamos ficamos amigos. Ele era tido na escola como garoto problema, não estudava, se metia em confusões e passava as aulas inteiras desenhando. Como eu sentava na classe da frente, para falar com ele tinha de virar para trás, o que foi motivo de muitas chamadas da professora de português. Acho que ele foi meu grande amor de adolescência mesmo.
Quase todos os dias nós brigávamos, eu dizia que nunca mais iria falar com ele. No dia seguinte quando eu o via já saia falando sem freios na língua, contando coisas e ele perguntava: "_Tu não disse que nunca mais ia falar comigo, abobrinha?", e começava a rir. Eu sempre esquecia que tinha dito adeus pra sempre. Ainda bem, ficar junto dele era muito bom.

O Alexandre me deu um apelido infame, "abobrinha". E não era porque eu falava muita besteira não, a alcunha veio pelo fato de, com 11, 12 anos, eu já ter bastante seio. Vejam só! Mas eu não conseguia ficar brava com ele. No fundo eu gostava. Depois de ter levado tantas xingadas por estar conversando eu criei a táctica de jogar as coisas dele no chão. Enquanto ele juntava não me perturbava. Ele também nunca ficou bravo comigo, nunca brigamos de verdade.
Minhas duas melhores amigas nesta época também eram apaixonadas por ele, a Adriana e a Consuelo. Eu era, mas não admitia nem sob tortura! Só nunca consegui enganar minha mãe. Ela sempre soube. No último ano em que estudamos juntos teve uma festinha de despedida, fizemos amigo secreto e tudo. Não lembro quem tinha tirado de amigo secreto, mas o Alexandre foi quem me tirou. Ele me deu de presente umas meias, que guardei durante muito tempo sem usar e outro tanto quando elas já estavam velhinhas. Nunca mais nos vimos. Ele mudou de cidade. Nossos caminhos nunca mais se cruzaram. Sinto uma saudade tamanha daquele tempo. Das risadas, de estar junto, do cheiro, do jeito dele. Não tenho foto, nem endereço, nem telefone dele. Já procurei no google e no orkut, mas não o encontrei. Mas tenho uma coisa que me faz vê-lo nitidamente diante de mim naquela sala de aula, tenho dois desenhos que guardo com muito carinho.
Gostaria de ter preservado melhor esta amizade. Lembro bem que a vida dele era meio tumultuada na época, pais separados e outras coisas que, não recordo bem, mas faziam com que ele tivesse a fama de mau. A questão é que o Alexandre era, na verdade, apenas um guri carente. Espero que ele esteja muito feliz hoje e que eu seja uma boa recordação da adolescência dele.
P.s: O primeiro desenho ele fez na sala de aula pra mim. O segundo foi um trabalho de educação artística com a professora Dionéia.
Depois na segunda série eu sentava ao lado do Vaguinho, que também era meu vizinho. Nós íamos juntos para o colégio. Quando eu adoecia ele levava a matéria pra eu copiar. Anos depois ele ficou muito amigo do meu irmão Cristian, e muito mais anos depois a gente chegou a ter um namorico rápido. Mas não deu certo, porque pra mim ele é como um irmão.
Apesar de parecer namoradeira (o que fui só no tempo da faculdade, agora estou mais calma) na época de colégio nunca fui. Eu me apaixonava toda a semana por um guri diferente, era assim mesmo, toda a semana, mas era um flerte, aquele gostar de longe. Tipo a música do Seu Jorge, "tô namorando aquela mina, mas não sei se ela me namora" lálálálálálá.
Foi quando mudei de colégio que conheci um grande amor e um grande amigo. Na nova escola as carteiras eram individuais, cada um tinha a sua. Na sexta série eu conheci o Alexandre Godinho. Óbvio que ele era mais alto do que eu, e ele sentava na minha frente o que impedia minha visão. Nós trocamos de lugar e com toda a proximidade que tínhamos ficamos amigos. Ele era tido na escola como garoto problema, não estudava, se metia em confusões e passava as aulas inteiras desenhando. Como eu sentava na classe da frente, para falar com ele tinha de virar para trás, o que foi motivo de muitas chamadas da professora de português. Acho que ele foi meu grande amor de adolescência mesmo.
Quase todos os dias nós brigávamos, eu dizia que nunca mais iria falar com ele. No dia seguinte quando eu o via já saia falando sem freios na língua, contando coisas e ele perguntava: "_Tu não disse que nunca mais ia falar comigo, abobrinha?", e começava a rir. Eu sempre esquecia que tinha dito adeus pra sempre. Ainda bem, ficar junto dele era muito bom.

O Alexandre me deu um apelido infame, "abobrinha". E não era porque eu falava muita besteira não, a alcunha veio pelo fato de, com 11, 12 anos, eu já ter bastante seio. Vejam só! Mas eu não conseguia ficar brava com ele. No fundo eu gostava. Depois de ter levado tantas xingadas por estar conversando eu criei a táctica de jogar as coisas dele no chão. Enquanto ele juntava não me perturbava. Ele também nunca ficou bravo comigo, nunca brigamos de verdade.
Minhas duas melhores amigas nesta época também eram apaixonadas por ele, a Adriana e a Consuelo. Eu era, mas não admitia nem sob tortura! Só nunca consegui enganar minha mãe. Ela sempre soube. No último ano em que estudamos juntos teve uma festinha de despedida, fizemos amigo secreto e tudo. Não lembro quem tinha tirado de amigo secreto, mas o Alexandre foi quem me tirou. Ele me deu de presente umas meias, que guardei durante muito tempo sem usar e outro tanto quando elas já estavam velhinhas. Nunca mais nos vimos. Ele mudou de cidade. Nossos caminhos nunca mais se cruzaram. Sinto uma saudade tamanha daquele tempo. Das risadas, de estar junto, do cheiro, do jeito dele. Não tenho foto, nem endereço, nem telefone dele. Já procurei no google e no orkut, mas não o encontrei. Mas tenho uma coisa que me faz vê-lo nitidamente diante de mim naquela sala de aula, tenho dois desenhos que guardo com muito carinho.

Gostaria de ter preservado melhor esta amizade. Lembro bem que a vida dele era meio tumultuada na época, pais separados e outras coisas que, não recordo bem, mas faziam com que ele tivesse a fama de mau. A questão é que o Alexandre era, na verdade, apenas um guri carente. Espero que ele esteja muito feliz hoje e que eu seja uma boa recordação da adolescência dele.
P.s: O primeiro desenho ele fez na sala de aula pra mim. O segundo foi um trabalho de educação artística com a professora Dionéia.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Ele não estava tão afim
Ano passado eu me envolvi num relacionamento com uma pessoa a quem conhecia há algum tempo. Não nos conhecíamos tão bem, mas estudamos no mesmo colégio durante nossa adolescência e tínhamos alguns amigos em comum. Tempos depois o reencontrei e já estávamos na faculdade. Nos afastamos por uns anos e, no ano passado, os nossos caminhos haviam voltado a se cruzar. As coisas começaram devagar, com o pedido de um beijo. Logo após o beijo ficamos uns meses sem nos ver até que num belo dia tudo fazia sentido. Calma! Eu explico. Haviam me dito que apareceria alguém, a quem eu não conhecia muito bem, mas já conhecia a bastante tempo, que seria algo que eu deveria aproveitar enquanto durasse, pois não seria um relacionamento longo. Mas mesmo assim, após umas horas de conversa eu veria que tínhamos muito em comum. Dito isto fiquei imaginando todas as pessoas que conhecia há muito tempo, mas não tinha intimidade. Até encontrá-lo no corredor do prédio onde trabalho. Daquele dia em diante ficamos próximos. Saíamos, passávamos os finais de semana juntos, enfim, namorávamos. Embora esta palavra fosse um tabu para ele, que recusava-se a namorar, comigo.
Como já havia sido alertada de que a coisa seria por aí, levei tudo de forma tranquila, nunca costumo cobrar compromisso num relacionamento. Apenas deixo que as coisas aconteçam, se ambos querem ficar juntos o nome que se dá a isso é o que menos importa. O que mais me incomodava nesse relacionamento eram as DRs sobre o fato de não estarmos namorando e o quanto isto incomodava a ele, pois ele não queria namorar. E me irritava, porque eu nunca pedi que a gente namorasse, nem que me apresentasse a família dele, ou que me levasse ao cinema. Queria ficar junto dele, isto me fazia feliz, o resto era coisa que não rolava na minha mente. Mas rolava na dele.
Então, de uma forma muito adulta e bem resolvida, ele não me procurou mais. Não ligou, não apareceu. Fez como em algumas novelas em que o cara vai ali, comprar cigarros e volta 20 anos depois, com a mesma cara, de pau.
Dei alguns dias e então procurei. Perguntei o que estava acontecendo, mas não tive resposta. Quando estava desencanada de tudo, já havia sofrido com o abandono e me recuperado, qual não é a minha surpresa? Ele resolveu ligar para saber como eu estava. Diante da minha frieza e distanciamento, me contou que havia se apaixonado, que não queria ter feito aquilo, e tal e coisa. Oquei, pensei eu. Embora não quisesse mais saber qual o motivo do seu sumiço. Pedi meus livros que havia emprestado e só. Não precisa nem encontrar comigo, apenas deixe-os na portaria do prédio onde trabalho, assim não haverá constrangimentos, expliquei. Demoraram alguns meses e nada de meus livros serem devolvidos. Voltei a procurá-lo pedindo por eles. Foi neste momento que me senti ultrajada. Além de me ligar com um tom de, estou escondido ligando pra ti, me disse que eu precisava tomar cuidado com as mensagens ou torpedos que mandasse pra ele, pois agora estava namorando. Isto me feriu! Não pelo fato de estar namorando, mas por achar que eu faria alguma coisa que fosse atrapalhar o romance. Neste dia acabou não só a amizade que tinha por ele, mas também o carinho e a admiração. Pedi apenas que devolvesse meus livros o quanto antes e afirmei sem exitação que não se preocupasse, pois jamais iria procurá-lo novamente.
Algum tempo atrás ele me mandou um email, coisa do tipo conhecido simpático querendo fazer uma amizade. Mas não quero reatar este laço. Fiz um julgamento errado do sentimento de amizade que existia entre a gente, e se algo que parecia ser tão legal para nós os dois acabou da forma como acabou, é melhor que fiquemos cada um na sua. Respondi educadamente o email, sem réplicas e réplicas, como costuma acontecer com os amigos de verdade. Foi bom enquanto durou, é pena que tenha ficado este final chato para uma historinha que parecia bem bonitinha.
Como já havia sido alertada de que a coisa seria por aí, levei tudo de forma tranquila, nunca costumo cobrar compromisso num relacionamento. Apenas deixo que as coisas aconteçam, se ambos querem ficar juntos o nome que se dá a isso é o que menos importa. O que mais me incomodava nesse relacionamento eram as DRs sobre o fato de não estarmos namorando e o quanto isto incomodava a ele, pois ele não queria namorar. E me irritava, porque eu nunca pedi que a gente namorasse, nem que me apresentasse a família dele, ou que me levasse ao cinema. Queria ficar junto dele, isto me fazia feliz, o resto era coisa que não rolava na minha mente. Mas rolava na dele.
Então, de uma forma muito adulta e bem resolvida, ele não me procurou mais. Não ligou, não apareceu. Fez como em algumas novelas em que o cara vai ali, comprar cigarros e volta 20 anos depois, com a mesma cara, de pau.
Dei alguns dias e então procurei. Perguntei o que estava acontecendo, mas não tive resposta. Quando estava desencanada de tudo, já havia sofrido com o abandono e me recuperado, qual não é a minha surpresa? Ele resolveu ligar para saber como eu estava. Diante da minha frieza e distanciamento, me contou que havia se apaixonado, que não queria ter feito aquilo, e tal e coisa. Oquei, pensei eu. Embora não quisesse mais saber qual o motivo do seu sumiço. Pedi meus livros que havia emprestado e só. Não precisa nem encontrar comigo, apenas deixe-os na portaria do prédio onde trabalho, assim não haverá constrangimentos, expliquei. Demoraram alguns meses e nada de meus livros serem devolvidos. Voltei a procurá-lo pedindo por eles. Foi neste momento que me senti ultrajada. Além de me ligar com um tom de, estou escondido ligando pra ti, me disse que eu precisava tomar cuidado com as mensagens ou torpedos que mandasse pra ele, pois agora estava namorando. Isto me feriu! Não pelo fato de estar namorando, mas por achar que eu faria alguma coisa que fosse atrapalhar o romance. Neste dia acabou não só a amizade que tinha por ele, mas também o carinho e a admiração. Pedi apenas que devolvesse meus livros o quanto antes e afirmei sem exitação que não se preocupasse, pois jamais iria procurá-lo novamente.
Algum tempo atrás ele me mandou um email, coisa do tipo conhecido simpático querendo fazer uma amizade. Mas não quero reatar este laço. Fiz um julgamento errado do sentimento de amizade que existia entre a gente, e se algo que parecia ser tão legal para nós os dois acabou da forma como acabou, é melhor que fiquemos cada um na sua. Respondi educadamente o email, sem réplicas e réplicas, como costuma acontecer com os amigos de verdade. Foi bom enquanto durou, é pena que tenha ficado este final chato para uma historinha que parecia bem bonitinha.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Egeo, um cheiro no ar
Tem dois perfumes que me fazem lembrar pessoas legais do meu passado. Casualmente ambos são do Boticário. Não é merchandising, não! Mas como dizem que não existe coincidência... Um deles é o Stileto e lembra uma paixão de adolescência, o Rossano. Eu o conheci na festa de aniversário de uma colega, de quem ele era primo. Nós dançamos e eu senti este perfume pela primeira vez. Fiquei inebriada! Minhas colegas queriam armar para que o Rossano fosse o meu primeiro beijo. Infelizmente não rolou. Anos mais tarde nós nos reencontramos numa noite de verão. Agora minha memória me falha e não lembro se trocamos beijos ou não. Quero crer que sim, mas temo estar rememorando uma falsa lembrança.

Já o Egeo lembra um amor maduro, bonito e infinito enquanto durou. Creio que a minha Perdição, era assim que eu o chamava, foi o homem que mais amei em minha vida. Nós combinávamos em quase tudo, discordávamos só na política, e erámos harmônicos em todo o resto. Gostávamos de dançar e dançávamos bem juntos. Ele lembrava das piadas e das histórias que eu contava. Tinhámos vários códigos, trocávamos muitas mensagens durante o dia e ficávamos horas conversando e namorando sem cansar. Nosso caso de amor teve dois motivos para acabar, a primeira era o fato de ele ter um compromisso que não podia ser revogado, pois envolvia mais duas pessoas e depois disso vinha a distância. Como diz o ditado "o que os olhos não veem o coração não sente".
O bom de tudo isso foi não ter ficado nenhuma mágoa e sermos amigos até hoje. É claro que sempre pinta uma saudade, principalmente quando pela rua sinto o cheiro dele em alguém que passa. Quanta lembrança boa!!!

Já o Egeo lembra um amor maduro, bonito e infinito enquanto durou. Creio que a minha Perdição, era assim que eu o chamava, foi o homem que mais amei em minha vida. Nós combinávamos em quase tudo, discordávamos só na política, e erámos harmônicos em todo o resto. Gostávamos de dançar e dançávamos bem juntos. Ele lembrava das piadas e das histórias que eu contava. Tinhámos vários códigos, trocávamos muitas mensagens durante o dia e ficávamos horas conversando e namorando sem cansar. Nosso caso de amor teve dois motivos para acabar, a primeira era o fato de ele ter um compromisso que não podia ser revogado, pois envolvia mais duas pessoas e depois disso vinha a distância. Como diz o ditado "o que os olhos não veem o coração não sente".
O bom de tudo isso foi não ter ficado nenhuma mágoa e sermos amigos até hoje. É claro que sempre pinta uma saudade, principalmente quando pela rua sinto o cheiro dele em alguém que passa. Quanta lembrança boa!!!
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Doces lembranças e outras não tão doces
Eu já passei por cada encrenca que os amigos não imaginam! Quando morei fora de casa, por alguns poucos meses, mas que serviram para me mostrar que não sirvo para ficar sem minha família por aí, costumava passar os finais de semana na casa da mãe de uma amiga em Tupanciretã. Tupã, como é chamada, é uma cidade pequena, mas com muitas festas. As festas em Tupã eram muito legais e geralmente íamos ao Red ou ao Concórdia. Uma vez, eu e minha amiga Jô, estávamos sem grana. Então não poderíamos sair, mas descobrimos que mulheres não pagavam até meia noite. Só que o melhor da festa no Conca (Concórdia) era depois da uma hora da manhã, quando o pessoal chegava. O que fazer? Minha amiga Jô teve uma grande ideia, fomos para a boate antes da meia noite e ficamos no banheiro fazendo as unhas até o movimento aumentar. Pode?
Mas o pior estava por vir, ficamos mais ou menos uma hora no banheiro da boate. Depois saímos para dançar no salão. A festa estava boa, até que, começou uma briga. Os seguranças levaram o guri que tava brigando para fora e acabaram com a confusão. No entanto, a briga seguiu do lado de fora. O rapaz que foi retirado tinha feito recém 18 anos e acabou sendo morto pelo próprio irmão. Num consenso das histórias contada pelas testemunhas a coisa se deu da seguinte forma: O rapaz arrumou uma confusão dentro do Clube Concórdia, foi retirado pelos segurança, na rua a briga continuou e o irmão mais velho do rapaz, pegou a arma de um dos seguranças e atirou, acertando-o fatalmente. Ninguém conseguiu segurar o homem que invadiu a boate lavado em sangue, com a arma em uma das mãos e um facão na outra. O tumulto foi geral. As pessoas correram fugindo e derrubaram uma caixa de som da discoteca. Todos queriam se proteger, invadiram as salas do clube. Foi um auê! Eu estava bem no meio do salão, quando o cara entrou cheio de sangue parecia o Jaison, do sexta-feira 13. Fiquei parada olhando pra ver o que acontecia. Daí a Jô me puxou e me enfiou numa sala, que estava cheia. Ficamos esperando lá dentro até a confusão passar. Saímos da sala e o homem já havia sido preso, o cenário na boate era como se tivesse passado um furacão, cadeiras no chão, caixas de som caídas. Um horror!
Com toda a confusão e correria perdemos a carona. Tivemos que arrumar outra. E o moço era meio doido. Ficou indagando o que tinha acontecido e andava em zig-zag pela avenida. Pelo menos chegamos sã e salvas em casa.
Agora, alguns anos depois do susto, sempre damos risada quando lembramos deste fato. Esta foi apenas uma história das tantas que temos no Conca. "Ê tempo bom que não volta nunca mais".
Mas o pior estava por vir, ficamos mais ou menos uma hora no banheiro da boate. Depois saímos para dançar no salão. A festa estava boa, até que, começou uma briga. Os seguranças levaram o guri que tava brigando para fora e acabaram com a confusão. No entanto, a briga seguiu do lado de fora. O rapaz que foi retirado tinha feito recém 18 anos e acabou sendo morto pelo próprio irmão. Num consenso das histórias contada pelas testemunhas a coisa se deu da seguinte forma: O rapaz arrumou uma confusão dentro do Clube Concórdia, foi retirado pelos segurança, na rua a briga continuou e o irmão mais velho do rapaz, pegou a arma de um dos seguranças e atirou, acertando-o fatalmente. Ninguém conseguiu segurar o homem que invadiu a boate lavado em sangue, com a arma em uma das mãos e um facão na outra. O tumulto foi geral. As pessoas correram fugindo e derrubaram uma caixa de som da discoteca. Todos queriam se proteger, invadiram as salas do clube. Foi um auê! Eu estava bem no meio do salão, quando o cara entrou cheio de sangue parecia o Jaison, do sexta-feira 13. Fiquei parada olhando pra ver o que acontecia. Daí a Jô me puxou e me enfiou numa sala, que estava cheia. Ficamos esperando lá dentro até a confusão passar. Saímos da sala e o homem já havia sido preso, o cenário na boate era como se tivesse passado um furacão, cadeiras no chão, caixas de som caídas. Um horror!
Com toda a confusão e correria perdemos a carona. Tivemos que arrumar outra. E o moço era meio doido. Ficou indagando o que tinha acontecido e andava em zig-zag pela avenida. Pelo menos chegamos sã e salvas em casa.
Agora, alguns anos depois do susto, sempre damos risada quando lembramos deste fato. Esta foi apenas uma história das tantas que temos no Conca. "Ê tempo bom que não volta nunca mais".
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Cantada ruim
Eu já contei aqui que tem coisas que só acontecem comigo, tipo caras me seguirem na rua e depois eu descobrir que somos colegas, pessoas ligarem por engano e ficar batendo papo, coisas assim. Pois então, ontem foi o dia de coisas que só acontecem comigo acontecerem. Na verdade, a coisa começou na noite anterior quando alguém por quem tenho muito carinho ligou, depois de muito tempo e quis me encontrar, mas esta é outra história. Enfim, a coisa começou no sábado. No domingo, fiz um bolo de laranja e cenoura e me preparei para ir até a casa da minha amiga Angeli, onde aconteceria o seu chá de cegonha, ou, como é conhecido em outros lugares, chá de fralda ou de bebê. Primeiro liguei para outras amigas para saber se elas iriam e pegar referências de como chegar lá, já que só tinha ido uma vez. Saí bem lépida e fagueira num dia realmente bonito de sol para pegar o ônibus e chegar lá. No caminho sou abordada por um rapaz. Digo logo de cara que a cantada foi muito ruim, do tipo:
_Oi, desculpa te atacar assim na rua, mas teu nome não é Tatiana?
Ao que respondi com um sorriso que dizia, esta é velha: _ Não, meu nome não é Tatiana.
_Não, como é teu nome?
_Danieli.
_Tu não foi numa festa...
Neste momento me deu vontade de deixar o cara falando sozinho e ir embora sem olhar pra trás.
_Olha amigo, eu já fui a muitas festas e posso te garantir, nós não nos conhecemos de nenhuma. A gente se vê na rua, porque tu costumas passar por aqui.
_Mas tu podia me dar teu telefone, daí nós podíamos nos conhecer.
A esta altura, eu já estava com cara de "aí, meu Deus do céu!!!". Então resolvi dar o telefone e seguir meu caminho, que era longo até a casa da Angeli e dependia de um ônibus, que eu não fazia ideia de que horário e com que frequência costuma passar aos domingos. É neste momento que o vivente, não se dando por satisfeito de ter o número do telefone, resolve me atrasar mais um pouco e ir comigo até um pedaço do caminho. Com perguntas insistentes de onde eu morava, o que fazia e se era casada ou viúva ou desquitada. Eu sempre respondi, tentei, com cordialidade que não gostava de falar de coisas da minha vida para desconhecidos. No entanto, eu não contava que ele fosse tão insistente. Daí revelou que não havia me confundido, mas que me achava bonita e quis falar comigo. Agradeci o elogio e disse que realmente tinha que ir embora, que tinha um compromisso e estava atrasada. "Oh! Deus!" Ele seguiu querendo que eu marcasse um encontro para a noite.
Com algum custo consegui me desvencilhar do cidadão e segui meu rumo. Esperei por uma hora o dito ônibus, pois além de me alugar, o cara me fez perder o "buzum". Quando estava desistindo de ir e caminhava para voltar para casa veio o coletivo. Já tinha andado um pedaço e precisei voltar rápido para não perder o ônibus. Fui até a casa da Angeli, o chá era na igrejinha, exatamente na parada onde eu tinha descido. Então eu fui até a casa da minha amiga e voltei duas quadras. Mas valeu a pena, estava com muita saudade dela e sua barriguinha de grávida esta linda.
Fiquei lá papeando com ela e outros amigos, até a noite. E quando estou pegando minha bolsa para ir pra casa o telefone toca. Adivinha quem era?
Pois é, o carinha insistindo em me encontrar. Daí expliquei que não dava, que não etava em casa. Então veio a gota d'água, ele perguntou de forma invasiva onde é que eu estava. Tive que ser um pouco grosseira e respondi que não era da conta dele. Cara! Como é que as pessoas podem ser assim? Tu conversa por cinco minutos e eles acham que sabem tudo de ti. Fiquei de cara com aquilo, me senti invadida.
E pra completar o cara me veio com uma cantada ruim. Não foi nem engraçada, sabe? O que é que deu nesta gente, nestes homens? E ele ainda tentou argumentar que eu estava achando que ele era guri, mas que tinha 29 anos. Pensei com meus botôes, 29 é... mas a cantada é ruim.
_Oi, desculpa te atacar assim na rua, mas teu nome não é Tatiana?
Ao que respondi com um sorriso que dizia, esta é velha: _ Não, meu nome não é Tatiana.
_Não, como é teu nome?
_Danieli.
_Tu não foi numa festa...
Neste momento me deu vontade de deixar o cara falando sozinho e ir embora sem olhar pra trás.
_Olha amigo, eu já fui a muitas festas e posso te garantir, nós não nos conhecemos de nenhuma. A gente se vê na rua, porque tu costumas passar por aqui.
_Mas tu podia me dar teu telefone, daí nós podíamos nos conhecer.
A esta altura, eu já estava com cara de "aí, meu Deus do céu!!!". Então resolvi dar o telefone e seguir meu caminho, que era longo até a casa da Angeli e dependia de um ônibus, que eu não fazia ideia de que horário e com que frequência costuma passar aos domingos. É neste momento que o vivente, não se dando por satisfeito de ter o número do telefone, resolve me atrasar mais um pouco e ir comigo até um pedaço do caminho. Com perguntas insistentes de onde eu morava, o que fazia e se era casada ou viúva ou desquitada. Eu sempre respondi, tentei, com cordialidade que não gostava de falar de coisas da minha vida para desconhecidos. No entanto, eu não contava que ele fosse tão insistente. Daí revelou que não havia me confundido, mas que me achava bonita e quis falar comigo. Agradeci o elogio e disse que realmente tinha que ir embora, que tinha um compromisso e estava atrasada. "Oh! Deus!" Ele seguiu querendo que eu marcasse um encontro para a noite.
Com algum custo consegui me desvencilhar do cidadão e segui meu rumo. Esperei por uma hora o dito ônibus, pois além de me alugar, o cara me fez perder o "buzum". Quando estava desistindo de ir e caminhava para voltar para casa veio o coletivo. Já tinha andado um pedaço e precisei voltar rápido para não perder o ônibus. Fui até a casa da Angeli, o chá era na igrejinha, exatamente na parada onde eu tinha descido. Então eu fui até a casa da minha amiga e voltei duas quadras. Mas valeu a pena, estava com muita saudade dela e sua barriguinha de grávida esta linda.
Fiquei lá papeando com ela e outros amigos, até a noite. E quando estou pegando minha bolsa para ir pra casa o telefone toca. Adivinha quem era?
Pois é, o carinha insistindo em me encontrar. Daí expliquei que não dava, que não etava em casa. Então veio a gota d'água, ele perguntou de forma invasiva onde é que eu estava. Tive que ser um pouco grosseira e respondi que não era da conta dele. Cara! Como é que as pessoas podem ser assim? Tu conversa por cinco minutos e eles acham que sabem tudo de ti. Fiquei de cara com aquilo, me senti invadida.
E pra completar o cara me veio com uma cantada ruim. Não foi nem engraçada, sabe? O que é que deu nesta gente, nestes homens? E ele ainda tentou argumentar que eu estava achando que ele era guri, mas que tinha 29 anos. Pensei com meus botôes, 29 é... mas a cantada é ruim.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Dias de nostalgia e saudade do vendedor de livros mais lindo
O título é grande, mas a nostalgia também. Alguns anos atrás eu o encontrei, na véspera de natal no Big, eu com minha sobrinha, ele com o filho. Foi muito engraçado aquele dia, porque eu estava descendo a escada e ele ficou parado na parte superior do supermercado me olhando, até que levantei os olhos e dei com ele, sorrindo. Sorri também e mexi com ele dizendo que era meu presente do papai noel.
Acho que depois disso só o vi mais uma vez.
É estranho como algumas pessoas não são tão íntimas, não são tão próximas e mesmo assim marcam significativamente nossas vidas, a ponto de termos saudade delas. Com o vendedor de livros é assim. Sempre que entro na livraria sinto que vou encontrá-lo. Na feira do livro pressinto que o verei, mesmo que de longe.
Quem sabe nossos caminhos não se cruzem de novo né? É como aquela música da Ana Carolina, numa hora ou outra minha vida encosta na tua.
Acho que depois disso só o vi mais uma vez.
É estranho como algumas pessoas não são tão íntimas, não são tão próximas e mesmo assim marcam significativamente nossas vidas, a ponto de termos saudade delas. Com o vendedor de livros é assim. Sempre que entro na livraria sinto que vou encontrá-lo. Na feira do livro pressinto que o verei, mesmo que de longe.
Quem sabe nossos caminhos não se cruzem de novo né? É como aquela música da Ana Carolina, numa hora ou outra minha vida encosta na tua.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
O vendedor de livros
Ele podia ser um vendedor de sonhos, ou ser o dono do meu sonho. Quase todos os livros que tenho comprei com ele, sério! Eu entrava na salinha onde ficava a livraria e ele com aquele vozerão me invadia inteira. Sabe quando uma voz te enche, te abre, te invade? Não era só pelos ouvidos não, não era aquela oscilação do tímpano. Aquela voz, só a voz me despia inteira.
Depois tinha aquele olhar. Nossa! Eu sei que o olhar dele era uma retribuição do meu olhar abusado pra cima dele. Mas era um olhar de raio X.
Na verdade, nunca aconteceu nada, nós conversávamos sobre livros, ele me perguntava coisas sobre o Gabo, meu autor favorito e falava de alguns pedaços de livros que lia quando tinha tempo na livraria.
Na verdade o nome da minha biblioteca será em homenagem a ele, ao que ele se ofereceu para organizá-la. Pena é que ele não está mais na livraria e faz uns dois anos que não o vejo mais. Sinto saudade de vê-lo na Feira do livro.
agora ele é o vendedor de livros que só aparece no meu sonho.
Depois tinha aquele olhar. Nossa! Eu sei que o olhar dele era uma retribuição do meu olhar abusado pra cima dele. Mas era um olhar de raio X.
Na verdade, nunca aconteceu nada, nós conversávamos sobre livros, ele me perguntava coisas sobre o Gabo, meu autor favorito e falava de alguns pedaços de livros que lia quando tinha tempo na livraria.
Na verdade o nome da minha biblioteca será em homenagem a ele, ao que ele se ofereceu para organizá-la. Pena é que ele não está mais na livraria e faz uns dois anos que não o vejo mais. Sinto saudade de vê-lo na Feira do livro.
agora ele é o vendedor de livros que só aparece no meu sonho.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Meu pé de laranja lima
O livro é bem antiguinho, mas é de uma singeleza que faz com que tenhamos vontade de ter sido um menino levado. Meu pé de laranja lima, do José Mauro de Vasconcelos é um dos mais lindos que já li. Não tem a beleza filosófica d'O pequeno príncipe, de Antoine de Sant Exupéry. Talvez por representar uma infância possível pra mim, que vim de uma família pobre, que tenho as histórias do meu pai e da minha mãe de crescerem numa cidade muito mais verde, muito mais pacata, O meu pé de laranja lima toque tanto.
Não preciso nem dizer que leio e choro e riu muito, pelas mazelas do pobrezinho do Zezé e pelas suas diabruras também.
Nunca vou esquecer o dia que acabei de ler o livro, já estava com dezesseis anos, numa manhã quente de verão, e chorava copiosamente. Minha mãe foi quem pediu pro meu irmã tirar o livro na biblioteca do sesi, que era pertinho da minha casa. Todos lemos, ele, que bem se parecia com o Zezé em suas capetices, a mãe, que já tinha lido na juventude e eu.
Este livro virou um "livro de família", a gente fala bem dele, faz beicinho quando lembra alguma passagem triste, enfim, vive a história todo o tempo, quando lê e quando relembra. Eu comprei o livro para ler para os meus sobrinhos. Estou lendo sozinha primeiro, para relembrar coisas esquecidas. E tenho certeza de que quando ler para eles vou chorar, de novo, e as crianças irão rir, de mim.
Não preciso nem dizer que leio e choro e riu muito, pelas mazelas do pobrezinho do Zezé e pelas suas diabruras também.
Nunca vou esquecer o dia que acabei de ler o livro, já estava com dezesseis anos, numa manhã quente de verão, e chorava copiosamente. Minha mãe foi quem pediu pro meu irmã tirar o livro na biblioteca do sesi, que era pertinho da minha casa. Todos lemos, ele, que bem se parecia com o Zezé em suas capetices, a mãe, que já tinha lido na juventude e eu.
Este livro virou um "livro de família", a gente fala bem dele, faz beicinho quando lembra alguma passagem triste, enfim, vive a história todo o tempo, quando lê e quando relembra. Eu comprei o livro para ler para os meus sobrinhos. Estou lendo sozinha primeiro, para relembrar coisas esquecidas. E tenho certeza de que quando ler para eles vou chorar, de novo, e as crianças irão rir, de mim.
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